:: ‘Notícias’
O ISQUEIRO QUE AMEAÇOU A DITADURA
(Chico Ribeiro Neto)
A ditadura civil-militar que se instalou no Brasil em 1964, que durou 21 anos, matou, torturou e exilou pessoas, suprimindo todas as liberdades democráticas. Foram 434 mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura, segundo a Comissão Nacional da Verdade. Uma mancha de tristeza e revolta na história do país.
Há, porém, episódios pitorescos no meio de tanta crueldade.
Na década de 70, um amigo, ligado à luta armada, estava com outro companheiro tomando uma cerveja num bar do Rio de Janeiro. Ambos estavam sendo procurados e só andavam armados, mudando de cidade. De repente, entram dois homens de paletó e gravata, apontam para eles e conversam com o dono do bar. “Esses caras devem ser do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e vão prender a gente”. Os caras vieram em direção a eles, que já estavam com as mãos sobre as armas embaixo da camisa, Suavam frio quando um de paletó falou: “Nós somos do Departamento de Promoções da Antarctica. Essa cerveja está paga e mandamos descer mais uma para vocês. Parabéns por preferirem a Antarctica”. Na época era forte a disputa entre a Brahma e a Antarctica.
O outro caso aconteceu com meu irmão Zé Carlos. Abril de 1964. Primeiros dias da ditadura, Salvador ocupada por tropas do Exército.Meu pai Waldemar tinha um bar, “O Cisne”, na Avenida Joana Angélica, defronte ao Colégio Central, e disse a Zé numa noite: “Eu já vou, você fecha o bar mais cedo porque a cidade tá cheia de soldados e tem esse
negócio de toque de recolher à meia-noite”. A ditadura proibiu menores de 16 anos de circularem pelas ruas depois da meia-noite.
Zé Carlos já tinha 16 anos, mas mesmo assim se apressou. Mas tem sempre a turma da saideira e ele acabou fechando o bar às 23:40. A gente morava na Ladeira dos Aflitos e ele passava pela Praça da Piedade, onde tinha uma tropa do Exército aquartelada, com metralhadora giratória e tudo. Todo mundo doido pra prender comunista. Afinal, eles estupram freiras e comem criancinhas.
Zé Carlos subiu a pé a Avenida Joana Angélica e chegou na Piedade quase à meia-noite. Passou diante da tropa e quis acender um cigarro. Ele tinha um isqueiro que era um revolvinho (ou revolverzinho) niquelado em que você apertava o gatilho e ele acendia. Sacou o revolvinho e foi logo cercado por soldados do Exército empunhando fuzis e por um sargento que berrava, depois de apreender a perigosa arma: “Mãos para cima! Não se mexa! Documentos!”
Após longo IPM (Inquérito Policial Militar) que envolveu várias perguntas (“Você vem de onde?”, ‘Trabalha onde?”, “O que faz na rua a essa hora?”), Zé Carlos foi liberado e teve sua arma de volta, depois de receber alguns tapas e ouvir várias ameaças.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
PARE NO “FOLHA SECA”
Quem vem de Salvador, Feira de Santana, Senhor do Bonfim, lá do Sul e do Sudeste perto de Juazeiro, na Bahia (distante 60 quilômetros), vai passar pelo distrito de Maçaroca, ver muitos bodes pastando pelas margens da BR-407, (muito verde depois das chuvas), mas, o que vai lhe chamar mais atenção é uma grande placa com o nome Folha Seca.
Também está ao alcance de quem vem dos estados nordestinos em direção contrária. Não deixe de dar uma parada, nem que seja para um cafezinho, mas o passageiro vai terminar ficando por mais tempo quando sentir aquela recepção acolhedora e outras coisas interessantes para se ver.
Trata-se do restaurante “Folha Seca”, bastante movimentado com comida típica do nosso sertão, como o cuscuz, a coalhada, o aipim, a farofa, o feijão tropeiro, o baião de dois e um bode assado que é uma delícia. O tratamento é de primeira. Depois é só dar uma visitada nas lojas de artesanato e na casa de vinho da região do Rio São Francisco.
