OS HORRORES DAS MURALHAS NUMA VIAGEM PARA O INFERNO
Desde o homo sapiens, cercas de paus e muralhas de pedras começaram a se erguer em diferentes territórios para separar povos e tribos rivais. Serviam como fortificações contra invasores em tempos de guerra, como a Grande Muralha da China ainda nos tempos das dinastias contra os mongóis. Tinham ainda a função de proteger suas economias e produções para que outros não tivessem acesso às suas riquezas, e até mesmo por questões culturais de origens entre raças.
Os horrores das matanças e das misérias entre poderosos contra os mais fracos tiveram início com essa delimitação de fronteiras. Umas feitas para segregar e outras como masmorras para aprisionar e torturar até a morte. Não, necessariamente, são construídas de tijolos e concreto armado. Estão também expostas nas barreiras armadas pelos homens com ordem de atirar em quem se atrever furar o cerco.
Pontos naturais como grandes montanhas, densas florestas, rios, geleiras e mares são também utilizados como linhas divisórias para impedir a passagem de humanos de um lado para o outro. Mesmo assim, o Atlântico e o Pacífico nunca foram impedimentos para travessias dos navegadores. Cita a Bíblia que o Mar Vermelho era obstáculo maior para o povo de Moisés que fugia da escravidão do Faraó em direção a outra margem, para entrar na terra prometida.
Acontece que nesse jogo dos horrores, os mais fortes como os antigos romanos e depois os norte-americanos nunca respeitaram os limites e sempre atravessaram o outro lado para dominar, colonizar e explorar os mais pobres. Quem nunca ouviu as narrações históricas sobre as muralhas de Jerusalém dos tempos dos reis David e Salomão e das guerras fraticidas entre as tribos? E sobre os muros que cercavam a cidade de Troia e foram derrubados pelos gregos?
E A MORALIZAÇÃO DO CONGRESSO?
VEM AÍ O ACORDÃO! OLHO NELE!
É desmoralizante ouvir de um líder do tal Movimento Brasil Livre, de Salvador, que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é um bom parlamentar e que a Casa agora é independente. Que independência é essa vinda de um elemento que só rachou com o executivo porque foi citado como corrupto na Operação Lava Jato?
Para explicar seu apoio ao presidente da Câmara, disse que se trata de uma estratégia. Que estratégia é esta à custa da coerência, fazendo o mesmo jogo do PT que se aliou ao que existe de pior na política brasileira? É por essas e outras que não consigo acreditar nesse Movimento Brasil Livre. Nesse pirão tem osso!
Nas manifestações ainda ecoam vozes desafinadas e desajustadas, dentre as sensatas que apoiam as investigações do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro; pedem o fim da corrupção e cadeia para os culpados; clamam por mais educação, saúde e segurança; e querem o controle da inflação, crescimento econômico e menos desemprego.
Não vi nada com relação aos desmandos e às mordomias do Congresso (Senado e Câmara) que há anos legisla de costas para o povo e mantém um sistema eleitoral caduco que só serve para manter eles no poder. Não entendi essa de fora Renan Calheiros e dentro o Eduardo Cunha. São sabe quem é o pior dos dois.
Até ontem o Renan fazia parceria com o Cunha para botar “pautas bombas” nas duas Casas. Não vi nada referente à moralização desse Congresso cujos membros ajustam seus salários por conta própria e recebem polpudas verbas de gabinete. Agora é só o Renan, Dilma e Lula fora, e os outros, como Fernando Collor, Sarney, Cunha e companhia da mesma laia, ficam.
Se não é uma contradição, as manifestações estão fora de foco ou carentes de pessoas que afinem suas vozes neste concerto. Dizem que são apartidárias, mas não é isso o que se vê, com exceções. Mesmo sem uma devida organização, as de junho de 2013 deram a cara de apartidárias e espontâneas.
Diante da crise moral e política, não se pode ficar ao lado de instituições e gente que só fizeram, ao longo dos anos, enterrar o país, só por questão de estratégia. A história mostra que sempre que se agiu assim, o tiro saiu pela culatra e as coisas pioraram. Cuidado com o acordão entre eles que está pintando aí, dando xeque-mate no povo!
