:: ‘Notícias’
REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA
Numa sessão itinerante realizada no espaço de eventos da Igreja Rainha da Paz, às 19 horas, no Bairro Patagônia, nesta última sexta-feira (dia 07/08/2026), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram diversos projetos, tendo como pauta principal a reforma do Regimento Interno da Câmara, de autoria da Mesa Diretora, apreciado em primeira votação, com emendas apresentadas pela Comissão de Legislação de Justiça.
Outro projeto em destaque foi o selo Empresa Amiga da Juventude, de autoria do parlamentar Hermínio de Oliveira, que cria uma certificação para empresas que contribuem para a inserção de jovens no mercado de trabalho de Conquista.
Do vereador Edivaldo Ferreira, foi apreciada a criação do Parque Multissensorial para criança com TEA. Propõe a implantação de um parque adaptado para crianças com Transtorno de Espectro Autista.
O projeto da vereadora Márcia Viviane pretende criar o Dia Municipal de Luto e Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio. O projeto entra em primeira votação. Também de autoria da vereadora, entrou em discussão a prioridade em processos administrativos para vítimas de violência doméstica. A ideia é estabelecer tramitação prioritária para processos municipais em que figure como parte interessada pessoas com violência doméstica familiar.
Durante a sessão ordinária foram apresentados requerimentos, moções de aplausos e 24 indicações feitas pelos vereadores, relacionados a demandas de infraestrutura, saúde, mobilidade urbana, educação zona rural e serviços públicos. A sessão contou com grande presença dos moradores do Bairro da Patagônia e adjacências.
ISSO É COISA DE VELHO
- (Chico Ribeiro Neto)Velho aprende a perdoar.
Esconde feridas
E descobre armadilhas.Aprende a falar manso
Sabe o valor do descanso
E a vida é um remanso.Velho aprende o detalhe:
A mosca no pão
A formiga no arroz
E o que vem depois.Velho sabe em silêncio
Murmura poesia.
Pra que tanta agonia?
O velho não olha, espia.(O escritor Albert Camus disse que “o pior de ser velho é não ser ouvido”).
Velho é chato
Com pequenas coisas que somem:
O parafuso do sofá
O botão do liquidificador
A tesourinha e o coador.
Sumiu um pé de meia:
Velho não xinga, aperreia.Não mexa no guarda-roupa do velho. Tá desarrumado, mas ele sabe onde está cada peça.
Quando viaja, o velho reclama
Sente saudade da sua cama.
Velho dorme depois do Jornal Nacional.Velho é o mundo. Eu tô aqui é passando tempo.
Velho é ranzinza.
Às vezes, terno.
Velho devia ser eterno.
A FRAUDE DAS ELEIÇÕES NÃO ESTÁ NAS URNAS E SIM NOS CANDIDATOS
Nos últimos anos a oposição e alguns contestadores de plantão têm apontado que as urnas eletrônicas brasileiras são passíveis de fraudes. No entanto, entendo que a fraude está nos próprios candidatos, muitos dos quais falsários, investigados por corrupção, embusteiros e não pagadores de promessas que enganam os incautos eleitores.
A fraude está mais no próprio sistema eleitoral que por natureza favorece os mais fortes e astutos que usam as brechas para se eleger. A fraude está no conjunto das fake news, nos políticos mentirosos, nos engomadinhos engravatados maquiados de defensores do povo e agora nas montagens da IA – Inteligência Artificial.
A urna eletrônica no Brasil foi criada há 30 anos, automatizada por uma empresa brasileira, a Omnitech Serviços em Tecnologia e Marketing, introduzida nas eleições municipais de 1996. O primeiro presidente eleito eletronicamente foi Fernando Henrique Cardoso.
As gerações de meia idade lembram muito bem daquelas urnas analógicas ou de papel onde os votos eram introduzidos numa caixa de madeira e até de papelão frágil. Meu primeiro voto, se não me engano, foi em 1966 durante o início do regime militar, no município de Amargosa, quando fui escolhido para ser mesário na brenha de um povoado.
Após encerrada a votação (as eleições eram municipais e para deputados), os mesários retornaram à noite no breu de uma estrada de chão, acompanhados de um ou dois soldados, com um medo danado de sofrer um assalto de algum candidato insatisfeito interessado em reverter os resultados do pleito.
Bem antes disso, na Velha República, as fraudes eleitorais eram generalizadas pelos “coronéis” do sertão, fazendeiros poderosos e pelos chefes políticos valentões que não hesitavam em matar seus adversários para se manter no poder. Muitos votos eram anulados, urnas extraviadas e até queimadas.
Uma eleição ganha num município valia uma patente de “coronel”, que poderia deixar de ser se perdesse. O voto de cabresto (ainda existe até hoje num esquema mais sofisticado) era disputado na base da bala, da tocaia para eliminar o chamado “inimigo”.
O “coronel”, ou candidato, sabia o voto de cada agregado seu que trabalhava para ele. Cada urna era marcada e se sabia quem votou contra ou a favor. O “traidor” era surrado e até pagava com a pena de morte.
Com o passar do tempo, ainda em plena ditadura militar, o esquema modernizou-se um pouco, mas os métodos eram parecidos. Permanecia o medo de se votar contra o prometido e ser descoberto pelo candidato, os cabos eleitorais e os coordenadores da campanha.
Confesso que votava naquele que meu pai indicasse, com receio de que ele viesse a saber depois que votei em outro que não era seu coligado. Esse medo no subconsciente sempre perseguiu o eleitor até hoje como resquício da votação no papel.
As urnas antigas nos deixaram aquele saudosismo do eleitor revoltado contra o sistema e o regime de opressão, que escrevia nas cédulas sua opção por algum personagem folclórico da cidade, no jumento do seu Zé da Carroça ou expressava sua rebeldia com “abaixo a ditadura”, dentre outros recados ousados aos políticos.
Hoje não dá mais para se fazer isso com a urna eletrônica que o Tribunal Superior Eleitoral garante que é segura, mas a fraude está mesmo na maioria dos candidatos eleitos que usam o dinheiro e se aproveitam da concorrência desleal que o sistema oferece para quem tem mais recursos e a máquina do poder na mão.
RETORNO DAS SESSÕES DA CÂMARA
Depois do recesso de meio de ano, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista retorna, nesta quarta-feira (dia 05/08), a partir das 9 horas, aos trabalhos das sessões ordinárias no Plenário da Vereadora Carmem Lúcia, com a discussão de vários projetos de interesse da população.
Dentre outros, os parlamentares vão apreciar o projeto que prevê a aplicação de penalidades para o descarte irregular de entulhos, resíduos e lixo; o que garante assistência religiosa aos pacientes internados em hospitais públicos e privados; bem como a proibição à comercialização e administração de medicamentos e vacinas anticoncepcionais para cães e gatos sem prescrição médico-veterinária.
Quanto ao descarte irregular de lixo, principalmente em terrenos vazios e abandonados, esta é a prática mais comum em Vitória da Conquista, que deixa uma péssima imagem para a terceira maior cidade da Bahia, chamada por muitos de a “Suíça Baiana”. Além de causar danos ao meio-ambiente, representa sérios riscos à saúde pública.
Mesmo proibido por lei municipal e federal, com punições de multas e até penalidades criminais, as pessoas continuam transformando locais públicos e privados em lixeiras por falta de uma fiscalização mais rígida por parte do poder público.
O cenário é mais grave nas periferias da cidade em terrenos de particulares que não são cercados como deveriam ser conforme já determina a legislação municipal em seu Plano Diretor. Muita gente joga não apenas plásticos em locais proibidos, como móveis, colchões, pneus e outros objetos usados e ainda toca fogo em monturos.
Esses locais são verdadeiras fontes para a proliferação do mosquito da dengue, sem contar o surgimento de insetos, ratos e até cobras que terminam invadindo residências próximas a estes lixões. Dia desse chegaram a jogar entulhos até na Lagoa das Bateias.
