“O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO”
Da vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, em 2015, Svetlana Aleksiévitch, o livro intitulado “O Fim do Homem Soviético” é uma série de reportagens jornalísticas com depoimentos e entrevistas de testemunhas que falam dos tempos da Revolução Russa de 1917 desde Lênin, Stalin e seus sucessores; os trabalhos em campos forçados; a invasão alemã em 1941; a Perestroika de Gorbatchev com a chegada do capitalismo de mercado; o fim da União Soviética; os refugiados das guerras civis nas diversas repúblicas; e as delações entre parentes.,
A obra fala de amor, de sentimentos, de mulheres sofridas que apanhavam dos maridos, dos veteranos de guerra que foram abandonados pelo regime, da Sibéria, dos kulaks, de violência, discriminação contra os refugiados, de uma Rússia que não admite estranhos em sua terra, do engenheiro que se tornou empacotador de supermercado depois da Perestroika, tudo isso narrado através de entrevistas feitas pela jornalista.
DEPOIMENTOS IMPARCIAIS
A escritora (jornalistas deveriam ler o livro) dá voz ao povo, de forma imparcial a quem elogia o comunismo stalinista, mesmo com suas atrocidades e falta de liberdade, defendendo que o homem tinha o seu valor e orgulho de ser soviético, sem pensar no dinheiro. Outros depoimentos contrários mostram os movimentos a favor da Perestroika, e a tentativa de golpe em 1991, com pessoas apoiando e outras se colocando contra a abertura e a liberdade.
Durante todo o livro, cada um vai contando suas experiências de vida, suas histórias, sofrimentos passados e presentes, antes e depois da queda do império soviético, a violência nas cidades, as guerras no Afeganistão e na Tchetchênia, os testemunhos de refugiados discriminados que foram viver em Moscou, a vida dos veteranos que voltaram das guerras e a luta de sobrevivência depois de Gorbatchov, com uma Rússia dividida em ódios e intolerâncias.
Nos testemunhos existem passagens muito fortes e impactantes de pessoas e famílias que foram vítimas de atrocidades criadas pelo rancor com o fim da União Soviética, o fim do homem soviético como diz o próprio título do livro. Nas entrevistas feitas pela jornalista, muitos destilam sua raiva contra os usurpadores que dividiram e lotearam o patrimônio da Rússia com a chegada do capitalismo quando se aprofundou a divisão entre ricos e pobres.
Na introdução, a escritora (seu livro é um compêndio de entrevistas) faz uma cronologia sobre a Rússia depois de Stalin, morto em 1953, a passagem de Nikita Khruschóv, que denunciou o culto à personalidade de Stalin. a repressão na Hungria, em 1956, os tanques na Tchecoslováquia, em 1968, a publicação do livro Doutor Jivago (Boris Pastermak), o poder com Leonid Bréjniev, em 1964, a invasão do Afeganistão, em 1979, a morte de Bréjniev em 1982, e seus sucessores Iuri Andrópov, Tchernenko, Mikhail Gorbatchóv, em 1985, Boris Iéltsin, eleito presidente em 1991 e todo o desenrolar da história das separações das repúblicas soviéticas até a era Putin.
Durante o livro, Svetlana destaca o hábito russo da “geração cozinha”, o lugar predileto das conversas e reuniões dos russos entre as famílias, mesmo nos tempos de Stalin, para criticar e xingar os governos, com todo cuidado e até em forma de códigos, para que não fossem descobertos e mandados para os campos de trabalho na Sibéria. Colocavam músicas altas para confundir os diálogos. Naquela época, tudo era vigiado, até os pensamentos.
O HOMO SOVIÉTICUS
No capítulo em que descreve “Observações de uma cúmplice”, a jornalista relata através de suas entrevistas, que o comunismo tinha um plano insano, o de refazer o “velho homem”, o antigo Adão. A cúmplice diz que “depois de setenta e tantos anos, no laboratório do marxismo-leninismo, cultivaram uma espécie humana peculiar, o homo soviéticus”. Muitos chamam de sovok, aquele que aderia cegamente a ideologia oficial.