XEQUE-MATE DO ACORDÃO
Nesse tabuleiro do xadrez tupiniquim brasileiro dos reis, rainhas, príncipes, damas, torres, panelas, machados, martelos, foices, vilões, feiticeiros, corruptos, dos coronéis e generais está pintando um acordão com o satanás para tirar a economia da encruzilhada e desfazer a maldição da crise política e moral. Mais uma vez, quem vai levar o xeque-mate é o povo.
Se for partir para o jogo mais popular de buraco ou pôquer com o baralho dos coringas, valetes, espadas e azes, também o povo pode ser emburacado com uma canastra de mil. Limpa ou suja, a jogada tem sempre trapaça no meio. Se for no dominó pode ser “lasquinê”. Tem muita gente por aí blefando, mas o acordão pode transformar as investigações da Operação Lava Jato numa pizza de tamanho continental.
Na dama pode haver um vacilo e resultar numa comida geral. As pedras e as cartas do jogo, que até há pouco tempo o povo estava ganhando nas ruas, estão, mais uma vez, se movimentando na direção do acordão com a dita esquerda, a qual está se derretendo como sorvete no calor de 40 graus. Os de bandeiras vermelhas blefam porque não têm balas nas agulhas das armas e os azuis mais parecem birutas de aeroporto.
Os lobos, as hienas e as raposas das estepes vagueiam farejando carniças como aves de rapina. Defendem com unhas e dentes seus nobres espaços de caça. A fauna dos bichos é rica e a flora é exuberante. As cobras saem das locas quando o tempo esquenta e os ratos pulam do barco quando começa a afundar. Eles sempre retornam em outra embarcação, sob novo comando.
Enquanto isso, a manada dispara no desfiladeiro em direção ao abismo. Os cowboys tentam controlar, mas muitas rezes se perdem do rebanho. Do outro lado, carneiros e bodes pastam no terreno duro e íngreme se esticando para pegar algumas folhas secas lá no alto, sem se incomodar com o perigo do predador.
É um alerta para os navegantes das manifestações. O cachorro raivoso que ontem ladrava e mordia, hoje lambe e assopra. O povo tem que estar atento com os olhos bem abertos para não ser iludido por um punhado de inocentes úteis que servem de iscas para os tubarões do mar.
Quando o cerco começa a se fechar e o povo acredita que agora é a vez, aí os bandidos conseguem escapulir por um alçapão camuflado e fogem pelo túnel do poder. Tudo em nome dele. Pode até mudar de pastos, mas os donos continuam os mesmos porque o sistema de engorda segue, às vezes, com algumas formas de ludibriar.
Falo em metáforas para avisar que está se armando o acordão para que tudo continue como dantes na casa de Abrantes, ou como se diz na França: plus ça change, plus c´est la même chose (quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas).
PONTO DE VISTA
É NO FAZ DE CONTA MESMO!
Como se diz na França; plus ça change, plus c´est la même chose (quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas)
Mesmo calejado de ver tantas coisas horríveis e absurdas neste Brasil onde se rouba comida de crianças pobres, fiquei mais uma vez envergonhado e chocado com as cenas exibidas no programa “Profissão Repórter”, de Caco Barcellos sobre o transporte escolar em diversos municípios do país.
As reportagens chocantes de país de terceiro ou quarto mundo foram feitas em Marajó do Sena (ilha do Marajó), em Arataca, no sul da Bahia, e em Teresina do Goiás, no Piauí, onde crianças pobres das zonas rurais saem com fome de seus casebres logo cedo e enfrentam longas distâncias a pé, dentro de lama e água até as escolas precárias e sujas.
O que essas crianças aprendem? É um faz de conta para o prefeito medir a quantidade e dizer que tem tantas escolas em seu município como se conta o ensino no Brasil. O que vi foi uma tortura física e psicológica. O resto do dinheiro roubado da educação é jogado fora. Se estivéssemos num país sério, os responsáveis por este crime estariam na cadeia.
Quando não é a pé, numa distância de mais de cinco quilômetros, as imagens mostram crianças famintas em paus-de-arara enfrentando estradas enlameadas que, na maioria das vezes, precisam ser desatolados por tratores. Depois de uma jornada perigosa e torturante de duas a três horas, os alunos chegam estafados e sujos de lama à “escola” que mais parece com um curral de animais.
