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:: ‘Notícias’

SIMPLIFICAÇÃO DAS LICENÇAS

  A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista desta quarta-feira (dia 10/06) vai debater diversas propostas e projetos, entre os quais, a apreciação que autoriza a criação de um procedimento simplificado para renovação das licenças sanitárias de clínicas e estabelecimentos de baixa e média complexidade médica, buscando reduzir a burocracia e dar mais agilidade aos processos.

  Também estará em pauta a discussão do projeto que institui a Política Municipal de Conscientização Climática, Sustentabilidade e Mobilização Social diante dos impactos da crise climática, com foco na educação ambiental, preservação dos recursos naturais e fortalecimento de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável.

   Na ocasião, fará uso da Tribuna Livre o representante do Lar da Misericórdia, João Paulo de Oliveira de Souza, que abordará temas relacionados à política voltada à população em situação de rua e às potencialidades e fragilidades do Centro POP.

  Serrão ainda analisadas as indicações encaminhadas ao poder executivo municipal, além de requerimentos e moções de aplausos apresentados pelos parlamentares que farão seus pronunciamentos durante a sessão, marcada para ser iniciada a partir das 9 horas da manhã.

CERTIFICADO DE BATISMO

    No Brasil rural e no Nordeste arcaico, principalmente, até meados do século XX, o documento mais valioso para as famílias era o Certificado de Batismo, o primeiro que os pais se preocupavam em tirar quando os filhos nasciam. Os mais antigos sabem muito bem disso.

   A escritora Élise Gruspan-Jasmim, em “Lampião-O Senhor do Sertão” faz alusão a este hábito católico que prevalecia naquela época. Certidão de Nascimento, que hoje a criança já recebe no hospital no momento que a mãe “dá a luz”, era coisa para depois de cinco ou seis anos. Como muitos eram analfabetos e não anotavam, a data precisa saia sempre errada.

  Em sua obra, a autora escreveu que “era costume no sertão batizar pouco tempo depois do nascimento, por causa do grande número de crianças que morriam com pouca idade nessa época. Os pais encarregavam-se rapidamente de batizar o recém-nascido, com medo de que este, caso viesse a morrer, torna-se uma alma errante”.

   Por causa da cultura religiosa, trazida lá de seus antepassados, o batismo era o primeiro cuidado. A autora deixou de citar que os pais corriam logo à Igreja Católica com receio de criança morrer pagã. Seria um grande pecado deixar um filho morrer “pagão”.

  Lembro disso através da minha mãe que falava ter apressado o meu pai a me batizar logo de imediato porque nasci mirrado e doente. Somente depois de cinco ou seis anos foi que meu pai foi ao cartório me registrar porque a escala pedia o documento.

    Depois de anos fui escarafunchar na Igreja e descobri ter nascido em 1946, conforme estava escrito pelo vigário no batistério, e não em 1947, como está na Certidão. Creio que muita gente da minha geração, que nasceu de parteira, nos cafundós do sertão, tem também a idade errada.

   Quem sabia escrever, tinha o hábito de anotar o horário, dia e o ano numa página em branco da Bíblia, cujo livro “sagrado” não podia faltar numa casa. Nos tempos atuais, o Certificado de Batismo não tem mais nenhum valor.

   Naquela época, o batismo era encarado como um ato de grande importância, e os padrinhos se sentiam no lugar de segundos pais. Hoje se tem mais como um preceito social para se fazer uma festa, sobretudo entre os ricos.

   No entanto, entre os nordestinos, o batismo ainda é levado muito a sério, especialmente na zona rural onde os hábitos, os costumes e a cultura ainda são passados de avó e avó para os filhos e destes, como pais, para seus rebentos, embora muita coisa se perdeu no caminho.

   Tanto o batismo como as manifestações culturais, infelizmente, perderam muito de suas caraterísticas com o grande êxodo rural para as cidades, a partir dos anos 50 e 60 do século passado, mas o ato de batizar permanece vivo, não importando a religião.

Como mais de 70% vivem na zona urbana, as mudanças advindas do progresso, e agora com os avanços tecnológicos, estão se encarregando de apagar com as tradições, apesar de muitas ainda permanecerem vivas. Tem gente que acha que elas vão se acabar por completo, mas não acredito nisso.

