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:: ‘Notícias’

UMA EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS QUE VALE A PENA SER VISITADA

No maior museu a céu aberto do Norte e Nordeste, em pleno sertão de Vitória da Conquista, na BA-262, saída para Brumado, está sendo realizada até o próximo dia 15, a Expo Arte Conquista, na Galeria Mix do Museu Kard, com seis grandes artistas de reconhecimento nacional e internacional.

É um presente-homenagem aos 181 anos de emancipação dos artistas Alex Emmanuel, Domício, Lilian Morais, Romeu Ferreira, Valéria Vidigal e Allan de Kard. Pelo seu potencial cultural e de forte expressão humana, vale a pena dar uma passada no local, no horário comercial, sem custo, e ainda conhecer as esculturas do Museu Kard, com peças grandiosas, como a pirâmide, o xadrez que retrata os poderosos e os oprimidos sertanejos, o labirinto e tantas outras que simbolizam a vida e a morte.

Os quadros da Expo Arte Conquista abordam diversos temos, inclusive sobre questões atuais da pandemia que ceifou a vida de quase 610 mil brasileiros; deixou sequelas nas pessoas; e nos separou do convício social. Esse tema está registrado nas artes de Domício, Alan de Kard e Lilian Morais.

Alex Emmanuel, com suas pinturas fortes e impactantes, apresenta as dores e as vulnerabilidades dos seres humanos através de suas faces recolhidas em seu eu interior. Romeu Ferreira, com suas peças gigantes em preto e branco   retrata o sofrimento do sertanejo que enfrenta as agruras da vida na luta para sobreviver sem água e comida. São expressões fortes da realidade de um povo que sempre foi abandonado pelos políticos e governantes.

Valéria Vidigal estampa na Galeria Mix o seu mundo do café, sua temática central, numa pintura alegre cheia de cores com as flores e os frutos dos cafezais. Em seu trabalho, conhecido além das fronteiras nacionais estão inseridos o homem e mulher que trabalham na colheita dos cafés. Xícaras, bules e o café quentinho levam o visitante a entrar em seus traços realistas dessa cultura agrícola, riqueza do nosso país desde o século XIX.

O Museu Kard é um mundo encantado a céu aberto em pleno sertão da Bahia que já é um grande patrimônio para a posteridade da humanidade. Quem visita sai com o espírito renovado e iluminado. É uma mistura do antigo, do renascimento e do moderno visto através de esculturas gigantes, como a pirâmide que logo na entrada o visitante se depara com a última ceia de Cristo (Leonardo da Vinci) vista pelo olhar do artista Allan de Kard.

 

 

FUTEBOL BRASILEIRO!…

Como dizia Chico Anísio em tom jocoso e irônico em seus programas humorísticos, “Fantasma Brasileiro”! Assim é o nosso futebol de hoje, um verdadeiro pastelão de pernas de paus, uma bagunça com jogos truncados, juiz perdido no campo que dá um cartão vermelho e depois volta atrás e a bola pouco rola em partidas com inúmeras paralisações para ver o VAR.  Como torcedor do Fluminense, (só fracasso) confesso que estou perdendo o “saco” para assistir uma partida, mesmo do meu time.

Lembro meus tempos de juventude na década de 60 quando jogava no Seminário de Amargosa e região com Zouzinha, Nelson, Epifànio, Zé Humberto e tantos outros que o tempo me fez esquecer os nomes. Nelson jogava com óculos de fundo de garrafa e ninguém conseguia segurar ele em campo. Foi na época de Pelé, Garrincha, Vava, Didi, Zagalo, Coutinho, Pepe, Amarildo e tantos que davam três seleções imbatíveis.

Hoje temos um Tite com um time medíocre ganhando todas para as fracas equipes da América do Sul e recebendo montes de elogios dos comentaristas da Globo. Aliás, foi essa rede de televisão que manteve ele lá na desmoralizada Confederação quando o Brasil perdeu para a Bélgica na Copa passada de 2018. O nível é baixo e só tem Neymar “cai-cai” indisciplinado. O resto nem seria convocado nas décadas de 60 e 70.

Futebol Brasileiro!… coisa feia para se ver! No Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro só tem hoje dois times na primeira divisão, com um Flamengo em decadência de jogadores pendurando as chuteiras. Em Belo Horizonte, um Cruzeiro com risco de ir para a terceira divisão. No Rio Grande do Sul, um Grêmio na mesma situação. São Paulo, que sempre foi a força, uns times capengas, e o Bragantino é a bola da vez.

