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:: ‘Notícias’

QUANDO VAI SE ACABAR?

Há dois anos escrevi um texto poético perguntando a esse bicho de olhos rasgados e coroa de espinhos “Quem é Este Coronavid?, que se transformou num vídeo, e dele, muitos outros geraram um curta-metragem. inscrito e classificado entre os ganhadores num edital da Prefeitura de Vitória da Conquista através da Lei Aldir Blanc.

Esse vírus se transformou em muitas outras variantes do alfabeto grego, e hoje estamos convivendo com a terceira onda da ômicrom. Virou o planeta de cabeça para baixo e já ceifou a vida de mais de cinco milhões de habitantes, dos quais mais de 635 mil só no Brasil. Dele não podemos dimensionar a quantidade de lágrimas que já provocou em milhões que ficaram viúvas, viúvos e órfãos de pais e mães.

A ciência deu o nome de Covid-19, que não só matou e deixou sequelas com sua agressividade terrível, mas também criou um emaranhado de ideias, umas mais lúcidas e outras cheias de intrigas negacionistas, fake news, sofismos e até fez separar famílias e amigos quando se inventou vacinas para neutralizar o maldito. Tirou crianças e jovens das escolas, atrasando seus tempos de conhecimento e saber. Oh quanto estrago!

Varreu mentes e invadiu todos países da terra e, com sua impiedade cruel, eliminou mais pobres que ricos. Deixou um rastro de desigualdades sociais, com muita pobreza e miséria, principalmente nos países mais vulneráveis. Inoculou o estresse, o desespero, o fanatismo religioso e conflitos existenciais. As pessoas passaram a usar máscaras nas ruas, ônibus, trens e metrôs como se fossem robôs em filmes de ficção.

Há dois anos de terror, quando você foi chamado até de “gripezinha” por uma tal capitão-presidente, hoje pergunto quando tudo isso vai se acabar? Até quando vamos continuar nessa procissão de sofrimentos, lamentos, desagregação e confusão? Até quando vai nos jogar uns contra os outros? Será castigo contra nossos pecados por maltratar tanto o meio ambiente?

Por falar em natureza, sua voraz sede de morte, em forma de pandemia, produziu mais um agravante de lixo proveniente dos resíduos de objetos usados para combater seu avanço, como agulhas, seringas, caixas coletoras, aparelhos, plásticos, embalagens de medicamentos e outros itens. Qual destino de tudo isso?

A Organização Mundial da Saúde ressalta a ameaça ao meio ambiente, devido ao perigo da proximidade das pessoas aos depósitos de lixões. Calcula-se que já foram gerados mais de 2,6 milhões de toneladas de material plástico e 731 mil litros de compostos químicos nesses dois anos, com tendência de aumento.

De acordo com dados das Nações Unidas, já se foram 140 milhões de kits de testes de detecção, além de mais de oito bilhões de doses de vacinas. Lá se foram 1,5 milhão de equipamentos de proteção, usados pelos profissionais da saúde, algo superior a 87 mil toneladas. Tudo isso está sendo despejado nas periferias das cidades e proximidades de mananciais hídricos, podendo causar mais doenças.

Mais uma vez, dentro da minha mais profunda angústia, indago aos deuses quando tudo isso vai se acabar, se nem a ciência e os mais sábios especialistas infectologistas sabem responder? A literatura continua a narrar sua saga; tenta interpretar seu caminho e origens; sua evolução repentina; e os poetas cancioneiros a entoar na viola sobre seu enigmático poder de desafiar nossa vã filosofia.

Quando tudo isso vai se acabar? Até quando vai nos atacar e nos deixar enjoados, cabeça e intestino congestionados, cérebro confuso, indisposto, moleza no corpo dolorido, pulmões ofegantes, sem o ar que respiramos, sem paladar e olfato, sem falar na intubação de milhões até a morte? Ele nunca se vai totalmente porque sempre nos deixa sequela para ser tratada.

Quando tudo isso vai se acabar? A pergunta pode até ser título de uma canção de lamento em forma de blues, um rock, um galope em busca do final da jornada, um samba, um fulk de Boby Dylan, um rep, um sertanejo triste ou até mesmo um arrocha sofrência. Não importa o ritmo ou a melodia. O que mais importa é que ainda temos a arte que é vida e nos faz mais vivos, com mais força para vencer essa peste, não com a negação dela.

 

AINDA NOS CONSIDERAMOS CIVILIZADOS

Uma está sempre superando a outra, numa cadeia de banalização que nos deixa envergonhados de sermos brasileiros. Estou falando das barbaridades praticadas pelos seres humanos que se acham civilizados porque têm um celular na mão para manipular cegamente as mentiras nas redes sociais, de uma internet que tornou o planeta mais imbecil.

Não existem palavras mais duras e ásperas para descrever o quadro de uns brutamontes com um porrete na mão socando um congolês até à morte numa praia do Rio de Janeiro. As imagens correram mundo para nos cravar a pecha de selvagens que se acentuou nos últimos três anos com um capitão-presidente que destila ódio, xenofobia, homofobia, racismo e diz que quanto mais armas nas mãos, mais segurança.

Não tenho nenhuma vergonha de afirmar que, diante de tanta barbárie, tenho hoje vergonha de ser brasileiro. Esse, na verdade, não é o meu pais do homem cordial descrito pelo pensador Buarque de Holanda, em “Raízes”. Cordial vem do latim cord, coração, que está sujeito a emoções sentimentais boas e ruins, mas atingimos o ponto crítico da barbárie.

Essa barbárie brasileira não está somente no bastão daqueles indivíduos que despejaram toda sua raiva numa pessoa indefesa caída no chão. É como se eles estivessem descarregando todos problemas sociais e injustiças de um país num único ser que também é vítima dessas mazelas. Aquela cena macabra representa uma carga de rancor e frustração armazenados no íntimo de cada um.

Os algozes são também dignos de pena e vítimas de um sistema bruto que há séculos impera neste país. Não estou aqui fazendo o papel de advogado de defesa de uma barbaridade, mas apenas retratando a nossa realidade. A própria indiferença já é uma barbaridade.

A indiferença dessa sociedade selvagem que diz que “bandido bom é bandido morto”, que ignora a morte de Marielle Franco, do homem negro que foi alvejado pelo sargento por aparentar ser um bandido, de tantos travestis e homossexuais espancados e mortos, é também uma barbaridade.

A indiferença quanto as falas preconceituosas e genocidas negacionistas que negligenciam a pandemia da Covid e ainda atrasa o processo de vacinação, é também uma barbaridade e prova de que não somos nada civilizados.

São bárbaros os que acham que deixar de vacinar é um ato de liberdade individual, uma simples questão de opção. São bárbaros também aqueles que negam a ciência e disseminam fake news. A falta de indignação contra a barbárie é em si uma barbaridade. Estamos ainda muito longe de alcançarmos a tão propalada civilidade. Não é a tecnologia que nos dá isso.

A SAÚDE PÚBLICA EM CONQUISTA

Carlos González – jornalista

A celeridade que levou a prefeita Sheila Lemos a decretar ponto facultativo (artifício usado pelo gestor público para a palavra feriado) nos dias em que algumas cidades brasileiras promoveriam o Carnaval deste ano, deveria ser adotada na elucidação de problemas que necessitam da mais urgente intervenção da Prefeitura de Vitória da Conquista, como a saúde pública nesses tempos de pandemia.

O decreto que se estendeu ao comércio provocou imediato protesto da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), da qual a prefeita é membro, vai contribuir, sem dúvida, para a queda de faturamento do pequeno empresário, sendo que muitos deles já fecharam as suas portas.

O observador atento já deve ter percebido que a economia em Vitória da Conquista está estagnada, com exceção da construção civil, não por culpa exclusiva da Covid-19 e sua variante Ômicron. A feira agropecuária não se realiza há quatro anos, num terreno que tem as condições para receber os estandes de venda e de entretenimento.

Nossos vizinhos, com menos e recursos e mais disposição para o trabalho, estão ocupando o espaço deixado pelo empresariado conquistense. Cito apenas dois exemplos: a cafeicultura em Barra do Choça, cuja produção está sendo exportada para o exterior; a vinicultura em Mucugê, que acaba de anunciar a fabricação de vinhos com a mesma qualidade do Malbec, de Mendoza, na Argentina, abrindo também o caminho para o enoturismo na região.

Saúde é prioridade

O Ranking da Competitividade dos Municípios, uma ferramenta criada com a finalidade de analisar o desempenho da administração pública, ao mesmo tempo que presta orientação aos prefeitos, acaba de publicar sua segunda edição. Sua temática, com 13 pontos, foi desenvolvida por uma equipe de especialistas, em 411 municípios com mais de 80 mil habitantes, correspondente a 59,75% da população do país (126, 52 mi).

Vitória da Conquista ficou na posição número 219. Poderíamos comentar aqui diversos temas de relevância para o município e que devem merecer o devido cuidado de Sheila e sua numerosa equipe de assessores. Mas a prioridade sempre foi e continua sendo, hoje com mais relevância, a saúde pública, classificada no 339º lugar no Ranking.

A baixa aprovação comprova as imagens exibidas na semana passada por uma emissora de TV, comparáveis ao atendimento que era dado aos feridos nas frentes de batalha nas guerras da Idade Média. Atendidos por três enfermeiros, pacientes amontoados numa pequena sala do Hospital Geral aguardavam um leito de UTI.

Esse desapreço pela população pobre de Conquista ficou evidenciado na gestão passada,  quando a  ideologia se impõe ao atendimento à saúde. O então prefeito Herzem Gusmão, obstinado bolsonarista, travou uma guerra de palavras com o governador Rui Costa, posicionando-se, inclusive, contra a implantação de uma policlínica na cidade.

A vacinação (por justiça, aplausos para o time da prefeita) tem evitado um menor número de óbitos, principalmente entre os idosos. Por outro lado, o setor de marcação de testes está longe dos elogios.

Com os sintomas da Covid-19, meu colega Jeremias Macário relatou neste blog o sacrifício para marcar – os telefones indicados pela Secretaria de Saúde não atendem – o teste, e, posteriormente, para receber o resultado, entregue com a ordem: “Fique em casa”, com um detalhe: sem orientação médica. Nem levaram em consideração os mais de 15 anos que ele passou na chefia da Sucursal de “A Tarde”, promovendo o município e o Sudoeste baiano. Jeremias teve que apelar para a Assessoria de Comunicação da Prefeitura.

Com quase um mês pela frente e cinco dias de folga há tempo suficiente para promover uma excursão às praias ou organizar festinhas carnavalescas em recintos fechados, onde quem estiver com máscara é um “estranho no ninho”. Meus amigos, cuidem-se, porque já se projeta para março um aumento do número de contaminados.

 

 

 

 

 

 

 

UMA ÁRDUA TAREFA!

Dois dias tentando agendar uma consulta ou exame de teste de Covid pelos telefones do call center da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e não deu em nada. Foi uma tarefa árdua, irritante e estressante!

Eu, minha esposa e até uma enfermeira do município entraram no circuito, mas ninguém atendeu. Apelamos para outra via e, através de um link, respondemos várias perguntas e, no final, nos deixaram um aviso de possível resposta.

Só no final da tarde de ontem consegui, finalmente, agendar um atendimento no gripário para hoje (dia 04/02), mas, dessa vez através do Posto de Saúde do bairro onde moro. Talvez esteja aí o segredo que faltava ser desvendado, tendo em vista que os telefones não passam de propaganda enganosa. Um preposto da própria prefeitura me confessou que não adianta ligar.

No Posto de Saúde do Bairro Jardim Guanabara, um atendente, ou coordenador da unidade, me recebeu muito bem e, com toda cordialidade, em pouco tempo agendou minha consulta para o final dessa tarde de sexta-feira. Essa pessoa se sensibilizou com minha situação, e não mediu esforços para me atender.

Ainda bem que ainda existe funcionário público com outra visão de responsabilidade, porque se fosse outro (a maioria é assim) simplesmente mandaria que continuasse ligando para o tal call center que não funciona. Essa pessoa foi muito prestativa, e agradeço a sua atenção, se bem que todos deveriam ser iguais a ele.

Outra coisa que descobri nessa jornada diária para marcar uma consulta médica no setor público é a pessoa necessitada ter alguém conhecido lá dentro para lhe dar o caminho certo para se livrar das pedras, quando não precisaria disso de forma alguma e, não é do meu feitio, ir por esse esquema.

Fica aqui o meu recado como cidadão comum, com direitos iguais a todos, para a Secretaria de Saúde, no sentido de que tome providências urgentes, para que os telefones instalados e publicamente divulgados, funcionem de verdade. Como está, o paciente fica todo tempo batendo cabeça e adoece ainda mais, enquanto tenta agendar uma consulta.

OS TELEFONES NÃO ATENDEM

Quem depende do serviço público de saúde, o chamado SUS, ou Susto, neste país, está ferrado, e o destino de milhares é uma cova rasa para enterrar o Severino nordestino do poeta João Cabral de Mello Neto.  A Constituição Federal diz que saúde é um direito de todos os cidadãos, mas isso não passa de uma letra morta, conversa para boi dormir, que morre na teoria.

Caso específico é de Vitória da Conquista (acontece em todo Brasil) cujos telefones e o sistema “ZAP” não atendem quando a pessoa está necessitando. Estou tentando entrar em contato desde ontem para marcar uma consulta no gripário (Covid), através do call center, e nada. Tem gente felizarda que consegue e testemunha que foi bem atendida pelo centro. Que bom! Gostaria de saber onde está o segredo.

Comentei aqui várias vezes que a tecnologia virtual da internet em nosso país deixa muito a desejar em termos de solução do problema. Talvez esteja no nosso DNA do atraso cultural. Os aplicativos sempre param no meio do passo a passo, e o cidadão tem que começar tudo de novo. Outras vezes é o sistema que se evapora no ar.

Quanto a questão de saúde, a situação é ainda mais grave porque está se lidando com vidas. Quando a pessoa, depois de muita insistência, obtém uma resposta de agendamento, seu quadro já sofreu uma piora. Nesses tempos pandêmicos, poucos têm condições de procurar uma farmácia, um laboratório ou uma clínica particular para um teste ou um exame médico.

A consequência nessa falha no pronto atendimento todos sabem no que resulta. Nem precisa dizer que milhões falecem antes de chegar ao médico. Entendo que o agendamento tem o sentido de evitar aglomerações e reduzir a contaminação mais ainda pelo vírus, mas que funcione porque o doente não pode ficar três ou cinco dias na espera. Como a fome, o paciente tem pressa.

Como se não bastassem os negacionistas da ciência que abrem a boca para arrotar que não vacinar é uma opção sua, o sistema público de saúde é deficitário. Tem ainda os idiotas que escolhem qual imunizante tomar, sob o argumento de que é a mesma coisa de um cardápio de comida num restaurante.

Mas, voltando ao problema do não atendimento dos telefones instalados pela Prefeitura Municipal de Conquista, o poder executivo precisa tomar uma providência urgente para melhorar seu funcionamento. Não existe essa estatística, mas desejaria saber o número de atendidos e não atendidos, para ter um percentual exato entre essas duas figuras.

Na demora do atendimento, muitos partem para chás, dipironas, analgésicos e outros medicamentos que, geralmente, não resolvem, mas não têm outra saída. O ser humano, especialmente no Brasil, só reage quando o problema acontece com ele, ou com um parente da família.

Estou aqui criticando o sistema como um todo, o conjunto, que sempre foi bruto, sobretudo diante das profundas desigualdades sociais em que vivemos, de pobreza e miséria. Infelizmente temos um país rico de pobres por causa dessa política malvada, a qual deveria ser a solução.

O ASSÉDIO AO TURISTA EM SALVADOR

Essa questão absurda do assédio dos ambulantes em geral aos turistas na capital baiana não é de hoje. Tornou-se uma prática culturalmente enraizada. Bastou um visitante postar um vídeo nas redes sociais para o assunto viralizar porque todos são vítimas dessa falta de educação. Isso não tem nada em ser hospitaleiro, muito pelo contrário. Não se trata de cultura turística.

Comentei várias vezes sobre esse problema em meus artigos e matérias. Sou também testemunha e fui vítima em vários pontos, como no Pelourinho, Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Mercado Modelo e Senhor do Bonfim, principalmente. As baianas e os baianos chegam a lhe atacar com as fitinhas, colocando em seu braço, mesmo diante de uma recusa.

Entram com o papo de que as fitinhas são grátis, mas depois metem outros objetos artesanais, como correntinhas e lhe obrigam a comprar. Conheço uma sobrinha que se queixou comigo de ter dado 60 reais numa peça dessa, uma verdadeira facada, sem misericórdia.

Certa vez, no Mercado Modelo, praticamente um deles me agrediu porque não atendi à sua insistência. Me identifiquei como baiano (morei em Salvador durante 23 anos) e disse que não estava ali como turista. Não satisfeito, falou que eu não era baiano porque não gostava das coisas da Bahia. O pior é que continuou me xingando.

Os órgãos ligados ao setor turístico e a entidade que dirige os ambulantes já deveriam, há muito tempo, terem tomado providências, mas fazem vistas grossas, como se esse tipo de abordagem malandra fosse normal. Esse negócio de que Salvador é uma cidade hospitaleira não passa de um mito. Peça uma informação a um soteropolitano e verá!

Outro problema sério é a exploração. Quando o ambulante percebe que a pessoa é de outro estado ou de outro país, ele mete a “faca”, sem dó e compaixão. Cobra o triplo num produto ou serviço. Isso acontece até nos bares, restaurantes e lojas de lembranças.

Como o inverno é fraco em termos de visitantes, no verão os vendedores e comerciantes cobram preços exorbitantes para compensar a “paradeira” nas outras estações do ano.  Estes e outros motivos têm refletido negativamente na queda de turistas na capital.

ATÉ A RAPADURA SUBIU DE PREÇO

Nem mais a feira livre é refúgio para os pobres de poder aquisitivo menor, visando fazer uma economia no orçamento familiar. Semana passada estive na “Feirinha” do Bairro Brasil e senti na pele a carestia. Moço, até a rapadura teve uma alta de 100% e em relação há dois meses. Um tijolo que custava R$5,00 agora está por R$10,0, e difícil de ser encontrado porque os barraqueiros se recusam a comprar o produto catingueiro.

Até há pouco tempo era vantagem fazer compras de frutas, verduras e folhas na feira porque os preços eram bem mais baixos do que nos supermercados. Atualmente, com a inflação em disparada, está praticamente tudo equiparado.  Um litro de andu que no final do ano era vendido por R$5,00 e R$6,00 o litro, agora está por R$10,00 e R$12,00. Virou grão de rico.

Não é somente o fator econômico de combustíveis e dólar mais alto que exercem influência na subida da inflação. Existe aquele fator psicológico invisível que conta. Quando vê tudo subindo, até o barraqueiro e o ambulante acrescentam mais uns reais, sem explicação plausível. É a onda dos preços altos. É como se fosse uma moda.

Na feira não tem aquela comodidade e conforto de uma loja ou supermercado, sem contar os gastos que são bem maiores com empregados, luz, água, impostos e outras obrigações. No entanto, a nossa feira de cada dia, mesmo nos redutos menores, está com os preços quase nivelados. Vamos começar a comer capim.

A situação está cada vez mais complicada, e nem a feira é mais saída para as hortaliças e frutas. Por falar em frutas, já percebeu que elas chegam ao consumidor bem mais ácidas, azedas e podres, cheias de pragas, principalmente o mamão, a manga, a melancia, a laranja, a tangerina, o abacaxi, o melão e até o nosso umbu sertanejo.

Para isso, imagino dois ou três motivos. Quando se trata de produto de exportação, os brasileiros ficam com o resto, o refugo. O melhor vai para o exterior. Outro problema é a modificação genética que introduziram nas lavouras, sem contar os agrotóxicos.

Depois que inventaram o umbu gigante, a fruta ficou mais azeda. Umbu doce é ainda o nativo da caatinga que, embora pequeno, é bem mais saboroso e nutritivo O grande só tem mais polpa, mas nem se compara com o nato do sertão que a gente vai lá e derruba no pé.

O BRASILEIRO FICA COM AS PELES E A SOBRA DOS RESTOS DAS FRUTAS

Além das carcaças de frango, os supermercados e feiras estão agora vendendo poções de peles ao preço de R$3,00, no país que é o maior exportador do mundo dessa ave. Em 2021, as vendas para o exterior (cerca de 25 países) totalizaram 4,6 milhões de toneladas, o que representou um recorde.

Isso não é mais vergonha num país onde mais da metade da população sofrem de deficiência alimentar. Está tudo banalizado, e a fome está se tornando uma coisa normal. Estamos no limite da degradação humana, e a maioria que houve esse papo diz que é coisa de comunista.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a alta no volume das exportações foi de 9% em relação ao ano de 2020, quando foram embarcadas 4,23 milhões de toneladas. Em termos de receita, houve uma elevação de 25,7%, com US$7,66 bilhões registrados em 2021. O mesmo ocorre com a carne bovina onde a pobreza faz filas do osso.

Esse aumento das vendas do frango lá fora se deu mesmo com a redução das compras pela China, que é o principal destino do produto brasileiro. Outros países foram peças chaves para colocar o Brasil como maior exportador global, caso da Arábia Saudita, África do Sul, Japão, Estados Unidos e até para as Filipinas.

Para este ano de 2022, espera-se novo recorde de exportação, enquanto os brasileiros, diante do atual cenário econômico e social, vão continuar comendo pescoço e pernas de frango. A carne mesmo só quando consegue arrumar alguns trocados ou alguma doação das campanhas de Natal.

Ah, isso serve de glorificação para os patriotas ufanistas que carregam no peito o slogan “Pátria Amada”! O Brasil também é o maior exportador de café e soja, bem como, vendedor externo de carne bovina, enquanto por aqui milhões de famintos catam comidas no lixo ou fazem caldo dos ossos.

Com as frutas, o processo não é diferente. O Brasil manda mangas, uvas, melões, maracujá de primeira qualidade para o exterior. As sobras podres e com pragas ficam com os brasileiros da pátria armada de intolerâncias e ódio. Eles, os produtores capitalistas ainda dizem que alimentam nosso povo.

Há séculos que a base das exportações brasileiras é constituída de produtos primários, como grãos, ferro, aço, petróleo cru e outros itens. Temos uma das maiores costas litorâneas do mundo (oito mil quilômetros), mas importamos pescados. Em termos de produção e consumo, temos déficit de trigo e arroz, mas o país prefere exportar tudo para o exterior porque dá mais lucro.

Todos os anos o Brasil registra altos índices de superávit na balança comercial, graças às matérias-primas e o agronegócio. Os dados são exibidos com orgulho, só que as transações em contas correntes, a chamada contas externas têm um rombo de mais de US$28 bilhões.

O negócio é fazer reservas e deixar o povão na miséria. Esse quadro comprova que somos uma país atrasado, subdesenvolvido mesmo, porque vendemos primários e pagamos a preços altos os industrializados, tecnologia, fármacos, química fina, peças sofisticadas e outros itens que ainda não fabricamos.

A DESTRUIÇÃO DA PETROBRÁS

Carlos González – jornalista

O geólogo aposentado Aymar Santos, 84, anda sem destino certo pelas ruas de Botafogo, onde mora no Rio de Janeiro. Suas mãos rugosas seguram um punhado de papéis (desenhos técnicos e mapeamento do subsolo do Recôncavo Baiano). Às poucas pessoas que lhe dão atenção conta como foi seu período de trabalho insalubre nas turmas de prospecção de petróleo, nas décadas de 60 e 70. E conclui sua narrativa lamentando que a Petrobras, a qual dedicou parte de sua juventude, venha sendo arruinada pelos últimos governantes do país.

Lendo recente comentário de meu amigo e colega Jeremias Macário neste mesmo espaço, decidi expressar minha solidariedade a Aymar (ex-colega no extinto Instituto Normal da Bahia), fazendo uma modesta explanação sobre os fatos que lhe deixam indignado, sentimento que é compartilhado por anônimos aposentados, que, no passado, se orgulhavam de serem chamados de petroleiros.

Na cabeça, capacete com o emblema e o nome da empresa; veste inteiriça azul de tecido resistente, com manchas de óleo. Esses trabalhadores eram vistos com frequência nas ruas de Alagoinhas, Catu, Pojuca, Madre de Deus, e nas cidades do Recôncavo, onde os poços de petróleo estavam sendo abertos.

Representavam um orgulho para as populações e uma fonte de renda para os municípios; seus altos salários, deixados no comércio, contribuíram para o desenvolvimento da economia da região, onde há ainda indícios em São Francisco do Conde, no Recôncavo, que mantém o quarto maior PIB do estado, abaixo somente de Salvador, Camaçari e Feira de Santana.

RLAM e “Ruivinha”

A emocionante história do ouro negro no Brasil tem um capítulo especial dedicado à Refinaria Landulpho Alves de Almeida (RLAM), a primeira construída no país, cuja produção e refino do petróleo começaram em setembro de 1950. Aquela construção erguida numa das margens do Rio Mataripe, em São Francisco do Conde, levou o brasileiro a acreditar que o seu país muito breve seria autossuficiente em petróleo, cujos derivados estaríamos exportando.

Foi só um sonho. O segundo lar dos velhos petroleiros da área de refino foi vendido em julho do ano passado pelo governo Bolsonaro a um grupo árabe, iniciando um programa de privatização de outras refinarias. Além do preço de venda (US$ 1,65 bi), abaixo do valor do mercado, segundo estudos técnicos, A Federação Única dos Petroleiros (FUP) identificou outras irregularidades, denunciadas às esferas judiciais e ao TCU. A entidade classista prevê que as privatizações vão provocar novos aumentos de preços no gás de cozinha, no óleo diesel e na gasolina.

Em fevereiro do ano passado, na ânsia de trocar, a todo momento, o pessoal do primeiro escalão do seu governo, Jair Bolsonaro contribuiu diretamente para a desvalorização da Petrobras em cerca de R$ 100 bilhões,  interferindo na estatal, inclusive mudando seu comando.

Avaliada em R$ 382,9 bi – suas ações caíram 25% -, a empresa numa semana desabou para R$ 282 bi, prejudicando a União (acionista majoritário), derrubando a Bolsa de Valores, afugentando investidores, elevando o dólar e a inflação. Primeira estatal em valor de mercado, a Vale do Rio Doce ampliou a distância que a separa da Petrobras.

Nesse antipatriótico processo de destruição da Petrobras, Bolsonaro deu sequência ao “trabalho” iniciado em 2014 pelos seus antecessores. Considerado como um dos maiores esquemas de corrupção do mundo, o Petrolão envolveu os presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de políticos, empreiteiros, diretores da estatal e ministros.

A arquitetura criminosa, demolida pela Polícia Federal e investigada pela Operação Lava-Jato, causou na Petrobras um rombo de R$ 42 bilhões – a recuperação do dinheiro roubado não chega a R$ 10 bi – funcionava da seguinte forma: a estatal, por meio de seus cinco diretores, entregava às empreiteiras obras de grande porte, superfaturadas, como a construção das refinarias de Recife (orçada em US$ 2,3 bi, custou US$ 20,1 bi), Itaipava (RJ) e Araucaria (PR). Os beneficiados tinham a obrigação de alimentar os cofres dos partidos políticos ligados ao governo.

Ministra de Minas e Energia de Lula e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Dilma foi convocada pelo TCU para explicar a compra da refinaria sucateada de Pasadena, nos EUA, apelidada de “Ruivinha”, por causa da ferrugem em grande parte de suas instalações. A ex-presidente alegou que não teve acesso às informações necessárias, contrárias à aquisição da unidade americana; e foi’ inocentada. Pasadena foi comprada em 2006 por US$ 1,2 bi e vendida em 2019 por US$ 467 mi.

Num país onde cadeia só existe para quem rouba para matar a fome, toda a quadrilha que se beneficiou do dinheiro público, com exceção de três ou quatro membros, está vivendo em imóveis de luxo, longe dos olhares curiosos, principalmente da imprensa. A maioria cumpre prisão domiciliar, com ou sem tornozeleira eletrônica, com dinheiro em contas no exterior; outros pagaram uma irrisória indenização e estão livres; outros trouxeram de volta o famigerado “dedurismo” da ditadura e, sem necessidade de tortura, “entregaram” os companheiros, em troca da liberdade; outros contam os dias para prescrição dos processos. E assim vamos vivendo de amor…, como cantava a saudosa Elza Soares.

 

 

 

 

 

 

A TECNOLOGIA QUE NÃO FUNCIONA NO BRASIL

O repórter passa os números de atendimento e diz que o aplicativo e o site são mais práticos para fazer o agendamento da sua necessidade, como uma consulta média nesses tempos pandêmicos. Siga o passo a passo. No meio sempre dá um problema, e a pessoa tem que começar tudo do zero.

Acontece que dificilmente você consegue. Bate a irritação e o indivíduo fica ainda mais estressado. A nossa tecnologia já nasceu como o DNA da burocracia. Funciona de maneira precária, e poucos têm acesso a ela. Quando possui, é aquela tortura.

Não é querer ser derrotista, mas sempre digo que a única coisa que funciona bem no Brasil é a corrupção. Essa é uma “maravilha”, levando ainda em consideração que ela está aliada à impunidade. Com a propina e o suborno o cara passa pelo porteiro sem ser revistado.

Poderia citar aqui muito setores, como na educação e na saúde, por exemplo, onde o brasileiro pena para marcar uma consulta ou matricular um filho numa escola através de um site ou aplicativo. Vou apontar, porém, o caso do SAC que está resolvendo os problemas do cidadão por agendamento.

Eu sou um testemunho desse sofrimento no processo de renovação da minha carteira de habilitação. Primeiro, com ajuda da minha esposa, tentei agendar pelo site, mas ele nunca abre. Desisti.

Resolvi, então, ir pessoalmente ao serviço no Shopping Boulevard. O moço me indicou uma pequena empresa, um quiosque que fica dentro do Shopping e cobra R$2,50. Lá, em questão de dois minutos ou menos, a moça fez o agendamento. A terceirização mais parece uma máfia porque pelo site do SAC é até impossível.

No dia marcado, que foi ontem (dia 24/01), às 11 horas, lá fui eu pontualmente com meus papéis na mão. Recebi a senha para ser atendido e, a esta altura, já me sentia relaxado e certo que iria, enfim, solucionar meu “pepino” burocrático.

Para minha surpresa, 10 ou 15 minutos depois, apareceu um funcionário para avisar que o sistema de habilitação estava fora do ar, mas seria por pouco tempo. Aquilo já mexe com os nervos da pessoa. Demorou mais um pouco, e outro preposto comunicou que o problema iria demorar.

Então, me dirigi ao senhor para saber o que faria. Ele olhou para mim, de maneira educada, e recomendou que no meu caso (idoso) melhor seria cancelar o agendamento. Prontamente entreguei minha senha e indaguei o que faria. Respondeu que a saída era fazer outro agendamento, lá no quiosque, pagando mais R$2,50.

Ai, meu amigo, só para agendar já gastei R$5,00, fora o laudo e o médico que irá me examinar para saber se ainda estou apto para dirigir. Tenho que retornar ao SAC na próxima quinta-feira, não mais tendo a certeza que serei atendido porque nossa tecnologia não é confiável, e sempre tem o tal do sistema que sai do ar.

O brasileiro pobre nasceu para sofrer calado, e come o pão que o diabo amassou. Para todo canto que se vai tem uma fila, e a tecnologia, que tanto propagaram que iria facilitar nossas vidas, na maioria das vezes não funciona.

Fico a imaginar que o pobre no Brasil quando morre vai direto para o céu, porque pelo inferno ele já passou. Na portaria, São Pedro nem deve olhar a ficha dele, se é pregressa ou não. Para acabar com essas injustiças, só uma revolução, para eliminar essa corja que infesta a política e nem está aí para o sofrimento do nosso povo.

Por falar em fila, você, por acaso, já viu algum milionário, famoso ou deputado numa fila para tirar e renovar documento ou resolver alguma pendência em um banco ou repartição pública? Se você encontrar, me conte.

A mesma coisa é a tal prova de vida que os governantes colocam aqueles velhinhos aposentados nas filas intermináveis para chegar na carteira do funcionário e dizer que ainda não morreu. Vá tentar fazer através do Aplicativo Meu INSS! Coisa é fazer uma inscrição num edital de concurso!

 

 





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