Desde os tempos coloniais, passando pelo Império e pela República sempre fomos um país agrícola, a começar pela cana-de-açúcar, pelo café, pela borracha, pelo cacau e agora pelos grãos exportáveis, como a soja, o milho e outras matérias-primas, entre as quais o algodão, a carne de animais (bovina, suína e o frango), o ferro, o aço e o petróleo cru. Todo ano o Brasil bate recorde na produção de soja. Grande gloria!

Na outra ponta, temos um dos maiores déficits do mundo no que concerne a investimentos nas áreas de pesquisa e tecnologia (menos de um por cento do PIB – Produto Interno Bruto). Basicamente, exportamos grãos para importar produtos industrializados, sobretudo no setor da química fina. Nosso nível de educação é um dos mais baixos. Há séculos, somos um país atrasado.

SAÍRAM NA FRENTE

Essa grande deficiência está sendo bem refletida agora com a pandemia da Covid-19 onde os países que mais investem em pesquisa científica saíram na frente com a fabricação de várias vacinas, através das grandes empresas multinacionais. Nessa corrida, os pobres sempre levam a pior, e mais gente morre.

Agora estamos penando nas filas das compras das doses vacinais e de insumos que precisam ser importados. Na circunstância péssima atual de uma diplomacia enviesada com outras nações, a situação de dependência tornou-se ainda mais crítica. No Brasil só temos como referência a Fio Cruz e o Instituto Butantan (São Paulo) que carecem da transferência de tecnologia e de matérias-primas.

Com essa política extremista, ultraconservadora e de isolamento, o povo brasileiro está sendo vacinado a conta-gotas, aos “tiquinhos”, no arrasto do chinelo, e não se tem uma clareza quando a imunização atingirá os 70 ou 80% da população de mais de 200 milhões de habitantes.

O processo está sendo por demais demorado e lento, porque ainda somos atrasados em pesquisa e tecnologia. A única coisa que ouvimos é que “tudo vai passar” e que a “vacina vai chegar para todos”. E assim vamos nos rastejando com essa paciência de Jó e esse conformismo de doer, porque sempre fomos atrasados, e já nos acostumamos com isso.

No Brasil, quando falamos essas realidades, aparecem uns ufanistas baratos para contestar e tentar nos convencer, com suas palestras idiotas de autoajuda, de que não é verdade, de que já somos uma nação avançada, e apontam para o celular.

Essas pessoas esquecem de dizer que mais da metade da população não têm acesso à internet, não dispõem de serviços de saneamento básico (convivem com esgotos a céu aberto); uma grande parcela (milhões) não têm água potável em suas casas; a mão-de- obra é desqualificada, sem contar outras necessidades básicas.

A única coisa que essa gente replica é que tenhamos orgulho de sermos brasileiros, porque somos um povo alegre e feliz, mesmo vivendo numa das piores pobrezas do mundo. Será que feliz é ter um carro, um celular e poder tomar umas geladas em final de semana?  Não revelam o nosso IDH e as desigualdades sociais. Essa de feliz é uma falsidade.

Os que criticam e tocam nas feridas dilaceradas do subdesenvolvimento são chamados de frustrados e pessimistas, que não amam o seu país. Nada de se falar em atraso porque já temos o PIX e outros meios digitais da internet que só funcionam para poucos e, mesmo, assim, sempre travando.

A grande maioria dos brasileiros ainda vive com um atraso de mais de 30 ou 50 anos em relação a outros países desenvolvidos que investiram pesado em educação, pesquisa, tecnologia. Souberam preparar seu povo para os tempos modernos. Somos sim, um país atrasado e essa pandemia nos serviu mais ainda para atestar isso.