janeiro 2022
D S T Q Q S S
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

:: ‘Notícias’

A EVOLUÇÃO DO EXTREMISMO DE DIREITA E A VOLTA DAS TREVAS

Talvez os espíritas e as religiões afros, mais que os historiadores e cientistas, possam dar uma explicação mais plausível sobre o que vem ocorrendo com a volta avassaladora das ideologias extremistas e negacionistas no planeta terra, inclusive em nações mais desenvolvidas que sempre defenderam a liberdade e a democracia, consideradas mais avançadas em termos civilizatórios.

É um fenômeno inexplicável essa volta às trevas e ao obscurantismo como numa repetição maldita da história. Alguns intelectuais da África, como Soyinka, na passagem entre o colonialismo e o pós-independência de países do continente, falam muito dos males ancestrais que se arrastam para o presente. É o passado replicando o presente. É a Idade Média se incorporando em pleno século XXI.

Na Europa, nas Américas e outros continentes, as ideias fascistas, nazistas, de supremacia da raça, do preconceito, da discriminação e retrógradas negacionistas da ciência estão retornando com força através das eleições de líderes de extrema. Esse quadro se tornou mais visível nesse período pandêmico da Covid-19 onde milhões se recusam a vacinar como forma de negar a ciência.

Entre as democracias em retrocesso, Brasil e Estados Unidos estão na lista do relatório anual da Organização Internacional IDEA, com sede em Estocolmo. Os principais motivos são do presidente-capitão e do ex-Donald Trump. Mais de um quarto da população mundial estão nesse rol. Seriam cerca de 70% se forem somados os regimes autoritários, ou com tendência à degradação. Desde 2016 a lista já incluía Índia, Filipinas, Polônia, Hungria e agora, a Eslovênia.

Voltamos ao tempo das inquisições do pensamento, faltando apenas montar as fogueiras, como está acontecendo, particularmente em nosso Brasil de hoje. Confesso que tenho ficado chocado e angustiado com fatos absurdos, como o mais recente de uma professora de filosofia, em Salvador, que foi vítima de um processo numa delegacia só porque estava cumprindo seu dever de lecionar sua matéria, sem intenção de inocular ideologia em seus alunos. Ela falava sobre a Semana da Consciência Negra e foi denunciada como esquerdista, comunista e macumbeira. Isso remete à ditadura civil-militar no seu pior momento do AI-5.

A cada dia cresce mais e mais o fundamentalismo evangélico, com intolerância religiosa e ódio homofóbico. Aumentam a violência contra a mulher, o feminicídio e o racismo ao negro, com brutal agressão. A polícia executa os cidadãos, e o capitão-presidente incentiva cada vez mais o uso de armas. Foi aberta a porteira para a boiada da destruição das nossas florestas. O meio ambiente padece.

A impressão que temos é que está havendo um surto de raiva sem precedentes na história da humanidade, com a redes sociais repletas de imbecis incultos e estúpidos soltando espumas venenosas pela boca. Não existem debates de ideias e argumentos. Só sobraram os xingamentos extremistas, tanto de um lado, como do outro, num país dividido com milhões passando fome na extrema pobreza.

Por outro lado, o planeta está pegando fogo com o aquecimento global, que não tem mais volta. A terra vai se acabar. Os caras na reunião do clima passam dias se estapeando sobre redução dos índices de dióxido de carbono e metano. Assinam documentos e depois não cumprem o dever de casa quando retornam aos seus países de origem.

Cada um só quer elevar o seu Produto Interno Bruto (não importa o tipo de combustíveis queimados), incentivar o consumo das famílias, ostentar seus luxos e gastar cada vez mais. Os mais ricos trocam de carro, de celulares e outros aparelhos todos os anos. O lixo é cada vez mais crescente. É uma tremenda contradição porque a conta a favor do meio ambiente nunca bate. A própria mídia que denuncia e condena a destruição, é a mesma que estimula o crescimento. Ninguém quer reduzir o consumo, a não ser os pobres que já fazem isso obrigatoriamente.

NOSSO JUMENTO ESTÁ EM EXTINÇÃO

Vejo os ambientalistas e as associação dos animais defendendo os cães, gatos, baleias, tartarugas e bichinhos do lar, mas quase nada se fala do nosso jumento, símbolo do Nordeste e servidor do homem do campo por séculos, que está sendo, impiedosamente, extinto, com o aval das autoridades governamentais.

Pelo interior a fora, ele é comprado por até 10 reais e sua carne e o couro exportados por até três mil reais para os chineses. Ele, o jegue, um personagem do Novo Testamento, que tanto ajudou o agricultor por séculos foi substituído pelas motocicletas e agora está sendo maltratado em currais e morto pelos frigoríficos.

O quadro dessa situação foi exposto pela Assembleia Legislativa da Bahia e noticiado na coluna do meu amigo Levi Vasconcelos no jornal A Tarde. O assunto foi discutido em sessão da Comissão do Meio Ambiente, presidida pelo deputado José de Arimatéia, defensor da causa animal.

De acordo com dados apurados, entre 2010 a 2014 foram abatidos mil jumentos na Bahia. Entre 2015 a 2019, o número subiu para 91.145, um crescimento de mais de oito mil por cento. O extermínio está próximo. Está sendo raro encontrar um jumento no sertão, resistente à seca.

