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CADÊ A PUNIÇÃO AOS DONOS DE TERRENOS VAZIOS E ABANDONADOS?
Passam governos e a situação dos terrenos vazios e abandonados é cada vez mais crítica, caótica e só faz aumentar, principalmente nas periferias. O poder executivo não toma providências e só faz escorchar o cidadão com impostos e, praticamente, não oferece nada em troca. A Câmara de Vereadores não cobra a fiscalização. Você paga o máximo e só recebe o mínimo.
Nem é preciso dizer que são verdadeiros atentados à saúde pública porque estas áreas se transformaram em matagais, lixeiras, focos da dengue, escorpiões, ratos, cobras, todo tipo de insetos, e muitos moradores tocam fogo como meio de amenizar o problema porque não suportam mais. Estes são “criminalizados” pela mídia que não questiona o outro lado.
De acordo com o Código de Posturas Municipal (Lei 695/1993), em Vitória da Conquista, os donos de terrenos vazios, baldios ou abandonados são obrigados a mantê-los limpos, capinados e fechados, A inobservância dessas obrigações sujeita o proprietário às penalidades, conforme o código citado.
Ainda sobre os pontos sobre a regulação, o dono é obrigado a construir muros, calçadas e manter a área limpa, evitando focos de doenças e lixo. O descarte irregular de entulhos ou a não manutenção da limpeza gera infração com previsão de multas (reincidências resulta em dobro da multa).
A prefeitura tem a competência de fiscalizar e notificar o proprietário. Em caso de descumprimento, realizar a limpeza, enviando a conta para o dono do imóvel. O não uso do terreno por muitos anos pode levar a medidas baseadas no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), visando a função social.
É isto aí, somos campeões em leis que não são cumpridas, e não adianta fazer denúncias e documentos à prefeitura porque terminam sendo engavetados. A quem apelar? Vamos ao Bispo ou ao Papa? Está tudo escrito no papel, mas o problema permanece grave. Cadê a Câmara Municipal, o Ministério Público, a OAB e outras autoridades que não cobram o cumprimento das leis por parte do poder executivo?
Como diz um certo juiz de futebol, “a lei é muito clara”. Por que os prefeitos e a Secretaria responsável não resolvem essa questão de vez? Ainda tem gente imbecil que chama Conquista de a “Suíça Baiana”, isto porque não conhece a situação das periferias.
Estes terrenos abandonados de lixo são uma vergonha para uma cidade que é a terceira da Bahia com cerca de 400 mil habitantes. Aqui não tem nada de “Suíça Baiana”, meu amigo. Vamos deixar dessa baboseira de engrandecimento bairrista!
SUCATA DA VERGONHA
Além dos terrenos abandonados, aqui no loteamento Sobradinho (Zabelê), próximo ao Atacadão e à saída para Anagé, tem uma sucata que é uma vergonha e é mais um atentado à saúde pública. É fonte de dengue, insetos de todas as espécies, sem contar a poluição diária de fuligem nas casas vizinhas.
Os moradores das proximidades já se reuniram e fizeram um documento ou requerimento à prefeitura solicitando a relocalização da Sucata Esperança para outro local adequado, mas, como sempre, foi engavetado.
O problema é tão grave que as pessoas das imediações do Miro Cairo já denominaram esta região de a “Rota do Lixo”. Quem mora próximo sofre diariamente com o barulho das máquinas, sem falar na poluição. Idosos e crianças, principalmente, sofrem com problemas respiratórios.
Escorpiões e ratos entram nas residências. É um horror e um tormento para a comunidade. Nenhum órgão toma uma atitude. Como em todo Brasil, o brasileiro só tem deveres e quase nada de direitos. Isto vai de encontro à democracia, aliás, é um atentado a ela.
O SISTEMA É BRUTO E CRUEL
Quando falo do sistema, não estou me referindo no sentido macro dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) e o capitalismo selvagem oligárquico que ditam suas regras e terminam descarregando todo seu peso nos mais desfavorecidos, se bem que toda sociedade brasileira pena.
Estou me reportando à nossa aldeia, no caso mais específico à Secretaria de Finanças da Prefeitura de Vitória da Conquista onde mais parece uma torre de babel, pois cada um fala uma língua diferente e se ouve o absurdo dos absurdos.
Depois de negociar minha dívida ativa e pagar as parcelas em dia, fui ontem (dia 30/01) à Secretaria (três vezes) solicitar uma certidão negativa e, após um dia exaustivo, não consegui êxito porque cada funcionário tinha sua interpretação a respeito do meu caso.
Na primeira tentativa, a atendente disse que não podia me liberar alegando que o pagamento que fiz do alvará 2025, na terça-feira (dia 27/01), na lotérica, não havia caído no sistema (olha ele aí nos atormentando e torturando!), mesmo mostrando o comprovante quitado. “A Caixa Econômica tem três dias para nos enviar a quitação” – disse a funcionária.
Argumentei se não poderia dar baixa no sistema através do comprovante, mas nada feito. Apelei para a gerência que fica ao lado e um rapaz conversou com algum superior que teve a compreensão de atender ao meu pedido.
Senti aquele alívio e a esperança de que meu problema seria resolvido. Puro engano, meu camarada! O sistema acusou que eu tinha três parcelas do ISS em aberto. Aleguei que havia parcelado para o dia 10 de fevereiro, mas não estava com as papeladas.
