Sinceramente, confesso que não sabia que existia aldeamento indígena em Vitória da Conquista. Aonde fica essa aldeia aqui no município, ou na região? Pelo que já li da história de Conquista, do Sertão da Ressaca, os índios que aqui habitavam (Imborés e Mangoiós, descendentes dos Pataxós) foram exterminados pelos conquistadores portugueses a partir do século XVIII (João Gonçalves da Costa) e, em seguida, pelos exploradores dessa terra, no caso os nossos coronéis do capital que vieram depois.

Não que seja contra, mas ontem (dia 28/01) fiquei surpreso com a vacinação de uma comunidade indígena com cocares e até cacique, e não se falou em aldeia, como é a recomendação do Ministério da Saúde com relação ao público prioritário, do qual estão incluídos os profissionais que estão na linha de frente no combate ao coronavírus. Até a prefeita em exercício apareceu em cena para fazer seu marketing. Por que ela não esteve presente no primeiro dia da vacinação do pessoal da saúde?

Essa vacinação em Conquista está meio esquisita, a começar pelos fura-filas com declarações falsificadas de instituições, o que significa gente que nada tem a ver com trabalhadores da linha de frente nos hospitais. O Ministério Público precisa apurar essas e outras ocorrências para que o processo de imunização seja mais transparente para a comunidade. Infelizmente, a nossa mídia local só cobre o factual, isto é, faz apenas o BO.

ENTRE DOIS PAÍSES

Como se não bastasse o caos em que vivemos de desmandos, a sensação que temos nesse período tão trágico dessa pandemia, é que estamos vivendo entre dois países num Brasil só, o da União, que está mais para desunião, e o de São Paulo, que até o momento tem o domínio da fabricação da CoronaVac chinesa.

De lá, o governador João Dórea manda seu recado para Brasília, no papel de um “presidente”. O do Planalto vem com o revide e a retaliação. Um diz que a vacina é do Brasil. O outro que é do Instituto Butantã. O capitão xinga o governo chinês e depois declara que, após as conversas amistosas, fechou as negociações para a compra das vacinas e a vinda da matéria-prima. O de São Paulo retruca que foi ele o responsável por tudo.

É uma bagunça total, e entre bate-boca e farpas, o nosso povo fica no corredor polonês, só levando porrada e morrendo aos montes (mais de 220 mil) de Covid-19. Manaus é só uma calamidade com a falta de oxigênio, vivendo uma tragédia anunciada.

As vacinas chegam aos “tiquinhos”, e ainda aparecem os monstros fura-filas. Não se sabe quando começará a vez dos idosos a partir dos 75 anos, e mais ainda aqueles com faixa etária entre os 60 a 75. Dos dois “presidentes”, quem vai assumir essa desorganização e essa mortandade que poderia ter sido evitada se tivéssemos de verdade um governo totalmente preocupado em salvar vidas humanas?