Além do Posto de Combustíveis “Folha Seca”, ao lado, o seu proprietário, Rosemberg Macário de Oliveira construiu um Centro de Treinamento de Futebol profissional com vários chalés confortáveis, piscina e outros equipamentos, coisas de primeira qualidade.
O que mais chama a atenção é a jardinagem no estilo europeu, com um florido das plantas em meio ao agreste do sertão. Além do campo gramado, pistas de coper, charretes puxadas pelos pôneis, parques infantis, uma academia de ginásticas e outras áreas de lazer, você vai apreciar as flores e as plantas exóticas.
O mais importante é que todo o sistema funciona através da energia solar, ou seja, trata-se de um projeto ecologicamente sustentável, sem causar nenhum impacto ao meio ambiente. É uma união da caatinga com o florido.
O contraste de cores do lugar fica ainda mais visível em época de estiagem prolongada quando o cinza da caatinga torna-se predominante pela seca. Na verdade, o Grupo “Folha Seca” é um ponto turístico que merece ser visitado e ainda lhe oferece uma bela hospedagem para seu relaxamento. Depois o viajante, seja quem for, vai sair renovado para seguir viagem.
COMO É LINDO VER O SERTÃO FLORIDO DEPOIS DAS CHUVAS!
A caatinga com sua vegetação espinhosa, baixa e árida é mágica, mesmo quando sua paisagem é de sequidão com aquela cor cinzenta que produz lindas imagens fotográficas, destacando os cactos, a jurema, o umbuzeiro e o verde do mandacaru.
É bem verdade que, quando ela está assim, deixa o sertanejo acabrunhado, aperreado e triste ao ver a plantação perdida e o seu gadinho berrar de sede na cacimba. Pior ainda é quando olha para o céu e observa nuvens passageiras sem sinal de chuva. Com sua fé religiosa e sua cultura popular, ele não deixa de orar ao Supremo para que lhe ampare.
O catingueiro nordestino é forte, valente, persistente e nunca perde as esperanças. Pode até se retirar por uns tempos na busca da sobrevivência para si e sua família, mas, mesmo distante, pensa dia e noite em retornar ao seu torrão querido, como na música do cancioneiro ou nos versos do poeta Patativa do Assaré.
Coisa mais linda é quando batem as águas e de repente o sertão brota em flores de encher os olhos a perder de vista! Como uma fênix, da cinza renasce o verde, o amarelo do São João, o vermelho de outras árvores e até o lilás do Ipê em algumas faixas da mata de cipó. As abelhas delas extraem seu néctar para o fabrico do mel que nos serve até de remédio.
Toda Bahia e outros estados do Nordeste onde predomina o semiárido, o nosso sertão está florido e exuberante com suas agudas cheias à beira das estradas. É tempo de fartura que muda a expressão do sertanejo, conforme presenciei cortando estas terras saindo de Vitória da Conquista até Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Cortei toda Chapada Diamantina e outros municípios do Norte naquela imensidão verdejante.
Com as mudanças climáticas, ou o aquecimento global, os temporais que caíram deixaram praticamente todas cidades com estragos, ruas e avenidas esburacadas, casas caídas e até vidas perdidas pelas grandes enxurradas e deslizamentos de morros, tudo por desleixo dos nossos governantes que não montaram estruturas eficientes para suportar as chuvas.
No entanto, a nossa caatinga, que é subdividida em outros vários biomas nordestinos diferentes, se fortalece em prosperidade. Como num milagre da vida, as árvores retorcidas, antes com aparência de mortas, renasceram em poucos dias.
Além da flora diversificada, com centenas de espécies, a fauna faz sua festa com a abundância de alimentos. Os pássaros em suas revoadas e cantorias preenchem a beleza da natureza. Os animais rastejantes, os répteis em geral e aves maiores se fartam com tanta comida e água. Toda terra fica fértil e as plantas dão bons frutos.
