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:: ‘Notícias’

LIBERDADE DE IMPRENSA COM ÉTICA, RESPONSABILIDADE E COMPROMISSO

Sabemos que a liberdade de imprensa é a base da democracia. Não temos dúvidas quanto a isso. No entanto, precisamos refletir se isso basta, para carimbarmos de vez esse passaporte da democracia no Brasil, quando mais de 120 milhões de brasileiros vivem no limbo da insegurança alimentar e 33 milhões passam fome, até catando comida no lixo e penando na fila do osso.

Todo veículo de comunicação defende a liberdade de imprensa (Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, 07/06), mas muitos são tendenciosos na informação, principalmente as maiores empresas que sempre visam seus interesses particulares. Então, essa liberdade também tem falhas, e é necessário que reconheçamos isso.

Sempre digo que o direito à liberdade acaba quando não se tem ética e responsabilidade. Não devemos confundir alhos com bugalhos. Nesse sistema, a própria imprensa alternativa é esmagada. Isso também fere a democracia, que já é vilipendiada com as milhões de crianças raquíticas por falta de um prato de comida, pelo menos uma vez por dia.

Quando um jornal, emissora de televisão, rádio ou blog partidarizam na política, estão exercendo com independência e isenção essa liberdade de imprensa?  Uns acham que a mídia tem que tomar partido, mas não concordo porque ela tende a esconder o outro lado da verdade. Aprendi na faculdade que o básico é mostrar as duas faces, ouvir os dois lados, e até um outro terceiro. O pior ainda é quando se é refém e chapa branca do poder.

Todos os dias devemos brigar pela liberdade de imprensa, sem esquecer de questionar essa democracia mambembe que temos, onde diariamente os direitos constitucionais dos indivíduos são violados. A imprensa comete um grande pecado capital que é o esquecimento. As “suítes” não vão muito longe. São reportagens do tipo calças curtas.

Que democracia é essa onde a impunidade ainda se coloca acima dela? A justiça para os pobres está cega, muda e surda. Não falo aqui da cor da pele, porque seria discriminação. O problema maior do nosso país é social, falta de políticas públicas. Quando ela só funciona para os ricos, a democracia é flechada e sempre vive doente.

Atualmente, com esse governo fascista, retrógrado, destruidor do meio ambiente; que não se importa com a vida; estimula o fanatismo religioso e a violência policial, temos mesmo uma democracia? Fala sério! Talvez essa liberdade de imprensa seja o único baluarte que ainda está de pé, mesmo assim perseguida por um bando de lunáticos psicopatas.

Mesmo dentro dessa imprensa de hoje, temos bandidos jornalistas, sem formação e sem escrúpulo, que estão aí para disseminar o ódio, a falsa notícia e a desinformação, ao invés de informar. Aqueles que não são sérios devem ser repreendidos e condenados pelas associações e entidades sindicais, porque estes também cometem atentados contra a liberdade de imprensa.

Existem ainda os omissos que ficam no meio do muro, ou por falta de coragem ou porque são amigos dos protagonistas das barbáries. No caso particular dos ciganos, em Vitória da Conquista, por exemplo, onde a polícia militar escorraçou e matou muitos dessa etnia, a maioria da mídia ficou calada e até distorceu os fatos. Existem outros inúmeros exemplos aqui em Conquista, e todos sabem quais foram. Hoje são arquivos mortos.

Quando se fala em regulamentação, criação de um Conselho Nacional de Comunicação e outros dispositivos para corrigir desvios de conduta e falta de ética de profissionais, logo se vem com essa de mordaça. A categoria precisa se organizar melhor, separar o joio do trigo em nome de uma liberdade duradoura, longe das ameaças daqueles que levantam a bandeira da censura e da ditadura.

Até parece que estou aqui sendo advogado do outro lado nazifascista que está sempre metralhando contra a liberdade de imprensa e a democracia. Não é nada disso. Muito pelo contrário. Entendo, porém, que uma das maneiras de resistência contra esse fogo inimigo é fortalecer também o nosso jornalismo e repudiar a banda podre.

Mais do que nunca, está na hora de unir forças; montar estratégias; oferecer suporte de apoio e segurança aos jornalistas dos rincões mais distantes deste Brasil; realizar reuniões; estruturar os sindicatos; e sair desse cômodo individualismo do cada um que se vire. Somente dessa forma a liberdade de imprensa sempre será o alicerce da democracia, não essa tupiniquim à brasileira.

