abril 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

:: ‘Notícias’

BUROCRACIA E DESIGUALDADES

Tem aqueles que seguem as normas, são corretos e éticos, mas terminam sendo penalizados porque o errado se tornou normal neste país. Tem aqueles que burlam as leis, usam de artifícios ilegais e acabam sendo premiados porque, infelizmente, a maioria do nosso povo é inculta e não sabe julgar os inescrupulosos trapaceiros.

Estou falando das eleições, ou poderia estar me referindo a um outro assunto qualquer neste nosso Brasil, onde predominam a burocracia e as desigualdades, não somente no âmbito econômico-social. A Justiça Eleitoral exige um monte de burocracia para o candidato se registrar, inclusive na prestação de contas, como se isso fosse criar um pleito igual para todos.

No entanto, sabemos muito bem que não é isso que ocorre quando o juiz fala em igualdade na corrida eleitoral. Quem tem mais recursos sai na frente com seus santinhos, praguinhas e outros materiais de propaganda, e aí é onde reside a desigualdade, sem falar em vereadores que estão no páreo à reeleição e usam seu pessoal de gabinete por debaixo do pano na caça ao voto.

Quem fiscaliza o uso dessas armas ilegais pelos astutos, que não faz parte do jogo? Igualdade na disputa, senhor juiz, só existe na teoria ou no faz de conta. Quem possui mais condições financeiras já está nas ruas com suas equipes de trabalho desde o início da campanha, se não me engano no meado de agosto.

Outros, com sua ética, seriedade e honradez, cumpridores das leis e preocupados em não deixar “rabo” na justiça fazem o que podem, dentro das suas possibilidades, para conquistar e mostrar para o eleitor que avalie com consciência um nome certo na hora de votar para ser seu representante na Câmara de Vereadores.

Lamentável, mas, em muitos casos, ainda vence o outro lado da moeda suja que frauda as leis burocráticas e não tem nenhuma ideologia e compromisso com o povo. Sempre dizemos que Vitória da Conquista merece um legislativo à altura da cidade, pelo seu tamanho e importância no cenário baiano.

Além da burocracia e das desigualdades, contamos ainda com as mentiras e engodos no horário eleitoral, como colocar a questão da segurança como se fosse coisa da alçada municipal, quando a proteção ao cidadão contra a violência é de responsabilidade dos governos estadual e federal, mas poucos eleitores sabem fazer essa distinção.

Essa é uma das maneiras de ludibriar a Justiça Eleitoral, sem ser punido, porque fica difícil detectar a safadeza do marqueteiro. Alguém já disse, não sei se o estadista inglês Churchill, ou até um filósofo, que numa guerra, a maior vítima é a verdade. O mesmo vale para um pleito eleitoral.

O FILHO DO PALHAÇO TÁ COM FEBRE

(Chico Ribeiro Neto)

Chegou o circo em Ipiaú, Bahia. De dia, a gente ia ver o movimento de armação da lona, o leão comendo, o elefante cagando e a bailarina se exercitando.

Mais tarde, um palhaço de perna de pau percorria a cidade jogando ingressos e bombons para a garotada.

Começa o espetáculo. As luzes são lindas, a pipoca é mais gostosa, a orquestra ataca e entram todos os artistas para a apresentação inicial.

“Todo mundo vai ao circo

Menos eu, menos eu

Como pagar ingresso

Se eu não tenho nada

Fico de fora escutando a gargalhada

A minha vida é um circo

Sou acrobata na raça

Só não posso é ser palhaço

Porque eu vivo sem graça”

(Música “O Circo”, de Batatinha).

O mágico faz um bocado de coisa sumir e aparecer. Todos aplaudem. “Rapaz, você viu?” “Como é que ele consegue fazer aquilo?”

E o Globo da Morte? “Rapaz, eram três motos. Teve uma hora que cheguei a fechar o olho com medo das motos bater”.

O furo na meia da trapezista, bem na batata da perna, não conseguia afetar  a sua beleza. Na hora do salto mais perigoso a bateria tocava e nosso coração pulava. Aquele salto foi demais!

