:: ‘Notícias’
MAIS UMA!
-
(Chico Ribeiro Neto)
Garçom, não me venha com tulipa, caneca ou taça pequena. Eu quero é copo americano.
Não sei porque alguns bares sofisticados não têm o copo americano. Devem achar “vulgar”. Pois fiquem sabendo que o copo americano, criado em 1947 pela fábrica brasileira Nadir Figueiredo, consagrado nacionalmente, integrou, em 2009, exposição de design no Museu de Arte Moderna de Nova York como símbolo da cultura material brasileira.
O nome surgiu porque o projeto usou uma máquina de prensa de vidro importada dos Estados Unidos.
Não entendo também porque certos bares e restaurantes “selecionam” seus clientes pelo tamanho da cerveja. “Só servimos long-neck”, avisa o garçom. Que charme! Cerveja de 600 ml deve ser coisa de pobre…
Tinha um velho muito pão-duro numa cidade interior baiano que sentava na mesa mais escanteada do bar e pedia uma cerveja. Detalhe: a cerveja natural, quente. Um dia, um cara se aproximou e perguntou:
“Por que o senhor só bebe cerveja quente?”
“Pra ninguém me pedir um copo”.
Leio que a cerveja surgiu na Mesopotâmia, há cerca de 6 mil anos, criada por povos antigos como os sumérios e os babilônios. Grãos molhados criaram uma papa que gerou uma bebida forte e nutriente.
Os monges nos mosteiros da Europa melhoraram a receita e começaram a usar o lúpulo para dar sabor e conservar melhor o líquido. Esses padres têm arte!
Para muitos, o gole do santo é sagrado. O famoso boêmio de um boteco no Rio pediu para ser cremado e que suas cinzas fossem enterradas num grande vaso de planta que havia na porta do bar. O pedido foi aceito e os amigos sempre despejavam alguns goles no vaso.
O velho jornalista e boêmio Walmir Palma recomendava: “Nunca emborque o copo nem deixe restinho de cerveja. Ou bebe ou joga fora”. Podia chamar coisa ruim.
Foi o maior “puta que pariu” que já ouvi. Depois da conta paga, o garçom levou o copo do meu amigo com o último gole de cerveja. Imperdoável.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
TEMOS QUE FAZER MUITO MAIS PELA NOSSA CULTURA DE CONQUISTA
Declarar as Quadrilhas Juninas como Patrimônio Cultural e Imaterial de Vitória da Conquista, bem como os Ternos de Reis não é o bastante. É um reconhecimento tardio, mas temos que fazer muito mais pela nossa cultural.
A Câmara Municipal de Vereadores está aprovando estas proposições, como instituir o “Dia Municipal dos Ternos de Reis”, o que é mais que justo para preservar nossas tradições que vieram de Portugal, da Península Ibérica e até da França e se incorporaram ao povo nordestino.
Ao longo dos anos, essas expressões culturais de grande valor foram, infelizmente, perdendo suas características em razão de vários fatores e um deles foi o progresso, sem excluir a negligência dos poderes públicos municipal, estadual e federal que têm a responsabilidade e o dever de apoiar e preservar nossa história cultural através, principalmente, da ajuda financeira.
As Quadrilhas Juninas que vieram das cortes francesas e fazem parte das festas de São João, foram se enfraquecendo porque muitas deixaram de passar dos pais para os filhos; os recursos públicos foram ficando escassos; e o próprio festejo junino sofreu fortes mudanças com a introdução de outros ritmos musicais, chamados de lixo, que nada têm a ver com o nosso autêntico forró, forrobodó “pé de serra”. São as conhecidas influências más.
As quadrilhas deveriam ser um dos principais destaques do São João. Elas agora são apresentadas em horários diferentes, muitas vezes na parte da tarde, justamente quando tem pouco público. As danças e as coreografias não são mais as mesmas, sem falar das indumentárias que mais parecem terem saídas das alas das escolas de samba.
Tudo isso vai se esvaindo no tempo e a tradição cultural sendo engolida por outras manifestações. Praticamente o mesmo ocorre com os Ternos de Reis, de cunho mais religioso do catolicismo, ligados ao nascimento do menino Jesus que recebeu em sua manjedoura os três reis do Oriente.
Muitos grupos de Ternos foram se acabando por falta do apoio logístico e financeiro das prefeituras que preferem pagar altos cachês a bandas e cantores do axé, do arrocha, da sofrência, do sertanejo e das lambadas. Os prefeitos alardeiam que faltam recursos para fortalecer essas entidades, o que não é verdade.
Aqui mesmo em Vitória da Conquista o nosso São João foi descaracterizado, onde a zabumba, a sanfona e o triângulo deram lugar à guitarra, à bateria, outros instrumentos barulhentos e aos rebolados das danças que nada têm a ver com o forró.
Sem nível de instrução, conhecimento e saber cultural, principalmente da parte dos jovens, o povo abraça essas mudanças “assassinas” e aplaude os gestores que estão sepultando nossas tradições culturais. No entendimento deles, essa prática dá votos eleitorais. Na ótica deles, que se lasque a cultura.
Portanto, senhores vereadores do legislativo de Conquista, não basta apenas declarar e reconhecer essas manifestações culturais como patrimônio material e imaterial do município. Tem que cobrar do poder executivo a revitalização dessas entidades e da cultura como um todo.
Para tanto, esta Casa, que se diz que é do povo, precisa realizar audiências e sessões especiais para debater as questões da nossa cultura; saber como ela está sendo assistida; exigir a abertura dos equipamentos culturais que há anos estão fechados; e cobrar agilidade na implantação do Plano Municipal de Cultura que se tornará lei e irá nortear as políticas do setor.
Os artistas em geral, a literatura, o teatro, as artes plásticas, o audiovisual e outras tantas linguagens, clamam por estas demandas e não aguentam mais ver a nossa cultura definhando num leito de uma UTI.
Precisamos juntar forças entre todos os movimentos culturais da cidade, sem ideologias políticas, vaidades e partidarismos, no sentido de fortalecer a nossa cultura, como em épocas passadas que geraram grandes nomes e deixaram seus legados para a posteridade.
“MUDOU DA ÁGUA PARA O VINHO”
Entre tantos outros, é mais uma expressão que me deixa intrigado, e esta em voga de que fulano “mudou da água para o vinho”, que vez ou outra ouvimos por aí, tem mais de dois mil anos e deixa várias interpretações, inclusive ambíguas e ambivalentes.
Gosto muito dos ditados populares dos tempos dos nossos avós ou ancestrais mais antigos. A maioria é verdadeira e sábia e outros nem tanto, como este que já citei aqui em meus comentários, de que “a voz do povo é a voz de Deus”.
Este eu considero um absurdo, se bem que muitos falam sem ao menos pensar e refletir. É uma condenação ao Supremo pelos malfeitos da humanidade. O povo vota errado nos candidatos corruptos, falsários e embusteiros, e Deus leva a culpa pela merda.
Mas, voltemos à questão do “você mudou da água para o vinho”. Segundo pesquisas e explicações dos entendidos no assunto, o ditado surgiu desde a época de Cristo nas Bodas de Canaã, quando faltou vinho na festa e Ele transformou a água na bebida. Esta passagem está no Evangelho de São João.
Até aí tudo bem. No entanto, fico a me perguntar se não deveria ser o contrário da pessoa ou a coisa mudar do vinho para a água, tendo em vista que o líquido precioso do qual não há vida sem ele, é mais importante que o vinho.
Mudar pode ser para melhor ou pior, mas, se for seguir o sentido lógico da água, de maior importância, a mudança não foi boa. Tem gente que quando se casa com uma determinada mulher ciumenta e mandona, o cara se afasta dos amigos, fica caseiro e até antipático. Pode-se também ocorrer o contrário no aspecto do gênero.
Quando acontece isso, costuma-se dizer que o companheiro, ou a companheira, mudou da água para o vinho. Ás vezes, o indivíduo é torto, farrista, não confiável e enrolado e fica sério de uma hora para outra ao se juntar a uma companhia de forte personalidade.
Nesse caso específico, ele mudou da água para o vinho, ou do vinho para a água? Não que a bebida dos deuses seja ruim (um bom papo, com uma boa música, num ambiente agradável), cai bem um vinho, mas a outra tem mais valor para a vida. Sem vinho se vive, enquanto que sem água, não.
Acho até que ficou confusa minha interpretação na maneira de diferenciar uma coisa da outra, entretanto, quando alguém pronuncia esse ditado milenar, deixa no ar o duplo sentido entre o bem e o mal, o bom e o mau.
Talvez esteja procurando cabelo em ovo, ou numa careca totalmente lisa. Deixando este termo mudar da água para o vinho de lado, aprecio os provérbios, melhor ainda os orientais, como o chinês “Enquanto se briga por um quarto de porco, perde-se um rebanho de carneiro”.
Também sou fã dos pensamentos dos grandes autores e filósofos como este de Umberto Eco, muito atual nos tempos de hoje quando disse que “justificar tragédias como “vontade divina” tira da gente a responsabilidade por nossas escolhas”.
Para quem é amante da poesia, Manoel de Barros escreveu que “quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas, é de poesia que estão falando”. Carlos Drummond de Andrade nos deixou essa pérola de que “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede”.
QUANDO FOGE A INSPIRAÇÃO…
– É, meu parceiro, nessa você estava inspirado! É muito comum se ouvir isso de outra pessoa, seja artista da música, compositor, escritor, ou não, sobre um texto iluminado, um poema bem feito e uma letra onde as palavras são tocantes e traduzem muito bem o tema proposto pelo autor.
Para o artista em geral, quando se está sem inspiração, a alma padece, dando lugar ao tormento e ao conflito. A lógica e a sequência da narração, da dissertação, do artigo, do comentário, da crônica, da poesia ou outro gênero qualquer, escasseiam.
Hoje mesmo escolhi tratar deste assunto tão complicado porque a senhora inspiração me abandonou pelas veredas tortuosas. Me sinto perdido numa caatinga espinhenta. Resolvi cutucá-la de vara curta, como se fosse um animal feroz, no caso específico, a onça no ditado popular. Não deveria tirar o sarro da cara dela!
– Tem dias e meses que não consigo escrever nada, nem fazer uma simples poesia. Deixa baixar a inspiração que faço a melodia da sua letra. Uma hora dessa ela vem. Quem já não escutou essas expressões de um músico, compositor ou poeta?
Tem dia, horas ou momentos em que a inspiração brota e borbulha como uma nascente de água cristalina que forma um rio caudaloso a correr até o mar. Em outras ocasiões é só sequidão, e não adianta tentar ou forçar a mente porque as ideias não fluem. Elas se perdem na poeira do deserto. Tudo fica embaralhado quando foge a inspiração.
Quando a danada não está ao seu lado, até o formão, a faca ou o instrumento do artesão escultor não dão o corte certo na peça. O pintor não acerta bem no brilho das tintas e o pincel não desliza suave na tela. O escritor perde o fio da meada; o enredo sai pior que o soneto; e o personagem termina ficando perdido no meio do caminho.
No entanto, quando se está com inspiração, dizem que alguma entidade ancestral do além baixou ou encarnou no autor da obra. Outros chegam a falar que o artista tem que ouvir Deus e o diabo para não perder a inspiração, a deusa do Olimpo. Só podia ser feminina. Quando ela não bate em sua porta, nem tente apelar para a musa amante.
Existe aquela história popular de que os velhos bluseiros para solar com perfeição a viola ou a guitarra tinham que fazer um pacto com o diabo na encruzilhada de uma meia noite escura. O imaginário se tornava real e verdadeiro quando o cara confirmava o acordo com o bicho satanás.
No campo da ciência, a explicação recai no cansaço psicológico, numa fase difícil em que a pessoa está vivendo, algum problema familiar ou até financeiro. São poucos os jogadores de futebol ou outro esporte que atuam bem em todas as partidas.
Isso ocorre em outras áreas também, como no jornalismo. Para os fumantes, quando uma matéria emperrava no papel (hoje é na tela do computador), a saída era acender um cigarro para relaxar o cérebro e fazer fluir as ideias. Ouvia muito isso na redação e até parecia funcionar. Chegava a pitar quase uma carteira naquele fumacê intoxicante.
Dizem que a maconha, ou outra droga, faz abrir novos horizontes. Tem quem afirme que o vinho é uma bebida inspiradora, que aproxima até o amor. Se é tudo psicológico, ou não, é outra questão, ponto de vista de cada um.
Melhor mesmo é parar com esse papo por aqui porque a tal da inspiração não gostou nada de eu inventar de escrever sobre ela. Como resposta à minha ousadia, ela fugiu para bem longe, sem me dar adeus, e nem me disse quando retorna para meu aconchego. Acho que foi um duelo ao pôr-do-sol, como no velho faroeste, onde ela foi mais rápida no gatilho.
O “SEXTOU” E O “SEGUNDOU”
Nos tempos modernos desumanos, nada civilizado, as pessoas passaram a cunhar a expressão “sextou” como forma de libertação de uma semana de trabalho, para cair na gandaia no sábado e domingo; praticar o lazer; passear com a família; ficar em casa de pernas para o ar; e, principalmente, ir para um bar tomar umas e outras com os amigos para jogar conversa fora.
Esse “sextou”, que se tornou verbo “conjugável” irregular significa relaxar, mas muitos profissionais não “sextam” e trabalham duro nos finais de semana em hospitais, na vigilância, indústrias, como motoristas de ônibus e outros setores. Quando estava na ativa como jornalista, “sextava” meia boca porque os fatos são imprevisíveis e demandam a cobertura jornalística.
É, meu amigo, este tal de “sextou” é bom para algumas categorias, mas, para outras é um tormento porque têm que dar duro e ficar vendo os outros curtirem. Imaginou ter que dar plantão no sábado e domingo? Tem “sextou” para aposentado? Diria que depende.
Tem o lado bom da vida, mas é no “sextou” que ocorrem mais acidentes de trânsito (nego se embriaga e sai por aí dirigindo), mortes em brigas nos botecos das cachaças em discussões fúteis, inclusive políticas e até aumenta a violência contra a mulher. É a partir do “sextou” que aumenta a criminalidade e a violência.
Até na Revolução Industrial não havia esse negócio de “sextou” porque o homem e a mulher trabalhavam todo dia. Eram escravos dos patrões. Davam um duro danado como burros de carga, na base da chibata. Coisa era na escravidão dos negros trazidos da África!
Graças a Marx e Engels, com o Manifesto Comunista (bate na boca para falar isso nos tempos atuais), as reformas trabalhistas foram ganhando espaço e o trabalhador foi tendo suas folgas. Agora já está em processo de andamento o fim da escala 6 x 1 para vigorar o 5 x 2, só que muitos vão continuar sem “sextar”.
A grande maioria fica alegre quando chega sexta-feira, mete o pé na jaca e esquece que tem o “segundou”. É o dia de se levantar da cama se arrastando, com preguiça, de cara amassada para retornar ao trabalho e de mau-humor para atender o cliente. Ninguém quer ouvir falar do “segundou”. Tem medo como o cão corre da cruz.
Coisa feia é nas repartições públicas onde padece o usuário. Se você tem algum problema para resolver num órgão público, melhor não ir no “segundou”! Deixa “terçar”, mas tem pepino que precisa ser cortado! É como cebola que faz arder os olhos com aspecto de choro! Todos vão aos troncos e barrancos, se bem que tem os reservados que ficam inteiros para a labuta.
Tem gente que não queria, de jeito nenhum, “segundar”, que fosse um dia de descanso para curar a ressaca, mas aí o cara ia cair na tentação e emendar o domingo com a segunda. Trabalhar é uma obrigação para sobreviver, mas o sujeito (a) entra na segunda já pensando no “sextar”.
Com o estudante acontece a mesma coisa. Estudar é uma necessidade para se evoluir, crescer na vida, ganhar dinheiro e ficar rico (muitos não chegam lá), mas o estudante quando entra na escola fica contando os dias para chegar as férias e faz até trapaça com os pais para furar uma aula. No primeiro de janeiro, a maioria olha logo no calendário os dias de feriados e feriadões.