A Comissão da Assembleia denunciou que não existe qualquer tipo de fiscalização por parte dos órgãos governamentais, nem mesmo as fazendas de reprodução. Na Bahia, os exterminadores para mandar carne e coura para a China são os frigoríficos de Amargosa, Jacobina, Simões Filho e Itapetinga, por um punhado de empregos.

Há pouco tempo, houve denúncias graves de maltratos desses animais em currais dos citados frigoríficos morrendo de fome e sede, mas, de lá para cá não mais se falou nisso. Enquanto isso, o jumento, um animal dócil, cantado em versos pelo nosso cancioneiro rei do Baião, Luiz Gonzaga, vai sendo exterminado pela ganância do lucro dos donos de frigoríficos.

GRUPO “APODIO” DISCUTE SITUAÇÃO DO TEATRO CARLOS JEHOVAH

Desde outubro, um grupo de jovens denominado de “Apodio” vem discutindo e chamando a atenção da sociedade conquistense para a situação do Teatro Carlos Jehovah. O movimento tem realizado reuniões presenciais em frente ao equipamento cultural, colocando em pauta vários assuntos e produzindo vídeos, desenhos e imagens, inclusive com proposta de uma ação judicial em defesa do teatro.

O grupo tem mantido contatos com artistas e influenciadores da cidade, inclusive com a diretoria do Conselho Municipal de Cultura. De acordo com os participantes, o local onde está o mercado popular é de bastante visibilidade, sendo necessário saber como a prefeita está se articulando com relação ao espaço, pois existem conversas de uma possível demolição.

CONSULTA POPULAR

Qualquer decisão, segundo o grupo, precisa haver uma consulta popular, argumentando não ser a primeira vez que há a intenção de mudar a cultura para um lugar menos visível. “Não há investimento em cultura e na história da cidade. Tinha um grupo que contava a história de Conquista em uma peça de teatro e passei a entender a cidade através dessas pessoas” – diz um integrante do grupo.

Eles relatam que o teatro foi construído, em 1982, (tecnicamente bem planejado em termos de luz, espaço e acústica) como parte de um movimento do próprio Carlos Jeovah, que promovia festivais e elaborava espaços artísticos, influenciando muito no cenário cultural da cidade. Lembram que 20 anos depois, o teatro foi desativado por falta de iluminação e deficiência em suas instalações físicas.

Agora, conforme assinala o grupo, O teatro volta à mesma situação, e muitos nem sabem que existe. O “Apodio” defende a melhoria do espaço (existem poucos equipamentos) e a não demolição como se tem cogitado. Entre as melhorias, apontam a necessidade de mais mesas com canais e placa de sinalização mais visível onde está situado o estacionamento. “A cultura não precisa só de talentos e amor à arte, mas também de políticas públicas para continuar a existir”.

Para o grupo, ampliar o Carlos Jehovah não é uma boa ideia, pois a estrutura dele proporciona uma relação única com o público. A proposta é que o teatro esteja sempre aberto durante o dia para que as pessoas possam visitá-lo. Outra sugestão é melhorar o mercado de artesanato. Os membros do grupo querem saber sobre a proposta concreta do poder executivo sobre o destino do espaço, criticando as outras administrações que não deram importância para o teatro.

RESPONSABILIDADE E TOMBAMENTO

O grupo “Apodio” defende uma agenda construída pela sociedade onde o poder público assuma a responsabilidade pelo seu funcionamento, porque se trata de um espaço público. “Ficamos num ciclo em que os movimentos se formam, as pessoas vão para fora em busca de novas oportunidades, e o movimento morre de novo”.

A presidente do Conselho de Cultura, Hendye Graciele, presente em um dos encontros, parabenizou o trabalho do grupo e prestou seu apoio a todos que estão nessa articulação de reativar o teatro. “O espaço tem uma dimensão simbólica, econômica e cidadã, e é importante por estar no centro da cidade. O teatro e o Centro de Cultura não anulam um ao outro. Ele tem sua função para outros tipos de apresentação, necessária para os artistas. Não precisa destruir um equipamento cultural para construir outro. Temos que caminhar no sentido da utopia de ter um teatro em cada esquina” – afirmou.

Hendye assinalou que a gestão anterior do Conselho se aproximou muito dos artistas, “e eu acompanhei muito o trabalho de implementação da Lei Aldir Blanc e outras ações. Estamos atentos para dar continuidade a este trabalho”. Declarou ser importante levar essa discussão para dentro do Conselho de Cultura no sentido de que a Secretaria de Cultura abrace essa causa do grupo. Na ocasião, comunicou que foi enviado um ofício à prefeita solicitando informações sobre a situação do teatro.

O grupo imagina que a prefeitura pode argumentar que o espaço é subutilizado, mas isso não justifica sua possível desativação, rebatendo que a relação com o poder executivo tem sido difícil. Alega falta de apoio suficiente para que os artistas possam sobreviver. “A estrutura física do músico para trabalhar é mais simples do que a do pessoal que atua com teatro. Cada expressão artística precisa de instrumentos diferentes”.

Para Eduardo Nunes, quando um espaço público não tem política pública de manutenção, como equipamentos, circulação de obras/fomento (espaço de ensaios, por exemplo) e formação de novos artistas, fortalecimento da formação dos que já tem experiência/conhecimento e de formação de plateia, fica-se refém desse processo que não avança.

