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LIMPEZA DE TERRENOS PRIVADOS
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista desta quarta-feira (dia 26/08) vai apreciar, a partir das nove horas, diversos projetos nas áreas da saúde, da educação, meio ambiente como a manutenção e limpeza de terrenos privados, dentre outros de importância para a sociedade.
Entre os projetos, destacamos a implementação da “Sala Lilás” no Sistema Único de Saúde-SUS visando o atendimento exclusivo, especializado, humanizado e integrado às mulheres vítimas de violência.
Também está em pauta a proposta que autoriza a distribuição, pelo Sistema Único de Saúde- SUS, de medicamentos prescritos à base de canabis, que contenham em sua fórmula canabidiol, ou tetraidrocanabinol.
Outro projeto obriga a manutenção da limpeza de terrenos privados e proíbe o descarte irregular de resíduos sólidos em áreas públicas e privadas, visando a prevenção de doenças, a proteção da saúde pública e à preservação do meio ambiente.
Os vereadores ainda vão regulamentar a criação, reprodução, comercialização e exposição de animais domésticos por criadouros e criadores.
Na pauta consta também o projeto quer vai tratar da instituição do Programa de Incentivo à Denúncia de Infrações Ambientais – PIDIA, no sentido de criar mecanismos de recompensa aos denunciantes.
A Câmara ainda quer aprovar o reconhecimento e garantir os direitos dos animais comunitários no município de Conquista, bem como, proibir agressões e remoções forçadas. Dentro desse bojo, o projeto estabelece penalidades administrativas e dispõe sobre destinação dos recursos provenientes das multas.
A plenária do legislativo deve ainda avaliar a instituição e implementar o Programa “Lápis e Borracha na Mão”, destinado a promover o acesso a materiais escolares pelos alunos da rede pública municipal, incentivando a economia local por meio do credenciamento de livrarias e papelarias do município.
Além de moções de aplausos, título de cidadão conquistense, denominação de ruas, requerimento da Tribuna Livre, solicitada pelo Sarau A Estrada, que completou 16 anos de existência, os parlamentares pretendem regulamentar a instalação e manutenção da infraestrutura de cabos suspensos.
O SARAU E O CANGAÇO NA BAHIA
Numa noite de muitas cantorias, sob a direção do compositor e músico Paulinho Monteiro, declamação de poemas, contação de causos e outras apresentações, tivemos mais uma edição do Sarau A Estrada, na noite do último sábado (dia 22/07/2026), realizado no Espaço Cultural do mesmo nome.
Além dos informes gerais, sugestões de pautas, avaliação do “Sarau na Rua”, no dia 24 de julho, na Praça Nove de Novembro, o evento discutiu a questão do Cangaço na Bahia, tendo como expoente o bando de Lampião.
A conversa informal, no estilo bate-papo, teve como expositor o jornalista e escritor Jeremias Macário que fez uma viagem no tempo durante os mais de 50 anos de cangaço no Nordeste, entre o final do século XIX até 1940.
O isolamento da região durante muitos séculos pelos governantes, as secas inclementes, o poderio dos coronéis e dos grandes fazendeiros, o domínio dos chefes políticos e as injustiças sociais, principalmente, foram fatores essenciais para a criação da violência no sertão e o consequente surgimento do banditismo e do cangaço, um dos flagelos nordestinos.
Em agosto de 1928, acossado pelas tropas pernambucanas que fechou o cerco contra os bandidos e depois da derrota de Lampião, em Mossoró (Rio Grande do Norte, Lampião resolveu atravessar o Rio São Francisco e se internar na Bahia através do município de Santo Antônio de Glória (região de Paulo Afonso).
Como praticamente as volantes não agiam na Bahia contra o banditismo no interior, Lampião encontrou no estado um pouso de tranquilidade e, como estava enfraquecido, aproveitou o tempo para se fortalecer, acoitado na fazendo dos coronéis Petronilio Reis (Santo Antônio de Glória) e João Sá, em Jeremoabo.
Por uns seis meses ou mais, Lampião se juntou a Corisco, Labareda, Zé Bahiano, Volta Seca e outros cabras para conhecer o terreno e como agir, enquanto fazia suas festas nas cidades, como Pombal (Bahia) e Capela (Sergipe), muito bem recebido por prefeitos e autoridades.
Quando o coronel Petronilio denunciou na imprensa e ao governo sua presença na Bahia, escondido em suas propriedades, Lampião ficou irado e invadiu fazendeiros das redondezas, matando animais e praticando atrocidades contra os sertanejos. Petronilio caiu em desgraça.
Em meados de 1929, sua maior crueldade na Bahia foi contra a cidade de Queimadas onde fuzilou e sangrou de forma brutal e sem motivos aparentes, sete soldados; amedrontou os moradores que entraram em pânico; e à noite deu uma festa de gala no clube social.
A partir daí seu bando não parou de invadir vilarejos, povoados e cidades, usando da força bruta para matar e estuprar mulheres, inclusive jovens de menor, como ocorreu em Mirandela, Abóbora onde realizou o “baile dos nus”, Itiúba, próximo a Senhor do Bonfim e região. Como Jaguarari. Além da Bahia, ele transitou por cidades de Sergipe e Alagoas.
Seu maior esconderijo era o Raso da Catarina, uma zona inóspita onde soldados temiam e não estavam preparados para entrar e perseguir os bandidos. Somente uma tropa de Liberato de Carvalho (Bahia) e Manuel Neto (Pernambuco) conseguiu atacar o bando, mas fracassou.
As Revoluções de 1930, a Constitucionalista de 32 e a Intentona Comunista de 35 lhe deram mais sossego, pois Getúlio Vargas estava mais preocupado em censurar a imprensa, dissolver o Congresso, assembleias estaduais, perseguir os comunistas e nomear interventores, do que acabar com o cangaço.
Como as forças baianas não eram suficientes para dar cabo aos cangaceiros, o governo, na pessoa de Juracy Magalhães e, através do plano maluco do capitão João Miguel, resolveu desarmar os sertanejos e ainda retirar os camponeses de suas terras e escorraçá-los para as cidades.
Mais de dez mil pessoas sofreram esse tipo obrigatório de êxodo rural e tiveram fim triste nas pontas das ruas, sem nenhuma assistência social e monetária. Sem muita opção de sobrevivência, o nordestino só tinha duas opções, ser coiteiro de Lampião ou soldado, sem contar que ainda era duramente castigado pelas secas.
Nessa temporada, Lampião subdividiu seu grupo em vários, para driblar a ação das tropas, e ficou na Bahia por cerca de quatro anos, partindo depois para Pernambuco e Paraíba.
Sempre retornava ao nosso estado, com suas investidas cruéis em Sergipe e Alagoas, sendo abatido na gruta de Angico (Sergipe), em julho de 1938 pela força do tenente João Bezerra.
Quis o destino que as cabeças decapitadas de Lampião e Maria Bonita fossem parar no Instituto Nina Rodrigues, na Faculdade de Medicina da Bahia, para estudos frenológicos e antropométricos do antropologista e criminalista Estácio de Lima. Por coincidência, essas cabeças que somente foram enterradas em 1969, eram vigiadas por ex-cangaceiros presos e depois libertados.
O tema foi bastante dissecado e debatido, seguido também das cantorias com Alex Baducha, Dorinho Chaves e Manno di Souza, sem falar das participações de poetas e poetisas, bem como das homenagens de parabéns aos aniversariantes do mês Vandilza Gonçalves, Odete e Manno.
Tudo planejado pela Comissão Organizadora, foi mais uma noite cultural memorável entre artistas, intelectuais, professores e pessoas interessadas pela arte, não faltando as comidas, petiscos e bebidas colaborativas.
Além dos saraus no Espaço Cultural A Estrada até o final do ano (outubro e dezembro), os organizadores estão programando uma atividade do sarau na rua e aguardando a solicitação de um Tribuna Livre na Câmara Municipal de Vereadores. O pedido foi protocolado e dirigido ao presidente da Casa, Ivan Cordeiro, para seu devido deferimento.
A DIVINA CHAMADA
(Chico Ribeiro Neto)
Tinha um funcionário público aposentado chamado Raimundinho, numa cidade do interior baiano, que não perdia um enterro, porque em todos fazia um discurso, conhecesse ou não o falecido.
Era só ouvir aquelas batidas lentas do sino, sinal de enterro, que Raimundinho vestia logo seu surrado terno branco.
Na hora do sepultamento subia na lápide mais próxima e mais alta e soltava o verbo. Diziam na cidade que ele tinha “o dom da oratória”, mas muitos já não aguentavam as preleções de Raimundinho naquele sol quente.
Um dia, Raimundinho rasgou o verbo de novo durante um sepultamento:
“A morte é o caminho infalível de todos nós. Na semana passada foi Horácio, hoje é o nosso amigo Juvenal…e amanhã quem será?”
“Raimundinho”, gritou um dos presentes.
“É a puta que lhe pariu, seu filho da puta”, esbravejou Raimundinho, que já saltou da lápide desferindo socos.
Todo mundo tem uma história engraçada de cemitério. Uma vez, uma amiga viu uma cena inusitada no cemitério do Campo Santo, em Salvador. Ela estava num velório realizado numa daquelas salas. Havia outro velório na sala vizinha. Entrou uma mulher que ninguém conhecia e ficou rezando fervorosamente junto ao caixão. De repente, colocou os óculos e deu um grito de susto: “Oh, desculpem, eu errei de velório”, saiu ligeiro e deixou muitos segurando o sorriso.
Na Internet há mensagens para todas as ocasiões. Procurei por “Mensagens para Falecidos” e, antes dos exemplos de mensagens, vem o seguinte: “Para homenagear alguém que faleceu, escreva sobre o amor, a saudade e as boas lembranças que a pessoa deixou. Foque em qualidades marcantes, ensinamentos ou em um momento feliz que vocês viveram juntos. O texto deve vir do coração, com palavras sinceras e respeitosas”. Um conselho lapidar.
O jornalista e boêmio Walmir Palma, o “Seu Porreta”, foi uma vez a um sepultamento. Na sala do velório um funcionário do cemitério o abordou:
“O senhor já assinou no Livro de Presença?
“Não, nem vou assinar”.
“Por que, senhor?”
“Porque Ele (apontou para o céu) faz a chamada é por aí”.
O LOBO, A OVELHA E O PASTOR
Dia desses li alguma coisa rapidamente numa rede social onde citava que o pastor cuida de suas ovelhas para depois comê-las, enquanto que o lobo ficava de fora desse banquete por ser vigiado para não cometer o ato de matar o animal.
Não sei porque cargas d´água me veio logo à cabeça a analogia do discurso do Bom Pastor do Evangelho de São João, no capítulo 10 (versículos 11 a 18). Neste capítulo, Jesus diz: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”.
Esta passagem remete à religiosidade dos ensinamentos de Jesus para que o pregador dê a sua vida pelo seu rebanho para que ele não se enverede pelo caminho do mal, isto é, não seja devorado pelo lobo.
Jesus mostra amor verdadeiro, de forma voluntária, pelo seu rebanho e o diferencia do mercenário que apenas trabalha pelo dinheiro e foge quando o lobo aparece.
Se Cristo hoje retornasse à terra, certamente condenaria e expulsaria dos templos, com raras exceções, a grande maioria dos falsos pastores evangélicos que aproveitam dos momentos mais difíceis das pessoas, as ovelhas de boa-fé, para explorar e extorquir através da instituição do dízimo.
Além do dinheiro, a ação se estende ao campo ideológico-político através de suas fórmulas conservadoras radicais e fundamentalistas sobre pátria, família e tradição, embora não passem de moralistas quando estão entre suas quatro paredes.
