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LEIA “UMA CONQUISTA CASSADA”

Quer saber como aconteceu o cerco da ditadura militar em Vitória da Conquista, em maio de 1964? É só ler “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, do autor Jeremias Macário de Oliveira, cuja obra foi lançada em julho do ano passado e se encontra nas principais bancas de revistas e nas livrarias Nobel da cidade.

Jornalista e escritor, Jeremias Macário, após cinco anos de pesquisas e entrevistas, narra no livro como os militares chegaram a Conquista e prenderam mais de 100 pessoas consideradas pelo regime como subversivas comunistas. Na época, o prefeito José Pedral Sampaio foi preso e depois teve seu mandato cassado num processo truculento contra os vereadores da Câmara Municipal.

O livro já foi lançado em Vitória da Conquista, várias cidades da região e em Salvador. Dentre os episódios que deixaram os moradores em pânico, destaque para o suposto suicídio do vereador Péricles Gusmão encontrado morto numa das celas da Companhia Militar. Além de Conquista, o autor também faz relatos sobre a ditadura no Brasil, inclusive foca o período da guerrilha do Araguaia, mortes e desaparecimentos de presos políticos.

A obra pode ser também adquirida através do e-mail macariojeremias@yahoo.com.br ou pelo telefone 77 988182902. Numa linguagem simples, o trabalho é de suma importância para estudiosos no assunto, professores e estudantes, principalmente jovens com interesse em compreender o que foi a ditadura civil-militar em nosso país.

DOS CORONÉIS AO “SENADINHO”

Vitória da Conquista é hoje uma cidade de economia pujante postada numa encruzilha entre o Sul e o Nordeste, carente de grandes projetos de infraestrutura, que tem muitas histórias, estórias e causos pra contar desde a vila dos coronéis até os tempos atuais do “Senadinho” que funciona em tempo integral de dois turnos ali na praça Barão do Rio Branco, diferente do nosso Congresso Nacional que só abre três dias por semana para infernizar a vida dos mortais.

No outro quarteirão temos a Câmara Municipal de Vereadores, na rua Coronel Gugé, que faz duas sessões por semana e dá muitas moções de aplausos; realiza inúmeras indicações e sessões especiais; delimita o lote eleitoral de cada um; e vez por outra tasca pauladas na nossa língua portuguesa entre suas 21 excelências. Logo mais vão dizer que precisamos de mais alcaides para melhor representar nossa querida terrinha.

Luxo mesmo é o “Senadinho” que tem duas bancadas, uma ao lado da Loja Insinuante pela manhã e outra ao lado do Banco do Nordeste pela tarde e já teve personalidades importantes que lá iam para avaliar seu peso político e trocar algumas ideias de mudanças para a cidade. Sempre na sombra, não gasta energia elétrica, água, equipamentos e materiais, nem tem funcionários marajás.  O “Senadinho” é nosso e poderia ser tombado como patrimônio imaterial.

No embalo das fofocas da vida alheia de quem tem dinheiro e os que vivem só de aparência, quem se separou e corneou quem, numa conversa e outra sobre política local, baiana e brasileira, rola uma agiotagezinha dentro daquelas bolsas que ninguém é besta e de ferro pra ficar parado. Ora, os bancos também ao lado são agiotas! Só acho que o “Senadinho” está precisando de uma renovação de sangue novo como se diz por aí. Temos um Senadinho também no “Beco da Tesoura”, mas a bancada é bem menor.

Depois desse “blábláblá”, queria dizer que a terra não é só rica no café, no comércio e na educação. Somos imbatíveis também na boataria, no arquivo de processos de crimes insolúveis e temos um patrimônio folclórico sem igual, com personalidades pra lá de inusitadas. Semana passada mataram meu amigo e companheiro fotógrafo José Silva. Quem me deu a primeira notícia, com ar de riso, foi meu xará técnico das máquinas das lentes.