Gustavo Cirino considera que se perdeu uma boa oportunidade de reformar o espaço durante a pandemia. “Foram meses sem poder reunir as pessoas para assistir espetáculos naquele espaço”. Na oportunidade, Eduardo lembrou que o Cine Madrigal está sob a gestão da Secretaria de Educação, quando o aparelho deveria estar com a Secretaria de Cultura. Em sua opinião, o movimento deve ser ampliado para a retomada dos espaços públicos culturais.

Nas falas, comentou-se que a antiga gestão do Conselho de Cultura construiu um diálogo com a associação dos artesãos, e que o momento é oportuno para se pensar em conjunto com o setor para que o mercado de artesanato seja também contemplado nas mobilizações. O tombamento de vários espaços seria um instrumento de proteção para evitar qualquer derrubada de um equipamento cultural da importância como é a do Teatro Carlos Jheováh – destacou integrantes do grupo.

 

UM PLANO PARA NOSSA CULTURA ESTÁ NA PAUTA DO NOVO CONSELHO

Com propostas de interação com a sociedade e contemplar todas as linguagens artísticas, num movimento de resgate da nossa cultura, que tem sido desgastada nos últimos anos, a nova composição do Conselho Municipal de Cultura, eleita para o biênio 2021/2023, já tem como uma de suas principais metas de trabalho a criação de um Plano Cultural para Vitória da Conquista, que irá proporcionar suporte e direcionamento para as diversas atividades das políticas públicas do setor.

Nesse sentido, a ideia, de acordo com a presidente Hendey Graciele e da nova diretoria, é começar o planejamento das Conferências Municipais de Cultura que devem acontecer em 2022, das quais resulte num documento, que será apreciado, discutido e aprovado em sessões que contarão com a participação da comunidade e dos diversos segmentos culturais do município.

Com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer, isso demandará certo tempo para ser colocado em prática, mas as conselheiras e os conselheiros estão convictos de que o projeto representará um grande legado na definição de uma nova política cultural para a cidade, o que interessa não somente aos artistas, mas à sociedade em geral.

Além dessa visão de implantar políticas públicas e um Plano Municipal de Cultura para Conquista, com respeito à diversidade de expressões culturais, com ações estabelecidas para seus diversos eixos constituídos, como a literatura, a dança, o teatro, a música, as artes plásticas, o audiovisual, cinema, o patrimônio material e imaterial, o novo Conselho já está trabalhando na renovação do seu Regimento Interno e na melhoria da comunicação com a mídia em geral, com total transparência de suas atividades.

Para tanto, foi designada uma comissão para fazer as propostas de atualização do Regimento, que serão debatidas em plenárias e aprovadas nas próximas reuniões. Também já está instalada uma comissão responsável pelo processo de comunicação com a sociedade por intermédio da mídia local, com a qual esperamos contar com o apoio.

Em reuniões ordinárias nas cinco sessões realizadas com os novos membros, o novo Conselho já discutiu diversos assuntos de interesse da população, como o caso do Teatro Carlos Jehovah localizado no Mercado de Artesanato, procurando saber qual será o destino desse equipamento cultural, e se há algum planejamento para sua reforma e revitalização, principalmente agora com a liberação de eventos através das flexibilizações nesse período de queda da pandemia.

Nesse sentido, buscando esclarecimentos sobre o assunto, foi encaminhada uma minuta, ou ofício, à prefeita Sheila Lemos, requerendo uma posição mais concreta por parte do poder executivo. O Conselho está no aguardo para poder debater, dialogar com a sociedade e acompanhar as ações planejadas para o local, bem como se posicionar em reunião com os conselheiros.  A intenção do Conselho é sempre estar próximo das demandas das diversas categorias artísticas.

Nesse sentido, será realizada uma sessão extraordinária, no próximo dia 22 (segunda-feira), cuja pauta exclusiva versa sobre o Teatro Carlos Jehovah e o Mercado de Artesanato Raquel Flores.

Outra decisão prevista é agendar um encontro com o presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Luis Carlos Dudé e componentes da Mesa Diretora, para tratarmos de assuntos de interesse da cultura do município e, ao mesmo tempo, solicitar o apoio do legislativo para que possamos realizar um trabalho conjunto em prol da nossa cultura, num elo com o poder público, os artistas e a comunidade.

 

O REPENTE É PATRIMÔNIO NACIONAL

Quando era menino e frequentava as feiras em Piritiba e suas redondezas com meu pai, ficava encantado com os repentistas com suas violas e pandeiros nordestinos trocando versos num embate para ver quem se saia melhor em suas estórias e histórias, envolvendo personagens importantes, o cotidiano da vida, a seca, os retirantes, os causos de coronéis, os compadres e as comadres e até de pessoas ali presentes.

  Nem entendia aquela arte milenar cultural e popular da oralidade, típica do Nordeste, vinda da Península Ibérica (Portugal e Espanha), mas vibrava mesmo era com as improvisações e as rimas trocadas que fechavam os versos. Era uma admiração de menino que continua até os dias atuais da minha vida. Pena que pouco estudada pelos acadêmicos da cultura erudita, só que o repente também é erudito.

Só depois de séculos de história, principalmente pelo chão árido nordestino, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu, na semana passada, o repente como patrimônio cultural do Brasil. O repente é reconhecido também como cantoria e tem como fundamento versos, rimas e oração. Os cantadores se espelham pelas cidades do interior do nosso Nordeste e ainda em regiões onde receberam migrações nordestinas.

A votação foi feita pelos 22 membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão do Iphan. O pedido foi feito pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal e Entorno. Pelo menos alguma coisa boa acontece nesse governo destruidor da nossa cultura e que procura impor aos nossos jovens uma ideologia do atraso, do retrocesso, do negacionismo e do preconceito.

No repente, a rima é a marca da espontaneidade poética do artista que faz uma espécie de repórter do sertão e historiador do cotidiano. Os repentistas empolgam e atraem anônimos que passam para apreciar as emboladas, um estilo que não deixa de ser repente, irmã do cordel. Eles são, acima de tudo, irreverentes e criativos, resultando em relatos carregados de figuras de humor.

Essa cultura vem dos poetas dos tempos gregos de Homero e Hesíodo, falando das intrigas dos deuses, dos heróis e mortais. Essa cultura da oralidade foi passando de geração em geração até a Europa antiga e chegando depois ao nosso Nordeste.

A Bahia desponta como um celeiro de repentistas (Alô Bule-Bule), grandes duelistas com suas violas, aboios e emboladas. Contam os historiadores que o berço do repente veio de lá da Serra do Teixeira, seguindo pelo Vale do Pajeú pernambucano até alcançar o Seridó, em terras potiguares. São mais de 50 modalidades, com acentuação tônica obrigatória, espalhadas por todos estados nordestinos, com suas belezas de prosas poéticas que engrandecem ainda mais a nossa rica cultura.

FARELOS DO MESMO SACO

Quando pessoas aparentemente sérias e honestas se juntam com outras permissivas e predadoras visando os mesmos interesses para manter suas posições no poder, ou defender seu quinhão, costumamos dizer que elas são farinha do mesmo saco. Com o tempo essa farinha virou farelo de validade vencida.

No entanto, farinha é hoje um alimento que está com preço alto nas feiras por causa da inflação. Essa gente nem é mais farinha. No caso específico do Congresso Nacional entre os partidos de esquerda (nem todos), direita, extrema-direita, o “centrão” e outras bancadas “ideológicas” do mal, podemos falar que eles, ou elas, são farelos de animais do mesmo saco.

A recente votação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados (um calote das dívidas do governo federal) para liberar o “Auxílio Eleitoral do Voto” é o fato mais recente desse ajuntamento de farelos do mesmo saco de partidos entre elementos da dita esquerda (PT, PSB e PDT, principalmente) com a laia de oportunistas do “centrão” facínora do capitão-presidente.

Esses farelos do mesmo saco da maldade não são bagaços escassos e isolados. Essa mistura intragável e indigesta, sem princípios e caráter, tem se repetido no Brasil há séculos, na base do toma lá, dá cá. Portanto, não é coisa nova esse negócio de conchavos esdrúxulos quando entram em cena as benesses e os ganhos, inclusive muita grana pública.

Quando se colocou o projeto de lei de enfraquecimento político e cortes na autonomia dos promotores e defensores públicos, deputados de esquerda se uniram com o que existe de pior no Congresso. O mesmo ocorreu quando se conluiaram para desmoronar a Operação Lava Jato e deixar a porta aberta para a corrupção; dificultaram as investigações dos crimes de improbidade administrativa; e colocaram leis subjetivas em relação ao julgamento de atos de abuso de autoridade.

A maior aberração de todas elas foi quando parlamentares de esquerda, de direita, extrema-direita e conservadores neoliberais do retrocesso votaram o aumento dos fundos partidário e eleitoral bem acima dos 100%, cortando verbas da educação, da saúde, do saneamento básico, da ciência e da pesquisa. A quem interessa o voto dos analfabetos e dos menores de 16 anos? Interessa a todos eles, os farelos do mesmo saco.

Nenhum partido apoia um projeto de reforma eleitoral de verdade que reduza o número de parlamentares da Câmara Federal, do Senado e nem das Câmaras de Vereadores. Ninguém do PT e de seus aliados concorda que se vote um plano de corte das verbas indenizatórias, dos penduricalhos, das mordomias, das emendas vergonhosas e, muito menos, de seus polpudos salários. Ninguém quer acabar com essa reeleição que o ex-presidente Fernando Henrique criou.

No momento de defender seus cabedais, seus loteamentos, seus latifúndios colonialistas, suas falcatruas, seus esquemas escusos contra a nação e malfeitos, todos se tornam farelos do mesmo saco. Nesses casos, apagam de suas memórias sujas as ideologias socialistas, os direitos humanos, a justiça para todos, os pobres e a luta pela igualdade social. Com seus jargões e bordões, eles falam de um país igualitário e justo, que estão ao lado do povo, contanto que seu poder político não seja ameaçado de perdas.

Nosso país se assemelha à maioria dos territórios africanos onde saíram os colonizadores sanguinários e arbitrários sanguessugas e entraram governos ainda mais cruéis, ditadores, fascistas e nefastos que antes se posicionavam “nacionalistas e patriotas” a favor da renovação para dar ao seu povo o que sempre lhe foi de direito. Essas mazelas se arrastam desde os tempos ancestrais, reencarnados no presente. Os crimes continuam sendo perpetrados contra nossa população que por cima acredita neles.

Não se é contra colocar comida na mesa dos milhões de famintos miseráveis brasileiros, mas não dessa forma dando calote até no dinheiro que iria para o Fundo da Educação, nem tampouco enchendo as burras dos políticos com os orçamentos secretos das emendas dos balcões de compras de votos, elevando em bilhões o Fundo Eleitoral e Partidário, sem cortar as mordomias deles.

Ao orçamento de 2022, as comissões permanentes do Senado e do Congresso Nacional apresentaram 29,3 bilhões de reais em emendas. É o chamado orçamento secreto. As 14 comissões temáticas em funcionamento no Senado apresentaram um total de 24,7 bilhões de reais. No mesmo modus operandi do PT, esse auxílio de um ano visa comprar o voto de mais de 30 ou 40 milhões de pobres. A cena se repete e o Brasil só faz piorar.

Confesso que me dá náuseas, como ao se ver corpos em decomposição, quando aparecem esses “morotós” nojentos pegajosos na mídia falando da necessidade de matar a fome do pobre, de socorrer os mais necessitados e de se colocar o social acima de tudo, quando todos esses mais de 40 milhões estão sendo usados como meros objetos do voto que depois serão jogados fora como restos podres. Verdadeiramente, eles não são nada humanos. São espíritos malignos em peles de cordeiros.

UMA GRANDE PERDA PARA CONQUISTA E A BAHIA

O Conselho Municipal de Cultura, em nome da sua diretoria, expressa seus sentimentos de pesar, extensivo a toda sua família e amigos, pelo falecimento, nesta quinta-feira (11/11), da fotógrafa-jornalista e advogada, diretora regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) Edna Nolasco, 63, como dedicada profissional em defesa da categoria, bem como ser humano sensível com as questões sociais dos nossos tempos.

Edna representa uma grande perda para Vitória da Conquista e para a Bahia, não somente pelos seus serviços prestados à comunidade local, mas também como grande fotógrafa e dirigente sindical sempre atenta aos problemas da classe. Vítima da Covid-19, a morte de Edna, por ser muito querida em nossa sociedade, pegou a todos de surpresa, e o Conselho só tem a lamentar a sua partida do nosso convívio.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa companheira zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima. Fica aqui nossa singela homenagem à nossa querida Edna, e temos certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um legado de ética, seriedade e honestidade em sua vida, um exemplo que todos nós devemos seguir.

Hendye Gracielle (presidente), Jeremias Macário (vice-presidente) e Marley Vital (secretário-executivo)

CONQUISTA PERDE UMA GRANDE FOTÓGRAFA E UMA PESSOA HUMANA

Mesmo há dias intubada numa UTI de hospital, em decorrência da Concid-19, o falecimento da fotógrafa-jornalista e advogada Edna Nolasco, de 63 anos, nesta quinta-feira, dia 11/11, pegou toda a classe de surpresa, não somente pela profissional que era, mas também como pessoa humana, dócil e sensível com as questões sociais e sempre se posicionando contra as injustiças dos poderosos.

Um exemplo dessa sua característica como ser humano foi sua posição, em julho deste ano, em favor da família de ciganos que teve vários de seus membros mortos por uma ação intempestiva por parte da polícia militar em represália ao assassinato de dois soldados, no distrito de José Gonçalves. Ela contestou versões dadas pela corporação e criticou a violenta repressão.

Recebi a notícia com muito pesar porque era uma grande amiga que me acolheu quando aqui cheguei em 1991 para assumir a chefia da Sucursal “A Tarde” de Vitória da Conquista. Como dirigente por alguns anos do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Edna esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis, dando apoio ao meu trabalho de moralização e proteção da categoria quando esta era atingida.

Ao longo da minha atividade profissional em Conquista, inclusive em matérias investigativas de denúncias de irregularidades de autoridades, recordo que Edna, com seu conhecimento e contatos no meio jurídico, me passou informações valiosas que tornaram minhas matérias mais fundamentadas e calcadas em fatos verídicos.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa amiga zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima, mas tive a honra, como jornalista, de registrar sua última exposição sobre LGBT realizada da Casa dos Idosos. As fotos expressivas tinham o DNA da sua sensibilidade quando estava com sua máquina na mão e uma ideia na cabeça. Sabia captar e harmonizar a imagem com a luz no tempo certo.

Fica aqui a minha homenagem Edna, e tenho certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um sentido e exemplo de ética, seriedade, honestidade e compromisso com a vida que todos nós devemos seguir. Você estará sempre em nossas lembranças como colega amada que nos conquistou com sua singular simplicidade e empatia com os outros.

DE VILA IMPERIAL DA VICTÓRIA AO MAIOR POLO DE DESENVOLVIMENTO (Final)

CONQUISTADOR E DIZIMADOR

Português da cidade de Chaves, João Gonçalves da Costa iniciou sua lida como bandeirante muito cedo, tendo logo conquistado matas baianas. Em 1744 integra-se ao grupo de João Guimarães, como capitão-mor que partiu do norte de Minas Gerais (Minas Novas). Logo o capitão se destacou pelos seus feitos de conquistador e dizimador de tribos indígenas. Na busca pelo ouro esgotado em Minas e Rio das Contas, se embrenhou pelo sertão e terminou se fixando na região de Conquista em fins do século XVIII, se tornando grande proprietário de terras e gado.