Na árdua tarefa de solucionar a questão sai do centro e fui buscar os boletos em casa. Minha peregrinação tinha começado às 9h.30min e quando retornei pela segunda vez já era quase 13 horas. Mesmo arguindo que a data de vencimento era dez de fevereiro, o cruel do sistema não liberou minha certidão. Mais uma tremenda frustração. Insisti que o vencimento estava ali destacado para o dia 10 de fevereiro próximo. O jovem só me mostrava o maldito do sistema.
O mesmo funcionário (um estagiário) recomendou que eu retornasse mais tarde, isto pela terceira vez, e me reportasse com uma tal de Igor. Era por volta das 15 horas. Para meu espanto, ele se baseou na data do vencimento original e não na atualizada do 10/02/2026. Não adiantou em nada o meu argumento de que ainda não havia vencido. Não entendi, ou meu QI deve ser muito baixo.
O técnico obedece ao sistema, meu amigo, e este, cruelmente, negou minha certidão. “Não adianta tentar porque ele trava na hora que eu fizer a solicitação” – afirmou o moço. O ponteiro marcava 16 horas e o cansaço já dominava meu corpo e minha mente.
– Mas, olha aqui, a data diz que eu tenho até o dia 10 de fevereiro para pagar. Não teve conversa, o servidor se baseou no vencimento original de 12 de janeiro de 2026. Meu contador não acreditou no que lhe relatei.
Não é para entender. O sistema não tem lógica porque foi elaborado e é manejado por seres burocratas tecnólogos desumanos. Sai da Secretaria de Finanças no final da tarde, estafado, desolado e me sentindo um lixo como contribuinte. O sistema é bruto e cruel, não para os ricos e os grandes sonegadores de impostos.
SÃO TANTAS PORCARIAS!
Fico confuso sem entender, talvez meus neurônios já estejam desgastados, como as pessoas nos dias atuais se enchem de tantas porcarias, inclusive no que entra pela boca, e saem comprando coisas nas lojas presenciais e virtuais, que nem precisam, e depois ficam endividadas ao ponto de faltar grana até para fazer o mercado ou a feira da casa.
Com o celular e as propagandas martelando em seus ouvidos, o consumidor se tornou um compulsivo doente que tenta compensar suas ansiedades do mundo moderno adquirindo tudo que é bugiganga. É só rolando a tela, clicando e colocando no “carrinho de compras”.
Normalmente joga-se tudo no cartão porque o pix já está praticamente zerado. A maioria dos produtos nem é utilizada. A Copa de Futebol do Mundo vem aí e haja televisor para vender, para pagar em 30 ou 60 meses! Os mais pobres caem dentro!
É como massagear o ego e depois ficar na expectativa da chegada da encomenda, com aquela sensação de abrir e se sentir “feliz”. O mais frustrante é quando a compra se transforma num golpe e, ao invés de receber um aparelho para acalmar os nervos, lá está na linda embalagem um pedaço de ferro enferrujado envolto em papel picado.
É, meu camarada, a mídia que deveria fazer seu papel de conscientização, dá voz e sustentação ao sistema capitalista consumista, com matérias publicitárias, e não jornalísticas. As reportagens são verdadeiras pautas comerciais e o repórter incentiva a comprar mais e mais.
Os veículos de comunicação têm seus patrocinadores e precisam sobreviver e lucrar, mas não é necessário escancarar tanto. Isso acontece, principalmente, em épocas de festas e datas comemorativas. A roda começa a girar no início de cada ano. O jornalismo perdeu a sua função de questionadora e formadora de opinião.
Na outra banda da cobiçada “maçã do amor” (agora é “morango do amor”) da internet estão as porcarias de textos e vídeos sem conteúdo, com até milhões de visualizações e seguidores que preenchem o vazio dessa gente que acompanha falsos ídolos e influenciadores. Também são porcarias. Eles ditam suas receitas de vida e comportamento como se fossem verdades padronizadas.
Para estas porcarias, em formatos de lixeiras, também existem compradores aos montes que engordam as idiotices e as imbecilidades do vazio existencial. A mídia rasa está lá marcando sua presença e mistura o joio com o trigo.
Como a massa é inculta e ignara, tudo é empurrado goela abaixo, e os bagulhos nem dão mais indigestão porque o corpo e a mente já estão adaptados às porcarias. As pessoas hoje mastigam até pedregulhos.
Nem sei o porquê de estar falando dessas porcarias! Que se lasquem os pobres de espírito, que também são pobres em termos financeiros! Não ganho nada com isso, só perda do meu precioso tempo em ficar aqui tratando desse assunto. Acho que sou um masoquista e estou me sentindo engasgado com um tremendo caroço na garganta!
Sabe de uma coisa: Gosto mesmo é de prosear a noite toda com bons companheiros até o dia amanhecer, olho no olho, trocando ideias, conhecimento e saber, sem falar na contação de causos, histórias e estórias, como fazia meu velho pai entre os compadres da roça, com um bule de café. Prefiro um vinho que dá mais inspiração.
Estou embaralhando a conversa, mas existem por aí uns exibidos intelectuais de “esquerda”, sentados em seus sofás e escrivaninhas, que ficam gastando o um por cento do seu QI com longas narrativas cheias de citações de pensadores dos séculos passados e depois postam em grupos de Zap, ou em outras redes.
