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:: ‘Notícias’

CÂMARA REALIZA SESSÃO ESPECIAL SOBRE MATRIZES DO NOSSO FORRÓ

A ausência de representantes da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer – Sectel foi criticada pela maioria dos participantes da sessão especial sobre matrizes do forró, proposta pela vereadora Lúcia Rocha, e realizada na Câmara Municipal de Vereadores. Muitos parlamentares não se fizeram presentes ao ato, o que foi também lamentável, tratando-se da importância do assunto para valorização da nossa cultura nordestina.

Essa sessão é promovida todos os anos pela vereadora no mês de junho, dedicado aos santos São João, Santo Antônio e São Pedro, buscando o resgate das festas juninas. Lúcia Rocha destacou a identidade cultural que representa o São João para o povo nordestino. Ela disse ser fundamental preservar e valorizar essas tradições e manter o senso de pertencimento das comunidades.

Segundo Lúcia, as matrizes do forró formam a base desse rico mosaico cultural, cada um trazendo suas características únicas e contribuindo para a pluralidade do forró como um todo. Como todos outros membros da mesa, a parlamentar cobrou mais valorização aos artistas da terra e pontuou sobre a ausência da Sectel.

O jornalista, escritor e ativista cultural do Sarau A Estrada, Jeremias Macário também usou da palavra quando fez duras críticas sobre a descaracterização que vem ocorrendo no forró nos últimos anos com a introdução de artistas e bandas de fora que tocam outros ritmos. Citou a lamentável ausência de prepostos da Secretaria de Cultura e afirmou que estão trocando o Gonzagão pelo Safadão.

Na ocasião, parabenizou a vereadora pela realização anual da sessão matrizes do forró, que envolve muito além da música, passando pela alimentação, moda e linguagem. Apontou que governos e prefeituras trocam forrozeiros e bandas tradicionais por outros ritmos alheios à cultura junina, como no caso específico do Governo do Estado e do município de Vitória da Conquista, especificando as contratações de Safadão e de Amado Batista.

Falou ainda o instrutor de forró Vinícius Gomes que cobrou avanços na valorização do forró e da dança para além do projeto junino, quando o forró ganha maior notoriedade, “A gente dança forró o ano inteiro”. Ele cobrou mais projetos culturais relacionados ao forró e à dança fora do período junino.

O produtor cultural Vadinho Barreto afirmou que os festejos juninos são uma expressão de fé do povo nordestino e profunda manifestação cultural. No Nordeste, em sua avaliação, os festejos são também expressões de devoção a Santo Antônio, São João e São Pedro.

O representante do Grupo de Quadrilha Junina Flor de Panela, Thiago, indagou aos presentes quantas pessoas sabem responder o número de grupos de quadrilhas em Vitória da Conquista. “ É algo difícil de se responder, pois pouco se comenta sobre os grupos de quadrilhas”. Adiantou que, em se tratando da terceira maior cidade da Bahia, Conquista deixa muito a desejar no que se refere ao incentivo aos grupos e movimentos juninos.

Assinalou as dificuldades enfrentadas pelos grupos de quadrilhas no sentido de realizar suas atividades e, como exemplo, citou o seu. Declarou que praticamente não existe apoio do poder público. Relatou que para manter os eventos muitos realizam pedágios em semáforos da cidade para arrecadar recursos.

O vereador Marcus Vinícius (PODE) se declarou apaixonado pelo forró e informou sobre o projeto do Festival de Música que ele pretende implantar em Conquista, com objetivo de promover a valorização da cultura conquistense. O seu colega Augusto Cândido, MDB, criticou a ausência de representantes do poder executivo na sessão e declarou que a Secretaria de Cultura foi convidada. Deveria se fazer presente, respeitando a Câmara e o município”.

 

 

FESTAS JUNINAS EM TORCA DE VOTOS

Carlos González – jornalista

A última relação divulgada pelo jornal “A Tarde”, com base em dados fornecidos pelo Painel da Transparência nos Gastos Públicos com Festejos Juninos, mais de 300 municípios, de um total de 417 na Bahia, ainda não tinham enviados a programação das festas populares deste mês. Em ano de eleições, não há como fugir à regra, os prefeitos, em busca de um novo mandato, utilizando de artifícios na contabilidade, gastam o que não podem em festas e publicidade.

O Painel foi criado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP/BA). Trata-se de mais uma ferramenta de fiscalização, apropriada para este período do ano, que, em parceria com os tribunais de contas e outros órgãos estaduais e federais, está acompanhando a gestão eficiente dos recursos públicos.