No Nordeste, só os times do Ceará (Fortaleza e Ceará) são revelações do campeonato. Na Bahia, o futebol é uma vergonha!  Nos certames, os dois times representantes (um na série A e o outro na B) são formados por Seu Secador, Juiz Ladrão, Campo Ruim, Seu Cansaço, Senhor do Bomfim, Sal Grosso, Macumba, Reza Braba, Com Fé em Deus, Seu Empate e o Matemático da Tabela. No ponta pé inicial do campeonato, começa a corrida da contagem para não ser rebaixado.

Na Bahia, ao invés de uma evolução, houve um atraso nos últimos 50 anos quando ainda existiam times fortes, como Ipiranga, Botafogo, Leônico, Galícia e Fluminense de Feira de Santana. Os cartolas (ainda existem essas espécies) acabaram com o nosso futebol. Hoje existe um campeonato merreca e pobre que eles chamam de “Baianão”, mas é um Baianinho de duas equipes.

No geral, a redonda é a mais maltratada a voar desnorteada como pássaro de uma só asa de um canto para o outro do gramado. São sarrafos e rasteiras que mais parecem luta de capoeira. Vez ou outra um jogador acerta um drible e um chute que vira golaço, tão escasso de se ver. No espetáculo de pancadarias, não faltam os empurrões, cotoveladas e até cuspe na cara. Os técnicos soltam palavrões do outro lado.

Por falar nesses “professores”, o troca-troca de técnicos mais parece rotatividade de Motel. Num país gigante como o Brasil, o campeonato é uma maratona de viagens e jogos que não seguem a tabela por causa de outras competições. A CBF comanda a trapalhada. Foi só flexibilizar o acesso aos campos que surgiram as invasões e brigas entre torcedores, a grande maioria de fanáticos.

A maior parte dos times está totalmente endividada e não paga as obrigações trabalhistas e previdenciárias. Muitos estádios se transformaram em elefantes brancos, principalmente os situados no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Em relação às competições europeias, sobretudo em termos de organização, as brasileiras estão nos níveis amadorísticas.

PARA QUE SERVE O VEREADOR?

Carlos González – jornalista

Entre os 181 países que compõem a Assembleia Geral da ONU, o Brasil é o único que mantém um grupo de privilegiados, regiamente remunerados, que atendem pelo nome de vereador, eleitos para um mandato de quatro anos, mas com direito a vitaliciedade. Os legislativos dos 5.570 municípios brasileiros abrigam 58.208 vereadores, cuja maioria, simplesmente, registra sua presença em plenário três dias por semana, contrariando as promessas e juramentos que fizeram de ouvir e atender os anseios do povo que os elegeu.

Num cálculo rápido, as prefeituras – na verdade, o contribuinte – repassam anualmente para as câmaras de vereadores mais de R$ 6 bilhões, para custear salários de assessores (cabos eleitorais, parentes, “laranjas” e “fantasmas”) e servidores efetivos, acrescidos de uma lista de mordomias e “penduricalhos” que beneficiam os chamados “representantes do povo”.

Países que não convivem com os altos índices de desemprego e da fome e com a perda de 608 mil vidas humanas, por omissão do governo federal, se valem dos conselhos municipais, formados por cidadãos, desvinculados dessa sórdida política de “toma lá, dá cá”, e que se sentem gratificados em assessorar e fiscalizar os seus alcaides, e, principalmente, desenvolver projetos em benefício da população.

A Constituição de 1988 estabelece que, de acordo com a população, a área e a remuneração do deputado estadual, os municípios podem eleger de nove a 55 vereadores (São Paulo), com salários brutos entre R$ 5.600 e R$ 21 mil, levando para o seu gabinete de nove a 18 assessores.

Além desses valores, o vereador pode receber gratificações de até 80% do salário, em média R$ 35 mil, verbas indenizatórias (reembolso por gastos no exercício da função) e verbas de gabinete, para cobrir as despesas com os assessores (nesse quesito entra a famigerada “rachadinha”);  aposentadoria especial; carro oficial, combustível e assistência médica-odontológica.

Municípios no Nordeste gastam mais com as câmaras municipais do que conseguem arrecadar. Novo Triunfo, no nordeste baiano, a 560 kms. de Salvador, apontado pelo IBGE como o município mais pobre do país, tem unicamente no modesto comércio sua maior fonte de renda, além dos repasses do estado e da União. Mais de 70% dos seus munícipes vivem das aposentadorias e do Bolsa Família.

A fuga para o Brasil

Na transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 29 de novembro de 1807, fugindo das tropas do imperador Napoleão Bonaparte (1769-1821), o rei D. João VI (1787-1826) permitiu que um grupo de nobres, que tinha a obrigação de normatizar a vida das comunidades lusitanas, se instalasse numa das 16 embarcações, para uma viagem de 62 dias até o Rio de Janeiro, onde expulsaram os moradores de suas casas logo após o desembarque.

A função do vereador no Brasil começou a normalizar a partir da Independência (1822) e da Constituição de 1824. A promulgação da Carta Magna de 1988 concedeu maior autonomia aos municípios, beneficiando os seus legisladores, que passaram a exercer certa pressão sobre o Executivo.  Em resumo: o prefeito está passível de perder o mandato, caso venha a desagradar a maioria dos vereadores.

A remuneração do vereador das capitais passou a vigorar a partir do meado da década de 60 do século passado. Em 1977, o presidente Ernesto Geisel (1907-1996) estendeu esse benefício aos edis do interior do país. Com o apoio de uma ampla maioria da população, o presidente Getúlio Vargas (1884-1954) fechou as câmaras municipais (de 1930 a 1934 e de 1937 a 1946). Na verdade, as casas legislativas municipais funcionam como as extintas escolas primárias, onde o aluno inicia a preparação para exercer no futuro uma profissão que o engrandecesse e ao seu país.

A ideia fixa de quem se candidata a vereador é a de seguir a carreira política, cuja desaprovação entre os brasileiros chega a 60%. Na ambição de obter uma vaga usam dos nomes e apelidos mais bizarros – em São Leopoldo (RS), Tarzan e Cigana sentam ao lado de Hitler (nome de batismo, eleito pelo DEM com 1.865 votos, que admite desconhecer a doutrina nazista).

Câmara de Conquista

Quem acompanha o noticiário da imprensa local pode avaliar a atuação dos vereadores de Vitória da Conquista no primeiro ano de mandato; se estão cumprindo o que estabelece os artigos 29 a 31 da Constituição de 88, que estabelece as diretrizes dos legislativos municipais. Observamos que, logo após a posse, a prefeita Sheila Lemos procurou ampliar sua base de apoio, cooptando fingidos oposicionistas que se elegeram com um discurso de protesto à administração de Herzem Gusmão (1948-2021), mas, no primeiro aceno da prefeita, “pularam o muro”, em troca, provavelmente, de vantagens, o que significa uma traição ao seu eleitorado.

Sheila pode trabalhar com tranquilidade os próximos três anos, pois conta com uma folgada maioria na Câmara. São 14 dos 21 vereadores, dispostos a lhe dizer “amém”, aprovando todos os projetos – a criação da Taxa do Lixo está na pauta -, sob os olhares complacentes de uma oposição esmagada por bolsonaristas, religiosos fanáticos e os que revelam aversão aos grupos LGBT.

Nas barulhentas sessões, entremeadas com citações bíblicas, “suas excelências” vão continuar a usar o pouco tempo em plenário para indicar avenidas e ruas onde devem ser construídos os odiosos quebra-molas (a cidade é recordista no país), prometer carros-pipa para a zona rural abandonada e propor títulos de cidadania e moções de aplausos e de repúdio.  Há momentos em que o visitante tem a impressão de que se acha num templo evangélico.

A Câmara de Vereadores conquistense, segundo o Portal da Transparência, tem pouco mais de mil servidores, incluindo os 21 edis, seus assessores, funcionários de carreira, estagiários e advogados. Em 12 parcelas de pouco mais de R$ 1,5 milhão a prefeitura repassa este ano quase R$ 19 milhões para o Legislativo.

Por este Brasil afora muitos são os que preferem estagnar na carreira política, passando a fazer parte da “mobília” das casas legislativas, praticando com seus eleitores o lesivo assistencialismo. O recordista é o gaúcho Wilmuth Bergmann, 93 anos e 11 mandatos; Carlos Bolsonaro frequenta há 20 anos a Câmara do Rio. A sra. Lúcia Rocha – sua ficha no TRE consta como profissão “ vereadora” – recebe desde 1992 os votos de um eleitorado fiel.

A vereadora decana de Conquista acha que, aos 69 anos, chegou o momento de passar para o segundo estágio da carreira parlamentar. Pretende ocupar em 2022 uma cadeira na Assembleia Legislativa, e, em 2024, a prefeitura da cidade.  Outros políticos situacionistas têm a mesma aspiração – a prefeita Sheila Lemos sonha com um segundo mandato. A sopa de letrinhas (MDB, DEM e PTB) está fervendo nos porões da política conquistense.

Diante do exposto está implícita uma pergunta que todo brasileiro gostaria de fazer:’ “Para que serve o vereador”?

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A BAÍA DE TODOS OS SANTOS E UMA CAPITAL DESUMANA

Quinhentos e vinte anos (1º de novembro) que o português cartógrafo América Vespúcio e o espanhol Gaspar Lemos cruzaram Kirimurê, dos Tupinambás, chamada por eles de Baia de Todos os Santos, em homenagem ao dia dos santos estabelecido pela Igreja Católica. Na Baía se instalou a cidade da Bahia que depois foi denominada de Salvador, hoje com cerca de quatro milhões de habitantes.

Nela, a segunda maior do mundo, com 1233 quilômetros quadrados, depois de Bengala, no Oceano Índico, singraram os saveiros que abasteciam de alimentos e produtos os primeiros habitantes. Vieram os barcos a vapor e os grandes navios embarcando e desembarcando mercadorias para várias e de várias partes do mundo.

Temos hoje portos instalados na Baia que tiveram que acompanhar a evolução tecnológica para atender a demanda das indústrias, do agronegócio e do setor de serviços. Pena que o fruto desse avanço só chegou para poucos, para uma elite privilegiada que sempre escravizou nosso povo. Depois de 520 anos temos uma capital desumana e violenta.

Em termos humanos regredimos depois de 520 anos, apesar de um parque industrial (Centro Industrial de Aratu e Polo Petroquímico de Camaçari), um centro comercial e de serviços pujantes. Em seu entorno periférico temos morros e baixadas de pobreza e de miséria, gente passando fome e mendigando nas ruas. O nível de desemprego é um dos maiores do Brasil.

As máquinas atualmente são computadorizadas, e o manejo delas é quase todo feito através de teclados e botões. As escolas e as universidades formam cabeças pensantes, mesmo diante de toda precariedade, mas não evoluímos no quesito humano. Nesses 520 anos, a matança indiscriminada e as injustiças sociais só fizeram prosperar.

A Salvador da Baía de Todos os Santos virou uma selva de pedras, com grandes edifícios comerciais e residenciais. Carros luxuosos cruzam as avenidas e viadutos e até já tem metrô, mas não conseguiu vencer e superar os preconceitos raciais e a intolerância religiosa.

Sempre foi governada pelas oligarquias exploradoras da mão de obra barata e concentradora de renda. Do alto do Elevador Lacerda, do Corredor da Vitória, da Ribeira, do Porto da Barra e em toda a extensão da sua orla as paisagens da Baía são deslumbrantes, mas ela é feia e suja em seu interior mais pobre nos morros e favelas.  É uma capital para turista ver determinados pontos.

Além da regressão humana (nem estou aqui falando de educação e saúde), a Baía de Todos os Santos está degradada, poluída e virando um cemitério de plásticos, latas e outros tipos de lixos. Não é mais a Kirimurê dos indígenas que foram expulsos para dar passagem para ao homem branco do tráfico negreiro, com suas maldades, roubos e atos de corrupção.

 

NUNCA A IMPRENSA TRADICIONAL FOI TÃO ODIADA, HOSTILIZADA E EXCLUÍDA

O LIVRO É A FONTE DA VIDA, GUARDIÃO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE QUE NOS TIRA DA ESCURIDÃO PARA A LUZ.  INFELIZMENTE NÃO É ASSIM LEMBRADO, NEM NO DIA NACIONAL DO LIVRO (29 de outubro).

Com o advento das redes sociais, esse governo negacionista de extrema-direita, fascista e autoritária, bem como autoridades, políticos e as celebridades que comungam da mesma ideologia, deixaram de dar entrevistas presenciais no olho a olho aos jornais, revistas, rádios e aos canais de televisão. Essa mídia tradicional noticiosa passou a ser odiada, hostilizada e excluída dos seus depoimentos.

Como forma de não se comprometer com perguntas dos jornalistas, e numa atitude própria de ferir e amordaçar a liberdade de expressão, eles resolveram usar a tática das postagens no Instagram, Yutube, Twitter, Facebook e no WhatsApp. Com isso, no conforto do seu celular, tablete ou do computador, esse pessoal diz o que bem entende sobre assuntos e temas importantes que a opinião pública gostaria de conhecer com mais detalhes e sem engodos.

A começar pelo capitão-presidente, eles odeiam e têm medo de encarar, por exemplo, uma coletiva de profissionais da imprensa. Quando raramente existe, não respondem a perguntas e ainda desdenham, xingam e desrespeitam repórteres que estão ali no ofício do seu trabalho de levar informações à população, principalmente a menos esclarecida.

As coletivas (raras) viraram monólogos do interlocutor que já leva pronta a sua fala e depois dá as costas para os jornalistas, numa clara demonstração de escárnio e de total despreparo do cargo que ocupa na esfera governamental. Não têm a mínima compostura! Esse cenário lembra bem o período do “off” da ditadura civil-militar de 1964, se bem que agora bem pior e atentatório à liberdade.

Existe uma lacuna muito grande de reportagens na mídia com determinadas celebridades, ministros, secretários e gente do primeiro escalão do governo. Nas matérias jornalísticas em geral, o que mais vemos são trechos em aspas de declarações extraídas de postagens feitas nas redes sociais por essa gente que detesta a mídia profissional. Na grande maioria, seus “recados” são mentirosos e falsos.

Quando aparecem, esses personagens do retrocesso e preconceituosos, racistas e homofóbicas simplesmente se retiram de uma entrevista ou agride com palavrões o repórter quando se faz uma pergunta que não é do agrado deles. A entrevista, para eles, tem que ser bajulatória e imbecil, no mesmo nível deles.

Um exemplo bem explícito disso é do capitão-presidente em recente programa da TV Jovem Pan News. Ele se irritou com uma pergunta sobre “rachadinha” feita pelo humorista André Marinho e deixou a entrevista. Marinho perguntou se o “rachador” tinha que ir para a cadeia. O Bozó respondeu que não iria aceitar provocação. “Recolha-se ao seu jornalismo”.

Esse é apenas um exemplo, mas existem tantos outros onde ele se comportou como um moleque, com palavras de baixo calão, e não como um presidente da República. Assim, ele dá voz a outros da sua turma fazerem o mesmo, na tentativa de expurgar os tradicionais veículos de comunicação que não praticam fake news.

Infelizmente, a classe jornalística, e eu faço parte dela há quase 50 anos, sempre foi desunida e não tem uma representação forte da Federação Nacional e de seus sindicatos e associações. Passou do tempo da categoria tomar uma atitude de boicote contra esses elementos que repudiam os profissionais sérios e éticos, que procuram exercer suas funções com lisura. Alguma coisa tem que ser feita em repúdio, com mais firmeza!

No entanto, isso é outro problema porque as grandes empresas monopolistas da nossa mídia têm seus compromissos capitalistas e visam interesses comerciais particulares, quer como apoiadoras desse governo ou como opositoras. Por serem tendenciosas, elas não são confiáveis. Sem representação da classe, nossos jornalistas se tornam reféns desse mercado da notícia.

Esse quadro odioso e hostilizante contra a imprensa profissional abre mais espaço para a proliferação das chamadas fake news onde os embusteiros postam o que querem nas redes sociais, visitadas pela grande maioria da população inculta que não leem jornais e revistas. Assim, eles manipulam suas ideias macabras como bem entendem.

O CARNAVAL DA MORTE E A CPI DO NADA

Foi só o número de mortes e casos da Covid-19 baixar para os empresários, que só visam lucro, pressionar o prefeito de Salvador, Bruno Reis, para realizar o carnaval no início do próximo ano, mesmo contrariando posições de infectologistas e patologistas. Eles não estão nem aí para a vida! São uns genocidas, corruptos e psicopatas.

Caso aconteça a festa, pode desde já ser chamada de mensageira de mais mortes. Assim, todo esforço empreendido no sentido de exterminar este maldito vírus do nosso convício pode ir por água abaixo. O mais irônico (é subestimar a inteligência dos outros) é que o evento pode ocorrer dentro dos protocolos recomendados pela ciência.

Gostaria de saber como seguir essas normas numa festa de massa, de multidões alcoolizadas pulando corpo a corpo nas ruas e avenidas de Salvador, ainda mais com turistas vindos de todas partes do Brasil e de outros países, com todo tipo de variante? Será que algum cientista aí pode me explicar se isso é possível?

Além de ser da morte, pode ser apelidado também de carnaval da insensatez, quando em muitas nações europeias está se registrando uma alta de contaminações, como no Reino Unido e no Leste Europeu. Como a prefeitura vai controlar a entrada de foliões negacionistas brasileiros e de outros lugares que não se vacinaram?

Vai ser um carnaval de bandinhas e pequenos blocos isolados, sem os megatrios elétricos e os famosos camarotes? Vai ser uma festa fechada com uma quantidade determinada de pessoas? Não me venham com essa de que os acessos serão controlados somente para aqueles que já foram imunizados com a segunda dose.

Segundo as estatísticas, no Brasil de hoje, 18 milhões ainda não receberam essa segunda dose, e aí é onde mora o perigo da danada voltar com toda força. Além do mais, nem se sabe quantos milhões de psicopatas não tomaram nem a primeira dose, seguindo a voz de um maluco capitão-presidente que associou vacinas a AIDS.

Além de ser temerário e colocar o dinheiro acima da vida, esse carnaval ainda pode comprometer o São João, em junho. Nesse caso, sem contar as vidas perdidas, o prejuízo pode ser ainda bem maior. Não se sabe ainda qual a posição do Governo do Estado, mas em se tratando de ano de eleições, tudo pode ocorrer.

A CPI DO NADA

Outro assunto que, se me permitem, quero aqui abordar em nossa conversa é sobre o final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, depois de longos seis meses de xingamentos, discussões e relatos de milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.

Existem partes, como da empresa paulista de saúde, que tratavam os pacientes como cobaias, utilizando o Kit Covid, que mais lembram os crimes nazistas de extermínio de judeus, ciganos e discriminados durante a segunda Guerra Mundial.

Apesar de todo esse aparato de barbaridades, apontado no relatório, principalmente cometidas por um genocida presidente, alguém aí acha que essa CPI vai dar em alguma coisa com aquele procurador Geral da República no cargo? O Augusto Aras é simplesmente um pau mandado do capitão e envergonha a imagem da Bahia de Ruy Barbosa e tantas outras personalidades importantes da nossa história. Nesse nosso Brasil atual, é claro que essa CPI não vai dar em nada.

Mesmo assim, entendo que essa Comissão serviu para expor a podridão dos fatos de um presidente desequilibrado, sem nenhuma condição de exercer a função maior da pátria maltratada. Serviu para mostrar as tramas das corrupções, embora seguidores da morte digam que ele é um governo sem malfeitos. Serviu para mostrar como aconteceu o genocídio de milhares e milhões de brasileiros, por pura negligência de um governo que queria adotar a imunidade por rebanho e não comprar vacinas.

O Bozó se acha um deus onipresente (coisa de maluco mesmo) que age como ministro da Saúde (um manda e o outro obedece), procurador da República, diretor Geral da Polícia Federal, ministro da Educação, do Meio Ambiente, que está sendo destruído, e das Relações Exteriores, principalmente.

No nosso país de hoje, infelizmente, não é possível se fazer um diagnóstico ou um Raio X do Brasil. É o absurdo dos absurdos, e nem historiadores, sociólogos, cientistas políticos e psiquiatras conseguem explicar esse inexplicável. Por mais que seja forte e mestre das palavras, que se use o raciocínio lógico, fica difícil dar uma definição exata sobre que Brasil é esse e como chegamos a esse ponto tão trágico!

QUE DEMOCRACIA É ESSA?

Dizem que temos uma “República Democrática de Direito”, termo introduzido na Constituição de 1988, mas que democracia é essa onde praticamente a população tem pouca participação nas decisões do governo? O que temos, na verdade, é um República Oligárquica de Direito, somente voltada para alguns.

Nesses mais de 500 anos, desde os tempos coloniais, tivemos mais tempo de governos autoritários, comandados pelos interesses de uma elite burguesa capitalista discriminatória que sempre fez de tudo para negar qualquer ascensão aos mais pobres e manter as injustiças sociais, que “democráticos”.

Sempre vivemos sob a tutela da submissão e do chicote. Acho engraçado e irônico, até mesmo uma piada, quando tem gente que repete, maquinalmente, que todos somos iguais. Isso não existe num país de 20 milhões de famélicos e 14 milhões de desempregado. Vivemos no momento, com um capitão-presidente, uma subdemocracia, num regime político incompleto.

Há pouco mais de 30 anos saímos de uma ditadura civil-militar de generais a serviço do capital, que oprimiu, torturou e matou centenas de opositores. Depois entramos num neoliberalismo e num populismo onde um presidente, para se manter no poder, se coligou com a pior espécie de empresários e políticos corruptos. O resto, todos sabem no que deu.

Não vou falar nesse atual governo, porque não merece comentários, nem que se gaste muito tempo de discussão. Simplesmente voltamos à Idade da Barbárie, da estupidez e do atraso. Não estamos aqui discutindo ideologias de direita, esquerda ou extrema-direita.

Nunca na história chegamos a esse ponto. É um caso de psiquiatria, para ser analisado por uma equipe especializada em distúrbio mental, ou talvez os espíritas e a cultura ioruba expliquem através das reencarnações vindas de nossos antepassados para o presente.

Não é apenas uma eleição de presidente, governadores e parlamentares que dita que vivemos num regime democrático. O voto como é exposto e formulado no Brasil, num formato arcaico de complô para que tudo continue no mesmo, nas mãos das castas dos três poderes, não passa de uma farsa de cabresto para fisgar os ignorantes e incultos.

Democracia é muito mais que isso. Democracia não é ter um dos piores índices do mundo em desigualdade social. Democracia não é tirar nota baixa em educação; ter mais de 60% da população sem saneamento básico; e nem ter milhões morrendo nos corredores dos hospitais por falta de atendimento médico.

Democracia não é só você abrir a boca e falar o que pensa dos governantes (isso hoje está até sendo vigiado), nem tampouco xingar quem quer que seja e, muito menos, atentar contra a liberdade.

Vivemos há séculos num engodo histórico de que estamos em plena democracia. Isso não passa de uma grande mentira. Temos e sempre tivemos um regime tupiniquim sui generis, não existente em parte nenhuma do mundo.

A IDEOLOGIA CONTRA A FOME

Bilionários passeiam no espaço com seus foguetes e lá de cima dizem que a terra é toda azul, quando, na verdade, ela já está cinzenta e esburacada de tanta destruição. Nela os furacões, os ciclones, as nuvens de poeiras, as tempestades de ventos, os vulcões, as enchentes, os terremotos, a fumaça das queimadas, as secas e a fome estão fazendo dela o planeta em extinção.

Cada um discute e defende sua ideologia do ódio e da intolerância quando todos deveriam se unir em torno de uma só ideologia para combater essa outra pandemia que mata milhões lentamente por ano. Para esta, a ciência nunca vai criar uma vacina que a cure. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas tem 20 milhões passando fome.

De acordo com pesquisas, mais da metade da população, ou seja, mais de 100 milhões estão em insegurança alimentar. O Brasil está no mesmo patamar nutricional de 2004. Diversas organizações e grupos isolados têm procurado atuar em campanhas de doações para auxiliar essas pessoas em vulnerabilidade.

Sabemos que essas ações são paliativas porque, conforme demonstrativo do quadro, o problema só faz aumentar. Essa pandemia não exige intubação, mas tem um kit comprovado de cura que é chamado de comida na mesa de todos, três vezes por dia. Seu protocolo de proteção é bem conhecido e não tem contraindicação. Não precisa de máscara e de álcool, e as pessoas podem se aglomerar quando estão de barriga cheia.

Na terra, que do alto se mostra azul, mas não é bem assim, quase um bilhão passa fome diariamente, principalmente nos continentes africano e sul-americano. Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional apontam 17 anos de retrocesso na política de combate à fome. Lamentavelmente ela virou moeda de voto, e esse processo nunca se acaba.

No Nordeste, o índice de insegurança alimentar chega a 72%, muito acima do número nacional que é de 55%. Com tanta miséria, ainda existe o Dia Mundial da Alimentação, ocorrido no último sábado, mas quase ninguém se lembrou disse porque não existe a ideologia da fome.

Enquanto isso, nas redes sociais proliferam os xingamentos, as fake news, os textos cheios de erros de português com “conteúdos” homofóbicos, racistas e de intolerância religiosa. Cada um cria em si o seu Deus moralista, vingativo, de medo, hipócrita, mentiroso, mas nem está aí para os famintos jogados nas sarjetas das ruas. Com suas bíblias surradas pensam apenas em converter os outros. Acham que tudo é desígnio de Deus, outros de Zeus, Javé ou Jheová.

RIGIDEZ NAS REGRAS EMPERRA PROCESSO VACINAL EM CONQUISTA

Funcionário público qualificado não é sempre o que cumpre à risca as regras emitidas pelo chefe do poder ou por seu superior da área, mas aquele que sabe flexibilizar na hora correta para dar andamento e acelerar o trabalho. No caso particular, estou me referindo ao processo de vacinação em Vitória da Conquista que termina sendo emperrado por causa de determinada rigidez nas regras impostas.

No dia de ontem (22 de outubro) pela manhã, com meu cartão da Covid-19 completando exatamente seis meses da segunda dose (22 de abril) me dirigi ao Posto de Saúde da Vila América para receber a dose de reforço, mas fui barrado porque ainda não tinha completado 75 anos (faltam três meses). A fila estava pequena (cerca de 10 pessoas) e percebi que havia imunizantes sobrando.

Tentei convencer o funcionário que estava encarregado de averiguar a documentação de que a data de seis meses entre a segunda e a terceira estava correta, mas ele não cedeu ao meu argumento, mesmo tendo pouca gente na fila de vacinação. Apenas me disse que tinha que cumprir as duas regras básicas. Quero deixar bem claro que não estava ali querendo privilégios ou furar a fila de ninguém.

Ora, se já estava no local, na condição de idoso, e a demanda era pequena, por que não flexibilizar e adiantar mais uma vacinação? Caso houvesse 100 ou mais pessoas, iria entender que deveria cumprir a norma estabelecida da idade, para não tomar o lugar de outrem, mas não era a situação.

Como não fui acolhido na minha modesta argumentação, fui obrigado a retornar à minha casa sem receber a vacina. Muitas pessoas já passaram por esse mesmo problema e resolveram não mais retornar, o que significa um retardo na imunização contra o vírus, como vem acontecendo em Vitória da Conquista.

Em minha opinião, o que está faltando é mais entendimento e comunicação entre as equipes de vacinação. Nem estava me atentando para a idade, mas observando o prazo de seis meses estabelecido nas recomendações da ciência. Como a procura estava pequena e havia doses suficientes, seria até mais sensato adiantar a aplicação para avançar o processo e lá atrás não perder o medicamento por invalidez.

Conquista ainda está efetuando a dose de reforço para idosos a partir dos 75 anos, enquanto outras cidades, como Salvador, já planejam atingir o público jovem de 30 anos. Nesse ritmo, Conquista só vai alcançar esse grupo no próximo ano, principalmente com essa rigidez nas regras, deixando de vacinar uma pessoa por causa de uma pequena diferença na idade, com pouca gente na fila.

SALVE, SALVE TODOS OS POETAS!

Enxergar o invisível aos olhos dos outros; ver o que muita gente não vê; protestar; denunciar; descrever o belo e o feio; cantar o amor; pegar o horizonte e o pôr-do-sol com a mão; entrar na alma de alguém; saber como extrair espinhos de uma árvore; fazer chorar e rir; e ainda dizer que a vida é assim mesmo, com ou sem sentido.

Quem sou eu para entrar na alma do poeta, este esquecido de hoje, pouco lido e nem lembrado no seu dia 20 de outubro! Mesmo com um pouco de atraso, salve, salve todos poetas! Alô cumpadi Walter, Papalo Monteiro, Dorinho, Mano Di Souza, Edilsom Barros lá do Ceará, Dean lá da Paraíba, Carlos Moreno, Baduxa, Alisson Menezes, Evandro Correia e tantos outros!

Alguém pode até dizer que Castro Alves é o nosso poeta maior, nosso craque das Espumas Flutuantes e do Navio Negreiro, mas isso não importa tanto quando ainda temos um time imbatível, como Carlos Drumond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Cassimiro de Abreu, Gonçalves Dias, Álvaro de Azevêdo, Raul Seixas, Raquel de Queiroz, Cora Coralina, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Edu Lobo e uma penca de imortais.

Pena que nos tempos atuais com um governo negacionista inimigo da cultura, nossos jovens estejam cada vez mais alienados e recebendo uma instrução que criminaliza o conhecimento e o saber. Lamentável, mas para muitos esses nomes não passam de jogadores de futebol, ou outra coisa qualquer, menos poeta.

Infelizmente, não é somente a poesia que está esquecida e depreciada. O dia do escritor também passa batido. A nossa mídia anda tão sem conteúdo, e mais preocupada com seu interesse comercial que nem comemora e celebra o Dia do Jornalista, 7 de abril, quanto mais cobrir uma pauta do Dia do Poeta ou do Escritor!





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