O projeto que prevê a aplicação de penalidades nesses casos já existe em lei, só que os poluidores do meio-ambiente não são punidos como deveriam ser. Trata-se de mais uma “lei morta” porque a Prefeitura Municipal tem também a sua parcela de culpa por falta de fiscais para punir os infratores, inclusive os proprietários de terrenos que não muram seus imóveis.
Além desses projetos de importância para a comunidade, os vereadores voltam a se reunir todas as quartas e sextas-feiras, a partir das 9 horas, com apresentação de indicações, requerimentos, moções de aplausos, notas de pesares, sessões especiais e outras atividades relativas às demandas do município.
AS ELEIÇÕES DA IA E OS GOLPISTAS
Nem ainda foi dada a partida para a campanha eleitoral nas mídias e começaram a aparecer postagens da IA (Inteligência Artificial) nas redes sociais, caso da convenção do Flávio Bolsonaro onde aparece o pai falando. Tudo indica que esta vai ser a eleição da IA, como foi a do Facebook e do Twitter no passado.
Os chamados “influenciadores” e os operadores de redes vão nos encher de IA, e aí vai ficar difícil distinguir o que é verdadeiro do falso. O Tribunal Superior Eleitoral com seus núcleos regionais sempre diz que vai monitorar e punir os falsários, mas sabemos que isso é conversa para boi dormir.
O mundo da internet é vasto, numa terra ainda praticamente de ninguém. No máximo fazem alguma filtragem e pega alguns bodes expiatórios para mostrar, como exemplo, que seus técnicos estão atentos. É a mesma coisa do tráfico de drogas. Quando os policiais prendem uma tonelada, mais dez mil já passaram.
Nesse sistema eleitoral arcaico e coronelista, conta quem tem mais bala na agulha, ou seja, dinheiro e máquina governamental para atrair o eleitor, a grande maioria inculta e que ainda vota por favores, sem contar a ideologia da fé religiosa de Deus, Pátria, Família e Tradição. Os nossos jovens de 16 anos estão nesse cardápio.
Depois do advento da internet, principalmente, a eleição brasileira está muito ligada com os golpistas das bandidagens que sempre estão inventando um meio de enganar e ludibriar as pessoas. Essa gente nos passa a impressão que trabalha 24 horas por dia, fazendo a troca de plantões.
A grande maioria dos candidatos pode ser comparada com os golpistas. A partir de agosto até outubro suas redes socais vão estar inundadas de fake news, de informações falsas, e os eleitores começam a brigar entre si, cada um defendendo a sua mentira.
Na verdade, as fraudes não estão propriamente nas urnas, mas no que os candidatos falam uns dos outros, sem programas sérios de trabalho, mas com aqueles pacotes de promessas falsas e embalagens atrativas. O ódio e a intolerância vão aumentar, bem como os mesmos que estão aí no Congresso Nacional. A tendência é engrossar as fileiras dos fundamentalistas e dos extremistas.
São oito países na lista da direita na América do Sul e o Brasil pode ser o nono com o dedo do Trump que saiu das profundezas dos infernos para atanazar o planeta, cujos mandatários vão aceitando suas intervenções, como aconteceu com Hitler a partir de 1933. Agora ele está matando o povo cubano de fome e deixando a ilha às escuras.
Agora com a IA não mão, como ferramenta de sedução, num campo vazado sem o esclarecimento e a consciência política, esta vai ser a eleição dos golpistas. Não vejo nenhum “cientista político” falar neste tipo de fraude. O vilão é sempre a urna que recebe os votos a favor dos golpistas,
TEM DIA QUE NÃO SE DEVE SAIR DE CASA
Nos tempos atuais da pressa, das correrias e das disparadas, onde o ser humano se tornou mais individualista e egoísta, cada um por si, tem dia que não se deve sair de casa. Melhor ficar em seu canto, emburrado, banzo roendo a corda e não se falar com ninguém.
Quando se tem um pesadelo na madrugada, acorda-se mal-humorado e é aí que se deve ficar em seu canto, mas o compromisso lhe chama. O indivíduo sai na marra, se arrastando pelos muros.
Essa carga pesada de energias não boas faz você não resolver os problemas a contento. Parece que nada dá certo e você retorna mais constrangido, porém, tem o outro dia de renovação. É colocar a cabeça no travesseiro e esperar o amanhã.
Quando não se está bem, você faz um esforço danado para dar um bom dia para um amigo ou conhecido. Tudo faz para não esticar a prosa. Você só quer seguir na sua e, às vezes, atravessa a rua para evitar o encontro e não ser antipático.
Lembro bem quando morava em Salvador, pegava o “busú” e estava me sentindo agoniado. Ficava irritado quando o parceiro ou parceira do banco ao lado começava a puxar conversa e tinha uns tagarelas que não paravam de falar.
Respondia em monólogo ou mudava de lugar. Na certa, a pessoa devia me achar insuportável e intragável. Em termos psicológicos, cada pessoa tem a sua maneira de reagir e isso precisa ser respeitado.
Tem gente que está sempre alegre e supera as adversidades. Outros têm temperamentos diferentes. No entanto, todos sofrem, inclusive aqueles que não deixam transparecer a angústia. Esses choram no recôndito de suas almas, de modo que ninguém veja.
Nas ruas das grandes cidades, nas repartições, nos escritórios, nas praças, muitas vezes, vejo pessoas grunhindo, uivando, relinchando, latindo, miando e urrando como animais selvagens. Tudo indica que foi minha noite mal dormida de pesadelos. Não deveria ter saído de casa para não contaminar o humor dos outros.
A vida é assim, meu amigo, como ela é, como já disse o saudoso cronista Nelson Rodrigues. Ninguém é obrigado a entender o mal humor do outro, mas cada um sabe de si, sabe onde o sapato aperta. “Não julgue para não ser julgado”. Ninguém é igual, nem perante as leis.
Nesses tempos cavernosos do capitalismo selvagem, o que mais nos aflige é o diabo ou o deus do dinheiro. Essa espécie animal nos persegue e é o problema maior dos pobres e da classe média. Diria que até mesmo dos ricos porque, quanto mais se tem, se quer.
Quando se fala nele, logo se diz que é o problema de todos. Quando se vai pedir uma grana emprestado a um “amigo” ou parente, o outro chora tanto que o lascado fica com pena e mete a mão no bolso lhe dando as últimas moedas. É por essas e outras que tem dia que não se deve sair de casa.
A TERRA ESTÁ SE TORNANDO NUM INFERNO CRIADO PELO SER HUMANO
O que será do nosso planeta daqui a uns 100 anos, se as catástrofes provocadas pelo aquecimento global já estão deixando visível um cenário de escombros como nos filmes de ficção que se tornaram realidade? Quem viver, verá esse apocalipse! A terra se tornará num planeta desabitado como tantos outros.
Os próprios cientistas estão concluindo, através de pesquisas, que no Brasil, por exemplo, já existem pontos que já foram tão degradados que não têm mais retorno de recuperação, caso da floresta Amazônica que tende a ser no futuro uma savana. Uma hipótese de reverter a situação seria zerar de vez o desmatamento, tarefa praticamente impossível.
Agora eles brigam pelas terras raras para fabricar mais e mais tecnologias sofisticadas e não largam mão da exploração dos combustíveis fósseis. Não há mais volta para desconstruir esse processo de destruição. O lucro está acima de tudo.
Fogo com altas labaredas, terremotos, tornados, inclusive no Brasil, granizos, enchentes que arrastam tudo pela frente, ventos devastadores, ciclones, calor de mais de 40 graus e secas estão transformando a terra num caldeirão do inferno.
São tragédias anunciadas há anos pela natureza que não mais suporta a agressão gananciosa do ser humano que se acha civilizado e evoluído pelo avanço da ciência e da tecnologia que não são capazes de prever o imprevisível.
Além dos fenômenos climáticos, que deixam um rastro de terror, os brutos e estúpidos bárbaros cruzam seus foguetes nos céus em guerras de nações contra nações com extermínios genocidas. Os gangsteres não poupam civis; balas zunem nas grandes cidades entre quadrilhas organizadas e policiais com seus tanques, fuzis, bombas e metralhadoras.
Massacres se tornaram comuns nesse inferno onde o diabo ou o satanás faz a sua dança do acasalamento com os poderosos da luxúria e da corrupção para exterminar os desvalidos desgraçados que servem de bucha de canhão, ou matéria-prima como lenha das fogueiras onde todos estão sendo queimados e carbonizados.
De um lado os horrores da natureza que apenas dá o seu troco e não perdoa os castigos sofridos há séculos por esses seres humanos, cujo Criador a tudo assisti arrependido pela criatura que se fez monstro incontrolável do consumismo insaciável.
Do outro os assassinos de plantão, a violência brutal com requintes de barbaridades, piores que nos tempos medievais, o ódio, a intolerância, a inveja, o levar vantagem em tudo a qualquer custo, a banalização da morte e a idolatria do deus dinheiro que estão torrando nossas esperanças. Estão roubando as flores dos nossos jardins dos tempos de infância e invadindo nossos lares.
As chamas da bondade, do amor, da paz, da generosidade, da união entre os povos, da solidariedade, da concórdia, da tolerância, da igualdade e do respeito ao outro estão se apagando para dar lugar à escuridão e às trevas.
Estamos vivendo, infelizmente, entre o mundo da comédia satírica social de Aristófanes e Menandro e a tragédia escrita pelos antigos gregos Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. Será que ainda existe salvação para Sodoma e Gomorra ou serão vulcanizadas?
O DESTINO NOS PREGA SURPRESAS
Ouve-se muito falar que nada acontece por acaso, principalmente quando se começa a amar alguém pela primeira vez. Talvez seja uma forma de se acreditar no destino, em alma gêmea ou em outras vidas passadas, até mesmo uma paquerada barata para se conquistar o outro com o qual se apaixonou.
– O destino lhe reserva boas coisas no futuro. Os mais velhos, nossos pais, algum parente ou uma cigana já devem ter lhe dito isso. Existem aqueles que não acreditam nesse negócio de destino, mas num pouco de sorte, no livre arbítrio (controverso) e em projeto de vida quando se tem um sonho a conquistar, mas nem tudo é factível. Ah, oh destino enigmático, grato e ingrato!
Melhor mesmo é crer em tudo e tocar o barco, só que sem persistência, esforço e vontade de vencer, não se vai muito longe. Já escutou esse ditado de que aquela pessoa nasceu com o “cu pra lua”, uma forma de dizer que o cara (homem ou mulher) é sortudo, como ganhar na loteria da Mega-Sena.
Os filósofos gregos viam o destino como uma ordem cósmica inevitável, dentro das visões do determinismo estoico. Essa força transcendia até mesmo à vontade dos deuses do Olimpo. O destino (Moira) era cego e implacável. O esforço do herói contra o destino gerava a virtude trágica, mesmo sabendo que da derrota não se escaparia.
Quando era menino, sempre calado, tímido e abatido pelas circunstâncias da criação de antigamente, uma mulher, com um jeito meia cigana, uma vez disse para meu pai que eu nunca iria ser nada na vida. Entendo agora que ela errou.
Aquilo não me abalou, mesmo porque não tinha idade para compreender o peso da sua forte sentença aniquiladora. No entanto, nunca me esqueci daquelas palavras. Com o passar dos anos fui sentindo que sua observação negativa me fortaleceu para seguir em frente.
O tempo passou, fiz meu primário em Piritiba, depois houve uma interrupção em meus estudos, fui ser sacristão do vigário de Mundo Novo, de lá para Rui Barbosa, o seminário de Amargosa para ser padre até chegar a Salvador quando desisti da vocação para fazer vestibular para jornalismo na Universidade Federal da Bahia.
Minha chegada na capital me fez recordar dos versos da canção de Raul Seixas quando ele fala daquele moço vindo do interior, puro e besta, mas encantado com tudo.
Trabalhei muitos anos em Salvador – ainda pequena e pacata – na área da comunicação em várias empresas e hoje cá estou em Vitória da Conquista por 35 anos. Estive aqui por volta de 1977, fazendo uma reportagem, mas nunca imaginaria que um dia viria morar nesta cidade.
Em tudo isso existe muita coisa de destino com uma mistura de planos que foram se conectando na estrada da vida. Acho que todos têm muito disso em sua história até um certo tempo de amadurecimento quando se começa a fase mais difícil dos planos e projetos. Mesmo assim, o destino sempre nos pega de surpresa, ou nos prega uma peça.
Não estou falando só da carreira profissional, mas da amorosa também. Quando se chega a certa idade da velhice, a impressão é que só nos sobra um destino, chamado de morte, que está fora do nosso controle analógico. Não muda nem no controle remoto, quanto mais na IA.
“Deixa a vida me levar… Vida leva eu…” Confesso que não me agrada muito essa frase pagodeira do Zeca Pagodinho. Pode até ser encaixado naqueles tempos das boemias festeiras, como “tornei-me ébrio na bebida busco esquecer. Aquela ingrata que me amava e me abandonou…”, cantada por Vicente Celestino.
Quanto a essa questão do destino, com contraditórios e tudo, ocorrem coisas inusitadas na vida da gente. Muitas vezes passamos num lugar, num prédio de uma empresa, numa rua ou num ponto qualquer e depois de muito tempo lá estamos nós morando ou trabalhando ali, coisas que nunca imaginaríamos que acontecesse.
Comigo já ocorreu muito isso e poderia citar diversos exemplos. Esse negócio de destino existe e é um mistério. Como diz o velho ditado, “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. É uma citação clássica da peça Hamlet, possivelmente escrita por William Shakespeare.
A fé guarda segredos que não conseguimos explicar. É como essa tal da sorte que uns têm para o jogo e outros para o amor. “Azar no jogo, sorte no amor”. “Fulano teve um destino cruel, ou um destino de ventura”. Agora que esse destino nos prega surpresas, isso sim!
OS JAGUNÇOS DO FACÍNORA ESTÃO INVADINDO NOSSA AMÉRICA DO SUL
Os países da América do Sul sempre foram o quintal dos Estados Unidos, ora nas ditaduras tiranas, ora com seu fascismo de extrema como está ocorrendo agora. Os entreguistas não tiram férias, enquanto a esquerda foi perdendo suas origens e abandonou suas bases populares, hoje na mira dos jagunços do facínora do Trump.
Muitos governos, como no Brasil, para manter a tal governabilidade, se renderam a elementos da pior espécie com passado de corrupção e malfeitos, pessoas aliadas da elite burguesa capitalista que sempre colocaram entraves contra a distribuição de renda, aumentando cada fez mais a ignorância e as desigualdades sociais.
Tudo fizeram contra a melhoria de um povo sofrido desde os colonizadores há mais de 500 anos quando aqui chegaram os espanhóis e os portugueses. De lá para cá, foram só matanças, fome, misérias, massacres, dominação dos opressores, regimes ditatoriais, violência e subdesenvolvimento.
Precisamente, nesta era Trump, o facínora que saiu dos infernos, dos doze países da América do Sul, sete possuem governos de direita ou centro-direita, destacando a Argentina, do maluco Javier Milei, Chile liderado por José Antônio Kast, Colômbia, de Abelardo de la Espriella, Equador, sob a gestão de Daniel Noboa, Bolívia, de Rodrigo Paz, Paraguai, administrado por Santiago Pena e o Peru, alinhado ao campo conservador de Keiko Fujimori.
Não podemos deixar de citar a Venezuela, o oitavo, que foi invadida pelas tropas assassinas do Trump, cujo presidente foi sequestrado e levado para o território dos Estados Unidos. Uma violência internacional consentida pelo resto do mundo, como tem sido os genocídios de Israel e de outros países.
O Brasil pode ser o novo na lista dos extremistas. É um projeto planejado que absorve as massas tragadas pelo fundamentalismo religioso. Nisso tudo está a ação dos evangélicos e as crenças neopentecostais com os slogans de Deus, Pátria e Tradição.
“América para os Americanos” resume muito bem a doutrina Monroe, criada pelo presidente dos Estados Unidos, James Monroe, em dezembro de 1823. Tudo não passou de um conchavo com os europeus para não mais se meter nas políticas das Américas.
Todo domínio passava para as mãos dos norte-americanos. Simplesmente foi uma troca de patrão do senhor soberano. Essa política serviu para justificar o poder e a interferência do governo ianque na América Latina, incluindo os países da América Central também hoje sob o jugo trumpista.
Os governos brasileiros que procuraram enfrentar a fúria dominadora dos Estados Unidos (até pouco tempo era Brasil dos Estados Unidos) foram derrubados pelos próprios brasileiros entreguistas traidores da pátria, como Carlos Lacerda contra Getúlio Vargas e tantos outros abomináveis excrementos.
Agora estamos assistindo a mesma cena no palco dos insensatos ou o filme dos bandidos do faroeste. O Javier Milei é um dos fantoches do Trump, do qual os argentinos deveriam se envergonhar.
Infelizmente, boa parte do nosso povo latino americano, incluindo os brasileiros, está contaminada pela peste bubônica do extremismo fascista fundamentalista que corrói essas mentes imbecis conservadoras que apoiam as ideias medievais do racismo, da xenofobia, da misoginia e do moralismo falso.
O mais chocante de tudo isso é que vemos hoje negros, pobres, mulheres, excluídos da sociedade e uma camada de expolidos escravos do capital no Brasil se colocarem ao lado desses abomináveis que detestam esses apoiadores de inocentes úteis.
Por incrível que pareça, são os masoquistas ferrados idolatrando seus sádicos carrascos. Poderia ser a Síndrome de Estocolmo, uma condição psicológica em que as vítimas criam afeto por agressores sequestradores?
Pode ser também que esses brasileiros estejam contaminados pela Síndrome de Stocco dos Santos, uma doença genética rara ligada ao cromossomo X. Aí, então, só a ciência explica o mal e como deve ser tratado e curado. As características desta síndrome são deficiência intelectual, atraso no desenvolvimento da fala e estrabismo.
Acho até que o Milei foi mandado pelo mafioso gângster Al Capone a falar impropérios em território brasileiro com seu bando de cangaceiros que se passam de salvadores da pátria, quando, na verdade, não passam de traidores ignóbeis nojentos.
A corrida eleitoral começou suja, e o Brasil é a bola da vez para ser o nono país onde o Trump irá fincar suas patas malignas. A nossa esquerda, especialmente o PT com sua ala de prepotentes e arrogantes que trocaram a nossa cachaça pelo uísque, tem muita culpa nos acontecimentos desse abismo político que o Brasil está cada vez mais se afundando. Nesse fundo do poço ainda tem mais lamaçal.
O SARAU FOI ATÉ AO POVO
Fotos de José Silva
“Um sonho sonhado junto se torna realidade”, e foi isso que aconteceu na última sexta-feira (dia 24/07/2026) ao cair da tarde, na Praça Nove de Novembro quando o “Sarau A Estrada” foi à rua com apresentações de música, declamação de poemas, exposições das obras do cordelista, Ailton Dias e do artesanato “Kokos e Kabaças”, do artista Walter Lajes, além de falas, levando cultura, conhecimento e saber.
Foi uma tarde memorável que até os deuses da arte contribuíram para que o tempo deixasse o sol entre as nuvens derramando seus raios no palco da praça e abençoando os artistas que ali estiveram cantando suas canções e fazendo poesia. O Sarau cumpriu sua primeira missão de ir onde o povo está e agora tem o dever de disseminar a cultura aos quatros cantos da cidade.
Depois de várias tentativas, de lutas, obstáculos e dificuldades, enfrentamos os desafios e colocamos a ideia em prática, graças a um grupo de organizadores onde todos colocaram a mão na massa e abraçaram a causa com garra e entusiasmo.
É mais um grande feito do “Sarau A Estrada” e desta vez inédito que vai ficar marcado na história da cultura de Vitória da Conquista, que anda precisando de uma injeção de ânimo por parte do poder público que, infelizmente, abandonou o setor à própria sorte.
No entanto, o Sarau, com suas próprias forças, esteve lá na praça passando sua mensagem e dando seu recado de que queremos a aprovação já do Plano Municipal de Cultura, a abertura dos equipamentos culturais do Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha que estão sendo destruídos pelo tempo, uma empresa pública do audiovisual, a revitalização da nossa cultura e que o nosso São João retome às suas tradições do autêntico forró pé de serra.
De forma descontraída e organizada, fomos chegando à praça com aquela expectativa de se encontrar com o povo e com ele se interagir. Ali estavam os artistas de forma voluntária para dar a sua contribuição. Tudo começou a partir das 15h30min, com uma roda de capoeira, expressão cultural afrodescendente, comandada pelo nosso mestre companheiro Clóvis Carvalho. O berimbau deu seu ritual de introdução dos trabalhos.
Na abertura entrou o nosso hino de “Avante, avante, oh Sarau!/Estradeiros da cultura,/De mensagem universal”, de autoria de Jeremias Macário, Dorinho Chaves e Alex Baducha, onde se fala dos seus mais de 15 anos de existência (16), do seu tema e da sua arte que nos faz bem, passageiros do mesmo trem.
Logo após, a nossa cria da casa, Maria Luiza nos brindou com uma linda canção, acompanhada no violão pelo seu pai Manno di Souza. Em seguida vieram as falas do presidente de honra, Jeremias Macário e do professor Itamar Aguiar, um dos mais entusiastas e frequentadores dos nossos eventos, realizados no Espaço Cultural A Estrada.
As mestras de cerimônia, Edna Brito e Vandilza Gonçalves conduziram nossa programação, intercalada entre pronunciamentos, cantorias e declamação de poemas. Elas exaltaram o Sarau que teve a ousadia de sair das quatro paredes e ir até à rua.
Com suas cantorias musicais que atraíram a atenção de todos, estiveram no palco nossos estradeiros Manno di Souza, Dorinho Chaves, Papalo Monteiro, Carlos Moreno, Walter Lages, Alex Baducha, dentre outros que se apresentaram espontaneamente e apoiaram nossa iniciativa.
Por falar nisso, contamos com o apoio logístico das secretarias da Cultura, de Ordem Pública e, principalmente, da mídia em geral, como das rádios Melodia, Clube, Rádio Câmara, TV Sudoeste, dos blogs de Tico Oliveira, de Massinha (UP), dentre outros veículos de comunicação que divulgaram nosso “Sarau na Rua” e acreditaram em nosso sonho.
Para que tudo desse certo, não podemos deixar de registrar aqui o esforço e o trabalho da Comissão Organizadora do “Sarau na Rua” nas pessoas de Cleu Flor, Dal Farias, Eduardo, Karine, Edna Brito, Mano di Souza, Conça, Dorinho, Itamar Aguiar, Alex Nery (grande condutor da divulgação), Cleide, Clovis Carvalho, Cristina, Jeremias Macário e Vandilza Gonçalves, cada um cumprindo a sua tarefa que lhe foi atribuída.
Agradecemos também a presença de todos estradeiros que lá estiveram na praça prestigiando e ajudando o nosso evento, sem deixar de citar os préstimos do fotógrafo José Silva que se dispôs a fazer a cobertura fotográfica, cujas fotos são registros históricos de mais um feito do Sarau.




