SEM ÂNIMO PARA ESCREVER

De tanto ver retrocessos nesse Brasil, de tantas barbaridades violentas, tanto desprezo pela educação e nossa cultura, de tanta destruição de nossas tradições e do nosso patrimônio, tantas atitudes fanáticas religiosas em nome de Deus e de Cristo, tantas imbecilidades poluindo nosso ar, tantas derrubadas e queimadas de nossas florestas, tantas atitudes de homofobia e racismo, de tanto ver prosperar a corrupção, muitas vezes perco o ânimo para  escrever, porque é como se estivesse pregando num deserto sem fim.

Agora mesmo fico a matutar o porquê de estar rabiscando essas linhas, se elas não serão lidas? Antes de começar, muitos dirão que ninguém tem mais tempo, e que estou atrasado e defasado. A nova regra tecnológica diz que você tem que redigir e se expressar em textos curtos, coisa de cinco ou dez linhas. Seu espaço acabou. Você deixou de ser útil. Seja breve. Melhor ir catar conchas na praia ou morar numa tapera. Ufa, sou teimoso! Já fui longe demais!

Nosso Brasil de hoje está mais para uma sequidão de conhecimento, saber e de lideranças, com apenas alguns oásis aqui e acolá, sem um litoral de águas para refrescar seus habitantes e aliviar suas dores desse sol inclemente. O mau caráter virou moda e o fazer trambicagens, safadezas e roubos se tornaram práticas normais. Quase sempre, ninguém acredita mais em ninguém e, na concepção das pessoas, todos são desonestos, até que se prove o contrário. O quanta deterioração!

A maioria esmagadora não quer mais saber de ler, mas só clicar no celular; fazer o “ctrl c e o ctrl v”, copiar e colar; encaminhar as besteiras, as futilidades e as mentiras sem checar; agredir e xingar os outros, como loucos das extremas direita e esquerda. Mesmos assim, ainda existem os arautos que insistem em escrever, poetar e realizar arte, correndo o risco de serem queimados na fogueira da inquisição. No entanto, tem momentos que bate o desânimo.

Os assuntos são os mais variados. Não falta matéria prima. Todos os dias acontecem fatos inusitados e surpreendentes; coisas de horror que, infelizmente, se tornaram banais e poucos ficam chocados, estremecidos. Nosso país é um recheio de temas políticos, econômicos e sociais degradantes, tanto que fica difícil se inovar na escrita. A tinta quase sempre contém sangue. A pena sempre fala do penar, do choro e dos sofrimentos de milhões e milhões de brasileiros abandonados à própria sorte.

Nesse cenário, como escrever coisas positivas; delinear boas perspectivas a curto prazo; ser otimista e dizer que estamos num Brasil maravilha, abençoado por Deus, por todos os santos e orixás? Como enxugar as lágrimas? Como consolar os desamparados, os desempregados, os famintos, os tratados como apenas números, os injustiçados filhos da miséria, se essa grande maioria nem teve a chance de aprender a ler? Os que sabem se omitem em seus coitos de luxúria e individualismo.

Está difícil escrever, se poucos são os leitores para apreciar suas palavras. A maioria prefere o mais fácil, sem o esforço de pensar e refletir. Até os poetas, compositores e músicos não aceitam mais textos longos como nos festivais passados e nos tempos onde os grandes autores e escritores tinham suas torcidas, como nos estádios de futebol. Os jovens indicavam seus livros prediletos e havia o embate de ideias.

Nas ruas, bancos de praças, nos bares e restaurantes, todos estão com seus celulares na mão, e a conversa virou virtual, mesmo que exista um próximo ao lado. O outro sempre está distante, e não existe mais o olho no olho. Agora é tudo na base da curtida que se transforma em até milhões de “seguidores”. Inventaram até a profissão do digital influencer, ou influencer digital, sei lá. Pode até se tornar numa faculdade para os espertos ganharem dinheiro.

 

 

CONSELHO DE CULTURA DISCUTE PLANO MUNICIPAL E AUDIÊNCIA

Em sua reunião mensal, na Casa Regis Pacheco, o Conselho Municipal de Cultura discutiu, ontem, à noite, diversos assuntos pertinentes ao setor, como a questão dos festejos juninos, a audiência com a prefeita Scheia Lemos, no próximo dia 28 e a instalação do Plano Municipal de Cultura ainda em maturação.

Na ocasião, a convite do colegiado, esteve presente a presidente da Casa da Cultura, Poliana Policarpo, que falou sobre a história da criação da entidade em Vitória da Conquista, suas atividades ao longo de seus 50 anos e as principais dificuldades enfrentadas para disseminar a cultura.

Os membros do Conselho fizeram um apelo ao poder público e, particularmente, à Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, para realização de oficinas destinadas aos artistas, no sentido de passar informações sobre como lidar com as exigências burocráticas no momento de inscrições nos projetos e editais culturais.