Não que sejam porcarias, mas acham que todos têm o dever de ler suas extensas teorias nessas telas cansativas e depois emitir uma opinião e debater os teoremas, senão são vistos como alienados políticos. Essa militância precisa de mudança na linguagem porque os tempos estão mais para porcarias, não que se deva baixar o nível.
CACHORRO LOUCO RAIVOSO
A humanidade ainda não está dando conta de que existe um cachorro louco que tem o propósito de dominar o mundo. Com suas garras ferozes, convocou outros raivosos como ele e foi eleito pelos racionais e irracionais como o chefe maior para comandar a sua própria malta.
Nenhuma semelhança com o cacique chefe guerreiro da tribo dos Sioux do século XIX (1876) que foi apelidado de “Cachorro Louco” porque teve a coragem de reunir sua comunidade indígena e enfrentar a invasão dos yanques que depois de sangrenta luta tomaram suas terras. Na realidade, estamos precisando de um “cachorro louco” corajoso que defenda e proteja nossa gente desse outro cachorro maluco.
Este cachorro louco, do qual estou falando, está fazendo o contrário. Como um cão raivoso, não vacinado e, portanto, altamente perigoso, está atacando os humanos em seus territórios e até mandou sequestrar um presidente de outro país.
O cachorro louco fica ainda mais violento quando alguém tenta repeli-lo e não se aliar a ele. Ficou ainda pior depois que lhe negaram um tal prêmio da paz. Seu lema é fazer a paz pela força. Como prestar uma homenagem dessa para um cachorro que só quer morder por onde passa?
Ele destila toda sua raiva e avança para matar quando vê algum estranho passando em seu passeio ou morando em torno da sua casa. Agora ele achou de criar um Conselho, se elegeu como senhor vitalício e convidou outra matilha de raivosos como ele, para ser o dono de uma faixa de terra, lá no Oriente. Nela ele já até fez seu xixi e expeliu seu cocô fedorento. Quer fazer um balneário para abrigar a sua corja e seus seguidores.
Como é parente de lobos ou coiotes da escuridão, o cachorro louco está espalhando sua alcateia por toda parte. De longe se ouve seu uivo que faz lembrar de outro cachorro louco que existiu no passado e matou milhões de pessoas. São parecidos com vampiros que não se dão bem com a luz do dia.
No início, o cachorro louco do meado dos anos 30 do século XX era tido como inofensivo e até fizeram acordos com ele, isto é, de cachorro para cachorro. Devagar foi mordendo pelas beiradas e quando reagiram ele já havia feito aquele estrago. Como já é louco mesmo, ele desrespeita até a natureza e deixa suas sujeiras por onde passa.
Aliás, não é somente ele, o planeta de hoje está cheio de cachorros loucos que vão soltando suas babas nojentas, contaminadas de vírus mortíferos que estão exterminando seres humanos com seus venenos.
Vez ou outra, quando seus ataques vão longe demais, ele se disfarça de manso para depois mostrar sua agressividade assassina. Enquanto isso, o cachorro louco está solto e você pode ser a próxima vítima. A mídia só fala dele e ninguém sabe qual seu próximo passo, ou a mordida fatal.
NO BAÚ DAS MEMÓRIAS
Fotos de arquivos de José Silva 
Quando vejo antigas fotografias do nosso secular Patrimônio Histórico Arquitetônico, bate no peito uma saudade danada e, ao mesmo tempo, uma sensação de revolta. As imagens que vão se descortinando em nossas retinas são cenários deslumbrantes de cerca de 200 anos atrás quando Vitória da Conquista ainda era Vila Imperial da Victória e depois Cidade da Conquista.
Na época que o príncipe alemão Maximiliano Alexander Philipp por aqui passou, por volta de 1817, se deparou com uma vila, então Arraial Imperial da Conquista, no estilo de um presépio de cerca de 40 casas. Descreveu a vida da sua gente simples e a Serra do Periperi como uma floresta coberta por espessas matas, lembrando o frescor dos prados das zonas temperadas de uma vasta e bela paisagem da sua terra natal.
As antigas fotos pelas suas plasticidades, são como poesias homéricas do tempo, marcas de um passado glorioso, onde cada uma delas nos conta uma história, não apenas sobre a matéria em si, mas, especialmente, no âmbito espiritual. Elas já têm vida sem textos literários porque falam por si através de fortes palavras de sentimento e fazem voar nossa imaginação.
A revolta nasce justamente da estupidez do homem, principalmente do brasileiro, que traz em seu instinto a perversa cultura da destruição de seus monumentos e antigas construções de linhas coloniais e outros estilos das artes arquitetônicas esculturais. São belos casarões e ruas inteiras de Conquista que foram derrubados pela ganância imobiliária para dar lugar a uma nova armação de concreto pesado que não gera mais rima e estrofe aos poetas, nem melodias aos cancioneiros.
O portal de entrada que guiava e ainda guia a outros pontos da cidade era a conhecida Rua Grande, naquela época, hoje praticamente todo miolo do centro de Conquista, compreendendo o antigo Jardim das Borboletas, hoje Praça Tancredo Neves, e a Praça Barão do Rio Branco até o Caixeiro Viajante (Praça do Índio), com seus suntuosos casarões históricos que foram demolidos para dar lugar a bancos, hotéis e lojas comerciais.
