agosto 2022
D S T Q Q S S
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

:: ‘Notícias’

ELAS ESTÃO CHEGANDO COM O AÇOITE DOS FORTES E A ILUSÃO DOS FRACOS

De quatro em quatro anos, aliás de dois em dois, eles fazem “mudanças” ou remendos em seu sistema oligárquico oligopolista para que as coisas continuem no seu mesmo lugar. Elas estão chegando como sempre, antes de serem oficializadas por lei, com o açoite do reio cru no lombo dos mais fracos, que se rendem ao canto da sereia, na vã ilusão de melhores dias para se libertar do jugo da opressão.

Claro que estou me referindo às ditas cujas eleições onde os candidatos transgressores das normas já estão em plena campanha, com xingamentos, ódios, bravatas, mentiras, truques, intolerância e até ameaças de golpe, para que elas não aconteçam. Como um vício incurável, os dependentes “químicos” entram de cabeça na onda deles e se dividem na disputa para ver quem escolhe o pior, o mais ladrão, o mais corrupto, impuro e falsário.

Todo bruto esquema é montado com antecedência, e grupos se formam com os bilhões de reais de suas próprias presas para vencer a maratona do poder. Nesse ciclo nojento, infestado de sujeiras, o caçador sempre vence a caça, que é levada para seu altar dos sacrifícios humanos, em rituais dos mais macabros. Tudo não passa de um banquete masoquista onde irmãos odeiam irmãos e até famílias se separam.

Elas têm o nome chamadas urnas “democratas” ao molde tupiniquim, ultrapassado e arcaico onde se apertam os números dos votos que sempre elegem os mesmos cafajestes, porque tudo já é montado e estruturado para que não haja muitas renovações. Manda quem tem mais bala na agulha. As vítimas incultas e ignorantes são facilmente fisgadas e caem direitinho nas manjadas armadilhas ou alçapões da morte.

Depois, é só se fartar da gorda caçada com muitas orgias, comes, bebes e arrotos em suas mansões, longe das ralés desiguais sociais e famintas das degradantes periferias dos esgotos a céu aberto. A quem interessa toda essa campanha maciça para que os meninos manipuláveis de 16 a 18 anos vá ao encontro delas e votem?

Todos aqueles que se consideram inimigos na disputa se tornam castas amigas da mesma irmandade “religiosa”, cada um em nome do seu Deus, com tapinhas nas costas. Concluída a farsa, é só partir para o abraço e conchavos nos momentos certos, para cortar gargantas e decepar as pobres cabeças.

NAS CILADAS DA LUA CHEIA

Há cerca de uns três anos fiz uns versos intitulados “Nas Ciladas da Lua Cheia”, musicada pelo grande compositor e músico Papalo Monteiro que, no sentido figurado fala dos lobos que ficam moucos nessa época das eleições, no Planalto prateado do céu tropical, onde os bandos fazem sua ceia, vinda do arado suado do braço serviçal.

Prossigo falando sobre as hienas que viram renas na lua cheia, para a engorda gulosa do grande dia, enchendo seus trenós em cada aldeia, para mais quatro anos de mordomia.

Os ratos armam ciladas na lua cheia; os malignos vendem gatos por lebre; a mente fraca se encanta com o canto da sereia; e quem paga o pato é a plebe. Depois dessa festa, a chama da fé começa a minguar; o fio da esperança vai-se embora; chora o velho, a senhora e a criança, na falta da justiça, do remédio e do pão, e do direito de viver e sonhar de nunca mais ser boiada de patrão.

Arremato no final, dizendo que, no aboio ou no rasgo da guitarra, vamos embora gente valente. Não fiquei aí na espera do Deus dará. Vamos acabar de vez com a farra dessa corja bicharada em nosso lar, sem mais raposas uivando em nosso luar.

 

 

REUNIÃO DO CONSELHO VAI DISCUTIR PLANO MUNICIPAL PARA A CULTURA

Nesta segunda-feira (dia 02/05), na sede da Casa Regis Pacheco, o Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista vai debater diversos temas do setor, com destaque para a elaboração do tão desejado Plano Municipal de Cultura e uma data para sua Conferência Pública, possivelmente no mês de julho próximo.

O encontro mensal está marcado para 18 horas e 30 minutos, e na abertura dos trabalhos vão falar o compositor e músico Carlos Moreno, que irá fazer um panorama geral sobre os artistas da música em Conquista e suas carências. Logo após teremos uma conversa com o membro do Condica (Conselho da Criança), Joabe da Silva, que fará uma explanação sobre como captar recursos para o Fundo Cultural.