Os artistas têm reclamado que existem muitos pedidos de papéis e documentos quando são abertos editais de participação nas festas, como agora no São João. Do outro lado, a Secretaria, através da sua coordenação, explica que são obrigações ditadas pelas leis, especialmente de responsabilidade fiscal, para que o executivo não caia em irregularidades. Outra resposta, enfatizou que os artistas precisam melhor se organizar para atender às normas estabelecidas.

Outro ponto em debate foi a audiência que a diretoria do Conselho terá no próximo dia 28 de junho com a prefeita quando estarão em pauta os problemas da interdição e da reforma do Teatro Carlos Jheová, a utilização do equipamento do Cine Madrigal, a conservação do monumento do Cristo de Mário Cravo, a necessidade de uma maior visibilidade para a cultura com a alocação de mais recursos e a realização de uma Conferência Pública, para elaboração do Plano Municipal e criação da Fundação Cultura de Vitória da Conquista.

O RAPÉ NAS PROSAS DOS COMPADRES

Para uma boa prosa e contação de causos na varanda de uma casa sertaneja, nada melhor que acompanhadas de uns bules de café e um rapé. Quer espirrar? Toma um rapé do tabaco bem torrado e temperado, como faziam os mais antigos e o preto velho sentados em seus bancos de madeira na boca da noite, que seja enluarada de deixar o terreiro prateado.

Depois de uma semana de labutas na roça, os compadres vizinhos costumavam se reunir para prosear, falar do tempo, da seca, das histórias de gente que deixou tudo para trás e foi para São Paulo, dos cabras valentes, das rixas de mortes entre famílias por causa de terras e das moças perdidas que fugiam com os namorados porque os pais não aceitavam o casamento. Com o rádio, a televisão e até a internet, em muitas casas, hoje não se encontra mais essa tradição da cultura oral.

Eram conversas de varar a madrugada. Algumas comadres apareciam, mas elas batiam os papos de mulher em separado, na sala ou na cozinha. O costume, machista ou não, falava mais alto. Cada rodada de café era seguida de outra de binga com o rapé. Um tinha que provar a pitada do outro, e sempre havia aquela que era a melhor. O segredo estava no saber fazer o rapé, como a do preto velho, com 90 anos que mais escutava que proseava.

Oi compadi Amanço, passe ai a binga do seu fumo! Esse tempo tá anunciano sequidão e já tô furano um poço pra não fartá água pra nós. Vamo fazer um adjutório. É cumpadi Calixto, a coisa tá feia, tudo caro na fêra. Parece fim dos tempos. O mundo tá virano um furmiguêro de gente pra lá e pra cá. O outro comentava a moça que fugiu de casa para se amancebar com um sujeito que apareceu nas redondezas. Não era gente que prestava.

A prosa começava a ficar animada nos causos de coronéis, como de Honorato Calunga que foi morto por um jagunço vindo de lá das bandas das Minas Gerais para se vingar da irmã que foi desonrada por ele há muitos anos. Sua mãe morreu de desgosto e o pai até se matou. Coronel Honorato tinha fama de cruel naquelas bandas nordestinas.

O cabra se acoitou na fazenda e esperou o momento certo para dar o bote com uma espingarda papo amarelo e ainda sangrou o danado no chão. Foi num descuido dos seus capangas quando ele saiu para fazer suas necessidades fisiológicas no mato. Depois caiu no mundo. Ninguém teve mais notícias dele. Contam que o “bicho” tinha parte com o satanás e se transformava até num toco quando era perseguido pela polícia.

Lembro desde menino das estórias de assombração do cavaleiro invisível que nas noites sem lua saia de uma cancela da mata. Dava para se ouvir a batida nos mesmos horários. Descia e sobia a ladeira do Corcunda numa picada só, aboiando gado como se estivesse numa comitiva. O compadre do lado garantiu que já viu o tal vaqueiro passar por ele numa sexta-feira treze.

É cumpadi Selestino, sabe daquela linda moça que foi assassinada a faca toda vestida de noiva quando já ia pra igreja? Pois é, cumpadi, tudo por ciúme porque ia se casá com outro. Foi um horror, muito choro e bafafá. E o sem vergonha safado do coisa ruin do Tião que dormia com as fias! Teve três fios com as fias. Morreu berrano e espumano como boi no matadoro.

O preto velho, mais calado, com seu cachimbo, contava sempre as histórias de seus avós que eram escravos nas plantações de cana e levaram muitas chibatadas de um tal coronel Carvalho, muito perverso com os negros que ele mandava o capataz castigar no reio até cortar a carne. Amarrava o cativo no mourão e jogava sal e vinagre nas feridas do pobre coitado.