Vi um circo mambembe uma vez em Amoreiras, na ilha de Itaparica. Sem leão, sem elefante e sem trapezista, sua maior atração era a rumbeira: “Se preparem que agora vocês vão assistir a mais famosa rumbeira das Américas. Vinda diretamente de Cuba, vem aí a espetacular, a sensual, a eletrizante, aquela que faz o espectador pegar fogo. Com vocês, a sensacional A-ni-ta Do-min-guez”. Tan-tam-tam-tarantan-tam… Chovia muito, lona furada, goteira na cabeça e a rumbeira no palco. Podia pingar à vontade…

Menino, eu admirava os ciganos. Tinha uns 10 anos, fui com a turma ver um acampamento de ciganos que estava montado perto da Rua da Imperatriz, na Cidade Baixa, onde morei,. Lá, uma cigana me pediu para comprar um quilo de açúcar no armazém, fui e ganhei uma moeda na volta. Cheguei em casa e contei à minha mãe Cleonice, que logo esbravejou: “Pois é, quando eu peço pra ir no armazém você faz logo cara feia. Agora, foi só a cigana pedir que você foi bonitinho. Sendo assim, pode ir embora morar com a cigana.” Saí escabriado.

Voltando ao circo. O famoso ator Bemvindo Sequeira me contou que conviveu uns dias com os artistas de um circo mambembe no subúrbio de Salvador. Ele disse que numa noite, durante uma apresentação, um dos palhaços tinha um filho, ainda bebê, que estava com febre alta. Ele fazia as graças e piruetas e nos intervalos ia aferir a temperatura da criança, cujo berço estava atrás das cortinas. E voltava ao picadeiro para fazer novas graças. Bemvindo disse que nunca se esqueceria daquela cena.

Depois de uma tarde no circo, a gente volta mais feliz pro  berço do mundo.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

VITÓRIA DA CONQUISTA SÓ TEM DUAS AGÊNCIAS DO BANCO DO BRASIL

Com 400 mil habitantes, a segunda maior cidade em população do interior baiano, Vitória da Conquista, a capital do sudoeste, só tem duas agências do Banco do Brasil, uma no centro, na Barão do Rio Branco, e outra na Avenida Olívia Flores, o que é um absurdo e falta de consideração de uma instituição federal bancária para com o povo que sofre com as grandes filas.

Não dá para entender essa política “social” do Banco do Brasil, enquanto a Caixa Econômica Federal possui quatro unidades, sendo uma no Bairro Brasil, uma no centro, uma na Avenida Juracy Magalhães e outra na Avenida Olívia Flores, quando deveria ter até mais para facilitar o atendimento, considerando o porte da cidade.

Nos últimos anos o Banco do Brasil fechou duas, inclusive a existente na Avenida Regis Pacheco, que tinha um grande movimento e aliviava a demanda da agência centro, hoje um amontoado de gente, principalmente da zona rural que logo cedo forma grandes filas, penalizando os idosos aposentados, tendo em vista que a maioria não sabe lidar com os caixas para fazer uma simples retirada de dinheiro.

Outra questão é que o fechamento dessas agências do BB provocou demissão de funcionários, sem contar que sobrecarregou outros que são obrigados a fazerem diversas funções. Tantos os clientes como os bancários são submetidos a uma estafa e a um estresse diário, especialmente entre o final e o início de cada mês.

Sou cliente do Banco do Brasil e todas as vezes que preciso resolver um problema fora dos caixas fico a observar a falta de respeito que esta instituição federal em Conquista comete contra nossa pobre população porque o rico não entra numa fila de senhas para ser atendido.

Certa vez, vi uma senhora idoso que mal conseguia se arrastar com sua bengala para resolver seu problema. Cadê as autoridades, como representantes da OAB, Ministério Público, prefeitos, vereadores e outros segmentos organizados da sociedade que não fazem um requerimento ou documento conjunto cobrando que sejam instaladas mais agências do Banco do Brasil em nossa cidade?

Cadê a lei dos 15 minutos, criada pela Câmara Municipal, como tempo limite para que o cliente seja atendido? Ninguém mais fala nesse assunto e não existe fiscalização por parte do Sindicato do Bancários para que a norma seja obedecida.