Por ter expulsado os índios às margens dos rios Pardo, das Contas, dos Ilhéus, principalmente os valentes Imborés, ou Botocudos, se tornou num dos principais desbravadores. Mas, não foi só isso, João Gonçalves abriu estradas, ligando Conquista ao litoral e tirando o sertão do isolamento.

POVOADO INDÍGENA

No final do século XVIII (1782), o desembargador de Ilhéus, Francisco Nunes da Costa determinou que João Gonçalves fundasse um povoado indígena no lugar chamado Funil, visando afastar os índios Pataxós ao sul da Capitania de Camamu, Maraú e Cairú, para facilitar a abertura das estradas que se tornaram passagem do gado que saía do “Sertão da Ressaca”.

Numa outra carta às autoridades da capitania, o desembargador mostrava a importância da expedição, discriminando o armamento entregue ao capitão-mor para explorar as cabeceiras do Rio das Contas. Durante dois meses de viagem, como conta em seus registros, o capitão percorreu matas e encontrou as aldeias dos mangoiós que assustavam moradores de Ilhéus e Porto Seguro. João Gonçalves sofreu uma doença grave e narrou a fuga dos índios e dos soldados da expedição. Dos 74, restaram apenas 34 soldados.

Nessa viagem, ele se deparou com cinco aldeias (cerca de duas mil almas) com as quais, depois de parlamentar com o chefe Capivara, conseguiu que aceitasse um tratado de paz, e ainda se comprometeu a ajudar as tribos contra os Imborés.

O nome de João Gonçalves é citado em outras correspondências enviadas pelo Intendente Geral do Ouro, João Ferreira Bittencourt ao Governo da Bahia, não poupando elogios pela sua bravura. Para o Intendente, o capitão era homem indicado para o processo de colonização da metrópole; para abrir a estrada Rio das Contas-Camamu; e povoar o “Sertão da Ressaca”, tudo feito com a devastação das aldeias indígenas em final do século XVIII.

Seu nome varou fronteiras e era sinônimo de valentia, audácia e fidelidade à Monarquia. “Não produz um século um homem do gênio deste capitão-mor” – assim escreveu o conde da Ponte em 1807. Apesar do seu ingresso no sertão com a missão de encontrar ouro, o capitão não é lembrado nos documentos como descobridor de minas auríferas.

Seu mérito foi ter desbravado o sertão com a abertura de estradas; descoberto rios; dizimado índios; e ter feito a ligação litoral-interior. Os índios tinham tanto medo da sua violência que pediram, em 1790, ao governador Fernando José de Portugal, que eles não ficassem subordinados ao capitão-mor.

O príncipe Maximiliano de Wied-Newied esteve no Brasil, em 1815, e no arraial da Conquista, em 1817. Na ocasião, conheceu o capitão com 86 anos e ficou impressionado com sua resistência. Provavelmente deve ter morrido com 88 anos, mas não se tem certeza.

INTEGRAVA O TERÇO DE HENRIQUE DIAS

Na época, conforme historiadores, a segurança da Colônia era feita pela Tropa de Linha (portugueses, comerciantes, proprietários, etc), Tropas Auxiliares chamadas de Terços (depois regimentos), Milícias e Corpos de Ordenanças (força local) onde os moradores faziam parte. Todas as vilas tinham um capitão-mor ou sargento-mor. As milícias estavam organizadas sob a forma de regimentos e funcionavam como força auxiliar da tropa de primeira linha. Os regimentos eram formados conforme a cor e a ocupação dos recrutados.

De acordo com Caio Prado Júnior, na Bahia, existiam quatro regimentos. O primeiro e o segundo eram constituídos por homens brancos. O terceiro e o quarto por homens de cor. Os pretos forros (libertos) pertenciam ao terceiro, conhecido por “Henrique Dias”. Os pardos e mulatos integravam o quarto.

Pouco se fala sobre os “Terços de Henrique Dias” só que eram formados por negros libertos, e a denominação era em sua homenagem por ter se destacado como comandante de umas das corporações que lutaram contra os holandeses em Pernambuco (chegou a perder uma das mãos na luta). Foi condecorado em 1639 com o título de Governador das Companhias dos Homens Negros e Mulatos. “Os Terços” foram extintos, em 1831, com a criação da Guarda Nacional.

O capitão João Gonçalves da Costa integrava o “Terço de Henrique Dias”, patente dada pela sua Majestade, com a incumbência de servir na conquista e descobrimento do mestre-de-campo João da Silva Guimarães. Ocupou um dos cargos mais cobiçados dentro da hierarquia militar e gozava de toda confiança do governo português.

Não se sabe se por puro preconceito, nos livros em geral de história e em apresentações de palestras no meio intelectual, mesmo em conversas em geral, João Gonçalves raramente é citado como negro pertencente ao “Terço de Henrique Dias”, conforme está registrado em sua carta de patente.

A DESCENDÊNCIA E O PODER DOS GONÇALVES

A criação e o comércio de gado foram fatores fundamentais para o povoamento e desenvolvimento do “Sertão da Ressaca”. A pecuária, então, foi primordial para a ocupação da terra. Depois das frustradas buscas pelo ouro, o capitão decidiu se fixar no Sertão, dedicando-se à criação de bovinos. No seu inventário dos bens do casal, quando da morte da mulher, o capitão declarou, entre outros bens, 700 cabeças de gado e 39 escravos, sem contar o plantio de algodão.