Na Rua grande nos encantamos com as belas fotos em preto e branco da feira da cidade onde se reuniam produtores rurais e comerciantes para realizar seus negócios. O local também era utilizado para comemorações do Sete de Setembro, festejos juninos, eventos diversos e até para comícios eleitorais dos coronéis.
Poucas edificações sobreviveram à ganância imobiliária. Esse ímpeto de demolição ainda continua nos dias atuais, como no final do século XIX e durante todo o século XX. Essa insensatez custou muito caro para os conquistenses que não contam com um Centro Histórico para apresentar aos seus visitantes, como existe nas grandes cidades. Pelo menos esta lacuna se encontra em escassas fotos em mãos de pouca gente que teve a sensibilidade de preservar este acervo, um verdadeiro tesouro cultural, como a primeira Igreja de Nossa Senhora das Vitórias.
No roteiro dessas antigas fotos, destacamos preciosidades de riquezas passadas. Nossos olhos brilham com a velha Praça Nove de Novembro de portas coloniais e nos faz entrar no túnel do tempo onde se realizava antigos carnavais, e nos bares de sinucas se confabulavam coronéis com seus jagunços no início do século XX. Um pouco mais adiante, a Rua do Triunfo, ou Rua dos Cachorros (poucos conhecem) porque ali existia um açougue e os cães se juntavam para se alimentar de vísceras dos animas.
Bem que ali hoje poderia se ter uma intensa vida noturna cultural de botecos gastronômicos com encontros de artistas, intelectuais, shows musicais, declamação de poemas e apresentação de outras artes. O mesmo se poderia dizer do Terminal Lauro de Freitas (o Pela Porco), implantado em 1984 por Pedral Sampaio.
Nossa caminhada segue pelas fotos na Alameda Ramiro Santos (Beco Chico Piloto em referência à casa comercial Major Francisco Piloto da Silva), célula do surgimento da cidade próxima à Rua Maximiliano Fernandes (antiga Rua Grande), passando pelo casarão de dona Zeza (ainda em pé) ao lado do moderno prédio do Banco do Nordeste. Mais na frente a casa do Grêmio Castro Alves onde funcionou até pouco tempo a Rádio Clube, infelizmente descaracterizado. Na maior parte foram instalados modernos escritórios empresariais.
Oh quanta saudade do imponente Lindoia onde existiam lojas de serviços diversos e era ponto de ônibus, ou marinetes, em direção a outras cidades! Ao lado, o palacete do coronel Paulino (hoje Banco do Brasil) e um pouco mais embaixo outro casarão que abrigava os tropeiros que se transformou na primeira Igreja Batista. Praticamente toda aquela área foi tombada ao chão e desfigurada em nome do progresso. Ah, temos ainda fotografias da Alameda Lima Guerra (Beco da Tesoura por conta das alfaiatarias)!
A nossa viagem prossegue pela Rua Dois de Julho (Rua da Várzea porque sempre alagava nas enchentes) onde está localizada a casa do cineasta conquistense Glauber Rocha, ainda em sua originalidade, mas fechada e carente de manutenção. Pode se acabar. Cortando mais alguns quarteirões, temos a famosa Rua João Pessoa, ou Rua das Boiadas, como era chamada, por onde transitavam os boiadeiros e vaqueiros conduzindo o gado para outras paragens. Não podemos deixar de lado o Colégio Macaúbas que deu lugar ao Fórum.
São fotos documentais, testemunhos da nossa história, como o “Megasapo”, ou Dom Pedro, lugar de divertimento, prazer e boemia naquela época onde residiam as prostitutas, por sinal muito movimentado. Assim era conhecida porque na trilha que levava até o local, um tipo brejo, cruzavam muitos sapos e na escuridão os boêmios chegavam a pisar neles.
Existem muitas outras fotos de ruas e casarões, mas poucos deles ainda resistem à depredação humana, embora ameaçados, como a Casa Regis Pacheco, do ex-prefeito e governador da Bahia, o antigo palacete que sediou a Câmara de Vereadores, construído em 1910/12 pelo mestre Luiz Pedreiro, onde foi residência do coronel Manoel Fernandes dos Santos, ou Maneca Santos, antes de abrigar o Hotel Central e o Fórum (possui quatro estátuas no telhado representando os deuses Apolo, Mercúrio, Diana e Júpiter), o prédio da Prefeitura Municipal (sede do governo desde 1962), na Praça Joaquim Correia, inaugurado em 1921 que serviu de quartel da polícia militar, dentre outras raridades.
Não podemos deixar de citar os antigos cinemas de Conquista, entre os anos 70 e 80, com bons filmes, todos bem frequentados pelos amantes da Sétima Arte, inclusive pelo menino Glauber Rocha. A geração mais velha se lembra muito bem do Rivera, Cine Glória, Eldorado, Cine Trianon (1977), o Ritz, todos eles registrados em velhas fotografias. Muitos desses cines pertenciam ao empresário Nivaldo Araújo. Por fim o Cine Madrigal, o último a ser fechado e que assim permanece há muitos anos, sendo corroído pelo tempo.
Enfim, são papeis, tintas, textos escritos e fotografias. São expressões contra o esquecimento e a favor da memória, como prova de que o passado nunca morre. É algo vivo e pulsante que ainda vive em nossas emoções.
Cada fotografia, cuidadosamente trabalhada com esmero, representa um processo de resgate, não apenas técnico, mas, sobretudo, espiritual. Revelar uma imagem antiga é pedir licença ao tempo para aquilo que se foi. As imagens atravessam quase dois séculos de história, fragmentos de um passado que se foi.
Antes da fotografia existia a pintura, o retrato pintado como símbolo de poder. A fotografia mudou o mundo e nos oferece uma sensação de pertencimento, como é o caso das fotos que trazem Vitória da Conquista de volta, num ritual mágico que faz renovar a nossa sensibilidade. As imagens são como convites para que você olhe o passado com coração e com alma. São obras que celebram a persistência da vida e a beleza daquilo que permanece eterno.
JOGOS DE GUERRA
(Chico Ribeiro Neto)
Meus soldadinhos de chumbo da estante não querem invadir outras áreas da casa. Com grande disposição e amor à Pátria, limitam-se a proteger meus livros de possíveis invasores. Nesse mundo sempre tem gente querendo queimar livros.
Na nossa brincadeira de guerrô, na turma da Rua Gabriel Soares (Ladeira dos Aflitos), em Salvador, o cara tava “preso” com 3 tapinhas na cabeça e a “prisão” era o poste mais próximo, iluminado pela lua, já que alguns treinavam nas lâmpadas a pontaria dos badogues.
No jogo de Batalha Naval não me lembro de ter invadido nenhum país.
Adorei o “trezoitão” de pão que o padeiro da Padaria Minerva, do meu pai Waldemar, fez para mim quando eu tinha 6 anos. Com cartucheira e tudo, o revólver de pão foi devorado por mim e amigos da Rua 2 de Julho, em Ipiaú (BA). Não sobrou uma bala sequer.
No São João os bolsos da frente da calça cheios de bomba e os bolsos de trás cheios de amendoim cozido.
A gente tirava a pólvora de 4 bombas, fazia o montinho no chão, uma pedrinha por cima, pisava com um calcanhar, batia continência e batia um calcanhar no outro PUM!!!
O grande ato de heroísmo era segurar um traque nos dentes e acender o pavio.
Acordo com um bonito barulho. Meus brinquedos fazem uma passeata até a sala. Meu trator de dar corda vai na frente. Não querem ser agredidos e querem continuar produzindo beleza.
Pedro, meu neto, aos 7 anos tinha um exército de miúdos soldadinhos verde de plástico. A tropa toda cabia num saco plástico. Um dia fui visitá-lo e, na saída, ele me presenteou com um soldadinho.
“Mas esse soldado não tem fuzil!”, exclamei.
“Mas, vô, esse é o cara das comunicações. Veja os equipamentos nas costas .
TENHO MEDO DOS NOVOS MÉDICOS
O conhecimento e o saber profissional no Brasil só fazem cair. Depois da divulgação de uma pesquisa do Ministério da Educação (MEC) sobre as faculdades de medicina, confesso que meu medo desses novos médicos, de 23 a 25 anos, só aumenta. Antes de ir a uma consulta, o paciente deve indagar a idade do médico e em qual faculdade estudou, mas quem depende do SUS, fica sem opção.
Médico tem que ser dos 50 aos 60 anos para cima, mas é difícil encontrar. É aquele que lhe examina todo, passa mais tempo com você no consultório conversando sobre passado de seus hábitos, doenças hereditárias e outros detalhes da sua vida. Você sente mais firmeza e até passa mais segurança psicológica.
Hoje são cinco ou dez minutos no máximo, para entrar logo o próximo. O médico, ou a médica, não importa a especialidade, nem olha para sua cara e passa um monte de exames para alimentar a indústria dos laboratórios e dos farmacêuticos.
Poucos lembram dos médicos de família que, com poucos recursos tecnológicos que se tem atualmente com o avanço da ciência, detectava a doença da pessoa, receitava o medicamento e, como sempre, acertava na mosca. Do jeito que está, é fácil fazer o papel de charlatão.
Bem, vamos a alguns pontos dos últimos resultados divulgados pelo MEC e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, com dados atualizados de 2026 (referentes às avaliações do Enade 2023/24). Muitos já viram, mas sempre é bom memorizar.
A pesquisa indica um cenário preocupante, mas que não foi surpresa. Existe um destaque para a excelência de universidades públicas e a reprovação de mais de 30% dos cursos em avaliações de desempenho.
As faculdades particulares se tornaram mercadorias em prateleiras de supermercados. Com o dinheiro do governo federal, isto é, do contribuinte, através do FIES, os donos dessas unidades ficaram ricos e milionários. Antes se criticava as faculdades paraguaias e as bolivianas. Não há muita diferença aqui no Brasil.
Com conceito 5 (nota máxima) estão os cursos da USP, Unicamp, Unesp, UFMG, UESC, UESB, UDBA, UNIVASF e UFC. Na excelência das privadas se encontram as faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, Unoeste, Famerp, Centro Universitário São Caetano e Unifagoc.
Dos cursos particulares, mais de 30% foram reprovadas e receberam notas de 1 a 2. Em situação crítica estão os cursos Afya (Santa Inês/BA, Vitória da Conquista/BA, Parnaíba/PI). Olhem aí, Conquista, a “Suíça Baiana” (idiotice) está no rol. Muitos formados nem fazem mais residências em hospitais como era obrigatório.
Em termos de vagas, o Brasil ultrapassou 50 mil, com 494 escolas médicas, das quais 80% são privadas. As instituições públicas da Bahia e do Nordeste consolidaram resultados de alto nível. São nessas que o governo federal deve investir pesado, para ampliar vagas e melhorar a formação.
O MEC garante que a fiscalização tem sido intensificada, mas não confio, porque no Brasil ainda prevalecem as interferências políticas. As corrupções epidêmicas e os subornos estão aí que nos comprovam isso.
Este quadro de decadência do ensino não se concentra apenas na área da medicina, mas em todas as esferas profissionais, como do Direito, do Jornalismo, da Engenharia, Arquitetura, da Enfermagem, da Administração, da Economia, da Pedagogia e tantos outros cursos.
Além da estrutura precária das escolas, com mais gravidade nas ciências exatas (muitas estão ligadas diretamente com vidas humanas), os jovens profissionais de hoje foram diplomados por professores originários de ensinos deficitários. É o tal do ciclo vicioso.
É uma cadeia que vai gerando mais e mais decadência, com um quadro de piora no conhecimento e no saber, sem perspectivas de melhora, se não houver um choque ou uma revolução de mudanças na educação. Essa queda profissional abrange todos os níveis, e a maioria dos jovens de hoje é inexperiente em suas atividades.
A medicina, por exemplo, uma profissão que lida com vidas humanas, se tornou hoje um mercantilismo, como se fosse uma máquina registradora de se fazer dinheiro. As crianças e os adolescentes sonham em ser médicos por vaidade dos pais e porque eles dizem que dá dinheiro. Acabou esse negócio de vocação de que se falava antigamente.
Qualquer cidade hoje de porte médio, mesmo sem condições, tem uma faculdade privada de medicina porque o deputado buliu lá com seus pauzinhos para conseguir uma autorização no Conselho do MEC e por achar que isso é sinal de progresso.
Por outro lado, o empresário sabe que vai ganhar muita grana com o financiamento de alunos das cotas pagas pelos contribuintes. A saúde do povo que se dane, que se lasque. Essa é a realidade nua e crua. O resto é blábláblá de ideologia barata.
TAMBÉM QUERO UM PRÊMIO NOBEL!
Sou jornalista, escritor, poeta, letrista, fotógrafo; ganhei prêmios de reportagens; fiz matérias perigosas e fui ameaçado de morte; desbravei o sertão; passei fome nas secas; comi o pão que o diabo amassou na capital; e, por isso, também quero um Prêmio Nobel, não importa que seja de Literatura, da Paz ou qualquer outra coisa. Pode ser como velho rabugento chato que está sempre reclamando e contestando.
Outro motivo justo é que sou brasileiro e nordestino sofredor de todas as mazelas, num país que nunca recebeu um Prêmio Nobel e onde estão os maiores índices de desigualdade social. Seria uma forma de reparação pelos séculos de exploração colonial e escravidão. Acho que sou o mais indicado para receber a comenda e prometo não transferir a homenagem para ninguém.
Vou escrever, ou mandar uma mensagem virtual para a diretoria da Fundação Alfred Nobel exigindo o meu prêmio pelos meus feitos porque também sou filho de Deus e acho que mereço. Não deram para María Corina Machado, Boby Dylan e tantos outros por ai! Ora, vejo tanta gente ganhando prêmios e sendo homenageado. Vou fazer 80 anos e nada! Isso é muito injusto. Estou puto da vida! Irado eu viro bicho! Nem adianta me chamar de caquético senil!
Estou pensando em dar uma de menino birrento e briguento. Quero meu Prêmio Nobel! Em vida já apartei diversas brigas entre colegas e amigos; conciliei e fiz apertarem as mãos. Numa dessas, levei até socos e porradas. Dei muitos conselhos e até esmolas nas ruas. Discuti ideologias controversas com muita gente e consegui inimizades. Sou até membro fundador de um sarau que está completando 16 anos e atualmente moro na rota do lixo.
Ah, ia esquecendo de dizer que comi no “bandejão” da Residência Universitária da UFBA por quatro anos durante a ditadura civil-militar. Não podia parar num poste que logo vinha um militar de lá com um fuzil me indagar no que estava pensando. Conheci todos os cabarés de Salvador e amanhecia o dia ouvindo músicas bregas. Finais de semana me enterrava nas boemias das cachaças. Tenho bagagem suficiente no curriculum vitae! Até estudei latim e grego nos antigos ginásio e clássico.
Quando menino fui tropeiro, agueiro, carregador de malas e bagagens dos passageiros do trem que cortava pela cidade de Piritiba, o chamado “Trem Groteiro”. Depois fui sacristão, em Mundo Novo, do vigário Nicanor. Por oito anos fui seminarista para ser padre. Sabe o que é assistir missa de batina todos os dias! Não é fácil, meu camarada capitalista!
Portanto, também quero ser laureado, com muita pompa, bajulação e puxação de saco durante a solenidade do Prêmio Nobel. Quem não for vou cobrar uma taxa alta. Quem não pagar, mando matar. Se não me derem, vou tomar a Groelândia, que fica muito longe, no fim do mundo, e é toda de gelo. Vou guerrear, e nada de paz.
