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:: ‘Notícias’

TUDO TEM A SUA VEZ

Só os deuses em sua plenitude religiosa de cada um deles, venerados e adorados desde os primórdios das civilizações tribais, podem ser considerados imortais. Eles estão em nossas memórias originárias dos ancestrais. No mais, na vida terrena, religiosa ou profana, tudo tem sua vez de glória, fracasso e fim. O poeta cancioneiro disse certa vez que o amor é eterno enquanto existe.

O planeta e o ser humano vivem numa evolução constante de mudanças, de vez em vez, passo a passo. O presente logo se torna em passado para se construir o futuro do amanhã que fica velho e vem outro amanhecer. É a metamorfose ambulante, como pontuou para nós o poeta das profecias. O sofrer e o prazer, o choro e o sorriso, a derrota e a vitória, têm, cada um, a sua vez.

Tudo na vida tem sua vez de ser, como a criança que nasce, cresce e tem seu tempo de brincar, estudar e trabalhar. Depois amadurece e não é mais o mesmo de antes. Sua graça se volta à corrida pela sobrevivência. Seu pensar é se multiplicar na corrida do ter e do ser. Não é o Ano Novo que lhe renova. Pelo contrário, ele lhe convida para você se preparar para sua vez.

A velhice é como o pôr-do-sol anunciando a noite, não importa se em dia nublado, céu claro ou de nuvens carregadas com prenúncio de temporais e tempestades. Depois do mar revolto, vem a calmaria. Será que falo coisa sem coisa? Faz parte da nossa imaginação. O sonho pode se evaporar, ou ter sua vez de se realizar.

Essa vez de cada vez acontece nos planos material e espiritual. É a sua vez de pegar o cavalo selado, ou sua vez de encontrar um amor, que lá na frente pode se torna em separação, ódio e rancor. É sua vez de declamar sua poesia, de participar do jogo, de externar seu pensar, de entrar em cena e dela sair. É sua vez de respeitar o outro e ouvir o que ele tem a lhe dizer.

Veja o lixo e a flor. O primeiro já foi produto e bem de valor, ou alimento, que se torna em resto de entulhos jogados fora, que emporcalha a natureza, que se revolta e provoca tragédias de morte. O petróleo e outros metais se transformam em gases tóxicos que aquecem a terra. Mesmo assim, o lixo não deixa de ter sua importância quando é usado como adubo para fertilizar o solo.

A flor tem a sua vez de alegrar, criar momentos de felicidade, bombear seu coração de esperanças e fé, mas não tarda a murchar e a se tornar em lixo, que reciclado em sua vez, servirá de alimento para o renascer de uma outra flor. É o ciclo da vida.

Ela tem sua vez nos casamentos, como prova de paixão, nos aniversários, para decorar mesas em ceias festivas e em encontros de chefes poderosos. No Dia de Finados, lá está ela para homenagear os mortos, ou em ocasiões onde famosos ou grupos de etnias diferentes são vítimas de assassinatos trágicos. Depois de murchas são incineradas ou se acabam em lixo.

Existe aquele ditado que diz, sempre existe a primeira vez, como o primeiro namoro, o primeiro beijo e a primeira relação sexual, muitas das quais ficam inesquecíveis ou perturbadoras nas mentes, que também têm suas vezes de escolhas no mundo das ideologias.

Tudo tem sua vez, mas não fique aí esperando o acontecer. Faça a sua vez porque outro está de olho em sua vez para passar a rasteira. Você transa a vida toda com a cruel competição para depois ficar cansado e se ir, no momento da sua vez.  O segredo é não pegar ou descer na estação errada. Preste bem atenção nos letreiros, nos avisos e nos comunicados.

Tudo tem a sua vez e essa é a máxima filosófica natural, desde a criação. A simplicidade é a mãe da virtude para o encontro da sua vez. A inspiração tem a sua vez de fazer nascer a poesia. Espere a maré baixar para fazer sua travessia. Não são apenas os fortes, os fracos também têm a sua vez, como um dia é da caça e o outro é do caçador. Quem faz o mal, aqui se paga. Não se apoquente e nem se vanglorie. Não seja prepotente porque tudo tem sua vez.

COMO SERIA O BRASIL DE HOJE SEM O GOLPE CIVIL- MILITAR DE 1964?

Várias vezes me pego imaginando como seria o Brasil de hoje se não tivesse ocorrido o golpe civil-militar de 1964. Muitas pessoas já devem também ter feito essa suposição. O assunto renderia um livro ou um filme imaginário de ficção dentro do realismo-fantástico a partir da existência de um contragolpe. Neste final de semana, meu amigo Dal Farias levantou esta questão.

Difícil de responder porque muitas coisas poderiam ter acontecido no decorrer do processo de implantação das reformas de base propostas pelo então presidente João Goulart no início dos anos 60 com a renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961. São mais de 61 anos e de lá para cá, a desigualdade, a pobreza e a exclusão só aumentaram, talvez em maior proporção ao crescimento populacional.

Quando fazemos esta pergunta temos que nos reportar aos anos de 1954 quando Getúlio Vargas se suicidou e os milicos ensaiaram o primeiro golpe naquele imbróglio de Café Filho, mas foi impedido pelo general Lott que optou em se posicionar ao lado da legalidade.

Tentaram até não dar posse ao eleito Juscelino Kubistchek, mas tiveram que se recolher em suas casernas, apesar de não terem desistido da ideia. A mesma coisa ocorreu com Jango, em 1961, impedidos pela campanha da legalidade de Leonel Brizola. A frustração deles serviu para alimentar mais ainda a vingança, concretizada em 1964.

Bem, a indagação é como seria o Brasil de hoje se não tivesse existido o golpe de 64. Em minha modesta opinião de observador, tenho certeza que teríamos um pais bem melhor, mais igualitário, mais educado, de maior conscientização política e mais conhecimento e saber, tanto nas zonas urbana como rural, inclusive com a implementação da reforma agrária, que nunca foi feita.

Pelos meados dos anos 50 e até início dos 60 estávamos no caminho certo da educação e se respirava cultura, principalmente entre aquela nova geração, inspirada nos movimentos socialistas da Rússia, China e Cuba. Creio, no entanto, que não seríamos um país comunista na América Latina, como propagava o Ocidente através do Estados Unidos.

Naquela época da guerra fria, o pior inimigo era o comunismo da União Soviética (até hoje ainda é visto como vilão pela extrema), mas o Brasil não era um marxista convicto. Boa ala das forças armadas, inclusive soldados e oficiais, como nos movimentos tenentistas da década de 20, aderiam às reformas de base e às mudanças sociais propostas, mas não eram comunistas marxista-leninistas, com raras exceções.

O BRASIL É MAIS DE DIREITA OU DE ESQUERDA?

Isso responde a uma outra pergunta: O Brasil é mais de direita ou de esquerda? Mais uma vez, no meu entendimento, o pêndulo sempre esteve mais para o lado da direita e centro. Pela sua tradição cultural, inclusive religiosa católica e mais ainda evangélica, a família brasileira sempre foi conservadora moderada, não tanto extremista de direita como atualmente.

Interessante que foi a Igreja Católica, naqueles anos, que despertou nos jovens e trabalhadores em geral, principalmente, a participação nos movimentos sociais através da criação de grupos de ações populares, como JEC, JUC, JOC, JAC e tantos outros, inclusive no meio rural com os camponeses.

Aquela geração se engajou na defesa social visando conscientizar politicamente o povo do seu direito à justiça e à dignidade humana, com vistas a combater as desigualdades e contra a exploração do capital, especialmente das multinacionais. No fundo pregava-se a luta de classe e o povo no poder. Durante a ditadura, a bandeira principal era a volta da democracia.

Foi esta mesma Igreja, ávida por mudanças e na defesa dos pobres, a classe média dita burguesa e as elites oligarcas, que nunca aceitaram a distribuição de renda, que juntas se uniram para apoiar o golpe-civil-militar de 1964, sob o argumento de que o país estava à beira de uma ditadura comunista. Essa ideia foi amplamente bem trabalhada e divulgada pela CIA (Serviço de Inteligência) dos Estados Unidos, com a integração dos conservadores.

Sem contar a incoerência da Igreja Católica, que recuou e abriu mão de suas mobilizações sociais, a base da nossa formação familiar sempre foi de direita, tanto que tivemos aquelas megas manifestações de ruas, com os slogans de família, pátria e tradição.

Esses personagens, inclusive a imprensa, pediam também uma intervenção militar porque temiam que as reformas de base fariam do Brasil um país comunista. A história se repete e de forma mais aguda e agressiva, sem bem que os autores são diferentes. São esqueletos que há muito tempo estavam mofando nos armários.

O golpe de 1964 poderia ter sido evitado, não fossem as dúvidas, o medo ou covardia de Jango, que teve a possibilidade de abortar por ar a operação desastrada do general Olímpio Mourão, em 31 de março. Por sua vez, deveria ter permanecido em Brasília mobilizando comandantes que se colocaram a ser serviço.

Muito contribuiu também nesse processo de rendição, a falta de organização das esquerdas entre moderados e radicais, que pressionaram o presidente, até com ultimatos. Outros fatores entraram em cena, mas acredito que se o roteiro fosse outro, hoje o Brasil seria bem melhor, e não essa bandalheira de bandidos corruptos, fascistas extremistas e um Congresso Nacional que é o pior de toda história brasileira.

ÚLTIMA SESSÃO DA CÂMARA

Vários temas foram debatidos pelos vereadores de Vitória da Conquista na última sessão do ano que aconteceu nesta sexta-feira, dia 19 de dezembro de 2025. Em recesso, as atividades da Câmara Municipal retornarão em março de 2026.

Nesta última reunião, os vereadores discutiram a concessão de ticket-alimentação para eles mesmos, servidores estatutários do quadro efetivo, comissionados e contratados por tempo determinado, assunto nada popular para os conquistenses.

Entraram em pauta também a instituição das festas de caruru de São Cosme, São Damião e Doum; dos erês dos orixás Ibeji e nos Nkisis Nvunji, que são patrimônio cultural e imaterial do município.

Foram debatidos ainda a reestruturação de setores e funções que alteram o quadro geral de cargos comissionados e o sistema de apoio à atividade parlamentar, e modifica dispositivos da lei número 2.955, de 23 de dezembro de 2024, revoga seus anexos e dá outras providências, com objetivo de promover o aprimoramento da estrutura administrativa e funcional do poder legislativo.

Como sempre, falaram todos vereadores se reportando ao ano de trabalho, só que as ações continuam durante o recesso, como destacou o parlamentar Adinilson Pereira. Ele apontou, em sua fala, a falta de infraestrutura às margens do Bairro Lagoa das Flores ao lado da BR-116, de responsabilidade do Denit.

Ricardo Babão falou da última sessão de 2025, dizendo estar feliz pelo seu terceiro mandato com realizações importantes em parceria com a prefeita, com o Governo do Estado e com o deputado Jean Fabrício.

A vereadora Cris Rocha também se reportou à última sessão e destacou os principais avanços da Câmara e da Mesa Diretora. O legislativo aprovou pautas fundamentais nos setores da saúde, melhorias no atendimento e mais investimentos – ressaltou a parlamentar. Outra conquista, de acordo com ela, foi a construção da unidade de saúda de Lagoa das Flores onde também irá receber a revitalização da quadra poliesportiva. Rocha ainda ressaltou os avanços de obras na zona rural. Disse ter sido um ano de intenso   trabalhos em benefício dos conquistenses.

Luis Carlos Dudé parabenizou o presidente da Casa, Ivan Cordeiro, quando enumerou diversos projetos aprovados em 2025. De acordo com ele, o ponto mais positivo foi a reforma da Lei Orgânica do Município de Vitória da Conquista. “Ela é uma espécie da nossa Constituição Municipal”. Na ocasião parabenizou a bancada feminina pela criação da comissão das mulheres.

 

É NESSE DIA

(Chico Ribeiro Neto)

Esse dia é o dia em que camelos voarão sobre o Saara e elefantes nadarão no Porto da Barra.

Nesse dia as flores vão acordar mais cedo para mandar embora o medo.

Caramujos vão invadir as sinaleiras levando novas cores: branco, azul e violeta.

Nesse dia todo mundo vai amanhecer cantando uma cantiga daquelas de quando era pequeno.

Gaivotas levarão seus boletos para uma ilha deserta.

Nesse dia não tem compromisso, nada com isso, e todos vão dançar com a banda BaianaSystem Não tem dentista nem problemas à vista, tudo é conquista.

Velhos, crianças e adultos vão correndo dar um mergulho no mar.

Nesse dia não tem não nem talvez, não tem senão nem porém.

Sabiá vai cantar na janela e vou ganhar um beijo dela.

Plantas vão romper o asfalto e vai cair uma chuva fininha.

Nesse dia beberemos o vinho tinto que escorre da montanha,

Mangas (rosa e espada), melancias, cajás, umbus e cajus vão rolar nas ladeiras de Salvador.

Fartura de acarajé, abará e peixe frito em cada esquina.

Ouviremos uma música lá longe.

No final do dia, um pombo branco vai cagar na cabeça de Dom Pero Fernandes Sardinha, na estátua da Praça da Sé.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

PAPO RETO ENTRE AS VACINAS

Estou de saco cheio, enfastiado e enojado de falar desse Congresso Nacional! Por acaso, existe alguma vacina a ser aplicada no eleitor na hora de votar para eleger um colegiado sério e honesto de representantes do povo? Deixa pra lá, hoje estou mais interessado no papo reto entre as vacinas no Brasil.

Observou que vacina é do gênero feminino e a maioria das doenças também? Talvez esteja aí a explicação dos negativistas contra elas pelos misóginos preconceituosos! Em tempos mais recentes, a que sofreu mais rejeição foi a Covid-19, que ceifou a vida de mais de 700 mil brasileiros.

Por isso, quando se fala em vacina, lembramos logo dela. Foi aquela confusão e polêmica danada, ao ponto de se criar brigas e inimigos. Por ser chinesa dos olhos fechados, a discriminação foi ainda maior. Foi um tal de bota fora e até de se propagar que a pessoa que a tomasse iria virar jacaré ou pegar HIV, que nunca teve a sua vacina.

Um amigo meu bateu umas besteiras em meu cansado ouvido de escutar tantas asneiras. Afirmou que o brasileiro é um corpo ambulante de vacinas, daí os infartos em escala crescente. ”Cuidado, não tome vacina porque você pode sofrer uma parada cardíaca”!

Fiz de conta que não ouvi e mudei de conversa sobre a questão do aquecimento global. Aí, ele também respondeu que é uma falácia. Comentei sobre a terra. Respondeu que era plana. Assim fica difícil entabular uma prosa nos dias atuais. Melhor tapar a boca com esparadrapo.

Quanto as vacinas, dizem que existem 18 delas no Brasil para proteger famílias e seus filhos. Imaginou elas se cruzando na corrente sanguínea, na caça ao vírus malígno, que é macho, para eliminá-lo! Todas têm o DNA de estrangeiras, com exceção da mais caçula da dengue, nascida agora no Instituto Butantã, em São Paulo.

Por falar em vacinas, quando era menino na roça, nunca ouvi falar delas, mas tive aquelas doenças mais comuns em crianças, tratadas com simpatias e receitas caseiras. Recordo mais do sarampo, da catapora, das tais “tosse convusca” ou convulsa (coqueluche) e da “papeira” (caxumba).

Com relação a tosse, quando estava atacado, meus pais jogavam baldes d´água em mim. Parava no susto. Ah, enquanto se estava com sarampo e catapora, não se podia tomar banho, sem contar os resguardos das rezadeiras.

Quem tinha a papeira não podia passar debaixo de cerca, senão a “bicha” descia para baixo até o saco, que ficava grande. Quando passava alguém com aquele saco enorme balançando nas calças, cochichavam que foi porque teve papeira e passou por debaixo da cerca. Ah, seu moço, passei a ter um pavor de cerca”

Bem, voltando ao assunto, essas feministas juntas devem fazer um barulho da peste quando começam a papear. E aí, quem é você, como se chama? Pergunta a vacina do sarampo. Sou a poliomielite e venho da primeira campanha, em 1961. Minha missão é combater a paralisia infantil. Está bem, vá em frente e derruba o cabra.

A do sarampo, muito tagarela, também cruzou com a da rubéola, da caxumba, da febre amarela, com a tríplice viral, a BCG, a tetraviral varicela, a HPV, a do tétano, da raiva, das hepatites “A” e “B”, influenza trivalente (essa deve ser cangaceira), a H1N1 e a da DTPa. Existe até sopa de letras. São as empodeiradas!

Como todas falavam ao mesmo tempo, tem vez que é aquela zoeira perturbadora que até o coração precisa dar aquele basta e mandar que todas procurem circular. “Parem de tanta conversa barata! Até parecem um bando de desocupadas que ficam fofocando da vida alheia”!

– Olha lá, aquela velhinha que vem se arrastando! Apontou uma delas. A trivalente se encarregou logo de informar que se tratava da exterminadora da perigosa varíola, desenvolvida, em 1961/62, pelo Instituto Oswaldo Cruz.

Conta a história que a primeira a aparecer contra a doença varíola foi lá pelos anos de 1804. Cem anos depois, o cientista brasileiro Oswaldo Cruz foi responsável por implementar ela em larga escala no país e quase foi morto por uma tropa enfurecida de ignorantes negativistas – destrinchou a trivalente.

E quem era esse Oswaldo Cruz? Santa ignorância! Era diretor Geral da Saúde Pública e instituiu a vacinação obrigatório, em 1904.  Ah, isso deu um fuzuê daqueles! Gerou até uma rebelião popular, chamada de “Revolta da Vacina”, no Rio de Janeiro.

-Ninguém queria chegar perto dela. Muita gente fugiu, mas centenas tiveram que tomar na tora. Ameaçaram o homem de morte, mas ele não recuou e ainda introduziu as vacinas contra a febre amarela e a peste bubônica. Foi o cara!

– Coitadinha dela! De tanto apanhar, anda meio rejeitada pelos cantos, cabeça baixa, sem muita prosa! Falou a catapora, que mais parece nome de cabra do cangaço nordestino. Com seu “punhal,  afiado” saiu  para cuidar da sua obrigação.

A caxumba e a rubéola foram saindo de fininho, à moda francesa, pois se aproximava a raiva para dar aquele esporro. “Vão trabalhar, cabroeira de preguiçosas! Não vê que a carcaça brasileira está cheia de doenças e precisa de uma ajuda de vocês feministas!

VEREADORES DEBATEM ORÇAMENTO

Em sessão ordinária na manhã desta quarta-feira (dia 17/12), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram, em primeira votação, o orçamento anual do município para o exercício financeiro de 2026. A parlamentar da oposição, Marcia Viviane, criticou os cortes substanciais de recursos em quatro secretarias.

Antes das falas dos vereadores e das moções de aplausos, foi colocado em pauta a discussão de vários projetos de lei, como o Selo Motorista de APP Amigo do Autista e outras pessoas com deficiência, o Dia Municipal do Associativismo, Dia do Rosário da Virgem Maria, dentre outros assuntos.

Em sua fala, Adinilson Pereira lembrou da audiência pública sobre o Dia da Bíblia que logo mais, às 19 horas, foi realizado no auditório da Câmara de Vereadores, com a participação de diversos pastores da cidade.

Na ocasião, Pereira informou ao público em geral sobre os serviços de manutenção de ruas que estão sendo executados pela prefeitura nos bairros de Lagoa das Flores, no Periperi e Cabeceiras. Disse ter indicado ao Gabinete Civil do poder executivo a recomendação de obras de pavimentação nos distritos de José Gonçalves e São Sebastião, usando os recursos do empréstimo de 400 milhões de reais aprovados recentemente pela Casa.

O parlamentar Luis Carlos Dudé anunciou que das suas emendas impositivas estaria destinando quase 600 mil reais para serem investidos na cultura, em atividades festivas religiosas e para o setor da saúde. Ressaltou também que está trabalhando junto a deputados no sentido de que eles destinem verbas de suas emendas para a conclusão da reforma da Feirinha do Bairro Brasil.

A vereadora Marcia Viviane usou a tribuna para criticar os cortes no orçamento das secretarias de Saúde, Mobilidade Urbana, Serviços Públicos e Agricultura para o exercício de 2026, num valor superior a 180 milhões. Ela declarou que esses cortes da Prefeitura Municipal em pastas importantes são preocupantes.

NO PAÍS DAS DOAÇÕES

Não que seja contra a dar algo de material às pessoas mais carentes ou um prato de comida a quem está passando fome. Não é isso, mas essa “febre” de doações, onde o Brasil se tornou no país do dar, no sentido assistencialista, não significa inclusão social, ou ascensão de classe de quem vive na miséria.

Pode-se dar o nome de caridade ou solidariedade para com o próximo, atitude que, culturalmente, tem um toque de religiosidade. Existe aquele tipo de doação momentânea que ocorre em determinadas circunstâncias, como em casos de tragédias quando vítimas perdem seus bens e o de época, como final de ano, nas costumeiras campanhas de Natal.

Neste período se ouve muito o “faça uma pessoa feliz”, dando um brinquedo para uma criança, ou alguns itens alimentícios para a ceia da noite. Quem recebe sente aquela sensação de felicidade, só que passageira, porque depois o beneficiado vai continuar se sentindo um lixo excluído socialmente.

É como um sonho não realizado. O verdadeiro seria mesmo viver num país igualitário, com oportunidades para todos, onde não mais existissem essas filmagens de campanhas de doações. Não mais essa nossa gente sendo usada para muitos pousarem de bondosos e caridosos.

Me desculpem, mas existe muita filosofia barata no que diz respeito a ser feliz nesses bordões característicos das campanhas de doações. Nem todos, mas muitos dão alguma coisa para ficar bem na fita, ou na imagem, e outros como se fosse uma remissão dos seus “pecados” durante o ano.

Nossa sociedade é muito hipócrita e podre, do tipo que morde e depois assopra. Com seu egoísmo, de cultura burguesa-capitalista, ela mesmo é criadora da pobreza e da miséria e, consequentemente, da violência gerada pelo banditismo. A maioria acha que “bandido bom é bandido morto” e nem tem consciência que foi o próprio sistema que o apoia quem criou o “monstro”. São benfeitores e algozes ao mesmo tempo.

Dar um objeto ou uma cesta básica por ano não custa muito e serve para se dizer que se sente “feliz” em fazer o bem a alguém necessitado, marginalizado e excluído da sociedade. No entanto, rejeita qualquer política pública de distribuição de renda. A maioria não quer ver o pobre crescer e entrar como cidadão no mesmo ambiente que ele frequenta.

Então, inconscientemente, neste país do se dar, expressa o desejo de que a pobreza jamais se acabe, senão não haverá mais aquele momento de “felicidade” no ato da doação e ganhar um lote no reino dos céus. Estou salvo por ter feito a minha parte – assim pensam muitos quando atendem ao apelo da doação.

Desde quando me entendo por gente, as “esmolas” só crescem e, junto com elas, aumenta cada vez mais a pobreza e a ignorância. Nossos governantes, nos últimos tempos, gastam muito mais com a política do dar, do que com a política da inclusão do ensinar pegar o peixe.

Instituições, organizações, entidades e corporações sempre estão nessa linha de frente das doações em datas festivas, principalmente em final de ano, para fazerem suas médias e até mesmo mascararem suas imagens de “caridosos”, quando, na verdade, são o tempo todo excludentes, discriminatórias e punitivas contra os próprios pobres. São ações e comportamentos paradoxais e contraditórios.

A ESQUERDA ESTÁ SENDO ENGOLIDA PELO VELHO DISCURSO DE SEMPRE

A manifestação em Vitória da Conquista, realizada no último domingo, na Feirinha do Bairro Brasil, contra a bandidagem dos deputados da Câmara foi uma total decepção, com pouco mais de 100 pessoas, sem contar os velhos discursos desafinados, xingamentos, intolerância e ódio. São aquelas mesmas pessoas o tempo todo falando de Bolsonaro com aqueles bordões batidos. “Falem mal de mim, mas falem”.

Esses protestos em Conquista estão ficando cada vez mais vazios, carecendo de uma maior organização e estrutura. Cadê as participações das militâncias dos principais partidos políticos de esquerda, a presença dos deputados estadual e federal, dos estudantes, dos movimentos sociais através de suas associações e sindicatos, dos professores e da massa em geral? Muitos preferem ficar fazendo suas elucubrações filosóficas e passando mensagens na internet.

O único pronunciamento equilibrado foi o do Dr, Ruy Medeiros que, indiretamente, mandou um recado para as esquerdas, muitos dos quais conluiados com as elites da extrema direita e fazendo acordos que só servem aos seus interesses particulares. São alianças com o diabo.

Ele focou na questão das mudanças de atitudes, no sentido de se colocar novamente o povo nas ruas, fazendo uma analogia aos tempos do samba, do pandeiro e do tamborim. Com isso, Medeiros quis chamar a atenção para a necessidade de se voltar a trabalhar as bases populares, e que não basta ficar passando mensagens e textos nas redes sociais.

Durante sua fala, Ruy Medeiros centrou fogo contra o Congresso Nacional onde seus membros prestam um desserviço nojento ao Brasil, com projetos que visam blindar a bandidagem em conluio com as organizações criminosas. Praticamente não se referiu ao Bolsonaro que está preso por liderar uma tentativa de golpe de Estado e disse desejar a volta do samba, do pandeiro e do tamborim.

Sem contar a pouca participação dos conquistenses no protesto contra o parlamento federal, numa cidade de cerca de 400 mil habitantes, os discursos dos mesmos continuam arcaicos e até desencontrados que, ao invés de somar, desagrega. São falas que a população está cansada de ouvir, sem considerar que se colocam no mesmo nível do outro lado da extrema.

O que mais se ouviu foi sobre a prisão do ex-presidente capitão, de que ele está recolhido numa sala confortável, do tipo suíte, com direito a “mordomias”, quando deveria estar numa cadeia comum. Ora, essas pessoas, por propósito de querer enganar os outros, ou desinformação mesmo, esquecem que se trata de uma prisão distinta pela sua condição como “autoridade”, e isso está na lei. Lula quando foi detido também recebeu o mesmo tratamento.

Com esses velhos discursos de uma militância que precisa mudar sua linguagem e suas atitudes, saindo da teoria para a prática, de modo a atrair as bases, as esquerdas estão sendo engolidas pela extrema direita. Precisamos restaurar a Aliança Nacional Libertadora (ALN), instalada no Rio de Janeiro, em 1935.

Com intolerância e ódio vamos nos nivelar ao outro lado, sem citar aquela gente dos longos textos filosóficos e marxistas que não surtem mais efeitos, principalmente entre o povo que não acredita mais na política e considera todos como “farinha do mesmo saco”. Enquanto se falava dos ladrões do Congresso, ouvi de um transeunte de que “Lula também é ladrão”.

Ruy Medeiros fez duras críticas à Câmara Federal, ao Senado, às assembleias estaduais e às câmaras de vereadores, que se fecharam em si, com suas bancadas aliadas ao sistema capitalista do agronegócio, à turma da bala, do setor financeiro, do fanatismo evangélico e das quadrilhas organizadas das bandidagens.

As eleições estão se aproximando e essa esquerda precisa urgentemente mudar de postura, no discurso e nas atitudes. Temos que voltar às ruas através de suas mobilizações populares, com uma nova roupagem e linguagem, bem como, apresentar seus projetos, se é que existem, para que a população volte a acreditar num Brasil melhor, honesto, ético e unido.

Caso contrário, com esse discurso arcaico e mofo, distante do povo, as esquerdas serão engolidas por essa extrema direita conservadora de fanáticos, que nada têm de patriotas como alardeiam aos quatro ventos. Precisamos de lideranças que unam a nação e não de discursos que só desagregam.

Infelizmente, temos hoje um Brasil dividido, inclusive entre as  instituições, caso do Supremo Tribunal Federal (STF). Para sermos realistas, existem políticos e personalidades da esquerda com desvios de condutas (o pau que se dá em Francisco, também se dá em Chico) onde a extrema se aproveita disso para ganhar mais espaço e ocupar o poder.

 

 

COM QUE ROUPA?

(Chico Ribeiro Neto)

Minha primeira calça comprida, que ganhei aos 11 anos, usei durante um mês sem deixar mamãe Cleonice pegar pra lavar. Calça comprida era uma grande conquista.

A farda do Ginásio São Bento, cáqui, era muito sem graça. Depois, o azul e branco do Colégio Central da Bahia eram mais livres e animados, principalmente pela presença das meninas. A primeira mulher que apareceu no São Bento foi uma professora de Francês. Belos joelhos. Foi no Central que comecei, em 1968, a lutar contra a ditadura militar que esmagava o Brasil.

Menino de farda não entrava no cinema. Mas aí era só tirar o escudo (preso por um clips no bolso da camisa) que o porteiro deixava entrar. Uma fiscalização “faz de conta”. O porteiro sabia que era um estudante, mas o dinheiro falava mais alto.

Tem gente que não usa roupa dos outros por dinheiro nenhum, principalmente se a roupa for de alguém que já morreu. Acham que a roupa traz um pouco da alma do antigo dono.

Lá em casa a roupa ia passando. Luiz, o mais velho dos quatro filhos de Waldemar e Cleonice, comprou uma camisa Volta ao Mundo, aquela de nylon que não precisava passar ferro. Essa camisa percorreu uma grande rota, pois de Luiz passou pra Zé Carlos, depois foi Cleomar e foi terminar em mim, já amarela no sovaco, mas inteira.

Meu pai só tinha crediário na Renner, na Avenida Sete de Setembro, onde eram compradas minhas calças compridas. “Tá grande, meu pai!” “Você tá crescendo ligeiro e sua mãe vai fazendo a bainha. Vai levar essa mesmo”.

Tem um famoso cantor brasileiro que tem pavor a roupa marrom e já expulsou do camarim um repórter que foi entrevistá-lo usando uma camisa dessa cor.

Primeiro encontro com a namorada. “Vou com que roupa?”. Noel Rosa cantou: “Com que roupa que eu vou/ Pro samba que você me convidou?”

Tinha um amigo adolescente que, quando ia pro cinema com a namorada, rasgava o bolso da calça e lá no escurinho perguntava se ela queria drops. “Então pegue aqui”, mostrava o bolso, e ela acabava pegando em outro drops.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

O CONGRESSO NACIONAL DEVERIA SER CASSADO PELO POVO BRASILEIRO

Vergonha é pouca coisa com o que está acontecendo de escandaloso no Congresso Nacional, com pautas aprovadas nas caladas das madrugadas que protegem interesses próprios deles mesmos e livra da cadeia criminosos que tentaram dar um Golpe de Estado e instalar uma ditadura militar no país. A cassação do deputado Glauber Braga é injusta e não passa de um revide  da oposição com relação a Eduardo Bolsonaro e a Carla Azambelli. São fatos totalmente diferentes.

Seus membros agora estão ensaiando uma anistia para os golpistas e querem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na verdade, esse Congresso de 513 deputados e 81 senadores, o pior de toda história do Brasil, deveria mesmo era sofrer um processo de impeachment por parte do povo brasileiro por falta de decoro parlamentar, mas todos sabem que isso não é possível, além de ser uma iniciativa surreal. As imagens bizarras dizem tudo.

UM SILÊNCIO PERTURBADOR

Nação dividida, ódios repartidos, nazifascismo e instituições corrompidas. Povo desvalido, fanáticos de Bíblia nas mãos, alienação, jovens perdidos sem cartazes nas mãos e pobres na tocaia de uma doação. Emboscadas da violência, sangue no asfalto dos assaltos e multidões sem guias. O futebol é o nosso deus da ocasião. O agro é o nosso salvador, ou devastador. O silêncio é perturbador.

Nem eu mesmo sei o porquê desse jogo de palavras relativas ao nosso cenário de horror. Talvez esteja me sentindo perdido quando vejo cenas vergonhosas, impactantes e chocantes em nosso país, quando o Brasil não merecia passar por tão vergonhosa estupidez, gestada das barrigas desses poderosos, mas a questão é secular.

Fomos ao longo desses séculos de mais de 500 anos acumulando desmandos, corrupções, promessas não cumpridas, princípios dissolvidos pela ganância do poder, ao ponto de o brasileiro não acreditar e confiar mais em ninguém. Ele se tornou um insensível e perdeu a dignidade de se indignar com os absurdos.

Sempre falamos de fundo do poço, mas nesse poço sempre existe mais fundo, como é o caso do nosso Congresso Nacional que só faz piorar. Bandidagem é pouca coisa para descrever essa tropa, ou bando, que hoje, por incrível que pareça, governa o nosso país, não como um legislativo decente, mas como cabras de cangaceiros tresloucados.

Para o bem da nossa democracia, esse Congresso Nacional de desvairados, de projetos fascistas e retrógradas, poderia muito bem ser dissolvido, pelo menos por uma temporada, ao tempo em que todos fossem enviados para uma clínica psiquiátrica de desintoxicação de substâncias químicas corrosivas ao organismo social.

Porque não um pedido de impeachment de todo Congresso Nacional que só tem nos feito mal? Todos eles ficariam inelegíveis por oito ou 12 anos, inclusive seus descentes. Com o tempo seriam esquecidos e nisso o nosso povo brasileiro é craque porque é desmemoriado.

Não a uma ditadura, mas teríamos de encontrar uma fórmula de exercitar nossa liberdade, contanto que esse Congresso, coiteiro de bandidos e malfeitores, fosse banido, registrado apenas nas páginas da história para que nunca mais se repetisse.

É este o Congresso que queremos, dividido em bancadas de interesses onde eles mandam e a população obedece como escrava? Pelos nossos pecados e omissões, bem que merecemos esse espetáculo de horrores. Todos nós somos cumplices.

Estamos colhendo o que plantamos, mas os governantes de um modo geral são os maiores culpados por termos hoje em nossos quintais essas plantas venenosas e carnívoras.

Nossa gente sempre foi conduzida como boiadas submissas e escravas da ignorância. Essas cuias de esmolas nunca criaram cidadãos conscientes politicamente de suas escolas que fizeram. É o alto preço que estamos pagando e não adianta ficar aqui fazendo elucubrações filosóficas, sociológicas, marxistas ou citando altos intelectuais para explicar o inexplicável. Tudo é muito simples de entender, basta ter o equivalente ao primário escolar de antigamente.

Para se galgar ao poder, o caminho sempre foi fazer alianças com o diabo belzebu das elites burguesas, conservadoras, extremistas e fundamentalistas do “evangelho”.  Essa mistura indigesta com os chifrudos dos infernos terminou gerando monstros do banditismo.





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