O retorno é outro tormento. As crianças saem às 17 horas, muitas vezes com fome por falta de merenda escolar, e chegam a seus casebres por volta de 19h30min. Bonachões e sorridentes, os prefeitos dizem que fazem o possível e jogam a culpa no estado. Alguns ônibus escolares, quando aparecem, estão caindo aos pedaços de velhos, e as caminhonetes deveriam estar na sucata.
E assim, as estatísticas dizem que mais de 90% das nossas crianças estão nas escolas. Que escolas, cara-pálida? O que existe é um crime de tortura. Melhor seria que essas crianças ficassem em suas casas, pelos menos não passariam por tantos traumas na vida. Ainda apareceu o imbecil de um secretário de Transportes que não gostou da filmagem de uma repórter como se aquilo ali fosse propriedade dele. Ainda chamam isso de Pátria Educadora1 Cadê o direito social inalienável de que fala a Constituição?
CASOS & CASOS
A situação do Brasil nos deixa aperreados e envergonhados com tantos desmandos, incompetência e corrupção, com seus valores invertidos, mas a vida é também feita de “CASOS & CASOS – Verdades que Parecem Mentiras” contados aqui pelo escritor e amigo Raimundo Nonato Nunes da Silva, nascido em Senhor do Bonfim e formado em Administração pela Universidade Estadual de Feira de Santana –UEFS. Quando autografava o livro, olhou sério para mim e advertiu que todos os Casos eram verídicos.
A TROCA
MORRO DO CHAPÉU -BA
É uma leitura prazerosa, por isso vamos transcrever o primeiro Caso De Raimundo Nonato:
Um cachaceiro inveterado, cujo nome vou omitir, em uma manhã de segunda-feira, chega ao armazém mais próximo e pede uma pinga.
– Ô seu Zé, bota uma cachaça pra mim.
Seu Zé olhou pro estado do homem que, àquela hora, já não se equilibrava em pé e disse em tom forte:
-Não vou lhe vender cachaça nenhuma.
O bêbado olhou pra um lado, olhou pro outro, respirou fundo e disse:
-Então me dê uma cocada.
ÓDIO PURO É CEGUEIRA
“Estamos nos acostumando a perder o senso da vergonha”. É uma frase do protagonista do livro “Número Zero”, do escritor e intelectual Umberto Eco. A trama do romance se passa em Milão, Itália, em 1992, no tempo da “Operação Mãos Limpas” (mani pulite).
Gostaria de falar de coisas amenas, mas o cenário conturbado atual brasileiro não permite. Há dois anos a população saiu pacificamente (depois houve quebra-quebra) às ruas para pedir melhorias nos transportes públicos, mais saúde e mais educação. Prometeram uma reforma política eleitoral que não deu em nada e, ainda por cima, a economia mal conduzida começou a descer ladeira abaixo.
Sem gestão administrativa competente, o governo Dilma gastava mais do que tinha, inclusive com as tais pedaladas fiscais. Muitos números negativos e os escândalos foram abafados porque vinha ai uma eleição pela frente e os meios justificavam os fins para o PT se manter no poder. Depois do pleito, a panela não suportou tanta pressão e terminou por explodir.
Com os reajustes da energia, dos combustíveis, da água e outros itens, o dragão da inflação acordou soltando fogo pelas ventas e com ele o desemprego e a desagregação social, sem contar as revelações mais escabrosas da Operação Lava Jato envolvendo o PT e os principais partidos da aliança que tudo fizeram para depenar a Petrobrás.
O povo que elegeu a presidente se sentiu traído com as promessas de dias melhores e ai veio o ódio que foi tomando proporções ainda maiores a partir de aproveitadores e oportunistas que apenas torcem pela desgraça do governo, não importando se as consequências podem resultar numa tragédia.
PONTO DE VISTA
OBRA INACABADA
Fotos de José Carlos D´Almeida
Com a conclusão da pista de pouso, os acessos e o prédio do corpo de bombeiros praticamente prontos, o novo aeroporto de Vitória da Conquista, a 500 quilômetros da capital e a terceira maior cidade da Bahia, está entrando no rol das obras inacabadas e abandonadas no Brasil.
