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TAMBÉM QUERO UM PRÊMIO NOBEL!

Sou jornalista, escritor, poeta, letrista, fotógrafo; ganhei prêmios de reportagens; fiz matérias perigosas e fui ameaçado de morte; desbravei o sertão; passei fome nas secas; comi o pão que o diabo amassou na capital; e, por isso, também quero um Prêmio Nobel, não importa que seja de Literatura, da Paz ou qualquer outra coisa. Pode ser como velho rabugento chato que está sempre reclamando e contestando.

Outro motivo justo é que sou brasileiro e nordestino sofredor de todas as mazelas, num país que nunca recebeu um Prêmio Nobel e onde estão os maiores índices de desigualdade social. Seria uma forma de reparação pelos séculos de exploração colonial e escravidão. Acho que sou o mais indicado para receber a comenda e prometo não transferir a homenagem para ninguém.

Vou escrever, ou mandar uma mensagem virtual para a diretoria da Fundação Alfred Nobel exigindo o meu prêmio pelos meus feitos porque também sou filho de Deus e acho que mereço. Não deram para María Corina Machado, Boby Dylan e tantos outros por ai! Ora, vejo tanta gente ganhando prêmios e sendo homenageado. Vou fazer 80 anos e nada! Isso é muito injusto. Estou puto da vida! Irado eu viro bicho! Nem adianta me chamar de caquético senil!

Estou pensando em dar uma de menino birrento e briguento. Quero meu Prêmio Nobel! Em vida já apartei diversas brigas entre colegas e amigos; conciliei e fiz apertarem as mãos. Numa dessas, levei até socos e porradas. Dei muitos conselhos e até esmolas nas ruas. Discuti ideologias controversas com muita gente e consegui inimizades. Sou até membro fundador de um sarau que está completando 16 anos e atualmente moro na rota do lixo.

Ah, ia esquecendo de dizer que comi no “bandejão” da Residência Universitária da UFBA por quatro anos durante a ditadura civil-militar. Não podia parar num poste que logo vinha um militar de lá com um fuzil me indagar no que estava pensando. Conheci todos os cabarés de Salvador e amanhecia o dia ouvindo músicas bregas. Finais de semana me enterrava nas boemias das cachaças. Tenho bagagem suficiente no curriculum vitae! Até estudei latim e grego nos antigos ginásio e clássico.

Quando menino fui tropeiro, agueiro, carregador de malas e bagagens dos passageiros do trem que cortava pela cidade de Piritiba, o chamado “Trem Groteiro”. Depois fui sacristão, em Mundo Novo, do vigário Nicanor. Por oito anos fui seminarista para ser padre. Sabe o que é assistir missa de batina todos os dias! Não é fácil, meu camarada capitalista!

Portanto, também quero ser laureado, com muita pompa, bajulação e puxação de saco durante a solenidade do Prêmio Nobel. Quem não for vou cobrar uma taxa alta. Quem não pagar, mando matar. Se não me derem, vou tomar a Groelândia, que fica muito longe, no fim do mundo, e é toda de gelo. Vou guerrear, e nada de paz.

Além do mais, estou com a ideia de formar um bando de cangaceiros nordestinos cabras da peste, daqueles valentões com sangue no olho, e invadir as cidades de Anagé, Aracatu, Belo Campo, Itambé, Caraíbas, Caatiba, Maetinga, Tremedal, Planalto e outros municípios. No cassete, ou na bala mesmo, vou anexá-los à Vitória da Conquista, já que se recusam a vender seus territórios. Botei preço, e até agora nada! Pago à vista, pelo pix, na hora.

Quem não me apoiar, vai ter que pagar pedágio caro para entrar aqui. Vou decretar um tarifaço. Ilhéus e Itabuna que se cuidem. Aquelas belezuras de praias vão ser só nossa. Em meus planos está a abertura de um grande canal do mar até Vitória da Conquista. Aqui vai ser um tremendo balneário, melhor do que Cancun, no Caribe.

Providenciem logo o meu Prêmio Nobel, senão o bicho vai pegar! Quero ainda ser premiado com o Oscar de melhor bonachão, falastrão e guerreiro dos guerreiros. Caso contrário, vou pipocar e deportar todos forasteiros e imigrantes de Conquista que ficam aqui falando mal da nossa cidade e criticando nossa cultura.

 

SONHOS DE TESOUROS ENTERRADOS

Antigamente os mais velhos contavam histórias e estórias de pessoas do sertão nordestino e de outros cantos que em vida enterravam moedas e até tesouros em botijas (joias, ouro, objetos valiosos) sempre em torno de uma grande árvore (umbuzeiro, juazeiro, gameleira, faveleira, angico, aroeira, barriguda), próximo a cacimbas, açudes ou em algum ponto estratégico das fazendas.

