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:: ‘Notícias’

PELA CIDADE DAS CASTAS

Passar por Brasília, a cidade das castas dos três poderes, foi relembrar aqueles velhos tempos, há cerca de 30 anos ou mais quando por lá estive para realizar um curso pelo Ceag, hoje Sebrae. Se não me engano, estive outra vez para uma reportagem jornalística na área de economia. Ainda não era uma metrópole como hoje.

Não tem muito e tem o que falar de Brasília, palco dos maiores acontecimentos, construída pelo presidente Juscelino Kubistchek, o cigano boêmio, com a força braçal dos candangos nordestinos, pelos idos de 1955 a 1960, quando foi inaugurada. Nem precisa dizer quem foi o arquiteto e urbanista que a projetou com aqueles traçados diferenciados que só ele, o Oscar Niemeyer, tinha como nenhum outro no mundo.

Não era para ser uma metrópole arrodeada de suas cidades satélites. A projeção inicial era em torno de 500 mil habitantes, mas hoje, de acordo com o último censo do IBGE, ultrapassa dois milhões e oitocentos mil moradores, com a maior renda per capita do Brasil, graças aos grandes salários dos marajás do executivo, do legislativo e do judiciário.

Ali estão concentradas as castas milionárias (porque não falar bilionárias), ao redor do Lago Paranoá, num país onde a maioria é pobre e milhões passam fome. Temos o Congresso Nacional mais caro do planeta, que não serve de orgulho, mas de vergonha, que manobra os presidentes com seus cambalachos.

Bem, não vou ficar aqui falando de política, mas da nossa viagem, coisa bem mais prazerosa. Numa passagem, vindos de Anápolis, ficamos hospedados em Águas Claras, distante do Plano Piloto, no apartamento da minha prima Rocia e seu esposo Adailton, ou melhor, o nosso querido Dadai, poeta e músico.

Fomos bem recepcionados pelos seus filhos Isabela, Isadora e Pedro, além de amigos divertidos, e aproveitamos para fazermos aquela farra num sábado até o dia amanhecer do domingo. Como se diz no interior, colocamos o papo em dia entre uma conversa e outra, num clima fraternal que nos faz esquecer das mazelas dessa nossa nação, principalmente dos políticos corruptos.

Antes disso, porém, Rocia e Dadai nos ciceroneou por alguns pontos dos três poderes que há anos havia passado. Para minha esposa Vandilza, tudo era novidade. Estivemos no Memorial JK,  na Torre da TV Brasília,  no Centro do Índio, no Bosque de Águas Claras, entre as alas dos ministérios, do Congresso, os Palácios do Planalto e Alvorada, sem falar na imponente Catedral.

Sua torre arquitetônica em forma de mão para o alto parece pedir perdão pelos pecados cometidos pelos homens que governam Brasília e o Brasil.  É um lugar de contrição e reflexão por tudo que acontece ali de ruim. O que mais importa é que valeu o reencontro com nossos parentes e amigos. Foi uma festa e só alegria.

Por citar o Centro ou Museu do Índio (olha eu falando novamente em política), ao lado do Memorial JK, achei que merecia ser mais rico em termos de objetos, peças e outros utensílios, unindo culturas de todas as tribos do Brasil, de norte a sul, de leste a oeste.

Ainda dentro do tema, considerei ridículo, demagógico e hipócrita a cerimônia promovida pela Comissão da Anistia, entre primeiro e dois de abril, onde a presidência (não me lembro o nome) se dirige aos indígenas ali presentes para pedir desculpas pelas atrocidades cometidas pela ditadura civil-militar de 1964 contra suas comunidades.

Essa gente é mesma cara de pau e aproveita da ingenuidade dos sofridos, discriminados e pisoteados para pedir desculpas, quando o correto seria uma reparação a todos brasileiros através da punição aos torturadores. Esqueceram de dizer que a anistia foi uma farsa montada pelos generais e aceita pelos nossos governantes, magistrados e legisladores.

Sem mais delongas, de lá tomamos rumo de volta para Nossa Vitória da Conquista, numa viagem complicada e cansativa, mas aí é outra história que vamos contar como final da nossa viagem, muito proveitosa no campo do conhecimento e do saber. Viajar é muito bom, e melhor ainda quando existem transtornos.

 

OS 60 ANOS DE UMA MALDITA DITADURA QUE DEIXOU MUITAS FERIDAS ABERTAS

Não é caso para comemorar e nem celebrar, mas para lembrar sua data em 1º de abril de 1964, que foi a ditadura civil-militar, para que nunca mais seja repetida. Como herança deixou feridas abertas na nação que foi a total impunidade contra os malditos torturadores que mataram e desapareceram com os corpos daqueles que lutaram pela liberdade.

Nesta data fatídica, o que mais ainda nos coloca em posição de indignação é que a nossa mídia de um modo geral, inclusive a da nossa terra conquistense, não fez nenhuma menção, nenhuma reportagem sobre o assunto, o que denota que temos hoje um jornalismo sem memória e história.