   Vão continuar resistindo como o maracatu, o forró, o samba, terno de reis e outras expressões culturais, mesmo sofrendo algumas misturas. São como as antigas profissões de ferreiro, alfaiate, relojoeiro, amolador de facas, sapateiro, dentre outras, que ainda sobrevivem às novas tecnologias.

CONTATO COM UM EXTRATERRESTRE

  Vou contar uma história que nunca falei para ninguém, mesmo porque seria alvo de chacotas. Tudo aconteceu lá pelo final dos anos 50, na fazenda Caldeirãozinho, no sertão do Piemonte da Chapada Diamantina de Piritiba. Deveria ter entre 12 a 14 anos de idade, um moleque calado e sofrido pela labuta da roça e castigado pelas secas.

  Tudo ocorreu num final de tarde carregada, na boca de uma mata quando capinava uma lavoura de mandioca com seu Eufrásio. Depois de um dia calorento e estafante pelo sol do verão, as nuvens estavam pesadas e escuras, com anúncio de chuvas.

    Os pássaros em revoada começavam a se recolher nas folhagens das árvores. Meu pai tinha ido fazer um curral numa propriedade próxima e não estava conosco para testemunhar o ocorrido.

   Ainda receio contar este episódio porque vão achar que não passa de uma lorota descabida, sem pé e sem cabeça. Bem, quem quiser que acredite, mas estou falando sério, e nunca fui pescador e caçador para inventar causos mentirosos.

   Somente agora, depois da idade avançada, ou velho mesmo, como se diz no popular, resolvi revelar o acontecido porque o idoso já se acostumou a ser chamado de caduco, até quando esquece algo ou dar uma tropeçada. Para o moderno, é normal.  

  O famoso “ET de Varginha” (Minas Gerais) apareceu no dia 20 de janeiro de 1996, há 30 anos. Interessante que tudo começou também numa tarde chuvosa quando três jovens afirmaram ter visto uma criatura, de pele escura, olhos grandes e vermelhos e cabeça avantajada, agachada perto de um muro.

   Narrativas daquela época registraram intensa movimentação do exército e do corpo de bombeiros nos hospitais locais e em áreas de mata. Dizem que os militares capturaram criaturas vivas e recolhidos destroços. Até hoje é um mistério.

   No entanto, uns dizem que tudo não passou de um mal-entendido, mas se fosse a visão de uma santa ou um santo, até hoje haviam milhares de devotos e romeiros fazendo peregrinações e romarias no lugar, como em Fátima, Aparecida, Guadalupe e Lourdes onde se deram as aparições.

  Bem, vamos deixar de jogar conversa fora e confessar o que vi há mais de 60 anos. Eu e seu Eufrásio já estávamos nos preparando para arrear o trabalho de limpeza quando ouvimos sussurros esquisitos de falas no outro lado da roça, inclusive com uma ventania forte, tipo de redemoinho, como se fosse arrancar os pés de mandioca.

   Corremos entre as manivas e nos deparamos com uma criatura estranha quase semelhante ao “ET de Varginha”, só que era mais simpático, olhos pequenos e pele avermelhada, mas com aspecto diferente do humano. Deu até um sorriso maroto para nós.

  No momento, minha reação foi dar meia volta e sair correndo em disparada, mas, como num truque de mágica, fiquei estático no lugar. Seu Eufrásio, porém, foi atraído como que puxado por um ima, ou seja, abduzido.  Com passos lentos, o seguiu mata a dentro num ponto de uma clareira existente na mata.

  Lembro como se fosse hoje daquele clarão de luzes fortes iluminando uma grande parte da área. Demorou alguns minutos e depois o objeto, na forma de um cilindro cheio de anéis, levantou voo numa rapidez indescritível que atualmente descrevem como supersônico.

   Fora da radiação magnética do “ET do Caldeirãozinho de Piritiba”, corri como louco entre a capoeira até chegar em casa esbaforido, entalado e amarelado de tanto medo. Nunca tinha visto coisa igual em pleno sertão nordestino!

  Ao ver minha agonia e tremedeira no corpo, minha mãe perguntava o que havia acontecido para eu estar naquele estado  de pavor. Por mais que tentasse, não consegui explicar direito a cena e só dizia que tinha fantasma e assombração na roça de mandioca.

Afinal, era só um menino matuto tabaréu e não sabia de nada sobre esse negócio de extraterrestre. Aliás, naquele tempo nem se comentava sobre isso. Acho que fui o primeiro a ver um ET no Brasil depois da invasão de Cabral que chegou com aquelas caravelas e assustou os índios.

   Sei que querem saber sobre seu Eufrásio. Pois é, ele só apareceu no outro dia, calado e pediu as contas ao meu pai que sentiu seu comportamento diferente.

  Olhou para mim como se dissesse que nunca mais pisaria os pés naquele terreno maldito. Sumiu da região e contaram que ele arribou com mala e cuia para São Paulo com toda família.

  Não tinha diálogo com meu pai para narrar o episódio. Ia me dar aquele esbregue, me chamar de mentiroso e até que estaria doente da cabeça. Era obrigado a ir àquela roça assustado e não tinha com quem me desabafar.

  Aquelas cenas perturbadoras nunca saíram da minha mente. Coisas alucinógenas psicodélicas de quem tomou LSD ou outras substâncias ácidas que provocam alucinações. Até parece que havia tomado ayahuasca. Deixa pra lá, sei que ninguém acreditou mesmo na minha história, mas criei coragem e contei! 

CALIGRAFIA DO AMOR

(Chico Ribeiro Neto)

Um conhecido me pediu para escrever uma carta de amor que ele queria mandar para uma mulher. “Isso eu não faço”, respondi. “Mas o senhor não é escritor?”, insistiu ele. Não sei escrever carta de amor, discurso político nem sermão de igreja.

Escrevo umas “croniquetas catarinas” há alguns anos. Também não escrevo para mudar o mundo. Isso é tarefa complicada. Escrevo para reviver minha infância (manancial inesgotável), exorcizar meus fantasmas, falar do cotidiano das pessoas ou para “botar as mágoas em dia”, como dizia uma velha amiga.

Não me peçam para escrever cartas de amor. Não se escreve um dengo. Sou um aprendiz do amar e não tenho conselhos a dar nessa área, por sinal muito complicada. “Cada qual com seu cada qual”. Nunca fui bom de conselhos, ainda mais em matéria de amor.

Disse ao interessado pela carta que a Internet está cheia de modelos de cartas de amor. É só escolher uma e copiá-la. Tem carta pra começar um namoro, pra reatar e pra terminar.

Há também modelos de cartas de amor para a namorada chorar e o texto recomenda: “Foque em vulnerabilidade, gratidão e memórias únicas”.

Há ainda dicas para tornar a carta inesquecível. A primeira dica: “Escreva à mão: a caligrafia transmite muito mais emoção e esforço”.

Se o interessado quiser jogar mais alto, a Internet oferece trechos de cartas de amor de Baudelaire, Beethoven, Napoleão e Shakespeare.

Antigamente, os camelôs vendiam livrinhos com modelos de cartas de amor. Também havia o famoso bilhete enviado, totalmente escondido, para uma virgem inacessível e recolhida ao castelo no seu enorme roupão branco.

Senti vontade dizer ao cara que me solicitou a carta: “Chegue junto, cara, melhor do que qualquer carta. Mas não faça como aquele amigo do cronista Paulo Mendes Campos que, quando jovem, aproximou-se de uma garota na praça, criou coragem e disse: “Tá de verde hoje, hein?”

Encerro com a brilhante frase do escritor e poeta Francesco Petrarca: “As duas cartas de amor mais difíceis de escrever são a primeira e a última”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

AINDA SOBRE O “TECO-TECO”

   Concordo, em boa parte, com o comentário do meu amigo e companheiro jornalista Paulo Nunes quando explica que vivemos num sistema capitalista onde empresário só visa o lucro e não faz empreendimento algum por caridade.

  Sua análise foi em referência à decisão da Viação Aérea Azul em colocar um aviãozinho de nove passageiros, tipo “Teco-Teco, para fazer a linha Vitória da Conquista – Salvador, com duração de quase duas horas de viagem, em substituição a uma aeronave com capacidade para 72 pessoas.

   Estou de acordo com sua posição, e isso, meu caro Paulo, só comprova que Conquista nunca teve e nunca terá vocação para o turismo, ao contrário de muita gente que teima em propalar o contrário e até deu-se ao trabalho de elaborar projetos que não saem do papel.

  Sua economia tem como bases maiores os setores do comércio e serviços, com expansão da construção civil depois do avanço da educação de ensino superior a partir dos anos 2000, que atraiu muita gente da região e de outros estados.

  Conquista não tem belezas naturais como as cidades da Chapada Diamantina onde Lençóis é o ponto estratégico de distribuição dos turistas, comportando a decolagem de aviões de maior porte vindos de Salvador e de outras capitais do país, como bem destacou meu amigo.

     Certa vez, surgiu aí uma ideia esdrúxula de transformar Vitória da Conquista no Portal da Chapada Diamantina. Nesse gancho, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico até custeou o Plano Municipal de Turismo (70 mil reais junto ao Sebrae), e o poder executivo deixou de lado o Plano de Cultura, que está adormecido em berço esplêndido.

  No entanto, concordo também, em parte, com o empresário José Maria Caires quando destila a sua revolta contra a empresa Azul, ao afirmar que Conquista não merece ser rebaixada a este nível de peque cidade com um aviãozinho.

    Como a Aviação Azul recebe subsídios de ICMS do estado, conforme argumenta Zè Maria, bem que a empresa poderia baixar seus preços de forma a atrair mais passageiros que hoje estão preferindo ir à capital baiana de veículo próprio ou de ônibus. Conquista não merece isso – conclui o empresário.                                              

CONQUISTA GANHOU UM “TECO-TECO”

Ao colocar um avião “Teco-Teco”, fazendo linha Conquista-Salvador, com apenas nove pessoas, a companhia Azul Linhas Aéreas está tirando sarro com a cara dos conquistense, além de nos rebaixar a uma cidadezinha mequetrefe do interior do sertão. Em 1948, há exatos 78 anos, a cidade já operava com uma aeronave maior que esta da “azulzinha”.

É uma vergonha, para não dizer um retrocesso e um atraso, uma cidade de 400 mil habitantes e a terceira maior da Bahia, considerada a Capital do Sudoeste (Sudeste), ter como transporte viário para Salvador um “Teco-Teco”, como assim sempre foi chamado esses aviões de pequeno porte. Imaginou uma manchete de jornal onde o jornaleiro, para vender o periódico, grita nas ruas, “alô, alô, Conquista Ganhou um “Teco-Teco”! 

O empresário José Maria Caires, do movimento reivindicatório pelo desenvolvimento econômico de Vitória da Conquista, como o “Duplica Sudoeste”, e até cogitou em transformar a cidade no Portal da Chapada Diamantina, tem expressado sua revolta quanto ao tratamento dado pela Azul Linhas Aéreas.

Esse rebaixamento me faz pensar sobre alguns veículos de comunicação, agências de propaganda, comerciantes, segmentos da cultura e até personalidades do meio intelectual exporem Conquista como a “Suíça Baiana”, que nada tem a ver com aquele país situado nos alpes europeus. Essa “Suíça” bem que merecia ser respeitada por essa empresa de aviação.

Vamos deixar o deboche lado e falarmos no que mais nos interessa. É hilário, para não dizer ridículo, que depois de muita luta para desativar o velho aeroporto Otacílio Fonseca, que não mais atendia a demanda de Conquista e construir o novo Glauber Rocha, a Azul nos ofereça um “Teco-Teco”, com duração de quase duas horas de voo para a capital baiana!

Num “Teco-Teco” desse, que balança mais não cai, não entro nem pau seu Zé! Só morto, meu camarada! Quando repórter do jornal A Tarde fui num desse “carcará voador” ao interior de Uauá fazer uma matéria e, por pouco, não sofri um ataque cardíaco. Se tinha medo de avião, passei muito tempo para me livrar desse trauma.

Bem, nosso amigo José Maria tem clamado e desabafado que a falta de concorrência de companhias aéreas que operam voos regionais na Bahia, permite a Azul Linhas Aéreas aplicar tarifas estratosféricas, superiores, inclusive, a de voos internacionais.

Destaca que o fato dessa companhia obter o monopólio da aviação regional no estado e ainda com subsídios de ICMS, não lhe dá o direito de tripudiar dos baianos, no caso os conquistenses. Declara que o Governo do Estado, através da Secretaria de Turismo, não respondeu ao clamor da sociedade, pois aceitou a imposição da empresa.

Como empresário, alerta que o isolamento da região sudoeste (sudeste) da Bahia com a capital tem efeitos nefastos para a economia como um todo. Ele cita como efeitos negativos a redução de embarques e desembarques no aeroporto Glauber Rocha que caiu de 450 mil passageiros em 2023, para 400 mil em 2025.

Muitos estão preferindo ir a Salvador de carro próprio ou de ônibus, tendo que enfrentar uma BR-116 altamente perigosa, sem contar a perda de tempo, ao invés de embarcar num “Teco-Teco” de nove pessoas, inaugurado no último dia 2/06 (terça-Feira), em substituição a um equipamento de 72 assentos.

O ESTADO É O INFERNO DE DANTE

  Há milhões de anos era o homem da pedra vivendo em cavernas e depois seus descentes formaram tribos. Alguns decidiram ser colhedores e caçadores nômades, os mais livres. Outros optaram por ferir a terra e nela se fixarem como agricultores e domesticadores dos animais.

  Até aí tudo bem, mas as tribos foram se espalhando e guerreando entre si, tudo pelo poder do domínio territorial de governar mais e mais gente. Dessa evolução, que durou milênios, nasceu o inferno que é hoje o Estado, com uma sociedade e um sistema cheio de parafernálias e burocracias que controlam todos os passos das pessoas.

  A “Divina Comédia”, do italiano Dante Alighieri (século XIV), é uma viagem alegórica, onde Dante, guiado pelo poeta romano Virgílio, desce aos nove círculos concêntricos do inferno, testemunhando os castigos reservados às almas de acordo com seus pecados. O Estado é maquiavélico e tem mais que nove camadas. No inverso, os pecados estão reservados ao Estado contra o povo.   

  Esse inferno, com suas mudanças cíclicas e suas revoluções industrial e tecnológica, foi cada vez mais ficando pior com suas labaredas de fogo, para nos consumir e extrair nossas tripas através das cobranças de impostos, taxas, obrigações, regras, deveres e um monte de papelada para nos identificar. Inchou demais, cobra o máximo e nos dá o mínimo.

  O Estado é como um dragão faminto com seu tridente que nunca se sacia do nosso sangue e só faz limitar a os nossos direitos. Os bons foram sendo nivelados com os maus e aí o inferno se tornou insuportável, ao ponto de os anarquistas terem criado a máxima de que, “se existe Governo, sou contra”.

   Criaram diversos regimes, de acordo com cada mandatário dentro das culturas ocidental e oriental. Dividiram as partes em capitalismo e socialismo. Uns autoritários, tiranos, autocráticos, teocráticos, oligárquicos, ditatoriais e democráticos, o melhor dos piores.

   Na democracia, nos iludimos que somos totalmente livres e podemos fazer o que nos vem na telha, mas não é bem assim. Mesmo nele, somos vigiados dia a dia, e o Estado continua sendo um inferno, com seus cães da peste, diabos, belzebus e satanais.

  Na vida prática, temos que seguir suas normas, não importa se razoáveis, sensatas ou absurdas, ditadas por uma sociedade hipócrita e fariseia que passa o tempo todo censurando o que ela acha o que está certo ou errado.

 O Estado inferno estabeleceu os conceitos de normal e anormal que devemos seguir, sob pena de sermos chamados a sentar no banco dos réus. Qualquer pé em falso, somos tratados como excluídos fora da linha e nos chamam de marginais.

   Com sua excessiva burocracia, criaram uma montanha de documentos, sempre em constantes processos de mudanças, para provarmos quem somos, o que fazemos, para onde vamos e como estamos nos comportando. É o Estado inferno nos controlando o tempo todo.  Com as novas tecnologias, vigia todos nossos passos.

 Todos nós somos considerados maus, falsários e estelionatários, até que se prove o contrário. Esse Estado inferno sempre está constantemente nos pedindo uma nova identidade, novo cadastro pessoal e familiar para termos direito a algum benefício-esmola, um novo título eleitoral, uma nova CNH, um novo passaporte, provas de vida e os escambaus.

 Os “donos” desse Estado entopem de papeladas e formulários estressantes que nos matam lentamente, principalmente os coitados dos idosos, não importando se tem 100 ou mais anos. Nos obrigam a entrar naquelas filas infernais que começam na madrugada e terminam ao anoitecer. Este inferno não se acaba quando se “bate as botas”.

   Para atravessarmos o outro lado do rio, conforme a mitologia grega, e alcançarmos a outra margem dos mortos, as almas penadas pelo Estado inferno têm ainda que pagar uma taxa ao barqueiro Caronte. 

Para garantir a viagem, era costume enterrar os mortos com uma moeda (o óbolo) colocada na boca que servia como pagamento. O sinistro barqueiro foi substituído pelo Estado que nos exige uma montanha de trâmites burocráticos e uma grana, senão ficamos fora do barco e viramos carniça de urubu.    

 

PRÊMIO CONHECIMENTO

  Em sessão especial, nesta quarta-feira (dia 03/6), a partir das nove horas, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista fará a entrega do Prêmio Conhecimento sobre Conquista, que reconhece os trabalhos acadêmicos e científicos voltados para o desenvolvimento do município.

  Durante a programação, em solenidade, serão anunciados e premiados os vencedores entre os trabalhos previamente selecionados pela Comissão Organizadora da Casa.

  Além da premiação, serão apreciados projetos que tratam da Política Municipal de Proteção da Infância e da Adolescência e de Prevenção das Violências contra Crianças e Adolescentes; e da Política Municipal de Valorização da Literatura Conquistense e da Produção Literária Regional. 

  Estará ainda em apreciação a Política Municipal de Enfrentamento da Violência contra Mulheres; bem como da Ampliação da Participação Feminina nos Espaços Sociais, Comunitários e Institucionais.   

  Serão também debatidas propostas voltadas à segurança alimentar de estudantes da rede pública municipal durante os períodos de recesso e férias escolares, bem como a valorização funcional, bem-estar e apoio alimentar dos profissionais da educação.

  Vale lembrar que na noite desta terça-feira (dia 02/06) foi realizada, na Câmara de Vereadores, uma audiência pública sobre teatro amador e profissional onde os artistas da área se fizeram presentes,

   Na ocasião, apontaram diversos questionamentos e críticas visando o maior apoio do poder público a este segmento, como a falta de espaços culturais para realização de seus ensaios e apresentação de seus espetáculos.  

 

ESSA TECNOLOGIA…!

  Pelo assunto em pauta, sei que já tem muita gente enumerando uma extensa lista de benefícios da tecnologia nos tempos modernos para a humanidade, mas meu propósito aqui é o de mostrar o outro lado dos malefícios. Afinal de contas, o jornalista é sempre um crítico.

   O primeiro deles, na minha concepção, é a desumanização, seguida do aumento da burrice, da falta do convívio interpessoal e o fim das tradições populares. Existem mais outros estragos em nossas vidas.

   Não sou mais desse mundo e me sinto deletado. Ainda não consigo me introduzir dentro de um celular. Sou mais da prosa, da conversa fora e do papo presencial, na base do olho no olho. Até a ligação telefônica ficou em desuso.  

   Quando me refiro à tecnologia, coloco na ponta o advento da internet, do celular, das redes sociais e agora da IA, e aí me lembro do filósofo italiano Umberto Eco que lá atrás dizia que o mundo ia ficar mais imbecil.

  Há muitos anos ele afirmava que a internet e as plataformas digitais deram voz a “uma legião de imbecis” que antes falavam apenas em bares, sem causar danos à coletividade, mas agora ganharam o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel.  

  Para Eco, a facilidade de publicar conteúdos na web eliminou o filtro de especialistas e a credibilidade dos jornais, nivelando o debate por baixo. O grande problema não é a falta de informações, mas o excesso onde o usuário se torna incapaz de distinguir a verdade da mentira.

 Profetizou e ficou constatado que a rede como um sistema prejudica o aprendizado real, pois as pessoas passam a usar a internet como um “disco rígido externo” para armazenar fatos, ao invés de desenvolver o pensamento crítico e o conhecimento próprio. 

  Nos países mais desenvolvidos da Europa, pesquisas constataram uma queda no QI humano depois do uso intensivo dessa tecnologia porque os jovens e as pessoas em geral ficaram mais dependentes dessa ferramenta.

   Com o decorrer dos anos, o ser humano passou a pensar menos, reduzindo assim o seu raciocínio lógico e, consequentemente, o esforço e o prazer de fazer as coisas por conta própria. Se você já recebe tudo pronto, o natural é sua mente ficar mais preguiçosa, não exigindo muito dos neurônios.

  – Atualmente, meu camarada, faço tudo através da IA porque me dá as “soluções” mais rápidas e não perco muito tempo para elaborar um trabalho, como por exemplo, um texto. A IA é uma maravilha. É o que mais se ouve por aí.

  Qual o mais prazeroso, fazer uma poesia, no caso sobre amor, com a inspiração, papel e caneta na mão, ou pedir à IA e depois realizar alguns ajustes?

Pode me chamar de velho caduco ultrapassado, mas fico com o analógico, com o conceito tradicional e convencional. Prefiro “quebrar a cabeça”, como se dizia no modo antigo.

  Ninguém (somente os mais velhos) quer mais criar uma receita própria de comida saborosa, porque é só clicar na internet. Hoje são raros os livros de receitas das vovós que eram guardados nos baús e tinham um valor inestimável! Nossas tradições vão sendo aniquiladas.

   Quando me refiro à tecnologia, não estou apenas especificando a internet, mas ao mundo tecnológico no global das máquinas em geral, inclusive com relação às guerras que deixaram de ser terrestres para serem por ar, através dos mísseis, foguetes e drones voadores, substituindo os fuzis e as metralhadoras. Morrem menos soldados e mais civis.

  Criaram os trambolhos dos robores que fazem tudo em sua casa. Os aspiradores são automáticos e a pessoa não precisa mais exercitar o físico e a cabeça. Logo você não vai mais precisar de cozinheira e cozinheiro. Os fogões vão desaparecer.

   No campo, milhões foram desempregados da agricultura e empurrados para as periferias das cidades. As semeadoras e colheitadeiras fazem tudo. Costumo dizer que os gênios inventaram a tecnologia para os burros usarem.  

CÂMARA LANÇA CONSULTA POPULAR

     Além dos debates de propostas e projetos na sessão ordinária, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista lançou, nesta sexta-feira (dia29/05/2026), uma nova consulta pública com objetivo de aproximar a população do poder legislativo e fortalecer a participação popular nas decisões que impactam o município.

  Por meio de um formulário simples, qualquer cidadão poderá apontar quais melhorias deseja ver em sua rua, bairro ou em toda cidade nos próximos anos. A iniciativa busca ouvir as necessidades da população visando a construção do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).

  Entre os pontos que poderão ser sugeridos estão a operação tapa buracos, drenagem pluvial, criação de novos pontos e linhas de ônibus, além de demandas relacionadas com a saúde, a educação, mobilidade urbana, esporte, lazer, dentre outros.

  Vale lembrar que o PLDO foi lido na sessão da Câmara da última terça-feira, 27 de maio, dando início à tramitação da matéria. A partir da leitura na plenária, abriu-se o prazo de 30 dias para a realização de audiências públicas e da consulta popular.

  Depois desse período, o projeto seguirá para análise das comissões da Casa, incluindo a Comissão de Legislação Participativa, que também acompanhará o processo. De acordo com o presidente do legislativo, Ivan Cordeiro, a proposta é mostrar que a participação popular pode ajudar a mudar os rumos da cidade.

  Na sessão ordinária desta sexta, ainda foram apresentados vários projetos, como o que institui o Programa Municipal de Pontos de Parada Seguros para o transporte por aplicativo, bem como requerimentos para sessões itinerantes.          





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