Na pauta ainda vamos discutir a situação dos equipamentos culturais na cidade, suas reformas, como a do Teatro Carlos Jheová, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha. Nessa mesma linha, o colegiado deverá recomendar e propor ao poder executivo iniciativas de proteção do nosso patrimônio público arquitetônico.

Por fim, o Conselho vai entrar na discussão do Plano Municipal de Cultura que irá criar as diretrizes para as políticas públicas do município. Entre outros assuntos, os membros do Conselho vão travar um debate quanto ao corte de R$2 milhões da Prefeitura Municipal na Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer.

A tendência é que nessa reunião saia uma nota de contestação sobre o corte na cultura, que já é uma área por demais sacrificada em termos de verbas. Os artistas conquistenses reagiram contra esse corte de recursos que poderiam ter sido investidos em edital e até mesmo na reforma do Teatro Carlos Jheová que está interditado há mais de um ano devido a desgastes em suas instalações.

EXPOSIÇÃO MOSTRA A HISTÓRIA DA CAFEICULTURA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Exuberância de cores e realismo em dimensões variadas impressionam o visitante quando penetra na “Exposição Café com Arte”, da premiada artista plástica Valéria Vidigal, no Shopping Boulevard, que poderá ser apreciada até o dia 8 de maio.

A perfeição de suas telas dá vida, não somente à lavoura em questão, mas também às pessoas que nela labutam desde o plantio, a colheita de seus grãos (conhecidos como ouro verde ou vermelho) até à preciosa bebida chegar ao consumidor, que não pode passar sem um cafezinho para esquentar seu corpo e seu espírito, principalmente pela manhã.

Não sou crítico de arte, mas pude perceber e observar que a cada quadro que faz, a artista se supera em seus trabalhos, especialmente quando são voltados para a cafeicultura, seu principal tema que abraçou com toda dedicação em seus anos de carreira.

Como jornalista, conheci Valéria praticamente quando aqui cheguei em Vitória da Conquista nos anos 90 para gerenciar a Sucursal do jornal A Tarde, e tive o prazer de fazer algumas matérias com ela, ali na Galeria do Itatiaia, onde possuía um atelier e realizava cursos de pinturas para os interessados desejosos em ingressar nessa arte poética de fotografar coisas e objetos através dos pinceis.

Mesmo sendo suas origens de Minas Gerais, pode-se dizer que Valéria Vidigal já faz parte da própria história do café do Planalto de Vitória da Conquista, cuja cultura foi aqui introduzida nos anos 70, portanto, há cerca de 50 anos.

Suas obras modernistas e cheias de detalhes fantásticos levam as pessoas a entrar nelas como se estivessem numa própria fazenda de café, porque se sentem bem próximas da realidade. É uma artista que, além de conhecer muito bem os meandros da lavoura, faz as cores brotarem dentro da sua alma, numa rara perfeição.

Apesar do tema ser único, seus quadros não se repetem, e cada um nasce com mais força que o outro, o que desperta a atenção do visitante. É uma mostra de pura arte que enaltece a cafeicultura brasileira, conhecida internacionalmente pela sua produção e qualidade.

Da Etiópia para o Brasil, para a Bahia e para Conquista até chegar às mãos da artista Valéria que, com a habilidade das tintas fez do café um produto ainda mais admirado. Como ninguém, ela soube eternizar a história dessa planta, que representou um dos ciclos econômicos mais importantes no final do Brasil colonial, permanecendo até hoje como maior produtor e exportador mundial de seus grãos.

O SERTÃO É ÚNICO

28 DE ABRIL É DIA COMEMORATIVO DA CAATINGA

Para os bandeirantes paulistas sanguinários, como Domingos Jorge Velho, irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros, Paschoal Moreira Cabral Leme, sertão era penetrar naquelas brenhas para se aventurar na guerra contra os índios, massacrá-los e escravizá-los, bem como descobrir ouro no continente. Para alguns escritores, como Guimarães Rosa, o sertão é diverso, imenso e está dentro de cada um. Graciliano Ramos descrevia em seus romances o árido seco, a penúria, o sofrimento e o social inexistente.