Naquela época do dinheiro no colchão (muito manjado), ainda nos tempos do Brasil colônia e do império, não existiam bancos e o recurso era guardar suas economias dentro das casas (na comieira) ou enterrar debaixo do chão. Quem mais utilizava dessa prática eram os avarentos e os chamados “mão de vaca” usurários.

Estava imaginando que na era do cangaço, principalmente nas duas primeiras décadas do século XX, muitos coronéis e usineiros devem ter enterrado seus tesouros em algum lugar para não cair nas mãos dos bandoleiros. Não vou revelar quem, mas cochicharam em meu ouvido que existe um tesouro enterrado aqui na Serra do Periperi, inclusive com o provável local.

O Nordeste deve ser um “tesouro”. É só sonhar, seguir o mapa e fechar o corpo para se proteger das almas penadas. Meu amigo Beto Veronezzi sabe de todos os truques. Sua consulta é cara, mas vale a pena.

Lembro que meus pais contavam esses causos em rodas de conversas com seus compadres, na luz do fifó do candeeiro, tomando bules de café, mas a parte que nos dava mais medo como crianças, era a dos sonhos que outros (parentes da família, amigos e os felizardos mediúnicos) tinham sobre os lugares onde esses tesouros estavam enterrados.

A noite avançava enquanto o medo aumentava nos suspenses quando vinha o lado das assombrações e a coragem de quem se atrevia arrancar o tesouro. A gente era muito pobre e eu ia dormir pensando naquelas prosas do outro mundo e com receio de sonhar com alguma alma de tesouro. Quando via uma árvore grande no terreno, imaginava logo que ali poderia ter um tesouro enterrado, sobretudo quando era oca.

Contam as lendas que o sonhador para conseguir desenterrar o tesouro tinha que fazer pactos, rituais, mandingas de corpo fechado, rezas fortes com as almas penadas ou espíritos que vinham do além, para ter a permissão de ficar com a riqueza. As assombrações me davam arrepios, mas não deixava de escutar tudo calado.

Em vidas, as pessoas nunca revelavam onde esconderam suas riquezas. As histórias são baseadas em crenças populares que unem cobiça, fé e misticismo. Não era fácil desenterrar o tesouro perdido, e o interessado ou interessada tinha que ter muita coragem para enfrentar as assombrações da meia noite.

Na dura peleja de ficar rico com o tesouro, existiam vários pactos e rituais, como a Oração das Almas Penadas que consistia em rezar um determinado número de ave-marias, especialmente nas sextas-feiras ou de madrugada, pedindo a exata localização.

Outros faziam promessas em troca da revelação, como realizar missas em nome da alma. O vigário já ficava desconfiado quando alguém pedia uma missa para alguém distante. Em troca ela indicaria o lugar em sonhos ou através de sinais.

Meu pai narrava que durante a escavação, geralmente a alma aparecia de forma assustadora para testar a coragem do buscador. Não poderia ter medo e manter silêncio absoluto até a retirada da última moeda ou objeto. A alma fazia o vento soprar forte, jogava pedras, paus e a vegetação balançava toda em torno do tesouro.

No imaginário popular existia o ouro encantado pela mãe do ouro ou pelos espíritos. O pacto era necessário para desencantar. Muitas dessas lendas vêm dos tempos dos escravos ou das guerras onde riquezas eram enterradas para proteção contra ladrões.

De acordo com a tradição, se o pacto for quebrado, se falar para alguém, ou sentir medo, a alma desapareceria com o tesouro, ou afundaria ainda mais na terra. Os relatos misturavam orações cristãs com crenças de assombrações.

No folclore brasileiro, tinha ainda o pacto do corpo fechado, associado ao Livro de São Cipriano. Havia o pacto com o diabo/demo para encontrar a riqueza perdida. Para o indivíduo ficar invulnerável a perigos físicos ou espirituais, era obrigado a fechar o corpo no pacto de sangue com a alma enquanto realizava o trabalho de desenterrar a botija.

Se for premiado, a pessoa entrega a alma após a morte. Se descumprir com os pactos ou rituais, fica com o corpo seco, ou é amaldiçoado para sempre. Nesses tempos difíceis, onde o dinheiro está escasso, muita gente se arriscaria a desenterrar esses tesouros e entregar a alma ao satanás. Aliás, essa prática já é feita quando se vende a alma ao capitalismo, quando corrompe e se deixa corromper.

 

AINDA SOBRE QUIOSQUES FECHADOS NO CRISTO DA SERRA DO PERIPERI

Quanto a questão dos quiosques fechados no Cristo da Serra do Periperi, por mim abordada nesta semana, em áudio o professor Durval Menezes disse ser muito simples e objetiva a resposta. De acordo com ele, tudo está na falta de segurança para que haja abertura de qualquer comércio no local, no que concordo plenamente com o mestre memorialista.