Sou testemunha que já fiquei quase uma hora para resolver um “pepino” na agência centro. Mesmo com toda essa carga de trabalho e o acúmulo de funções, os funcionários prestam um bom atendimento, mas não têm como evitar as enormes filas dos tormentos. Existem outros pontos de serviços que não são considerados como agências.

 

 

O BRASIL ESTÁ PEGANDO FOGO

Não sou nenhum especialista nem cientista sobre o assunto, mas, contra as evidências, não é preciso ser. Estou me referindo à questão das mudanças climáticas provocadas pelo efeito estufa do qual o Brasil é um dos principais emissores no planeta terra e agora mais ainda com o fogo em várias regiões do país.

Na verdade, estamos falando do aquecimento global que as potências mundiais procuram fazer de conta que estão combatendo assinando documentos nos eventos que não são cumpridos. A terra está em ebulição em todas as partes, mas os países, inclusive o Brasil, incentivam cada vez mais a utilização dos combustíveis fósseis, como os extraídos do carvão e do petróleo, principalmente.

Para mim, não é nenhuma novidade as previsões cientificas de que dentro de mais 50 anos os níveis dos oceanos podem subir em torno de 20 centímetros e que muitas ilhas e territórios baixos podem desaparecer do mapa. Isso já vem sendo anunciado há muito tempo. Aliás, todas tragédias e catástrofes são fenômenos anunciados.

Neste final de semana, uma colega de jornalismo da antiga geração me indagou se eu sou contra a energia nuclear (altamente perigosa) e a fóssil. Claro que respondi que sim, mesmo contrariando a atual política do governo federal de incentivo a essas duas fontes energéticas.

Para tratar do tema, devemos olhar para nossa própria casa que está pegando fogo com as queimadas criminosas e até intencionais, como está acontecendo no centro-oeste e agora em São Paulo, deixando nuvens poluidoras de fumaça que não estão apenas atingindo a saúde humana, mas soltando gases tóxicos na atmosfera.

Não é apenas o fogo que está contribuindo mais ainda para o aquecimento global. Termos também os lixões a céu aberto, que, por lei, várias vezes adiada, deveriam ter sido transformados em aterros tratados, conforme as normas estabelecidas pela engenharia ambiental. Temos ainda os garimpos clandestinos, sobretudo no Norte do Brasil, as indústrias que ainda derramam veneno nos rios e os desmatamentos do agronegócio para exportar grãos e vender carne bovina.

Junte tudo isso e temos um caldeirão em ebulição no nosso próprio Brasil que logo mais vai sediar a conferência do clima. Estamos em plenas eleições municipais e até agora a questão do meio ambiente não foi discutida pelos candidatos.

Alguém pode até dizer que é um tema mais da alçada federal, mas cada município tem que fazer sua parte e não apenas partir para os ataques políticos de acusações caseiras sobre quem fez mais obras. Cada um cuidando da sua casa, certamente esse fogo não irá se alastrar.

Confesso que não sou muito de acreditar nesses paliativos de reciclagens, cujos produtos destruídos e novamente industrializados, como no caso dos plásticos, retornarão ao mercado consumidor. O principal ninguém quer fazer que é reduzir o consumo, cada vez mais estimulado pela mídia e as propagandas. O negócio é consumir cada vez mais.

O fogo que está consumindo canaviais, parques ambientais, florestas e serras foi apenas um pretexto para dizer que estamos vivendo em pleno aquecimento global e estamos dando as costas para esta dura e triste realidade, a qual vamos deixar para as novas gerações.

Os governos estão bem mais preocupados com o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) do que com o meio ambiente. Por outro lado, o nosso consumidor, a maioria sem instrução escolar e conscientização, quando vai às prateleiras dos supermercados, não procura saber se o produto é corretamente ambiental. Essa é mais uma balela que nos pregam de que o consumidor olha no rótulo se o fabricante do produto segue as normas ambientais.

NOVOS KAIKAIS

(Chico Ribeiro Neto)

São versinhos que imitam os haikais, que apelidei de kaikais. Vamos a eles:

Ê diacho

Nem no Google

Eu lhe acho

XXX

Puta merda

Tombo pior

Do que queda

XXX

Onde já se viu?