Fico mais com o escritor alagoano, de Palmeira dos Índios. Na minha concepção, o sertão é único, só existe um, aquele estorricado, rachado, pedregulhento, do mandacaru, do cacto, da catingueira, do xinque-xique, do juazeiro, da espinheira, do umbu, da lagartixa e do calango correndo nas folhas secas e nos lajedos. É a vegetação dos engaços e bagaços durante as estiagens. Em meu sertão, não existiu a corrida, nem a febre do ouro e do diamante.

Sertão para mim é essa caatinga cinzenta do sol escaldante fervente, do canto da cauã na beira da cacimba, do carcará e do gavião, da asa branca, da patativa, da rolinha, do pássaro preto e do sofrer. É a terra que se renova e brota rápido em cores diversas entre o verde quando batem forte os trovões nas chuvaradas do verão. É dos profetas da chuva. O restante é mata, pantanal, cerrado ou pampa.

O sertão é poesia da fome ou da abundância de gente simples e humilde labutando no agreste no plantio da abóbora, do feijão, do milho e do andu, com fé me esperança, para vencer as intempéries do tempo, e quase sempre não desiste. É aquele solo geológico descrito por Euclides da Cunha, não o de Jorge Amado do cacau ou do litoral. Sertão, infelizmente, rima com sequidão.

Para mim, sertão só existe um, dos guerreiros, dos penitentes Conselheiros, das rezadeiras, do canto da batida do feijão, das cantorias dos adjutórios, dos cangaceiros de Lampião e da Coluna Prestes torando espinhos para se livrar das volantes. É dos retirantes pau-de-arara se arrastando nas estradas poeirentas em direção ao sul paulista, fugindo dos horrores da seca. É o sertão de Patativa do Assaré, de Luiz Gonzaga, Zé Dantas e Humberto Teixeira.

Sertão é mistério e tem uma cultura específica do caboclo boiadeiro no aboio do vaqueiro, do repentista nato, do sotaque matuto catingueiro, do homem e da mulher cismados. É um chão único inconfundível dos hábitos e frutos diferentes da mata. É onde a terra começa a virar sal e deserto porque os governantes lá de cima só fizeram promessas de melhorias e convivência com a seca. É ainda onde corre o carro-pipa no cascalho, para matar a sede do sertanejo e dos bichos.

Sertão é cheiro de bode e cabra, do gadinho mirrado e do pôr-do-sol bem vermelho corado entre os galhos secos no horizonte infinito, É no sertão onde ainda vive o que restou do jumento, conhecido como jegue, símbolo do Nordeste semiárido, que está sendo dizimado nos currais das matanças para virar carne e pele para os chineses.

O meu sertão não é todo interior por aí. Ele tem um espírito único, um olhar melancólico cheio de histórias e lendas de heróis e carrascos coronéis. É sinônimo de caatinga. Não é Chapada Diamantina. Não tem capim exuberante. Tem ramagem rala e rara onde não frequenta a capivara.  Foi lá onde nasci de parteira e respirei o primeiro ar diferente de outro lugar. Foi onde meus pais me criaram e me ensinaram a ganhar o mundo.

 

“GRAÇA” PARA BANDIDO VIROU DEFESA DE “LIBERDADE” NO BRASIL

Não tem muito o que comentar sobre o assunto da “graça” ou do indulto dado pelo capitão-presidente Bozó ao deputado bombado bandido Daniel Silveira, mas minha indignação como cidadão me obriga a fazer meu desabafo, o meu grito de revolta, sob pena de omissão, o pior pecado do ser humano.

Pelo andar da carruagem, estamos caminhando para um golpe militar porque, infelizmente, as forças armadas, que debocham das torturas cometidas durante a ditadura civil-militar, se renderam às benesses oferecidas pelo capitão, e abandonaram de vez seu papel na ordem constitucional brasileira. O poder e o luxo subornaram os quarteis dos viagras e das próteses, dos bacalhaus e dos files mignons. Que se dane a pátria e seu povo!

Como disse na abertura, não se tem muito o que falar porque tudo está claro nessa intentona antidemocrática, mas temos que reagir antes que nossos lares sejam invadidos pelos bárbaros que estão chegando de motociatas. O capitão fala de ato histórico de “liberdade” na data da invasão de Cabral e seus degredados em terras brasis, e os idiotas acreditam nesse sofismo.

“Liberdade” é atacar a democracia para implantar uma intervenção militar; ameaçar de morte ministros do Supremo Federal e fechar a instituição; acabar com o Congresso Nacional; e baixar o cacete em estádios de futebol? Onde está a “liberdade” do capitão quando tentou censurar a mídia e prender quem criticasse ou levantasse uma bandeira contra sua pessoa de presidente?

“Liberdade” é fazer desfile de tanques pela Praça dos Três Poderes, enquanto parlamentares rejeitavam proposta de retorno ao voto impresso? É exonerar comandantes alinhados com o comportamento exemplar esperado de um oficial? Tudo isso sinaliza a violência de um golpe. O conceito de liberdade dele é unilateral. Criticar e agredir os adversários pode, opor-se a ele, não.

O que nos deixa envergonhados é que milhões de imbecis fanáticos e cegos defendem essa esdruxula “liberdade” dele, e nem imaginam que se houver um golpe militar eles serão os primeiros a serem condenados, se lá na frente praticarem qualquer ato de oposição contra o próprio regime hoje proposto pelo capitão. A impressão que se tem é que o brasileiro é suicida, que não consegue aprender com os erros do passado recente.

A única explicação e razão disso tudo estar acontecendo tão depressa em nosso país está nos próprios políticos gafanhotos que sempre acharam que fazer uma nação de ignorantes, analfabetos e incultos era bom para eles se manterem no poder das mordomias e das ladroagens. Agora, os que hoje se opõem e começam a enxergar o abismo em que nos meteram, estão experimentando do próprio veneno por terem criado dragões e monstros.

A esquerda mambembe tupiniquim que fez pactos com o satanás e belzebu agora patina e está perdida nesse labirinto, e não vejo nenhum Teseu para exterminar o monstro. Os fantasmas, com a voz que ganharam do seu exterminador, saíram de suas tumbas dispostos a acabar de vez com a liberdade, o meio ambiente, a cultura, os povos indígenas e armar o povo para uma guerra.

O voto poderia ser uma saída, mas este também está contaminado, viciado e podre pelo sistema que lá atrás esses mesmos políticos instituíram. Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido. Está mais que comprovado que as eleições, do jeito que foram estruturadas, não são instrumentos de mudanças, e não vão ser. No entanto, apelar para uma ditadura não é a salvação, nem a opção correta.

Acontece que é justamente isso que os seguidores malucos dos motoqueiros, dos milicianos, dos fanáticos da bíblia e vendilhões dos templos, dos inimigos da democracia, dos retrógrados terraplanistas, dos garimpeiros da Amazônia, dos defensores das armas, dos homofóbicos, dos racistas e dos misóginos estão querendo. Hoje já somos vistos lá foram como bárbaros.

LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA QUE AINDA ACONTECEM NO PRESENTE

Existem fatos que marcam para sempre a infância de uma criança, e outros desaparecem da mente, coisas que os psicanalistas Freud e Lacan explicam a partir de estudos do subconsciente que guarda a sete chaves os medos e os fantasmas humanos.

Pois é, quando ainda criança, talvez uns quatro ou cinco anos, na cidade de Monte Alegre, hoje Mairí, no sertão da Bahia, nunca me esqueço de um missionário, se não me engano da ordem dos capuchinhos, por causa da cor marrom da batina, que vociferava palavras de “terror” contra os fiéis “pecadores”.

Do púlpito nas escadarias da igreja, em frente da praça, ele descrevia ou berrava, com todas as forças de seus pulmões, o fogo do inferno como se ele estivesse saído de lá naquele exato momento. O frade falava das caldeiras e tachos ferventes dos diabos que espetavam as almas pecadoras. Dava para se ouvir os gemidos e o ranger de dentes.

As cenas eram horríveis, ao ponto de terem me deixado traumatizado por muitos e muitos anos, tanto que ainda recordo delas até hoje. Mesmo com minha pobre inocência de menino, sentia um temor nos rostos dos meus pais e de toda aquela gente, num silêncio sepulcral que dava para escutar o voar de um mosquito.

Se não me engano, era festa da padroeira ou do padroeiro do município, e o pároco tinha o costume de convidar uns missionários bem brabos para os sermões das novenas noturnas. Sem dúvida, esse era de encomenda no quesito transcrição do inferno, que convertia qualquer pecador, por mais maligno que fosse.

Depois da pregação de horrores que fazia tremer as carnes, lembro que enormes filas se formaram dentro da Igreja para as confissões. Com aquele inferno pior do que o de Dante, quem se atreveria ficar em “pecado”? Todos ali deviam ter o mesmo pensamento: Vá que eu morra e vou parar no inferno. A salvação era confessar e não mais pecar, mas a carne é sempre fraca.