Todo mundo mesmo quer é ficar na “valsa”, no ócio, sem fazer nada, mas a vida é uma batalha que só para na morte. Tem pensador por aí que defende o ócio como filosofia de vida, mas a pessoa iria cair no vazio e a alma não aguentaria por muito tempo.
Tem o aposentado inativo que fica o dia todo numa esquina jogando dominó, assistindo televisão ou no celular nas redes sociais vendo besteiróis. Para os atuantes que procuram preencher o tempo, ainda tem o “sextou” e o “segundou”.
REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA
Numa sessão itinerante realizada no espaço de eventos da Igreja Rainha da Paz, às 19 horas, no Bairro Patagônia, nesta última sexta-feira (dia 07/08/2026), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram diversos projetos, tendo como pauta principal a reforma do Regimento Interno da Câmara, de autoria da Mesa Diretora, apreciado em primeira votação, com emendas apresentadas pela Comissão de Legislação de Justiça.
Outro projeto em destaque foi o selo Empresa Amiga da Juventude, de autoria do parlamentar Hermínio de Oliveira, que cria uma certificação para empresas que contribuem para a inserção de jovens no mercado de trabalho de Conquista.
Do vereador Edivaldo Ferreira, foi apreciada a criação do Parque Multissensorial para criança com TEA. Propõe a implantação de um parque adaptado para crianças com Transtorno de Espectro Autista.
O projeto da vereadora Márcia Viviane pretende criar o Dia Municipal de Luto e Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio. O projeto entra em primeira votação. Também de autoria da vereadora, entrou em discussão a prioridade em processos administrativos para vítimas de violência doméstica. A ideia é estabelecer tramitação prioritária para processos municipais em que figure como parte interessada pessoas com violência doméstica familiar.
Durante a sessão ordinária foram apresentados requerimentos, moções de aplausos e 24 indicações feitas pelos vereadores, relacionados a demandas de infraestrutura, saúde, mobilidade urbana, educação zona rural e serviços públicos. A sessão contou com grande presença dos moradores do Bairro da Patagônia e adjacências.
ISSO É COISA DE VELHO
- (Chico Ribeiro Neto)Velho aprende a perdoar.
Esconde feridas
E descobre armadilhas.Aprende a falar manso
Sabe o valor do descanso
E a vida é um remanso.Velho aprende o detalhe:
A mosca no pão
A formiga no arroz
E o que vem depois.Velho sabe em silêncio
Murmura poesia.
Pra que tanta agonia?
O velho não olha, espia.(O escritor Albert Camus disse que “o pior de ser velho é não ser ouvido”).
Velho é chato
Com pequenas coisas que somem:
O parafuso do sofá
O botão do liquidificador
A tesourinha e o coador.
Sumiu um pé de meia:
Velho não xinga, aperreia.Não mexa no guarda-roupa do velho. Tá desarrumado, mas ele sabe onde está cada peça.
Quando viaja, o velho reclama
Sente saudade da sua cama.
Velho dorme depois do Jornal Nacional.Velho é o mundo. Eu tô aqui é passando tempo.
Velho é ranzinza.
Às vezes, terno.
Velho devia ser eterno.
A FRAUDE DAS ELEIÇÕES NÃO ESTÁ NAS URNAS E SIM NOS CANDIDATOS
Nos últimos anos a oposição e alguns contestadores de plantão têm apontado que as urnas eletrônicas brasileiras são passíveis de fraudes. No entanto, entendo que a fraude está nos próprios candidatos, muitos dos quais falsários, investigados por corrupção, embusteiros e não pagadores de promessas que enganam os incautos eleitores.
A fraude está mais no próprio sistema eleitoral que por natureza favorece os mais fortes e astutos que usam as brechas para se eleger. A fraude está no conjunto das fake news, nos políticos mentirosos, nos engomadinhos engravatados maquiados de defensores do povo e agora nas montagens da IA – Inteligência Artificial.
A urna eletrônica no Brasil foi criada há 30 anos, automatizada por uma empresa brasileira, a Omnitech Serviços em Tecnologia e Marketing, introduzida nas eleições municipais de 1996. O primeiro presidente eleito eletronicamente foi Fernando Henrique Cardoso.
As gerações de meia idade lembram muito bem daquelas urnas analógicas ou de papel onde os votos eram introduzidos numa caixa de madeira e até de papelão frágil. Meu primeiro voto, se não me engano, foi em 1966 durante o início do regime militar, no município de Amargosa, quando fui escolhido para ser mesário na brenha de um povoado.
Após encerrada a votação (as eleições eram municipais e para deputados), os mesários retornaram à noite no breu de uma estrada de chão, acompanhados de um ou dois soldados, com um medo danado de sofrer um assalto de algum candidato insatisfeito interessado em reverter os resultados do pleito.
Bem antes disso, na Velha República, as fraudes eleitorais eram generalizadas pelos “coronéis” do sertão, fazendeiros poderosos e pelos chefes políticos valentões que não hesitavam em matar seus adversários para se manter no poder. Muitos votos eram anulados, urnas extraviadas e até queimadas.
Uma eleição ganha num município valia uma patente de “coronel”, que poderia deixar de ser se perdesse. O voto de cabresto (ainda existe até hoje num esquema mais sofisticado) era disputado na base da bala, da tocaia para eliminar o chamado “inimigo”.
O “coronel”, ou candidato, sabia o voto de cada agregado seu que trabalhava para ele. Cada urna era marcada e se sabia quem votou contra ou a favor. O “traidor” era surrado e até pagava com a pena de morte.
Com o passar do tempo, ainda em plena ditadura militar, o esquema modernizou-se um pouco, mas os métodos eram parecidos. Permanecia o medo de se votar contra o prometido e ser descoberto pelo candidato, os cabos eleitorais e os coordenadores da campanha.
Confesso que votava naquele que meu pai indicasse, com receio de que ele viesse a saber depois que votei em outro que não era seu coligado. Esse medo no subconsciente sempre perseguiu o eleitor até hoje como resquício da votação no papel.
As urnas antigas nos deixaram aquele saudosismo do eleitor revoltado contra o sistema e o regime de opressão, que escrevia nas cédulas sua opção por algum personagem folclórico da cidade, no jumento do seu Zé da Carroça ou expressava sua rebeldia com “abaixo a ditadura”, dentre outros recados ousados aos políticos.
Hoje não dá mais para se fazer isso com a urna eletrônica que o Tribunal Superior Eleitoral garante que é segura, mas a fraude está mesmo na maioria dos candidatos eleitos que usam o dinheiro e se aproveitam da concorrência desleal que o sistema oferece para quem tem mais recursos e a máquina do poder na mão.
RETORNO DAS SESSÕES DA CÂMARA
Depois do recesso de meio de ano, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista retorna, nesta quarta-feira (dia 05/08), a partir das 9 horas, aos trabalhos das sessões ordinárias no Plenário da Vereadora Carmem Lúcia, com a discussão de vários projetos de interesse da população.
Dentre outros, os parlamentares vão apreciar o projeto que prevê a aplicação de penalidades para o descarte irregular de entulhos, resíduos e lixo; o que garante assistência religiosa aos pacientes internados em hospitais públicos e privados; bem como a proibição à comercialização e administração de medicamentos e vacinas anticoncepcionais para cães e gatos sem prescrição médico-veterinária.
Quanto ao descarte irregular de lixo, principalmente em terrenos vazios e abandonados, esta é a prática mais comum em Vitória da Conquista, que deixa uma péssima imagem para a terceira maior cidade da Bahia, chamada por muitos de a “Suíça Baiana”. Além de causar danos ao meio-ambiente, representa sérios riscos à saúde pública.
Mesmo proibido por lei municipal e federal, com punições de multas e até penalidades criminais, as pessoas continuam transformando locais públicos e privados em lixeiras por falta de uma fiscalização mais rígida por parte do poder público.
O cenário é mais grave nas periferias da cidade em terrenos de particulares que não são cercados como deveriam ser conforme já determina a legislação municipal em seu Plano Diretor. Muita gente joga não apenas plásticos em locais proibidos, como móveis, colchões, pneus e outros objetos usados e ainda toca fogo em monturos.
Esses locais são verdadeiras fontes para a proliferação do mosquito da dengue, sem contar o surgimento de insetos, ratos e até cobras que terminam invadindo residências próximas a estes lixões. Dia desse chegaram a jogar entulhos até na Lagoa das Bateias.
O projeto que prevê a aplicação de penalidades nesses casos já existe em lei, só que os poluidores do meio-ambiente não são punidos como deveriam ser. Trata-se de mais uma “lei morta” porque a Prefeitura Municipal tem também a sua parcela de culpa por falta de fiscais para punir os infratores, inclusive os proprietários de terrenos que não muram seus imóveis.
Além desses projetos de importância para a comunidade, os vereadores voltam a se reunir todas as quartas e sextas-feiras, a partir das 9 horas, com apresentação de indicações, requerimentos, moções de aplausos, notas de pesares, sessões especiais e outras atividades relativas às demandas do município.
AS ELEIÇÕES DA IA E OS GOLPISTAS
Nem ainda foi dada a partida para a campanha eleitoral nas mídias e começaram a aparecer postagens da IA (Inteligência Artificial) nas redes sociais, caso da convenção do Flávio Bolsonaro onde aparece o pai falando. Tudo indica que esta vai ser a eleição da IA, como foi a do Facebook e do Twitter no passado.
Os chamados “influenciadores” e os operadores de redes vão nos encher de IA, e aí vai ficar difícil distinguir o que é verdadeiro do falso. O Tribunal Superior Eleitoral com seus núcleos regionais sempre diz que vai monitorar e punir os falsários, mas sabemos que isso é conversa para boi dormir.
O mundo da internet é vasto, numa terra ainda praticamente de ninguém. No máximo fazem alguma filtragem e pega alguns bodes expiatórios para mostrar, como exemplo, que seus técnicos estão atentos. É a mesma coisa do tráfico de drogas. Quando os policiais prendem uma tonelada, mais dez mil já passaram.
Nesse sistema eleitoral arcaico e coronelista, conta quem tem mais bala na agulha, ou seja, dinheiro e máquina governamental para atrair o eleitor, a grande maioria inculta e que ainda vota por favores, sem contar a ideologia da fé religiosa de Deus, Pátria, Família e Tradição. Os nossos jovens de 16 anos estão nesse cardápio.
Depois do advento da internet, principalmente, a eleição brasileira está muito ligada com os golpistas das bandidagens que sempre estão inventando um meio de enganar e ludibriar as pessoas. Essa gente nos passa a impressão que trabalha 24 horas por dia, fazendo a troca de plantões.
A grande maioria dos candidatos pode ser comparada com os golpistas. A partir de agosto até outubro suas redes socais vão estar inundadas de fake news, de informações falsas, e os eleitores começam a brigar entre si, cada um defendendo a sua mentira.
Na verdade, as fraudes não estão propriamente nas urnas, mas no que os candidatos falam uns dos outros, sem programas sérios de trabalho, mas com aqueles pacotes de promessas falsas e embalagens atrativas. O ódio e a intolerância vão aumentar, bem como os mesmos que estão aí no Congresso Nacional. A tendência é engrossar as fileiras dos fundamentalistas e dos extremistas.
São oito países na lista da direita na América do Sul e o Brasil pode ser o nono com o dedo do Trump que saiu das profundezas dos infernos para atanazar o planeta, cujos mandatários vão aceitando suas intervenções, como aconteceu com Hitler a partir de 1933. Agora ele está matando o povo cubano de fome e deixando a ilha às escuras.
Agora com a IA não mão, como ferramenta de sedução, num campo vazado sem o esclarecimento e a consciência política, esta vai ser a eleição dos golpistas. Não vejo nenhum “cientista político” falar neste tipo de fraude. O vilão é sempre a urna que recebe os votos a favor dos golpistas,