O cara foi parar

Na puta que pariu

XXX

Que porra é essa?

Ganha graça

E não paga promessa

XXX

Chove, é lua

Botar barquinho

No rêgo da rua

XXX

Ô rapaz

Já que não leva

Vê se traz

XXX

Cega Gina

Vê mais

Do que imagina

XXX

Você sabia?

O dia também

Tem vigia

XXX

Momento lindo

Psiu

Bebê dormindo

XXX

Podes crer

Viver é

Brincar de morrer

XXX

Ouça, amigo

No detalhe

Tá o perigo

XXX

Fui…

Ouvi a IA

Gritar UI

XXX

Coroa de respeito

Espirrou

Caiu os peito

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

CÂMARA DISCUTE PLANO DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO DE CONQUISTA

Há cerca de dois anos que a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista vem discutindo o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) que irá nortear as políticas públicas para os próximos anos. Na verdade, o Plano foi lançado em 2019 e ainda não foi aprovado pelo legislativo.

Ontem (dia 28/8) ocorreu uma Sessão Especial para debater o assunto, mas muitos convidados representantes da sociedade não compareceram ao ato e pouca gente se fez presente no plenário Carmem Lúcia, o que demonstra um desinteresse da população, tratando-se de um tema tão importante para a cidade.

Antes da abertura dos trabalhos e a composição da mesa que discutiu normas e regras técnicas do Plano Diretor, a Câmara Municipal concedeu uma placa de Moção de Aplausos para a Banda da Polícia Militar (9o Batalhão) que está completando 40 anos de atividades em Vitória da Conquista.

Com pouca participação de empresários, parlamentares e representantes do poder executivo, o vereador Luis Carlos Dudé destacou a importância das discussões prévias à aprovação do PDDU. Ele disse que os debates não devem se limitar ao ambiente legislativo.

De acordo com ele, a Casa está ouvindo os setores organizados da sociedade e as entidades de classe para que possamos, de fato, ter um Plano que seja do interesse de todos. O vereador ainda ressaltou a necessidade de transparência no processo, garantindo que todos tenham acesso às informações. Alertou que não se tratava de uma audiência pública e que irão ocorrer outros debates sobre o tema.

Na ocasião, o presidente do legislativo, Hermínio Oliveira lembrou que o PDDU não é apenas um documento técnico, e sim, um guia que garanta o crescimento e o desenvolvimento da cidade nas próximas décadas. É a base para a construção de um futuro mais sustentável e inclusivo para os cidadãos – afirmou.

O secretário de Infraestrutura do Município, Jackson Youshura, disse que durante anos a cidade continuou crescendo com uma legislação que já não atendia aos anseios de todos. O secretário ressaltou a importância do documento e tudo o que gira em torno dele.

O presidente da Comissão do Plano, vereador Edivaldo Júnior, falou da mobilização em torno da discussão, dizendo que toda sociedade foi convidada para participar. Na oportunidade, destacou a convocação de uma comissão especial para conduzir o desenvolvimento dos trabalhos que tem como base o Projeto de Lei complementar 024/2023 que vem sendo discutido pelas comissões do legislativo em conjunto com a sociedade civil.

O corretor de imóveis, Ubirajara Gil, apontou o planejamento estratégico que representa o Plano na ocupação do solo e na preservação dos recursos naturais do município. Alertou também para a necessidade de um cuidado especial na definição das diretrizes que irão orientar o crescimento urbano, de modo a equilibrar o desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental.

O representante das construtoras de Vitória da Conquista, Luciano Bonfim, citou ser a terceira vez que participa da construção do Plano Diretor, acrescentando que o esforço coletivo precisa destravar o crescimento da cidade. De acordo com ele, isso não significa apenas a liberação de terrenos para construção, mas a criação de um ambiente mais favorável ao investimento.

Na sessão especial usaram também da palavra os parlamentares Chico Estrela, Waldemir Dias, Augusto Cândido, Bibia, Lúcia Rocha, Ricardo Babão e Marcus Vinícius.