Não deveria estar escrevendo este texto tão macabro, mas é que 70 anos depois observo ainda hoje situações similares àqueles tempos. Não mais por parte da Igreja Católica, se bem que ainda acontece, mas de certos pastores evangélicos fanáticos e intolerantes que aterrorizam suas comunidades com as figuras de satanás, muitas vezes com objetivo para que todos contribuam com o dízimo.

Não existem mais aquelas missões de antigamente, mas as crenças de purgatório, céu e inferno, sim. Os mais radicais ainda acreditam que somente sua religião salva, e tenho testemunhos sobre isso. Outros saem por aí apedrejando terreiros de candomblé, dizendo que é coisa do diabo.

Até hoje ainda ocorrem as guerras e as matanças de cunho religioso, um sinal de que a humanidade pouco evoluiu e está longe de alcançar a civilização desejada.  O mal e o bem estão sempre se cruzando, e cada um traz no seu íntimo o seu conceito de verdade absoluta, o que não é verdade.

 

OS GENERAIS DEBOCHAM ENQUANTO SE LAMENTA PELO LEITE DERRAMADO

Por que os generais debocham quando aparecem novas denúncias de torturas durante a ditadura civil-militar de 1964? A resposta é porque os torturadores não foram punidos quando terminou o regime e começou a redemocratização com os governos civis, como ocorreu na Argentina, no Chile e no Uruguai.

As feridas ficaram abertas com a anistia de 1979, e não adianta ficar aí agora lamentando pelo leite derramado, com falas de historiadores, das vítimas e especialistas no assunto. Além de debochar, com a maior cara de pau, eles estão agora no governo do capitão-presidente tentando desconstruir a história, até negando de que não houve ditadura no Brasil.

De certa forma, o vice-presidente, general Hamilton Mourão tem razão quando diz que, “apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo (…) A mesma coisa que a gente voltar para a ditadura de Getúlio Vargas. São assuntos já escritos em livros, debatidos intensamente”.

O presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Luis Carlos Gomes Matos “esnobou” os áudios da ditadura, dizendo que “não atrapalharam a páscoa de ninguém”. Enquanto isso, eles compram 35 mil comprimidos de viagra superfaturados e próteses penianas para o exército, além de bacalhaus e outros artigos de luxo num país de 50 milhões de subnutridos.

Pois é, recentemente, com 93 anos, se foi o general Newton Cruz, chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações, entre 1977 e 1983. Em 2014, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Cruz por participação no atentado a bomba no Riocentro, em 1981. Meses depois a Justiça Federal concedeu habeas corpus aos cinco militares e um delegado envolvidos.

No mesmo ano, o general foi apontado pela Comissão da Verdade, que ficou no papel, como um dos 377 militares que cometeram crimes durante a ditadura. Antes de morrer, em 1982, o jornalista Alexandre von Baumgarten deixou um dossiê no qual acusava integrantes do SNI de planejar sua morte, e apontava o general Cruz como autor da sentença. Todos foram absolvidos.

A ação no Riocentro foi planejada por seis acusados integrantes da linha dura do regime, para causar pânico em um show pelo Dia do Trabalho que reuniu cerca de 20 mil pessoas. Ocorreu que a trama deu errada, e uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme do Rosário, que morreu no local.

Muitos outros, como o general Newton Cruz e o maior torturador coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do Doi-Codi do II Exército entre 1970 a 1974 (um dos órgãos da repressão política), já se foram sem terem sofrido nenhuma punição. Com base no código da anistia, o próprio Supremo Tribunal Federal absolveu os torturadores.

Os governos ditos de esquerda do PT, nos períodos de Lula e Dilma, não chegaram a empreender qualquer esforço no sentido de punir os torturadores. Em algumas ações, como na Comissão da Verdade, eles foram rechaçados e até ameaçados com pronunciamentos duros. Todos se calaram, e alguns até disseram tratar da questão seria revanchismo e ameaça à democracia.

O Brasil foi covarde e o único país da América do Sul onde essas feridas da ditadura ficaram abertas. Boa parte dos documentos foram queimados e destruídos. Na época, de 1964 a 1990, cerca de 500 presos políticos foram mortos e desaparecidos. O maior massacre aconteceu na Guerrilha do Araguaia. Está aí a explicação mais plausível do deboche quando são revelados episódios de torturas durante o regime militar.

UMA ESTRELA “REVOLUCIONÁRIA” QUE SE RENDEU AO CAPITALISMO

Ainda nas asas do discurso da teologia da libertação da Igreja Católica, nascia na década de 1980 um partido com uma estrela “revolucionária” no peito, mas logo ela foi se desbotando quando se rendeu ao deslumbre das escamas douradas do neoliberalismo capitalista de mercado.

Sua linguagem de mudanças atraia multidões na voz rouca bluseira de um nordestino pau-de-arara, trazendo uma “boa nova” para os pobres e todos aqueles que ficaram largados nessa estrada da justiça e da igualdade social. Por diversas vezes, tentou chegar ao poder, mas foi repelido pelo brutal sistema dono do senhor capital.

Essa estrela, então, resolveu misturar a sua cor com outras diversas, muitas das quais carraspentas e manchadas pela ganância do sempre ter mais, mesmo que sejam por vias inescrupulosas. Para galgar o Planalto teve que fazer o pacto com o diabo, ou aliás, com vários diabos que passaram anos treinando praticar as piores maldades contra o povo na escola do inferno.

Mil maravilhas e muita empolgação na junção de bandeiras diferentes a tremular pelas esquinas, praças, ruas e avenidas deste gigante varonil adormecido. De braços dados com a burguesia, logo o medo se dissipou para dar lugar à esperança e à fé de que logo se chegaria à terra prometida. Nem se questionou que aqueles acompanhantes não passavam de malfeitores.

Para os mais sensatos e analistas do sistema imoral apodrecido, aquele cruzamento com animais diferentes deformados não iria dar certo, e dali poderia gerar um dragão devastador e centenas de outros monstros. Não deu outra, e a estrela, que logo deixou de ser “revolucionária”, foi expelida do ventre de seus “companheiros” cafajestes.

Ao perceber que essa estrela estava se desviando de rota, dos seus princípios fundamentais humanistas e sendo conduzida por uma cambada oligarca de canalhas corruptos, onde os meios justificavam os fins, muitos caíram fora porque as bases foram desprezadas em detrimento de uma governabilidade sem escrúpulos.

As principais lideranças dessa estrela do PT foram os primeiros a se lambuzar na sujeira dos mais espertos que nunca aceitaram distribuir renda para os mais necessitados, e isso é histórico na dialética da humanidade. A elite burguesa sempre foi retrógrada nesse sentido por pensar somente em seus interesses de enriquecimento próprio, inclusive roubando, e não no desenvolvimento da nação como um todo, não sabendo ela que mais igualdade social significa mais crescimento econômico e mais lucros para todos.

A história nos mostra que todas as vezes que a esquerda fez alianças com a burguesia. Como Carlos Prestes com Getúlio Vargas, terminou sendo expurgada lá na frente, e quem mais perdeu foi a classe operária, as camadas mais vulneráveis e toda população. Nesse país, as esperanças sempre vão e voltam.

O partido da estrela passou 20 anos no poder e perdeu várias oportunidades de deixar sua marca revolucionária, como, por exemplo, empreender uma luta pela punição dos torturadores da ditadura civil-militar de 1964. Fez as comissões da verdade, cujas denúncias ficaram no papel. Hoje os generais debocham quando se fala em torturadores.

No entanto, outros governos da América Latina, como Argentina, Chile e Uruguai prenderam os mentores do regime que cometeram atrocidades. As feridas continuam abertas, tanto que os generais, tendo à frente o capitão-presidente, negam a história e ainda elogiam o golpe que, para eles, foi uma revolução.

Por não se redimir de seus pecados, essa esquerda foi destroçada pela negação de seus ideais construídos lá na frente nos tempos da sua fundação. Para arrancar do trono o dragão que criou, agora retorna com a mesma leitura prepotente e os mesmos métodos e táticas autoritárias, fazendo as mesmas alianças com o satanás.

Estamos condenados a assistir o mesmo filme de polarização estúpida de 2018, recheada de mais mentiras, sem a opção de uma terceira via para exterminar os monstros e os fantasmas que saíram de seus túmulos para infernizar a vida dos brasileiros.

Para o bem do Brasil, no quadro atual, a estrela desse partido não deveria ter candidato a presidente da República, principalmente com um vice que comparou o PT, lá no passado, como o diabo saído do inferno. A extrema-direita dos fanáticos terraplanistas só cresce. Como vampiros, se alimentam e se fortalecem exatamente do sangue do ódio e da intolerância. Sem essas substâncias, eles perecem. Vamos ter mais quatro anos de terror, com cenas apocalípticas? Quem viver, verá!