Condeno aqui também a postura das esquerdas (nem todas), especialmente do PT que governou durante mais de 20 anos o nosso país e se acovardou diante dos coronéis, delegados, oficiais e generais que cometeram suas atrocidades e depois retornaram para seus quartéis, seus palácios e suas poltronas confortáveis como se nada tivesse acontecido.

O Brasil foi talvez o único país da América do Sul que disse amém – e aqui incluo os três poderes – por não colocar esses criminosos no banco dos réus e não prendeu ninguém, ao contrário do que fez a Argentina, Uruguai e o Chile, somente para citar esses três hermanos. Na tese dessa dita “esquerda”, melhor deixar como está porque a condenação seria um ato de revanchismo.

Volto a afirmar que as feridas continuam abertas. É só alguém perguntar isso para as famílias que perderam seus entes queridos nos porões das torturas e outras que nem tiveram o direito de realizar seus ritos funerais porque esquartejaram, mutilaram e desapareceram com os corpos de seus parentes mais próximos, como fizeram com os guerrilheiros do Araguaia. Aqui mesmo em Vitória da Conquista tivemos o caso de Dinaelza Coqueiro.

Por falar em Vitória da Conquista, vem aí o seis de maio de 1964 quando a cidade, numa manhã frienta, foi cercada por cerca de 100 soldados do exército do capitão Bendock e simplesmente prenderam e cassaram o mandato do prefeito José Pedral Sampaio (teve seus direitos políticos cassados por 20 anos), eleito constitucionalmente pelo povo, se não me engano em 1962.

Essa operação (ocorreu o mesmo em Feira de Santana e Alagoinhas, na Bahia) durou pouco tempo, mas foi o suficiente para prender cerca de 100 dos nossos cidadãos. O mais grave é que o vereador Péricles Gusmão veio a morrer nas dependências do Batalhão Militar, segundo eles, um ato de suicídio, que não ficou totalmente comprovado. O professor Públio de Castro ficou nove meses presos (muitos foram levados para Salvador, inclusive o prefeito Pedral).

Tenho certeza que sobre essa data, quando a Câmara Municipal de Vereadores foi cercada pelas tropas do capitão e seus membros (nem todos) foram obrigados a cassar o mandato do prefeito, a nossa mídia vai passar “batida” e fazer de conta que nada existiu. Infelizmente, o nosso jornalismo de hoje mal cobre o factual ou registra os BOs (os boletins de ocorrências). Existe um monumento do escultor Romeu Ferreira na Praça Tancredo Neves em homenagem aos tombados baianos pela ditadura, mas a maioria desconhece.

Uma pena que nossos jovens em geral (existem poucas exceções) não sabem desse episódio cavernoso e vergonhoso que foi a ditadura civil-militar de 1964 (contou com apoio de civis e de muitas instituições, como da Igreja Católica) que exterminou com cerca de 500 brasileiros que se opuseram ao regime. Outros milhares foram presos e torturados.

É por essa mais criminosa impunidade da nossa história que vimos, até há pouco tempo, extremistas, negativistas, fascistas e nazistas saírem às ruas para pedirem uma intervenção militar, ou seja, outra ditadura dos generais. Tentaram um golpe em 8 de janeiro do ano passado.

Como essas feridas continuam abertas, nada nos garante uma tomada do poder pela força das armas, como queria o então ex-presidente capitão, que negou sua existência e ainda fez apologia a um dos maiores torturadores, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do Doi-Codi do II Exército (São Paulo), entre 1970 e 1974.

Não vou entrar aqui no âmbito mais profundo propriamente dito de como surgiu a ditadura de 1964 no Brasil, que, na verdade, começou com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961. Como João Goulart era o seu vice, por direito constitucional tinha que assumir a presidência, sem enfrentamentos, mas os generais se opuseram ferrenhamente, alegando ser ele da linha comunista, o maior inimigo da época.

A sociedade reagiu, tendo à sua frente os governadores Leonel Brizola, do Rio Grande do Sul (Campanha da Legalidade e o Grupo dos Onze), Miguel Arraes, de Pernambuco e outras lideranças organizadas. Jango terminou sendo empossado, mas sob o regime parlamentarista.

Tentaram outra vez em 1954/55 quando Getúlio Vargas se suicidou, mas o general legalista Lott barrou. Eles ficaram armados na tocaia e aí conseguiram destilar todo seu ódio em 1º de abril de 1964 quando o golpe foi consumado e governaram com a mão de ferro por mais de 20 anos. O pior período, chamado era de chumbo, foi a partir de 13 de dezembro de 1968, com o AI-5, até 1974, final do mandato do general Médici.

É lamentável que a grande maioria dos nossos brasileiros nada ou pouco sabe sobre essa triste história, ao ponto de um estudante, depois de uma palestra de um historiador ativista a respeito do assunto, perguntar se tudo aquilo que ele havia narrado, aconteceu mesmo. Que essa maldita, nunca mais no Brasil!

UMA CIDADE BEM ESTRUTURADA

Duas cidades, dois olhares em estados diferentes. Do mesmo porte de Vitória da Conquista, cerca de 400 mil habitantes, distante 120 quilômetros de Brasília e 60 da capital Goiânia com vias duplicadas bem conservadas, base da força aérea brasileira, Anápolis é outra cidade do estado de Goiás bem arborizada e estruturada, principalmente em termos de saneamento básico.

Em minha visita, fiquei impressionado com o Jardim Botânico – lembrei do nosso Poço Escuro, tão maltratado e abandonado pelos governantes e de pouca visitação – um parque de muitas trilhas na mata com várias espécies de animais, fontes de água, limpo e com muitos locais de diversão e lazer para todas as idades. É aconchegante e acolhedor.

Outro local bem arborizado, amplo e com toda infraestrutura é o Bosque Ipiranga quase no centro da cidade e bastante visitado pela população. Deixa qualquer visitante confortável para apreciar suas belezas e atrações. Parques para crianças e outros equipamentos, com bastante água.

Quando faço comparação com Conquista não é no sentido de depreciação. Aqui também é um bom local para se viver e de boa qualidade de vida, mas ainda tem muita coisa para se fazer, como na área cultural, uma melhor e mais decente urbanização do Cristo da Serra, do próprio Poço Escuro e outros pontos da cidade, a terceira maior da Bahia.

A bem da verdade, o que tenho visto são serviços incompletos, do tipo maquiagem em épocas eleitoreiras para ganhar votos. Conquista tem muito por fazer para se tornar uma cidade turística onde o visitante possa ficar aqui dois ou três dias conhecendo os locais.

A Lagoa das Bateias não é somente fazer uma limpeza das sujeiras. É muito mais que isso.  Fora a Olivia Flores e outras avenidas, como a Juracy Magalhães, a única praça aprazível, bem estruturada e cuidada é a Tancredo Neves. Os museus regional e Padre Palmeira, não tem muita coisa para se ver. O outro de Cajaíba está abandonado e se acabando com o desgaste do tempo lá na Serra do Periperi. Não se trata de uma crítica negativa.

Outro ponto que me chamou a atenção foi a Biblioteca Municipal Zeca Batista de Anápolis, no centro da cidade, bem mais equipada como centro de leitura, área para exposições de artes plásticas e outros itens culturais. Ao seu lado, a popular conhecida Praça do Avião.

Para o nível de Conquista, a nossa, lá naquele canto escondido do Conquistinha, perde longe. Até diria que é uma vergonha para nós conquistenses. Uma cidade não se mede apenas pelo seu avanço econômico e desenvolvimentista de prédios e construções industriais e comerciais.

Bem, retornando a Anápolis, para não me alongar, trata-se de uma cidade moderna e, ao mesmo tempo, bucólica. Até há pouco tempo ainda existia fazendas funcionando quase que dentro da cidade. Uma coisa inusitada. Hoje estão se tornando lotes para moradias.

Conheci, por exemplo, uma fazenda agrícola de plantação de soja encostada num bairro de classe média (não que seja um apreciador desse agronegócio depredador destinado somente à exportação de grãos para o exterior). Não vi favelas nas periferias, nem gente lhe abordando nas ruas como pedintes.

No entanto, um ponto falho em Anápolis é o sistema de transporte público, com poucos ônibus onde as pessoas demoram muito tempo para se deslocar de um local para outro. Aqui é melhor, mas ainda a necessitar muito de melhorias. O comércio aqui é mais concentrado no centro, com mais variedades e divisões  por segmentos, enquanto lá é meio espalhado e disperso.

 

 

A DELICIOSA SOBREMESA DE GOIÁS

Antes de pegarmos a estrada para Anápolis, já no final da tarde, (eu, meu filho Caio e Vandilza), por recomendação da minha nora e sobrinha Larissa (quase esquecíamos) fomos tomar o delicioso sorvete no coreto da praça de Goiás Velho, localizada ao lado do mercado popular e próxima da casa da poetisa Cora Coralina. Confesso que foi o melhor sorvete que já provei depois de um almoço caseiro da terra. É como se ir à Roma e não visitar o Vaticano e conhecer a Basílica de São Pedro, mesmo que não se veja o papa. Também recomendo que no final da visita a Goiás, antiga capital do estado, prove o saboroso sorvete do coreto. Só em lembrar dá água na boca diante da variedade de sabores deliciosos.

Outra “sobremesa”, essa não comível, é dar uma parada à beira da estrada, logo na saída da cidade, para conhecer as variedades de lojas de artesanato. Tem de tudo, para todos os gostos, feitos de madeira, minerais, cerâmica e outros objetos. Essa “sobremesa” é mais cultural, confeccionada por artistas locais e da região. Como sou um admirador dessa arte, se tivesse muita grana levaria uma carreta cheia dessas peças maravilhosas. É um encanto e, mesmo com pouco dinheiro (meu caso), dá para levar pelo menos uma lembrancinha.