Além do mais, estou com a ideia de formar um bando de cangaceiros nordestinos cabras da peste, daqueles valentões com sangue no olho, e invadir as cidades de Anagé, Aracatu, Belo Campo, Itambé, Caraíbas, Caatiba, Maetinga, Tremedal, Planalto e outros municípios. No cassete, ou na bala mesmo, vou anexá-los à Vitória da Conquista, já que se recusam a vender seus territórios. Botei preço, e até agora nada! Pago à vista, pelo pix, na hora.
Quem não me apoiar, vai ter que pagar pedágio caro para entrar aqui. Vou decretar um tarifaço. Ilhéus e Itabuna que se cuidem. Aquelas belezuras de praias vão ser só nossa. Em meus planos está a abertura de um grande canal do mar até Vitória da Conquista. Aqui vai ser um tremendo balneário, melhor do que Cancun, no Caribe.
Providenciem logo o meu Prêmio Nobel, senão o bicho vai pegar! Quero ainda ser premiado com o Oscar de melhor bonachão, falastrão e guerreiro dos guerreiros. Caso contrário, vou pipocar e deportar todos forasteiros e imigrantes de Conquista que ficam aqui falando mal da nossa cidade e criticando nossa cultura.
SONHOS DE TESOUROS ENTERRADOS
Antigamente os mais velhos contavam histórias e estórias de pessoas do sertão nordestino e de outros cantos que em vida enterravam moedas e até tesouros em botijas (joias, ouro, objetos valiosos) sempre em torno de uma grande árvore (umbuzeiro, juazeiro, gameleira, faveleira, angico, aroeira, barriguda), próximo a cacimbas, açudes ou em algum ponto estratégico das fazendas.
Naquela época do dinheiro no colchão (muito manjado), ainda nos tempos do Brasil colônia e do império, não existiam bancos e o recurso era guardar suas economias dentro das casas (na comieira) ou enterrar debaixo do chão. Quem mais utilizava dessa prática eram os avarentos e os chamados “mão de vaca” usurários.
Estava imaginando que na era do cangaço, principalmente nas duas primeiras décadas do século XX, muitos coronéis e usineiros devem ter enterrado seus tesouros em algum lugar para não cair nas mãos dos bandoleiros. Não vou revelar quem, mas cochicharam em meu ouvido que existe um tesouro enterrado aqui na Serra do Periperi, inclusive com o provável local.
O Nordeste deve ser um “tesouro”. É só sonhar, seguir o mapa e fechar o corpo para se proteger das almas penadas. Meu amigo Beto Veronezzi sabe de todos os truques. Sua consulta é cara, mas vale a pena.
Lembro que meus pais contavam esses causos em rodas de conversas com seus compadres, na luz do fifó do candeeiro, tomando bules de café, mas a parte que nos dava mais medo como crianças, era a dos sonhos que outros (parentes da família, amigos e os felizardos mediúnicos) tinham sobre os lugares onde esses tesouros estavam enterrados.
A noite avançava enquanto o medo aumentava nos suspenses quando vinha o lado das assombrações e a coragem de quem se atrevia arrancar o tesouro. A gente era muito pobre e eu ia dormir pensando naquelas prosas do outro mundo e com receio de sonhar com alguma alma de tesouro. Quando via uma árvore grande no terreno, imaginava logo que ali poderia ter um tesouro enterrado, sobretudo quando era oca.
Contam as lendas que o sonhador para conseguir desenterrar o tesouro tinha que fazer pactos, rituais, mandingas de corpo fechado, rezas fortes com as almas penadas ou espíritos que vinham do além, para ter a permissão de ficar com a riqueza. As assombrações me davam arrepios, mas não deixava de escutar tudo calado.
Em vidas, as pessoas nunca revelavam onde esconderam suas riquezas. As histórias são baseadas em crenças populares que unem cobiça, fé e misticismo. Não era fácil desenterrar o tesouro perdido, e o interessado ou interessada tinha que ter muita coragem para enfrentar as assombrações da meia noite.
Na dura peleja de ficar rico com o tesouro, existiam vários pactos e rituais, como a Oração das Almas Penadas que consistia em rezar um determinado número de ave-marias, especialmente nas sextas-feiras ou de madrugada, pedindo a exata localização.
Outros faziam promessas em troca da revelação, como realizar missas em nome da alma. O vigário já ficava desconfiado quando alguém pedia uma missa para alguém distante. Em troca ela indicaria o lugar em sonhos ou através de sinais.
Meu pai narrava que durante a escavação, geralmente a alma aparecia de forma assustadora para testar a coragem do buscador. Não poderia ter medo e manter silêncio absoluto até a retirada da última moeda ou objeto. A alma fazia o vento soprar forte, jogava pedras, paus e a vegetação balançava toda em torno do tesouro.
No imaginário popular existia o ouro encantado pela mãe do ouro ou pelos espíritos. O pacto era necessário para desencantar. Muitas dessas lendas vêm dos tempos dos escravos ou das guerras onde riquezas eram enterradas para proteção contra ladrões.
De acordo com a tradição, se o pacto for quebrado, se falar para alguém, ou sentir medo, a alma desapareceria com o tesouro, ou afundaria ainda mais na terra. Os relatos misturavam orações cristãs com crenças de assombrações.
No folclore brasileiro, tinha ainda o pacto do corpo fechado, associado ao Livro de São Cipriano. Havia o pacto com o diabo/demo para encontrar a riqueza perdida. Para o indivíduo ficar invulnerável a perigos físicos ou espirituais, era obrigado a fechar o corpo no pacto de sangue com a alma enquanto realizava o trabalho de desenterrar a botija.
Se for premiado, a pessoa entrega a alma após a morte. Se descumprir com os pactos ou rituais, fica com o corpo seco, ou é amaldiçoado para sempre. Nesses tempos difíceis, onde o dinheiro está escasso, muita gente se arriscaria a desenterrar esses tesouros e entregar a alma ao satanás. Aliás, essa prática já é feita quando se vende a alma ao capitalismo, quando corrompe e se deixa corromper.
AINDA SOBRE QUIOSQUES FECHADOS NO CRISTO DA SERRA DO PERIPERI
Quanto a questão dos quiosques fechados no Cristo da Serra do Periperi, por mim abordada nesta semana, em áudio o professor Durval Menezes disse ser muito simples e objetiva a resposta. De acordo com ele, tudo está na falta de segurança para que haja abertura de qualquer comércio no local, no que concordo plenamente com o mestre memorialista.
Há mais de 40 anos que o monumento do artista plástico Mário Cravo foi cravado no alto da Serra, pouca coisa mudou de lá para cá, e o conquistense ainda tem medo de visitar o Cristo e ser assaltado. Se quer uma prova do que digo é só perguntar a qualquer um.
Como comentei, cada prefeito colocou um tijolo e hoje temos um mirante, mas o cenário permanece de abandono e isolamento. Sempre que levo alguém com a máquina fotográfica e outros objetos, logo na subida ouço uma advertência: Vamos ter muito cuidado e não demorar muito!
Durval afirmou que ninguém se arrisca explorar o comércio de comes e bebes no alto do Cristo porque toda mercadoria será saqueada e o proprietário ainda corre o risco de ser morto. “Apesar do alto da Serra estar sob a proteção do Cristo, talvez seja a área mais perigosa de Vitória da Conquista”.
Há muitos anos, conforme Menezes, que o banditismo ocupa aquela área, fazendo do Poço Escuro seu quartel general. “Por muito tempo o banditismo decretou quem deveria entrar ou sair do Alto do Cruzeiro. Os Correios deixaram de entregar encomendas, bem como as empresas de gás”.
Em sua opinião, o alto da Serra poderia ser o maior ponto turístico de Conquista, um cartão postal para as pessoas tirarem fotografias e apreciarem a cidade lá do alto. “Os quiosques seriam mais uma atração, desde que houvesse uma fiscalização segura para não se tornarem pontos de vendas de drogas”.
Eu vou mais além, meu amigo professor, e defendo que toda aquela área em torno do Cristo seja ampliada e urbanizada, com iluminação, maior espaço para estacionamento de veículos, um posto policial permanente, bem como implantação de um restaurante que pudesse funcionar até durante à noite. Todos ganhariam com isso e, sem dúvidas, o Cristo seria a maior atração turística.
Estive visitando o local no último final de semana e observei o vazio de pessoas, sem considerar a expressão de receio em seus rostos apressados para deixar a área. Quem chega ali é logo recepcionado pelo latido ensurdecedor da cachorrada que ocupa a frente dos quiosques. O visitante pode até ser atacado por um cão de rua.
EVENTOS DA POLÍCIA
Em épocas de verão, a corporação da polícia militar, como está previsto para este final de semana (sábado e domingo) realiza eventos de shows musicais e outras atividades culturais, oferecendo todo suporte de segurança, embora o espaço para estacionamento é exíguo. Da última vez que fui, tive que parar o carro perto do Anel Viário, dentro dos matos e pagar uma taxa ao “guardador”.
A iniciativa é louvável, mas tudo não passa de uma enganação porque depois, durante o resto do ano, a situação de abandono continua a mesma, sendo um ponto perigoso para visitas. Quem se atreve ir ali à noite, no máximo acompanhado num pôr-do-sol?
Como não existe muita opção nesta “Suíça Baiana” (ridícula a denominação) todos vão subir contentes a pés, de bicicleta, de moto, correndo, de carro próprio e festejar as atrações, mas ninguém tem a sã consciência de reivindicar e cobrar melhorias para a área. Tudo continua como dantes na casa de Abrantes.
Comandante Paulo, o que queremos é um posto policial permanente e que o poder executivo, em parceria com o setor privado, invista na urbanização do espaço, de modo a oferecer condições para que haja eventos todos os finais de semana e não somente em edições esporádicas.
Sei que um empreendimento dessa natureza não é da alçada da polícia militar, mas da Prefeitura Municipal que nunca teve esta visão de transformar o alto do Cristo do escultor Mário Cravo no maior ponto de visitação dos moradores e de pessoas que chegam de fora.
Com um projeto desse porte, ganhariam os artistas da cidade com suas apresentações culturais, os comerciantes, o próprio executivo com a arrecadação de impostos e todos os conquistenses em geral, inclusive aproveitando o nosso período invernoso, que não é uma “Suíça Baiana”, mas é friento.


