Pena que a nossa caatinga vem sendo depredada há muitos anos com o corte de árvores para o uso em construções e no fabrico do carvão, deixando muitas áreas em processo de desertificação que nem as chuvas conseguem recuperar, sem contar as matanças de espécies raras, a caça predatória e o tráfico de animais silvestres.
POLÍTICA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO
Na sessão ordinária de ontem (quarta-feira, dia 18/03), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram diversos projetos de interesse da população, com destaque para a Política Municipal de Habitação, com a criação do Fundo Municipal de Habitação.
Também entrou em debate a criação do Dia Municipal de Conscientização sobre as Experiências Adversas na Infância, que será celebrado no dia 20 de setembro, bem como o Dia Municipal da Ação Climática em Conquista.
Os parlamentares presentes usaram da tribuna, como Adinilson Pereira, para informar ao povoado da Cabeceira sobre o ato de assinatura, nesta quinta-feira, dia 19/03, do contrato de ampliação da escola Francisco Antônio de Vasconcelos. Todos esperavam a ampliação da unidade de ensino.
Dinho dos Campinhos anunciou que no dia 6 último foi assinado uma ordem de serviço de uma creche em Morada Nova com a criação de 180 vagas que vai atender ao Simão e imediações. No próximo ano vamos acrescentar para mais 300. Também será concluída a construção do posto de saúde, beneficiando Cidade Modelo e outros bairros próximos.
A vereadora Gabriela Garrido agradeceu a presença de jovens na plenária da Câmara. Ela se reportou sobre mais um feminicídio, em Planalto, com atos de crueldade. Na ocasião, defendeu a realização de mais campanhas nas escolas para prevenção contra a violência doméstica, dizendo que não bastam as leis.
O “VELHO CHICO” COM SEUS BARCOS E O MUSEU DO SERTÃO EM PETROLINA
Quando venho a Juazeiro, da Bahia, a primeira coisa que faço é ir visitar meu “Velho Chico”, ou Rio São Francisco, do colonizador Américo Vespúcio, mas prefiro o Opará (rio grande, cheio) dos indígenas que aqui viviam.
Bem que esses deputados, cuja maioria só pratica a bandidagem, poderiam apresentar um projeto para mudar seu nome para o original. Opará é bem mais autêntico. Tomei a sua benção e pedi que os homens tomem vergonha na cara e o proteja dos males da depredação.
Ele está abastecido graças as chuvas de São Pedro, mas há alguns anos suas margens estavam tão secas que até os peixes sumiram, e os ribeiros, que dele sobrevivem, estavam passando fome. Sempre falam de revitalizá-lo, mas é só baterem as águas e tudo é esquecido.
Dei sorte que dessa vez comi aquela deliciosa moqueca de surubim. Quando o rio sofreu aquela tremenda sequidão, recordo que praticamente não se encontrava um peixe para ase alimentar, e as barquinhas chegaram a parar por causa dos bancos de areia.
Pequei aquela barquinha e naveguei em suas águas por 10 minutos para Petrolina (Pernambuco), a cidade com outra qualidade de vida 100 vezes superior a Juazeiro, e não estou exagerando. Do lado da Bahia, só se ver esgotos abertos, ruas sujas e muita muriçoca. Aliás, Juazeiro é a capital das muriçocas e pedintes.
Em Petrolina fui visitar o antigo Museu Municipal do Sertão, citado no livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, do médico antropólogo Estácio de Lima. Valeu a pena porque entrei no mundo dos sertanejos nordestinos e muita coisa me fez lembrar dos tempos de menino na roça.
Lá estão à disposição dos visitantes, os jalecos e gibões de couro dos vaqueiros, símbolos nordestinos, pilões de pisar café, milho e outro produtos, antigos bules, camas, sanfonas, espingarda, ou garruchas, fogões a lenha, bacias, pinicos e outros objetos que fazem parte da cultura popular nordestina.