Há mais de 40 anos que o monumento do artista plástico Mário Cravo foi cravado no alto da Serra, pouca coisa mudou de lá para cá, e o conquistense ainda tem medo de visitar o Cristo e ser assaltado. Se quer uma prova do que digo é só perguntar a qualquer um.

Como comentei, cada prefeito colocou um tijolo e hoje temos um mirante, mas o cenário permanece de abandono e isolamento. Sempre que levo alguém com a máquina fotográfica e outros objetos, logo na subida ouço uma advertência: Vamos ter muito cuidado e não demorar muito!

Durval afirmou que ninguém se arrisca explorar o comércio de comes e bebes no alto do Cristo porque toda mercadoria será saqueada e o proprietário ainda corre o risco de ser morto.  “Apesar do alto da Serra estar sob a proteção do Cristo, talvez seja a área mais perigosa de Vitória da Conquista”.

Há muitos anos, conforme Menezes, que o banditismo ocupa aquela área, fazendo do Poço Escuro seu quartel general.  “Por muito tempo o banditismo decretou quem deveria entrar ou sair do Alto do Cruzeiro. Os Correios deixaram de entregar encomendas, bem como as empresas de gás”.

Em sua opinião, o alto da Serra poderia ser o maior ponto turístico de Conquista, um cartão postal para as pessoas tirarem fotografias e apreciarem a cidade lá do alto. “Os quiosques seriam mais uma atração, desde que houvesse uma fiscalização segura para não se tornarem pontos de vendas de drogas”.

Eu vou mais além, meu amigo professor, e defendo que toda aquela área em torno do Cristo seja ampliada e urbanizada, com iluminação, maior espaço para estacionamento de veículos, um posto policial permanente, bem como implantação de um restaurante que pudesse funcionar até durante à noite. Todos ganhariam com isso e, sem dúvidas, o Cristo seria a maior atração turística.

Estive visitando o local no último final de semana e observei o vazio de pessoas, sem considerar a expressão de receio em seus rostos apressados para deixar a área. Quem chega ali é logo recepcionado pelo latido ensurdecedor da cachorrada que ocupa a frente dos quiosques. O visitante pode até ser atacado por um cão de rua.

EVENTOS DA POLÍCIA

Em épocas de verão, a corporação da polícia militar, como está previsto para este final de semana (sábado e domingo) realiza eventos de shows musicais e outras atividades culturais, oferecendo todo suporte de segurança, embora o espaço para estacionamento é exíguo. Da última vez que fui, tive que parar o carro perto do Anel Viário, dentro dos matos e pagar uma taxa ao “guardador”.

A iniciativa é louvável, mas tudo não passa de uma enganação porque depois, durante o resto do ano, a situação de abandono continua a mesma, sendo um ponto perigoso para visitas. Quem se atreve ir ali à noite, no máximo acompanhado num pôr-do-sol?

Como não existe muita opção nesta “Suíça Baiana” (ridícula a denominação) todos vão subir contentes a pés, de bicicleta, de moto, correndo, de carro próprio e festejar as atrações, mas ninguém tem a sã consciência de reivindicar e cobrar melhorias para a área. Tudo continua como dantes na casa de Abrantes.

Comandante Paulo, o que queremos é um posto policial permanente e que o poder executivo, em parceria com o setor privado, invista na urbanização do espaço, de modo a oferecer condições para que haja eventos todos os finais de semana e não somente em edições esporádicas.

Sei que um empreendimento dessa natureza não é da alçada da polícia militar, mas da Prefeitura Municipal que nunca teve esta visão de transformar o alto do Cristo do escultor Mário Cravo no maior ponto de visitação dos moradores e de pessoas que chegam de fora.

Com um projeto desse porte, ganhariam os artistas da cidade com suas apresentações culturais, os comerciantes, o próprio executivo com a arrecadação de impostos e todos os conquistenses em geral, inclusive aproveitando o nosso período invernoso, que não é uma “Suíça Baiana”, mas é friento.

NAZARENOS CONTRA OS CANGACEIROS

“A FORÇA DE NAZARÉ/É VALENTE E TEM AÇÃO/ANOITECE E AMANHECE/ NO RSTRO DE LAMPIÃO”

Em pleno sertão pernambucano, na região do Pajeú, com uma população pacata e simples, várias vilas e povoados começaram a prosperar no comércio e na agricultura nos primeiros anos de 1900 do século passado, principalmente lá pelos meados da segunda década, mas começaram a ser fustigados pelos cangaceiros. No vale as terras eram mais férteis.

Além do São Francisco, a vila de Nazaré, nas proximidades da Vila Bela (Serra Talhada) e Floresta, foi um dos destaques dessa prosperidade e também de resistência e bravura contra o banditismo, exemplo de que a união faz a força. Através da família Ferraz Flor, os sertanejos se armaram para defender a vila.

Como em Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde Lampião e seu bando foram impedidos, em 1926, de tomar a cidade, o rei do cangaço também encontrou barreiras para dominar a vila que sempre foi visada pelos irmãos Ferreiras (Virgulino, Ezequiel, Livino e Antônio).

Quem conta esta história épica dos sertões dos tempos do cangaceirismo dos anos 20, com auge em 1926/27, como destaca o historiador Frederico Pernambucano de Melo, é a escritora e professora Marilourdes Ferraz em sua obra “O Canto do Acauã”, uma ave de canto agourento do Nordeste místico.

Em sua narrativa, baseada em testemunhas e, sobretudo, nas memórias do seu pai Manoel Ferraz Flor, que chegou a ser coronel das volantes, ela pinta os irmãos Ferreiras como encrenqueiros e que Lampião começou a provocar os nazarenos com furtos e roubos e, como foi revidado, por vingança passou a atacar a vila constantemente.

Tudo começou quando a família Ferreira se mudou para Nazaré vindo do Poço Negro por causa das intrigas e tiroteios de morte contra José Saturnino Borges, isto num acordo de se acabar de vez com as desavenças. Seus pais foram depois morar em Água Branca (Alagoas), mas os irmãos voltaram para infernizar a região.

Marilourdes faz uma imagem positiva das volantes como homens corajosos e heróis, apesar das deficiências em termos de recursos materiais e humanos. No entanto, o que se ouve era que muitos combatentes se davam à violência, inclusive contra as mulheres.

Existe fundo de verdade nisso e muitos soldados torturavam sertanejos para confessar o paradeiro dos cangaceiros. Por sua vez, as pessoas de bem temiam as represálias e ficavam caladas, como ocorre nos tempos atuais nas favelas das grandes cidades.

Os militares entram derrubando portas de moradores com suas botinas, como se todos fossem bandidos. No tempo do cangaço, nem todos eram cangaceiros. A maioria era gente ordeira que só queria trabalhar sossegada para sobreviver às adversidades das secas. Ficavam entre a cruz e a espada, ou seja, as estiagens e os bandoleiros.

ALISTAMENTO DOS CIVIS

Segundo ela, a situação ficou tão crítica que os moradores de Nazaré se armaram e muitos se alistaram nas forças das volantes para combater os bandoleiros, como naqueles filmes de faroeste, mas Lampião não desistia e sempre estava armando suas ciladas e emboscadas, especialmente nos anos 20.

Marilourdes narra várias escaramuças e diz que Lampião passou a ser perseguido quando se encontrava próximo entre Serra Talhada e Floresta, tudo para evitar sua entrada em Nazaré que se tornou uma fortaleza. Faz lembrar daqueles povoados mexicanos lutando de dentro de suas casas contra os bandidos do Oeste, do outro lado da fronteira.

A escritora descreve em seu livro várias batalhas, como a de novembro de 1925 quando Lampião se encontrava na fazenda Cipó, às margens do riacho São Domingos, em Serra Talhada e rumava para a Serra dos Pereiros. Prontamente João Ferraz, Manoel Flor e outros se prepararam para dar buscas aos bandidos. Houve um tiroteio sangrento num campo de algodoal que correu muito sangue.

No capítulo “Alistamento no Sertão” ela fala das dificuldades de enfrentar os cangaceiros, não somente Lampião, naquelas caatingas íngremes. Foi aí que o comerciante a agricultor João Flor teve a ideia de solicitar ao coronel paraibano José Pereira, da cidade Princesa Isabel, o alistamento dos civis.

PEDÁGIO E SEQUESTRO

Ferraz cita o cangaceiro José Gomes, o Palmeira, que se incumbia da tarefa de extermínio, colocando o povo em pânico (muitos fugiam de suas casas). Com o mesmo modus operandi dos traficantes e milicianos urbanos das favelas, os cangaceiros extorquiam os proprietários e obrigavam a pagar um pedágio de segurança.

Esse José Gomes chegava na residência ou numa casa comercial com um rifle papo-amarelo na horizontal à altura do pescoço, configurando uma cruz, com os braços estendidos para prender o coice da arma com a mão direita e o cano com a esquerda. “Ele era o protótipo do cangaceiro representado nestes versos: “Eu sou cabra ignorante/ Só aprendo a matar/Fazer a ponta da faca/Limpar rifle e disparar/ Só sei fazer pontaria/ E ver o cabra embolar”.