Acontece que a licitação para construção do prédio-sede do novo aeroporto, que deveria ter sido anunciada em março, ainda não saiu e estamos entrando em final de ano. Sem recursos, os governos estadual e federal enrolam e o tempo vai passando. Os mais de 80 milhões de reais já gastos podem ser tragados pelo matagal. Mais um dinheiro do contribuinte jogado fora.
O movimento de empresários pelo novo aeroporto de Conquista tem que tomar medidas sérias e concretas, como mobilizar toda sociedade para pressionar o governo a anunciar já a licitação para edificação dos equipamentos da sede. Infelizmente, no Brasil só se consegue as coisas na base da pressão política, como se diz no popular, batendo forte na mesa.
Outra coisa que o movimento tem que fazer é divulgar, através de uma comissão de líderes, a situação nos principais veículos de comunicação de Salvador porque a obra não é só de interesse local, mas estadual e nacional. É imprescindível também o esforço junto às principais entidades baianas como Federação das Indústrias, Federação do Comércio e Câmara de Diretores Lojistas.
De Conquista existem quatro deputados que precisam deixar as querelas de lado e se unirem em torno de um projeto que vai beneficiar toda comunidade. Enquanto isso, com o velho aeroporto que está mais para galpão de pouso, a cidade passa vergonha todos os dias quando recebe um visitante, devido aos inúmeros transtornos já conhecidos de todos.
DOIS DE JULHO
Já que estamos falando de aeroporto, o de Salvador que os bajuladores de ACM tiveram a insensatez de trocar o nome de “Dois de Julho” para Luis Eduardo Magalhães, é outra vergonha nacional. Sem falar nos problemas diários de embarque e desembarque, dez anos de PT na Bahia e nada foi feito até agora para que finalmente as tripulações das aeronaves possam anunciar: Estamos chegando no Aeroporto Internacional “Dois de Julho”. E ainda nos exige que tenhamos orgulho de sermos baianos e brasileiros. É pedir demais!
“A LÓGICA DAS GANGUES”
Um político espumando com a língua de lúcifer é muito mais ofensivo do que um cão raivoso ladrando em sua porta, ou um lobo quando avista uma carniça. Pior ainda é quando se forma uma gangue que parte para a violência e intimidação quando se vê acossada por denúncias de corrupção. Um advogado das delações premiadas da Operação Lava Jato chamou denominou a prática de lógica das gangues.
Nessa crise política e econômica em que o Brasil está envolvido com o descontentamento geral contra o governo do PT (inflação, juros altos, desemprego, falta de saúde, educação e corrupção por todos os lados), o perigo maior está nessas gangues de aproveitadores e oportunistas que aos poucos vão municiando as massas de granadas suicidas porque elas sabem como manejá-las.
Quanto mais vulnerável o organismo, mais rápido o vírus se alastra pelo corpo como fez o nazismo de Hitler na Alemanha no início dos anos 30. No momento dessa debilidade nacional, aparece um farsista, fascista e facínora para se apropriar dessa fraqueza, só porque também está sendo apontado como um dos recebedores das propinas extraídas da Petrobrás.
Com sua gangue violenta prega o retrocesso de um possível retorno ao regime militar; ameaça uma advogada e chama de moleque e mentiroso o Procurador Geral da República. Em toda sua história, o Brasil não pode perder está única oportunidade de punir os grandes corruptos que há anos achacam o povo, não importando a cor dos partidos políticos.
Não facilita
Por sua vez, a presidente Dilma, com sua teimosia de durona não encara a realidade da situação fazendo mea culpa dos seus erros, de modo a desmascarar os que destilam veneno. Enquanto isso, a nação fica sendo massa de manobra, pois a grande maioria não tem consciência política e injeta todo seu ódio contra a mandatária, pedindo sua saída como se isso fosse a solução.
EM HOMENAGEM AO ESCRITOR
Em nosso último sarau, no “Espaço Cultural A Estrada”, no dia 25 de julho, prestamos uma homenagem ao dia do escritor e, ao mesmo tempo, cantamos parabéns ao aniversário do professor Itamar Aguiar no ritmo do samba cantado e violado pelos músicos Mano Di Souza, Moacir Morcego e Marta Moreno.
Foi mais uma noite de confraternização de um bate-papo informal e produtivo com as presenças dos fotógrafos José Silva e José Carlos D´Almeida entre outros convidados. Como sempre, houve recital de poesias misturadas ao som dos violeiros.