Ela conta que nos depoimentos que colheu são recorrentes palavras como atirar, fuzilar, liquidar, passar em armas. “Temos uma relação particular com a morte” – diz a cúmplice, que fala de milhões que morreram. “Estamos cheios de ódio e preconceito”. Tudo vem de lá, de onde havia o gulag, a coletivização, a expropriação dos Kulaks, a migração dos povos. No livro, existem muitos relatos de suicídios por amor, por medo e por velhice.
As pessoas russas não conseguem abandonar a Grande História, e é um povo bélico, como descreve a escritora. “Ou guerreávamos, ou nos preparávamos para a guerra”, na observação da cúmplice. Referindo-se aos tempos pós revolução, existe um diálogo entre um professor e Tróstski. O professor diz que Moscou está literalmente morrendo de fome. Ai Tróstski responde: “quando Tito tomou Jerusalém, as mães judias comeram seus próprios filhos. Quando eu fizer suas mães comerem os próprios filhos, aí você pode vir a dizer: Estamos morrendo de fome.
A PANDEMIA EM CONQUISTA SEGUE EM ALTA SEM MEDIDAS RESTRITIVAS
ESSA DECLARAÇÃO DA INSTITUIÇÃO OU DA EMPRESA DA ÁREA DE SAÚDE PARA VACINAÇÃO DEIXA BRECHAS A FRAUDES E IRREGULARIDADES. O PROCESSO ESTÁ UMA BAGUNÇA, E CADA MUNICÍPIO FAZ O QUE BEM ENTENDE. EXISTEM CASOS DE POLÍCIA! É REVOLTANTE O QUE ESTÁ OCORRENDO!
Há quase duas semanas que a média diária de mortes por Covid-19 chega a duas pessoas em Vitória da Conquista. Há um ano mais de 17 mil já foram infectados no município, e a ocupação de leitos está acima de 70% (pode ser mais que isso) da sua capacidade. Há um ano quase 800 pessoas perderam suas vidas.
Mesmo com esses números alarmantes, tudo parece correr na normalidade, conforme se ouve do gestor de crise que fala com voz de locutor impostada como político e, no fim, quase nada se aproveita de objetivo e concreto.
Do poder executivo, no caso a prefeita lojista em exercício, nada de medidas restritivas para evitar aglomerações, principalmente em finais de semana em bares e restaurantes. Nenhuma voz de um profissional de saúde para analisar esse quadro no aspecto científico.
Não sou especialista da área para dar um diagnóstico preciso. No entanto, na minha visão geral, entendo que duas mortes por dia são sinais preocupantes de que a pandemia em Conquista só está avançando, e que é o momento da Prefeitura Municipal agir para evitar que os números tomem proporções maiores. A Câmara de Vereadores precisa se pronunciar sobre o assunto.
Quando esse comitê gestor da Covid vai acender a luz vermelha e tomar providências para que esses índices de casos e mortes se reduzam? Quando houver o dobro de infectados e mortes por dia? É necessário que a Prefeitura Municipal tome consciência que a situação está se agravando, e estamos lidando com vidas humanas.
Aqui em Conquista temos dados limitados sobre a doença, como, por exemplo, quais bairros estão sendo mais atingidos, como se tem com a dengue. Se existe um mapeamento do coronavírus na cidade, eu desconheço.
Alguém ai do poder público pode até dizer que meu comentário não tem fundamento, mas a realidade dos números não mente. Ouça o clamor e o choro de quem já perdeu seu ente querido. No início da pandemia até que a Prefeitura se mostrou atuante fechando o comércio, mas depois liberou geral, colocando a economia acima da vida.
O porta-voz do comitê de gestão fala apenas que está havendo fiscalização e multas para quem descumpre os protocolos, mas não é o que se vê em muitas lojas onde não existe o limite de pessoas em circulação no ambiente do estabelecimento. É conversa para boi dormir, porque sabemos que o número de fiscais é limitado para o tamanho do comércio de Conquista.