De acordo com a escritora, Lampião foi o primeiro cangaceiro, na história do Nordeste e talvez do Brasil, a inventar o sequestro de resgate de fazendeiros e comerciantes ricos. Ela relata, com sua linguagem simples e atrativa, numa contação de histórias, a invasão de Sousa (Paraíba) por Livino Ferreira e seu bando.

Nesse episódio foi sequestrado o magistrado da cidade e seu resgate foi pago. O fato ocorreu em julho de 1924. Depois o bando atravessou a fronteira de Pernambuco. Para perseguir os bandoleiros, o major Teófanes Torres (foi ele quem prendeu o cangaceiro Antônio Silvino) assumiu o comando.

Sob suas ordens estavam muitos nazarenos, como Odilon Flor. Manoel e Euclides Flor, João Domingos Ferraz, dentre outros. Nessa empreitada teve o reforço do valentão Clementino “Quelé” que em 1922 cometeu um, homicídio e entrou no grupo de Lampião.

Durou pouco tempo no bando por causa de divergências, inclusive com o “Meia-Noite”, o homem de confiança de Virgulino. Na retirada disse que não passasse em seu sítio, mas a ordem foi desobedecida e “Quelè” foi cercado em sua casa. Recebeu o socorro do destacamento de Triunfo. Perdeu dois irmãos e se alistou na força volante. Diz que ele enfrentou Lampião e chamou para uma briga a sós.

No estado da Paraíba, as localidades de Princesa, Conceição, Misericórdia e Piancó eram as áreas preferidas dos cangaceiros. Muitas famílias foram trucidadas. Nesse ano de 24/25, foi ouvida uma canção cujo estribilho era assim: “Ô seu Virgulino?!/ Me espere, faz favô,/ Pra receber o recado / Que seu Quelé te mandô”. Em outra diz: “Canta tanta pabulage/ Mas no pisada rebêra/Quando vê Quilimintino/ Sai danado na carrera”.

TRAIDOR SEMPRE TEM UM FIM TRÁGICO

De acordo com a história da humanidade, o traidor sempre teve um fim trágico, principalmente quando age contra sua pátria, seu povo, além de ser vergonhoso, nojento e acaba sendo renegado pelo derrotado e pelo vencedor, que não mais confia no agente denunciador.

Judas traiu Cristo em troca de 30 moedas e terminou se enforcando por arrependimento, Joaquim Silvério dos Reis traiu a Inconfidência Mineira (1798) no lugar do perdão da dívida que tinha para com a Coroa de Portugal e morreu abandonado e desprezado no Maranhão, em 1819, Sabina Druz denunciou o movimento dos Malês, que seria entre 24 e 25 de janeiro, na Bahia, em 1835, e não se sabe qual fim levou, os romanos Brutus e Decimus, depois de trair Júlio César, foram cruelmente mortos pelos soldados de César Augusto.

Existe uma lista enorme de traidores que se lascaram. Em nossa atualidade, em pleno século XXI, a venezuelana María Corina Machado está fazendo jus a este papel tão ridículo e terá um fim fracassado e humilhante, aliás já está tendo. Nem precisa esperar pela história.

Ela está sendo tão repugnante que foi à Casa Branca (há meses vem pedindo a intervenção do seu país pelos Estados Unidos) entregar o Prêmio Nobel da Paz para o Donald Trump e entrou pelas portas dos fundos, como se fosse uma empregada doméstica do ditador yanque.

Que papelão feio, María Corina! Seus conterrâneos, inclusive seus apoiadores, devem estar envergonhados e não mais irão às ruas lhe aplaudir, a não ser uns gatos pingados traidores. Onde está a sua propalada democracia, liberdade e independência?  Como vender a soberania da sua nação? Isto que você fez é uma grande covardia!

Não se trata aqui de defender o regime de Maduro que já estava podre por muito tempo. Fazer oposição a uma ditadura é uma coisa nobre, mas entregar o seu país a um pirata estrangeiro, é outra totalmente diferente. Que ela continuasse sua luta, mesmo sendo perseguida, mas não agir como uma traidora, imaginando que seria premiada com o poder.

Corina já está pagando pela maior besteira e idiotice que fez em sua vida. Na realidade, a venezuelana jogou sua credibilidade e sua confiança, conquistadas com sacrifício, no primeiro lixo que encontro na esquina, ou na porta dos fundos da Casa Branca. Foi uma cena lamentável e triste de se ver!

Por falar nisso, os administradores suecos da Fundação Nobel devem estar tremendamente arrependidos. O inventor da dinamite (se sentia um mercador da morte), Alfred Nobel (nasceu em 1832), que criou o Prêmio para incentivar várias categorias profissionais (Medicina, Literatura, Física, Química, da Paz e depois Economia), em 1895 (faleceu no ano seguinte), deve estar se revirando no túmulo.