O calor de Petrolina e Juazeiro é de rachar, mas têm como maior riqueza o “Rio Opará” banhando as duas cidades. Muitos aproveitam para dar aquele mergulho merecido, até os moleques que pegam uma ponga nas barquinhas.
Voltei do outro lado pernambucano aproveitando aquela paisagem que faz a gente esquecer os problemas da vida. É uma travessia que nenhum turista pode perder, sem falar que é um meio de transporte que faz os usuários se livrarem do tumulto da ponte que divide Petrolina e Juazeiro. O idoso tem passagem livre por duas vezes ao dia, mas se resolver repetir a terceira, paga meia, ou um real e cinquenta centavos.
Como ninguém é de ferro, para aliviar o “calor de matar”, dei um, tempo para tomar umas geladas nas barraquinhas simples de palha. Enquanto comentava sobre o cansaço da viagem, a garçonete virou para mim e me animou com sua simpatia dizendo, “vamos beber que amar está difícil”.
Em Juazeiro, aproveitei para apreciar as grandes carrancas do Rio São Francisco e, mais uma vez, senti a falta do antigo Vaporzinho transformado em restaurante que ficava na orla. Infelizmente, na Bahia e no Brasil em geral, as pessoas e os governantes vão destruindo nossa memória.
AS PREVENÇÕES CONTAS AS CHUVAS
A questão da morte da senhora Rosânia que foi tragada pelas águas das chuvas, no canal da Avenida Caracas, na semana passada, foi amplamente debatida pelos vereadores durante a sessão ordinária desta sexta-feira (dia 13/03), realizada pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista.
O vereador Andreson conclamou a todos a fazerem uma reflexão sobre o acontecido e dirigiu duras críticas ao poder público municipal que, de acordo com ele, foi omisso em não ter tomado as devidas providências de proteção em torno do local, tendo em vista que ocorreu o mesmo em novembro passado com um senhor que, felizmente, conseguiu sobreviver.
“O poder municipal foi omisso na morte de dona Rosânia” – enfatizou o parlamentar, alertando que a cidade precisa estar preparada para suportar os temporais advindos das mudanças climáticas que estão atingindo, não somente Conquista, mas todas as partes do Brasil e do planeta.
O parlamentar Luciano Gomes também foi no mesmo tom sobre a morte da senhora, dizendo que foi uma fatalidade anunciada. Destacou que a área do canal na Avenida Caracas precisa de grades de proteção e não de ser fechada, como foi feito.
Na ocasião, Luciano parabenizou o deputado estadual Fabrício Falcão que, em nome do Governo do Estado, fez a entrega de motos para motociclistas que não cometerem infrações nos últimos anos. A vereadora Lara usou também a tribuna para falar sobre a morte de dona Rosânia e agradeceu em público a todos que contribuíram diariamente pela busca do seu corpo.
Além das falas dos vereadores, a sessão ordinária discutiu diversos projetos da pauta, como a proposta que cria o Dia Municipal de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.
Foram debatidos ainda o projeto que institui o Dia Municipal do Policial Veterano, a ser celebrado anualmente no dia 13 de junho, bem como a matéria que reconhece a escola bíblica dominical como patrimônio cultural e imaterial do município.
O CÃO RECONSTRUÍDO
(Chico Ribeiro Neto)
Numa encosta da Avenida Centenário, há alguns anos, surgiu a escultura de um homem com o cachorro na coleira, tudo feito com material reciclável, principalmente garrafas PET.
No Carnaval destruíram o cachorro e arrancaram o braço de Q-Boa do rapaz. Pois bem, a escultura de André Fernands ressurge agora, reconstruída e mais bonita. A expressão do homem é de PET, mas é de paz. Todo branco, com orelhas pretas, o cão renasceu. O trabalho de André Fernands fica numa encosta da Avenida Centenário (sentido Calabar).
