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“INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL” ABRIU O PRIMEIRO SARAU DO ANO DE 2026
DESDE OS TEMPOS PRIMITIVOS AO TECNOLÓGICO
Professor Roque Mendes Prado Trindade (direita)
No primeiro “Sarau A Estrada” do ano, realizado no último sábado (dia 28/02/2026), o professor Roque Mendes Prado Trindade, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, abriu os trabalhos com a palestra “Inteligência Artificial – uma jornada pelo passado, presente e futuro”.
Como já diz o próprio subtítulo, o professor começou sua explanação falando dessa inteligência desde os tempos primitivos quando o homem usava os sinais da pedra, da fumaça, do fogo e outros códigos e símbolos para se comunicar.
Roque começou sua fala destacando a máquina como a extensão do homem, dando como exemplos o outro, a pedra, o braço, pernas, a lança, a espada, os talheres, a enxada, o arado e as ferramentas manuais. Existiam também as extensões do corpo, do olho, do ouvido (terra, linha do trem, o microfone), da voz, do olfato, da memória, do raciocínio lógico, do aprendizado (métodos estatísticos, neurônio artificial, redes neurais) e tantas outras.
Quanto aos desafios futuros. Roque Mendes afirmou que o problema do homem não é a IA, mas o próprio homem pelo seu empobrecimento sentimental, pela falta de empatia, de amor, de tolerância e o empobrecimento cultural.
Os perigos, de acordo com ele, estão no robô aspirador espião, no racismo, na pedofilia, nos algoritmos que não têm sentimentos, nos golpes e nas mentiras. Durante sua exposição, ele chamou as pessoas a refletirem de que a IA não se iguala às pessoas; que as máquinas não podem pensar; e de que todos estamos sujeitos a ser enganados pela Inteligência Artificial.
Em sua opinião, a IA jamais terá uma inteligência superior ao homem, e ressaltou que ela afeta o mundo e que tem seus benefícios em vários setores da vida, citando a saúde, a educação, o transporte e a produtividade nas empresas e nos negócios. No final, chamou a atenção para que as pessoas procurem ter discernimento daquilo que é falso e verdadeiro na IA. Depois, muitos fizeram suas devidas intervenções e questionamento com relação ao tema, inclusive sobre o papel da IA nas próximas eleições do país.
O sarau foi abrilhantado com o show de cantorias dos artistas Jânio Arapiranga, que cantou belas canções, inclusive de músicas autorais, sendo muito elogiado, de Alex Baducha, Gilmárcio, no violão, Manno Di Souza, Armando, Fabrício Prado, dentre outros.
Como sempre, o espaço foi aberto às declamações de poemas, contação de causos por Jheusus, num clima fraternal entre amigos admiradores da cultura.
Mesmo com as intensas chuvas, muitos compareceram ao evento que até proporcionou um ambiente de aconchego, tudo acompanhado pelos comes e bebes. Por causa da chuvarada, muitos não puderam comparecer, mas o sarau contou com as presenças de mais de 20 pessoas.
Na ocasião, antes dos trabalhos, o presidente de honra do Sarau, Jeremias Macário, aproveitou a ocasião para dar alguns informes e fazer determinados questionamentos. Como novidade, anunciou que o Espaço Cultural a Estrada já pode ser acessado no Google Map e outros aplicativos.
Como informe, anunciou que está trabalhando no projeto de elaboração do seu próximo livro sobre a Serra do Periperi – lendas, mistérios e verdade. Em seguida, pediu a todos que colaborem com o blog www.aestrada.com.br enviando textos sobre assuntos diversos, com todo liberdade de expressão de pensamento.
Como o Sarau está em vias de ser registrado, Jeremias prometeu que quando todo processo estiver concluído, o Acervo Cultural A Estrada, de mais sete mil itens, e que já está também regularizado, será doado à nova sociedade que está sendo criada, sem fins lucrativos. Anunciou seu desejo do espaço ser aberto à comunidade e não apenas aos artistas.
Vandilza Silva Gonçalves, que sempre tem sido a nossa anfitriã e dedicado todo seu esforço a este projeto cultural, agradeceu o apoio e ajuda da presidente Cleu Flor nos momentos mais difíceis que passamos para concluir nosso novo espaço cultura, estendendo o agradecimento a todos que têm dado suas contribuições para que o sarau, que está completando 16 anos, continue a existir por mais longos tempos.
DESCULPA PERGUNTAR…
(Chico Ribeiro Neto)
Gente perguntadeira é terrível. Muitos costumam começar com o famoso “desculpe perguntar”, como se você tivesse obrigação de responder. Curioso é que perguntar sempre foi meu ofício na vida de jornalista profissional, mas odeio gente perguntadeira.
“Desculpe perguntar, mas você paga quanto de condomínio?”
Às vezes é um amigo, às vezes é um parente, a pessoa perguntadeira tem um jeito especial de lhe cercar pelas beiras. Vem como quem não quer nada e aí PIMBA ! dispara a flechada:
“Seu filho tá ganhando quanto?”
Você reage dizendo que não sabe e a perguntadeira, que também adora uma fofoca, saí por aí espalhando: “É um pai desinformado!”
Fuja de gente perguntadeira. Tem uns que chegam a perguntar o preço de sua roupa: “Desculpe perguntar, mas quanto foi essa camisa no shopping?”
Uma boa saída é devolver a pergunta: “Meu condomínio é mil reais e o seu tá quanto?” Ou então atacar mesmo: “O senhor, por acaso, é pesquisador do IBGE?”
Eles adoram saber da vida dos outros, não vivem sem perguntar. Querem saber sempre, não de tudo, mas de todos. O perguntador contumaz não se limita a dar bom dia. Ele acrescenta: “Tá indo pra onde?” “Vai passar o Carnaval aqui ou vai viajar?”
A pessoa perguntadeira fica intrigada quando não sabe nem consegue descobrir o que é que aquele vizinho faz na vida. Só conseguiu descobrir que ele chega por volta de 20 horas, mas ainda não sabe que horas ele sai. Vai sondar o zelador.
“Quanto é sua faxineira? Ela cozinha também?”
“Você toma remédio de pressão?”
“Você assiste Big Brother?”
“Faz supermercado por semana ou por mês?”
“Você se dá com o vizinho?”
“Você consegue fazer poupança?”
“Você é feliz?”
Tem uma velha piada: vai passando na rua um sujeito com um pedaço de tubo na mão. Passa o perguntador, que nem o conhecia, e pergunta: “Pra que é esse tubo?” “Pra enfiar no cu dos perguntadores” é a resposta.
Uma vez, no Porto da Barra, em queria saber as horas. Passou um cara com um colete cervical e de relógio. “Por favor, que horas são?” Foi acidente”, respondeu ele.
Uma vez, na praia, milha filha Clarice, com uns 6/7 anos, arranjou uma amiga que perguntava tudo sobre a nossa vida. Perguntou onde eu trabalhava e até quanto eu ganhava. Apelidamos a menina de Perguntinha.
Quando eu estava na Tribuna da Bahia, final da década de 60, dividia um apartamento com um colega, Zé, e a mulher dele, que tinham um filho de um ano. Como Zé só começava a trabalhar às 17 horas, e era mineiro, ia à praia com o filho quase todo dia de manhã, e uma vizinha perguntadeira passava por eles no corredor. Doida pra saber o que Zé fazia na vida, um dia ela não se conteve. Brincou com o bebê no colo de Zé e falou: “Ô menino lindo, tá indo pra praia? Você não trabalha não, meu filho?” E Zé respondeu: “Ele está de férias”.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
NÃO CUSTA NADA SONHAR E IMAGINAR
“Imagine” é uma canção de John Lenon, lançada em 1971 que fala de um mundo vivendo em paz, sem divisões, sem fronteiras, religiões ou propriedades. É um hino pacifista e um apelo utópico à paz, focada na união e na empatia.
A partir dessa letra, parodiando Lenon, fiquei aqui a pensar que não custa nada sonhar e imaginar um país onde houvesse justiça e igualdade social, sem castas, privilégios, corrupções, jogo de interesses na política, sem malfeitores e mordomias entre os mandatários do poder, de forma que sobrasse recursos para investir na qualidade de vida de todos.
Sem mais rodeios e indo direto à questão, sonhei e imaginei um presidente da República que não fosse somente um funcionário público na teoria, mas na prática, como todos os outros, dando exemplo de ética, honradez e trabalho. Vamos imaginar juntos!
Imagine um presidente que não tivesse palacete, carro de luxo e motorista pago pelo contribuinte e vivesse em sua casa ou apartamento com todas suas despesas (empregados, alimentação e outros itens) custeados através do seu próprio salário, como um executivo de uma empresa eficiente.
Imagine um pais onde todo presidente priorizasse a educação e a cultura, que seus ministérios fossem limitados por lei no máximo a 15 e que eles também tivessem seus próprios veículos, suas moradias e pagassem seus custos do próprio bolso. Quem cometesse algum delito, seria imediatamente preso e não apenas demitido.
Imagine o mesmo para o vice ou que não fosse preciso tê-lo, e se houvesse, que seja eleito pelo povo, cumprindo apenas suas funções constitucionais. O mesmo sistema servisse de exemplo para os governadores dos estados, sem palácios e privilégios, como praticamente acontece com os prefeitos que pagam suas moradias.
Imagine viver num pais com um judiciário justo e técnico, de forma que a lei fosse igual para todos, sem influências políticas, de poderosos do dinheiro e sem pressão popular. Que a pena para o pobre fosse a mesma para o rico.
Nada de desembargadores e ministros das cortes, e sim juízes dos tribunais, sem abuso de poder e supersalários, sem vender sentenças. Sem esse órgão nebuloso de Conselho Nacional da Justiça (só gera mais gastos), e que as portas da magistratura fossem abertas ao povo simples, para expressar abertamente seus problemas, sem medo de ser preso. Ser ouvido sem aquele temor.
Ah, e esse legislativo monstruoso de milhares de cabras egoístas no poder, tão devastador e mutilador dos nossos sonhos e esperanças! Para ele, imagine que as cadeiras do Congresso Nacional, o calcanhar de Aquiles da nação e o mais caro do mundo, fossem cortadas pela metade, sem foro privilegiado, sem direitos a auxílios moradias, vestimentas e outros bagulhos.
As verbas de gabinete fossem limitadas a apenas 10 assessores. Nada de carros luxuosos e sem essa picaretagem de emendas parlamentares. Legislativo é para legislar, e não para executar obras. Se recebe salário a altura do cargo, que pague seus gastos.
O deputado ou senador só poderia ser eleito no máximo duas vezes e quem roubasse fosse direto para a prisão, sem direito a nunca mais se candidatar. Inelegível até a morte. Essas normas seriam estendidas a todos os políticos, sem distinção.
Nas assembleias e nas câmaras, imagine que o número de parlamentares também fosse reduzido à metade em cada estado e em cada município. Cada um pagando a sua conta do seu salário, fixado entre dez a quinze mil. No máximo, três ou cinco assessores.
Imagine que vereador passasse a ser chamado de conselheiro com um salário de no máximo sete ou oito mil reais. Fosse proibido cada um demarcar seu lote e ter seu curral eleitoral no município. Afinal, povo não é gado para ser ferrado como dono.
Sei que, infelizmente, como John Lenon, meu sonho e minha imaginação de viver num país assim não passam de utopia, mas, como não custa nada, embarquei nessa viagem que não é só minha. Sabemos que navegamos numa nau de insensatos, mas não custa sonhar e imaginar.
– Acorda cara, você está no planeta terra, numa aldeia chamada Brasil que já nasceu assim desde os tempos coloniais. Deixa de viajar na maionese e vamos trabalhar que o patrão que sustentamos está de olho em nós! É, meu camarada, vamos continuar sendo burros de carga!
SELO “EMPRESA AMIGA DA JUVENTUDE”
Na sessão ordinária de ontem (sexta-feira, dia 27/02), a Câmara Municipal de Vereadores discutiu diversos projetos de importância para a comunidade, como o Selo “Empresa Amiga da Juventude”, voltado ao reconhecimento de empresas que contribuem para a inserção de jovens no mercado de trabalho.
Outros projetos entraram na pauta da sessão, como o que dispõe sobre a implantação do Parque Multissensorial, adaptado para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA); matéria que institui o Dia Municipal de Conscientização sobre as Experiências Adversas na Infância (ACEs), a ser comemorado em 20 de setembro; e proposta que cria o Dia Municipal da Ação Climática no âmbito do município.
A sessão contou com a presença do deputado estadual Jean Fabrício, conforme citado pelos vereadores que ocuparam a tribuna da Casa, como Ricardo Gordo, ao lembrar que neste 28 de fevereiro é o último dia de credenciamento do Hospital Unimec pelo SUS. Informou que a prefeita Sheila Lemos vai colocar dois médicos a partir desta segunda-feira para atender nos postos da Patagônia e no Cai II, do Bairro São Vicente.
Quanto aos serviços de pavimentação dos bairros Jardim Valéria, Copacabana, Santa Teresinha e Sudoeste, adiantou que a prefeita Sheila prometeu concluir as obras com os recursos do empréstimo de 400 milhões. Das 57 ruas, somente 22 foram asfaltadas.
O parlamentar Jacaré destacou a ação do governo federal em Conquista através da construção de 1800 casas do programa Minha Casa, Minha Vida, um sonho de moradia da população, tendo em vista que existe um déficit habitacional de mais de 10 mil famílias.
A vereadora Lara se solidarizou com os habitantes das cidades mineiras de Ubá e Juiz de Fora que estão sofrendo com as tragédias das intensa chuvas e criticou o governo federal que liberou, até o momento, apenas três milhões de reais, enquanto, segundo ela, vem aumentando os impostos.
Luciano Gomes citou a presença do deputado Fabrício na plenária e disse que logo mais será assinado uma ordem de serviço entre a prefeita e o deputado federal João Bacelar, para construção da primeira creche padrão destinada à zona rural. Destacou que Bacelar tem sido o deputado que mais aprovou emendas para Vitória da Conquista.
LEGISLATIVO VAI REALIZAR DUAS SESSÕES ESPECIAIS EM MARÇO
Está previsto para março a realização de duas sessões especiais pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista. Uma delas será sobre a Campanha da Fraternidade instituída pela Igreja Católica, cujo tema será Moradia. A outra será sobre a entrega da Medalha Mérito Glauber Rocha, em comemoração ao Dia Municipal da Cultura, em 14 de março.
Na sessão ordinária desta quarta-feira (dia 25/02), os vereadores discutiram diversos projetos de interesse da comunidade, além de indicações ao poder executivo. A questão da macro e micro drenagem em Conquista foi outro assunto em debate, levando em conta os últimos estragos provocados pelas chuvas na cidade.
Este problema é bastante grave, tendo em vista que Conquista necessita urgentemente de serviços de drenagem para escoamento das águas com temporais que vêm se intensificando com as mudanças climáticas, ou aquecimento global. Como os custos são altos, a construção dessas obras requer parcerias entre os governos municipal, estadual e federal.
Diversos parlamentares usaram da tribuna, como Andreson, que saudou o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, que esteve em Brumado levando moção de aplausos pela retomada do carnaval popular, o que demonstra o fortalecimento do trabalho do governador Jerônimo no que tange interiorizar suas ações.
Lembrou que em 4 de junho de 2026 completará quatro anos que foi dada ordem de serviços para pavimentação de 57 ruas do Jardim Valéria, Coveima II e Jardim Sudoeste, “e não podemos permitir tamanho descaso com aquela população pois os serviços não foram concluídos”. Vamos fazer um protesto nesta data para reivindicar as obras prometidas pelo poder público”.
A vereadora Cris Rocha citou três pautas urgentes que não podem ser ignorados pela Casa, como a questão oncológica no sentido de garantir acesso rápido ao atendimento e criticou o Governo do Estado. O segundo ponto diz respeito à regulação dos exames laboratoriais que estão sendo negados aos pacientes. Outro problema na área da saúde, de acordo com Cris, diz respeito às cirurgias ortopédicas que estão sendo destinadas a Salvador. “As pessoas não podem ficar desassistidas”. Na ocasião, a vereadora fez uma indicação para implantação de uma unidade do SAC na zona oeste.
O parlamentar Luis Carlos Dudé ressaltou que Conquista vive um novo momento, destacando que em 1982 quando o helicóptero caiu numa serra em Caatiba com o candidato Clériston Andrade, ACM buscou João Durval Carneiro, de Feira de Santana, para ser candidato a governador e indicou Edvaldo Flores, de Conquista, para ser seu vice, isso há 44 anos, demonstrando a força do interior.
Em 1986, segundo Dudé, a chapa foi Waldir Pires e Nilo Coelho para seu vice. “De lá para cá ficamos afastados da mesa das decisões políticas. Agora, Conquista volta à cena política com o nome da prefeita Sheila Lemos para ser a vice na chapa de ACM Neto. Sonhamos que ela seja candidata a vice-governadora”.
VAMOS FALAR DE AMENIDADES?
Basta de papo filosófico, de política, religião, história, injustiça social e outros escambaus que só estragam nossos neurônios, nos deixa mais acabrunhados e depois tudo continua como dantes na casa de Abrantes. Como não se vai mesmo resolver os problemas do Brasil e do mundo, vamos de amenidades, coisas miúdas!
Além do mais, quase ninguém te escuta mesmo e nem é compreendido por essa massa ignara, sem contar que te chamam de chato e prosa ruim. O bom mesmo é fofocar sobre a vida alheia, contar estórias, casos e causos e soltar aquelas gargalhadas. Não vele muito a pena ser sério neste país!
– Assim você está entregando os pontos, meu camarada! Sempre vejo você escarafunchando assuntos e marretando contra as coisas erradas, as incoerências, os paradoxos do Brasil e metendo o pau nos políticos e na política, sem dor e compaixão. Você bate em todo mundo.
– Pois é, mas é que hoje estou entediado com tudo isso, e pensar demais, cansa. Nem me venha com aquelas perguntas capciosas, como se estivesse querendo testar minha ideologia e o meu pouco de saber que adquiri a duras custas. Até acho que está querendo pescar alguma coisa! Não vou desperdiçar minha saliva de graça!
Sabe de uma coisa, estou pensando seriamente em me tornar numa pessoa fútil, só falar de futebol e ser um alienado alienígena! Oh, não dizem por aí que o ignorante é o mais feliz da vida porque não tem consciência das coisas! Então, melhor viver assim, numa boa, sem se estressar e passar raiva.
– Você só está falando isso da boca para fora. Conheço muito bem sua inquietude e indignação! Logo vai estar aí inquerindo, soltando fogo pelas ventas, condenando os malfeitos e os detentores do poder que mandam em nossas vidas.
– Olha, diga o que bem quiser, mas já estou de saco cheio desses caras! Lutei muito na vida, dei muito sangue trabalhando como burro de carga, discutindo, brigando e tomando porradas. Com essa idade já avançada e com o lombo encruado de tantas chibatadas, o negócio agora é falar besteiras e asneiras. Só não vou vender minha dignidade e ética porque estas adquiri com muita luta, suor e lágrimas.
Portanto, vamos aproveitar o resto do tempo, meu véio, e ficar só na sombra e água fresca, ou dar uma de seu Jeca Tatu enquanto o mundo pega fogo. Essa turma nova que está aí, ou como se fala no popular, essa nova geração, que se vire. Eles vão ver com quantos paus se faz uma canoa.
Sabe daquele cara que você já conhece muito bem, deve ter uns 30 anos, anda por aí desfilando de Hulux, ou é uma Ranger, sei lá, zero quilômetro, e não tem onde cair morto. Dizem que virou gigolô de uma coroa rica fazendeira de mais 70 anos. Pega umas gatinhas e a velha nem está aí para os casos dele. Isso é que é viver!
– Vamos tomar umas e fumar um baseado porque tenho uns casos bons para lhe contar, como daquela nossa amiga boazuda moralista que era evangélica fanática e agora se tornou mulher de programa, e cobra caro! Nem vá pensando porque não está para seu bico.
Porra, não estou pensando nada. Está dentro da minha cabeça? Só estava aqui viajando no meu imaginário de que toda vez que você vai à rua, cruza com um corrupto ou vários, e nem sabe. Passa pelo bandido e ainda lhe dar um bom dia de sorriso largo.
Dia desse estava na praça e passou um sujeito com uma sacola e senti que a danada estava recheada. Aí pensei comigo que o sacana deveria estar transportando milhões superfaturados da merenda escolar ou de medicamentos de hospitais.
– Está vendo! Com esse papo atravessado de imaginação, você já está falando de política e da corrupção epidêmica que está corroendo o Brasil. Não disse que só iria conversar sobre amenidades?
ÊTA MUNDO SUPERFICIAL!
Levanto cedo e fico pensando que a gente era feliz e não sabia. Sem pressa, tomava o café no bule, pilado no pilão da roça, com cuscuz, abóbora com leite, batata doce e outros alimentos sadios do campo. Era tudo preparado de forma artesanal, com muito amor e carinho.
Nesse mundo da tecnologia e dos eletrônicos, têm-se as facilidades das máquinas e dos aparelhos com maior rapidez, mas sem aquela sensação do prazer caseiro. Detesto comida esquentada nesses fornos e chapas elétricos. É tudo industrializado e feito de maneira superficial.
As famílias de hoje não sentam mais juntas na mesa para conversar. Cada um vai chegando com o celular na mão e toma uns goles de café e, em pé, joga uns enlatados na boca, dizendo que já está atrasado. Na correria, nem dá um tchau. Não existe mais aquele calor humano nessas novas gerações.
Tem momentos que preferia ser um mocó e viver dentro da minha loca. Sair só para caçar, com todo cuidado e desconfiança, porque o terreno está minado e infestado de predadores por todos os cantos.
Não era propriamente disso que queria falar, mas uma coisa está entrelaçada a outra. Meu alvo, na verdade, é a superficialidade da vida nessa era tecnológica do invento da internet, das redes sociais e agora com a tal inteligência artificial, ou, como queira, superficial mesmo. Sou mesmo um peixe fora dessa água lamacenta.
A gente abre as redes sociais e só ler, assisti e ouve besteiróis, palhaçadas, dancinhas, gente fazendo coisas horríveis e arriscadas para se aparecer, depoimentos idiotas e outros de ódio e intolerância. Evangélicos moralistas falam barbaridades em nome de Deus, da pátria e da família. Mulheres seminuas oferecem sexo em troca de uns pix.
Por falar nisso, tem rede social que está mais parecendo um brega ou cabaré sofisticado. A prostituição mudou de presencial para virtual, com o nome charmoso de mulheres de programa. As que frequentavam os antigos bregas (ainda existem) eram chamadas de putas. Coisas da nossa sociedade hipócrita.
A corrida frenética é pelas visualizações de seguidores. Criaram o papel do influenciador, que não sei de que. Muitos aproveitam do termo para fazer suas picaretagens, enganar os otários e ganhar muito dinheiro, sem falar nos golpistas que estão sempre de plantão.
Sejam bem-vindos ao mundo superficial das futilidades, mas as pessoas fazem questão de chamar a tudo isso de conteúdo. Se o maluco, ou maluca, faz um vídeo enchendo a boca de insetos, espuma de sabão ou merda, diz que se está produzindo conteúdo.
O importante é chamar a atenção como prova de mostrar sua existência. “Olhem, eu estou aqui e existo”! Em geral, as pessoas no mundo de hoje têm uma necessidade vital de se aparecer na imagem, não importa se nu ou cheio de melecas. Seria o vazio existencial?
Se vivo fosse, como Freud analisaria os comportamentos modernos, as indiferenças e as atitudes individualistas? Acho que ele teria que queimar muito de seus neurônios para interpretar esse nosso mundo superficial. O que Nietsche e outros filósofos pensadores diriam?
Agora está aí a inteligência artificial e já disseram que ela vai superar a humana. Oh, como assim? Quem sou eu para afirmar que ela também é superficial! Os doutores da técnica garantem que ela é revolucionária e é muito benéfica para a humanidade. Outros que a bicha é pavorosa. Será que não estamos criando monstros para nos devorar?
Dia desses um amigo me pediu um texto sobre fotos antigas de Vitória da Conquista. Para me auxiliar na tarefa, ele me enviou uma “redação” tirada da IA. Li todo e confesso que perdi meu tempo porque achei uma porcaria, sem nexo e sequência lógica, um fraseado solto com algumas pitadas de emoção artificial e superficial.
O mundo está bem mais desumanizado e alienado. Os exemplos estão aí para nos comprovar. Aliás, já estamos sendo engolidos e nem notamos porque não damos mais conta de pararmos para refletir. Pensar e criticar ficaram para trás. Nos encantamos pela pílula dourada da tecnologia que tem o poder de nos hipnotizar.
A impressão é que estamos sofrendo de uma espécie de oligofrenia coletiva, de fraqueza mental e debilidade à idiotia. As classes mais oprimidas, como os negros, as mulheres, LGBTs e os mais pobres apoiam os brutos racistas, homofóbicos, misóginos e nazifascistas que em nome do seu Deus xingam e repudiam justamente estes que lutam pelos seus direitos e por justiça social.
SALVEM O JAMELÃO!
Só porque minhas folhas e meus frutos caem na calçada da pracinha da Tapera, distrito charmoso e pacato de Encruzilhada, estão querendo tirar a minha vida, me deixar só no toco, logo eu que produzo oxigênio para purificar o ar que respira essa gente!
Isso é uma grande maldade que querem fazer comigo, sem contar que é um crime ambiental! Vivo aqui nessa pracinha há muitos anos, sem mal nenhum a fazer para ninguém. Por que decapitar o frondoso Jamelão? Isso é insano.
Dou sombra ao fatigante do sol e ainda acolho com prazer a todos aqueles que gostam de prosear debaixo da minha árvore. Ouço casos, causos e histórias do “arco da velha”. Guardo segredos. Acredito que todos aqui gostam de mim e me apreciam. Peço veemência e me deixem viver porque também sou vida.
É um apelo do Jamelão, e toda comunidade deve se juntar e se unir em defesa dessa boa causa porque correm boatos de que a Prefeitura Municipal pretende cortar essa árvore bondosa, com o argumento simplista de que “suja” a praça, ao invés de estar sempre fazendo a devida limpeza. Para isso, paga o contribuinte, e o poder executivo deve sim ser guardião da natureza e não o vilão. Senhor prefeito, salve nosso Jamelão.
O morador “Tonio”, do mercadinho, está indignado com esse possível atentado e apela a todos que salvem o nosso Jamelão, fazendo uma corrente de proteção, inclusive com um abaixo-assinado para evitar que ocorra mais uma destruição à natureza pelo homem predador.
Como se não bastassem os desmatamentos das florestas Amazônica, da Mata Atlântica, do Pantanal e do Cerrado, agora querem tirar um Jamelão da pracinha da Tapera que tanto encanta os moradores, principalmente os mais antigos.
Não passam de criminosos insensíveis ao aquecimento global, às mudanças climáticas, que estão causando tragédias e catástrofes na humanidade. Em público, para ficarem bem na imagem, “defendem” o meio ambiente, mas às escondidas se atrevem a cortar uma árvore, sem motivos que convençam.
Como o ser humano, mesmo se uma planta está doente ou com pragas, existe o recurso de tratamento medicinal com remédios. A solução não é tirar sua vida. Portanto, vamos salvar o Jamelão da Tapera que já é um patrimônio do distrito.
Sou jornalista, escritor, poeta e compositor. Sempre frequento a Tapera como cunhado e amigo de “Tonio”, casado com Vandilza Gonçalves. Conheço o imponente Jamelão, lá na pracinha, dando boas-vindas a quem chega, inclusive a mim visitante. Portanto, vamos todos juntos salvar nosso amigo Jamelão, e que tenha vida longa.
PROJETO DE LEI QUE DISCIPLINA SOBRE TERRENOS ABANDONADOS
A construção de moradias populares em Vitória da Conquista, o problema da Zona Azul, a macro e a micro drenagem na cidade para conter os estragos das chuvas e o projeto de lei sobre os terrenos abandonados foram as discussões predominantes pelos vereadores na sessão ordinária da última sexta-feira – dia 20/02/2025.
Antes das falas, por uma questão de ordem, o vereador Dudé fez um alerta para evitar que a vassoura de bruxa que está atacando as lavouras de mandioca no Pará e em Macapá não cheguei a Conquista e sugeriu que a Casa entre em contato com os órgãos técnicos para tomar as devidas providências. O subtenente Muniz pediu uma audiência pública para tratar do problema. Hermínio Oliveira lembrou que essa praga já ocorreu no sul da Bahia.
Sobre as pautas do dia, o presidente do legislativo, Ivan Cordeiro, falou da política habitacional, ao anunciar que a Câmara já fez a indicação de alocar 30 milhões de reais dos 400 milhões do empréstimo para a construção de casas populares.
Alexandre Xandó citou que em Conquista existe um déficit habitacional em torno de 10 mil habitações e reforçou ser necessário também que se implante um programa de reforma de casas, principalmente direcionado às pessoas que não têm condições de bancar esses serviços.
Da tribuna, mais uma vez, Dudé focou seu discurso na questão da macro e da micro drenagem em Conquista, propondo que a Câmara e a Prefeitura Municipal se entendam com os governos estadual e federal, juntamente com os deputados Waldenor, Jean Fabrício e Zé Raimundo, porque o problema é grave quando batem as fortes chuvas. “A responsabilidade é dos três governos”. Na ocasião, tratou também da construção de viadutos no Anel Viário.
A vereadora Gabriela Garrido anunciou a elaboração de um projeto de lei para disciplinar o problema dos terrenos abandonados pelos seus proprietários na cidade onde viraram depósitos de lixo e entulhos. Assinalou que as multas para quem não cuida dessas áreas são irrisórias e precisam ser mais pesadas. Segundo ela, esses terrenos se tornaram verdadeiros atentados à saúde pública.
O subtenente Muniz questionou as multas da zona azul, mas, mesmo diante de tantos problemas em Conquista, achou de ocupar sua maior parte do tempo em criticar a Escola de Samba de Niterói que prestou uma homenagem ao presidente Lula, contando sua trajetória de vida. Considerou ser um atentado e um desrespeito às famílias brasileiras.
Paulinho Oliveira destacou a questão da Zona Azul e fez um apelo ao poder executivo para que devolva aos usuários o dinheiro cobrado das taxas do TPU. Ele quer também que a Zona Azul se responsabilize pela segurança dos veículos estacionados em caso de danos ou roubo, ressarcindo os donos. Quem também tratou dos problemas da Zona Azul foram os vereadores Cris Rocha e Adinilson Pereira.
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ZÉ KÉTI BOTOU O ARLEQUIM PRA CHORAR
(Chico Ribeiro Neto)
Gosto muito dessa crônica, postada em dezembro de 2023, e por isso a reproduzo hoje:
Na década de 60, em Salvador, os brigões e arruaceiros do Carnaval eram levados para a Secretaria de Segurança Pública, na Praça da Piedade, onde ficavam trancafiados até Quarta-Feira de Cinzas. Nesse dia, umas 11 horas, a Polícia soltava todo mundo de uma vez. Constrangidos, os brigões tinham que passar por uma multidão de curiosos na entrada da SSP que iam ver a soltura geral. Era o bloco do “O que é que eu vou dizer em casa?”. Alguns dos presos assim que respiravam a liberdade já paravam no primeiro bar da Piedade para tentar retomar o tempo perdido do Carnaval.
Fazer xixi no Carnaval, na década de 60, era uma luta. Não havia sanitário público. Os homens faziam em qualquer lugar, mas para as mulheres era mais difícil. Os barraqueiros da Praça Castro Alves, ponto de maior concentração, faziam um cercadinho com as caixas de cerveja e as mulheres faziam ali, no chão mesmo, junto às garrafas de cerveja cheias. Uma vez uma amiga foi num desses quadradinhos e enquanto se aliviava viu um bando de olhinhos entre os engradados de cerveja. Quando ela saiu cinco meninos fugiram correndo.
Foi na Castro Alves que uma amiga estava dançando com um cara, os dois bem animados, quando ele a convidou para ir até a Ladeira da Barroquinha: “Vamos ali que tenho um negócio pra lhe mostrar” “Vixe, esse cara tá querendo ousadia”, pensou ela, que só queria dançar. E o cara volta e meia insistia: “Vamos ali que tenho uma coisa boa pra nós dois”. Ela acabou indo. Ele a chamou para um canto, levantou a mortalha e tirou algo da cintura: um saco plástico com duas coxas de frango assado e farofa: “Olha aqui o que tenho pra nós”. “Coma à vontade, eu comi um acarajé nesse instante”, disse ela.
Todo Carnaval tem uma hora que dá um paradeiro geral, principalmente à tarde. Foi assim uma vez na Avenida Sete de Setembro: não passava nada, nem trio, bloco, nem afoxé, e o povo já agoniado. E eu também. Aí encontrei meu irmão Zé Carlos, tomamos uma num isopor e começamos a cantar marchinhas de Carnaval, cadenciados pelo bater das latinhas. O numero cresceu para oito, depois 30 pessoas, e o pequeno bloco desceu a Ladeira de São Bento cantando “Ô jardineira, por que estás tão triste?”. O bloco das latinhas foi se encorpando e quando chegamos na Praça Castro Alves fizemos uma roda imensa, aí as pessoas já dançavam pelo meio, e aconteceu a brilhante orquestra de lata. Aí chegou um trio.
“Tanto riso
Ó, quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão (…)”
(“Máscara Negra”, de Zé Kéti).
A viúva de Deusdedith Pereira Matos (morto em 1966), dona Benedita Matos, reivindicava para o marido a autoria da letra da música “Máscara Negra”, lançada por Zé Kéti em 1967 e grande sucesso nos carnavais até hoje.
Pois bem, Zé Kéti, além de enfrentar toda a polêmica sobre a autoria da letra, ainda se deparou com uns críticos que viam defeitos na letra. Diziam que Arlequim e Pierrô são personagens da commedia dell’arte italiana e que quem chora é o Pierrô, com uma paixão não correspondida pela Colombina. O Arlequim, segundo eles, não é de chorar, mas de provocar choro nos outros. E aí veio a resposta irada de Zé Kéti: “A música é minha, eu faço o Arlequim chorar e ficar apaixonado quando bem entender, desde que chore na minha música”. (Fonte: telestoques.wordpress.com, site oficial de José Teles).
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