Pelo menos a Corina conseguiu realizar um fato inédito na história do Prêmio (começou em 1901) que foi transferir sua comenda para um terceiro que mandou atacar seu povo. Como falou o diretor da Fundação, o Prêmio é intransferível. Trump se apoderou dele no pau.

Não tenho dúvidas que seu fim, Corina Machado, será igual ao dos outros traidores da história. No máximo poderá ser colocada no poder na base da força militar dos EUA – o que não acredito – e, mesmo que isto aconteça, não passará de uma marionete nas mãos de um facínora. No mínimo será uma funcionária de recado, oprimida pelo opressor, sem democracia e liberdade de agir.

TANGER O MEDO

(Chico Ribeiro Neto)

Um cartaz de papel colado à parede de um bar na Barra diz: “Fim do Medo”.

Medo da professora, do leão do circo, do palhaço, do escuro, medo de Donald Trump.

Medo de perder o emprego, a vergonha, a esperança, o vestibular e a mulher.

Medo de careta, da polícia e do ladrão. De perder o ônibus, o carro e a vontade de viver.

Medo de deixar de crer no país, do vizinho e de sair à noite em Salvador. De assombração, de avião, de avestruz e de onça.

De barata, de dentista e de lagartixa.

Medo do banco, de emprestar dinheiro e do golpe no celular.

Medo de gafanhoto, de trovoada e de cara escroto.

Lembro o belo poema de Carlos Drummond de Andrade, “Congresso Internacional do Medo”:

“Provisoriamente não cantaremos o amor,

que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,

não  cantaremos o ódio porque esse não  existe,

existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,

o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,

o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,

cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,

cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,

depois morreremos de medo

e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas”.

Com as armas de Jorge, a certeza das flores e um certo brilho nos olhos, vamos tanger esse medo para bem longe, pra casa da zorra ou, como dizia meu pai Waldemar, “pra lá onde Judas perdeu as botas”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

QUIOSQUES FECHADOS

Todas as vezes que vou visitar o Cristo da Serra do Periperi, do artista plástico Mário Cravo, fico a me perguntar do porquê aqueles quiosques sempre estarem fechados, quando poderiam estar abertos para atender os visitantes com lanches e bebidas? Ninguém se interessou em se habilitar para explorar aqueles pontos, ou a Prefeitura Municipal não abriu concorrência? Os quiosques se transformaram em pontos das cachorradas de ruas, como flagraram minhas lentes, na mais recente ida ao local, no feriadão de final de ano, quando levei meu filho, sua esposa e minha neta que vieram do Rio de Janeiro. Apesar das obras elevatórias para se ter uma vista melhor da cidade lá do alto, pouca gente tirando fotos e uma sensação de insegurança. O local, que poderia ser um cartão postal de Vitória da Conquista, bem visitado, passa uma impressão de verdadeiro abandono, sem uma digna urbanização e mais vigilância para quem chega de fora. Há 35 anos, quando vim trabalhar em Conquista como jornalista de A Tarde, pouca coisa mudou, e cada prefeito faz um tiquinho. Passa um tempão para vir outro e colocar um tijolo para dizer que fez alguma coisa. Aqui ali era para ser um ponto de encontro, lazer e divertimento todos os dias, principalmente em finais de semana, com bares e restaurantes abertos, com muita segurança e estrutura. Toda vez que subo à Serra ao encontro do Cristo, tenho a sensação que ele se sente esquecido, na solidão do tempo e no zunir do vento. Aliás, sua base está suja de velas, santinhos e outros objetos como sinais de promessas de religiosos. Nada contra a fé, mas a escultura do Cristo não pode se transformar numa romaria. É lamentável e vergonhoso!

 

 

 

 

 

 

 

 

NO TEMPO DAS QUESTÕES

Do grande Ariano Suassuna, retratando como era e se vivia no antigo sertão, terra isolada e sem lei.

Aqui reinava um Rei quando eu menino:

Vestia ouro e castanho no Gibão.

Pedra-da-sorte sobre o meu Destino

Pulsava junto ao meu seu coração.

 

Para mim, seu cantar era divino

Quando, ao som da viola e do baião

Cantava, com voz rouca, o Destino.

O riso, o sangue e as mortes do Sertão.

Também, coisas das antigas do fundo do baú, uma modinha do século XIX, cantada por João Flor em suas andanças na caatinga durante seus combates contra os cangaceiros. Era assim:

“Há quatro anos passados

Eu era alegre e feliz

Hoje me vejo sofrendo

Foi minha sorte quem quis.

 

Antes eu nunca te visse

Porque não te tinha amizade

Hoje me vejo sofrendo

No rigor desta saudade.

 

Antes eu nunca te visse

Porque não te tinha amor

Hoje me vejo sofrendo

No rigor da cruel dor

 

Quem por si se despreza

Merece ser castigado

Não me queixo da sorte

Vivo de ti separado”.