“Transformando em arte aquilo que o mundo descarta como lixo”, diz André Fernands no seu Instagram (@andrefernands2009), onde se define como “artista plástico, palestrante, catador de resíduos e ambientalista, pai de João Paulo Fernandes”.
“Trabalha há mais de 30 anos com resíduos plásticos, transformando lixo em arte e embelezando a cidade de Salvador”, diz matéria sobre ele postada nos site noticiasavera.com.br em 29/4/2024, acrescentando: “Uma de suas obras mais conhecidas é o Bandeirão dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, composto por cerca de 300 mil tampinhas de garrafa PET. Essa obra levou 6 anos para ser concluída e contou com a participação de crianças do projeto Praia Limpa na coleta das tampinhas pelas praias de Salvador”.
André Fernands tem vários trabalhos espalhados por Salvador que podem ser vistos no seu Instagram. Parabéns, grande artista, você reage aos dilapidadores e torna essa cidade menos cinza.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
NO PARAÍSO DA CORRUPÇÃO
Estava aqui pensando falar daquele sujeito João Valentão, o falastrão, também conhecido como Cachorro Louco, que sai por aí fazendo arruaças e se achando o dono do pedaço. Mija em postes e árvores para demarcar seu território. Comete bullying com atos agressivos contra os outros até que uma hora entra numa enrascada danada e encontra um pela frente do tipo osso duro de roer.
O João Valentão não pensa (neurônios lesados), não tem estratégias e acha que está sempre sem razão. Acontece que um dia ele vai parar nos quintos dos infernos com a boca cheia de formigas. Com suas garras afiadas, ele abocanhou um coelho, tomou gosto e se estrepou com uma alcateia e uma matilha unidas para se defender do raivoso, mas isso é outro assunto.
Vamos ao caso do paraíso da corrupção, coisa genuinamente brasileira, criada e patenteada há séculos pelos portugueses. Com o tempo, o trambolho foi se sofisticando como produto de exportação, com know-how próprio. Na Operação Lava-Jato, por exemplo, essa máquina de destruição em massa foi transportada para diversos países, principalmente para as Américas de Cabral e Colombo.
Com os avanços tecnológicos, a fera monstruosa de sete cabeças, com várias pernas, bocas e mãos, que vai devorando tudo pela frente (a bicha é faminta), estendeu seus tentáculos e ficou ainda mais intrincada para ser decifrada. Tornou-se o enigma da Esfinge de Tebas, “decifra-me ou te devoro”, da mitologia grega.
Conta que a criatura impede a passagem dos viajantes (nossa gente escrava do trabalho) e propõe um enigma, se o andante não responder corretamente, será devorado. É um desafio complicado que precisa ser interpretado, sob risco de graves consequências, como ser consumido inteiro. Dela não escapa nem a alma.
– Percebeu, meu camarada, como a corrupção no Brasil, com o passar dos anos, ficou mais complexa! Tem esquemas, como do Banco Master e outros na área financeira que, por mais que se explique, não se entende bulhufas! É um cipoal de negócios, de tramas, lavagens de dinheiro, teoremas de Pitágoras, teorias aristotélicas que poucos conseguem destrinchar a equação. Eu mesmo fico boquiaberto.
Tem coisa por aí que para ser decifrado, tem que chamar um matemático dos bons ou um analista de sistema com doutorado para fazer um organograma de como tudo funciona. Não é mole não. A maioria inculta dos brasileiros passa batida, sem falar que os mentores batem pé firme de que são inocentes e até vítimas.
Não se faz mais corrupção como antigamente, ao modo analógico estelionatário do 171, desviar o dinheiro de uma caixa público para seu próprio bolso ou falsificar um documento para ganhar uma graninha, sem valor expressivo. Atualmente só se fala em bilhões.
– Seja bem-vindo, meu amigo, ao paraíso da corrupção, mas se prepare para quebrar a cabeça se quiser entender sua engrenagem tecnológica onde estão infiltradas quadrilhas organizadas do narcotráfico (PCC, Comando Vermelho e outros), milicianos, banqueiros, advogados, empresários de diversos ramos, magistrados, políticos salafrários e até sicários, para matar quem se intromete em investigações ou sai da linha. Eles têm até “código de ética”.