Há três dias que o Estado da Bahia está em vermelho no mapa do Brasil, de acordo com os dados apurados sobre casos e mortes (quase 40 por dia) pelo Consórcio de Imprensa. Mesmo assim, ainda temos que ouvir de certos imbecis que é tudo exagero da mídia, e que a mortes têm como causa doenças crônicas.
Caso fosse fazer o mesmo com relação aos municípios baianos (417), Vitória da Conquista, com certeza, estaria também no vermelho, o que significa alta da pandemia. Pelo menos, a Prefeitura de Salvador tem tomado medidas restritivas nos bairros, inclusive pulverizando locais e fechando bares à noite.
MÉTODO DEIXA BRECHAS
Outra questão, da qual venho contestando, é esse método de vacinação do pessoal da área da saúde (não é mais destinado somente aos profissionais da linha de frente), através da apresentação de uma declaração da instituição ou da empresa. Tem gente que não está na ativa, mas acha que deve ser vacinado.
Ninguém segue o protocolo do Ministério da Saúde. É uma bagunça! O que está se vendo é uma total politização, cada um querendo se aparecer mais que o outro. Não está se obedecendo mais a faixa etária determinada por esse Ministério regido por um general intendente.
Na minha concepção, esse esquema abre brechas para fraudes e irregularidades para os caras de paus furarem a fila. Quem garante que o diretor da instituição, ou o dono da empresa, não coloca lá nomes de amigos e parentes em sua lista? Por acaso, a Prefeitura vai conferir se a pessoa é, ou não, do setor de saúde? A Prefeitura não poderia elaborar uma lista através dos RHs (Recursos Humanos), coletando isso no local?
Não tenho nenhuma dúvida que, pela minha idade, já fui passado para trás por muita gente. Fosse num país asiático, como na China ou na Indonésia, por exemplo, essas pessoas do mal seriam fuziladas.
Não quero chegar ao extremo, mas é revoltante o que vem acontecendo no Brasil. Será que essa gente dorme com a consciência tranquila? Respondo que dorme sim, porque essas pessoas já se acostumaram em ser animais perversos e predadores. São os mesmo que falam em solidariedade e doação em épocas de Natal.
A FOME TEM A CARA DA MORTE
Foi no clique de suas lentes, na sinaleira da Avenida Luis Eduardo Magalhães, em frente do Estádio Lomanto Júnior, em Vitória da Conquista, que o jornalista Jeremias Macário registrou a cara da danada fome que deixa milhões de brasileiros subnutridos, levando-os até à morte.
A imagem do cartaz “AJUDE, TÔ COM FOME” contém muito mais que mil palavras. É inesgotável, e cada um procura descrever de acordo com seus sentimentos, suas emoções, racionalidades e revoltas. Por si só já é uma imagem de protesto e de denúncia. Sua face é séria e sisuda.
Tem o ditado que diz que ela tem pressa, e essa pessoa com o cartaz na mão, na sinaleira, comprova muito bem isso pelo seu semblante triste de quem pede socorro e misericórdia. Ela estava ali representando milhões de brasileiros que ainda passam fome em pleno século XXI.
Ela (a fome que tem a cara da morte) tem várias origens, desde os desmandos, as más gestões dos governantes e políticos até a corrupção que rouba o pão da boca dos pobres miseráveis. São cenas tristes que, infelizmente, ainda temos que registrar em nossas cidades e em todo Brasil.
Quando ela bate no estômago, a dor se alastra por todo o corpo e vai até o espírito. Digo isso porque já fui vítima dela pelas ruas de Salvador no começo dos anos 70 quando estava iniciando meu curso de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia.
Lembro muito bem de tudo quando sempre passava pelas avenidas Carlos Gomes e a Sete de Setembro nos horários de almoço e jantar em frente de bares e restaurantes. Via aquelas pessoas lá dentro se alimentando, e a dor ficava ainda mais doída, mais latente. Ela causa zonzeira na mente e na alma.
Infelizmente, ela está cada vez mais se alastrando pelo país a fora, principalmente agora com os mais de 14 milhões de desempregados e tantos outros milhões que não ganham nem um salário mínimo. É sim, uma vergonha, e não dá para ter orgulho do seu país assim, convivendo com ela lado a lado.
SEU VIGÁRIO!
Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Seu vigário, a sua benção,
Vim aqui me confessar,
Contra o Senhor Deus blasfemei,
Pensei muitas vezes em me matar,
Nesse solo do meu sertão,
Só tenho levado pancada e reio,
Confesso, seu vigário,
Que nem Nele mais creio.
Seu vigário, sou da terra lavrador,
A minha mulher perdi no parto,
Nem o menino mirrado vingou,
Sempre roguei pela chuva da vez,
Carreguei cruz e pedra em procissão,
Com toda fé, como ensina a religião,
E nesse ano, seu vigário,
Perdi tudo e a minha última rez,
Toda noite choro em meu quarto,
Nunca a ninguém desejei mal,
Dessa vida miserável, estou farto,
Seu doutor me prometeu água,
E só me mandou mais castigo e sal.
Seu vigário, no confessionário,
Ouviu todo seu triste lamento,
Viu em sua velhice o seu tempo,
Lá fora só batia o seco vento,
E disse, filho você não pecou,
Quem pecou foi o vosso patrão,
Que nos rouba e nos engana,
Como lobo e a hiena da savana,
De todos nós fez pano de chão,
E da sua velha surrada batina,
De tanta teologia e língua latina,
Da filosofia extraiu todo senso,
Dela tirou o amarrotado lenço,
E suas lágrimas caindo enxugou,
Abençoou o penado nordestino,
Aquele homem sofrido e franzino.
A COVID-19 EM VITÓRIA DA CONQUISTA E O DOMÍNIO DO EXTREMISMO DE DIREITA
Em Vitória da Conquista, nas últimas semanas, quase duas pessoas estão morrendo por dia de Covid-19, (mais de 370 já perderam suas vidas), conforme informações da mídia, mas nada de medidas por parte da Prefeitura Municipal para conter a pandemia. O prefeito Hérzem Gusmão está internado há mais de um mês no Sírio Libanês se tratando da doença, só que a maioria em massa da população vai para o SUS que está com seus leitos beirando ao limite.
Os casos só têm aumentado na cidade e, em muitos locais, o que se percebe é o relaxamento com relação aos protocolos recomendados por médicos e infectologistas. A nossa prefeita em exercício é uma empresária lojista que prefere deixar as coisas como estão, sem apertar a fiscalização contra os estabelecimentos que não cumprem as regras.
Será que o poder público está esperando um esgotamento total dos leitos para depois se tomar uma providência? Por falta de vagas já tem gente se tratando em casa, senhora prefeita! É um alerta para que não venha acontecer uma tragédia anunciada.
O EXTREMISMO DA DIREITA
Já em Brasília, no covil dos ladrões que se vendem por cargos e emendas parlamentares, o extremismo de direita está fechando o cerco, agora que o capitão-presidente, com o chamado famigerado “Centrão”, passou a mão fascista na Câmara dos Deputados e do Senado. Como se diz no rep, está tudo dominado.
Para completar o quadro de extremismo, as indicações estão apontando que a mulher bozonarista, que se posicionou a favor do Congresso Nacional, promoveu fake news e incitou movimentos prol ditadura, será presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Ela promete rasgar a Constituição. É o Brasil cada vez mais se isolando do resto do mundo, com suas ideias retrógradas e medievais.
É, pelo visto, vem chumbo quente por aí, como se não bastasse a desgraça do coronavírus que se abateu sobre nós, com um presidente debochado e carregado de palavrões de baixo nível. Chamou o corona de “gripezinha”, sempre anda por aí sem máscaras e provoca aglomeração, dizendo que os brasileiros são uns “maricas”.
Não sou profeta do nefasto, apesar de ter um nome de profeta do Antigo Testamento, mas vem coisa feia por aí. Oxalá esteja completamente errado e equivocado. Outro sinal que nos deixa preocupados é que a oposição se apagou.