Entre final do século XVIII e início do século XIX, a Imperial Vila da Victoria era tão importante como qualquer vila do litoral. Além do algodão, era passagem das boiadas vindas do São Francisco para Nazaré-Cachoeira.

Na condição de proprietário do “Sertão da Ressaca”, o capitão deixou muitos herdeiros dos seus bens materiais e políticos na condução dos destinos da Vila da Vitória. Seu filho Antônio Dias de Miranda e o marido de sua neta, Luiz Fernandes de Oliveira ocuparam o cargo de Juiz de Paz do Arraial. Antônio Miranda e seu irmão Raymundo Gonçalves da Costa (filho natural) lutaram ao lado do pai no combate aos índios e na exploração do rio Pardo. Raymundo, inclusive, era tido como o terror dos índios pela sua bravura.

:: LEIA MAIS »

DE VILA IMPERIAL DA VICTÓRIA NO MAIOR POLO DE DESENVOLVIMENTO (1)

Este texto, de Jeremias Macário, pode ser encontrado nos livros de sua autoria, “A Imprensa e o Coronelismo” e em “Uma Conquista Cassada”, o qual fala da ditadura civil-militar de 1964, que cercou a cidade e cassou, na base das armas, o mandato democrático do prefeito da época José Pedral, na trigésima sessão da Câmara de Vereadores, em maio do mesmo ano.

Os Mongoiós ou Monochós, também conhecidos como Camacans, e os Pataxós e Amborés ou Imborés, eram os verdadeiros donos destas terras do sudoeste baiano, compreendidas entre os rios Pardo e das Contas, da região do São Francisco até São Jorge dos Ilhéus.

No centro deste vasto território chamado de “Sertão da Ressaca”, está  o município de Vitória da Conquista que virou pólo de desenvolvimento regional, e neste ano de 2021 está completando 181 anos de emancipação política (9 de novembro).

A Imperial Vila de Nossa Senhora da Victória, antes Arraial da Conquista, foi criada pelo decreto imperial de número 124, em 19 de maio de 1840, desmembrando-se da Comarca de Caetité.

No entanto, a data política é comemorada em 9 de novembro quando aconteceu a posse da primeira Câmara Municipal. Com a proclamação da República, em 1889, a Vila passou a se chamar Cidade da Conquista, em 1º de junho de 1891, e em 1943 recebeu o nome de Vitória da Conquista.

A CHEGADA DA BR-116

O pequeno povoado, com as primeiras habitações de taipa cresceu, e em 1817, conforme registrou o príncipe alemão Maximiliano Wied-Newied, em visita ao lugarejo, já contava com 40 casas. A Vila expandiu-se aos poucos na encosta verdejante da Serra do Periperi; foi parada de tropeiros; mudou de nome; e começou a prosperar a partir da década de 1960 com a chegada da BR-116 (Rio-Bahia).

A cidade ampliou sua economia com a introdução da cafeicultura, em meados dos anos 70, e se firmou no início do século XXI com a implantação de novos projetos nas áreas da educação e da saúde até se transformar num dos maiores pólos de desenvolvimento do Estado e do Nordeste. Com cerca de 340 mil habitantes, é hoje a terceira maior cidade da Bahia.

CONQUISTA E SUA EVOLUÇÃO

Até antes da instalação da Vila, (1840), na residência do coronel Teotônio Gomes Roseira, situada na Rua Grande (Praça Tancredo Neves), o território pertencia ao município de Caetité. Depois a casa do coronel veio a se tornar Paço Municipal.

Naquela data de 9 de novembro foram escolhidos os conselheiros, membros do Conselho Municipal, hoje denominados de vereadores, para cuidar da sua administração. O presidente desse colegiado exercia o cargo de prefeito.

O primeiro Conselho foi composto pelos cidadãos Manoel José Vianna, Joaquim Moreira dos Santos, Theotônio Gomes Roseira, Manoel Francisco Soares, Justino Ferreira Campos, Luiz Fernandes de Oliveira (primeiro presidente da Câmara) e Francisco Xavier da Costa.

Com governo próprio, a Vila começou a se organizar e, além do seu Conselho, foi instalada a Casa do Conselho a quem coube aprovar o Código de Posturas, com 80 artigos, para disciplinar os moradores, punir os transgressores e orientar o crescimento urbano, inclusive com regras para preservar os rios e as nascentes. Entre as normas, reprimia o batuque e o hábito de vagar pelas ruas durante altas horas da noite, especialmente os escravos sem o passe do seu senhor. A partir daí, foram contratados os primeiros funcionários públicos.

DE VILA A CIDADE, EM 1891

Anos depois, em 1891, Conquista passou de vila a cidade, e as funções do presidente do Conselho Municipal passaram a ser exercidas por um intendente a que deram o nome de prefeito, com autonomia para governar. As ruas eram lamacentas e esburacadas, mas o primeiro intendente, Joaquim Correia de Mello, adotou algumas providências para melhorar o visual da cidade.

Por cerca de 100 anos, Conquista passou esquecida dos poderes públicos, contrastando com a evolução de outros centros urbanos. Segundo observadores, viajantes e cronistas da época, o esquecimento se deveu mais ao fato da sua distância em relação à capital. Até os anos de 1890, as ruas eram iluminadas por lampiões a gás, depois substituídos por carbureto. Só a partir de 1920 veio a energia elétrica.