Na ocasião, o jornalista e o escritor Jeremias Macário anunciou a conclusão de mais um livro, intitulado “Andanças”, que já está sendo revisado e prefaciado pelo jornalista e companheiro de longas jornadas, Sérgio Fonseca. Para acompanhar o vinho, um delicioso surubim do “Velho Chico” feito pela sua esposa Vandilza Gonçalves.
Nem é preciso dizer que a festa varou a noite e, como sempre, o professor Itamar, com seu jeito boêmio e contador de histórias, foi o último a deixar o sarau com o gosto de quero mais. No próximo, ainda sem data marcada, vamos comemorar os cinco anos do sarau em nosso Espaço Cultural.
SÓ UM MILAGRE SALVA O “VELHO CHICO”
Ponte Bom Jesus da Lapa – Santa Maria da Vitória no oeste sobre o “Velho Chico”
Os 400 a 500 mil romeiros de Bom Jesus da Lapa esperados desde o final de julho até dia seis de agosto próximo para os festejos ao Senhor muito têm que penitenciar e rezar pela recuperação do Rio São Francisco, o conhecido “Velho Chico” que a cada dia está morrendo de tantas agressões praticadas pelos homens desde os últimos cinco séculos.
Estive na Lapa na semana passada e ouvi muitos comentários de pesar e de tristeza a respeito da sua degradação geral e dos desmatamentos em suas margens, sem contar os dejetos jogados no leito pelas cidades e empresas. Percebe-se que o rio está secando e o assoreamento avança. Apareceram áreas de pequenas ilhas onde antes essas terras eram cobertas pelas águas.
Ouvi de pessoas o desânimo profundo de que não há mais como recuperar o “Velho Chico”, mesmo que os governos juntem todas as forças e invistam pesado em sua revitalização. Durante anos, como sanguessugas só fizeram retirar água para energia, para abastecimento das cidades, para irrigar a agricultura e quase nada de medidas para repor e conservar.
Depois da ideia maluca e mirabolante de fazer a transposição de suas águas para os estados do Nordeste, cujas obras estão rachadas e abandonadas no meio do caminho, o governo anunciou alguns projetos de revitalização que se arrastam lentamente, só para tapear, como se a natureza fosse se contentar com tão pouco. Sua revolta está sendo maligna.
O descaso foi tão grande que sua nascente, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, secou, e agora o rio definhado percorre os estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas em seu leito agonizante de morte. Muitos locais nem são mais navegáveis e em outros já se passa a pé ou de carro e carroça, como quiserem. Desapareceram a fauna e a flora. Os peixes escassearam.
Portanto, só restam aos romeiros de Bom Jesus da Lapa, que recebe por ano mais de dois milhões de pessoas, fazerem muitas orações, preces e promessas para o Bom Jesus (seis de agosto), a Nossa Senhora da Soledade (15 de setembro), a Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) e a Santa Luzia (13 de dezembro).
O frei Capio jejuou por vários dias em suas margens na Juazeiro da Bahia, mas não quiseram ouvir sua penitência e clamor. São Pedro já fez de tudo quanto estava ao seu alcance, mas os homens, impiedosamente, se encarregaram de destruir, com suas atitudes e garras predadoras. Um dia não mais terão água para seus projetos gananciosos de irrigação, nem dele terão mais energia para abastecer cidades e vilas e não mais haverá ribeirinhos e ribeiros. Não mais se esbanjarão com suas orgias pecaminosas.
Enquanto ficamos aqui esperando por um milagre, por que as grandes empresas que pregam sustentabilidade social e ambiental em suas falsas propagandas não se unem para recuperar as matas ciliares e salvar o “Velho Chico” que há anos reduz sua vazão de água e perde seu encanto e magia?
Como disse o poeta: “E agora José”? Os peixes sumiram, o rio secou; não mais navios, barcos e velas; não mais o por de sol corado e vermelho refletindo em suas águas; não mais o verde de suas margens; não mais produção; não mais praias para se esbaldarem; não mais a gelada e a moqueca de surubim nas barracas com o vento batendo na cara; não mais curtição; não mais passeios pelas suas costas e lá se foram suas belezas naturais e as esperanças. Pelos seus cânions passarão tropas e cavalos. Só desilusão.
