Waldemir recordou que o lançamento do PDDU foi realizado em 2019, para estudo e elaboração do projeto, ressaltando que a cidade cresce e muda diariamente, alertando que ela não pode ser administrada de forma amadorística. Em sua opinião, o Plano precisa estabelecer regras e, portanto, é construído com a participação da sociedade e da população como um todo.

O TEMPO ESTÁ PASSANDO MAIS RÁPIDO?

“SE UM ÚNICO HOMEM ATINGIR A MAIS ELEVADA QUALIDADE DE AMOR, ISTO SERÁ SUFICIENTE PARA ACALMAR O ÓDIO DE MILHARES” – Gandhi

Nos tempos atuais da era tecnológica de muitas correrias, que não derrubou a burocracia, muitos costumam dizer que o tempo está passando rápido, e tem gente que até acredita nisso. O tempo continua no seu mesmo compasso e rotação de milênios. Nós é que estamos vivendo como desesperados angustiados e nos enchemos de problemas que não damos conta de resolvê-los a tempo.

Ele permanece lá girando no seu tic-tac do relógio em seus segundos, minutos, horas e dias nos olhando calmamente, enquanto   nós apressados rogamos a ele que ande mais devagar ou até dê uma paradinha para que toda nossa parafernália seja resolvida durante o dia. Quando nem tudo sai a contento e muitas coisas ficam inacabadas, aí dizemos que o tempo está passando rápido. Até o xingamos e esbravejamos contra ele.

Vivemos num mundo desumanizado, dentro de uma bolha gananciosa do ter e do poder, ao ponto de pedirmos mais tempo ao tempo. Nessa confusão maluca que nos deixa cegos da visão das coisas boas, nem enxergamos a velhice bater em nossas portas. Nas grandes cidades, principalmente, passamos do tempo presencial para o virtualizado e é aí que temos a impressão que ele está mais rápido.

Quantas vezes nos desculpamos com o “amigo de que não tivemos tempo de responder sua mensagem do celular, seja escrita ou áudio, porque quase ninguém quer mais perder tempo com ligação telefônica. Por que tudo isso, se somos apenas meros passageiros do tempo entre a vida e morte? Quando lembramos disso, aí já não há mais tempo para recuperar o tempo perdido.

Existem lugares pacatos, como no campo, povoados, pequenas e antigas cidades turísticas onde as pessoas têm a sensação que tudo ali parou no tempo. Uns param para papear com os outros em abraços e apertos de mãos, com o tempo suficiente para uma troca de ideias, saber das notícias, tomar um gelada no bar e até fazer umas fofocas que ninguém é de ferro.

Assim é a vida, meu caro! Para uns, o tempo parece não passar. O dia e o ano ficam mais longos. Para outros, o tempo passa cada vez mais rápido. O Natal e o Ano Novo parecem ter sido ontem e já estamos perto deles novamente. Quem já não ouviu esta frase de alguém? Logo vem o carnaval, Semana Santa, dia das Mães, o São João, Dia dos Pais e não demora as lojas estamparem seus anúncios de Natal.

A semana nos dá a impressão de estar voando, cada vez com mais eventos, festas, encontros e reuniões, e não damos conta que convivemos menos com os amigos, com os familiares e, sobretudo, com os filhos. Como desculpa, ficamos o tempo todo enganando a nós mesmos e dizendo que não temos tempo porque ele está passando rápido.

QUE BRASIL É ESSE? TÃO RICO E TÃO DESIGUAL?

“NÃO HAVERIA CAPITALISMO SE NÃO HOUVESSE EXISTIDO O TRÁFICO NEGREIRO E A INSTITUIÇÃO ESCRAVISTA” – Ângela Davis

A formação colonizadora portuguesa de mentalidade exploratório, a monocultura de acumulação de bens, a escravidão de mais de 300 anos que gerou o capitalismo selvagem e a deficiência na educação foram, entre outros, os principais fatores motivacionais que explicam esse cenário brasileiro de um país tão rico e tão desigual de milhões de pobres, conforme concluíram os participantes do “Sarau a Estrada”, realizado no último sábado (dia 24/08), no Espaço Cultural do mesmo nome.

Com as presenças de mais de 30 pessoas entre artistas, intelectuais, professores e jovens estudantes, os trabalhos sobre o tema foram abertos pelo professor Itamar Aguiar, num clima de cordialidade e amizade. Nesses 14 anos de existência, foi mais uma noite de atividade cultural de muitas cantorias de viola, contação de causos e casos, declamação de poemas e troca de ideias entre as pessoas que abrilhantaram o evento.

O jornalista e escritor Jeremias Macário abriu a discussão do tema pontuando os diversos fatores pelos quais empurraram o Brasil para esse quadro desalentador de ser tão rico e, ao mesmo tempo, tão pobre onde uma pequena minoria domina o capital, em torno de 10%, e uma grande maioria vive na pobreza, inclusive milhões passando fome.

O tema tornou-se mais dinâmico com uma roda de conversas sobre o assunto, com as palavras de Manno Di Souza, o fotógrafo José Carlos D´Almeida, o músico Alex Baducha, o próprio Itamar, Edvaldo, ativista do MST e morador de um assentamento de terra, Eduardo Moraes e tantos outros que apresentaram seus pontos de vista, sempre colocando o déficit educacional como entrave principal que emperra o Brasil para o atraso e dificulta o nosso desenvolvimento com a distribuição de renda.

Pela formação colonizadora brasileira, a partir de 1500, quando Portugal, sob o reino de D. Manuel vivia uma época de decadência, a intenção do conquistador foi tão somente de explorar a terra e não de criar riquezas distributivas, a começar pelo Pau Brasil, segundo D´Almeida, a primeira devastação territorial em solo brasileiro. Depois tivemos os ciclos da cana-de-açúcar, a mineração, o café, a borracha e, por fim, o agronegócio, que criaram uma elite oligárquica com uma visão única de acumulação de bens através da exploração das classes mais pobres.

Por causa desses fatores, ainda temos até hoje, conforme foi discutido pelos presentes, um Brasil exportador de matérias primas, como grãos, aço, óleo bruto de petróleo e outros itens, e importador de produtos industrializados, principalmente maquinários, aparelhos eletrônicos, química fina e remédios.

Baducha disse que ainda carregamos a pecha do “complexo de vira lata” onde se valoriza mais o que vem de foram do que a nossa produção nacional. Durante a roda de conversa, vários autores foram citados, como Buarque de Holanda que escreveu Raízes do Brasil, Caio Prado Júnior e tantos outros. Itamar deixou sua mensagem de lutarmos pela valorização da educação.

Foi mais uma noite proveitosa através da troca de conhecimento e saber, seguida pelas cantorias musicais de Manno Di Souza, Baducha e Dorinho, intercaladas pela declamação de poemas autorais e contação de causos, num clima fraternal, acompanhado de bebidas e comidas, como do “patopira” (pato com galinha caipira), um dos sucessos, preparado pela anfitriã Vandilza Gonçalves.

Na ocasião foi também cantado os parabéns para os aniversariantes Vandilza Gonçalves e Manno Di Souza, com direito a bolo e apagar de velas. Entre as cantorias, Dall Farias citou o conjunto da obra Elomariana e suas vertentes do sertão profundo, cantada por Cleide e acompanha no violão por Baducha e Manno. Cleide ainda nos brindou com “Quem tem bem louve a Deus seu bem, quem não tem peça a Deus que vem…”

As impressões sobre o Sarau foram várias, inclusive de que foi um dos melhores do ano, como do nosso Humberto, de que o evento transcorreu num clima de muita alegria, confraternização e, sobretudo, de expressões culturais. “Foi realmente um momento especial para todos nós, onde a música, a poesia, os debates sobre o tema central e o bate-papo descontraído foram o ponto alto do encontro”.

Adiramélia Mendes agradeceu pelo sarau ter proporcionado momentos de muita cultura e aprendizado. Muitos outros se pronunciaram e sentimos as ausências dos nossos amigos e amigas Marta Moreno Jhesus, Rubens, Regina e Aurelício, Maris Stella e Neto, além, de outros que, por motivos pessoais, não puderam comparecer ao evento.

 

CHAPÉU NÃO PODE ENTRAR NA URNA ELETRÔNICA ELEITORAL

Confesso que fiquei surpreendido com a notificação do juiz eleitoral de que a foto do candidato com chapéu não pode ser introduzida na urna eletrônica de votação do dia seis de outubro, sob o argumento de que tira a visibilidade do mesmo, alegação esta que não me convence.

Aqui em Vitória da Conquista, a minha foto e a do companheiro Antônio Andrade Leal foram barradas e fomos obrigados a tirar outras fotos sem o chapéu para serem validadas na urna eletrônica eleitoral.

Primeiro, se tira a visibilidade, isso fica por conta do candidato. Segundo é que o chapéu, no meu caso específico, faz parte da minha indumentária cultural nordestina como marca identitária da minha pessoa e, sem esse adorno particular, posso até ser prejudicado.

Terceiro, como já sou sempre conhecido de todos com o uso do meu chapéu, inclusive nas ruas e eventos em geral, (possuo uma coleção), na hora da votação o eleitor pode se confundir e até não reconhecer minha fisionomia.

Tanto eu como meu amigo Leal nos sentimos constrangidos com essa proibição da Justiça Eleitoral. Em minha opinião, demonstra até um preconceito contra uma peça importante e milenar desde os tempos antes de Cristo, como na Mesopotâmia, no Egito e na Grécia.

Na era moderna, a nobreza, reis e rainhas usavam seus estilosos chapéus passando para outros povos. No nosso Nordeste, o chapéu, especialmente o de couro, faz parte da cultura do sertanejo da região. É como se fosse um símbolo da sua pessoa.

Não vamos entrar nessa seara porque trata-se de um tema bastante vasto. Apenas entendo ser frágil o argumento da Justiça Eleitoral, tanto que a proibição foi derrubada pelo deputado federal Douglas Belchior, do PT, de São Paulo.

O parlamentar recorreu após sua foto de boné ter sido barrada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral). A lei proíbe o uso de elementos que possam dificultar a identificação do candidato. Não é permitido usar elementos cênicos e adornos que dificultam a visibilidade da pessoa.

No processo do deputado, o ministro do Tribunal Superior, Sérgio Banhos, autorizou o boné na urna eletrônica. Como negro, Belchior entrou com um pedido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) depois que o TRE deferiu o seu registro fazendo uma ressalva quanto a sua foto.

O deputado de São Paulo é um preto engajado com os movimentos sociais. Argumentou que, dentre as formas de combater o racismo, está o uso do elemento boné na cultura rapper.

De acordo com o magistrado Sérgio, este adorno faz parte de uma característica sociocultural do candidato. Seu boné está ligado à sua imagem, conforme defendeu o juiz, acrescentando que não se tratava de um adorno e não atrapalhava a visualização do seu rosto.

SUPERMERCADO DO MUNDO

(Chico Ribeiro Neto)

Aqui vende quase tudo. Você compra o diabo a quatro, xuxu e quiabo, gato e sapato.

Vendemos culpa e direitos, biscoitos e pratos feitos.

As prateleiras são arrumadas conforme as necessidades, sem esquecer que o mais importante fica no final. Por que é que o feijão não fica nas primeiras prateleiras?

Há gôndolas, mas não são para passear.

Tem prateleiras de dor e de paixão, de saudade e comichão.

Na Semana Santa, tinha um grande balaio de quiabo em promoção, muita gente pegando. Meti a mão e acabei apertando o dedo de uma velhinha pra saber se o quiabo estava novo.

O Supermercado do Mundo vende o bem e o mal, o artista e o igual, o bêbado e o profissional. Tem prateleiras de depressão de 1 e 2 quilos com o aviso, abaixo da tarja preta: “Favor consumir somente após o pagamento.”

O que não se vende no Supermercado do Mundo é a alegria de uma caminhada na praia, o andar da vizinha, o gato num sonho, o vôo de uma andorinha, a companhia dos amigos, uma estrela, o crescer de uma planta… “Caixa livre, o próximo!”

Retiro do meu carrinho um quilo de tristeza. A moça do caixa pergunta: “O senhor vai querer saquinho ou vai levar assim mesmo?”

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia