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:: ‘Notícias’

DOMINGO ERA GALINHA COM MACARRÃO

(Chico Ribeiro Neto)

Tem prato de mãe que é inesquecível. Um que Dona Cleonice faz até hoje é bem simples, não entra carne nem frango, mas é uma delícia: chuchu com ovos. A simplicidade é enriquecida com temperinho verde e o prato fica uma delícia. Como diz o outro, “você esquece até que não tem carne”. E ainda tem a cara de satisfação da mãe, à mesa, perguntando se a gente quer mais. Pois é: mãe que é mãe fica olhando o filho comer.

Os pratos têm a cara do dia. Sexta é dia de peixe, sábado é sarapatel e domingo é feijoada ou macarrão. Bife tem cara de segunda-feira, a terça parece com um cozido e a quarta talvez uma galinha de molho pardo ou fígado. Quinta é um dia meio indefinido pra comida, mas pode vir um lombo, daqueles que aguentam na geladeira até domingo e o caldo vai ficando cada vez mais gostoso pra uma farofinha.

Galinha com macarrão é a cara do domingo quando eu tinha 10 ou 12 anos. Caldo bom, gostoso, galinha morta ainda de manhã no quintal, “a moela é minha”, “mentira, mamãe, é que ele já comeu o coração”, “vê se deixa um . pouco do caldo qu’eu também quero”.

Depois da galinha, comida ainda procurando assento na barriga, uma “lapa” de goiabada pegada de mão mesmo, a boca toda melada e a roupa já pronta pro cinema, tudo ligeiro porque a sessão era às duas da tarde.

A Coca-Cola era pequena, mas dava pra dividir. Vixe, tá na hora de sair senão não pega o filme começando. Mamãe dá pouco dinheiro, a gente faz cara feia e consegue mais. Cleomar, meu irmão, sai na frente me dando pressa. Já no cinema, depois do segundo tiro, o primeiro arroto.

Era o Cine Santo Antônio, ali numa rua que vai dar no Convento de São Francisco, em Salvador. Se ainda restassem alguns minutos pra começar, trocávamos revistas ou vendíamos algumas apurando o dinheiro da pipoca ou do picolé na saída.

Lá dentro, a felicidade superava o imenso calor, o grito era fácil e o coração batia junto com as badaladas que anunciavam o início do filme. Aliás, dois filmes e um seriado. A gente entrava no cinema às duas e já saía com o dia escuro e a cabeça cheia de aventuras. “Será que o artista do seriado vai ficar uma semana pendurado naquele galho em cima da cachoeira, com mais de 20 bandidos lá embaixo atirando?”

Poucos anos depois, o Cine Santo Antônio fechou. Quando estava ali perto, gostava de passar pela porta do cinema, mesmo fechado, para olhar aquela sala de espera com o chão de azulejos e o portãozinho verde, que quando o porteiro abria era o estouro da boiada. Depois do filme, descer a ladeira correndo era uma delícia e tinha conversa pra chegar até em casa e ainda sobrava: “Você viu naquela hora?”.

Ver o filme “Cinema Paradiso” foi uma viagem ao Cine Santo Antônio.

(Crônica pulicada no jornal A Tarde em 25/7/1990)

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

PRIMEIRO FÓRUM DA INDÚSTRIA DEBATERÁ DESENVOLVIMENTO REGIONAL

A Câmara Municipal de Vitória da Conquista irá promover, pela primeira vez, nos próximos dias 30 e 31 (segunda e terça-feira) o 1º Fórum da Indústria, Comércio e Logística, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento regional e fortalecer parcerias estratégicas.

O evento será um espaço de diálogo entre os setores produtivos e o poder público, focado nas inovações e qualificações diante dos novos cenários tributários do país. O encontro está marcado para ser aberto na segunda-feira à noite, com a palestra de Evandro Mazo, diretor regional do Senai/Bahia. Ele é referência em qualificação profissional.

Sua palestra irá abordar a importância das parcerias institucionais e da inovação como motores para o crescimento sustentável da indústria local.  O segundo dia (31), contará com uma agenda intensa dividida em diversos eixos.

Pela manhã haverá o Painel da Indústria, com Roberto Kawabe, do Observatório da Indústria, quando falará sobre os Desafios e Perspectivas para a Indústria Regional. O debate ainda será enriquecido com a apresentação de experiências práticas por Calebe Almeida, do Grupo DASS, Jorge Chiacchio (Grupo Chiacchio) e Ronaldo Bulhões, da ZAB.

Ainda pela manhã, ocorrerá o Painel do Comércio, com foco na Reforma Tributária, tema central para o empresariado. Essa exposição ficará a cargo do advogado tributarista Júlio N. Nogueira, contando com os especialistas Pedro Eduardo Pinheiro Silva, Sarah Amorim Bulhões e Victor Barbosa Dutra na mesa dos debates.

Na parte da tarde, o Fórum irá focar nas questões dos desafios da gestão pública, com painel conduzido pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Ferreira. A mesa será composta pelo presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro, Bruno Pena, da Câmara de Comércio de Portugal, Rogério Teixeira, superintendente da Caixa Econômica Federal e Jackson Yoshiura, secretário municipal de Infraestrutura.

HOSPITAL REGIONAL DE JACOBINA EM ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA

É correto dizer que a saúde pública no Brasil é uma calamidade pelo total descaso dos governantes com o setor. Os pobres morrem à mingua antes do tempo nas UTIs, nas enfermarias e nos corredores das unidades por total falta de estrutura.

Enquanto isso, os governos municipal, estadual e federal fazem propagandas falsas de que tudo é uma maravilha, e povo, por total falta de esclarecimento, engole as demagogias. A nossa mídia tem muita culpa nisso porque, em parte, deixou de denunciar os descalabros e os absurdos.

Quanto ao Hospital Regional de Jacobina (“Cidade do Ouro”) Vicentina Goulart, um prédio antigo localizado no centro, se houvesse seriedade dos órgãos sanitários na Bahia e no Brasil, aquela unidade já deveria ter sido interditada pela total falta de higienização, a começar pelos banheiros entupidos, bebedouros sujos e velhos equipamentos. O Hospital de Jacobina pede socorro.

Minha irmã Margarida Macário de Oliveira Fernandes foi intubada na UTI coletiva de sete ou oito pessoas há uns 15 dias e fui lá visita-la. Só a entrada meu deu uma péssima impressão, mas fiquei horrorizado com o que vi lá dentro, uma verdadeira desumanidade com as pessoas. Muitos estão morrendo lentamente.

Depois transferiram ela para a enfermaria, um local ainda pior, que mais parece um matadouro de gente. Na noite de sábado para domingo, de 21 para 22 de março, foi um terror, segundo relatou minha sobrinha que estava acompanhando a mãe. O que ela me contou é de cortar o coração de qualquer humano.

Em estado grave, minha irmã entrou em crise na enfermaria de sete pessoas, com 500 de glicemia e não havia uma enfermeira para aplicar uma insulina para baixar o nível, isto entre 22 a 23 horas.  Minha sobrinha apelou para uma técnica que que respondeu não ter capacidade para fazer o procedimento.

Esse tormento perdurou até por volta das três horas da manhã de domingo quando, finalmente, apareceu uma enfermeira e lhe aplicou a insulina e outros medicamentos, baixando a glicemia para 300 e, mesmo assim, a paciente continuou sofrendo e só se normalizou tempos depois, por volta das sete horas do domingo.

Minha irmã, com os pés em carne viva, está morrendo aos poucos naquele hospital, que considero um matadouro, e não é somente ela. Um médico na enfermaria é coisa rara e quando aparece é para dizer ao parente que seu paciente tem que sair de qualquer forma para não pegar mais infecção, mesmo a família não tendo a mínima condição de receber em casa porque não tem como dar tratamento domiciliar.

De acordo com uma de minhas sobrinhas, só faltaram tirar minha irmã da enfermaria e deixar exposta na frente do hospital. Nessa hora, a ausência do Estado é total para auxiliar nessa passagem da enfermaria para o sistema home care (assistência domiciliar).

O governo, qualquer que seja, tem a obrigação de oferecer o suporte multiprofissional (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas) e equipamentos ideais para doenças crônicas, caso específico da minha irmã. Para tanto, pagamos anos e anos de impostos, trabalho ao país e INSS.

O pobre só serve para votar e quando vai a um “mutirão de saúde” (nunca deveria existir), o coitado miserável ainda fala que é tudo uma beleza. Mutirão é mais uma prova de que a saúde pública é precária e deficitária nos postos e hospitais.

É necessário que o governador Jerônimo e o secretário de Saúde do Estado tomem conhecimento sobre o que está ocorrendo com o Hospital Regional de Jacobina, um município de cerca de 90 mil habitantes, com mais de 500 mil em torno da sua região.

Sabemos que este estado grave em que vive a saúde pública não ocorre apenas em Jacobina, mas o que presenciei ali passa dos limites e bate um recorde, sem contar umas regras que não entendi. Por que, por exemplo, o paciente que está numa enfermaria não pode receber a visita de um familiar ou amigo?

Entrei porque a senhora que estava na portaria teve compaixão de mim e liberou minha passagem, fazendo recomendações para que ninguém percebesse. Isso é mais que desumano. Essa norma é para que ninguém veja o que passa lá dentro e não saia relatando?  Procurei por uma assistente social, mas havia saída.

 

O ISQUEIRO QUE AMEAÇOU A DITADURA

(Chico Ribeiro Neto)

A ditadura civil-militar que se instalou no Brasil em 1964, que durou 21 anos, matou, torturou e exilou pessoas, suprimindo todas as liberdades democráticas. Foram 434 mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura, segundo a Comissão Nacional da Verdade. Uma mancha de tristeza e revolta na história do país.

Há, porém, episódios pitorescos no meio de tanta crueldade.

Na década de 70, um amigo, ligado à luta armada, estava com outro companheiro tomando uma cerveja num bar do Rio de Janeiro. Ambos estavam sendo procurados e só andavam armados, mudando de cidade. De repente, entram dois homens de paletó e gravata, apontam para eles e conversam com o dono do bar. “Esses caras devem ser do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e vão prender a gente”. Os caras vieram em direção a eles, que já estavam com as mãos sobre as armas embaixo da camisa, Suavam frio quando um de paletó falou: “Nós somos do Departamento de Promoções da Antarctica. Essa cerveja está paga e mandamos descer mais uma para vocês. Parabéns por preferirem a Antarctica”. Na época era forte a disputa entre a Brahma e a Antarctica.

O outro caso aconteceu com meu irmão Zé Carlos. Abril de 1964. Primeiros dias da ditadura, Salvador ocupada por tropas do Exército.Meu pai Waldemar tinha um bar, “O Cisne”, na Avenida Joana Angélica, defronte ao Colégio Central, e disse a Zé numa noite: “Eu já vou, você fecha o bar mais cedo porque a cidade tá cheia de soldados e tem esse

negócio de toque de recolher à meia-noite”. A ditadura proibiu menores de 16 anos de circularem pelas ruas depois da meia-noite.

Zé Carlos já tinha 16 anos, mas mesmo assim se apressou. Mas tem sempre a turma da saideira e ele acabou fechando o bar às 23:40. A gente morava na Ladeira dos Aflitos e ele passava pela Praça da Piedade, onde tinha uma tropa do Exército aquartelada, com metralhadora giratória e tudo. Todo mundo doido pra prender comunista. Afinal, eles estupram freiras e comem criancinhas.

Zé Carlos subiu a pé a Avenida Joana Angélica e chegou na Piedade quase  à meia-noite. Passou diante da tropa e quis acender um cigarro. Ele tinha um isqueiro que era um revolvinho (ou revolverzinho) niquelado em que você apertava o gatilho e ele acendia. Sacou o revolvinho e foi logo cercado por soldados do Exército empunhando fuzis e por um sargento que berrava, depois de apreender a perigosa arma: “Mãos para cima! Não se mexa! Documentos!”

Após longo IPM (Inquérito Policial Militar) que envolveu várias perguntas (“Você vem de onde?”, ‘Trabalha onde?”, “O que faz na rua a essa hora?”), Zé Carlos foi liberado e teve sua arma de volta, depois de receber alguns tapas e ouvir várias ameaças.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

PARE NO “FOLHA SECA”

Quem vem de Salvador, Feira de Santana, Senhor do Bonfim, lá do Sul e do Sudeste perto de Juazeiro, na Bahia (distante 60 quilômetros), vai passar pelo distrito de Maçaroca, ver muitos bodes pastando pelas margens da BR-407, (muito verde depois das chuvas), mas, o que vai lhe chamar mais atenção é uma grande placa com o nome Folha Seca.

Também está ao alcance de quem vem dos estados nordestinos em direção contrária. Não deixe de dar uma parada, nem que seja para um cafezinho, mas o passageiro vai terminar ficando por mais tempo quando sentir aquela recepção acolhedora e outras coisas interessantes para se ver.

Trata-se do restaurante “Folha Seca”, bastante movimentado com comida típica do nosso sertão, como o cuscuz, a coalhada, o aipim, a farofa, o feijão tropeiro, o baião de dois e um bode assado que é uma delícia. O tratamento é de primeira. Depois é só dar uma visitada nas lojas de artesanato e na casa de vinho da região do Rio São Francisco.

Além do Posto de Combustíveis “Folha Seca”, ao lado, o seu proprietário, Rosemberg Macário de Oliveira construiu um Centro de Treinamento de Futebol profissional com vários chalés confortáveis, piscina e outros equipamentos, coisas de primeira qualidade.

O que mais chama a atenção é a jardinagem no estilo europeu, com um florido das plantas em meio ao agreste do sertão. Além do campo gramado, pistas de coper, charretes puxadas pelos pôneis, parques infantis, uma academia de ginásticas e outras áreas de lazer, você vai apreciar as flores e as plantas exóticas.

O mais importante é que todo o sistema funciona através da energia solar, ou seja, trata-se de um projeto ecologicamente sustentável, sem causar nenhum impacto ao meio ambiente. É uma união da caatinga com o florido.

O contraste de cores do lugar fica ainda mais visível em época de estiagem prolongada quando o cinza da   caatinga torna-se predominante pela seca.  Na verdade, o Grupo “Folha Seca” é um ponto turístico que merece ser visitado e ainda lhe oferece uma bela hospedagem para seu relaxamento.  Depois o viajante, seja quem for, vai sair renovado para seguir viagem.

COMO É LINDO VER O SERTÃO FLORIDO DEPOIS DAS CHUVAS!

A caatinga com sua vegetação espinhosa, baixa e árida é mágica, mesmo quando sua paisagem é de sequidão com aquela cor cinzenta que produz lindas imagens fotográficas, destacando os cactos, a jurema, o umbuzeiro e o verde do mandacaru.

É bem verdade que, quando ela está assim, deixa o sertanejo acabrunhado, aperreado e triste ao ver a plantação perdida e o seu gadinho berrar de sede na cacimba. Pior ainda é quando olha para o céu e observa nuvens passageiras sem sinal de chuva. Com sua fé religiosa e sua cultura popular, ele não deixa de orar ao Supremo para que lhe ampare.

O catingueiro nordestino é forte, valente, persistente e nunca perde as esperanças. Pode até se retirar por uns tempos na busca da sobrevivência para si e sua família, mas, mesmo distante, pensa dia e noite em retornar ao seu torrão querido, como na música do cancioneiro ou nos versos do poeta Patativa do Assaré.

Coisa mais linda é quando batem as águas e de repente o sertão brota em flores de encher os olhos a perder de vista! Como uma fênix, da cinza renasce o verde, o amarelo do São João, o vermelho de outras árvores e até o lilás do Ipê em algumas faixas da mata de cipó. As abelhas delas extraem seu néctar para o fabrico do mel que nos serve até de remédio.

Toda Bahia e outros estados do Nordeste onde predomina o semiárido, o nosso sertão está florido e exuberante com suas agudas cheias à beira das estradas. É tempo de fartura que muda a expressão do sertanejo, conforme presenciei cortando estas terras saindo de Vitória da Conquista até Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Cortei toda Chapada Diamantina e outros municípios do Norte naquela imensidão verdejante.

Com as mudanças climáticas, ou o aquecimento global, os temporais que caíram deixaram praticamente todas cidades com estragos, ruas e avenidas esburacadas, casas caídas e até vidas perdidas pelas grandes enxurradas e deslizamentos de morros, tudo por desleixo dos nossos governantes que não montaram estruturas eficientes para suportar as chuvas.

No entanto, a nossa caatinga, que é subdividida em outros vários biomas nordestinos diferentes, se fortalece em prosperidade. Como num milagre da vida, as árvores retorcidas, antes com aparência de mortas, renasceram em poucos dias.

Além da flora diversificada, com centenas de espécies, a fauna faz sua festa com a abundância de alimentos. Os pássaros em suas revoadas e cantorias preenchem a beleza da natureza. Os animais rastejantes, os répteis em geral e aves maiores se fartam com tanta comida e água. Toda terra fica fértil e as plantas dão bons frutos.

Pena que a nossa caatinga vem sendo depredada há muitos anos com o corte de árvores para o uso em construções e no fabrico do carvão, deixando muitas áreas em processo de desertificação que nem as chuvas conseguem recuperar, sem contar as matanças de espécies raras, a caça predatória e o tráfico de animais silvestres.

POLÍTICA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO

Na sessão ordinária de ontem (quarta-feira, dia 18/03), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram diversos projetos de interesse da população, com destaque para a Política Municipal de Habitação, com a criação do Fundo Municipal de Habitação.

Também entrou em debate a criação do Dia Municipal de Conscientização sobre as Experiências Adversas na Infância, que será celebrado no dia 20 de setembro, bem como o Dia Municipal da Ação Climática em Conquista.

Os parlamentares presentes usaram da tribuna, como Adinilson Pereira, para informar ao povoado da Cabeceira sobre o ato de assinatura, nesta quinta-feira, dia 19/03, do contrato de ampliação da escola Francisco Antônio de Vasconcelos. Todos esperavam a ampliação da unidade de ensino.

Dinho dos Campinhos anunciou que no dia 6 último foi assinado uma ordem de serviço de uma creche em Morada Nova com a criação de 180 vagas que vai atender ao Simão e imediações. No próximo ano vamos acrescentar para mais 300. Também será concluída a construção do posto de saúde, beneficiando Cidade Modelo e outros bairros próximos.

A vereadora Gabriela Garrido agradeceu a presença de jovens na plenária da Câmara. Ela se reportou sobre mais um feminicídio, em Planalto, com atos de crueldade. Na ocasião, defendeu a realização de mais campanhas nas escolas para prevenção contra a violência doméstica, dizendo que não bastam as leis.

O “VELHO CHICO” COM SEUS BARCOS E O MUSEU DO SERTÃO EM PETROLINA

Quando venho a Juazeiro, da Bahia, a primeira coisa que faço é ir visitar meu “Velho Chico”, ou Rio São Francisco, do colonizador Américo Vespúcio, mas prefiro o Opará (rio grande, cheio) dos indígenas que aqui viviam.

Bem que esses deputados, cuja maioria só pratica a bandidagem, poderiam apresentar um projeto para mudar seu nome para o original. Opará é bem mais autêntico. Tomei a sua benção e pedi que os homens tomem vergonha na cara e o proteja dos males da depredação.

Ele está abastecido graças as chuvas de São Pedro, mas há alguns anos suas margens estavam tão secas que até os peixes sumiram, e os ribeiros, que dele sobrevivem, estavam passando fome. Sempre falam de revitalizá-lo, mas é só baterem as águas e tudo é esquecido.

Dei sorte que dessa vez comi aquela deliciosa moqueca de surubim. Quando o rio sofreu aquela tremenda sequidão, recordo que praticamente não se encontrava um peixe para ase alimentar, e as barquinhas chegaram a parar por causa dos bancos de areia.

Pequei aquela barquinha e naveguei em suas águas por 10 minutos para Petrolina (Pernambuco), a cidade com outra qualidade de vida 100 vezes superior a Juazeiro, e não estou exagerando. Do lado da Bahia, só se ver esgotos abertos, ruas sujas e muita muriçoca. Aliás, Juazeiro é a capital das muriçocas e pedintes.

Em Petrolina fui visitar o antigo Museu Municipal do Sertão, citado no livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, do médico antropólogo Estácio de Lima. Valeu a pena porque entrei no mundo dos sertanejos nordestinos e muita coisa me fez lembrar dos tempos de menino na roça.

Lá estão à disposição dos visitantes, os jalecos e gibões de couro dos vaqueiros, símbolos nordestinos, pilões de pisar café, milho e outro produtos, antigos bules, camas, sanfonas, espingarda, ou garruchas, fogões a lenha, bacias, pinicos e outros objetos que fazem parte da cultura popular nordestina.

O calor de Petrolina e Juazeiro é de rachar, mas têm como maior riqueza o “Rio Opará” banhando as duas cidades. Muitos aproveitam para dar aquele mergulho merecido, até os moleques que pegam uma ponga nas barquinhas.

Voltei do outro lado pernambucano aproveitando aquela paisagem que faz a gente esquecer os problemas da vida. É uma travessia que nenhum turista pode perder, sem falar que é um meio de transporte que faz os usuários se livrarem do tumulto da ponte que divide Petrolina e Juazeiro. O idoso tem passagem livre por duas vezes ao dia, mas se resolver repetir a terceira, paga meia, ou um real e cinquenta centavos.

Como ninguém é de ferro, para aliviar o “calor de matar”, dei um, tempo para tomar umas geladas nas barraquinhas simples de palha. Enquanto comentava sobre o cansaço da viagem, a garçonete virou para mim e me animou com sua simpatia dizendo, “vamos beber que amar está difícil”.

Em Juazeiro, aproveitei para apreciar as grandes carrancas do Rio São Francisco e, mais uma vez, senti a falta do antigo Vaporzinho transformado em restaurante que ficava na orla. Infelizmente, na Bahia e no Brasil em geral, as pessoas e os governantes vão destruindo nossa memória.

AS PREVENÇÕES CONTAS AS CHUVAS

A questão da morte da senhora Rosânia que foi tragada pelas águas das chuvas, no canal da Avenida Caracas, na semana passada, foi amplamente debatida pelos vereadores durante a sessão ordinária desta sexta-feira (dia 13/03), realizada pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista.

O vereador Andreson conclamou a todos a fazerem uma reflexão sobre o acontecido e dirigiu duras críticas ao poder público municipal que, de acordo com ele, foi omisso em não ter tomado as devidas providências de proteção em torno do local, tendo em vista que ocorreu o mesmo em novembro passado com um senhor que, felizmente, conseguiu sobreviver.

“O poder municipal foi omisso na morte de dona Rosânia” – enfatizou o parlamentar, alertando que a cidade precisa estar preparada para suportar os temporais advindos das mudanças climáticas que estão atingindo, não somente Conquista, mas todas as partes do Brasil e do planeta.

O parlamentar Luciano Gomes também foi no mesmo tom sobre a morte da senhora, dizendo que foi uma fatalidade anunciada. Destacou que a área do canal na Avenida Caracas precisa de grades de proteção e não de ser fechada, como foi feito.

Na ocasião, Luciano parabenizou o deputado estadual Fabrício Falcão que, em nome do Governo do Estado, fez a entrega de motos para motociclistas que não cometerem infrações nos últimos anos. A vereadora Lara usou também a tribuna para falar sobre a morte de dona Rosânia e agradeceu em público a todos que contribuíram diariamente pela busca do seu corpo.

Além das falas dos vereadores, a sessão ordinária discutiu diversos projetos da pauta, como a proposta que cria o Dia Municipal de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.

Foram debatidos ainda o projeto que institui o Dia Municipal do Policial Veterano, a ser celebrado anualmente no dia 13 de junho, bem como a matéria que reconhece a escola bíblica dominical como patrimônio cultural e imaterial do município.

O CÃO RECONSTRUÍDO

(Chico Ribeiro Neto)

Numa encosta da Avenida Centenário, há alguns anos, surgiu a escultura de um homem com o cachorro na coleira, tudo feito com material reciclável, principalmente garrafas PET.

No Carnaval destruíram o cachorro e arrancaram o braço de Q-Boa do rapaz. Pois bem, a escultura de André Fernands ressurge agora, reconstruída e mais bonita. A expressão do homem é de PET, mas é de paz. Todo branco, com orelhas pretas, o cão renasceu. O trabalho de André Fernands fica numa encosta da Avenida Centenário (sentido Calabar).

“Transformando em arte aquilo que o mundo descarta como lixo”, diz André Fernands no seu Instagram (@andrefernands2009), onde se define como  “artista plástico, palestrante, catador de resíduos e ambientalista, pai de João Paulo Fernandes”.

“Trabalha há mais de 30 anos com resíduos plásticos, transformando lixo em arte e embelezando a cidade de Salvador”, diz matéria sobre ele postada nos site noticiasavera.com.br em 29/4/2024, acrescentando: “Uma de suas obras mais conhecidas é o Bandeirão dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, composto por cerca de 300 mil tampinhas de garrafa PET. Essa obra levou  6 anos para ser concluída e contou com a participação de crianças do projeto Praia Limpa na coleta das tampinhas pelas praias de Salvador”.

André Fernands tem vários trabalhos espalhados por Salvador que podem ser vistos no seu Instagram. Parabéns, grande artista, você reage aos dilapidadores e torna essa cidade menos cinza.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 





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