O preto velho, com sua sabedoria e conhecimento de quem já viu muito sofrimento do seu povo pela vida, tinha sempre um bom conselho para dar. Sua palavra ponderada, como de um profeta dos acontecimentos, era escutada com atenção. Previa anos difíceis para a população urbana e rural e recomendava a todos que preparassem seus espíritos para não se deixar enganar com a chegada dos anticristos.

Quando a prosa ficava mais baixa, era coisa de mulheres para as comadres não escutarem. Cada um tinha alguma quenga no povoado ou na cidade. Coisa bem escondida, na treita, por dentro da moita. O rapé rolava, e o compadre dono da casa dizia que era bom para jogar o catarro para fora.

Ali, naquela irmandade, cada um ajudava o outro quando a seca batia forte de rachar o chão nas lagoas e tanques sem água. Em alguns pedaços, a terra começava a virar sal. Apareciam as clareiras desérticas. O mandacaru e o xique-xique ainda sobreviviam, até nos lajedos e nos pedregulhos. Só bem tarde da noite, os compadres se despediam com abraços e louvar a Deus.

Para quem não sabe, o tabaco, do qual se fazia o bom rapé, o charuto e o cigarro, foi um dos primeiros produtos de exportação do Brasil colonial para a Europa e para África. Ao lado do açúcar, da cachaça, peles, o ouro, outras mercadorias e utensílios, era trocado por escravos na costa africana, principalmente na Nigéria, Gana, Benin, Angola, Congo, Guiné, Cabo Verde e até Madagascár. De lá nasceram as religiões matrizes do candomblé, mas ai são outras histórias antropológicas dos nossos antepassados.

UM GOL COM SABOR DE DESFORRA

Carlos González – jornalista

Ao marcar, aos 13 minutos do 2º tempo, o gol que deu o 14º título de campeão da Europa ao Real Madri, o brasileiro Vinicius Júnior não podia imaginar que estava reativando um conflito, que já dura três séculos, entre Espanha e Grã-Bretanha, cujo alvo é Gibraltar ou The Rock, um cabo, dominado por um rochedo com 426 metros de altura, no Mar Mediterrâneo, ao sul da Península Ibérica. A disputa por esse e outros territórios ultramarinos – são 15 no mundo – da Commonwealth, “onde o sol nunca se põe”, tem se refletido nas disputas esportivas.

Para nós, cidadãos espanhóis, a vitória de um clube ou da seleção diante de adversários ingleses tem um significado muito mais relevante. Provavelmente, catalães e bascos, que sonham em se separar da Espanha, não partilhem do mesmo sentimento.

Na sua trajetória até o título, com o apoio de cinco jogadores brasileiros, o conjunto madrilenho derrubou três expoentes do futebol britânico: Manchester City, Chelsea e Liverpool.

A indignação que sentem os espanhóis contra aqueles que, em pleno século 21, praticam o estúpido colonialismo, é dividida com os argentinos, que não contavam com a reação da Grã-Bretanha, quando tentaram reaver o arquipélago das Malvinas, que dista 480 km do sul do continente sul-americano, e desde 1833 seus governadores são escolhidos em Londres.

O espírito patriótico da Junta Militar que governava a Argentina foi respondido com dureza pela Dama de Ferro, a primeira-ministra Margaret Thatcher (1925-2013). A Marinha e a Força Aérea da rainha derrotaram nossos vizinhos em dois meses (de 21 de abril a 14 de junho de 1982), com o registro de 649 militares portenhos mortos e 255 britânicos. Após o fim do conflito, a sangrenta ditadura argentina, implantada em 1976, durou só um ano, deixando mais de 30 mil famílias enlutadas.

“Com um gol da mão de Deus e outro do pé do Capeta”, a Argentina derrotou a Inglaterra nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986, no Estádio Azteca, na Cidade do México. O jogo simbolizou para os sul-americanos uma revanche da guerra das Malvinas, quatro anos mais tarde. Havia na época e permanece até hoje uma atmosfera de ódio entre jogadores (em campo, Maradona foi marcado com faltas violentas) e torcedores (barras bravas e hooligans trocaram socos nas proximidades do estádio, com saldo negativo para os ingleses, sendo que alguns deles tiveram de ser hospitalizados).

Poucos antes de morrer, Diego Maradona, autor dos dois gols, sendo que o segundo foi escolhido como o “gol do século”, declarou que “o clima da partida fez parecer que íamos participar de outra guerra”. Sobre o gol de mão, disse: “Foi tão rápido que o juiz de linha não percebeu. O árbitro olhou pra mim e disse “gol”. Foi uma sensação agradável, como uma espécie de vingança simbólica contra os ingleses”. E finalizou: “Na verdade, o povo argentino foi iludido pelos militares, que divulgavam outro cenário da guerra”.

Voltando a Gibraltar, o território ultramarino tem uma enorme importância econômica, geopolítica e militar para o Reino Unido. Distante 13 kms. da costa espanhola, com uma área de 6,8 km², Gibraltar foi fundamental para as vitórias dos aliados nas duas grandes guerras, e atualmente abriga uma base aeronaval da Otan.

A atividade econômica de Gibraltar se concentra no suporte (reabastecimento e reparo) aos 85 mil cargueiros em viagens para a Europa, África e Ásia, que atravessam anualmente o estreito, reduzindo tempo e despesas. A maioria dos seus 30 mil habitantes ganha a vida no porto e nas docas, e residem em cidades espanholas.

Ao longo dos anos, a Espanha tem procurado negociar, solicitando a mediação da ONU, a soberania de Gibraltar, mas seus diplomatas esbarram na índole belicosa e colonialista dos britânicos. Há poucos dias foi conhecido um documento do Ministério da Defesa, onde o primeiro-ministro Boris Johnson se compromete a empregar a força militar para defender colônias e territórios, citando as Malvinas e Gibraltar, ressaltando que medidas eficazes devem ser tomadas para impedir a presença de navios de guerra espanhóis no estreito.

 

 

 

 

EDUCAÇÃO, CORRUPÇÃO E FOME

Alguém poderia até indagar o que um tem a ver com o outro. Tem tudo, e ainda poderia acrescentar a violência. Se a criança não tem educação, ela vai crescer pobre e viver de bicos e na informalidade pelo resto da vida. Será sempre um “Zé Ninguém” ou vivo-morto. Dificilmente, esse mercado irá absorvê-lo. A corrupção rouba o dinheiro que deveria ser aplicado na educação e, sem ela, vem a fome e a miséria que hoje assolam mais de 50 milhões de brasileiros.

Ouvi muitas vezes falarem que o Brasil necessitaria de 20 anos priorizando a educação, para o Brasil entrar na esfera do desenvolvimento sustentado, como fizeram outros países como a Coreia do Sul, Japão, Finlândia e outros tantos. Tivemos praticamente esse tempo nos governos do PT, e continuamos patinando e sendo uma vergonha nacional e internacional nos índices de reprovação escolar.

Para dizer a verdade, que poucos gostam de ouvir, nenhum governante colocou a educação em primeiro lugar, mas o populismo das cestas básicas do Bolsa Família. Comida no prato é essencial, mas se não vier com uma educação básica de qualidade para todos, a danada da fome vai permanecer a bater nas portas com sua caveira e foice da morte.

E a corrupção? Ela é a mais mortal e carrasca porque deixa um rastro de destruição na alma humana, mesmo que se tenha a educação como meta de investimento. Seu estrago pode ser detectado em todas as partes, como na falta de mais recursos para a saúde, o saneamento básico, a segurança e para realizar políticas públicas sociais.

O sujeito pode ter recebido um bom ensino, ser instruído e rico e ser um safado corrupto, caso do Brasil, cuja maldita vem lá de cima e contamina até as camadas mais pobres. Mas alguém poderia perguntar, por que isso acontece? Responderia que a atual educação do faz de conta e a formação familiar estão degeneradas e podres. Praticamente, todo cesto de frutas está bichado.

Como resultado de tudo isso de ruim e nojento, temos uma sociedade depravada e promíscua, passando de avós para país e de pais para filhos, com o um só intuito de se tirar proveito em tudo, não importando que isso vá gerar fome e mortes. As desigualdades sociais profundas são apenas consequências desse cenário de lento massacre humano, não tão perceptível como numa guerra onde as bombas esquartejam e fulminam corpos.

A negação da educação e a prática da corrupção poderiam levar seus responsáveis aos tribunais como réus considerados a crimes de guerra e pegarem, pelo menos, prisões perpétuas, mas isso no Brasil da impunidade é impensável e utópico. Então, sem educação e com a corrupção, infelizmente, só nos restam mais fome e uma infância perdida nas ruas. O populismo, seja de direita ou esquerda, só nos tem a oferecer um paliativo, como um analgésico que alivia a enxaqueca por algum tempo, mas não cura a doença.

É inconcebível viver num país onde esse quadro da falta de educação, da corrupção e da fome faz parte das nossas vidas e se transformou numa rotina como se fosse tudo normal. O pior de tudo isso é o silêncio dos “bons” e todos acharem que não têm culpa nessa desgraça. A imagem que passa, não somente lá fora, é que o Brasil é um caso perdido, e não me venham com essa de pessimista e espírito de derrotado.

Jamais uma ditadura, porque a situação só iria se agravar sem o mais precioso da vida que é a liberdade, essa que me faculta o direito de dizer o que estou escrevendo. No entanto, a verdade, é que estamos ainda bem longe de uma democracia ideal e desejada, quando convivemos ainda, lado a lado, com essa educação mambembe, com a corrupção e a fome que ceifa a vida de milhões, sem falar na estúpida violência que compete em superioridade com a morte natural.

 

SESSÃO VALORIZA O FORRÓ

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Foi memorável a sessão mista cultural da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista, realizada ontem (dia 27/05), quando se celebrou e se valorizou o forró, símbolo musical do Nordeste. O evento, proposto pela parlamentar Lúcia Rocha, teve forrozeiros fazendo a festa na abertura e debates onde se condenou a descaracterização dos festejos juninos com a introdução de outros ritmos e bandas que nada têm a ver com o nosso forró.

Muita gente dançou ao som da sanfona, da zabumba, do pandeiro e do triângulo, mas durante os trabalhos, conduzidos pelo presidente da Casa, Luis Carlos Dudé, as falas foram no sentido de valorização em defesa do forró, com denúncias contra prefeitos que contratam cantores e bandas para tocarem o arrocha, o axé, a lambada, o sertanejo e até o rock, assassinando a tradição cultural nordestina.

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Sobre esta questão, levantada pelo presidente do Conselho Municipal de Cultura, Jeremias Macário, quando disse que os alcaides fazem isso com o argumento vazio de que esses ritmos atraem mais gente para suas cidades, o secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai) arrematou que eles estão é traindo o povo que paga a festa.

Dudé endossou as mesmas palavras e destacou que nos carnavais, Escolas de Samba e shows de rock ninguém coloca forró para tocar, acrescentando que as rádios de Vitória da Conquista deveriam colocar músicas de forró durante todo ano, e não somente no período junino. “Temos que fazer forró todos os dias, para valorizar cada vez mais essa nossa cultura nordestina”. Ele ainda propôs a criação, em Conquista, de um centro de tradições nordestinas.  O casal de músicos Venicius e Lara sugeriu que se realize um festival de forró na cidade.

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Na ocasião, a vereadora Lúcia Rocha anunciou seu projeto de lei 2614 de 2022 que deverá instituir a semana do forró em Conquista. O seu colega Valdemir Dias enfatizou que todos gostam do forró e dos festejos juninos por serem populares. “É aquela coisa de todos estarem juntos em família, e temos que resgatar as tradições”.

Outro ponto discutido pelo Conselho de Cultura foi quanto ao problema da burocracia do poder público municipal em relação aos editais de seleção de artistas para se apresentarem nos palcos da cidade. De acordo com o Conselho, as normas precisam ser mais simplificadas e flexibilizadas para que o artista tenha acesso à participação da festa. Todos vereadores presentes concordaram com a crítica e pediram redução das exigências documentais.

A MONSTRUOSIDADE DA PRF

Só pode ser a senha do demônio o que a Polícia Rodoviária Federal fez com um rapaz no estado de Sergipe, chegando ao ponto de asfixiá-lo no porta-malas do veículo até a morte. Quando uma pessoa civil comete um crime hediondo, a polícia costuma chamar o indivíduo de monstro, e o cara paga pelo que fez.  O que a PRF fez, é o quê? Qual termo se usa para isso?

Nos últimos anos, essa corporação aprendeu a imitar a mesma violência da polícia militar, e em desvio de funções. Gostaria de saber, por exemplo, o que a PRF estava fazendo na operação no Rio de Janeiro quando mais de 20 pessoas foram mortas? O papel dela, como o próprio nome diz, não é patrulhar nossas rodovias para punir com multas motoristas irregulares e apreender drogas e contrabando em trânsito? Isso se chama desvio de conduta.

O que esses policiais fizeram em Sergipe é de uma brutalidade e covardia imensuráveis. Como sempre, os seus chefes superiores soltam uma nota de que vai apurar o caso e tomar as providências, mas sabemos, antecipadamente, que essa investigação não vai resultar em nada. É a mesma coisa que falam as ouvidorias das polícias militares: “Vamos apurar os fatos”. As imagens, por si só, já dizem tudo. Nem precisam mais de provas.

