:: ‘Notícias’
CONSULTE O “PAI DOS BURROS”
Certa feita, um professor de português, de certa forma debochado – hoje politicamente incorreto – depois de falar sobre conjugação verbal, uso dos pronomes, conjunções e objetos diretos e indiretos, no final da aula contou uma piada, sem muita graça.
Disse que um moço mais letrado, mas um tanto exibido, entrou num bar e chamou o garçom de lacaio para lhe servir. Como se fosse um elogio à sua pessoa, o cara foi lá em sua mesa, todo sorridente. Ele fez mais uns gracejos com palavras difíceis.
Poucos alunos riram, mas um lá do fundo, da chamada turma do “paredão”, indagou do professor o que significava lacaio e ele respondeu, consulte o “Pai dos Burros”.
A moçada de hoje ficaria baratinada com esse termo “Pai dos Burros”, e seria preciso explicar que se trata do nosso tirador de dúvidas, o Dicionário, nos dias atuais praticamente em desuso. Infelizmente, grande parte da nossa juventude, além de escreve errado, tem o celular para fazer uma consulta. Poderia ser chamado de o “Pai dos Internautas? Tenho minhas dúvidas, porque ainda prefiro o “Pai dos Burros”.
Lembro que naquela época do meu primário, ginásio e do clássico, todas escolas tinham um Dicionário, e até em algumas salas. A gente ficava brincando de falar difícil como forma de gozação e xingar os colegas. Era o bastante para o ofendido recorrer ao “Pai dos Burros”. Muitas vezes resultava até em brigas.
Imaginou chamar outro de meruxinga, ou até mesmo merdáceo! Seria uma forte ofensa, mas nossos políticos são uns verdadeiros merdáceos. Se você não sabe o que é, então, consulte o “Pai dos Burros”.
Um dia ouvi um doutorzinho, num lançamento de um livro, pronunciar que a nossa língua é pobre e fraca de vocabulário. Confesso que fiquei estarrecido e irado. Não me contive e fui tirar satisfação, com os bofes inchados de raiva. “Como você diz que nossa língua é pobre? É a primeira vez que ouço isso em minha vida”.
Por essas e outras é que a nossa língua está sendo chafurdada na lama pelo complexo de inferioridade, ou perda cultural. Santa ignorância! Os letreiros nas lojas estão todos inglesados. Nos shoppings até parece que você está na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
As pessoas metidas a bestas, como dizia Ariano Suassuna, se sentem chicosas e ainda ridicularizam quem não pronuncia corretamente os termos ingleses, como se fosse uma obrigação, mas falar o português errado, pode.
Em Paris, me recordo bem, fui a uma tabacaria e pedi uma carteira de cigarro Lucky Strike e tive o cuidado de carregar bem na pronúncia do “estraike”. O francês me olhou atravessado e corrigiu para “estrike”, como estava escrito. Sem mais comentários.
Bem, meu camarada, vamos voltar ao nosso “Pai dos Burros” da língua portuguesa, umas das mais difíceis do planeta, extraída da Flor do Lácio, o nosso latinorum, mas nela está embutida o grego (conquista dos gregos pelo Império Romano), expressões árabes (Península Ibérica), o tupi-guarani e o africanês.
Temos como palavras greco-latinas, biblioteca, raramente frequentada, democracia, injuriada pelas injustiças e as corrupções, oftalmologia, biologia, geografia, habeas corpus (latim), usadas pelos bandidos e sicários. O grego é comum em terminologias técnicas/científicas, enquanto o latim forma a base gramatical e vocabular, como avicultura, beligerante, cordial, grátis e por aí vai.
Em árabe existem mais de três mil palavras. As mais comuns são as iniciadas em “al”, como almofada, almoxarife, algodão, açúcar, alface, fulano, armazém, azeite, alicate, tambor e tantas outras. No tupi-guarani, temos abacaxi, açaí, caju, capivara, jacaré, pipoca, potiguara. Do africano, principalmente originárias dos grupos bantos, usamos muito o samba, dendê, cafuné, moleque, dengo, quitanda, fubá, bagunça e muvuca (casos do nosso país), berimbau, axé, cuíca, quilombo, senzala e tantas outras.
No “Pai dos Burros”, que se tornou arcaico nos ensinos escolares dessa modernidade burra, você vai encontrar todos os significados dessas palavras, mas sua preguiça não deixa, meu jovem, cujos neurônios estão voltados para as telas das fofocas e dos mexericos.
