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:: ‘Notícias’

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO CARNAVAL

Antigamente, isto há uns 30 ou 40 anos, o carnaval de Salvador tinha pouca violência nas ruas, começava na sexta-feira e ia até à meia noite da terça-feira ou um pouco mais em respeito à quarta-feira de cinzas celebrada pela Igreja Católica.

Essa era uma tradição de muitos anos quebrada pelo arrastão da quarta, inventado pela Timbalada do artista Carlinhos Brow. Outros artistas, como Ivete Sangalo, seguiram o esquema e o carnaval entra pela quarta até meio-dia, com músicas que são um verdadeiro lixo.

Não sou nenhum advogado da Igreja Católica, mas isso é uma prática de intolerância religiosa, justamente feita por quem tanto prega a tolerância quando se ataca os terreiros de candomblé.

Por condenação da Igreja, a Câmara Municipal de Vereadores de Salvador chegou a aprovar um projeto onde proibia o arrastão da quarta, mas o prefeito da época ACM Neto vetou. Ninguém fala mais no assunto e todo mundo entrou na onda. Essas pessoas não têm nenhuma moral de falar de intolerância religiosa.

Por falar em carnaval, que já tem mais de dois meses rolando em Salvador, no início os organizadores anunciaram numa movimentação em torno de dois bilhões de reais. Agora já subiu para seis bilhões ou até mais que isso.

Mesmo sendo um chute, mais de 90% desses valores ficam na mão dos mesmos de sempre, no caso os empresários da rede hoteleira, agências de viagens, as empresas de aviação e transportes terrestres, os donos de blocos, camarotes, de trios, as bandas, a grande mídia e os cantores, como o próprio Carlinhos, Bel Marques, Daniela Mercury (esta chamou Cristo de gay num show), Durval Lelis e tantos outros que mamam nas tetas do dinheiro público.

O resto são os barraqueiros, vendedores ambulantes, cordeiros e os operários que trabalham nas montagens e desmontagens dos palcos e camarotes. Os pobres que entram na folia se arrastam no asfalto e quando termina a festa estão endividados e com aquela ressaca danada, sem falar nas inúmeras doenças. Como são dependentes do SUS, esses lotam os postos de saúde e os hospitais.

Os governos estadual e municipal gastam milhões, enquanto tudo fica parado na Bahia, inclusive as cidades que não têm carnaval, como em Vitória da Conquista onde tudo é fechado. A polícia, de um modo geral, fica a serviço da elite e baixa o sarrafo nos mais pobres.

 

 

OS EDITAIS “BURROCRÁTICOS” E OS CRITÉRIOS DOS PROJETOS CULTURAIS

QUEM PERDE É A CIDADE QUE VAI DEIXAR DE ELABORAR E PUBLICAR UMA OBRA INÉDITA SOBRE A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Confesso que sempre fui reticente e arredio em participar desses editais “burrocráticos” na área cultural, mas por incentivo de amigos terminei entrando nesse barco, mesmo desconfiando dos critérios utilizados no processo de seleção e eliminação.

Outro motivo pelo qual me levava a ficar de fora é o excesso de burocracia, que me atrevo a denominar aqui de “burrocracia”. Eles são publicados com um emaranhado de exigências que, de início, deixa o artista irritado e sobrecarregado.

Como a maioria não lida na área e se dedica apenas fazer sua arte (meu caso), a tendência é contratar um especialista para inscrever seu projeto. Diante de tantos pedidos de certidões e documentos, para os técnicos que elaboram esses editais, todos artistas são desonestos e trapaceiros.

Bem, vamos sair dessa introdução, ou “nariz de cera” no jargão jornalístico e falarmos do real que são os critérios duvidosos no processo de julgamento desses projetos pelos pareceristas contratos pela Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel. No caso específico estou me referindo ao edital da Lei Paulo Gustavo no âmbito municipal (o estadual recebeu um monte de queixas, denúncias e ações na Justiça).

No edital do município entrei com dois projetos, um do audiovisual para elaboração de um documentário sobre os treze anos do “Sarau A Estrada” e o outro com o propósito de lançar um livro inédito sobre a história da fotografia em Vitória da Conquista, um resgate do século passado aos tempos atuais.

Na primeira etapa, em ambos fui habilitado, mas terminei ficando na suplência. Pela sua importância histórica e por ter sido bem montado e amarrado, meu maior questionamento de ter sido praticamente excluído recai sobre o projeto literário de uma obra que deixa uma grande lacuna na memória de Conquista. Trata-se de uma pesquisa sobre a fotografia e os grandes fotógrafos que retrataram nosso município ao longo desses últimos cem anos.

Quero aqui deixar bem claro que não sou melhor que ninguém nesse setor. Não ia escrever sobre isso, mas resolvi encarar as bordoadas. A esta altura muitos já devem ter dito que minha queixa é típica de um perdedor que não sabe aceitar a derrota, ou que a crítica não procede.

Pode ser presunção da minha parte, mas não me sinto perdedor porque quem mais perde nisso é a cidade. Não estou simplesmente arguindo porque fiquei na suplência, mas me reservo no direito de duvidar dos critérios adotados por esses pareceristas.

Ouvi de um preposto da Secretaria de Cultura que eu devo ter ficado de fora por causa das cotas para negros e LGBTs estabelecidas na Lei Paulo Gustavo. Caso tenha sido este o motivo, considero um absurdo dos absurdos um projeto ser julgado pela cor da pele.

Não tenho nenhum medo de ser rechaçado dizer isso, mesmo porque sou um pardo. Nesse país tão miscigenado e misturado, o pardo é o mais prejudicado e confundido porque ele não é nem negro e nem branco. É uma coisa do meio, sem definição.

Muitos me recomendaram que eu recorresse à justiça, mas não vou fazer isso, porque com esta idade só iria me aporrinhar e me estressar mais ainda. Repito que não sou eu que está perdendo. Prefiro deixar aqui o meu protesto que também é de muitos que participam desses editais “burrocráticos”.

 

 

QUAL É O BUSÍLIS?

(Chico Ribeiro Neto)

– O pai de Mateus tem um livro que tem todas as palavras do mundo!

Pedro, com uns 6/7 anos, ouviu de meu filho Mateus que eu tinha um livro com todas as palavras do mundo. Ele duvidou, subiram pro meu apartamento, peguei o Aurélio e disse a Pedro para escolher qualquer palavra. Ele escolheu Casa e Borboleta. Depois que as viu no dicionário, desceu correndo para contar a descoberta aos outros amigos do prédio.

Gosto das palavras que reforçam o que são. Palavras cheias, redondas, agressivas, sonoras. Também das pequenas, suaves, sibilantes e serenas.

É um gosto formado, o saboreio das palavras.

Arregaçado é forte. Como desenxabido, desmiolado e desassuntado. Gravilhão, covarde, serelepe, ingratidão e saudade.

O que dizer de andaluzia, facínora e cravinote? Vendaval, estripulia, grávida, rabanete e saramunete.

Mequetrefe, borogodó, beleléu, balacobaco, faniquito, galalau, piripaque, muquifo.

Traulitada, malamanhado, escafedeu-se e se picou. Carne de pescoço, bule-bule, linguarudo, culhudeiro, milico e porradeiro. Escopeta, mulambo, galinha d’angola, sarapatel, língua de vaca.

Avenca, estrovenga, berimbau, facão, bainha, tainha, girassol e peixeira. Estrupício, urucubaca, xexelento, mixuruca, sacripanta e maciota. Piriguete, molinete, sorvete, ensopado, embriagado.

Rebucetê, chumbrega, espelunca, galalau, mequetrefe, fiofó, tribufu, pindaíba, bulhufas e gororoba.

Pra terminar, tem aquela frase que vira russo quando dita rapidamente: “Se aqui nevasse usar-se-ia esqui?”

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

BANDIDO AGORA PREFERE O VIRTUAL DO QUE O ASSALTO À MÃO ARMADA

Perceberam que nos últimos tempos pouco se ler e se ouve noticiários na mídia sobre assaltos violentos de bandidos à mão armada para roubar bens e dinheiro de cidadãos? É o avanço da tecnologia, meu caro amigo! Agora prevalecem os golpes à base do virtual, com menos mortes e cadeia para os assaltantes, ou aliás, organizações criminosas bem treinadas em lidar com a internet.

Só os mais tradicionais e convencionais, como é o meu caso, andam hoje com dinheiro em espécie – por sinal pouca quantia – no bolso, se bem que ainda existem sequestradores que pegam o sujeito com vistas a se apoderar dos cartões de crédito para retirar a grana nos caixas eletrônicos.

No entanto, a maioria dos assaltantes de arma na mão migrou para o mundo virtual da clonagem de cartões, das pegadinhas, mensagens golpistas nos celulares, telefonemas onde os desavisados atendem e terminam, sem querer, passando seus dados, ligações em nome de parentes solicitando transferências, dentre outras tantas trambicagens, sempre usando a tecnologia como meio para “roubar”.

Todas essas inovações tecnológicas virtuais também beneficiaram as quadrilhas que passaram a se especializar nesse tipo de crime, mais difícil de pegar os autores, sem levar em conta que as penas impostas pela justiça não são tão graves quanto o assalto à mão armada, que pode resultar em morte da vítima ou do próprio marginal.

Esses grupos de criminosos têm que conhecer bem de internet e apreender como driblar as medidas de segurança introduzidas por bancos, operadoras de cartões, financeiras e empresas em geral que lidam no mundo virtual com seus clientes.

Cada manobra de mais segurança, seja da polícia técnica ou das instituições, eles procuram superar e mudar seus métodos. São verdadeiros hackers que rastreiam sua conta num mínimo vacilo do cidadão. Tanto é assim que cada dia aparece na imprensa uma nova fórmula de golpe que o cara termina caindo. Como no assalto à mão armada, que pega o indivíduo de surpresa, o mesmo ocorre numa trama virtual.

Por falar nisso, mesmo com atraso em relação aos países mais desenvolvidos, no Brasil de hoje, qualquer boteco, carrinho de pipoca, de doces e balas, de bolos, barracas de verduras e frutas trabalham com uma maquininha ou através do Pix. O bebum hoje pode tomar sua pinga e pagar por essas opções. Tem Pix até de cinquenta centavos.

O pedreiro, o encanador, o eletricista, o jardineiro, a diarista de faxina ou outro qualquer prestador de serviços, por menor que seja, faz seu trabalho em sua residência e sai, literalmente, sem dinheiro no bolso, como funcionava há poucos tempos, porque é pago pelo Pix.

O trabalhador não corre mais o risco de ser roubado lá na frente por um ladrão, a não ser algum pé de chinelo. Porém, mesmo com as câmaras que vigiam nossas vidas o tempo todo nas cidades, ainda existem os arrombadores de lojas, cada vez mais escassos.

Os supermercados hoje, mesmo os pequenos, têm pouco dinheiro em caixa. Muitas vezes, não compensa o bandido se arriscar porque, o que conta atualmente é a especialização no virtual. É aquele negócio: Quem não se atualiza no mercado fica para trás. Isso também serve para a bandidagem.

 

UM PROJETO ARROJADO DE HOTELARIA, ESPORTES E LAZER EM MAÇAROCA

Chalés, pousadas, piscina, uma arena profissional de futebol, sala de ginástica, serviços de lazer, entretenimento e outras áreas esportivas foram erguidos pelo empresário Rosemberg Macário, proprietário do conjunto do posto de combustível e do restaurante “Folha Seca”, no distrito de Maçaroca, na BR-407, a cerca de 60 quilômetros de Juazeiro, no norte da Bahia.

Podemos dizer que se trata de um projeto arrojado e visionário em pleno sertão, onde predomina o árido do sol durante todo o ano, mas de terra farta em frutas, irrigadas pelas águas do Rio São Francisco, o “Velho Chico”.

Esse empreendimento já está recebendo delegações de times de futebol profissional da Bahia, de Pernambuco e de outros estados, especialmente do Nordeste, sem falar de hospedes e até de bandas de música que vão se apresentar na cidade, como ocorreu durante o carnaval antecipado realizado em Juazeiro no final de janeiro.

O mais importante é que todos esses equipamentos estão sendo operados através da energia solar e reuso das águas consumidas. Portanto, é também um projeto que engrandece a cidade, principalmente por ser sustentável em plena caatinga onde a criação do bode é a maior predominância na região.

O local é hoje bastante conhecido dos viajantes, turistas e caminhoneiros de todas as partes do Brasil que ali sempre fazem suas paradas para degustar uma boa comida caseira sertaneja, descansar e ainda comprar algumas lembranças artesanais da terra e do estado.

O movimento é intenso dia e noite naquela paisagem seca catingueira, cortada pela BR-407 onde as cabras e os bodes pastam tranquilamente às margens da pista, especialmente no trecho de 120 quilômetros entre Senhor do Bonfim e Juazeiro. A movimentação tem sido intensa e constante.

Um dos destaques mais apreciado e inédito na Bahia é o campo oficial de futebol, de nome Arthur Macário, com grama mista (sintética e natural), além da área de coper de 1.200 metros em seu entorno para a prática de atletismo. A intenção do empresário é também construir uma arquibancada com capacidade para três mil pessoas.

Com outras instalações em torno, o campo se completa como um centro de treinamento para equipes profissionais de futebol que vão disputar partidas em Juazeiro, bem como para prática de outros esportes, tudo isso no sossego de lindas paisagens cinzentas e verdes da nossa caatinga do semiárido baiano onde ainda sobrevoam o carcará e o gavião.

De acordo com Rosemberg, já estão prontos três chalés de dois quartos, com um de casal e outro com três camas para cinco e seis pessoas, sala de estar e cozinha. Em outra área foi construída uma pousada com dez apartamentos, todos eles com duas, três e quatro camas completos com televisão, internet, ar condicionado, frigobar, banheiros e outros móveis de uso pessoal.

Ainda irão fazer parte do conjunto, salão de jogos, de eventos para seminários, simpósios e reuniões corporativas, com capacidade para 150 a 200 pessoas. O usuário vai conta ainda com uma área de restaurante, academia, dois vestiários para duas equipes com oito banheiros, piscina semiolímpica e um parque de diversão para crianças.

Haverá também um campo gramado para futebol soçaite para oito pessoas de cada lado. Essas instalações se integram com modernos refletores, além de quadra de tênis, futevôlei e futebol de areia. Segundo informações do próprio empresário Macário, toda área construída terá cerca de 600 metros de fundo por 200 de frente. Para atender toda essa demanda, o local terá um extenso estacionamento para veículos.

 

 

A MISSA E O LEILÃO DO JENIPAPO

Em minhas andanças por esse sertão nordestino, lá estava eu no pequeno distrito de Jenipapo, em Jacobina, na Bahia. Tempo nublado e serra serrada na estrada chuvosa de chão. Era dia de festa ao Senhor do Bonfim e logo que cheguei “fui recebido” pela procissão que cortava a praça, e o povo orava e agradecia as chuvas depois de uma prolongada estiagem. Gente simples que nunca perde a fé e a esperança.

A pregação do pároco e da missa foram seguidas de algumas falas de agradecimentos que pareciam não mais terminar. Foi aí que alguém finalizou o papo de louvor – se não me engano o próprio vigário – dizendo: Agora é chegada a hora de todos soltarem o dinheiro do bolso, o “dindim”, como se fala no popular.

Todos foram se aproximando do pátio da capela e apareceu o “leiloeiro” com uma voz rouca e rasgada: Vamos começar o nosso leilão. Lá fora tomava uma gelada e, mesmo assim, a cena me fez lembrar do Cristo que expulsou os vendilhões do templo a chicotadas, em Jerusalém, alertando que eles estavam profanando a Casa do seu Pai.

Nem tanto assim porque, segundo o “leiloeiro”, a renda seria em benefício da manutenção da igreja e para organizar a festa do próximo ano. Pensei que a coisa fosse rápida, mas tive que aturar cerca de duas horas de “dou-lhe uma, dou-lhe duas e dou-lhe três, vendido”. Acontece que mesmo assim alguém gritava de lá dando mais, e o leilão prosseguia. O negócio era aumentar o valor.

Nunca vi uma leiloada com tantas peças, itens, objetos e produtos, de animais a utensílios caseiros e de uso pessoal, como calcinhas, cuecas, lençóis, panos de prato, de chão, pratos, talheres, panelas, chinelos, sapatos, camisetas, carne de bode e bovina, galinha, ovos, feijão, beiju, milho, arroz, óleo de cozinha, açúcar, facas, facões, foices, enxadas e outras quinquilharias.

O homem da voz rasgada continuava a berrar e não se cansava. O povo não arredava pé da área externa da igreja na pracinha do povoado. Na hora do corte de bode, tive até vontade de ir lá fazer um arremate, mas desisti quando chegou nos 200 reais. É que adoro um “bodinho” assado ou cozido.

Teve um momento que um bebum com um copo na mão balançava pra lá e pra cá e ousou perguntar em voz alta se não tinha uma cachaça naquele leilão. Todo mundo caiu na risada e os guardas municipais (o prefeito estava presente na missa, mas logo caiu fora) cuidaram de retirar o sujeito do recinto.

Não aguentava mais aquele leilão (deve ter rendido uns 20 mil ou mais) pelo tempo e a quantidade de coisas ofertadas, numa média de 100 reais ou mais. No entanto, o pior estava por vir. Quando, enfim, terminou o leilão, entraram dois carros de som, com aquelas músicas horríveis e barulhentas. Cada um disputava quem tinha a maior potência de nas caixas de som.

Estava na casa da minha irmã para pernoitar e, naquela hora, depois de uma viagem de 300 quilômetros, confesso que me deu vontade de sair correndo ou pegar o carro e ir dormir em Piritiba, mas já era tarde, umas 21 para 22 horas. Estava cansado e tinha tomado umas latinhas.

Além do mais, não gosto de dirigir durante a noite por causa dos faróis dos carros na pista. Afinal de contas, são coisas que acontecem em viagens. Costumo dizer que faz parte, como do cara que me pediu uma pinga para me passar uma informação quando estava em Jacobina e ia justamente para o Jenipapo.

 

AFINAL, QUAL É O SIGNIFICADO DE GENOCÍDIO?

 Carlos González – jornalista 

Genocídio, segundo os dicionaristas, significa promover uma série de ataques sistemáticos a uma população civil; extermínio deliberado de grupos étnico, racial ou político. A intensa operação militar, promovida pelo Estado de Israel, logo após o massacre articulado pelo Hamas, em 7 de outubro passado, que causou a morte de 1.200 judeus, dá ao mundo um exemplo de genocídio.  Os bombardeios, sem alvos definidos, já mataram 22,3 mil civis, a maioria mulheres e crianças. O responsável por esses crimes contra a humanidade é o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que reage enfurecido contra seus acusadores, como procedeu recentemente contra o governo da África do Sul.

A denúncia do país africano foi feita na Assembleia Geral da ONU e levada à Corte Internacional de Haia. A decisão tomada pelos juízes do tribunal com sede na Holanda frustrou os palestinos que esperavam uma ordem de cessar fogo. Ao governo israelense foi determinado que adotasse medidas para evitar um genocídio. Tel-Aviv refutou as alegações sul-africanas, qualificando-as de falsas, distorcidas e ultrajantes, e argumentando que está  exercendo simplesmente seu direito de defesa.

“A galeria a seguir contém imagens fortes”. Ao clicar sobre o aviso dado no jornal “A Folha de S. Paulo” online, o leitor se comove com as fotos de crianças palestinas mortas ou desfalecidas, atendidas em hospitais improvisados. Desde o início dos bombardeios 10.6 mil pequenos seres humanos tiveram a vida interrompida. O governo de Israel diz que suas ações bélicas visam os homens do Hamas. Será que mulheres e crianças são membros do grupo terrorista que reivindica há 80 anos o fim do apartheid e a criação de uma pátria?

As famílias palestinas receiam enterrar os seus mortos. Sair às ruas em Gaza é como participar de uma “roleta russa”. Na caçada ao Hamas não há necessidade de calcular onde um míssil vai cair; barreiras de tanques impedem que socorristas do Crescente Vermelho (a Cruz Vermelha no Oriente) atenda aos feridos nas ruas.

O jornal de Tel Aviv  “Yedioth Ahronoth” investigou a possibilidade do Exército de Israel ter colocado em prática o “protocolo Hannibal” na noite de 7 de outubro, atirando contra veículos que levavam terroristas e reféns. O comando militar reconhece ter matado três israelenses que haviam sido libertados pelo Hamas. Na semana passada, soldados disfarçados em profissionais de saúde invadiram um hospital e fuzilaram civis palestinos. Justificativa: “Eram terroristas do Hamas”.

No século passado, os dois povos foram vítimas de atos genocidas. Seis milhões de judeus foram assassinados pela Alemanha nazista durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945); nos anos do apartheid (1948-1994), centenas de africanos foram assassinados pelo governo colonialista da África do Sul. A perseguição dos palestinos pelos seus vizinhos começou em 1948 com a criação do Estado de Israel. Em maio daquele ano 750 mil palestinos foram expulsos de suas casas; em 1967 foram mais 350 mil, e, ao longo das últimas décadas, colonos judeus, com apoio do Exército, vêm dando continuidade às ações de banimento de um povo que há séculos ocupa aquela porção da Terra Santa.

Uma visão dos mapas da Palestina em 1948 e hoje revela que houve uma redução territorial tanto em Gaza quanto na Cisjordânia. O objetivo prioritário de Bibi Netanyahu não é destruir o Hamas, mas a ocupação por meio da força de toda a Palestina, cujo povo terá como destino a morte ou a fuga para o deserto.

Enquanto cresce entre as populações das grandes nações o antissemitismo, com frequentes manifestações, os governantes dos Estados Unidos e da Europa Ocidental – a ONU tem se mostrado irrelevante – fecham os olhos para o caráter expansionista de Israel. Nos Estados Unidos, a guerra em Gaza provocou uma convulsão nas universidades.

Mais da metade dos jovens entre 18 e 24 anos consideram os judeus uma classe opressora e se mostram revoltados com o financiamento e apoio de Washington a Israel, o que pode dificultar a reeleição do presidente Joe Biden. No final da década de 60 a juventude americana adotou um posicionamento semelhante. Os protestos foram contra a invasão do Vietnã, que resultou na perda da guerra e na morte de 56 mil militares.

Nem todos os judeus apoiam o massacre ao povo palestino. Um deles, o jornalista Breno Altman, usa seu site “Opera Mundi” para denunciar o caráter violento da ideologia sionista. Braço do governo de Israel no Brasil, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) pediu à Polícia Federal (PF) que investigue o jornalista, a quem acusou de racista. Entidades jornalísticas já se levantaram em defesa do profissional de imprensa.

Candidato a prefeito de São Paulo nas eleições deste ano, Guilherme Boulos (PSOL) foi o mais novo brasileiro incluído na lista dos antissemitas criada pela Conib, que promete apoiar o político indicado por Jair Bolsonaro. A entidade ultradireitista, na verdade, se posiciona contra o presidente Lula, que se manifesta simpatizante da causa palestina.

O Brasil foi o primeiro país a realizar uma operação de repatriação de judeus brasileiros. A Força Aérea realizou cinco voos, a partir de Tel-Aviv, retirando da zona do conflito 1.100 pessoas. Até hoje ninguém questionou que esses brasileiros, com dupla nacional, optaram no passado por viver em Israel, servindo ao Exército ou cuidando de idosos e crianças. A vinda ao Brasil, à custa do governo, pode ser avaliada como um simples passeio, porque são muitas remotas as possibilidades de o conflito colocar em risco a população da capital israelense.

 

 

 

TÁ ESPERANDO O QUÊ?

Chico Ribeiro Neto)

Tô esperando o dia em que comecei a assoviar “Summertime” na fila do caixa no supermercado. A mulher do caixa assoviou também, o segurança começou a bater o pé, desligou a câmera e assoviou e dançou; o repositor de sabonete assoviou; o cara do açougue dançou; o da padaria também; a velhinha que reclama todo dia também dançou; o cara que chegou agora assoviou.

– Crédito ou débito?

XXX

Tô esperando ouvir “As 4 Estações”, de Vivaldi, numa noite fresca. E a Nona Sinfonia de Beethoven numa noite de chuva.

XXX

A próxima taça de vinho e o primeiro cantar do passarinho.

XXX

Ouvir “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás”, de Raul Seixas, na voz de um cantador de ônibus no meio da Avenida Sete. “E não tem nada nesse mundo/ Que eu não saiba demais”.

XXX

Tô esperando o Dia da Nostalgia. Aquele dia em que todo mundo vai lembrar das coisas boas que já viveu. Nesse dia ninguém trabalha nem estuda. Só lembra. E apois num é que esse dia já existe no Uruguai? Em 24 de agosto, um dia antes da data que comemora o Dia da Independência do Uruguai, acontece La Noche de la Nostalgia, considerada a noite mais agitada do país. Os bares e restaurantes só tocam músicas antigas e promovem festas com temas nostálgicos.

XXX

Aquela onda que vem lá longe. Parece que ela vem grandona. Que maravilha é furar uma onda mergulhando de cabeça!

XXX

Aquela bola que espirrou na pequena área pra eu fazer um gol de calcanhar (de cagada) muito festejado pela torcida.

XXX

Tô esperando aquele café cheiroso com pão caseiro na casa de Dona Geralda, em Caculé, Bahia.

XXX

Um Brasil em que a educação seja a maior prioridade.

XXX

Um filme que me faça sair do cinema levitando, respirando a beleza de viver.

XXX

Aquela carta com a letra dela.

XXX

A primeira mordida no peixe frito ou no assado cabrito. Um prato de cozido com pirão e a couve e a abóbora boiando lá em cima. E o molho lambão do lado.

XXX

Tô esperando o próximo trem, o primeiro navio e a que horas a mulher do circo vai virar o terrível macaco. Espero a próxima gota d’água em cima da rosa.

XXX

Tô esperando o Carnaval pra me picar de Salvador.

(Veja crônicas anteriores em leiamais.ba.com.br)

SIMPLESMENTE EXUBERANTE E TRISTE!

Como é bom ver a caatinga, a mata e até a Chapada Diamantina verdes, cheias e floridas, com o cheiro da terra molhada e encharcada nas baixadas, tanques, lagos, rios e açudes! Foi assim que essas paisagens da força da natureza, com gosto de fartura, encheram minhas vistas ao cortar a Bahia, do sudoeste ou sudeste, de Vitória da Conquista ao norte de Juazeiro.

É simplesmente exuberante, como se fosse um milagre depois de uma prolongada estiagem, quando o sertanejo nordestino pede ao Senhor Deus para mandar as chuvas. Quando ver o chão rachado e o gado berrando na campina seca, faz novenas, orações e promessas ao divino e a todos os santos.

Dessa vez vi até procissão cortando a curva da estrada como cobra para agradecer as aguadas, se bem que em alguns pontos elas bateram minguadas, como nuns trechos entre Rui Barbosa, Macajuba e Baixa Grande. Vi bodes e bois pastando o capim e o mato renovados e viçosos. Vi aves voando e cantando o benfazejo. Vi o aguaceiro bater no gravatá das matas raras. Vi o mandacaru florar.

No entanto, nem tudo é alegria. É triste para os pobres das periferias das cidades desguarnecidas pelas negligências e irresponsabilidades desses prefeitos governantes que preferem oferecer circo e festas, ao invés de infraestrutura básica de serviços de esgotamento, calçamentos e canalizações para que as águas escoem rápido e não invadam as casas desses moradores que acabam perdendo seus pertencentes e ficando desabrigados no olho da rua, ou em escolas, numa forma de ajuntamento.

Se está muito sol e calor, o pobre pede chuvas a Deus para aplacar a sequidão. Quando elas vêm com temporais, ventos fortes, raios e trovões, ele lamenta e chora por causa dos alagamentos e ainda diz que foi a vontade de Deus. Por ignorância e falta de conhecimento, nem atenta que tudo isso é resultado da ação perversa do homem que destrói o meio ambiente. Para essas adversidades, os cientistas dão o nome de mudanças climáticas do aquecimento global ou ainda o chamado El Nino.

Como estão as nossas cidades, sem obras estruturantes e despreparadas, seria uma maravilha se as chuvas só caíssem no campo onde elas são a matéria-prima para o agricultor plantar suas roças e prosperar, sem falar nos animais em geral (gado, pássaros, insetos e outros bichos) que matam a sede e enchem suas barrigas de alimentos em abundância. Mas, não é assim que a coisa funciona. As correntes de ar e as nuvens não escolhem os lugares.

Esses prefeitos cometem tantos desatinos – falta seriedade nas câmaras de vereadores para decretarem o impeachment deles – e depois têm a cara de pau de culpar o tempo chuvoso. Vitória da Conquista e Juazeiro, lá no norte da Bahia, são exemplos concretos de cidades malgovernadas.

Aqui em Conquista, Lagoa das Flores, Campinhos e outros bairros ficaram debaixo d´água, sem falar de ruas que viraram escombros. Na cidade caíram mais de 30 árvores, inclusive as do Estádio Lomanto Júnior, que derrubaram o muro. Vários pontos tiveram que ser interditados.

É hilário, para não dizer deboche, mas somente agora a Secretaria do Meio Ambiente veio anunciar que vai podar as outras. Por que não fez isso há tempo? Confesso que nunca vi a Prefeitura Municipal fazendo podas em árvores. Só aqui em minha rua (uma em meio passeio) galhos foram ao chão com as tempestades. É simplesmente exuberante e triste.

O “QUIABO” E O CARNAVAL

Estava eu tomando uma gelada numa barraca na Praça 2 de Julho, em frente ao Estádio Adauto Moraes, em Juazeiro, na Bahia, e assuntando o pouco movimento de torcedores comprando ingressos para assistir ao jogo do Juazeirense contra o Jequié (2 x 0), no último dia 25/01.

Até aí nada demais para registrar como inusitado, mas apareceu um cabra meio franzino apelidado de “Quiabo”, com um celular na mão atravessando a rua pra lá e pra cá procurando uma mulher, por certo sua amiga ou parente, que era funcionária do estádio. Ele estava agitado e não parava de ligar indo de um canto ao outro.

Não demorou muito e logo apareceu uma mulher gritando pela sua alcunha. Foi a partir daí que soube que o rapaz se chamava de “Quiabo”. Como tantos outros malandros furadores e penetras, ele queria que a “amiga” o colocasse no campo sem pagar. Uma portinha estreita se abriu e uma senhora gritou “Quiabo”! Foi a senha providencial!

Do nada ele apareceu e, num pique com outros (não estava com minha máquina fotográfica para clicar nos alvos), ele caiu dentro, enquanto alguns compravam a entrada na bilheteria. Fiquei a imaginar que quiabo é uma verdura deliciosa, por sinal (adoro saborear), que escorrega na panela dentro de um feijão, num cozido ou noutro ingrediente e associei à pessoa ligeira que apronta das suas para se dar bem na vida.

Na minha cabeça fui mais além e coloquei a imaginação para viajar nesse Brasil dos quiabos “espertos e astutos” que procuram levar vantagem em tudo e não respeitam os outros, a começar pelos políticos, governantes, empresários, chefes de repartições, autoridades, executivos e até magistrados.

Com relação aos estádios de futebol no país, é assim que funciona: Centenas e milhares entram de “gaiatos” ou gatos sorrateiros. Tem aquela turma dos Quem Indica, o famoso QI e dos jeitinhos brasileiros. Quando se fala em 10 mil pagantes, por exemplo, quinhentos ou mais de mil foram de graça. Em pouco tempo, ali no estádio, presenciei muitos atravessando ligeiramente a portinha estreita, na base do pulo.

Mas, o que tem a ver o pobre do “Quiabo” com o carnaval? É que neste mesmo dia era a abertura da festa momesca na cidade e quiabos piores entraram em ação, uns para furtar no meio da folia e outros “donos da prefeitura”, da coisa pública, para fazer os contratos escusos com bandas, trios elétricos, camarotes e cantores.

Numa conversa informal com um funcionário comissionado, porém concursado, ele me contou horrores que acontecem lá dentro e foi demitido do cargo porque não aceitou concordar com as coisas erradas. Uma dessas maracutais foi o carnaval, segundo ele, superfaturado.

Conforme me confidenciou, o cantor Bel Marques “recebeu” 550 mil reais para tocar no circuito por uma noite, mas só que ele não leva essa bolada toda. “Tem uma parte por fora que fica com eles lá dentro. Estão passando a mão”- acusou o funcionário que trabalha ou trabalhava na Secretaria de Finanças. Cadê a investigação do Tribunal de Contas?

São os quiabos mais escorregadios e danosos que desviam recursos do contribuinte nessas festas, mas o povo cai dentro da fuzarca e nem quer saber disso. O que importa mesmo é o circo. Enquanto isso, com as chuvas, a periferia de Juazeiro sofria com as ruas esburacadas, alagadas e esgotos estourados, numa fedentina danada.





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