Os gestores municipais estão obrigados a informar a natureza dos recursos empregados nos eventos artísticos promovidos entre 1º de maio e 31 de julho. Os primeiros 171 informes já foram encaminhados ao MP, revelando investimentos acima de R$ 195 milhões, empregados na contratação de 1.615 atrações, o que dá R$ 1,1 milhão para cada um, valor que não corresponde à realidade dos gastos, confessados pelos próprios prefeitos..

A consulta pública aos dados enviados pelo Estado e pelos municípios foi aberta esta semana pelos órgãos fiscalizadores. Além dos valores dos cachês pagos aos cantores e bandas contratados, os interessados terão acesso aos horários e locais das apresentações. O “Transparetômetro” será atualizado diariamente.

O Painel não menciona quais as punições previstas para aqueles que agirem fraudulentamente, uma prática tão comum, subentendida nas licitações públicas, ou no desvio de verbas destinadas à educação e à saúde.

Vamos nos afastar um pouco do calor da fogueira junina, lá no interior do Nordeste, para entrar no arraial dos políticos, todos de olho nas eleições de outubro. Nossa primeira visita é a Vitória da Conquista, cuja prefeitura foi alvo recentemente de investigações da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava na Secretaria de Saúde do município, no período mais agudo da pandemia.

A “Operação Dropout” constatou irregularidades na aquisição de testes rápidos para detecção de Covid-19, no valor total de R$2.030.000,00. As licitações foram dispensadas porque havia urgência em evitar o avanço da doença e, consequentemente, promover a preservação de mais vidas. A empresa escolhida pelo município em duas compras foi a que apresentou o preço mais alto, gerando um superfaturamento de R$ 677.600,00. No ano eleitoral de 2020, Conquista recebeu mais de 31 milhões em recursos federais, destinados exclusivamente às ações de enfrentamento ao coronavírus.

Voltando aos festejos em homenagem aos santos de junho, notamos que a prefeita Sheila Lemos, candidata à reeleição, tem priorizado o entretenimento, ao contrário do seu antecessor e padrinho político, o evangélico Herzem Gusmão.

Em anos anteriores, no único palco montado na cidade, desfilavam artistas da região. Este ano, acompanhando a sistemática de governo de Bruno Reis, seu companheiro do União Brasil e prefeito de Salvador, Sheila apostou nos shows ao ar livre, com artistas conhecidos no país (Elba Ramalho, Ivete Sangalo, Targino Gondim e outros), pagando cachês altos.

Neste primeiro semestre, os conquistenses curtiram uma micareta; no momento, visitam e assistem shows na 53ª Exposição Agropecuária, no Parque Teopompo de Almeida, instalada com recursos do município; e, nos próximos dias, participarão da programação musical do São João, no centro da cidade e na zona rural. Portões abertos para o povo em todos os eventos.

Se não há cobrança por parte daqueles que foram eleitos com a finalidade de fiscalizar os atos do Executivo, no caso, a Câmara de Vereadores, a plebe permanece sem saber quanto seu alcaide está “torrando” em festas, com a agravante de que, segundo pesquisa, entre dez bandas que vão subir ao palco no interior da Bahia apenas duas cultivam o ritmo que consagrou Luiz Gonzaga e Dominguinhos.

Em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, a prefeitura calcula gastar R$ 10 milhões com ornamentação da cidade e contratação de artistas; em Tucano, no nordeste baiano, o prefeito Ricardo Maia Filho pretende gastar R$ 3 milhões com pagamento aos artistas. A título de exemplo, Wesley Safadão vai faturar a bagatela de R$ 1,9 milhão para se apresentar nas duas cidades.

No século 27 aC, o imperador romano Otávio Augusto criou a política do “pão e circo”, que consistia em distribuir entre os miseráveis pão e trigo e em promover espetáculos no Coliseu.

O objetivo era manter os plebeus alienados, evitando qualquer possibilidade de revolta social contra os privilégios da burguesia.

Cientistas políticos afirmam que no Brasil, desde o período colonial, os gestores públicos mantêm viva a prática do “pão e circo”.

A doutrina assistencialista seria o “pão”; os festejos populares simbolizariam o “circo”. A finalidade é despolitizar a classe pobre para que ela continue votando nos tiriricas, negacionistas e corruptos; para que ela se afaste dos veículos sérios de comunicação e se apegue aos “fake news” distribuídos pelas redes sociais.

 

 

 

 

O CAFÉ ACABOU DE ACABAR

(Chico Ribeiro Neto)

A gente sofre várias chateações domésticas. O coador de papel, quando você puxa um, sempre vem dois.

Dizem que “o pão do pobre só cai com a manteiga pra baixo”.