Até parece que essa oposição levou um nocaute do inimigo e não se sabe se vai se levantar. Tudo está sendo aplainado para as eleições de 2022, e mais seis anos nesse ultraconservadorismo, o nosso país vai se transformar num fanático “Estado Islâmico” de degolar cabeças. Não se pode esperar muita coisa do nosso povo, que sempre foi submisso e subserviente, vivendo cada vez mais na linha da pobreza e sem educação.
UM PAÍS SEM AVANÇO EM PESQUISA E TECNOLOGIA SERÁ SEMPRE UM PAÍS ATRASADO
Desde os tempos coloniais, passando pelo Império e pela República sempre fomos um país agrícola, a começar pela cana-de-açúcar, pelo café, pela borracha, pelo cacau e agora pelos grãos exportáveis, como a soja, o milho e outras matérias-primas, entre as quais o algodão, a carne de animais (bovina, suína e o frango), o ferro, o aço e o petróleo cru. Todo ano o Brasil bate recorde na produção de soja. Grande gloria!
Na outra ponta, temos um dos maiores déficits do mundo no que concerne a investimentos nas áreas de pesquisa e tecnologia (menos de um por cento do PIB – Produto Interno Bruto). Basicamente, exportamos grãos para importar produtos industrializados, sobretudo no setor da química fina. Nosso nível de educação é um dos mais baixos. Há séculos, somos um país atrasado.
SAÍRAM NA FRENTE
Essa grande deficiência está sendo bem refletida agora com a pandemia da Covid-19 onde os países que mais investem em pesquisa científica saíram na frente com a fabricação de várias vacinas, através das grandes empresas multinacionais. Nessa corrida, os pobres sempre levam a pior, e mais gente morre.
Agora estamos penando nas filas das compras das doses vacinais e de insumos que precisam ser importados. Na circunstância péssima atual de uma diplomacia enviesada com outras nações, a situação de dependência tornou-se ainda mais crítica. No Brasil só temos como referência a Fio Cruz e o Instituto Butantan (São Paulo) que carecem da transferência de tecnologia e de matérias-primas.
Com essa política extremista, ultraconservadora e de isolamento, o povo brasileiro está sendo vacinado a conta-gotas, aos “tiquinhos”, no arrasto do chinelo, e não se tem uma clareza quando a imunização atingirá os 70 ou 80% da população de mais de 200 milhões de habitantes.
O processo está sendo por demais demorado e lento, porque ainda somos atrasados em pesquisa e tecnologia. A única coisa que ouvimos é que “tudo vai passar” e que a “vacina vai chegar para todos”. E assim vamos nos rastejando com essa paciência de Jó e esse conformismo de doer, porque sempre fomos atrasados, e já nos acostumamos com isso.
No Brasil, quando falamos essas realidades, aparecem uns ufanistas baratos para contestar e tentar nos convencer, com suas palestras idiotas de autoajuda, de que não é verdade, de que já somos uma nação avançada, e apontam para o celular.
Essas pessoas esquecem de dizer que mais da metade da população não têm acesso à internet, não dispõem de serviços de saneamento básico (convivem com esgotos a céu aberto); uma grande parcela (milhões) não têm água potável em suas casas; a mão-de- obra é desqualificada, sem contar outras necessidades básicas.
A única coisa que essa gente replica é que tenhamos orgulho de sermos brasileiros, porque somos um povo alegre e feliz, mesmo vivendo numa das piores pobrezas do mundo. Será que feliz é ter um carro, um celular e poder tomar umas geladas em final de semana? Não revelam o nosso IDH e as desigualdades sociais. Essa de feliz é uma falsidade.
Os que criticam e tocam nas feridas dilaceradas do subdesenvolvimento são chamados de frustrados e pessimistas, que não amam o seu país. Nada de se falar em atraso porque já temos o PIX e outros meios digitais da internet que só funcionam para poucos e, mesmo, assim, sempre travando.