Estou dizendo que a Esfinge de Tebas, agora do Brasil, com ramificações internacionais, foi se multiplicando em outras réplicas em milhares de milhares, com faces diferentes, difíceis de serem reconhecidas. Existem até cursos, com diploma e tudo, para ser um corrupto profissional. Se quiser, você pode até contratar um, a peso de ouro.
Com a introdução de fórmulas genéticas anômalas, esses seres cortantes se transformaram em formigas gigantes devoradoras de extensas lavouras. Nem formicidas ou venenos de ratos conseguem exterminá-las. A corrupção brasileira ganhou classificação e até selo de qualidade.
– Você está achando que estou exagerando? Se vê por esse prisma, é só ir acompanhando seu processo evolutivo animal, como na teoria do cientista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882), estudioso da seleção natural (Origem das Espécies).
De acordo com sua teoria, as espécies se evoluem ao longo do tempo através da seleção natural, onde organismos mais adaptados ao ambiente têm maior chance de sobreviver e se reproduzir. Prefiro ficar com o macaco na sua origem natural, bem melhor e inofensivo do que esses humanos perversos, monstruosos e criminosos.
– Pois é, meu compadre, a espécie chamada de corrupção se adaptou muito bem no Brasil onde encontrou terreno fértil e bem adubado para se reproduzir. Nem a turma do Caça Fantasmas consegue acabar com essa peste maligna de belzebus.
VEREADORES VAO AO GOVERNADOR PEDIR OBRAS DE MACRODRENAGEM
Os vereadores Ricardo Babão, Gabriela Garrido, Paulinho Oliveira e Ricardo Gordo, acompanhados do presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, estiveram, nesta quarta-feira (dia 11/03), com o governador Jerônimo Rodrigues, em Salvador, solicitando a realização de obras emergenciais de macrodrenagem para Vitória da Conquista.
Os deputados estaduais Vitor Azevedo e Fabrício Falcão também se fizeram presentes ao encontro quando foi discutida a importância do apoio financeiro do Governo do Estado, para viabilizar intervenções estruturantes que ajudem reduzir os alagamentos e melhorar a infraestrutura urbana do município que não mais suporta as fortes chuvas com as mudanças climáticas.
Além da macrodrenagem, outras demandas estratégicas foram apresentadas, como a construção de viadutos no Anel Viário, visando melhorar o fluxo de veículos e reduzir o número de acidentes na cidade.
Na ocasião, os parlamentares ainda requereram do governador a implantação de uma maternidade regional, a instalação de mais uma unidade do SAC, na Zona Oeste, bem como avanços em projetos ligados à saúde e à educação superior.
No encontro, foi também discutida a necessidade do fortalecimento do campus da Universidade Federal da Bahia, em Conquista, incluindo a construção de um Hospital Universitário e criação de uma reitoria própria para a instituição.
Ivan Cordeiro assinalou que foi apresentado ao governador, em nome da Câmara Municipal, uma pauta importante para Vitória da Conquista, destacando que o diálogo institucional é fundamental para garantir avanços para a cidade.
O presidente da Casa ressaltou que a macrodrenagem é uma prioridade, “porque precisamos de obras estruturantes que ajudem a resolver os problemas históricos de alagamentos” que chegaram ao ponto de provocar vítimas com mortes. A agenda faz parte de uma série de encontros institucionais destinados à apresentação de demandas urgentes de Vitória da Conquista ao Governo do Estado.
ESTOU CHEIO DA CIDADE GRANDE
Nasci na roça e logo cedo fui trabalhar com meu pai. Fora os perrengues da vida, apreciava ouvir as conversas daquela gente simples do sertão, dos compadres compartilhando suas vidas, proseando e fazendo cantorias nos adjutórios das plantações e nas batidas de feijão. Os velórios e funerais também faziam parte do roteiro da vida.