Coitado do nosso “Pai dos Burros”! Parece até um objeto contagioso. Ficou lá encostado num canto poeirento como se fosse um leproso. Quem se lembra aí das enciclopédias Barsa, Atlas, do famoso Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira com José Batista da Luz, do Michaelis, do professor Alpheu Tersariol. Deixa quieto porque muitos dos nossos estudantes nunca ouviram falar nesses nomes e nem sabem como manusear um “Pai dos Burros”.
Estou lendo a obra do médico e antropólogo, Estácio de Lima, sobre o cangaceirismo e sempre tenho que recorrer ao “Pai dos Burros”, quando ele faz sua descrição estrambólica mesológica do árido solo nordestino e fala das características típicas do cangaceiro que enfrentava adversidades das caatingas, fugindo das persigas das volantes.
Com suas definições, vim descobrir que sou um leptossomático (alô meus amigos Itamar, Manno e Luís Altério!), e não um picnóide ou picnídio (alô meu amigo Dal Farias!), que não teria o devido atributo de se mobilizar com facilidade nos sertões do cangaço. O mestre ainda cita a esquizotemia, o hipogenitalismo e a melanodermia na classificação do cangaceirismo e do nordestino em geral.
No computador, ou no celular, essas palavras são assinaladas como desconhecidas ou erradas. Pois é, não vou traduzir minha modesta crônica. Quem quiser entender melhor que consulte o “Pai dos Burros”. Êta égua! Tô ferrado!
PROGRAMA “MEU LAR”
Está em fase de análise pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em conjunto com o poder executivo, o Programa de Lei Complementar que institui e disciplina a criação da moradia “Meu Lar”, visando reduzir o déficit habitacional de Conquista de mais de dez mil famílias.
O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, prometeu dar celeridade ao programa, devido a relevância social da iniciativa que contará com recursos de 30 milhões de reais dos 400 milhões de empréstimo da Caixa Econômica Federal. Ivan adiantou ser preciso avançar na política habitacional. “Esta matéria terá toda agilidade do legislativo”.
Além da proposta, a Prefeitura Municipal também pretende implementar a regularização urbanística e fundiária em áreas ocupadas por populações em situação de vulnerabilidade. A presidência da Câmara assinalou que existe um consenso entre os vereadores sobre a urgência do tema.
“Meu compromisso como presidente da Casa é conduzir um debate maduro e ágil, permitindo que o Programa “Meu Lar” saia do papel o quanto antes, dentro do rigor técnico para que o benefício chegue de fato às famílias mais necessitadas, principalmente às mulheres chefes e aos idosos”.
Foi elaborado um diagnóstico habitacional do município que serviu como base para a definição das prioridades e das estratégias da política habitacional. A proposta ainda atualiza a legislação municipal, alinhando-a às diretrizes do Estatuto da Cidade e às políticas nacionais de habitação.
Durante a sessão ordinária de ontem (segunda-feira, dia 09/02), o legislativo discutiu diversos projetos de interesse da comunidade, como a proposta que cria a autorização para o sepultamento de animais domésticos de estimação em jazigos, túmulos ou campos pertencentes aos seus tutores nos cemitérios do município.
Os parlamentares discutiram também a instituição do Dia Municipal de Conscientização sobre Experiências Adversas na Infância (ACEs) a ser comemorado no dia 20 de setembro, bem como, a proposta que estabelece o Dia Municipal da Ação Climática no âmbito do município.
SESSÃO ESPECIAL DA MULHER
Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, que acontece neste domingo (dia 08/02), a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista realizou, nesta sexta-feira (dia 06/02), uma sessão especial onde se discutiu diversas questões relacionadas às mulheres.
Na ocasião, muitas mulheres foram homenageadas, como as ex-vereadoras Lúcia Rocha e Ligia Matos, além de tantas outras que atuam e lutam em defesa da categoria. A sessão foi presidida pela parlamentar Gabriela Garrido, que já foi delegada da mulher em Conquista.
A violência contra a mulher, que vem aumentando, esteve presente nas falas de todas que usaram a tribuna para expor seus pontos de vista a respeito do universo feminino. Segundo elas, o machismo ainda continua muito presente nos dias atuais, apesar das mudanças.
A ex-vereadora Lúcia Rocha, que já exerceu oito mandatos em Conquista, disse que durante este período sempre assumiu o compromisso de defender a mulher em todas suas atividades, inclusive através da inclusão de políticas públicas.