 

Também gostava de cantar:

 

“Morena, minha morena

Quem te ensinou a nadar?

Foi o tombo do navio

Foi o balanço do mar”

Vale lembrar que “Muié Rendeira” era de um cangaceiro por apelido “Cacheado”.

Extraído do livro “O Canto do Acauã”, de Marilourdes Ferraz

 

UM MUNDO ESTARRECIDO PELA BARBÁRIE!

As travessuras do Donald Trump, que vem ocupando diariamente os noticiários da mídia nacional e internacional, estão deixando o mundo estarrecido e em pânico, talvez com maiores proporções do que na época da guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, a partir dos anos 60, quando era eminente uma hecatombe nuclear.

Ainda jovem, lembro bem daqueles tempos tenebrosos e pensava muito em meus rebentos recém-nascidos. Era o capitalismo e o comunismo, como classificava a imprensa, dividindo o planeta em duas partes ideológicas.

Nas campanhas propagandistas, um era o deus divino do paraíso e o outro o satanás do inferno. Com a queda do muro de Berlim, por volta de 1989/90, e o declínio do bloco socialista, esse medo foi se dissipado, embora as guerras colonialistas nunca deixaram de existir.

Trinta e seis anos depois aparece um maluco na Casa Branca, que poderia ser pintada de roxo ou preto, com o símbolo de uma caveira, para reascender o terror na humanidade, numa repetição macabra da história.

De um lado, convivemos com tragédias e catástrofes provocadas pelo aquecimento global. Do outro, um presidente norte-americano que se acha dono da terra e no direito de intervir em qualquer país que não esteja ao seu lado.

Em nome de Deus, com a promessa de tornar os Estados Unidos numa Super Nação para orgulho dos americanos e de uma abstrata segurança nacional para seus compatriotas, está a psicopatia doentia do alinhamento ao seu modelo político e o domínio das riquezas naturais (petróleo), ou os chamados metais raros.

Além de ameaçar anexar o Canadá e o México, dentro da sua ótica de um EUA Grande, sua primeira estratégia maligna e demoníaca foi investir contra os imigrantes e deportá-los acorrentados, escancarando todo uma barbaridade a ser vista pelo mundo, tudo isto com a conivência das instituições judiciária, legislativa e da força militar. Bem que os yanques estão se sentindo mais ainda arrogantes e prepotentes, com autoestima.

Aos poucos, o Trump foi transformando um país, dito defensor e exemplo de democracia e liberdade, numa tirânica ditadura. Junto com o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o genocida “Bibi”, contribuiu para o massacre de milhares de palestinos através das bombas e da fome, transformando a Faixa de Gaza numa terra arrasada. Um silêncio ensurdecedor.

Depois de tantos atos criminosos e sanguinários, forçou um acordo e ainda queria ser premiado com o Nobel da Paz, dado à traidora “patriótica” María Corina Machado. Ela pediu a intervenção do Trump em seu próprio país e ainda prometeu transferir sua comenda para o neonazista.

Não contente, invadiu a Venezuela e sequestrou o presidente (não estou aqui defendendo o regime de Maduro), sob o falso argumento de ser chefe narcotraficante, como nos velhos tempos, no caso do Panamá e outros países da América Latina, mas o povo não tem memória.

O cauboy salteador de diligências do Oeste, como um gangster raivoso, que muito lembra os filmes de faroeste, encasquetou em comprar na tora a Groelândia, território autônomo da Dinamarca, ou tomar na força, se não quiserem vender.

O método é muito parecido com a grilagem de terra comum no Brasil, sobretudo entre os séculos XIX e XX, praticado por grandes fazendeiros latifundiários e coronéis contra os pequenos proprietários, principalmente no Norte e Nordeste.

Quase ninguém apoia o regime fundamentalista da República Teocrática Islâmica dos Aiatolás do Irã, que está pegando fogo com os protestos, resultando numa barbárie com milhares de mortos pela Guarda Nacional. Não se pode ser a favor de um regime opressor religioso ou político.

No entanto, é ser muito ingênuo para negar que não esteja, desde o início, havendo forte interferência ou o dedo dos Estados Unidos através da CIA (Israel também), visando aumentar a convulsão social, para derrubar o poder, como ocorreu no passado com as ditaduras na América do Sul.

Ninguém comenta sobre a ditadura de ferro mantida há anos pelos Estados Unidos e os xeiques do petróleo da Arábia Saudita. A tirania de lá não é diferente da do Irã, mas a força fala mais alto, ao ponto de mandar esquartejar um jornalista. O yanque dos EUA vem fazendo quase o mesmo contra a mídia e a quem a ele se coloca em oposição.