Colocar uma pessoa num porta-malas e jogar gás lacrimogênio, não passa de uma barbárie. Pior ainda é emitir explicações de que assim agiram para conter o moço, e que só dispunham daqueles instrumentos para deter apenas um cidadão desarmado e sozinho. É uma crueldade que faz partir o coração de qualquer um que viu as cenas horrorosas. Imagina agora para os pais e parentes!

Por que tanta estupidez vem acontecendo em nosso país nos últimos anos, e sem punição? Os brasileiros não param mais para refletir e pensar, porque toda essa violência se tornou banal. No nosso Brasil de hoje, milhões até concordam com ações desse tipo. Pior do que numa guerra, estão matando os pobres, os negros e quem for minoria.

Nada acontece para reverter essa situação, e ficamos aqui parados, esperando que outra brutalidade aconteça, para dizerem a mesma coisa de que vão apurar. Logo depois, todos esquecem, inclusive a nossa mídia, e os monstros voltam aos seus postos. Ninguém fala mais nisso. Todos nós somos culpados, mas, é só dar uma cesta básica “solidária” para “apaziguar” a consciência. “Que país é esse”?

TRÁFICO NA BALA, PUTEIRO E BORDEL

Gostaria de indagar quem sabe há quantos anos os governantes e as polícias tentam combater o tráfico de drogas na base da bala nos morros do Rio de Janeiro e em outras capitais, mas o crime e a violência só aumentam? Alguém também pode responder o porquê de mesmo assim esse método ainda permanece na pauta deles? Qual a intenção de permanecer no erro, ao invés de realizar um trabalho conjunto de assistência social e educacional que ofereça melhorias de vida para que esse povo saia da miséria?

É o único país do mundo que insiste em gerar violência com mais violência através de armas e tanques em operações que deixam mais de vinte mortes todas as vezes que eles entram nas favelas, como a mais recente no Rio de Janeiro, agora contando com os aplausos do psicopata capitão-presidente, que transformou o Planalto num verdadeiro puteiro de sua história. Combater e questionar essas insanidades não se trata mais de questão política, por que, isso deixou de existir em nosso país.

No Brasil, como na Venezuela, o que temos hoje é um povo de massa, sem nenhuma informação. Não é mais cidadão. A classe média, que possui mais poder de entendimento, simplesmente está se acabando. No lugar está ficando apenas a pobreza alienada dependente do Estado e totalmente controlada pelo narcotráfico, evangélicos fanáticos e as milícias. Isso já está ocorrendo em todos estados brasileiros, inclusive no Nordeste.

Estamos num Brasil falido, e o Congresso Nacional virou um bordel, o qual vive de armadilhas, trocas de aprovações de projetos entre os partidos, rachadinhas, vendas de emendas parlamentares, orçamento secreto, formação de bolão do Fundo Eleitoral, Quadrilhas, leis de emendas da Constituição de interesses deles próprios, bancadas da bala, rural, da Bíblia e outras para roubar, conchavos entre esquerda e direita, dentre outros cem números de mutretas, roubalheiras e corrupções.

Todos eles só querem viver na luxúria e nas orgias, tanto os que pregam o neoliberalismo, as ideias moralistas de família, pátria e tradição, os que dizem temer a Deus, os ditos socialistas, os que defendem o prato de comida na mesa dos brasileiros e o fim das desigualdades sociais.

Todos formam uma só corja de cafetões de bordeis que vivem às custas dos trabalhadores que, por mera ignorância e ilusão, entram no jogo deles. Todos os dias, cada um passa na Casa da Luz Vermelha, Verde e Amarela para pegar o seu michê do dia, que não é pouca coisa. O Bozó gastou 28 milhões de reais no cartão corporativo e colocou tudo no sigilo por 100 anos. Estão nos tirando o resto que existe da educação e da saúde. O SUS virou uma legião de vivos-mortos.

Criaram uma guerra cultural e política para que uns fiquem contra os outros, enquanto os safados aproveitadores tiram proveito das rivalidades, tal como Portugal, Inglaterra, Holanda e outros países europeus faziam com as etnias e reinos africanos nos séculos passados, principalmente no XVIII, com a finalidade de obter mais prisioneiros cativos para encher seus navios negreiros nos porões assassinos.

Eles estão nos rifando, nos levando a leilões e, inconscientemente, nem percebemos. Como na escravidão, estamos sendo vendidos no mercado como animais e, cada um, passa a pertencer ao seu patrão, que mal nos dão a ração do dia com uma chibata em punho. Nesse sistema, em cada um foi introduzido um chip onde todos são monitorados por câmaras.

 

“FIADO SÓ AMANHÔ

Colaboração do meu amigo e companheiro jornalista de longas jornadas Chico Ribeiro Neto

Curto e grosso, esse é o melhor cartaz sobre fiado que conheço e que ainda hoje figura nas paredes e balcões de muitos bares e lojas. Não há mensagem mais direta nem mais esperta: “Fiado só amanhã”.

Há muitas formas de se enfrentar o fiado. Muitas vezes não adianta simplesmente dizer Não, tem que pendurar alguma mensagem pra ver se desencoraja o cara. Gosto muito de um antigo cartaz onde havia dois comerciantes. Um dizia “Eu vendi a dinheiro” e era gordo, com charuto na boca, todo feliz, a porta do cofre estufada de tanto dinheiro. Ao lado dele um cara esquálido, prateleiras vazias, ratos passeando pelo cofre que estava vazio, e a frase: “Eu vendi fiado”.

Emprestar dinheiro também é igual a vender fiado. No interior havia um ditado para dizer de alguém que emprestou dinheiro a um cara que é mau pagador: “Amarrou o dinheiro no cabo do veado”. Como o veado é muito veloz, ele não vai recuperar esse dinheiro nunca.

Existe a tática do pequeno empréstimo. Havia um repórter numa Redação de um jornal local de Salvador que sempre pedia dez reais emprestados a algum colega. Nunca era mais, sempre dez. Como a Redação tinha umas 60 pessoas, quando ele voltava ao primeiro o cara já tinha esquecido. Nesse rodízio do fiado ele sempre se dava bem. Além do mais, quem é que vai cobrar dez reais de um colega? Acaba mesmo esquecendo.

E tem gente que sabe pedir dinheiro emprestado. Não precisa contar história de que a sogra morreu, o carro quebrou ou precisa completar o dinheiro pra comprar um remédio. Ele puxa uma conversa bem amena com você e no meio da prosa dá a facada com a naturalidade de quem pergunta as horas: “Me empreste dez reais aí”. Difícil negar.

Ainda há bares onde existe o “prego”, um pequeno vergalhão ponteagudo, fixado numa base de metal, onde se enfiam os “vales” depois de assinados pelos consumidores. Quando o cara paga, o dono do bar vai lá, arranca o vale do prego e dá para o cliente devedor rasgar. Muitos se recusam a aceitar o valor do vale (“não foram oito cervejas, foram somente cinco”), mas é por isso que o dono pede pro consumidor assinar o vale, para não haver dúvida. No dia seguinte o cara sempre acha que bebeu menos.

Existe uma boa história do “prego”, contada pelo cronista e boêmio José Carlos Oliveira (1934-1986), Carlinhos Oliveira, “o mais ecumênico dos ateus”, como ele se definia. Ele estava num famoso bar do Rio de Janeiro, já era madrugada, quando chegaram cinco assaltantes. Carlinhos, que estava perto do balcão, quatro amigos e o português dono do bar foram rendidos por quatro bandidos enquanto outro raspava o caixa. De repente Carlinhos, mãos ao alto, disse para o bandido que o rendia: “O prego”. O cara entendeu, deu um sorriso cúmplice, foi até o prego, arrancou todos os vales e os colocou no bolso, para desespero do português, que xingava Carlinhos entredentes – “filho da puta” – pois tinha uma certeza: o cronista fazia aquilo por interesse próprio.

Outro cartaz interessante sobre o fiado diz assim:

“Nota de falecimento: Faleceu neste estabelecimento o Dr. FIADO, deixando a viúva – DONA CONTA – e seus três filhos: CALOTE, PENDURADO e DEPOIS EU PAGO. A família pede que não mandem FLORES, mandem dinheiro. O FIADO é muito PROCURADO, mas aqui não será ENCONTRADO”.

Outros cartazes sobre fiado:

“Fiado é igual a barba; se não cortar, só cresce”.

“O fiado é assim: eu vendo, você acha bom! Eu cobro, você acha ruim!”

“A gente só vende fiado para a Rainha da Inglaterra”.

“Fiado: só para maior de 99 anos acompanhado dos avós”.

“Fiado, nem a cunhado”.

“Fiado, nem água”.”

“Quem dá fiado, dá dado”.

“Porco fiado, todo o ano grunhe”.

Um dos cartazes admiráveis sobre fiado é este:

“CAMPANHA FIADO NÃO:

Não vendo FIADO pra ajudar você a ficar bem… Percebi que quando vendo fiado nos dias de pagar adoece alguém, um parente morre, quebra o carro, o beneficio é cortado, o salário atrasa, água e luz tá cortada. Então, pra não acontecer esse tipo de coisa não venderei fiado, porque não quero prejudicar você, já que toda vez que vendo acontecem várias tragédias. Portanto, pra evitar eu destruir sua vida, fiado não!”

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 





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