Você tá todo ensaboado e a água vai embora. Coisa muito chata: acordar de manhã e ver a pia cheia de pratos e panelas sem lavar. E ainda deixaram aberto o tubo da pasta de dente.

Aprendi com os antigos: nunca guarde roupa pelo avesso e nunca deixe sandálias e sapatos virados para baixo. Dá azar.

Faxineira quase sempre dá problema. Ela muda a ordem dos móveis da casa sem lhe consultar: “Ah, Seu Chico, o sofá aqui fica melhor”. Tenho um amigo que a faxineira resolveu arrumar os livros dele por tamanho.

Não gosto que coloquem comida no meu prato. Meu avô Chico Ribeiro tinha essa mania: “Esse menino não tá comendo nada. Chiquinho, coma mais um pouquinho de ensopado”, e tascava duas colheres cheias no meu prato. Tia Nina dava o arremate final e lascava três pedaços de abóbora no meu prato: “Abóbora é vitamina pura!”

Pior ainda é quando você vai na casa de alguém e servem uma torta horrível. Você tá fazendo esforço pra engolir e a dona da casa avisa: “Se quiser mais, é só pedir”.

Morei alguns anos em pensão quando estudante. Tinha uma nos Barris que não servia leite, cada hóspede que comprasse sua lata de leite e a levasse para o café da manhã. Começaram a roubar as latas nos quartos, Você escrevia seu nome no rótulo de papel que era arrancado pelo larápio. O jeito era gravar com canivete seu nome na própria lata. Depois do almoço serviam uma xícara de cafezinho. Um procurava distrair você numa conversa enquanto outro colocava uma colher de molho de pimenta no seu cafezinho.

Graças a Deus, nunca tive vizinho pidão, mas minha amiga já teve. Sua vizinha pidona toda semana faltava café na casa dela. Quando ela sentia o cheirinho de café pela área de serviço, corria logo pra lá com a garrafa térmica (o quente-frio) em punho: “Ô, boa tarde, você pode me arranhar um pouquinho de café, porque o meu acabou agora”. Um dia, minha amiga, já calejada de tanta pidição, respondeu: “Que coincidência, o daqui de casa também acabou de acabar!”

Mamãe Cleonice vem da cozinha da nossa casa, em Ipiaú (BA), com uma panela de café com leite, mexendo com uma colher para esfriar e colocar na xícara de cada um dos meninos: Luiz, Zé Carlos, Cleomar e Chico. Até hoje ouço o barulho da colher girando na panela e lembro o cheiro e o gosto desse café da infância que enchia minha xícara de amor.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

ESSA NOVELA DO TELEMARKETING NUNCA SE ACABA E NÃO TERÁ FINAL FELIZ

Há muito tempo, os órgãos do governo e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) anunciam medidas para as empresas de telemarketings pararem de atanazar as pessoas com ligações e mensagens indevidas nos celulares. Elas se fazem de ouvidos moucos e passam por cima das tais leis nos tirando do sério e nos estressando.

Os representantes desses organismos recomendam que os usuários e consumidores façam suas reclamações e notificações junto à Anatel, aos Procons e juizados de primeiras causas. Ameaçam com multas pesadas, como se fosse mesmo para valer. É tudo um faz de conta. Mais parece uma novela sem final.

Ora, neste país, sabemos muito bem que os poderosos não pagam multas, só os pobres que não têm advogados para recorrer. Contra agressores do meio ambiente, por exemplo, “aplicam” multas de milhões de reais, mas sabemos que não pagam. Isso também é fake news. Se fosse tudo verdade, a empresa entraria em falência. Nos fazem de bestas e subestimam nossa inteligência.

As pessoas hoje vivem em correrias, preocupadas com seus problemas e preferem a simples ação do recusar e deletar do que passar mais raiva se deslocando de seus lugares para dar queixas, sabendo que o processo é lento, burocrático e termina apenas numa advertência à empresa abusadora. Além do mais, nossa Justiça continua sendo morosa para os mais pobres e cega para os ricos.

Na verdade, poucos se atrevem a fazer suas reclamações e terminam se decepcionando porque não conseguem os resultados esperados depois de tanta perda de tempo e se irritar. Por sua vez, fazer uma reclamação virtual à Anatel via internet é um terror. O sistema não funciona e a pessoas passa horas para ser atendida. Depois de muito tempo, seu protocolo fica lá esquecido no sistema, ou no lixo como antigamente.

Na grande maioria, funcionário público no Brasil presta um péssimo serviço ao usuário por causa da maldita estabilidade vitalícia. Por que muita gente tira um diploma somente com intuito de fazer um concurso público? A resposta está na ponta da língua.