A partir deste período a cidade veio a sair do isolamento quando um grupo de fazendeiros e comerciantes se reuniu e fundou um consórcio para construir uma estrada carroçável ligando até Jequié. Nessa época, o trem já existia até Jaguaquara, e os trilhos avançavam às terras jequieenses. A linha até esta localidade chegou em 1927.

Com o passar dos anos, o aspecto urbano foi melhorando, mas o conquistense não se preocupou muito com a preservação da sua história, tanto que muitos sobrados e casarões foram sendo derrubados para dar lugar a edificações novas, como o velho barracão acolhedor de tropeiros que foi demolido em 1913.

Para se abastecer, os conquistenses dependiam das mercadorias, transportadas no lombo dos burros, vindas das cidades de São Felipe e Cachoeira, passando depois por Jequié (150 quilômetros). Mas, Conquista também tocava o gado trazido de Minas Gerais para fornecer carne para o Recôncavo.

Por volta de 1940 chegou a Rio-Bahia, asfaltada no início dos anos 60, no Governo de João Goulart. A partir desses anos, Vitória da Conquista não parou mais de crescer, e é hoje a capital do sudoeste e terceira maior  da Bahia, cujo município tem cerca de 340 mil habitantes, distante 510 quilômetros de Salvador.

Apesar da sua grandeza e beleza, Conquista dos tempos atuais ainda é carente de muitos projetos na área de infraestrutura, como a prometida obra da barragem de abastecimento de água; serviços modernos no setor de mobilidade urbana; um centro administrativo para desafogar o centro; e, acima de tudo, uma política cultural, mais escolas e expansão na saúde.

OURO, MORTE E EXPULSÃO

Na busca por riquezas, especialmente o ouro, a primeira investida no Sertão da Bahia foi feita pelo castelhano Francisco Bruzza de Spinosa, em 1553, acompanhado de 12 portugueses, partindo de Porto Seguro e indo até o rio São Francisco. A passagem dos bandeirantes pelas terras dos índios significava expulsão, morte e escravidão.

A descoberta de ouro nas imediações de Rio das Contas e em Jacobina, no início do século XVIII, aumentou o povoamento em Minas Gerais.  Já em 1724, Rio das Contas passava à categoria de vila, com a implantação de vários órgãos de administração pela Coroa Portuguesa.

Como descreve a historiadora Maria Aparecida Silva de Sousa, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, em seu livro “A Conquista do Sertão da Ressaca: povoamento e posse da terra no interior da Bahia”, por volta de 1728, o coronel Pedro Leolino Mariz recebe do governo português a missão de desbravar diversas áreas do interior da Bahia e do norte de Minas Gerais.

Essa personagem aparece como importante figura da história que realizou investigações nos rios das Contas, Paramirim e Rãs, chegando a ocupar o posto de superintendente Geral de todas as minas da Bahia e das Minas Novas do Araçuaí. Sabedor de que essa porção de terra era uma das melhores do Brasil para criação de gado e a cultura de lavouras, o Governo de Portugal mandou que Pedro Leolino averiguasse as notícias. Em recompensa pelo seu trabalho, o superintendente recebeu uma sesmaria em 1743.

Com intuito de obter o mesmo êxito conseguido na região vizinha de Rio das Contas e Jacobina, com a descoberta de ouro, o coronel organizou uma Bandeira, sob a direção de André da Rocha Pinto, para conquistar o sertão entre os rios das Contas, Pardo e São Mateus. A intenção era também a de encontrar ouro, estabelecer fazendas de gado e matar os índios que se opusessem à conquista.

SANGRENTAS BATALHAS

Ao lado de André Pinto, aparece a pessoa de João da Silva Guimarães, designado para percorrer o rio São Mateus. Ele ocupou o posto de Mestre-de-Campo, concedido em 1735, pelo conde de Sabugosa. Pouco antes disso, João Guimarães fez um relatório ao rei D. João V, contando os perigos que enfrentou na luta contra os bravos gentios. O desejo dos sertanistas era o de encontrar as cobiçadas minas de prata de Belchior Dias Moreira, que foi um dos principais conquistadores do sertão baiano.

Tudo indica que o Mestre-de-Campo tenha percorrido o território onde hoje está situado o município de Vitória da Conquista. Cita a historiadora Maria Aparecida, que sua Bandeira, pelo meado do século XVIII, tenha passado pelos rios das Contas, Gavião e riacho do Gado Bravo onde hoje é Bom Jesus da Serra. Sua expedição foi marcada por sangrentas batalhas com os índios mongoiós, Imborés e Pataxós.

A chegada dos primeiros colonizadores portugueses, por volta de 1730 e 1734, comandados pelo Mestre-de-Campo João da Silva Guimarães e pelo Capitão-Mór, João Gonçalves da Costa, deu início a uma série de batalhas com os índios da terra, que durou cerca de um século, culminando com o extermínio dos nativos, num dos mais terríveis genocídios da história. As explorações feitas pelas bandeiras baianas, como relata a pesquisadora Aparecida, não tiveram o mesmo sucesso dos paulistas que encontraram ouro em Minas Gerais.

UMA LENDA ODIADA

:: LEIA MAIS »





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia