:: ‘Notícias’
SELO “EMPRESA AMIGA DA JUVENTUDE”
Na sessão ordinária de ontem (sexta-feira, dia 27/02), a Câmara Municipal de Vereadores discutiu diversos projetos de importância para a comunidade, como o Selo “Empresa Amiga da Juventude”, voltado ao reconhecimento de empresas que contribuem para a inserção de jovens no mercado de trabalho.
Outros projetos entraram na pauta da sessão, como o que dispõe sobre a implantação do Parque Multissensorial, adaptado para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA); matéria que institui o Dia Municipal de Conscientização sobre as Experiências Adversas na Infância (ACEs), a ser comemorado em 20 de setembro; e proposta que cria o Dia Municipal da Ação Climática no âmbito do município.
A sessão contou com a presença do deputado estadual Jean Fabrício, conforme citado pelos vereadores que ocuparam a tribuna da Casa, como Ricardo Gordo, ao lembrar que neste 28 de fevereiro é o último dia de credenciamento do Hospital Unimec pelo SUS. Informou que a prefeita Sheila Lemos vai colocar dois médicos a partir desta segunda-feira para atender nos postos da Patagônia e no Cai II, do Bairro São Vicente.
Quanto aos serviços de pavimentação dos bairros Jardim Valéria, Copacabana, Santa Teresinha e Sudoeste, adiantou que a prefeita Sheila prometeu concluir as obras com os recursos do empréstimo de 400 milhões. Das 57 ruas, somente 22 foram asfaltadas.
O parlamentar Jacaré destacou a ação do governo federal em Conquista através da construção de 1800 casas do programa Minha Casa, Minha Vida, um sonho de moradia da população, tendo em vista que existe um déficit habitacional de mais de 10 mil famílias.
A vereadora Lara se solidarizou com os habitantes das cidades mineiras de Ubá e Juiz de Fora que estão sofrendo com as tragédias das intensa chuvas e criticou o governo federal que liberou, até o momento, apenas três milhões de reais, enquanto, segundo ela, vem aumentando os impostos.
Luciano Gomes citou a presença do deputado Fabrício na plenária e disse que logo mais será assinado uma ordem de serviço entre a prefeita e o deputado federal João Bacelar, para construção da primeira creche padrão destinada à zona rural. Destacou que Bacelar tem sido o deputado que mais aprovou emendas para Vitória da Conquista.
LEGISLATIVO VAI REALIZAR DUAS SESSÕES ESPECIAIS EM MARÇO
Está previsto para março a realização de duas sessões especiais pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista. Uma delas será sobre a Campanha da Fraternidade instituída pela Igreja Católica, cujo tema será Moradia. A outra será sobre a entrega da Medalha Mérito Glauber Rocha, em comemoração ao Dia Municipal da Cultura, em 14 de março.
Na sessão ordinária desta quarta-feira (dia 25/02), os vereadores discutiram diversos projetos de interesse da comunidade, além de indicações ao poder executivo. A questão da macro e micro drenagem em Conquista foi outro assunto em debate, levando em conta os últimos estragos provocados pelas chuvas na cidade.
Este problema é bastante grave, tendo em vista que Conquista necessita urgentemente de serviços de drenagem para escoamento das águas com temporais que vêm se intensificando com as mudanças climáticas, ou aquecimento global. Como os custos são altos, a construção dessas obras requer parcerias entre os governos municipal, estadual e federal.
Diversos parlamentares usaram da tribuna, como Andreson, que saudou o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, que esteve em Brumado levando moção de aplausos pela retomada do carnaval popular, o que demonstra o fortalecimento do trabalho do governador Jerônimo no que tange interiorizar suas ações.
Lembrou que em 4 de junho de 2026 completará quatro anos que foi dada ordem de serviços para pavimentação de 57 ruas do Jardim Valéria, Coveima II e Jardim Sudoeste, “e não podemos permitir tamanho descaso com aquela população pois os serviços não foram concluídos”. Vamos fazer um protesto nesta data para reivindicar as obras prometidas pelo poder público”.
A vereadora Cris Rocha citou três pautas urgentes que não podem ser ignorados pela Casa, como a questão oncológica no sentido de garantir acesso rápido ao atendimento e criticou o Governo do Estado. O segundo ponto diz respeito à regulação dos exames laboratoriais que estão sendo negados aos pacientes. Outro problema na área da saúde, de acordo com Cris, diz respeito às cirurgias ortopédicas que estão sendo destinadas a Salvador. “As pessoas não podem ficar desassistidas”. Na ocasião, a vereadora fez uma indicação para implantação de uma unidade do SAC na zona oeste.
O parlamentar Luis Carlos Dudé ressaltou que Conquista vive um novo momento, destacando que em 1982 quando o helicóptero caiu numa serra em Caatiba com o candidato Clériston Andrade, ACM buscou João Durval Carneiro, de Feira de Santana, para ser candidato a governador e indicou Edvaldo Flores, de Conquista, para ser seu vice, isso há 44 anos, demonstrando a força do interior.
Em 1986, segundo Dudé, a chapa foi Waldir Pires e Nilo Coelho para seu vice. “De lá para cá ficamos afastados da mesa das decisões políticas. Agora, Conquista volta à cena política com o nome da prefeita Sheila Lemos para ser a vice na chapa de ACM Neto. Sonhamos que ela seja candidata a vice-governadora”.
VAMOS FALAR DE AMENIDADES?
Basta de papo filosófico, de política, religião, história, injustiça social e outros escambaus que só estragam nossos neurônios, nos deixa mais acabrunhados e depois tudo continua como dantes na casa de Abrantes. Como não se vai mesmo resolver os problemas do Brasil e do mundo, vamos de amenidades, coisas miúdas!
Além do mais, quase ninguém te escuta mesmo e nem é compreendido por essa massa ignara, sem contar que te chamam de chato e prosa ruim. O bom mesmo é fofocar sobre a vida alheia, contar estórias, casos e causos e soltar aquelas gargalhadas. Não vele muito a pena ser sério neste país!
– Assim você está entregando os pontos, meu camarada! Sempre vejo você escarafunchando assuntos e marretando contra as coisas erradas, as incoerências, os paradoxos do Brasil e metendo o pau nos políticos e na política, sem dor e compaixão. Você bate em todo mundo.
– Pois é, mas é que hoje estou entediado com tudo isso, e pensar demais, cansa. Nem me venha com aquelas perguntas capciosas, como se estivesse querendo testar minha ideologia e o meu pouco de saber que adquiri a duras custas. Até acho que está querendo pescar alguma coisa! Não vou desperdiçar minha saliva de graça!
Sabe de uma coisa, estou pensando seriamente em me tornar numa pessoa fútil, só falar de futebol e ser um alienado alienígena! Oh, não dizem por aí que o ignorante é o mais feliz da vida porque não tem consciência das coisas! Então, melhor viver assim, numa boa, sem se estressar e passar raiva.
– Você só está falando isso da boca para fora. Conheço muito bem sua inquietude e indignação! Logo vai estar aí inquerindo, soltando fogo pelas ventas, condenando os malfeitos e os detentores do poder que mandam em nossas vidas.
– Olha, diga o que bem quiser, mas já estou de saco cheio desses caras! Lutei muito na vida, dei muito sangue trabalhando como burro de carga, discutindo, brigando e tomando porradas. Com essa idade já avançada e com o lombo encruado de tantas chibatadas, o negócio agora é falar besteiras e asneiras. Só não vou vender minha dignidade e ética porque estas adquiri com muita luta, suor e lágrimas.
Portanto, vamos aproveitar o resto do tempo, meu véio, e ficar só na sombra e água fresca, ou dar uma de seu Jeca Tatu enquanto o mundo pega fogo. Essa turma nova que está aí, ou como se fala no popular, essa nova geração, que se vire. Eles vão ver com quantos paus se faz uma canoa.
Sabe daquele cara que você já conhece muito bem, deve ter uns 30 anos, anda por aí desfilando de Hulux, ou é uma Ranger, sei lá, zero quilômetro, e não tem onde cair morto. Dizem que virou gigolô de uma coroa rica fazendeira de mais 70 anos. Pega umas gatinhas e a velha nem está aí para os casos dele. Isso é que é viver!
– Vamos tomar umas e fumar um baseado porque tenho uns casos bons para lhe contar, como daquela nossa amiga boazuda moralista que era evangélica fanática e agora se tornou mulher de programa, e cobra caro! Nem vá pensando porque não está para seu bico.
Porra, não estou pensando nada. Está dentro da minha cabeça? Só estava aqui viajando no meu imaginário de que toda vez que você vai à rua, cruza com um corrupto ou vários, e nem sabe. Passa pelo bandido e ainda lhe dar um bom dia de sorriso largo.
Dia desse estava na praça e passou um sujeito com uma sacola e senti que a danada estava recheada. Aí pensei comigo que o sacana deveria estar transportando milhões superfaturados da merenda escolar ou de medicamentos de hospitais.
– Está vendo! Com esse papo atravessado de imaginação, você já está falando de política e da corrupção epidêmica que está corroendo o Brasil. Não disse que só iria conversar sobre amenidades?
ÊTA MUNDO SUPERFICIAL!
Levanto cedo e fico pensando que a gente era feliz e não sabia. Sem pressa, tomava o café no bule, pilado no pilão da roça, com cuscuz, abóbora com leite, batata doce e outros alimentos sadios do campo. Era tudo preparado de forma artesanal, com muito amor e carinho.
Nesse mundo da tecnologia e dos eletrônicos, têm-se as facilidades das máquinas e dos aparelhos com maior rapidez, mas sem aquela sensação do prazer caseiro. Detesto comida esquentada nesses fornos e chapas elétricos. É tudo industrializado e feito de maneira superficial.
As famílias de hoje não sentam mais juntas na mesa para conversar. Cada um vai chegando com o celular na mão e toma uns goles de café e, em pé, joga uns enlatados na boca, dizendo que já está atrasado. Na correria, nem dá um tchau. Não existe mais aquele calor humano nessas novas gerações.
Tem momentos que preferia ser um mocó e viver dentro da minha loca. Sair só para caçar, com todo cuidado e desconfiança, porque o terreno está minado e infestado de predadores por todos os cantos.
Não era propriamente disso que queria falar, mas uma coisa está entrelaçada a outra. Meu alvo, na verdade, é a superficialidade da vida nessa era tecnológica do invento da internet, das redes sociais e agora com a tal inteligência artificial, ou, como queira, superficial mesmo. Sou mesmo um peixe fora dessa água lamacenta.
A gente abre as redes sociais e só ler, assisti e ouve besteiróis, palhaçadas, dancinhas, gente fazendo coisas horríveis e arriscadas para se aparecer, depoimentos idiotas e outros de ódio e intolerância. Evangélicos moralistas falam barbaridades em nome de Deus, da pátria e da família. Mulheres seminuas oferecem sexo em troca de uns pix.
Por falar nisso, tem rede social que está mais parecendo um brega ou cabaré sofisticado. A prostituição mudou de presencial para virtual, com o nome charmoso de mulheres de programa. As que frequentavam os antigos bregas (ainda existem) eram chamadas de putas. Coisas da nossa sociedade hipócrita.
A corrida frenética é pelas visualizações de seguidores. Criaram o papel do influenciador, que não sei de que. Muitos aproveitam do termo para fazer suas picaretagens, enganar os otários e ganhar muito dinheiro, sem falar nos golpistas que estão sempre de plantão.
Sejam bem-vindos ao mundo superficial das futilidades, mas as pessoas fazem questão de chamar a tudo isso de conteúdo. Se o maluco, ou maluca, faz um vídeo enchendo a boca de insetos, espuma de sabão ou merda, diz que se está produzindo conteúdo.
O importante é chamar a atenção como prova de mostrar sua existência. “Olhem, eu estou aqui e existo”! Em geral, as pessoas no mundo de hoje têm uma necessidade vital de se aparecer na imagem, não importa se nu ou cheio de melecas. Seria o vazio existencial?
Se vivo fosse, como Freud analisaria os comportamentos modernos, as indiferenças e as atitudes individualistas? Acho que ele teria que queimar muito de seus neurônios para interpretar esse nosso mundo superficial. O que Nietsche e outros filósofos pensadores diriam?
Agora está aí a inteligência artificial e já disseram que ela vai superar a humana. Oh, como assim? Quem sou eu para afirmar que ela também é superficial! Os doutores da técnica garantem que ela é revolucionária e é muito benéfica para a humanidade. Outros que a bicha é pavorosa. Será que não estamos criando monstros para nos devorar?
Dia desses um amigo me pediu um texto sobre fotos antigas de Vitória da Conquista. Para me auxiliar na tarefa, ele me enviou uma “redação” tirada da IA. Li todo e confesso que perdi meu tempo porque achei uma porcaria, sem nexo e sequência lógica, um fraseado solto com algumas pitadas de emoção artificial e superficial.
O mundo está bem mais desumanizado e alienado. Os exemplos estão aí para nos comprovar. Aliás, já estamos sendo engolidos e nem notamos porque não damos mais conta de pararmos para refletir. Pensar e criticar ficaram para trás. Nos encantamos pela pílula dourada da tecnologia que tem o poder de nos hipnotizar.
A impressão é que estamos sofrendo de uma espécie de oligofrenia coletiva, de fraqueza mental e debilidade à idiotia. As classes mais oprimidas, como os negros, as mulheres, LGBTs e os mais pobres apoiam os brutos racistas, homofóbicos, misóginos e nazifascistas que em nome do seu Deus xingam e repudiam justamente estes que lutam pelos seus direitos e por justiça social.
SALVEM O JAMELÃO!
Só porque minhas folhas e meus frutos caem na calçada da pracinha da Tapera, distrito charmoso e pacato de Encruzilhada, estão querendo tirar a minha vida, me deixar só no toco, logo eu que produzo oxigênio para purificar o ar que respira essa gente!
Isso é uma grande maldade que querem fazer comigo, sem contar que é um crime ambiental! Vivo aqui nessa pracinha há muitos anos, sem mal nenhum a fazer para ninguém. Por que decapitar o frondoso Jamelão? Isso é insano.
Dou sombra ao fatigante do sol e ainda acolho com prazer a todos aqueles que gostam de prosear debaixo da minha árvore. Ouço casos, causos e histórias do “arco da velha”. Guardo segredos. Acredito que todos aqui gostam de mim e me apreciam. Peço veemência e me deixem viver porque também sou vida.
É um apelo do Jamelão, e toda comunidade deve se juntar e se unir em defesa dessa boa causa porque correm boatos de que a Prefeitura Municipal pretende cortar essa árvore bondosa, com o argumento simplista de que “suja” a praça, ao invés de estar sempre fazendo a devida limpeza. Para isso, paga o contribuinte, e o poder executivo deve sim ser guardião da natureza e não o vilão. Senhor prefeito, salve nosso Jamelão.
O morador “Tonio”, do mercadinho, está indignado com esse possível atentado e apela a todos que salvem o nosso Jamelão, fazendo uma corrente de proteção, inclusive com um abaixo-assinado para evitar que ocorra mais uma destruição à natureza pelo homem predador.
Como se não bastassem os desmatamentos das florestas Amazônica, da Mata Atlântica, do Pantanal e do Cerrado, agora querem tirar um Jamelão da pracinha da Tapera que tanto encanta os moradores, principalmente os mais antigos.
Não passam de criminosos insensíveis ao aquecimento global, às mudanças climáticas, que estão causando tragédias e catástrofes na humanidade. Em público, para ficarem bem na imagem, “defendem” o meio ambiente, mas às escondidas se atrevem a cortar uma árvore, sem motivos que convençam.
Como o ser humano, mesmo se uma planta está doente ou com pragas, existe o recurso de tratamento medicinal com remédios. A solução não é tirar sua vida. Portanto, vamos salvar o Jamelão da Tapera que já é um patrimônio do distrito.
Sou jornalista, escritor, poeta e compositor. Sempre frequento a Tapera como cunhado e amigo de “Tonio”, casado com Vandilza Gonçalves. Conheço o imponente Jamelão, lá na pracinha, dando boas-vindas a quem chega, inclusive a mim visitante. Portanto, vamos todos juntos salvar nosso amigo Jamelão, e que tenha vida longa.
PROJETO DE LEI QUE DISCIPLINA SOBRE TERRENOS ABANDONADOS
A construção de moradias populares em Vitória da Conquista, o problema da Zona Azul, a macro e a micro drenagem na cidade para conter os estragos das chuvas e o projeto de lei sobre os terrenos abandonados foram as discussões predominantes pelos vereadores na sessão ordinária da última sexta-feira – dia 20/02/2025.
Antes das falas, por uma questão de ordem, o vereador Dudé fez um alerta para evitar que a vassoura de bruxa que está atacando as lavouras de mandioca no Pará e em Macapá não cheguei a Conquista e sugeriu que a Casa entre em contato com os órgãos técnicos para tomar as devidas providências. O subtenente Muniz pediu uma audiência pública para tratar do problema. Hermínio Oliveira lembrou que essa praga já ocorreu no sul da Bahia.
Sobre as pautas do dia, o presidente do legislativo, Ivan Cordeiro, falou da política habitacional, ao anunciar que a Câmara já fez a indicação de alocar 30 milhões de reais dos 400 milhões do empréstimo para a construção de casas populares.
Alexandre Xandó citou que em Conquista existe um déficit habitacional em torno de 10 mil habitações e reforçou ser necessário também que se implante um programa de reforma de casas, principalmente direcionado às pessoas que não têm condições de bancar esses serviços.
Da tribuna, mais uma vez, Dudé focou seu discurso na questão da macro e da micro drenagem em Conquista, propondo que a Câmara e a Prefeitura Municipal se entendam com os governos estadual e federal, juntamente com os deputados Waldenor, Jean Fabrício e Zé Raimundo, porque o problema é grave quando batem as fortes chuvas. “A responsabilidade é dos três governos”. Na ocasião, tratou também da construção de viadutos no Anel Viário.
A vereadora Gabriela Garrido anunciou a elaboração de um projeto de lei para disciplinar o problema dos terrenos abandonados pelos seus proprietários na cidade onde viraram depósitos de lixo e entulhos. Assinalou que as multas para quem não cuida dessas áreas são irrisórias e precisam ser mais pesadas. Segundo ela, esses terrenos se tornaram verdadeiros atentados à saúde pública.
O subtenente Muniz questionou as multas da zona azul, mas, mesmo diante de tantos problemas em Conquista, achou de ocupar sua maior parte do tempo em criticar a Escola de Samba de Niterói que prestou uma homenagem ao presidente Lula, contando sua trajetória de vida. Considerou ser um atentado e um desrespeito às famílias brasileiras.
Paulinho Oliveira destacou a questão da Zona Azul e fez um apelo ao poder executivo para que devolva aos usuários o dinheiro cobrado das taxas do TPU. Ele quer também que a Zona Azul se responsabilize pela segurança dos veículos estacionados em caso de danos ou roubo, ressarcindo os donos. Quem também tratou dos problemas da Zona Azul foram os vereadores Cris Rocha e Adinilson Pereira.
.
ZÉ KÉTI BOTOU O ARLEQUIM PRA CHORAR
(Chico Ribeiro Neto)
Gosto muito dessa crônica, postada em dezembro de 2023, e por isso a reproduzo hoje:
Na década de 60, em Salvador, os brigões e arruaceiros do Carnaval eram levados para a Secretaria de Segurança Pública, na Praça da Piedade, onde ficavam trancafiados até Quarta-Feira de Cinzas. Nesse dia, umas 11 horas, a Polícia soltava todo mundo de uma vez. Constrangidos, os brigões tinham que passar por uma multidão de curiosos na entrada da SSP que iam ver a soltura geral. Era o bloco do “O que é que eu vou dizer em casa?”. Alguns dos presos assim que respiravam a liberdade já paravam no primeiro bar da Piedade para tentar retomar o tempo perdido do Carnaval.
Fazer xixi no Carnaval, na década de 60, era uma luta. Não havia sanitário público. Os homens faziam em qualquer lugar, mas para as mulheres era mais difícil. Os barraqueiros da Praça Castro Alves, ponto de maior concentração, faziam um cercadinho com as caixas de cerveja e as mulheres faziam ali, no chão mesmo, junto às garrafas de cerveja cheias. Uma vez uma amiga foi num desses quadradinhos e enquanto se aliviava viu um bando de olhinhos entre os engradados de cerveja. Quando ela saiu cinco meninos fugiram correndo.
Foi na Castro Alves que uma amiga estava dançando com um cara, os dois bem animados, quando ele a convidou para ir até a Ladeira da Barroquinha: “Vamos ali que tenho um negócio pra lhe mostrar” “Vixe, esse cara tá querendo ousadia”, pensou ela, que só queria dançar. E o cara volta e meia insistia: “Vamos ali que tenho uma coisa boa pra nós dois”. Ela acabou indo. Ele a chamou para um canto, levantou a mortalha e tirou algo da cintura: um saco plástico com duas coxas de frango assado e farofa: “Olha aqui o que tenho pra nós”. “Coma à vontade, eu comi um acarajé nesse instante”, disse ela.
Todo Carnaval tem uma hora que dá um paradeiro geral, principalmente à tarde. Foi assim uma vez na Avenida Sete de Setembro: não passava nada, nem trio, bloco, nem afoxé, e o povo já agoniado. E eu também. Aí encontrei meu irmão Zé Carlos, tomamos uma num isopor e começamos a cantar marchinhas de Carnaval, cadenciados pelo bater das latinhas. O numero cresceu para oito, depois 30 pessoas, e o pequeno bloco desceu a Ladeira de São Bento cantando “Ô jardineira, por que estás tão triste?”. O bloco das latinhas foi se encorpando e quando chegamos na Praça Castro Alves fizemos uma roda imensa, aí as pessoas já dançavam pelo meio, e aconteceu a brilhante orquestra de lata. Aí chegou um trio.
“Tanto riso
Ó, quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão (…)”
(“Máscara Negra”, de Zé Kéti).
A viúva de Deusdedith Pereira Matos (morto em 1966), dona Benedita Matos, reivindicava para o marido a autoria da letra da música “Máscara Negra”, lançada por Zé Kéti em 1967 e grande sucesso nos carnavais até hoje.
Pois bem, Zé Kéti, além de enfrentar toda a polêmica sobre a autoria da letra, ainda se deparou com uns críticos que viam defeitos na letra. Diziam que Arlequim e Pierrô são personagens da commedia dell’arte italiana e que quem chora é o Pierrô, com uma paixão não correspondida pela Colombina. O Arlequim, segundo eles, não é de chorar, mas de provocar choro nos outros. E aí veio a resposta irada de Zé Kéti: “A música é minha, eu faço o Arlequim chorar e ficar apaixonado quando bem entender, desde que chore na minha música”. (Fonte: telestoques.wordpress.com, site oficial de José Teles).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
E ASSIM VAMOS LEVANDO A VIDA…
De acordo com pesquisas científicas, a humanidade está ficando mais burra, isto é, com menos QI nos neurônios, tanto que acabam de criar a inteligência artificial, ou superficial. Perceberam que a tecnologia está nos deixando mais imbecis e inúteis!
Dessa “inteligência” não entendo bulhufas em termos de manuseio tecnológico, mas avalio que veio para atanazar a vida dos outros, inventar mentiras, caluniar, difamar e nos impressionar com seus ilusionismos onde um gato ataca um leão e crianças têm suas imagens de nudez na internet pelos pedófilos. Claro que existem bons proveitos, mas a balança pende mais para que lado?
Estamos vivendo no mundo encantado do surreal e poucos sabem discernir o certo do errado porque se afastaram do conhecimento e do saber cognitivo. As religiões primeiras que mataram e praticaram sacrifícios humanos em nome de um deus carrasco (fizeram até guerras “santas”), se proliferaram, deixando as pessoas mais doentes, reprimidas e recalcadas, com medo de serem punidas e castigadas no fogo do inferno.
No Brasil, o carnaval de quase duas semanas, “o maior espetáculo da terra”, está agora entrando em sua terrível ressaca para os foliões pipoqueiros que torraram suas economias como súditos dos reis e rainhas. Você quase não vê o outro lado porque a mídia, em conluio com o capital, joga toda sujeira debaixo do tapete.
Sem falar na violência policial, brigas, furtos e roubos, logo mais começam a aparecer os estragos financeiros e as doenças de todo tipo de vírus, mas tudo faz parte da festa. Como se diz, não dá para se fazer uma omelete sem quebrar os ovos.
E assim vamos levando a vida e ela nos levando, como canta o pagodeiro, se bem que não concordo muito com isso porque expressa um sentido de falta de domínio sobre as coisas. Se somos donos dela (a vida), não podemos deixar que ela nos leve para qualquer lugar, ou que devemos aceitar e engolir tudo, sem contestar entre o que é bom e ruim, o normal do anormal.
Depois de quase tudo parado e fechado, aos poucos vamos retomando a vida de correria da labuta pela sobrevivência da vida. O rico faz o cálculo dos seus lucros dos festejos e comemora com estilo. Seu plano é como ganhar mais no próximo evento.
O pobre corre atrás para pagar as contas como freguês do sistema selvagem capitalista. Um enredo de escola de samba nos engana ao dizer que o pobre não se curva ao poder, e assim vamos levando a vida. Oh, quanta ilusão!
Nos dias de hoje aceitamos e repetimos afirmações que não condizem com a realidade. Nem paramos um pouco para pensar e refletir que o “buraco é mais embaixo”. Preferimos seguir em frente porque é mais cômodo. Para que esquentar a cabeça?
O Congresso Nacional bandido, as assembleias estaduais e as câmaras de vereadores, que por ano custam mais de 130 bilhões de reais aos nossos cofres públicos, com suas mordomias, penduricalhos e assessores aos montes, abrem suas sessões de costas para o povo. Os gastos superam a receita. A contas nunca fecham, e assim vamos levando a vida aos “troncos e barrancos”.
As religiões, criadas pelos próprios homens, com suas fórmulas imutáveis, nos ensinam que devemos ser resignados, cordatos e cumprir os mandamentos, para alcançarmos a salvação eterna.
Uns riem e outros choram, cada qual com seus problemas, suas angústias e alegrias na busca pela felicidade, que é passageira, e assim vamos levando a vida, de estação em estação, nos embarques e desembarques.
O PAVOR DE SE FALAR O QUE PENSA
Nos tempos atuais, mais do que nunca, de um modo geral as pessoas estão receosas de falar o que pensam. Temem ser excluídas, canceladas e execradas pela sociedade. Ultimamente tenho visto e acompanhado muitos comentários presenciais e virtuais sobre esta questão.
Com a expansão da Inteligência Artificial, isto tem ficado mais pavoroso. A impressão é que estamos sendo vigiados vinte e quatro horas por dia, como se estivéssemos numa ditadura do pensamento. Temos que seguir normas e regras padronizadas por conceitos sociais, como se fossem verdades.
Não se pode discordar de determinadas posições feministas; ideias preconcebidas de movimentos negros, muitas das quais historicamente distorcidas por falta de conhecimento; sobre políticas públicas; e outros assuntos de ordem religiosa ou cultural que logo a pessoa é interpretada como machista, racista ou retrógrada.
Não estou aqui, de forma alguma, me referindo a discursos de ódio e intolerância contra gêneros, raça, religião (não sigo nenhuma) ou de aspecto comportamental de cada indivíduo porque estes são abomináveis e nem merecem crédito.
Parece existir uma ordem de proibição onde não se pode ultrapassar aquela linha e usar a sua massa crítica para apontar conceitos entre os quais você não concorda. Se você é de esquerda ou progressista tem que estar totalmente alinhado a tudo quanto o governo de esquerda vem praticando na política, e assim por diante.
Quando se emite uma opinião contrária, a pessoa já é vista de forma atravessada e até excluída do grupo uniforme de pensar. Essa é uma cultura do represamento que cheira a censura. A própria religião nos prende nessa redoma.
Este é apenas um exemplo que cito sobre o pavor de se falar o que se pensa, mas são inúmeros os patrulhamentos ideológicos que têm suas origens no sistema a que fomos moldados desde a nossa formação. Na maioria das vezes, temos medo de expressar o nosso ponto de vista e ficamos calados, consentindo e aprovando coisas erradas.
As pessoas mais idosas, como eu, se libertaram dessa opressão porque já se acostumaram tanto com as críticas que uma porrada a mais não faz diferença. Além do mais, ficaram imunizadas pela vacina da liberdade de falar o que pensa. Acho até que deveria ter uma lei onde ao idoso é facultado falar o que bem quiser porque ele já recebeu em vida todas as cargas de críticas.
Nesta semana estava falando com uma amiga sobre o problema do assédio sexual (mais um exemplo) do homem contra a mulher, mas acha-se engraçado quando ocorre o inverso. Sem nenhum consentimento, ela me contava que uma mulher num bar se levantou repentinamente e tascou um beijo no cara.
Isso não configura crime de assédio sexual? Quer dizer que a mulher pode, mas o homem, não. Se o cara for à delegacia dar uma queixa, o delegado vai debochar dele. Numa novela, uma atriz chamou o ator de frouxo porque ela a beijou e ele a rejeitou.
Existem muitos outros temas controversos, contraditórios e paradoxais onde as pessoas evitam colocar suas críticas e discordar. Uns preferem ficar calados e outros terminam concordando para não serem constrangidos. Nem tudo que se pensa deve ser dito, mas deveria, só que a sociedade é opressora.
Não vale, no entanto, inventar mentiras e falar asneiras e besteiras para confundir a opinião pública, como um vídeo (não sei quem produziu) sobre Vitória da Conquista onde o “influenciador” (virou sinônimo de picaretagem) diz que aqui é a cidade mais fria do Nordeste, daí ser conhecida como “Suíça Baiana”. Aí é demais, meu camarada! Não consigo engolir esse termo influenciador. De quê e de quem?
O CARNAVAL QUE PASSOU
Na suadeira do carnaval entro com minha fantasia de excluído de pano encardido, no peito escrito “Fora a Corrupção” e nas costas os dizeres “Por Justiça e Igualdade Social”. Na mão carrego um cartaz que fala do carnaval que passou.
Sou um velho solitário no meio da multidão. A grande maioria nem viu a minha passagem. Muitos acharam meu traje engraçado e só poucos entenderam minha mensagem. Fui até alvo de algumas fotos feitas por uns gringos que acham tudo exótico e pulam com aquele jeito desengonçado, com o sotaque de que o Brasil e a Bahia são maravilhosos. Aliás, tudo é maravilhoso!
No Pelourinho, no Terreiro de Jesus e na Praça da Sé ainda vejo algumas bandas tradicionais de samba e pagode. O Olodum faz aquele barulho ensurdecedor com seus tambores. No palco, algumas músicas que lembram o carnaval que passou. A partir da Rua Chile, o cenário vai mudando e a Praça do Poeta Castro Alves não é mais do povo como o céu é do condor.
Não mais Dodô e Osmar na fóbica com Armandinho, Morais Moreira, Luiz Caldas, Caetano, Gil, o autêntico Trio Tapajós, os blocos sem corda (Os Internacionais, Jacu) e os amigos no Clube de Engenharia tocando violão, confabulando ideias e enchendo a cara e a cuca com lança perfume.
Procurei em vão a Colombina e o Pierrô. Não mais aquelas marchinhas de carnaval, “Ô Abre Alas, que Eu Quero Passar”… (a mais antiga de Chiquinha Gonzaga); “Mamãe eu Quero, Mamãe eu Quero, Mamãe eu Quero Mamar…”; “Aurora, Oôôô, Aurora”; “Você Pensa que Cachaça é Água”…; “Chegou a Turma do Funil”…; “Me dá um Dinheiro Aí, Ei, você aí, me dá um dinheiro aí…”
Cadê as famílias com seus idosos, mulheres e crianças sentadas em suas cadeiras nas calçadas da Avenida Sete de Setembro para ver os cordões e as marchinhas passarem? Das janelas não mais confetes de papel (eram os camarotes). Todos brincavam em clima fraternal, sem violência e empurrões. As bandas eram um sucesso juntamente com os blocos de índios e os afros.
Por falar nisso, o carnaval tem suas raízes históricas no período colonial, tornando-se uma festa altamente lucrativa a partir da segunda metade do século XX, nos anos 80 e 90. O entrudo era praticado pelos escravos que saiam pelas ruas com seus rostos pintados, jogando farinha e bolinhas de água de cheiro nas pessoas.
Foram-se as guerras de cascas de ovos, de milho e feijão. Haviam até vassouradas e colheradas de pau, mas tudo são coisas de outrora, no carnaval que passou, que era bem mais inclusivo. Tudo se tornou lucrativo, e a festa num comércio concentrador de renda onde o rico fica mais rico e o pobre mais pobre.
Do Campo Grande desci até a Barra, Barra Avenida e Ondina. Nesse circuito maluco, barulhento e infernal de trios elétricos, que não são mais trios, e sim bandas de cantores com músicas de letras lixo de uma só estrofe repetitiva, foi onde senti a saudade bater mais forte no coração daquele carnaval que passou.
Uma tremenda loucura, meu camarada! Coisa de doido! Fui trucidado pelo empurra-empurra dos “pipocas” e lá se foram minha pobre fantasia e meu cartaz. A camisa em formato de abadá foi rasgada. As frases perderam o sentido. Ninguém está ali para ouvir ou ler protestos! Basta o circo!
Para não ser esmagado, encostei num canto de um barraqueiro e o senhor e a mulher com seus filhos pequenos nem me viram. O suor caia de seus rostos de tanto andar de lá para cá para atender a turba. Sempre atentos para não serem passados para trás pela malandragem que leva a cerveja na “mão grande”.
Aquelas pessoas dormem praticamente sujos durante mais de uma semana no cimento daquelas barracas de bebidas e comidas para no final ganhar uns míseros trocados. De lá debaixo do asfalto espiei aqueles camarotes de luxo frequentados por ricos, celebridades e famosos. Muito conforto, curtições e bacanais. Os “trios” berram na frente deles na disputa para ver quem mais ganha. Todo conjunto compõe o palco das desigualdades sociais. É tudo misturado e separado.
Sem forças para prosseguir, aos poucos fui me desviando das brigas, dos furtos de celulares e dos soldados embrutecidos metendo o cassete nos “arrastas chinelos”. O “pau comeu”, enquanto os “puxadores” das muvucas gritavam em tom de ordem para todos tirarem o pé do chão. Os súditos obedeciam no rebolado dos passinhos com as mãos para o alto.
Fui cortando em meio à aquela parafernália para sair lá pelo Rio Vermelho. No roteiro vi a banda “Baiana Systen”, que prega o antirracismo, tocando no camarote Premium, o mais luxuoso que invadiu terrenos na praia com enormes tapumes.
A mídia joga toda sujeira e a violência debaixo do tapete. Os políticos, lá do alto de seus camarotes, são ovacionados pelos músicos que dizem que tudo é de graça. Todos acreditam. Tudo se inverteu. Foi-se o carnaval que passou. Agora é só deles, dos poderosos.