“O Grande Ditador”, do filme de 1940, do cineasta Charles Chaplin, onde satiriza o nazista Hitler, está mobilizando todas as bases militares espalhadas em redor do mundo, para atacar ferozmente com suas garras outros países, não apenas o Irã. Sua mais recente arbitrariedade foi decretar a negação de visto para mais de 70 países, como se fossem todos terroristas.

A Europa enfraquecida a tudo assiste sem se mover, emitindo apenas notas de repúdio e contestação, como vem operando a China e a Rússia, que também têm seus interesses de poderios em outros territórios.  O Putin fica com a Ucrânia, a China com Taiwan, e os Estados Unidos com o resto. A América Latina já é o seu quintal.

Diante de toda essa barbaridade humana, não consigo entender como ainda tem brasileiro que se humilha como um cão vira lata numa embaixada ou consulado para rogar por uma entrada nos Estados Unidos! Nunca tive o mínimo interesse de visitar aquele país, nem que fosse o último do mundo.

 

TRUMP, “O GRANDE DITADOR”

Quem não se lembra dos grandes clássicos do famoso cineasta Charles Chaplin, nascido em Londres, em 1889, sendo um dos maiores ícones do cinema mudo, conhecido pelo personagem “O Vagabundo”! Seus clássicos continuam atuais como “Os Tempos Modernos”, “O Grande Ditador”, “Luzes da Cidade”, “O Garoto”, “O Circo”, “O imigrante” e “Luzes da Ribalta”, dentre outros.

Pois é, gente, mas quero focar aqui em “O Grande Ditador”, filmado justamente entre setembro de 1936 e o início de 1940, no auge da II Guerra Mundial, sendo a primeira obra falada de Chaplin e uma sátira ao nazifascismo. Por coincidência, a película foi filmada nos Estados Unidos, em Hollywood.

Chaplin escreveu o roteiro em 1937/38, quando Hitler ainda era visto por muitos de forma diferente. Com sua visão futurista, ele se arriscou fazer uma sátira sobre Hitler e acertou na mosca, só que o ditador não conseguiu dominar o mundo enquanto na filmagem brincava com o globo terrestre.

Hitler foi detido em 1945 pela Rússia, os aliados europeus e o próprio Estados Unidos. Nas cenas, Chaplin, com aquele bigode de Hitler, brincava contente como uma criança chutando e se rolando com o globo. A conotação era que aquele brinquedo era só seu e ninguém tascava. Era o tipo do “menino” egoísta e mimado.

Para hoje, um bom chargista ou desenhista só faz mudar o figurino e colocar aquela cabeleira loira de leão do Trump. Aliás, a própria Inteligência Artificial encarrega de lhe entrega tudo pronto. Ficaria perfeito e poderia até ser um filme mudo. O resto é só fazer voar a imaginação.

Por isso que sempre digo que o Chaplin, que morou muitos anos nos Estados Unidos e nunca se naturalizou, vindo a falecer, em 25 de dezembro de 1977, na Suíça (não confunda com a “Suíça Baiana”), era um gênio dos gênios.

Imagina se Chaplin fosse vivo! Suas obras seriam demonizadas e o inglês seria algemado, acorrentado e deportado como terrorista ou preso em Guantánamo, na ilha de Cuba. As figuras em termos físicos entre o Trump e o Hitler são diferentes, bem como as descendências, mas que a imagem dele dando ponta pés no globo, seria bem engraçada, isso seria, além de realista.

Neste segundo mandato (no primeiro foi atrapalhado pela pandemia), o Trump está virando a terra (em sua concepção é quadrada) de cabeça para baixo e mudando sua rotação, como se fosse um deus irado, tirano, dominador e demolidor.

Não vou aqui entrar na questão política em termos ideológicos, mas nenhum governante do mundo, por mais poderoso que seja e por justificativa nenhuma, tem o direito de entrar em outro país e sequestrar um presidente; ameaçar de invasão outros territórios soberanos; ter o desplante de propor comprar; ou tomar na marra como se fosse um assalto a mão armada.

Ele não pode ficar brincando de chutar o globo terrestre, embora a história esteja sempre se repetindo, só que a geopolítica é outra, a guerra fria passou, as armas são ogivas nucleares e não podemos voltar ao pânico constante de uma hecatombe planetária.

Bem melhor se fixar somente naquele clássico satírico de Chaplin, um fantástico-realístico bem divertido, brinquedo que não deu certo, mas deixou um estrago incalculável na humanidade com milhões de mortes e massacres hediondos.

Naquela época, Chaplin poderia até ter colocado outras personagens chutando o globo. Agora seria Trump e o Benjamin Netanyahu, o “Bibi”, de Israel, contra o resto? É hilário, mas é sério e pavoroso! O clássico é imortal, como foi o seu autor.

 





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