Lembrou que chegou a ser a única mulher vereadora do município, citando que hoje são cinco cadeiras. Para ela, ainda é pouco, mas já foi um avanço importante na história política da cidade. “Precisamos avançar muito mais”. Na oportunidade, expressou seu desejo de que Vitória da Conquista venha a construir um hospital exclusivo para as mulheres.
Ligia Matos agradeceu a homenagem e conclamou a todos presentes a lutarem cada vez mais por políticas públicas voltadas para as mulheres. Apontou que ainda existem muitas desigualdades sociais e de gênero. “Infelizmente, ainda não temos os 30% de mulheres no legislativo, conforme está previsto”.
No início do seu mandato, entre 2000/08, Lígia destacou que naquela época existiam muitas candidatas laranjas somente para preencher as cotas, e que foi uma defensora para que esse esquema não perdurasse.
Quanto a violência contra a mulher, Lígia ressaltou que os fatos comprovam aumento nos últimos anos e citou que, em 2025, somente em Conquista, 723 mulheres pediram proteção.
Márcia Viviane elogiou a ação do presidente da Casa, Ivan Cordeiro, por ter criado a bancada feminina, mas alertou que “ainda temos muito a conquistar”. Apesar de todo arcabouço das leis, de acordo com Viviane, a violência contra a mulher ainda é crescente.
Destacou que a mulher tem uma carga de trabalho exaustiva e conclamou os homens a ajudarem mais no dia a dia da casa. Afirmou que o Dia Internacional da Mulher deve ser de reflexão e finalizou dizendo que “queremos viver sem medo de agressões e abusos”.
SAUDADES DE A a Z
(Chico Ribeiro Neto)
Crônica publicada no jornal A Tarde em 24/7/91)
Você já passou a limpo uma agenda de endereços? Todos hão de concordar que é um grande porre. A minha agenda velha estava caindo aos pedaços e entupida de nomes. Estava daquelas em que uma letra já começa a invadir a outra e quando você abre na letra A, a Z já está caindo no chão.
Há seis meses eu tinha comprado uma nova agenda que estava guardadinha na gaveta. Era só olhar pra capa dela, verde, e lá vinha a preguiça. Só muita disposição para iniciar a empreitada, mas felizmente já consegui terminar a missão de passar a limpo todos os nomes e endereços. Todos, não, pois a outra agenda tinha tanto tempo que tive de riscar alguns nomes cujas pessoas já tinham morrido.
Quem não morre, na verdade, é a minha velha agenda. Como que aborrecida, despetalando-se, ela soltou a capa esta semana, justamente quando eu estava terminando de preencher a agenda nova. Ciúme puro. Cadê coragem para jogá-la no lixo? Coloquei-a ao lado da nova e ela ficou lá, com um certo jeito de sabedoria que os mais velhos costumam ostentar. Foi dito e certo. No dia seguinte, precisei de um telefone cujo nome eu tinha pulado na hora de copiar. Corri rapidamente à agenda velha e lá estava a pessoa que estava procurando.
Copiar nomes, endereços e telefones só é tarefa chata no começo. Depois, começam as lembranças. Aquela prima de Jequié para quem nunca mais você ligou, o colega de ginásio que você encontrou na rua e que hoje é dono de hotel e um telefone mais do que providencial: o do orelhão da barraca de Seu Isidro, que recebe chamada e que permite sempre encontrar um colega do jornal por lá, entre uma cerveja e pratinhos de amendoim cozido.
Me aconselharam comprar uma agenda eletrônica, “você precisa se adaptar aos novos tempos, rapaz. Ela cabe até 500 nomes e é só você apertar o botão e PUFO!, aparece logo o nome que você deseja”.
Muito obrigado, prefiro ainda a agenda manual, onde posso colocar, além de endereços e telefones, a conta de luz, um recorte de jornal, o recibo do condomínio, resultados de exames e o último extrato do banco. De vez em quando, uma faxina, mas logo logo ela está gordinha de novo.
A agenda velha agora só tem a contracapa. Está amarrotada de tanto manuseio, mas não vai pro lixo. Aposenta-se com um merecido repouso na gaveta.
(Observação: essa crônica foi escrita há 34 anos. Uso agenda de papel até hoje e alguns nomes mortos me surpreendem. Lá está também, de forma cifrada, o emaranhado de senhas que nos obrigam a usar para sobreviver. guianaselvaabcinfinitoperto@tudojuntosemacento*1948pi).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
E OS EQUIPAMENTOS CULTURAIS?
A Secretaria de Cultura de Vitória da Conquista vem anunciando a elaboração do Plano Municipal de Cultura através de reuniões com diversos setores das artes, e agora com escutas territoriais que, segundo o poder público, orientará as políticas culturais pelos próximos dez anos. Por que não, vinte anos?
Para este ciclo de debates será utilizada a Carreta da Cultura, tendo como objetivo assegurar a participação popular e democrática, de modo que contemple as comunidades conquistenses. Diz a Secretaria que a partir dessa etapa serão definidas metas e ações que irão compor o documento.
Pelo tempo que os artistas da cidade vêm cobrando este plano, mais parece “coisa para inglês ver”. Como tudo nesse Brasil e, particularmente, em nossa Bahia, é lento e atrasado, quando ele chegar, muitos já se foram na poeira do tempo, sem falar que deixamos de realizar diversas ações e atividades importantes.
Nos últimos meses só se vem falando nisso, como se fosse uma tática da Prefeitura Municipal de que está mesmo preocupada com a cultura (não engulo essa), ou uma maneira de se esquecer de outros problemas cruciais envolvendo o setor. Para ser sincero, nunca vi um governo tão apático com relação à nossa cultura.
Com esse plano, pra lá e pra cá, ninguém comenta mais sobre os equipamentos culturais que estão fechados há cerca de dez anos. Estão abandonados e entregues à destruição do tempo, principalmente com essas chuvaradas. Vamos repetir aqui a grave situação do Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha.
Esses espaços, se ativos estivessem, estavam sendo utilizados pelos artistas em geral para realização de seus ensaios e espetáculos, beneficiando toda sociedade, inclusive os empresários do comércio.
Infelizmente, essa categoria empresarial não tem a mínima noção disso e trata a cultura como se fosse um patinho feio. Definitivamente, a mentalidade desse segmento é atrasada e só pensa em juntar dinheiro para adquirir imóveis e colocar o dinheiro nos colchões bancários.
Há muitos anos tenho cobrado a elaboração desse plano, desde quando fui presidente do Conselho Municipal de Cultura, mas emperraram os trâmites. Pelo período de enrolação, entendo, dentro da minha modesta visão, que a abertura dos equipamentos seria prioritária.
O que mais me incomoda mesmo é que o poder executivo fez um voto de silencio quanto a esses equipamentos, como se eles não fizessem mais parte dos planos da cultura. Será que a prefeitura tem a intenção de vender essas edificações históricas para o setor imobiliário, ou deixá-las esquecidas até que caiam?
Sei que o nosso povo, pela sua própria ignorância e falta de instrução, nem está aí para as questões da cultura e nem sabe que sem a arte somos apenas animais desalmados e brutos. O que essa gente quer é pavimentação de ruas, e é até compreensível.
No entanto, é de responsabilidade dos poderes constituídos zelar, preservar e incentivar a cultura, porque não somente de pão vive o homem. Para lamento, tristeza e vergonha dos mais esclarecidos, Conquista já foi uma cidade cultural. Infelizmente, hoje não é mais.
CONQUISTA PRECISA DE OBRAS DE DRENAGEM PARA EVITAR ESTRAGOS
As fortes chuvas que caíram em Vitória da Conquista, na última semana e provocaram estragos em diversos pontos da cidade, foi o assunto dominante nas falas dos vereadores durante a sessão ordinária desta quarta-feira (dia 04/02), na Câmara Municipal.
Os parlamentares fizeram um apelo às esferas municipal, estadual e federal para, em conjunto, construírem com urgência obras de macro e micro drenagem, de modo a enfrentar as mudanças climáticas.
Antes dos pronunciamentos, os vereadores apreciaram diversos projetos do poder executivo, como o pedido de autorização para que o município conceda subvenção social à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Apae; e ampliação do número de vagas para o cargo de provimento efetivo de nutricionistas no quadro de pessoal.
Constaram ainda da pauta de discussões, a solicitação para passar a denominar a Rua “J” em Adonias Rebouças São José, no Bairro Zabelê; também denominar a Avenida Padre Aguiar, no lugar da atual Oswaldo Cruz (antiga Avenida H), localizada no Conveima I.