Na verdade, esses pastores, com seus falsos milagres, promessas de reinos dos céus e outras práticas enganosas, agem como lobos ferozes e gananciosos que se alimentam de “ovelhas” quando elas justamente estão em desespero de vida, sem eira nem beira.
A grande parte desse rebanho é procedente dos rincões mais pobres das zonas rurais que partem para as grandes cidades à procura de emprego e melhoria de vida. Sem muitas opções, terminam montando seus barracos nas periferias, favelas e encostas dos morros.
Como são “ovelhas”, ou pessoas vulneráveis, os falsos pastores (lobos) entram em ação, convidando-as a frequentar suas igrejas, prometendo ajudá-las e a salvá-las daquela situação de miséria, desde quando tudo que ganhar deem uma parte para o templo de Jesus, no caso, para eles.
Além de usar em vão o nome de Jesus, esses “pastores” invertem a lógica do discurso do Bom Pastor e, ao invés dos lobos, eles mesmos “comem” as ovelhas em diversos sentidos, no campo social, econômico e político.
Com suas práticas de lavagem cerebral, extraídas de forma deturpada da Bíblia sobre pecado e inferno, o “pastor” passa a ser dono daquela “ovelha” que faz tudo o que ele manda temendo perder a alma para o diabo.
De maneira inescrupulosa e sem interferência das leis e dos poderes públicos, esses “pastores” atuam livremente como mercenários, explorando essas pobres “ovelhas” num projeto de enriquecimento e poder político planejado há anos.
O QUE SERÁ DAS ESQUERDAS?
A quase totalidade dos candidatos a presidente da República (nem me atrevo a comentar sobre os postulantes ao legislativo) e a governadores dos estados são da direita, muitos deles extremistas.
Um aparece dizendo que vai construir mais penitenciárias, ao invés de escolas. Outros que vão afrouxar as licenças ambientais e a legislação trabalhista. A maioria se presta a ser fantoche do Trump e prega que vai fazer “bons negócios” com os Estados Unidos, o equivalente a “abrir as pernas” no dizer popular.
Temos o Lula com mais de 80 anos que começou sua campanha falando da exploração de petróleo na foz do Amazonas (um atraso secular), com aquela mesma conversa de antes de que o dinheiro da exploração será destinado à educação, à saúde e para investir na oferta de mais energia limpa.
Quem não se lembra dos trilhões da Bacia de Campos que o gato comeu dos desvios dos recursos. Poucos de viés de esquerda e ainda mais sem peso representativo que não vão muito longe.
Fico a me perguntar o que será das nossas esquerdas no Brasil, hoje tão pálidas e sem forças nas pernas para romper essa estrada pedregosa, cheia de entreguistas, neofascistas, nazistas e lobos vestidos em peles de cordeiros onde os pastores conduzem as ovelhas para esfoliar em seus matadouros.
O que será das nossas esquerdas quando o Lula se for, já que não existem e não foram preparados outros nomes fortes com novas ideias, robustos e confiáveis para prosseguir a caminhada dos ideais socialistas, para defender e proteger esse povo, há anos tragados pelos falsos profetas?
Permanecem os discursos arcaicos, retrógrados e agressivos aos moldes dos fanáticos radicais, os quais favorecem a divisão e a polarização. É tudo que a outra banda quer para ganhar terreno e se aproveitar dos incautos e dos inocentes úteis com suas falas genéricas.
Em meu modesto olhar, vejo estas eleições como uma das piores de todos os tempos em todas as esferas do poder. Confesso que me sinto desiludido e, se condições tivesse, partiria daqui para bem longe (pode até ser covardia) porque não suporto mais o mau cheiro desse cocô. Poderia ser até para o além dos mortos esquecidos.
Cadê aquela saudosa esquerda dos anos 80 do PT, de outros partidos e até de nomes saídos de instituições religiosas, com o propósito de transformar o Brasil num pais igualitário, de gente honesta, comprometida com a causa social, com as bases excluídas e, acima de tudo, incorruptível? O vento levou nessa poeira venenosa.
Aquela esquerda foi se diluindo ao longo dos anos e se misturando à elite burguesa traidora e corrupta, pensando unicamente em se perpetuar no poder a qualquer custo, fazendo acordos com Deus e o diabo. Muitos foram corrompidos e seduzidos pela mosca azul.
Sem o acompanhamento diário, sem educação, cultura, instrução e consciência política, esse povo foi se afastando para o outro lado do falso moralismo conservador que prega pátria, família e tradição, mas pratica a traição ao país, o preconceito racial e de gênero, rouba e mata em nome de Deus.
É essa mesma esquerda que fica perplexa, que foi se perdendo em seus princípios mais sagrados, quando ver pobres, negros, mulheres, LGBTs e outros excluídos da sociedade se posicionarem a favor dos seus próprios carrascos, como vítimas contaminadas pela Síndrome de Estocolmo.
A causa dessa mazela está na própria esquerda que preferiu se banquetear na mesma mesa dessas víboras poderosas da oligarquia que há mais de 500 anos tudo fizeram para manter o povo oprimido e subalterno aos seus pés. Será que o Brasil vai ser o nono pais entre os doze da América do Sul a ingressar nesse pacote da direita fanática fundamentalista?
Essa corrente sempre se opôs à distribuição de renda e, para ela, quanto maior a desigualdade social, melhor para o domínio e a manipulação, principalmente do voto nas eleições, que só muda para pior. Existem aqueles que compactuam com essa esquerda puramente por questões ideológicas partidárias, e os que se silenciam e têm medo de criticar para não serem linchados pela turba extremista.
De um lado, a falta de uma reflexão e uma revisão autocrítica dos seus erros, um mea culpa, por terem se lambuzado com a luxúria burguesa corrupta e, do outro, o patrulhamento contra quem levanta a voz e grita bem alto que esta esquerda não é mais a dos nossos sonhos que iriam mudar a cabeça das novas gerações, hoje perdidas num vazio avassalador.
O buraco de ozônio só cresce, e os brasileiros vão perdendo a fé e a esperança de dias melhores. Como saída suicida, muitos estão caiando nos braços dos anticristos salteadores porque deixaram de acreditar naquela esquerda que ficou lá atrás vendo a caravana de malfeitores passarem. Os cães ladram e mordem, piores que feras selvagens da savana.
A QUESTÃO NÃO É SÓ TOMBAR!
Numa conversa informal com o jornalista Fábio Sena, membro do Núcleo de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural de Vitória da Conquista e mentor do parecer técnico que fundamentou o projeto de tombamento do Cristo da Serra do Periperi, dizia para ele, ao pé do monumento, que não bastava apenas tombar, mas cuidar e preservar.
Ele concordou e ainda adiantou que nesta semana estaria elaborando um requerimento ao poder executivo no sentido de proceder uma vistoria sobre o atual estado de conservação do Cristo de Mário Cravo que, em ato solene com autoridades e diversos representantes da sociedade, foi tombado ontem (dia 17/08/2026) pela prefeita Ana Sheila Lemos, justamente no “Dia Nacional do Patrimônio”.
Fábio Sena declarou que a solenidade ganha um significado ainda mais profundo em sua trajetória, pois o monumento é também objeto central da sua pesquisa no Doutorado em Linguística /Análise do Discurso pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb.
Sua proposta é analisar o Cristo como um acontecimento discursivo, “pois a obra rompe radicalmente com a tradição da iconografia sacra clássica, habitual a um Cristo angelical e sereno, ao impor a crueza do expressionismo em uma figura macérrima de traços sertanejos e feições de dor”.
Quanto ao problema da preservação do Cristo, lembro que entre os anos 2021e 2023, houve denúncias, inclusive da própria família do escultor Mário Cravo (presente na solenidade de tombamento), de que o Cristo da Serra, tombada em 1996, estava sofrendo corrosões internas e carecia de um trabalho artístico de restauração.
Na época, a prefeita negou as denúncias e garantiu que uma vistoria feita por especialistas não detectou avarias na estrutura interna do monumento. O ato de tombamento do Cristo, símbolo religioso de fé e pertencimento dos conquistenses, é muito importante, mas pode perder essa importância se não houver uma contínua preservação.
A cerimônia selou o Tombamento do Monumento ao Cristo Crucificado como Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Paisagístico de Vitória da Conquista, só que o local onde Ele está instalado não é visitado como deveria, principalmente por falta de segurança. Como em anos passados, muita gente ainda evita subir ao Cristo em determinados dias da semana, com receio de assaltos.
Outro aspecto é a falta de urbanização em torno do monumento, de forma que ofereça estrutura de o visitante permanecer naquele local por mais tempo. Não basta apenas o mirante que foi implantado, quando os boxes ali existentes continuam fechados.
Muitos candidatos a prefeito e outros políticos já aventaram a possiblidade de criar um projeto, em parceria com o setor privado, de infraestrutura com a construção de lanchonetes e restaurante para atender os visitantes, inclusive a instalação de um teleférico ligando o Cristo ao centro da cidade.
Planejado pelo ex-prefeito e engenheiro José Pedral no início dos anos 60, o monumento, de 33 metros de altura, foi erguido em 9 de novembro de 1980 no governo de Raul Ferraz. É o maior Cristo crucificado da América Latina.
O Cristo Sertanejo está localizado numa posição estratégica da Serra do Periperi e pode ser visto de diferentes pontos de Conquista e também por quem chega à cidade pela BR-116. A escultura se consolidou como um dos principais símbolos de identidade conquistense e de relação do município com o sertão.
MAIS UMA!
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(Chico Ribeiro Neto)
Garçom, não me venha com tulipa, caneca ou taça pequena. Eu quero é copo americano.
Não sei porque alguns bares sofisticados não têm o copo americano. Devem achar “vulgar”. Pois fiquem sabendo que o copo americano, criado em 1947 pela fábrica brasileira Nadir Figueiredo, consagrado nacionalmente, integrou, em 2009, exposição de design no Museu de Arte Moderna de Nova York como símbolo da cultura material brasileira.
O nome surgiu porque o projeto usou uma máquina de prensa de vidro importada dos Estados Unidos.
Não entendo também porque certos bares e restaurantes “selecionam” seus clientes pelo tamanho da cerveja. “Só servimos long-neck”, avisa o garçom. Que charme! Cerveja de 600 ml deve ser coisa de pobre…
Tinha um velho muito pão-duro numa cidade interior baiano que sentava na mesa mais escanteada do bar e pedia uma cerveja. Detalhe: a cerveja natural, quente. Um dia, um cara se aproximou e perguntou:
“Por que o senhor só bebe cerveja quente?”
“Pra ninguém me pedir um copo”.
Leio que a cerveja surgiu na Mesopotâmia, há cerca de 6 mil anos, criada por povos antigos como os sumérios e os babilônios. Grãos molhados criaram uma papa que gerou uma bebida forte e nutriente.
Os monges nos mosteiros da Europa melhoraram a receita e começaram a usar o lúpulo para dar sabor e conservar melhor o líquido. Esses padres têm arte!
Para muitos, o gole do santo é sagrado. O famoso boêmio de um boteco no Rio pediu para ser cremado e que suas cinzas fossem enterradas num grande vaso de planta que havia na porta do bar. O pedido foi aceito e os amigos sempre despejavam alguns goles no vaso.
O velho jornalista e boêmio Walmir Palma recomendava: “Nunca emborque o copo nem deixe restinho de cerveja. Ou bebe ou joga fora”. Podia chamar coisa ruim.
Foi o maior “puta que pariu” que já ouvi. Depois da conta paga, o garçom levou o copo do meu amigo com o último gole de cerveja. Imperdoável.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)






