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EVANDRO CORREIA NO “JEOVAH”

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Com sua voz grave e romântica já conhecida dos conquistenses, de toda a Bahia e de outros estados, o cantor e compositor Evandro Correia, acompanhado do músico Adriano Gama com sua guitarra, deixou mais uma vez o público extasiado no aconchegante Teatro Carlos Jeovah em seu show de lançamento do novo DVD no último dia 20 de novembro. Na seleta plateia que aprecia a boa cultura da terra, lá estavam Lídia Rodrigues, a jornalista Lú Macario e o nosso querido Dorinho que, além de músico, contador de histórias, agora é também versátil na fotografia.

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Com seu jeito brincalhão e observador dos comportamentos humanos, Evandro Correia estava à vontade para contar histórias de suas composições, inspiradas em amigos, amigas e coisas do sentimento. Nisso ele tira de letra com seu talento que o Supremo lhe deu. Como convidado, Nelson Ângelo brindou o público presente com músicas do seu último CD “times square” no ritmo do jazz que combina muito com a noite. Quem não foi perdeu grandes apresentações.

A TERRA EM EBULIÇÃO

Com tantas tragédias e catástrofes climáticas, terremotos, furacões, inundações, guerras, ódio, indiferenças, intolerâncias raciais e religiosas, consumismo desvairado e doenças malignas, inclusive ao nosso redor, batendo em nossas portas todas as horas e dias da vida, será que a humanidade deste planeta terra tem salvação como apregoam filósofos e pensadores otimistas?

Mesmo neste estado de ebulição constante de pavor, pânico e terror, já ouvi muito de estudiosos e intelectuais a profecia de que a terra caminha para uma convergência humanística de harmonização e solidariedade entre os povos. De que, diante de tantas ganâncias e desrespeito entre os seres, ainda é possível o encontro definitivo tão desejado com a paz. No mais profundo do nosso íntimo, o que vemos mesmo e para aonde vamos?

Desde o início do último século que se passou, a terra ainda continua como um caldeirão fervente pronto a explodir, e não me refiro apenas ao aquecimento global amplamente discutido. “Coisa do fim do mundo”, ou “sinal dos tempos” eram expressões simples e matreiras mais usadas pelos pais dos nossos pais da nossa geração quando se deparavam com comportamentos ousados e rebeldes, principalmente dos jovens.

Uns diziam que era coisa de velho atrasado e outros vaticinavam que a tendência era piorar ainda mais. Se vivos fossem, o que eles diriam hoje diante de tantas atrocidades e perversidades humanas? Pode até ser uma discussão simplista, mas os acontecimentos excessivamente desumanos nos convocam a refletir sobre este caminho para o fim que a maioria não quer encarar como verdadeiro e previsível.

Não estamos lidando apenas com a questão de pai matar filho e filho matar pai, ou irmão matar irmão, porque isto já está na origem da natureza, mas com as monstruosidades incontroláveis criadas pelo próprio homem que faz a terra entrar em ebulição final. A estupidez e o barbarismo das criaturas de hoje têm seus próprios criadores de ontem. Através da raiva de seus criadores, cães geneticamente deformados agora destilam seus venenos mortais e cruéis.

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ALUGUEL E A PROLE

Antônio Novais Torres

Vésperas de eleições majoritárias. O prefeito local era correligionário e amigo do governador e tinha a pretensão de instalar uma agência do Banco do Estado na sua cidade. Fez ciente o Governador desse desejo e recebeu sinal verde, desde que conseguisse um imóvel adaptável e no centro da cidade.

Dentre os imóveis apresentados, foi escolhido o de um conhecido cidadão, intermediado por injunções de políticos. Os trâmites legais foram cumpridos, e a obra teve início com inauguração marcada para antes da realização do pleito, rendendo dividendos eleitorais para o Prefeito, o Governador e os políticos que gravitavam em torno destes.

O contrato foi feito atendendo às exigências do locador, inclusive quanto ao prazo e à cláusula da sua renovação. Por ocasião da renovação do contrato, a agência local, através do seu gerente, manifestou-se impossibilitada de fazê-lo, vez que o contrato inicial fora feito em Salvador pela diretoria do banco e, sendo assim, só a diretoria poderia renová-lo.

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PONTO DE VISTA “AESTRADA”

CENTRO ADMINISTRATIVO

A Prefeitura de Caetité já está implantando seu Centro Administrativo com empréstimo de R$ 7 milhões do Desenbahia, com conclusão prevista para final de 2016. São sete prédios que vão abrigar a sede da Prefeitura e as secretarias.

Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia e entre as 100 mais dinâmicas do Brasil já deveria ter seu centro. Aqui, o projeto traria vários benefícios como facilitaria a vida de servidores e usuários e desafogaria o centro da cidade com menos carros e gente. Hoje a Prefeitura tem um gasto enorme com aluguel de imóveis em locais distintos.

AEROPORTO

E o novo aeroporto de Vitória da Conquista, hem! Depois da última audiência realizada na Câmara de Vereadores há mais de um mês ninguém fala mais no assunto. Essas audiências da Câmara começam no bla-bla-blá e terminam no Deus dará. O deputado federal Lúcio Vieira Lima disse que não passa de conversa fiada essa coisa de projeto e recursos para a construção do terminal de passageiros. Os vereadores ficaram calados. Com a pista e os acessos prontos, ficamos com uma obra inacabada.

TRISTE CULTURA!

Mais de dois anos e nada de reforma do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima! Aliás, não está fazendo muita falta, pois a nossa cultura aqui se resume na Festa de Natal e no São João do Periperi, além de alguns espetáculos de alienação com bandas comerciais de axé, pagode, arrocha e outros lixos. Triste cultura! A maior atividade cultural de Conquista hoje é a do tomar uma no bar.

MENINO MAICON

Estamos no clima de Natal e ninguém fala mais do caso do menino Maicon, morto há três anos numa ação desastrada da polícia militar que desapareceu com o corpo. Seus pais e parentes não tiveram o direito de enterrar a criança. Os soldados culpados continuam nas ruas e a sociedade faz de conta que nada aconteceu, mas sabe fazer campanhas para arrecadação de donativos e caminhadas pela paz, para aparecer sorrindo na mídia.

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100 ANOS DO ESCRITOR ADONIAS FILHO

Texto da Academia Brasileira de Letras (Biografia)

Colaboração de Antônio Novais Torres

Quinto ocupante da Cadeira 21, eleito em 14 de janeiro de 1965, na sucessão de Álvaro Moreyra e recebido em 28 de abril de 1965 pelos acadêmicos Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Otávio de Faria, Joracy Camargo e Mauro Mota.

Adonias Filho (A. Aguiar Fo), jornalista, crítico, ensaísta e romancista, nasceu na Fazenda São João, em Ilhéus, BA, em 27 de novembro de 1915, e faleceu na mesma cidade, em 2 de agosto de 1990.

Filho de Adonias Aguiar e de Rachel Bastos de Aguiar, fez o curso secundário no Ginásio Ipiranga, em Salvador, concluindo-o em 1934, quando começou a fazer jornalismo. Transferiu-se, em 1936, para o Rio de Janeiro, onde retomou a carreira jornalística, colaborando no Correio da Manhã.

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SABEDORIA POPULAR III

Tem muito mais coisas por aí pelos grotões do Brasil a fora ditas pelos mais antigos como os avós da nossa geração dos 60, 70 e 80, mas vamos finalizar nossa série de Sabedorias Populares.  São ditados filosóficos que grudam em nossa memória e servem para o dia a dia da vida.

Vamos lá com a nossa lista de frases dos sábios autores anônimos, muitas delas escritas em carrocerias de caminhões:

“Casa de ferreiro, espeto de pau”.

“O pouco com Deus é muito”.

“Alegria de pobre dura pouco”.

“Quando pobre corre é porque é ladrão”.

“Pobre já nasceu fazendo regime”.

“Quem gaba o toco é a coruja”.

“Macaco velho não mete a mão em cumbuca”.

“Filho de peixe, peixinho é”. Essa cai bem em nossos políticos que passam anos mamando nas tetas do povo e depois passam os fartos peitos para seus filhos.

“Nem tudo que reluz é ouro”.

“Tudo no início são flores”. É como o amor no começo.

“O uso do cachimbo põe a boca torta”.

“O hábito faz o monge”. Aqui temos ladrões de colarinho branco.

“Cesteiro que faz um cesto faz um cento”.

“Quem ama o feio, bonito lhe parece”.

“Deus ajuda quem madruga”. Esta sempre ouvia do meu pai que foi um monstro no trabalho para sustentar a família na roça.

“Farinha pouca, meu pirão primeiro”. A farinha está escassa e difícil de conseguir, mas o pirão dos políticos é garantido e ninguém tasca a mão nele.

“Quem come e guarda, come duas vezes”. Ainda não consegui fazer isso em vida.

“Mateus! primeiro os teus!”

“Antes só que mal acompanhado”.

“Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Pode ser também em outro lugar.

“Quem tem telhado de vidro, não joga pedra no do vizinho”. Nos poderes executivo, legislativo e judiciário brasileiro, praticamente todos têm telhado de vidro. É pedra pra tudo que é lado, mas os deles é de zinco.

“Roupa suja se lava em casa”. Muitos lavam nas ruas e praças mesmo.

“Pé que não anda, não dá topada”.

“O tolo que pouco fala, passa por sábio”.

“É melhor ficar calado do que dizer besteiras”.

“Antes prevenir que remediar”. Aqui no Brasil, mesmo você se prevenindo, fica remediado mesmo”.

“Quem avisa amigo é”.

“Papagaio come o milho, periquito leva a fama”.

“Antes um cachorro amigo do que um amigo cachorro”.

“O amor é uma flor que nasce no coração do trouxa”.

 

 

 

EMANCIPAÇÃO COMO VILA

Fotos de J.C. D´AlmeidaVista Conquista 3 foto J.C.D´Almeida

Por que os municípios de Ilhéus e Porto Seguro, só para citar os dois, pelas suas datas de comemoração de independência têm menos tempo de emancipação política que Vitória da Conquista, embora sejam bem mais velhas como vilas?

Ilhéus passou a comemorar sua emancipação a partir de 1881, mas já era vila desde 1534. Porto Seguro completou no dia 28 de junho último 124 anos de emancipação política como município, se bem que já era também vila desde 1534.

Outra que nasceu às margens do rio Paraguaçu, no século XVI foi Cachoeira. Em 1698 a freguesia alcançou a categoria de vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira. Somente em 13 de março de 1837 Cachoeira foi elevada a cidade pela Lei número 43, data em que comemora sua emancipação política.

Conquista Nova e Antiga - foto J.C.D´Almeida

A Vila da Victória foi criada pelo Decreto Imperial número 124, em 19 de maio de 1840. No entanto, a data política é comemorada em 9 de novembro em referência à posse do Conselho Municipal, o equivalente a Câmara Municipal de Vereadores de hoje.

Acontece que a vila só passou a ser cidade após a Proclamação da República, em 1º de junho de 1891. De Cidade da Conquista recebeu definitivamente o nome de Vitória da Conquista em 1943. Pela data comemorativa de emancipação, Conquista dá a entender ser mais velha que Porto Seguro e Ilhéus.

Ainda pelos meados do século passado, com o parecer de uma comissão denominada de grandes intelectuais e aprovação dos poderes legislativo e executivo, Conquista passou a comemorar sua data com base em 9 de novembro de 1840 quando se deu a posse do Conselho, formado por Manoel José Viana, Joaquim Moreira dos Santos, Theotônio Gomes Roseira, Manoel Francisco Soares, Justino Ferreira Campos, Luiz Fernandes de Oliveira (presidente) e Francisco Xavier da Costa.

É certo que naquela época de 1840, a vila passou a organizar sua gestão, inclusive aprovou um código de posturas com poderes de disciplina, mas o local continuou dependente das comarcas de Caetité e Jacobina para resolver seus processos e ações na Justiça. Naquele tempo, o fundador do povoado João Gonçalves da Costa (Capitão da Conquista do Gentio Mongoió) reclamou ao governador da província dizendo que os conflitos demoravam muito tempo para serem solucionados, sem contar os altos custos processuais.

Praça Barão do Rio Branco já foi antigaRrua Grande foto J.C.D´Almeida

Ele sugeriu, inclusive, que a vila se reportasse a Ilhéus por ser mais perto e considerou um absurdo a vinculação com a Ouvidoria de Jacobina. Em 1873 passou, então, a se reportar a Santo Antônio da Barra (Condeúba), só se desligando em 1882 quando a vila recebeu o título de comarca.

A história nos conta ainda que Caetité, antiga Santa Anna de Caetité, passou a ser vila imperial em 1810 se desmembrando da comarca de Minas de Rio das Contas (vinculada a Jacobina). Até pouco tempo comemorava-se a emancipação política a partir da sua designação como cidade logo após a Proclamação da República.

Como denotava ser mais nova que Conquista, lá foi feita uma correção com base no ano de 1810 quando se tornou vila e comarca. Portanto, Caetité está completando agora 205 anos de emancipação. Não sou doutor no assunto, mas deixo aqui meu contraponto de que esta é uma discussão que ainda carece ser mais aprofundada pelos historiadores.

Não seria o caso também de Porto Seguro, Ilhéus e Cachoeira, como cidades mais antigas, adotarem o mesmo procedimento de revisão histórica, passando a festejar suas emancipações políticas a partir da titulação como vilas? Ou são casos diferentes?

Como no Brasil e na Bahia se gosta muito de festas e feriadões, bem que se podia comemorar como vila e cidade, sendo assim constituídas oficialmente duas datas no ano. Fica aqui a sugestão, porque quase ninguém sabe quando Conquista passou a ser cidade de verdade.

COMO ACREDITAR NO PAÍS DO FUTURO?

Numa situação onde o sistema já nasceu excludente, num emaranhado de peças enferrujadas, ser otimista neste país é até ser leviano. É como vender um alimento estragado e tentar convencer o comprador de que ele pode se tornar saudável com a introdução de substâncias químicas. É o caso brasileiro onde há muitos anos um monte de itens esperam na fila do país do futuro.

Palestrantes de autoajuda e estrangeiros maravilhados que aqui chegam tentam incutir em nós de que este é o Brasil do futuro. Os primeiros porque querem vender seu peixe passado na base do ânimo a qualquer custo. Os segundos porque ficam encantados com suas belezas, com a vida bagunçada que eles não têm e quase sempre desconhecem o interior do produto. Só uma revolução de verdade começando do zero nos levaria ao país do futuro.

Não estou falando daquela história de injetar competição capitalista a qualquer custo no indivíduo para ele vencer na vida, mesmo que não seja por meios lícitos. Estou me referindo ao país como um todo no sentido coletivo da palavra que requer planejamento e gestão de inclusão, justiça social, reparação e expurgação dos privilégios nababescos restritos a determinadas categorias que estão bem longe da pobre realidade brasileira.

Como acreditar num país do futuro que reluta endireitar os caminhos tortuosos que há anos só fazem aumentar as desigualdades sociais e crescer o ódio entre as classes? O povo aqui sempre foi vítima de calotes e mais calotes de um poder público negligente, arcaico e roedor famélico das entranhas de seus cidadãos.

Existe um sem número de coisas na vida do país que não adianta fazer remendos para galgarmos este futuro tão decantado pelos otimistas de plantão. Comecemos pelo esquema eleitoral montado que nada difere do antigo coronelismo. Nele se vota iludido de que é a saída, só que os resultados nunca aparecem. É um modelo totalmente antipatriota no lugar de ser uma cidadania respeitada e digna.

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