No âmbito administrativo, requer a mudança de denominação da Secretaria de Serviços Públicos, para Sec. Municipal de Ordem Pública; bem como, Secretaria de Gestão e Inovação, para Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão- Seplag.
Os parlamentares presentes usaram a tribuna para se referir às fortes chuvas e seus estragos. Adinilson Pereira destacou os prejuízos causados no Choça, na Lagoa das Flores e outras localidades. Segundo ele, a chuva é uma benção para os sertanejos, mas causou prejuízos graves na cidade que precisa de obras de drenagem, sendo que em alguns locais os serviços devem ser feitos com urgência.
Na ocasião, pediu ao poder executivo que fiscalize algumas obras particulares (galpões) que estão sendo erguidas no Centro Industrial, em sua opinião, de forma irregular, causando impactos ambientais.
Quem também tratou da questão das chuvas foi o vereador Andreson, que citou a presença em plenário do ex-deputado Clovis Flores. Lembrou que março é o mês das mulheres e fez um apelo para que sejam realizadas campanhas educativas entre as crianças de maneira que no futuro próximo sejam reduzidos os atos de violência contra a categoria.
Sobre as chuvas, solicitou que a Prefeitura Municipal comece as obras de tapa buracos porque todas as ruas estão em estado lastimável. O parlamentar Edjaine Rosa (Bibia) foi na mesma toada e adiantou que em abril o executivo vai receber 200 milhões de reais do empréstimo dos 400 milhões, para realizar obras de reparos as chuvas.
A parlamentar Cris Rocha informou que fez uma visita ao distrito de Inhobim e requereu que a prefeitura faça uma reforma do posto de saúde, para o qual nosso mandado destinou 100 mil reais da emenda impositiva. Para o distrito, indicou ainda a pavimentação da rua Plínio Flores, bem como a revitalização da praça principal.
Luis Carlos Dudé, além de falar das fortes chuvas e da necessidade de obras de drenagem na cidade, aproveitou para informar sobre a chegada da imagem de Nossa Senhora de Fátima a Conquista vinda de Portugal. Essa imagem ficará de forma permanente na Igreja de N. Senhora de Fátima (Convento dos Capuchinhos).
“A MAIOR VÍTIMA É A VERDADE”
Você não sabe se chora ou rir com essa desumana humanidade burra! Entre um noticiário e outro sobre a guerra do Cachorro Louco dos Estados Unidos, que mandou atacar o Irã, aparece um cara idiota da merda do programa inútil do BBB dizendo que “a voz do povo é a voz de Deus”. Ainda tem gente que diz que estamos evoluídos “pra cachorro”! Só se for!
No momento estava pensando que algum famoso estrategista, ou sei lá quem, afirmou certa vez que numa guerra, “a maior vítima é a verdade”. Nessa expressão sim, podemos acreditar, mas não na outra onde numa casa fechada de luxo, um fica se estapeando e eliminando o outro na base de um “paredão de fuzilamento”, para ganhar uma bolada de mais de um milhão de reais.
De um lado temos catástrofes e tragédias no mundo e no Brasil, com milhares ou milhões de vítimas, em decorrência do aquecimento global, chamado de mudanças climáticas, consequência da depredação do meio ambiente. Vitória da Conquista está nesta rota de destruição, e a tendência é piorar se não forem logo construídas obras de macro e micro drenagem para a cidade.
Do outro vemos drones, foguetes, bombas e aviões cruzarem os céus do Oriente Médio, teleguiados pela Inteligência Artificial (IA), numa guerra monstruosa provocada pelo Cachorro Louco dos ianques, que só fala mentiras e barbaridades. Ao seu lado está o genocida de Israel, o judeu Benjamin Netanyahu, o “Bibi”, que praticamente exterminou os palestinos.
Agora estou em dúvida se é o aquecimento global, ou é a IA, que vai deletar os humanos da face do planeta. Não podemos deixar de lado o uso das bombas nucleares que somente poucos países possuem. O mais insensato é que os detentores dessas armas pretendem aumentar seus arsenais.
Para que, carapálidas, se todos vão mesmo morrer sufocados com os gases atômicos? Certamente, esses chefes imbecis, com suas famílias, já devem ter alguns planos de sobrevivência, como esconderem em seus bunkers poderosos ou voarem para a lua ou marte.
Como o Irã não é a Venezuela onde o Cachorro Louco foi lá e sequestrou o presidente, deixando uma agente sob seu comando, ninguém duvide se ele não der a louca e mandar jogar uma bomba atômica no país persa, historicamente formado de guerreiros. Seria uma repetição de Hiroshima e Nagasaki?
Praticamente não existe mais guerra de trincheiras, a não ser nos países subdesenvolvidos ou de terceiro mundo. As potentes metralhadoras e tanques estão se transformando em ferros velhos, ainda usados pelos mais pobres, como já foram nas civilizações passadas, a pedra, o pau, o arco, a flecha e a espada, sem falar na utilização do cavalo.
O negócio agora é apertar um botão automático e lá vão as ogivas, percorrendo milhares de quilômetros, numa velocidade além do som, fazendo aquela curva até explodir no alvo, embora algumas caiam fora do ponto demarcado, até em escolas. Como disse meu amigo conterrâneo piritibano cancioneiro, músico e poeta Wilson Aragão, se a guerra fosse de facão, morreria menos gente.
Nessas guerras de fogo e luzes mortíferos atravessando os céus, não existe mais repórteres, como antigamente, em linhas de frente das batalhas, com coletes, capacetes e roupas protetores. Agora os jornalistas têm que ser especialistas no assunto e narrar as mentiras a distância, em países diferentes.
“INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL” ABRIU O PRIMEIRO SARAU DO ANO DE 2026
DESDE OS TEMPOS PRIMITIVOS AO TECNOLÓGICO
Professor Roque Mendes Prado Trindade (direita)
No primeiro “Sarau A Estrada” do ano, realizado no último sábado (dia 28/02/2026), o professor Roque Mendes Prado Trindade, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, abriu os trabalhos com a palestra “Inteligência Artificial – uma jornada pelo passado, presente e futuro”.
Como já diz o próprio subtítulo, o professor começou sua explanação falando dessa inteligência desde os tempos primitivos quando o homem usava os sinais da pedra, da fumaça, do fogo e outros códigos e símbolos para se comunicar.
Roque começou sua fala destacando a máquina como a extensão do homem, dando como exemplos o outro, a pedra, o braço, pernas, a lança, a espada, os talheres, a enxada, o arado e as ferramentas manuais. Existiam também as extensões do corpo, do olho, do ouvido (terra, linha do trem, o microfone), da voz, do olfato, da memória, do raciocínio lógico, do aprendizado (métodos estatísticos, neurônio artificial, redes neurais) e tantas outras.
Quanto aos desafios futuros. Roque Mendes afirmou que o problema do homem não é a IA, mas o próprio homem pelo seu empobrecimento sentimental, pela falta de empatia, de amor, de tolerância e o empobrecimento cultural.
Os perigos, de acordo com ele, estão no robô aspirador espião, no racismo, na pedofilia, nos algoritmos que não têm sentimentos, nos golpes e nas mentiras. Durante sua exposição, ele chamou as pessoas a refletirem de que a IA não se iguala às pessoas; que as máquinas não podem pensar; e de que todos estamos sujeitos a ser enganados pela Inteligência Artificial.
Em sua opinião, a IA jamais terá uma inteligência superior ao homem, e ressaltou que ela afeta o mundo e que tem seus benefícios em vários setores da vida, citando a saúde, a educação, o transporte e a produtividade nas empresas e nos negócios. No final, chamou a atenção para que as pessoas procurem ter discernimento daquilo que é falso e verdadeiro na IA. Depois, muitos fizeram suas devidas intervenções e questionamento com relação ao tema, inclusive sobre o papel da IA nas próximas eleições do país.
O sarau foi abrilhantado com o show de cantorias dos artistas Jânio Arapiranga, que cantou belas canções, inclusive de músicas autorais, sendo muito elogiado, de Alex Baducha, Gilmárcio, no violão, Manno Di Souza, Armando, Fabrício Prado, dentre outros.
Como sempre, o espaço foi aberto às declamações de poemas, contação de causos por Jheusus, num clima fraternal entre amigos admiradores da cultura.
Mesmo com as intensas chuvas, muitos compareceram ao evento que até proporcionou um ambiente de aconchego, tudo acompanhado pelos comes e bebes. Por causa da chuvarada, muitos não puderam comparecer, mas o sarau contou com as presenças de mais de 20 pessoas.
Na ocasião, antes dos trabalhos, o presidente de honra do Sarau, Jeremias Macário, aproveitou a ocasião para dar alguns informes e fazer determinados questionamentos. Como novidade, anunciou que o Espaço Cultural a Estrada já pode ser acessado no Google Map e outros aplicativos.
Como informe, anunciou que está trabalhando no projeto de elaboração do seu próximo livro sobre a Serra do Periperi – lendas, mistérios e verdade. Em seguida, pediu a todos que colaborem com o blog www.aestrada.com.br enviando textos sobre assuntos diversos, com todo liberdade de expressão de pensamento.
Como o Sarau está em vias de ser registrado, Jeremias prometeu que quando todo processo estiver concluído, o Acervo Cultural A Estrada, de mais sete mil itens, e que já está também regularizado, será doado à nova sociedade que está sendo criada, sem fins lucrativos. Anunciou seu desejo do espaço ser aberto à comunidade e não apenas aos artistas.
Vandilza Silva Gonçalves, que sempre tem sido a nossa anfitriã e dedicado todo seu esforço a este projeto cultural, agradeceu o apoio e ajuda da presidente Cleu Flor nos momentos mais difíceis que passamos para concluir nosso novo espaço cultura, estendendo o agradecimento a todos que têm dado suas contribuições para que o sarau, que está completando 16 anos, continue a existir por mais longos tempos.
DESCULPA PERGUNTAR…
(Chico Ribeiro Neto)
Gente perguntadeira é terrível. Muitos costumam começar com o famoso “desculpe perguntar”, como se você tivesse obrigação de responder. Curioso é que perguntar sempre foi meu ofício na vida de jornalista profissional, mas odeio gente perguntadeira.
“Desculpe perguntar, mas você paga quanto de condomínio?”
Às vezes é um amigo, às vezes é um parente, a pessoa perguntadeira tem um jeito especial de lhe cercar pelas beiras. Vem como quem não quer nada e aí PIMBA ! dispara a flechada:
“Seu filho tá ganhando quanto?”
Você reage dizendo que não sabe e a perguntadeira, que também adora uma fofoca, saí por aí espalhando: “É um pai desinformado!”
Fuja de gente perguntadeira. Tem uns que chegam a perguntar o preço de sua roupa: “Desculpe perguntar, mas quanto foi essa camisa no shopping?”
Uma boa saída é devolver a pergunta: “Meu condomínio é mil reais e o seu tá quanto?” Ou então atacar mesmo: “O senhor, por acaso, é pesquisador do IBGE?”
Eles adoram saber da vida dos outros, não vivem sem perguntar. Querem saber sempre, não de tudo, mas de todos. O perguntador contumaz não se limita a dar bom dia. Ele acrescenta: “Tá indo pra onde?” “Vai passar o Carnaval aqui ou vai viajar?”
A pessoa perguntadeira fica intrigada quando não sabe nem consegue descobrir o que é que aquele vizinho faz na vida. Só conseguiu descobrir que ele chega por volta de 20 horas, mas ainda não sabe que horas ele sai. Vai sondar o zelador.
“Quanto é sua faxineira? Ela cozinha também?”
“Você toma remédio de pressão?”
“Você assiste Big Brother?”
“Faz supermercado por semana ou por mês?”
“Você se dá com o vizinho?”
“Você consegue fazer poupança?”
“Você é feliz?”
Tem uma velha piada: vai passando na rua um sujeito com um pedaço de tubo na mão. Passa o perguntador, que nem o conhecia, e pergunta: “Pra que é esse tubo?” “Pra enfiar no cu dos perguntadores” é a resposta.
Uma vez, no Porto da Barra, em queria saber as horas. Passou um cara com um colete cervical e de relógio. “Por favor, que horas são?” Foi acidente”, respondeu ele.
Uma vez, na praia, milha filha Clarice, com uns 6/7 anos, arranjou uma amiga que perguntava tudo sobre a nossa vida. Perguntou onde eu trabalhava e até quanto eu ganhava. Apelidamos a menina de Perguntinha.
Quando eu estava na Tribuna da Bahia, final da década de 60, dividia um apartamento com um colega, Zé, e a mulher dele, que tinham um filho de um ano. Como Zé só começava a trabalhar às 17 horas, e era mineiro, ia à praia com o filho quase todo dia de manhã, e uma vizinha perguntadeira passava por eles no corredor. Doida pra saber o que Zé fazia na vida, um dia ela não se conteve. Brincou com o bebê no colo de Zé e falou: “Ô menino lindo, tá indo pra praia? Você não trabalha não, meu filho?” E Zé respondeu: “Ele está de férias”.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
NÃO CUSTA NADA SONHAR E IMAGINAR
“Imagine” é uma canção de John Lenon, lançada em 1971 que fala de um mundo vivendo em paz, sem divisões, sem fronteiras, religiões ou propriedades. É um hino pacifista e um apelo utópico à paz, focada na união e na empatia.
A partir dessa letra, parodiando Lenon, fiquei aqui a pensar que não custa nada sonhar e imaginar um país onde houvesse justiça e igualdade social, sem castas, privilégios, corrupções, jogo de interesses na política, sem malfeitores e mordomias entre os mandatários do poder, de forma que sobrasse recursos para investir na qualidade de vida de todos.
Sem mais rodeios e indo direto à questão, sonhei e imaginei um presidente da República que não fosse somente um funcionário público na teoria, mas na prática, como todos os outros, dando exemplo de ética, honradez e trabalho. Vamos imaginar juntos!
Imagine um presidente que não tivesse palacete, carro de luxo e motorista pago pelo contribuinte e vivesse em sua casa ou apartamento com todas suas despesas (empregados, alimentação e outros itens) custeados através do seu próprio salário, como um executivo de uma empresa eficiente.
Imagine um pais onde todo presidente priorizasse a educação e a cultura, que seus ministérios fossem limitados por lei no máximo a 15 e que eles também tivessem seus próprios veículos, suas moradias e pagassem seus custos do próprio bolso. Quem cometesse algum delito, seria imediatamente preso e não apenas demitido.
Imagine o mesmo para o vice ou que não fosse preciso tê-lo, e se houvesse, que seja eleito pelo povo, cumprindo apenas suas funções constitucionais. O mesmo sistema servisse de exemplo para os governadores dos estados, sem palácios e privilégios, como praticamente acontece com os prefeitos que pagam suas moradias.
Imagine viver num pais com um judiciário justo e técnico, de forma que a lei fosse igual para todos, sem influências políticas, de poderosos do dinheiro e sem pressão popular. Que a pena para o pobre fosse a mesma para o rico.
Nada de desembargadores e ministros das cortes, e sim juízes dos tribunais, sem abuso de poder e supersalários, sem vender sentenças. Sem esse órgão nebuloso de Conselho Nacional da Justiça (só gera mais gastos), e que as portas da magistratura fossem abertas ao povo simples, para expressar abertamente seus problemas, sem medo de ser preso. Ser ouvido sem aquele temor.
Ah, e esse legislativo monstruoso de milhares de cabras egoístas no poder, tão devastador e mutilador dos nossos sonhos e esperanças! Para ele, imagine que as cadeiras do Congresso Nacional, o calcanhar de Aquiles da nação e o mais caro do mundo, fossem cortadas pela metade, sem foro privilegiado, sem direitos a auxílios moradias, vestimentas e outros bagulhos.
As verbas de gabinete fossem limitadas a apenas 10 assessores. Nada de carros luxuosos e sem essa picaretagem de emendas parlamentares. Legislativo é para legislar, e não para executar obras. Se recebe salário a altura do cargo, que pague seus gastos.
O deputado ou senador só poderia ser eleito no máximo duas vezes e quem roubasse fosse direto para a prisão, sem direito a nunca mais se candidatar. Inelegível até a morte. Essas normas seriam estendidas a todos os políticos, sem distinção.
Nas assembleias e nas câmaras, imagine que o número de parlamentares também fosse reduzido à metade em cada estado e em cada município. Cada um pagando a sua conta do seu salário, fixado entre dez a quinze mil. No máximo, três ou cinco assessores.
Imagine que vereador passasse a ser chamado de conselheiro com um salário de no máximo sete ou oito mil reais. Fosse proibido cada um demarcar seu lote e ter seu curral eleitoral no município. Afinal, povo não é gado para ser ferrado como dono.
Sei que, infelizmente, como John Lenon, meu sonho e minha imaginação de viver num país assim não passam de utopia, mas, como não custa nada, embarquei nessa viagem que não é só minha. Sabemos que navegamos numa nau de insensatos, mas não custa sonhar e imaginar.
– Acorda cara, você está no planeta terra, numa aldeia chamada Brasil que já nasceu assim desde os tempos coloniais. Deixa de viajar na maionese e vamos trabalhar que o patrão que sustentamos está de olho em nós! É, meu camarada, vamos continuar sendo burros de carga!