Ainda moleque, aos dez ou doze anos, fui ganhando mundo. Primeiro em Piritiba, onde cursei o primário e fiz muitas tripolias naquelas ruas de chão batido. Depois Mundo Novo como sacristão do seu vigário que me indicou ao bispo para o seminário. Ruy Barbosa, Itaberaba até ingressar no Seminário de Amargosa.
Quis meu destino que caísse na cidade grande da capital Salvador baiana onde fiquei por lá durante mais de 20 anos. Tornei-me bacharel em Jornalismo e atuei como profissional, especialmente na área de economia. Chegaram até a me confundi como economista.
Quando estava cheio da cidade grande, entojado daquelas correrias para sobreviver, dando meus pulos de galho em galho, como um macaco perdido na multidão, bateu a estafa no coração e vim para Vitória da Conquista, que me deu régua e compasso.
Senti que estava retornando às minhas raízes, mas foi engano porque, além das labutas desenfreadas, a cidade cresceu e me engoliu. A idade vai avançando e me vejo irrequieto nesse labirinto, no qual me sinto um perdido.
Não tenho mais aquele tesão de sair de casa para vagar pelo centro resolvendo “pepinos” entre ruas e repartições burocráticas e me livrando dos carros com seus gazes tóxicas. O ar está contaminado de fumaça, alaridos e letreiros por todos os lados. Nesse aperreio, tenho a sensação de pânico.
Estou espremido como massa de mandioca numa prensa de casa de farinha. Não mais me apetecem esses eventos. Prefiro ficar em minha loca, ou caverna, como um eremita recluso. Dizem que o sofrimento fortalece a alma para enfrentar as adversidades, mas ninguém deseja sofrer. Seria masoquismo.
Estou mesmo cheio da cidade grande e bate a saudade daquela terrinha simples entre os caipiras, matutos e tabaréus, falando aquela língua do povo, sem as maldades e as falsidades das cidades grandes. São falas que ainda se conservam verdadeiras e sinceras.
Não tenho a pretensão de ir para a Passárgada, de Manuel Bandeira, mas, em meu torrão, serei rei. Lá não existem filas e todos conhecem todos. Nas repartições, as pessoas são solícitas e tudo é rápido e fácil de se resolver. Depois, vou dar boas risadas com a alcoviteira linguaruda de dona Delfina que adora uma fofoca e um fuxico.
Com os compadres vou ouvir e contar causos do passado, sem nem se preocupar que o mundo está pegando fogo com ogivas, drones e foguetes mortíferos cruzando os céus. Vou até esquecer que existe o Cachorro Louco que quer ser o dono do mundo.
Para a bandidagem corrupta que vive todo tempo depenando o Brasil, desejo que esses salafrários salteadores vão todos para o quinto dos infernos.
Podem dizer que estou “fugindo da raia”, da luta e da guerra, mas é que não aguento mais esse emaranhado, esse cipoal de tantas maldades, ideias idiotas e estapafúrdias. Com as injustiças sociais, vai-se morrendo mais depressa. Quero deixar essa UTI e acho que pelo tempo, vivendo neste quarto escuro, mereço respirar ares mais puros, num espaço mais amplo e limpo.
Estou de saco cheio da cidade grande onde meu lugar não é mais aqui, correndo pra lá e pra cá, como um escravo freguês das contas de todo mês, além da apertada feira, cada vez mais racionada. Minhas últimas gotas de sangue estão se esvaindo para manter um falso padrão nesta ilusão da cidade grande.
Meu templo está poluído, com teias de aranha. Não sou mais gente dessa gente, mas um peixe fora da água. Meu lugar não é mais aqui na cidade grande em meio a esta selva de concreto. Não faço mais parte deste tabuleiro onde todos só querem ser vencedores. Preciso partir para respirar.
