Depois de um determinado tempo, o servidor concursado se acomoda e trata o consumidor em geral com desdém e menosprezo. Ainda existe uma lei onde o brasileiro não pode “desacatar” quem está do outro lado do balcão, mas quem está fora para resolver seu problema tem que ficar calado e aguentar a falta de humor do estabilizado no emprego, que só pode ser demitido por justa causa, em casos raros.

Nem todos, mas muitos optam pelo concurso público porque não têm coragem de enfrentar uma empresa privada onde o empregado tem que mostrar produtividade e se for relapso pode ser demitido. Terminei enveredando por outro assunto, mas uma coisa puxa outra.

O profissional do telemarketing só cumpre ordens do patrão para no final do mês dar resultados, senão vai para o olho da rua. Com seu corpo de advogados, a empresa sabe muito bem como burlar as leis, feitas para os poderosos. Os representantes dos órgãos governamentais falam duro para ficarem bem na fita e nós ficamos com caras de abestalhados acreditando neles.

UMA SOCIEDADE FÚTIL E IMBECIL

Há noventa anos nascia o escritor e filósofo italiano Umberto Eco e, em uma de suas tantas entrevistas, disse que, com o advento da internet, do celular e das redes sociais, a nossa sociedade se tornaria mais fútil e superficial. Ele era também um estudioso da comunicação midiática.

A sua visão não pode ser considerada como uma profecia, mas uma reflexão sobre os rumos do ser humano e sua decadência mental frente ao avanço da revolução tecnológica da informática, não que ela não seja benéfica se bem utilizada.

Sobre a internet, ele afirmou que produz muito ruído, pois há muita gente a falar ao mesmo tempo. “Faz-me lembrar quando na ópera italiana é necessário imitar o ruído da multidão e o que todos pronunciam é a palavra “rabarbaro”.

“As mídias sociais deram o direito à fala de legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito a fala que um ganhador do Prêmio Nobel”.

Bem, citei aqui alguns pensamentos de Eco sobre internet e redes sociais, para colocar meu ponto de vista sobre como eu vejo o mundo de hoje sobre esta questão. Como uma onda de besteirol consegue arrastar milhões de seguidores imbecis?  Como chegamos a este nível? Será o vazio humano espiritual?

Uma “blogueirinha” consegue atrair mais público numa plateia de qualquer evento cultural do que um Prêmio Nobel de Literatura, ou o maior pensador filosófico. O tal do influenciador digital se tornou numa “profissão” mais admirada. Se Cristo surgisse na era atual com seus ensinamentos profundos, será que teria tantos seguidores na internet?

Entendo que a revolução da informática, como a industrial, pegou a humanidade desprevenida, isto é, numa curva descendente do ler e saber pensar em termos de conhecimento, principalmente em se tratando da nossa juventude, ainda uma criança entusiasmada com seu brinquedinho, ou um adolescente eufórico quando se depara com coisas novas. Quando a internet chegará à sua idade de maturidade? Ainda vivemos na adolescência.

A internet tornou-se o mundo da fantasia para uma grande maioria que, sem sentido para a vida, ou pelo menos para sua existência como criatura, viu nela o seu deus material para realizar suas ilusões, sem perceber que tudo é efêmero e passageiro.

Por esse prisma, na ponga de uma humanidade em decadência de saber e de lideranças espirituais e políticas, a inversão de valores ocupou sua supremacia na história onde o fútil passou a ser o mais admirado e seguido.

Dia desses estava vendo na tv um lutador, que fica nos ringues tirando sangue e dando pancadas na cabeça e por todo corpo do seu adversário, como dois selvagens primitivos dos tempos dos gladiadores romanos, se glorificar que teve 250 mil visualizações nas redes sócias enquanto fazia uma tatuagem no braço, no formato de uma mordida humana.

O mais irônico é que a nossa grande mídia, a qual se coloca como combatente da linha de frente contra as mentiras e fake news nas redes sociais, é a maior incentivadora e divulgadora desses fúteis influenciadores digitais que deixam nossos jovens mais histéricos e até se tornam imorais. É essa mesma mídia a maior criadora dessa sociedade fútil, que faz questão de manchetar o besteirol.

COMO PARTICIPAR DESSA POLÍTICA?

O NOSSO SISTEMA ELEITORAL É COMO SE FOSSE UM VELHO BARCO CHEIO DE BURACOS POR TODOS OS LADOS EM ALTO MAR.