A GOIÁS VELHA DOS FAMOSOS FOGARÉUS E DA POETISA CORA CORALINA

Partimos pela manhã rumo a Anápolis para conhecer a Goiás Velha ou Velho (distante mais de 100 quilômetros), à cidade dos fogaréus da quinta-feira da Semana Santa (279 anos de tradição) e terra da grande poetisa Cora Coralina. A minha ansiedade estava mais ligada à artista e ao casario histórico, tombado pela Unesco em 2001 como patrimônio mundial.

Antes de chegarmos paramos no mirante bem estruturado (não é este armengue que estão construindo no Cristo da Serra do Periperi de Vitória da Conquista), para apreciarmos as belas paisagens cheias de montanhas cobertas pelas florestas. De lá avistamos a cidadezinha encravada nos morros e aproveitamos para as fotos. É prazeroso viajar.

Uns contam (são estórias orais) que a vila foi criada por garimpeiros rebeldes vindos de Minas Gerais que ali se instalaram à procura de ouro. Para os guias de turismo, foram os bandeirantes paulistas que alcançaram aquelas serras dos papagaios e das aratacas. Era o auge do ouro.

Na verdade, a história narra que a cidade de Goiás, hoje conhecida como Goiás Velho (Velha) foi a primeira capital do estado até 1937 e surgiu da existência de um vilarejo chamado Arraial de Santana (lá está erguida até hoje a Igreja de Santana), fundado em 1727 por Bartolomeu Bueno, filho de Bartolomeu Bueno da Silva, o bandeirante Anhanguera, vindo de São Paulo.

 

Nascido no apogeu da mineração do século XVIII, o arraial foi elevado por D. Luiz de |Mascarenhas a Villa Boa de Goyaz, no ano de 1739, em homenagem ao bandeirante e aos índios goyazes ou guaiás, que quer dizer indivíduo igual ou semelhante. Dez anos depois, em 1749, a Villa foi elevada à capital da província de Goiás. A cidade se desenvolveu entre morros ao longo do Rio Vermelho.

Vamos deixar um pouco de história de lado e descrever as nossas impressões como visitantes forasteiros. De início, senti um povo um tanto fechado, embora educado, logo na primeira recepção na casa onde residiu a poetisa Cora Coralina. Era por volta das 12 horas e estava fechando para almoço (coisas do nosso Brasil). A atente não procurou muito papo e nem perguntou quem éramos.

No primeiro contato considerei um absurdo ser uma associação privada (a gestão deveria estar a cargo da prefeitura ou de uma instituição pública de ensino) que administra o patrimônio. De forma impositiva colocou taxa única de dez reais para visitação, desrespeitando a lei federal que obriga cobrar meia para pessoas idosos, deficientes ou estudantes.

Tentei argumentar ao defender meus direitos e explicar que não estava correto (a lei teria que ser cumprida e ninguém reclama), como também proibir fotografar seu ambiente sob o argumento de direito de imagem quando já se tornou público). Essa de taxa única é uma usurpação e confesso que foi a primeira vez que vi essa arbitrariedade sem uma interferência do Ministério Público ou de outros órgãos de defesa do consumidor. Culpa também do consumidor da arte.

Procurei não me irritar para não estragar minha viagem de conhecimento cultural. Para não perder tempo, fomos até o prédio antigo, no mesmo estilo da nossa Rio de Contas, na Chapada Diamantina, onde funcionou a Câmara e a delegacia, que se transformou em Museu das Bandeiras. Alguns cartazes explicativos anunciavam “Pessoas Escravizadas. Prisão. Liberdade?”, “Cotidiano na Prisão”, “Sentenças  e a Força” e “Nasce um Museu das Ruínas da Cadeia”.

Além das cadeias separadas onde eram presos os homens e as mulheres que infringiam as leis da época (mulher que tentava estudar), com penas pesadas (chibatadas e torturas contra os escravos), inclusive com condenações de mortes por enforcamento, o edifício abriga também exposições de arte, como da Triz de Oliveira Paiva, intitulada “Minha Alma Sofre em Casa de Argila ou como Pensar a “Terra”.

Tivemos o privilégio de conhecer a obra de Triz (não conhecia), uma mostra para o Museu das Bandeiras. Ela materializa a um só tempo a maneira de cena de um crime e de uma espécie de sítio arqueológico. “Minha Alma Sofre em Casa de Argila” instaura ainda o que se poderia compreender como um entrelugar, em que se encenam negociações morfológico-matéricas. “Terra roubada. Terra usurpada. Terra da usura. Terra da morte e morte da terra” – segundo o apresentador da exposição, Marco Antônio Vieira.

Conhecemos a catedral que estava em reforma e a grande praça (lembrei da Rua Grande, em Conquista que foi destruída) com um chafariz antigo. Num formato de aldeia, em torno dela as casas coloniais ainda bem conservadas. Nas pequenas lojinhas de artesanato e lembranças, algumas com grandes bonecos mascarados do tradicional fogaréu da Semana Santa.

Finalmente fomos até a casa da poetisa que já estava aberta ao público. Mais uma vez questionei a taxa única imposta, e um funcionário reconheceu que eu estava certo. Lá dentro, os pertences de Cora Coralina, sua chácara, uma pequena mostra de arte e grandes fotografias sobre as enchentes que arrasaram a cidade em 2012.

Cora se chamava Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, um dos maiores nomes da literatura e se revelou para o Brasil com certa idade avançada. Naquela época era proibido as mulheres escrever ou publicar algum livro. Ela nasceu em 20 de agosto de 1889, ano da Proclamação da República, portanto há 135 anos, na cidade de Goiás. Era filha do desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães, nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão.

A poetisa cursou apenas até a terceira série do curso primário, mas escreveu poemas e contos desde aos 14 anos. Nessa época, contrariando os costumes, publicou, em 1908, no jornal de poemas, “A Rosa” com algumas amigas. Em 1910 veio o conto “Tragédia na Roça”, lançado no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”, usando o pseudônimo de Cora Coralina.

De acordo com “Artpoesia”, livreto do poeta baiano José da Boa Morte, o rei das feiras literárias baianas, que o apelidei de Zè da Travessia, em 1911, Cora fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas, indo morar em Jaboticabal, no interior de São Paulo. Como dá para se notar, era uma mulher evoluída e determinada para seu tempo.

Em 1922 foi convidada para participar da Semana de Arte Moderna, mas foi impedida pelo marido. Depois da morte do esposo, em 1934, foi doceira para sustentar os quatro filhos. Embora continuasse escrevendo, viveu por muito tempo da sua produção caseira. Se dizia mais doceira que escritora. Em 1934 chegou a trabalhar também como vendedora de livros. Em 1936 muda-se para Andradina, onde começa a escrever para o jornal da cidade.

Em 1956 voltou para sua cidade natal onde, em 1959, aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar seus poemas e entrega-los aos editores. Em 1956, com 75 anos, Cora conseguiu realizar o seu sonho de publicar o primeiro livro “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. Em 1970, tomou posse da cadeira número 5 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás. O interesse do grande público pela poetisa se deveu aos elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 1980.

Em Goiás Velha ainda visitamos o Instituto Biapo, um casarão que se tornou numa galeria de artes e uma espécie de museu sobre a história da cidade. O Instituto também foi vítima das enxurradas de 2012. Lá estava sendo exposta a obra do artista, galerista e arquiteto Fernando Madeira, cuja obra “Mudança” me fez refletir sobre vários pontos.

Como já era tarde e a fome bateu, fomos almoçar no pequeno mercado popular de Goiás, bem arrumado e aconchegante. Com uma comidinha bem caseira, tivemos o privilégio de receber as visitas das aratacas vindas das serras em torno da cidade. Achei que fossem papagaios, mas meu filho Caio, que morou um bom tempo no Amazonas, me corrigiu.

Claro que estava também acompanhado da minha esposa Vandilza Silva Gonçalves, sempre não perdendo um lance nas fotos do seu celular. Pegamos estrada de volta para Anápolis, numa viagem encantadora, na base do bate e volta, para não gastar muita grana, coisa escassa na nossa praça.

 

 

A MESA FICOU JIGA-JOGA

(Chico Ribeiro Neto)

Tem gente que tem traquejo e prazer em montar ou consertar coisas. Conta-se que Paulinho da Viola, além de excelente compositor, faz e conserta móveis e gosta de arrumar carros velhos.

Tenho um amigo que tem uns 40 rádios em casa, de tudo que é tamanho. Quando tá chateado, vai lá e desmonta um rádio só pra montar de novo. Se depender disso tô lenhado. Não monto nem quebra-cabeça infantil. Nem no cavalo eu acerto montar e desmontar. Já caí  de uma égua tão tranquila que se chamava “Mocinha”.

Não me dê nada para montar, sofá ou armário. Até o prego que bato na parede fica torto. Admiro meu amigo Noronha, um artista da carpintaria. Basta olhar uma vez para uma cama na loja que ele chega em casa e faz uma igualzinha.

No interior se dizia que uma mesa ou cômoda mal feita, armengada, quando ficava bamba, virou jiga-joga, tá sempre balançando prum lado.

Uma vez, na TV Itapoan, havia um comercial de sofá-cama. Ainda não tinha videoteipe e os comerciais eram ao vivo. Dizia a garota-propaganda: “Esse sofá abre-se com uma leve pressão dos dedos aqui”. Ela tentou e nada. Deu um sorriso amarelo e tentou de novo. Nada. Ela tentou umas 4 ou 5 vezes até que deu um safanão no sofá que virou uma cama. “Viram como é fácil, senhores telespectadores?”

Quando a gente se mudava tinha que levar os parafusos da cama num saquinho separado. Esses parafusos não podiam sumir de jeito nenhum. Problema também é quando a cama desaba no meio de um ato amoroso. Aí só resta sorrir.

Outro amigo comprou uma furadeira e resolveu  instalar um armário de cozinha. Cheio de arte, fez o primeiro furo e jorrou água na cara dele. Ele furou a coluna de água do prédio. Aposentou a furadeira.

A única coisa que sei montar são os sonhos, e alguns ainda acabam ficando jiga-joga.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

UMA CAPITAL VERTICAL, PLANEJADA E ARBORIZADA NO CORAÇÃO DO BRASIL

Vamos viajar de Anápolis numa rodovia duplicada até Goiânia de Goiás, deixando um pouco para trás a velha Goiás, da poetisa Cora Coralina. Aqui neste estado nasceu a nova capital do Brasil no início dos anos 60 pelo visionário Juscelino Kubistchek. Até hoje existe a polêmica se foi um projeto acertado ou não a transferência do Rio de Janeiro para Brasília.

Bem, em Goiânia, começamos pelo Centro Cultural Oscar Niemeyer, como todos sabem, um arquiteto de nível internacional que não precisa de apresentações. No estacionamento e naquele cenário de concreto, numa árvore, um passarinho de papo amarelo (não sei bem se era um canário) nos recepciona com sua linda cantoria e até pousou para minhas lentes fotográficas. Um sinal de que o dia seria positivo como viajante.

Logo na entrada do imponente prédio aparece a figura de uma concha emborcada ou uma oca, um anfiteatro que nos remete ao Congresso Nacional. Ao lado, um amplo espaço onde todos os anos é erguida a árvore natalina com shows musicais e espetáculos referentes à data.

No edifício que faz parte do conjunto arquitetônico, no primeiro ou segundo andar, quem nos acolhe é uma biblioteca com mais de 20 mil volumes, com uma ala para a categoria infantil e outra para adultos. Tudo bem organizado como manda o figurino.

Duas simpáticas bibliotecárias nos atendem com largos sorrisos para explicar as salas de pesquisas visitadas por estudantes, professores e intelectuais interessados em realizar pesquisas e leituras de variados gêneros literários. Em harmonia, o virtual com o tradicional de papel se complementam com os computadores. Sou mais conservador e prefiro as obras impressas.

Talvez porque chegamos um pouco cedo, o espaço estava vazio, mas logo me chamou a atenção a presença de duas crianças acompanhadas de seus pais. Num país tão carente em termos de leitores, aquilo me deu a sensação de que nada está perdido e não podemos desanimar sobre um futuro melhor para nosso Brasil, se bem que minha idade não permite mais pensar nisso. Vamos levar muito tempo para reconquistar a efervescência do saber e do conhecimento.

Na capital dos sertanejos – estava ávido para conhecer as lojas de chapéus, cintos, camisas, botas e outros acessórios de peças alusivas ao estilo. O que mais me chamou a atenção foram as largas avenidas e ruas de altos prédios, mas todas arborizadas, sem falar nos bosques do Areão e o Parque da Vaca.

Como sou apaixonado por coisas do sertão, sendo um nordestino e catingueiro da gema, com muito orgulho, se fosse um endinheirado ou tivesse ganhado na Mega-Sena, confesso que contrataria uma carreta e levaria uma casa comercial só de itens sertanejos, vaqueiros e boiadeiros.

Senti o cheiro das boiadas e comitivas da antiga novela Pantanal, da Manchete.  Para não ficar de mãos vazias me contentei em comprar um chapéu para completar minha modesta coleção que enriquece nosso Espaço Cultural A Estrada.

Entre as capitais que já conheci e conheço nesse país continental de tantas diversidades culturais, incluindo a velha Salvador onde morei por mais de 20 anos, o que mais me impressionou foi a limpeza e o planejamento (não vi moradores de ruas e nem favelas nas periferias).

Nos bares, restaurantes e locais por onde passamos (Vandilza, meu Filho Caio, sua esposa Larissa e meu fofo neto Samuel de três anos), senti a hospitalidade e cordialidade das pessoas, não que não exista isso em outras cidades. Tirei uns dedos de prosa com um garçom baterista de uma banda.

Vamos seguir nossa trajetória “épica” no próximo “diário” descrevendo a cultura, o patrimônio histórico, as paisagens de morros, as aratacas da Velha Goiás, terra da famosa poetisa Cora Coralina e que sofreu fortes enchentes há pouco tempo, tornando-se notícia nacional. Temos muitas coisas e surpresas para contar. Nos aguarde.

 

 

TROUXE AS AMOSTRAS?

(Chico Ribeiro Neto)

Às 7 da manhã o motorista do táxi identifica logo o saquinho inconfundível que você segura com todo cuidado. Você vai para um laboratório de análises clínicas.

A primeira fase é a da coleta. Com o exame do número 1 é fácil (despreza o primeiro jato) e a gente enche logo o copinho. O problema é o número 2. Uma verdadeira labuta, aquela desarrumação pra arrumar. Finalmente os coletores estão prontos.

O velhinho numa cidade do interior da Bahia passa pelo médico que lhe dá uma bateria de exames pra fazer. A clínica funciona num casarão onde cada porta é um tipo de exame. Ele olha para as requisições e para as portas e diz: “Eles querem é que a gente passe nessas portas todas. Por mim, eu vou embora depois da segunda porta”.

Tenho uma amiga que trabalhou na recepção de amostras de um laboratório. Disse que uma vez chegou um cara com uma lata de cera cheia até a boca com o material do número 2.

Alguns dias depois da vasectomia o paciente precisa fazer um espermograma. O material tem que ser colhido na hora. Ele entrou na sala lotada, entregou a requisição e a moça pediu para aguardar. Meia hora depois ela grita: “Senhor J. do espermograma. É ali”, indicou ela, apontando para o minúsculo e abafado sanitário e dando-lhe um frasquinho. Fez das tripas coração para recolher a amostra.

Outro amigo, coroa, foi fazer a ficha num laboratório:

– Jejum de 12 horas?

– Sim.

– Consumiu bebida alcoólica nos últimos três dias?

– Não.

– O senhor teve relação sexual nas últimas 24 horas?

– Quem me dera …

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

DE CONQUISTA A GOIÁS

QUEM FOR A ESTE ESTADO BRASILEIRO, PRINCIPALMENTE COMO TURISTA, NÃO DEIXE DE VISITAR A VELHA PIRENÓPOLIS, FUNDADA POR GARIMPEIROS À PROCURA DE OURO NO SÉCULO XVIII. CONHEÇA SUAS LENDAS E MITOS.

Viajar sem compromissos de trabalho para conhecer a cultura e a história de outras aldeias é sempre saudável para a alma e para o corpo. Nem tanto assim quando se faz a negócio, mas pode-se conciliar o útil ao agradável.  Reserve um cantinho em sua agenda. Tem rico avarento que não sabe o que é isso e termina não curtindo a vida. É o que chamo de uma simples passagem sem notoriedade.

De um modo geral, as viagens são cheias de causos e casos que terminam virando livros (Diários de Viagens) e só se completam quando existem aventuras, contratempos e imprevistos para se contar. Ah, em minha trajetória tenho muitas para narrar em nível nacional e internacional. Muitos micos e mancadas! Quando encontro obstáculos, procuro seguir em frente e nunca retroceder e isso serve para o nosso cotidiano como aprendizagem.

Pois é, encarei as dificuldades com minha esposa e resolvemos sair de Conquista para Goiás até Anápolis em nosso “corsinha” ano 2008, que nunca nos deixou na mão, mas, como diz o ditado, sempre existe a primeira vez. Saímos de Vitória da Conquista logo cedo na última sexta-feira, dia 15/03, bem animados e ansiosos para abraçarmos as novidades. Pegar a estrada é sempre uma renovação!

Ia tudo bem e já planejando o local de pernoitar (em Rosário, divisa da Bahia com Goiás) para seguirmos até o nosso destino final. Acontece que entre Caetité e Igaporã, o motor do carro esquentou – ainda bem que, ao trancos e barrancos chegamos na cidade – e a primeira providência foi procurar uma oficina. Ainda era umas 11 horas da manhã. Ainda tinha muito chão para cortar.

Cheios de bagagens (dez no total) decidimos seguir em frente e pegamos um ônibus por volta das 18h30min da “Bahia Central” (Companhia da Novo Horizonte) até Brasília. Falei que nunca iria utilizar esta empresa por causa da sua folha corrida complicada em termos de acidentes. Queimei a língua!

Imaginem uma noite de sofrimento num carro desconfortável de poltronas duras e nos solavancos de lá e pra cá, sem conseguir dormir! Lembrei da viagem que fiz de trem da fronteira da França para Lisboa, em Portugal. Uma noite de estrangeirada onde um casal de jovens perturbava e ainda veio a polícia me acordar na madrugada para revistar meu passaporte.

Tive que controlar meu psicológico para no final chegar a Anápolis (meu filho foi me pegar em Brasília) no outro dia às 11 horas. Chegamos aos cacos, mas fui logo tomando uma gelada para esfriar a cuca. Com todos exageros possíveis, foi uma viagem hercúlea, mas valeu a pena.

Venci mares e terras, monstros e anjos. Foi como se tivéssemos vencido uma batalha. Agora é só comemorar a vitória, pensei com meus botões. À noite, tomamos um vinho e ainda tive que “amargar” a desclassificação do Fluminense para o urubu do Flamengo. Coisas da vida e do futebol.

No entanto, o melhor estava por vir quando no domingo, já mais descansado, fomos à velha cidade de Pirenópolis. Alguma coisa semelhante com uma cidade dos Pirineus, na Europa, de clima agradável (neste tempo muito calor e chuva), montanhas com matas exuberantes, antigos casarões, cachoeiras em abundância e um dedo de prosa de histórias interessantes com um velho repórter da Manchete, agora comerciante de um estabelecimento de cachaças.

Conversamos até sobre as loucuras do fotógrafo Gervásio, as tiradas e as arbitrariedades do coronel governador Antônio Carlos Magalhães, a ditadura civil militar de 1964 e como os jornalistas tinham que se virar para levar uma boa matéria para a redação de uma forma que não fosse preso. O pessoal (Vandilza, meu filho Caio, sua esposa Larrisa e o menino Samuel) me apressava, mas o papo não terminava entre uma conversa e uma cachacinha da boa.

Muita coincidência! Talvez fatos do destino para começar a enriquecer minha viagem, fazer esquecer o outro dia e renovar as energias para curtir a cultura e o patrimônio arquitetônico colonial da nossa Pirenópolis goiana, terra muito conhecida no Brasil pelos grandes nomes da música sertaneja.

Em seu destaque, como em toda cidade histórica, conhecemos a Igreja do Rosário, fundada por portugueses, e tive o prazer de papear com aquela gente cordial e hospitaleira que sabe receber bem o turista. Por si só, as fotos que cliquei da minha Nikon dizem tudo.

Pirenópolis foi um dos primeiros municípios de Goiás. Foi criado com o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte pelo minerador português Manoel Rodrigues Tomar, ou Tomás, de acordo com alguns historiadores.

A cidade foi fundada como um pequeno arraial, em 1727, por Manoel Rodrigues, chefe de um grupo de garimpeiros. Ela é hoje apelidada carinhosamente de “Piri” pelos turistas. Sobressaiu-se como o berço da imprensa em Goiás através do seu primeiro jornal denominado de Matutina Meiapontense.

Em Pirenópolis acontece todos os anos, 45 dias após a Páscoa, a popular festa do Divino Espírito Santo envolvendo cavalos montados (famosas cavalhadas). Sua economia é baseada no turismo, no artesanato e na extração de pedras que leva o seu nome. A cidade foi tombada como patrimônio nacional, em 1989.

 

 

DIA MUNICIPAL DA CULTURA

NOSSA CULTURA ANDA TÃO ABANDONADA (DIZEM QUE FOI SEPULTADA EM CONQUISTA) QUE NEM O PODER PÚBLICO E A NOSSA MÍDIA LOCAL (ESQUECEU DA SUA ALDEIA) AO MENOS CITARAM O SEU DIA. TRISTEZA! PASSOU E NINGUÉM VIU. A NOSSA CULTURA ESTÁ NUA!

Infelizmente, poucos têm conhecimento porque também não é lembrado pelas instituições e a mídia em geral, mas todo 14 de março do ano é o Dia Municipal da Cultura de Vitoria da Conquista, instituído pela lei número 1.367/2006, e assinada pelo então prefeito José Raimundo Fontes. Como está a nossa cultura, nada a comemorar.

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, com base na lei, concede medalha de Mérito Glauber Rocha a homenageados indicados pelo Conselho Municipal de Cultura, em sessão solene marcada pela Mesa Diretora. Na ocasião, a data é comemorada pelos parlamentares, artistas e pela plenária. Pelo menos deveria.

Nas homenagens ao Dia Municipal da Cultura, é bom que se faça uma reflexão sobre o que é cultura, principalmente nesses tempos tão difíceis no âmbito municipal onde a nossa cultura não tem o lugar de destaque que merece pelo poder executivo. Estamos destruindo o que ainda resta. Outra indagação a ser feita é sobre como vai nossa cultura em Vitória da Conquista e o que se pode fazer para melhorar.

O que se tem feito ainda deixa muito a desejar, especialmente em relação a Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com quase 400 mil habitantes, que já foi celeiro de grandes artistas e pensadores. Não é que atualmente não existam grandes talentos, mas as nossas expressões artísticas não têm recebido o apoio merecido dos poderes públicos.

Os recursos têm sido escassos, e os governantes, infelizmente, têm colocado a cultura apenas como um jarro de decoração em suas mesas. Talvez entendam que não rende voto e alocam poucas verbas para o setor. Os artistas em geral vivem a mendigar para realizar seus projetos.

Temos muita luta pela frente para que Conquista volte à sua efervescência cultural dos anos 50, 60 e 70. Gostaria de lembra aqui que o Conselho Municipal de Cultura anterior (2021/23) empreendeu uma grande luta no sentido de criar o Plano Municipal de Cultura e instituir a Fundação Cultural. Esse Plano iria ditar as diretrizes políticas para resgatar a nossa cultura. Mais uma vez, o projeto foi emperrado pelo poder executivo que não deu o suporte necessário para sua concretização.

Neste dia não temos muito a comemorar quando há anos três equipamentos culturais – o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha – continuam fechados e sem data para serem reabertos.  Com isso, os artistas conquistenses, abrangendo todas as linguagens, estão sem espaço para realizar seus ensaios e apresentações de seus trabalhos, prejudicando, principalmente, o teatro, a literatura, a dança e a música.

DIA DA POESIA

O dia 14 de março é comemorativo ao nascimento do cineasta Glauber Rocha e lembra também o nascimento de poeta Castro Alves, há 176 anos. Por isso também, o 14 de março é o Dia da Poesia, uma linguagem que é fonte de vida, mas desprezada, especialmente pelos nossos jovens em geral.

Como todos sabem, Castro Alves dedicou suas poesias às questões sociais e foi um grande defensor da libertação dos escravos. Um abolicionista que abriu portas para outros intelectuais lutarem pelo fim da escravidão no Brasil.

 





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