Essa esquerda precisa urgentemente sair de seus gabinetes teóricos e voltar a lidar e a se comunicar diretamente com as bases periféricas e faveladas de milhões de famintos e desempregados. Caso contrário vai dar com os burros n´água ou na lama novamente. Ela não pode entrar nesse laço do radicalismo que só favorece o monstro-dragão.

 

 

VIOLÊNCIA NO FUTEBOL

Carlos González – jornalista

Na madrugada de 2 de julho de 1994, ao deixar uma discoteca na cidade colombiana de Medellin, o zagueiro Andrés Escobar, 27 anos, recebeu 12 tiros de um torcedor de futebol do seu país, que, segundo as investigações policiais, seria um apostador; no dia 31 de março, a esposa de Cássio, goleiro e ídolo do Corinthians, encontrou em sua conta no Instagram uma nota assinada por um tal $heik Caçador, também viciado em apostas,  com xingamentos e ameaças de morte ao casal.

Os autores dos dois crimes e os motivos por eles apresentados foram colhidos pelas autoridades policiais de Medellin e de São Paulo. Os colombianos Humberto Muñoz Castro, Pedro David e Juan Santiago Gallón Hernao revelaram que perderam muito dinheiro no jogo realizado em 22 de junho de 1994, pela Copa do Mundo dos Estados Unidos, no qual os sul-americanos foram eliminados pelo país anfitrião com um gol contra de Escobar.

Diante da repercussão dada ao episódio de violência contra o Cássio, com o envolvimento do Ministério Público, e da intenção do jogador, bastante assustado, de deixar o Corinthians, o autor das ameaças se apresentou à Polícia.  Igor Maranhão, que já foi preso por porte ilegal de arma e por receptação de furtos, alegou que se encontrava nervoso por ter perdido dinheiro num site de apostas, responsabilizando Cássio pelas derrotas que o time paulista vem sofrendo ultimamente.

Nas narrativas violentas que acompanham o futebol sul-americano há décadas, os homicídios ou tentativas praticadas contra atletas sejam raros, mas não se pode omitir do noticiário policial as verdadeiras batalhas, com mortes, entre torcedores dos clubes cariocas e paulistas, ao ponto do MP determinar torcida única nos estádios.

Os chamados jogos de azar (bingos, cassinos, jogo do bicho e apostas online) estão proibidos no Brasil desde abril de 1946 (decreto-lei 9.215, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra), sob o argumento de serem degradantes para o ser humano, desempregando 60 mil trabalhadores. A proibição ficou apenas no papel, porque em qualquer esquina se encontra uma banca do jogo do bicho, e as casas lotéricas, licenciadas pela Caixa Econômica, funcionam em todas as cidades do país.

“Cassino” na Fonte Nova

Recordo-me que no antigo e saudoso Estádio Octávio Mangabeira funcionava um “cassino a céu aberto” no último degrau das arquibancadas freqüentadas pela torcida do Vitória. Apostava-se de tudo, como, por exemplo, a ordem de entrada em campo das equipes, o primeiro escanteio, etc. Nunca soube de atitudes violentas entre os apostadores. Em 2018, o presidente Michel Temer decretou a legalização das apostas esportivas, dando oportunidade à abertura de dezenas de empresas, difundindo suas marcas em placas de publicidade nos estádios, na internet e até nos uniformes dos times, inclusive da Seleção Brasileira. O futuro dirá se as ameaças de morte a Cássio ou tentativas de suborno a jogadores não contribuirão para o aumento da violência no futebol brasileiro.

No passado, costumava-se chamar argentinos e uruguaios de “catimbeiros” e violentos, qualificativos transferidos mais tarde para jogadores (Casimiro, uma das estrelas do Real Madrid, é recordista europeu de punições com cartões) e comissões técnicas dos clubes brasileiros. O torcedor paga caro para assistir jogos com mais de 40 faltas, muitas delas brutais, as enervantes “ceras”, as ridículas cenas de empurra-empurra, e a falta de compostura dos atletas e treinadores ao se dirigirem a árbitros e assistentes.