Na minha concepção, política deveria ser, acima de tudo, seriedade, lealdade e compromisso para com a população, com a sociedade e sua comunidade. No entanto, infelizmente, não tem sido assim que funciona. Sempre é feita de conchavos, negociatas escusas e traição contra o povo porque não se cumpre as promessas feitas em campanhas.

Por tudo isso, as pessoas boas têm procurado se afastar da política e tem muitos que nem querem falar nesse assunto, quando ela poderia ser a mola propulsora para a solução dos problemas do país. Nos bons tempo, nas décadas de 50 e 60, os jovens já começavam cedo a fazer política nas escolas através dos grêmios, das associações dos estudantes secundaristas e da própria UNE (União Nacional dos Estudantes).

Nos tempos atuais, esta categoria está afastada por vários fatores, como alienação, em decorrência do baixo nível educacional, e consequente rebaixamento cultural (falta de leitura com o advento do celular), mas, sobretudo, porque nossos políticos, a partir da redemocratização do Brasil após a ditadura civil-militar-burguesa, transformaram a política em jogo de interesses particulares, fizeram do público coisa privado e deram as costas para o povo.

Os partidos políticos cresceram como uma praga do Egito e muitos viraram barrigas de aluguel. Dentro dessas agremiações políticas existe uma espécie de ditadura interna, tanto da direita como da esquerda, e o pior, com várias correntes e tendências de pensamento “ideológico” que só fazem separar ao invés de unir os membros em torno do seu princípio programático.

Pertenço, por exemplo, ao PSOL de Vitória da Conquista, mas não estou aqui falando em nome do partido que está enfraquecido, desorganizado (muitos caíram fora) e agora vem sendo teleguiado pela estadual, cujo presidente quer impor sua ditadura e mandar no diretório municipal. Isso desgosta, decepciona e frustra as pessoas sérias que intencionam dar sua contribuição como militante.

A esquerda de hoje não faz mais política em suas bases de origens, como junto aos estudantes, ao operariado e dentro dos movimentos sociais que foram abandonados pela militância que passou da cachaça para o uísque escocês. Ela hoje se enroscou com a burguesia e a elite para se manter no poder. Dá apenas umas cestas e uns auxílios como caridade.

A esquerda condena tanto a ditadura, mas entra em contradição quando seus dirigentes e diretórios usam esses métodos condenáveis dentro do próprio partido, como se fossem donos. Na maioria das vezes, quando dos apoios a determinados candidatos, as decisões saem de cima para baixo sem ouvir seus membros filiados. Passam o rolo compressor nas representações regionais e até intervém quando não aceitam o que eles querem.

É aí que as pessoas mais sérias e bem-intencionadas caem fora dessa bandalheira, dessa falta de respeito com as bases onde a democracia é alijada do processo. Temos um Congresso Nacional conservador, dominado pelas maracutais, penduricalhos e interesses próprios. Diante desse cenário nada alentador, os jovens, os honestos e éticos se afastam dessa política, ou politicagem. Esse cesto de frutas podres deixa de fora quem tem pretensão de entrar na política.

Temos ainda um sistema político eleitoral arcaico, desleal, desproporcional, burocrático, que se requer muitos milhões de reais para se eleger. É outro fator negativo para o afastamento da política. É difícil para quem está de fora, com boas intenções, entrar nesse esquema bruto e competir de igual a igual contra aqueles que já estão lá dentro com a máquina na mão, sem contar ainda com esse negócio de cotas que só faz criar mais ódio e intolerância.

Não estou aqui para ser o arauto da verdade, do exemplo de pessoa correta que tem a razão como única e absoluta, mas meu propósito é só fazer uma reflexão e indagar do porquê a quase maioria não quer mais saber de política e nem se engajar nela? Confesso que eu mesmo me sinto decepcionado e desestimulado com o que vejo e tenho consciência de que minha voz não tem eco nesse árido deserto.

Agora mesmo vem aí mais uma eleição municipal e já começaram as negociatas por cargos, as mentiras, as imposições de nomes, os xingamentos, as propagandas falsas e os esquemas inescrupulosos.

O mais desrespeitado é o eleitor, embora continue a ir à urna votar por favores, sem consciência política e manipulado como nos tempos dos coronéis. Na verdade, meu amigo e amiga, o voto ainda é comprado e vendido.

Permanece o voto de cabresto, e nossos jovens não estão preparados para escolhas conscientes e livres.  Sei que é difícil dizer isso, e posso ser execrado com antiquado, mas não tenho medo de falar o que penso, mesmo com o risco dos julgamentos contrários.

Nessa nossa democracia, repleta de falhas e vulnerável, é pura balela se falar em eleições livres neste nosso país. O eleitor que vota por um favor recebido, por simpatia ou porque o candidato ou candidata são bonitos, não está sendo livre, mas induzido por uma ilusão de que está exercendo sua cidadania de liberdade democrática.

 

ÊITA QUE AGORA MELARAM NOSSO FORRÓ!

TROCARAM O GONZAGÃO PELO SAFADÃO!

Dessa vez, com o São João gordo das eleições, estão lascando com o nosso forró ou forrobodó! Quem estão mandando nessa farra são Safadão, o maior faturador das festas juninas, Amado Batista, Calcinha Preta, Cueca Branca, duplas sertanejas, de arrocha, pagode, bregas e outros ritmos porcarias. No meio, para disfarçar, colocam algum forrozeiro.

Até os governos do PT, que tanto pregaram em seu programa partidário a defesa da cultura popular de raiz, entraram na onda, como no caso do São João de Salvador, no Parque de Exposições Agropecuárias, bancado pelo estado. Aqui em Vitória da Conquista, onde a prefeita sepultou nossa cultura, sem ritual fúnebre, já não é tanta novidade. Tem até o Amado Batista. Nos outros municípios a toada não é diferente.

Nas propagandas, os prefeitos colocam as grades das grandes “atrações” com os nomes dos pesos pesados dos cachês, mas quase nada das bandas regionais que fazem suas músicas durante o ano todo para ganhar uma graninha merreca paga meses depois. Esses têm que entrar nos editais burocráticos da concorrência. É uma tremenda luta para conseguir um espaço.

Estão divulgando aí um concurso das melhores músicas que pouco falam das raízes, dos costumes, do nosso forró, da terra e da vida do nosso povo nordestino, com o título de Zelito Miranda que deve estar se revirando no caixão. As letras têm um sotaque do axé music, dos arrochas e dos “sertanejos” melosos de amor vazio e fútil.

É isso aí, meu amigo, o nosso forró, que até já se tornou patrimônio imaterial nacional, está virando num grande carnaval fora de época, com guitarras, baterias e rebolados de mulheres nos palcos, jogando no lixo a sanfona, o triângulo e a zabumba. Esse negócio de forró pé de serra está se tornando coisa antiga e arcaica.

Para fazer média com o público alienado, o cara chega no palco falando de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e outros nomes do nosso verdadeiro forró, baião e xaxado (devia lavar a boca) e depois arrasta o som miserável estrangeirado, misturado do tipo “tira o pé do chão galera”, com músicas de duplo sentido que agridem nossos ouvidos.

A mídia diz que é tudo de graça, a multidão ignara cai na folia e aplaude os prefeitos dos safadões e companhias. Tudo preparado para um pouco mais na frente, em outubro, pescar o voto do eleitor que depois da festa continua na mesma situação de dependência e submissão aos poderosos. Se eu ou você critica, sua voz ecoa no deserto. Será que adianta lutar contra a maré?

É assim que as coisas funcionam e não adianta resistir, meu camarada, porque será criticado como caduco, antiquado e saudosista. As coisas mudaram, seu babaca; são novos tempos da tecnologia; e que vá a memória e a história para as “cucuias” e os quintos dos infernos. É assim que eles dizem.

O Ministério Público anuncia que está vigiando e fiscalizando as grandes contratações e os superfaturamentos das prefeituras, observando os critérios dos investimentos em saúde, programas sociais e educação. É tudo conversa fiada, no faz de conta.

Os artistas e as bandas da terra pegam as migalhas, sem quase nada de visibilidade. São utilizados para apresentações nos intervalos dos grandes shows e nas pontas dos bairros. Dão um dinheiro tipo cala boca para as quadrilhas, para dizer que elas não morreram. A mídia faz sua média e dá destaque para os safadões da vida.

TUDO É 3

(Chico Ribeiro Neto)

Pai, Filho e Espírito Santo. Os 3 Reis Magos, os 3 Mosqueteiros, os 3 Porquinhos e, no céu, as 3 Marias. Somos divididos em cabeça, tronco e membros.

“Se temos duas pessoas, temos um debate; se temos 3, temos uma decisão”. (Autor desconhecido).

Cristo foi crucificado junto a dois ladrões e ressuscitou no terceiro dia.

O 3 é um número considerado sagrado e também um número de tempo: passado, presente e futuro; princípio, meio e fim. O triângulo é o mais importante símbolo da Maçonaria. E há também o “triângulo do prazer”.

“As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me bouleversam, me hipnotizam”. (Verso inicial do poema “Balada das Três Mulheres do Sabonete Araxá”, de Manuel Bandeira).

Um velho espanhol costumava alertar o sobrinho: “Nunca beba em 3 bares, pois no terceiro sempre dá alguma merda: briga ou discussão. Vá pra casa depois do segundo bar”.

Escova de dente sempre teve 3 tamanhos: pequena, média e grande. Agora tem a frescura de escova Plus, Ultrafina e até escova elétrica.

O número 3 aparece 467 vezes na Bíblia. Os 3 Patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó. Pedro negou Cristo 3 vezes.

“Então vi três espíritos imundos que pareciam rãs, que saíam da boca do dragão, da boca do monstro e da boca do falso profeta. Eles são os espíritos maus que fazem milagres. Esses três espíritos vão aos reis do mundo inteiro a fim de os ajuntar para a batalha do grande Dia de Deus, o Todo-Poderoso”. (Apocalipse, 16:13-14).

 

Além de Cosme e Damião havia o irmão Doum. Conta-se que Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e com a morte de Doum os outros irmãos se tornaram médicos para curar as crianças. Então eram 3.

Lamento não existir a cédula de 3 reais. Muitos técnicos de futebol armam o time na tática 4-3-3. Dão uma vezinha ao 4.

Um, dois, três e já. Já tem casal de 3 (trisal).

Até quando morre você tem 3 opções: céu, inferno e purgatório.

“Três, três, passará

Derradeiro ficará”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

O NOSSO CONGRESSO É UM CANCRO SÍMBOLO DO RETROCESSO BRASILEIRO

Se é que se pode dizer que é nosso, por que mais pertence a eles como propriedade privada do que a nós que pagamos caro, com algumas exceções dos seus membros, o Congresso Nacional não passa de um cancro que simboliza o atraso no Brasil com seus projetos de retrocesso que emperram os avanços nas áreas social, educacional, cultural, política e econômica.

Na falta de outras palavras mais fortes para definir sua atuação, é uma instituição vergonhosa e altamente conservadora de extrema direita, cujas propostas deixam os brasileiros estarrecidos, como a tentativa de emplacar uma PEC à Constituição que vai levar a privatização das nossas praias e, consequentemente, provocar sérios impactos ao meio ambiente que já está destroçado.

A ideia da emenda de extinguir as áreas terrestres da marinha no entorno de 33 metros da maré alta, de rios e lagos e passar para foreiros e concessionários é altamente nociva, não somente para nosso ecossistema, como para a população em geral que terá que pagar se quiser ir à praia para ter seus momentos de lazer e entretenimento.

É um absurdo dos absurdos. Aliás já vivemos acostumados com tantos absurdos que muita gente nem liga mais e não toma partido, como se não lhe atingisse. Tudo isso significa privatizar uma extensão da nossa costa marítima de 8.500 quilômetros impedindo o livre acesso do povo às praias.

Trata-se de mais um ataque ao meio ambiente que será explorado pelos poderosos com a instalação de suas mansões, numa visível agressão ao que ainda resta da nossa Mata Atlântica, da flora e da fauna.

Outra proposta, em avaliação na CJC (Comissão de Justiça e Constituição) do Congresso Nacional, composto de 513 deputados e 81 senadores, cheira a ditadura, com métodos diferentes. Os extremistas conservadores, numa forma de revanchismo, querem cortar os benefícios do Bolsa Família e outras ajudas do governo federal aos mais necessitados para quem participar de invasões de terras e prédios, bem como de manifestações reivindicatórias em defesa de suas categorias. É como proibir protestos de movimentos sociais.

Sem falar aqui da bancada ruralista que aprova a utilização de mais agrotóxicos venenosos proibidos na agricultura, contaminando solos e rios; flexibilização das licenças ambientais; mais desmatamentos florestais; e leis protetivas ao garimpo na Amazônia, é este o Congresso sujo, mais caro do mundo, que temos e eles ainda abrem a boca para dizer que tudo está sendo feito pelo bem do pais, no sentido de desburocratizar e facilitar o avanço do progresso.

São esses caras de paus do retrocesso que se dizem patriotas representantes do povo; falam de família, tradição e pátria; e se colocam como arautos de Deus, na maioria evangélicos conservadores e fanáticos negacionistas. Na verdade, não passam de criminosos que estão a serviço do diabo na criação de fake news e travam o desenvolvimento do Brasil.

Esse bando de salteadores, muitos ligados a traficantes e milicianos, que mandam matar quem atravessar seus caminhos, também pertence à bancada da bala que defende a matança dos mais pobres, a exclusão social e mais armas nas mãos dos bandidos. Estamos vivendo numa linha perigosa do extremismo, graças à manipulação dos eleitores, a grande maioria alienada e sem nenhuma consciência política por falta de educação.

Além de ser o cancro do Brasil, com suas leis retrógradas e medievais de terraplanistas, é um Congresso de bilhões de reais, composto por uma elite burguesa atrasada que prima pela morte da nossa gente pobre e do meio ambiente.

É um Congresso racista, homofóbico, xenófobo, misógino e, acima de tudo, antipatriótico que bate continência para as bandeiras imperialistas.  Essa turma é enganadora do nosso povo incauto, subjugado e submisso. Eles representam o que existe de mais pior como ser humano. Temos um monstro dos monstros, mais frio dos frios. Em nosso Brasil de hoje, infelizmente, este Congresso está agindo como um Estado autoritário.

 

QUEM VAI DETER ESTE EXTERMINADOR DE PALESTINOS COM SEUS MASSACRES?

Como se não bastassem as tragédias da natureza, em decorrência do aquecimento global, com terremotos, tornados, ciclones, secas e enchentes torrenciais, ceifando milhares de vidas, o mundo assisti estarrecido o exterminador de palestinos, o premier Benjamin Netanyahu, o “Bibi”, que desobedece ao veredicto da Corte Internacional de Justiça e continua a bombardear, impiedosamente, os palestinos de Rafah.

Seus apoiadores e coligados antigos desse holocausto de terror e atrocidades, como os Estados Unidos e países da Europa, só fazem condenar as ações de matanças indiscriminadas e ele continua a agir passando por cima da lei. O próprio “Bibi”, o genocida, aparece na televisão reconhecendo que foi um ato trágico, mas permanece firme praticando o extermínio dos palestinos, tornando a Faixa de Gaza num inferno. Ninguém tolera mais os blábláblás desses governantes coniventes.

Quem vai deter este exterminador de palestinos que quer dominar todo território e anexá-lo ao seu país? Quanto ao Hitler, na Segunda Guerra Mundial, que mandou matar, inclusive seis milhões de judeus, os aliados agiram na base da força e acabaram com seu instinto sanguinário e dominador. Com o escudo do holocausto, Israel está fazendo o mesmo com os palestinos que estão vivendo o terror das bombas, da fome e das mortes de crianças e dos idosos.

Os Estados Unidos são os primeiros a soltar notas diplomáticas hipócritas de pesar e sentimentos, mas continuam enviando armas para ajudar Israel com seus massacres hediondos. É até uma ironia, para não dizer um escárnio e ultraje, quando se vê os ianques construindo um porto para ajuda humanitária e, ao mesmo tempo, mandando bombas para o primeiro ministro.

A história já está registrando este genocídio, do qual toda humanidade é culpada pelo que está acontecendo de horror e sofrimento na palestina. Todos os judeus israelenses estão apoiando esta “guerra” insana onde só um lado tem tanques, armamentos pesados e bombas para encurralar os palestinos como se fossem animais ferozes num apertado sem saída, sem água e alimentos. Milhares estão morrendo de fome pelos criminosos.

A única coisa que se vê dos israelenses são manifestações dos familiares dos reféns do Hamas – também condenável pelos seus atos em outubro passado – exigindo a libertação dos prisioneiros, mas não um protesto condenando o que o seu primeiro ministro vem fazendo contra um povo indefeso que desde 1948 sofre também o terrorismo de Estado.

Os universitários dos Estados Unidos se levantaram nos campi de suas unidades de ensino em apoio aos palestinos e contra esse massacre desumano. No entanto, suas vozes foram abafadas pela ditadura norte-americana que tanto fala em democracia, enquanto se alia a governos tirânicos por interesses capitalistas de poder.

Infelizmente, em pleno século XXI, os países dominados ainda vivem no tronco e na chibata colonialista dos imperialistas do mundo que só visam a defesa, a qualquer custo, do capitalismo exploratório dos mais fracos. Eles nem estão aí para reverter o aquecimento global e só pensam em aumentar os PIBs de seus países e fabricar armas sofisticadas para lucrar mais e mais.

Até no Conselho da ONU são eles quem mandam. Essa organização internacional perdeu seu sentido de existência, tanto é que o próprio carniceiro “Bibi” nem está aí para suas decisões de parar com os bombardeios. A fala do secretário Geral Gutierre ecoa no deserto de fogo.

Pode parecer derrotismo e terror, falta de fé e esperança de tempos melhores, mas o próprio ser humano está se encarregando de destruir a humanidade e abreviar o apocalipse final. Não temos mais líderes para seguir, só falsos profetas, fanáticos religiosos e mentes diabólicas do mal.





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