A grande maioria dos brasileiros ainda vive com um atraso de mais de 30 ou 50 anos em relação a outros países desenvolvidos que investiram pesado em educação, pesquisa, tecnologia. Souberam preparar seu povo para os tempos modernos. Somos sim, um país atrasado e essa pandemia nos serviu mais ainda para atestar isso.
SÓ NOS RESTOU A ESPERANÇA
Ele prometeu reduzir os ministérios e agora anuncia criar mais para dar aos seus aliados do Congresso Nacional, na base do toma lá, dá cá (como bando de bandidos, cada um tem o seu preço). Prometeu combater a corrupção e fez o contrário, dominando as instituições federais, para proteger seus filhos dos malfeitos. Chamou o grupo de deputados do Centrão de ladrões, e ele se aliou.
Durante dois anos só fez destruir; falar palavrões; negar a ciência; atentar contra a democracia e a liberdade de expressão; incentivar a derrubada das matas; acabar com o meio ambiente; xingar jornalistas e até mandar eles tomarem no rabo; desobedecer as leis não usando máscaras e fazendo aglomeração; destilar seu racismo e sua homofobia; tentar implantar uma ditadura no país; e ainda prometer fazer muito mal.
Conta a lenda mitológica que Prometeu e seu irmão Epimeteu criaram a terra e tudo que nela habita. Coube a Júpiter fazer a mulher, mas Prometeu alertou o irmão que tivesse cuidado com Júpiter. Epimeteu tinha uma caixa chamada de Pandora que não podia de forma alguma ser aberta.
Com a curiosidade peculiar da mulher, ela resolveu abrir a caixa para ver o que continha. Na segunda versão da lenda (na primeira só existiam pragas, tudo que era de ruim), quando ela foi aberta lá se foram todas as coisas boas que estavam na caixa, mas lá fundo ficou a esperança. No Brasil de hoje, ainda resta um fio de esperança na caixa de Pandora.
A esperança é que essa pandemia da Covid-19 se vá com a vacinação, e que tantas outras pandemias que se abatem sobre nós, trazidas pelo grande mal, sejam extirpadas. Antes que tudo seja destruído, o povo brasileiro precisa reagir, se indignar e dar uma basta a essa corja de terraplanistas.
É muito vergonhosa, sobretudo para a instituição das forças armadas, ver esses generais e coronéis se rebaixando a um capitão fora do seu juízo mental. Quanto aos generais, já existe um passado triste e melancólico que foi a ditadura.
No corpo civil, é também vergonhoso ver um procurador Geral da República ser submisso aos caprichos do seu chefe que lhe indicou, manchando a Justiça. No lugar de pedir a investigação do chefe quanto a negligência pela tragédia anunciada de Manaus, ele aponta o dedo para o general intendente da pasta do Ministério da Saúde.
Outra vergonha é o Congresso Nacional que se vendeu por dinheiro e poder. A Câmara elegeu um investigado por corrupção. Seu passado é constrangedor e nojento, e o que dá mais náuseas é ver cinicamente eles falarem em povo e que estão a serviço do Brasil, quando estão ajudando a destruir, sendo corrompidos pelo grande corruptor. Da caixa de pandora, só nos restou a esperança. Todos os bens se foram.
A MALDIÇÃO DA COVID-19 NO BRASIL
FEZ BEM O GOVERNO DO ESTADO NÃO DAR PONTO FACULTATIVO NOS DIAS DE CARNAVAL QUE NÃO MAIS VAI EXISTIR. NÃO FAZ NENHUM SENTIDO. É UMA FORMA DE INIBIR AGLOMERAÇÃO NAS LIVES DESSES CARNAVALESCOS ENDINHEIRADOS QUE NÃO RESPEITAM ESSA TRAGÉDIA DE MAIS DE 220 MIL MORTES.
O ano passado foi da Covid-19, e nesse 2021 (Feliz Ano Novo!) ainda vai ser dela e mais da vacina. Infelizmente, ainda estamos todos nós dominados por estes assuntos, como uma maldição que se abateu em nossas vidas. Por mais que nos esforcemos, ainda não há como nos libertar dessa angústia, desse pânico, dessa depressão, desse desespero e desse medo horrível que nos ronda no dia-a-dia. De máscaras, mais parecemos terroristas aterrorizados contra um inimigo invisível.
Irritados, com os nervos à flor da pele, estouramos com o outro ao nosso lado, com discussões políticas ideológicas que roubam o nosso racional do fazer pensar de esquecer do ódio e da intolerância. Nas redes social, mesmo em meio a uma pandemia mortal, as pessoas se autodestroem em xingamentos e falta de amor, com discriminação, atos de racismos, homofobias e falsas notícias.
OS PIORES DA RAÇA
Tudo isso nos faz ser os piores da raça que nem respeitam as mais de 220 mil mortes causadas pelo inimigo do terror. Nos faz ser cruel e insensíveis com a dor profunda daqueles que perderam seus entes queridos. A mão que afaga, é a mesma que soca e esmurra quando ainda tem gente que fura a fila das vacinas e só pensa em salvar sua vida. É o máximo da covardia de uma consciência morta. Ele só pensa em sua aorta e em seu sopro. Não importa que o outro deixe de respirar.
Pelas ruas, nos ônibus e nos metrôs, uma multidão ainda segue suas vidas amedrontadas para sobreviver. Os seres humanos, desumanos, mais parecem robôs teleguiados, um olhando cismado para o outro e pensando quem está contaminado. Outros, como brucutus das cavernas, preferem negar a ciência e se aglomerar nas farras. A maioria é jovem. Pena que não lhe ensinaram a pensar, e anda por aí em nome de uma falsa liberdade.
A maldição da Covid-19 estampou a cara de milhões (mais de 50) que viviam e ainda vivem abaixo da linha da pobreza. Criou as filas quilométricas de angustiados e ansiosos nas portas dos bancos por um auxílio emergencial. Espalhou a morte e também o salve-se quem puder. Separou muita gente do convívio diário familiar. Tivemos que engolir as saudades e armazenar as lembranças nas entranhas dos nossos porões.
Ela nos pegou no pior momento de um país dividido pelo rancor do “somos nós contra vocês”. Os falastrões demagogos nos incitam à raiva. Como se fosse um castigo pelos nossos pecados, o povo ficou órfão de um governo que não cuida de seus filhos, numa pátria sem comando. Ele espalha mau exemplo por toda parte. Milhares de potenciais suicidas seguem seus passos, ouvindo sua doutrina da desgraça e da destruição.
É momento de reconciliação. É momento de perdoar e de abrir nossos corações para combater os maiores inimigos que, entre estes, estão os que tripudiam dos protocolos da ciência, fazem deboches das recomendações de isolamento e distanciamento e agridem a mídia negando as informações. Nós nem calculamos, mas, além do inimigo Covid, temos outro maior que se alimenta da nossa insensatez e irracionalidade.
Se queremos mudar de governo, temos que processar uma grande mudança em nós mesmos, senão não haverá nenhum sentido. Quero viver em um país que não me envergonhe. No livro “O Fim do Homem Soviético”, de Svetlana Aleksiévitch, tem a passagem de um testemunho que diz “Eu não votei nesses canalhas, votei em outros canalhas”.
Sinto medo de sermos todos uns falastrões. Gritamos nas praças; fazemos manifestações nas ruas; protestamos e depois voltamos para os nossos celulares para ficar na internet. Estamos vivendo pelas leis de Darwin onde a prosperidade é só para os fortes.
Nesse país, os fracos perecem no meio do caminho, e outros nem chegam à metade. O filósofo Heine certa vez se expressou que semeou dragões e colheu pulgas. Aos seus seguidores, Karl Marx disse que só sabia de uma coisa, que não era marxista.
ALDEAMENTO INDÍGENA EM CONQUISTA? BRASIL DE DOIS PAÍSES
Sinceramente, confesso que não sabia que existia aldeamento indígena em Vitória da Conquista. Aonde fica essa aldeia aqui no município, ou na região? Pelo que já li da história de Conquista, do Sertão da Ressaca, os índios que aqui habitavam (Imborés e Mangoiós, descendentes dos Pataxós) foram exterminados pelos conquistadores portugueses a partir do século XVIII (João Gonçalves da Costa) e, em seguida, pelos exploradores dessa terra, no caso os nossos coronéis do capital que vieram depois.
Não que seja contra, mas ontem (dia 28/01) fiquei surpreso com a vacinação de uma comunidade indígena com cocares e até cacique, e não se falou em aldeia, como é a recomendação do Ministério da Saúde com relação ao público prioritário, do qual estão incluídos os profissionais que estão na linha de frente no combate ao coronavírus. Até a prefeita em exercício apareceu em cena para fazer seu marketing. Por que ela não esteve presente no primeiro dia da vacinação do pessoal da saúde?
Essa vacinação em Conquista está meio esquisita, a começar pelos fura-filas com declarações falsificadas de instituições, o que significa gente que nada tem a ver com trabalhadores da linha de frente nos hospitais. O Ministério Público precisa apurar essas e outras ocorrências para que o processo de imunização seja mais transparente para a comunidade. Infelizmente, a nossa mídia local só cobre o factual, isto é, faz apenas o BO.
ENTRE DOIS PAÍSES
Como se não bastasse o caos em que vivemos de desmandos, a sensação que temos nesse período tão trágico dessa pandemia, é que estamos vivendo entre dois países num Brasil só, o da União, que está mais para desunião, e o de São Paulo, que até o momento tem o domínio da fabricação da CoronaVac chinesa.
De lá, o governador João Dórea manda seu recado para Brasília, no papel de um “presidente”. O do Planalto vem com o revide e a retaliação. Um diz que a vacina é do Brasil. O outro que é do Instituto Butantã. O capitão xinga o governo chinês e depois declara que, após as conversas amistosas, fechou as negociações para a compra das vacinas e a vinda da matéria-prima. O de São Paulo retruca que foi ele o responsável por tudo.
É uma bagunça total, e entre bate-boca e farpas, o nosso povo fica no corredor polonês, só levando porrada e morrendo aos montes (mais de 220 mil) de Covid-19. Manaus é só uma calamidade com a falta de oxigênio, vivendo uma tragédia anunciada.
As vacinas chegam aos “tiquinhos”, e ainda aparecem os monstros fura-filas. Não se sabe quando começará a vez dos idosos a partir dos 75 anos, e mais ainda aqueles com faixa etária entre os 60 a 75. Dos dois “presidentes”, quem vai assumir essa desorganização e essa mortandade que poderia ter sido evitada se tivéssemos de verdade um governo totalmente preocupado em salvar vidas humanas?
BONS TEMPOS
No clique do jornalista Jeremias Macário, quem não se lembra dos bons tempos dos barzinhos na Praça do Gil? Quando aqui cheguei para chefiar a Sucursal A Tarde, no início dos anos 90, a Praça do Gil (homenagem ao pai de Gilberto Gil) era o ponto de encontro de amigos e namorados nos finais de semana, para tomar umas geladas e comer gostosos tira-gostos. Difícil era encontrar uma mesa para sentar. Era um divertimento só, e não nego que era um frequentador aos domingos. No entanto, tinha um lado negativo que vinha justamente dos carros de som que perturbavam os moradores dos prédios vizinhos. Houve até processos na justiça, e fiz matérias sobre o assunto, reprovando a ação dos baderneiros. Realmente, esse carros de som tiram o sossego dos moradores em qualquer ponto. Depois que começaram a abrir bares na Avenida Olívia Flores, onde se tornou ponto de encontro, a Praça do Gil se transformou num local bem mais tranquilo, e serve até para meditação e parada para se refletir. Ela continua famosa e conhecida de todos os conquistenses. Voltou a ser um local aprazível para se morar.



