O futebol do Espírito Santo é um dos menos divulgados do país, mas recentemente ocupou o noticiário esportivo e policial da imprensa, com repercussão internacional. No intervalo de uma partida válida pelo campeonato estadual, o técnico da Desportiva Ferroviária, Rafael Soriano, desferiu uma cabeçada, atingindo o nariz da auxiliar de arbitragem Marcielly Netto. O agressor foi expulso de campo, suspenso preventivamente pela Justiça Esportiva e demitido do cargo de treinador da Desportiva. Marcielly prestou queixa numa delegacia policial e se submeteu a exame de corpo de delito, além de receber o apoio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e do clube capixaba.

Pretendo questionar neste parágrafo a ausência de idosos e deficientes físicos nos locais dos estádios onde os ingressos são mais baratos. Esse público que, por lei, goza de prioridades, está sendo obrigado a adquirir um camarote ou uma cadeira especial, por falta de condições de permanecer de pé por mais de 90 minutos, Enquanto nos estádios da Europa 80 mil torcedores se mantêm sentados durante um jogo, no Brasil, 100 ou muito menos insistem em ficar de pé. Trata-se, sem dúvida, de mais um ato de violência, marcante no futebol brasileiro.

“Organizadas”

Você já viu torcida organizada fazer um trabalho social ou protestar nas ruas contra a inflação e os aumentos constantes do gás de cozinha e da gasolina? Claro que não, mas, frequentemente, adeptos do Corinthians, Palmeiras, Flamengo e Vasco são convocados pelas redes sociais para batalhas campais, com probabilidade de haver mortes. Entre os atos praticados por essas verdadeiras gangues, que deveriam merecer uma ação mais enérgica das autoridades, estão os ataques com pedras e paus aos ônibus que conduzem as delegações dos adversários, e a invasão dos centros de treinamentos dos seus clubes para dar uma “prensa nos pipoqueiros”.

As duas maiores torcidas organizadas de Salvador, a Bamor (Bahia) e a Invencíveis (Vitória) se limitavam a leves contendas entre seus membros, embora as duas não possam estar juntas num mesmo estádio. Essa calmaria foi quebrada por um gesto impensado de três ou quatro sócios da Bamor. Revoltados com a desclassificação do Bahia na Copa do Nordeste e no Campeonato Baiano, arremessaram explosivos contra o ônibus que conduzia a delegação tricolor para a Fonte Nova, ferindo o goleiro Danilo Fernandes, que passou por uma bateria de exames oftalmológicos, desfalcando seu time em várias partidas. Sete sócios da Bamor  foram identificados e detidos pela polícia, que até o momento não chegou aos autores da tentativa de assassinato. Um dos carros usados no ataque pertence a Half Silva, presidente da organizada.

 

 

 

 

A INTERDIÇÃO DO TEATRO CARLOS JHEOVÁ

Desde o início da pandemia, portanto, já são mais de dois anos que a casa de espetáculos de Vitória da Conquista, Teatro Carlos Jheová, localizado na Praça da Bandeira, se encontra interditado, privando os artistas conquistenses de realizarem suas atividades artísticas.

Durante esse período correu um boato na cidade de que aquelas instalações junto com o Mercado de Artesanato, que fica ao lado, seriam demolidas para, em seu lugar ser erguido um shopping comercial.

Atento ao problema, um grupo de jovens dos setores de audiovisual e teatro fizeram um movimento condenando essa possível derrubada do prédio e cobrando do poder público municipal uma urgente reforma das duas unidades.

Provocado pelas manifestações, o Conselho Municipal de Cultura realizou, no final do ano passado, vários debates com os artistas em torno do assunto, chegando a enviar ofícios ao poder executivo solicitando explicações em torno das especulações imobiliárias e providências para recuperar o teatro.

A prefeitura desmentiu qualquer possibilidade de demolição do conjunto artístico da cidade e reiterou que está em andamento o plano de uma reforma do Teatro Carlos Jheová e do Mercado de Artesanato. Segundo informações, a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer está empenhada em resolver o problema e na busca por soluções efetivas.

Na ocasião, o grupo de jovens chegou a se manifestar perante à Câmara de Vereadores visando intermediar ações no sentido de que a reforma fosse agilizada em tempo hábil para a reabertura do teatro. Sensibilizados, alguns parlamentares chegaram a liberar emendas para somar recursos com fins de iniciar a obra. No entanto, com o passar do tempo, a situação só tende a piorar para uma maior degradação.

Com o abrandamento da pandemia e a flexibilização dos encontros e shows, os artistas de um modo geral, inclusive do setor musical onde existe uma maior demanda, estão sem um local apropriado, no caso um teatro específico de arena, para apresentar seus trabalhos ao público.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia