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:: ‘Notícias’

SOBRANDO NESSA TERRA…

São tantas coisas acontecendo, gente matando gente; tanta raiva e contradição, de uns querendo impor suas ideias aos outros, sem diálogo e compaixão, na base da truculência, que às vezes fico a conversar com meus solitários botões, que aqui estou sobrando nessa terra onde plantando tudo dá. Estão plantando mais veneno que bondade e compreensão!

Mesmo assim, continuo seguindo em frente, assuntando barbaridades e agressões; lutando com minhas últimas forças para manter firme e incólume minha formação que recebi desde minhas raízes pequeninas, para não arredar pé dos meus princípios e não entrar no buraco dos ratos, para não transar com os ratos, como já disse nosso poeta cancioneiro Raul Seixas.

Foi dele também quando denunciou que tem gente que reza a Deus, para agradar o diabo. Fala-se de pátria amada, para maltratar nossos filhos; contaminar nossos rios com lixo e esgotos; derrubar florestas e tocar fogo na Amazônia. Fala-se em desejar bem ao Brasil, mas só querem embriagar-se no poder, não importando se o mal vai nos corroer. Estou matutando…

Penso que estou sobrando nessa terra da cega polarização política, que nenhum bem vai nos trazer. Ficar no mesmo lugar com o satanás, ou voltar ao passado traidor que nos prometeu fé e esperança e nos entregou separação, roubo, raiva e intolerância.

Nem um, nem o outro. Nem o presente maléfico, nem o passado de escândalos, misturado com cabras da pior espécie, do “nós contra eles”. Prefiro vislumbrar um futuro, mesmo que seja um risco. Se você não tem a coragem de enfrentar o desafio, nunca vai saber se dá certo ou errado. Um passo para frente, ou um passo para trás?

Não nasci para ser escravo de ninguém, mas, mas esse sistema bruto está sempre nos empurrando para essa escravidão. De tanto violar nossos direitos, de tanto nos injustiçar, de tantas mentiras propaladas, de tanto nos humilhar, de tantas asneiras, de tanto radicalismo fanático, de tanta negação da ciência, de tanta brutalidade e estupidez de uns contra os outros, sinto que estou mesmo sobrando nessa terra.

Há mais de dez anos calculei que essa terra iria ser extremada, que em seu chão iria germinar muito fundamentalismo porque estavam plantando árvores daninhas. Elas se espalharam por todos os cantos, como joios no trigo, cujo cultivo ficou sufocado. Os radicais, tanto de um lado como do outro, engrossaram suas fileiras e dizem que só pensam em fertilizar a terra. Será que não é mesmo torná-la mais árida, seca, agreste e infértil?

Pois é, meus amigos camaradas, que me perdoem o atrevimento, longe de ser o dono da verdade absoluta, mas sinto-me como um ente sobrando nessa terra. Posso até ser uma sobra, ou uma voz que clama no deserto, sem ser profeta da maldição. Apenas extravaso meus sentimentos, sem nenhuma presunção de ser guia ou guru de ninguém.

No quadro atual, não importa muito ser de direita ou de esquerda. O que mais conta é ter juízo menino, como falava nossos pais. Os de hoje estão mais preocupados no ter que no ser. Estão mais para competir de qualquer maneira, mesmo passando rasteiras, para sobreviver nesse mundo cão e ganhar algum dinheiro para alimentar os seus. Outros são ainda mais vampiros ganancioso, e até roubam, sem nenhum pejo.

Acho que nessa terra sobra cegueira e soberba e falta mais humildade e raciocínio lógico para consertar os erros; fazer uma sincera mea culpa e não repetir a história. Passo aqui nessa terra, mais um dia cheio de informações truncadas, catando as sobras que os caras do alto de suas sacadas jogam para os que estão no asfalto.

Diante de toda essa parafernália, o tempo parece correr mais rápido, de forma mais desumana, mas ele continua no mesmo compasso. Nós que aceleramos demais os passos, e nem olhamos mais para trás, nem paramos para construir o futuro. Muitos deixaram de dar suas opiniões com medo de levar umas bordoadas, e alega que não tem mais tempo para isso. Será que não estou sobrando?…

CONQUISTA SEM FUTEBOL POR UM ANO

Carlos González – jornalista

Sem a presença de Vitória da Conquista, cujo futebol acompanha a letargia dos governantes, políticos, setores produtivos e esportistas, o interior baiano se prepara para realizar a festa do campeonato estadual, que, provavelmente, será uma espécie de ensaio para os festejos juninos. Atlético, de Alagoinhas, Bahia, de Feira de Santana, Jacuipense, de Riachão do Jacuípe, e Barcelona, de Ilhéus, vão brigar por um “caneco” que sempre esteve nas galerias de Bahia e Vitória.

Na verdade, o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista não vai estar totalmente ausente dessa festa dos seus companheiros interioranos. Ao Bode será dada a incumbência de carregar a lanterna que vai iluminar o salão de dança.

Conhecedor habitual das séries “C” e “D” do futebol brasileiro, o Vitória da Conquista não terá dificuldade em disputar a 2ª divisão do Campeonato Baiano de 2023, que só será iniciada dentro de aproximadamente um ano, o que significa fechamento do Estádio Lomanto Júnior, cujos operários só terão a obrigação de aparar a grama.

Em nota oficial divulgada em sua página na internet, a diretoria e os conselheiros do Conquista garantem que “o momento é de tristeza e dor”, e pedem desculpas aos torcedores, patrocinadores e apoiadores, “por não terem conseguido conquistar os objetivos traçados”. Em seguida, é óbvio, a nota se refere ao período de pandemia, o que provocou uma queda na receita, sem que o clube deixasse de honrar seus compromissos financeiros. Por fim, prometem ao conquistense voltar a fazer parte da elite do futebol baiano, onde se manteve por 17 anos seguidos.

A nota não se refere à dispensa de jogadores, o que sempre gera uma enxurrada de processos na Justiça do Trabalho, uma preocupação até para os grandes clubes do país, obrigados a se desfazer do seu patrimônio (o Santa Cruz, do Recife, está na iminência de perder seu estádio). Também não há nenhum indicativo a respeito da vigência dos contratos com os patrocinadores.

O futebol da terceira maior cidade do Estado – um dos seus filhos, Ednaldo Rodrigues, é o presidente da CBF -não pode continuar vivendo de migalhas, aliada à indiferença dos governantes. Exige um patrocinador de peso. Tenho uma sugestão: por que sua diretoria não procura o Homem de Verde (não se trata do Hulk), a cor predominante no uniforme do Conquista? Refiro-me ao bilionário catarinense Luciano Hang, que ultimamente vem colocando parte dos seus US$ 2,7 bilhões em cinco clubes de futebol, inclusive Vasco e Flamengo, além de investir no voleibol, natação e automobilismo.

A ajuda do Hang ao clube alviverde seria uma maneira dele retribuir ao conquistense o acolhimento recebido desde abril de 2018 quando aqui inaugurou uma das suas 160 lojas, sendo duas – a outra está em Barreiras – na Bahia.

Mesmo preservando o nome do município, o ECPP Vitória da Conquista é vítima de uma “doença” que bloqueia o crescimento da maioria dos clubes nordestinos: a falta de amor do torcedor local, sentimento que é transferido para os clubes cariocas, em especial ao Flamengo. O jornalista, dramaturgo e torcedor do Fluminense Nelson Rodrigues (1912-1980) chamaria esse apego ao que vem de fora de “complexo de vira-lata”, colocando o ser humano numa posição de inferioridade.

 

 

 

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

As antigas civilizações, muito antes de Cristo (oito ou dez mil anos) cresceram e prosperaram às margens de grandes rios, como os sumérios entre os rios Tigre e Eufrates, o Egito e outros povos ao redor do Nilo, os gauleses ao lado do Sena e a própria China.

A história nos conta a preponderância da água na formação de grandes impérios e na construção de suas economias, inclusive contribuindo no desenvolvimento da cultura, dos inventos e até no domínio de outros territórios. Desde o início que a humanidade guerreia pela água, bem antes do petróleo e dos minerais.

Neste 22 de abril é comemorado o Dia Mundial da Água que, de tanto ser desperdiçada, hoje vive uma crise de escassez, e mais de um bilhão de habitantes no mundo a consome sem ser tratada, gerando doenças e mortes. A falta de água mata mais depressa que a de alimentos.

Antes de ser celebrada como vida, o ponto principal a se refletir é que o homem cada vez mais destrói e envenena nossos rios. O nosso planeta, por exemplo, poderia ser chamado de água. Estou aqui falando da água doce que é menos de 1% do que existe em comparação com os oceanos salgados.

Em se tratando de guerra pela água, essa disputada existe bem perto de nós, aqui na Bahia e na região sudoeste. Quando aqui cheguei para chefiar a Sucursal de A Tarde, umas das minhas primeiras reportagens foi justamente sobre uma briga que estava ocorrendo entre produtores irrigantes de Nossa Senhora do Livramento e Dom Basílio.

Eles se digladiavam pela água do rio Brumado, se não me engano, pois, um bloco estava recebendo mais que o outro. A coisa foi feia e tinha gente até armada na reunião que houve entre as partes. Esse entrevero está lá até hoje. Estou citando apenas um exemplo. Mas essa mesma situação acontece no oeste e entre os irrigantes do Rio São Francisco, tão maltratado.

Por falar no “Velho Chico”, é só rememorar as divergências (a penitência e o jejum do bispo de Barra) para que o projeto de transposição das águas do rio não fosse concretizado. Hoje ele está cheio e transbordando por causa das chuvas, mas o que será dele quando bater por aí uma longa estiagem, uma seca daquela bem intensa?

Por tudo isso é que a água é o bem mais precioso de todas as riquezas existentes na terra, mas as pessoas no geral, sem a devida educação, nem pensam nisso e desperdiçam esse líquido divino. Na Bahia, de acordo com dados levantados pelo Instituto Trata Brasil, quase 42% da água potável é jogada fora. Além disso, lixo e esgotos são lançados em nossos mares e rios. Esse recurso se encontra atualmente ameaçado, mas existem ações de preservação, que ainda são poucas.

“SERTÃO COLORIDO QUANTO PRETO E BRANCO”

Como o pintor espanhol Pablo Picasso que retratou os horrores da guerra civil espanhola e as atrocidades do ditador Franco, o nosso artista conquistense Silvio Jessé nos traz, em seus quadros, os sofrimentos dos sertanejos diante da seca e da omissão dos políticos e governantes em resolver os problemas do homem do campo. Sílvio é o Picasso do sertão, embora com outras formas, linhas e estilos modernistas.

Lembro como jornalista de uma entrevista que fiz há muitos anos sobre o trabalho de Silvio onde ele recordava da sua infância numa fazenda do município de Vitória da Conquista. Dizia que foi ali que começou a aprender a pintar, usando a terra e olhando as pessoas, seus costumes e hábitos. Tudo isso é vida e pura poesia que transborda da alma.

Como escreveu a curadora Ester Figueiredo sobre sua exposição no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, a partir de suas obras inspiradas no fotógrafo Evandro Teixeira (olá, meu amigo), “Sertão Colorido Quanto Preto e Branco” é tudo isso, sua expressão maior do seu tempo de moleque travesso na roça.

Só para não deixar passar em branco, Teixeira é um dos maiores fotógrafos do Brasil que reportou sobre a tomada do Forte de Copacabana, a passeata do cem mil durante a ditadura militar, expedição a Canudos e tantas outras coberturas fotojornalísticas que impactaram nossos olhares e nos transportam para a história do passado. Ele é um guardião da memória brasileira.

Sílvio Jessé segue esses passos poéticos, desde sua infância do cotidiano do sertão, com texturas agrestes. Em seus quadros de linhas modernas e cubistas, com o tom do forte realismo expressionista, o artista plástico mostra em seus quadros, o homem do campo com suas cabras, num cenário árido, tendo ao lado uma capela que representa o sagrado da fé sertaneja do bravo e lutador.

Ainda em sua exposição, suas pinturas retratam o carro-de-boi (um dos meus primeiros meios de transporte quando menino), as mulheres em sua labuta como fortes guerreiras e até chefes de famílias, o folclore do interior, a questão da escassez da água, o jumento (animal símbolo do Nordeste) que faz o transporte, representado na carga de carotes, a sequidão, os retirantes fugindo das estiagens em busca de outros lugares melhores, inclusive para o sul do pais e os folguedos, para demonstrar que o sertão não é só tristeza em preto e branco. O sertão é também o colorido das pessoas e das paisagens quando no chão batem as chuvas.

A exposição de Jessé é pura reflexão da realidade simples do homem que faz parte desse cenário sertanejo, que está dentro de todos nós, como descreve o escritor Guimarães Rosa, com toda sua profundeza. Sua mostra é um mergulhar no fundo do túnel do tempo. Suas obras também falam da minha infância, e nelas penetro como personagem desse sertão agreste, cinza e colorido. Sílvio é o verdadeiro poeta do pincel.

A XENOFOBIA E O RACISMO NO BRASIL CONTRA OS REFUGIADOS

“ E o que acho mais chocante é que a gente sofre racismo não só dos brancos, mas dos próprios negros brasileiros”. O desabafo é da advogada congolesa Hortnse Mbuui, que chegou ao Brasil em 2014, destacando que desde as últimas eleições presidenciais, foi nascendo um ódio contra os imigrantes. Para ela, o imigrante branco se mistura com os brasileiros e é mais respeitado.

Como se vê, quando se trata de xenofobia, até os próprios negros brasileiros discriminam os negros refugiados de outros países, como do Haiti e do continente africano, principalmente aqueles que mais cobram que sofrem preconceitos internos. É uma tremenda hipocrisia e falsidade! É preciso separar o que é verdadeiramente racismo daquilo que se tornou uma fábrica de racismo no Brasil.

Em uma entrevista num jornal da capital, vários refugiados fizeram essa observação que a congolesa destacou na reportagem. Pode-se dizer que é uma vergonha. Qual moral existe naquele negro que pratica a xenofobia contra um outro irmão vindo da África, ou de um país negro, e se queixa que é vítima de racismo aqui?

A congolesa Hortnse disse muito bem, e é uma verdade, quando ela assinala que esse ódio se acentuou mais ainda no governo do capitão-presidente, porque ele, com sua estupidez e barbaridades, induz as pessoas à intolerância e à violência.

Com relação ao meio ambiente tem acontecido o mesmo quando ele flexibiliza as leis e abre as porteiras, para a passagem dos grileiros e mineradores derrubarem nossas florestas. O mesmo ocorre com a homofobia, quando, com suas palavras, repudia os homossexuais, e assim por diante no caso da vacinação contra a Covid-19, dizendo que não vai imunizar sua filha.

No caso da questão anterior que nos reportamos, é claro que não restam dúvidas que o maior racismo parte do branco, mas existem muitos negros racistas, e movimentos que, ao invés de unir, terminam por separar e dividir, quando criam ambientes hostis por causa das diferenças de cor.

É muito triste ainda termos que falar nisso (xenofobia, racismo, diferenças de pele, cor e outros tipos de discriminação) em pleno século XXI, quando todos deveriam ser tratados como iguais, mesmo cada um com suas diferenças e potencialidades. Nesse quesito específico, e em outros também, a humanidade não se evoluiu, embora se ache civilizada porque possui um celular na mão para falar merda e propagar mentiras.

Agora mesmo está aí essa guerra entre Rússia e Ucrânia que nos serve de exemplo. Os refugiados de lá têm tratamento diferenciado, bem melhor, que quaisquer outros que sejam árabes, sírios, afegãos, africanos ou iraquianos. É horrível ver como há uma seleção de entrada nas fronteiras da Polônia, da Romênia, Hungria e outras nações europeias.

Na verdade, ainda somos brucutus dos tempos primitivos onde humanos jogavam pedras contra outros. Até quando ainda vamos falar de racismo, xenofobia, misoginia e outras formas de preconceito? Tem aquele ditado que diz: “Quem tem telhado de vidro, não deve jogar pedra no do outro”.

DIA MUNCIPAL DA CULTURA

Infelizmente, poucos têm conhecimento porque também não é lembrado pelas instituições e a mídia em geral, mas o 14 de março (ontem, segunda-feira), foi o Dia Municipal da Cultura no âmbito do município de Vitória da Conquista, instituído pela lei número 1.367/2006, e assinada pelo prefeito José Raimundo Fontes.

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, com base na lei, concede medalha de Mérito Glauber Rocha a homenageados indicados pelo Conselho Municipal de Cultura, em sessão solene no próximo dia 18 (sexta-feira), quando a data será comemorada pelos parlamentares, artistas e pela plenária.

Nas homenagens ao Dia Municipal da Cultura, é bom que se faça uma reflexão sobre mesmo o que é cultura, principalmente nesses tempos tão difíceis onde o atual governo federal só faz destruir o que ainda existe dela. Outra indagação a ser feita é sobre como vai nossa cultura em Vitória da Conquista e o que se pode fazer para melhorar.

O que se tem feito ainda deixa muito a desejar, especialmente em relação a Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, que já foi celeiro de grandes artistas e pensadores. Não é que atualmente não existam grandes talentos, mas as nossas expressões artísticas não têm recebido o apoio merecido dos poderes públicos.

Os recursos têm sido escassos, e os governantes, infelizmente, têm colocado a cultura apenas como um jarro de decoração em suas mesas. Talvez entendam que não rende voto e alocam poucas verbas para o setor. Os artistas em geral vivem a mendigar para realizar seus projetos.

Temos muita luta pela frente para que Conquista volte à sua efervescência cultural dos anos 50, 60 e 70. Nesse sentido, o atual Conselho Municipal de Cultura está dando seus primeiros passos para criação do Plano Municipal de Cultura e, consequentemente, seja instituída uma Fundação Cultural. Esse Plano ira ditar as diretrizes políticas para resgatar a nossa cultura.

O dia 14 de março é comemorativo ao nascimento do cineasta Glauber Rocha e lembra também o nascimento de poeta Castro Alves, há 175 anos. Por isso também, o 14 de março é o Dia da Poesia, uma linguagem que é vida.

Como todos sabem, Castro Alves dedicou suas poesias às questões sociais e foi um grande defensor da libertação dos escravos. Um abolicionista que abriu portas para outros intelectuais lutarem pelo fim da escravidão no Brasil.

EMPODERAMENTO E BORDÕES

Entendo não ser somente eu, mas todos nós da sociedade estamos fartos dos discursos repletos de bordões, aqueles saídos da boca de certos políticos (não apenas deles) que sempre são repetidos com as mesmas palavras, tipos “enrroleiçhãos” que não saem do lugar e não apresentam novidade. Ouve-se hoje muito os termos empoderamento e resiliência, mesmo sendo mal-empregados. A maioria não compreende muito bem o que sejam.

O que quero dizer é que existe uma escassez de imaginação e criação quando se trata de determinados assuntos e temas, inclusive da própria mídia na repetição de matérias e notícias (novidades). Na maioria das vezes, a gente sente que já ouviu o mesmo arranhado filme, e pede para que mude de faixa. São os mesmos chavões que chegam a doer em nossos ouvidos. Pouco ficam de prático em suas “mensagens”.

Vamos diretos ao nosso ponto da questão. De acordo com Michaelis (2000), Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, empoderamento vem de empoderar, apoderar, meter-se na posse de; senhorear-se; deixar-se possuir. Exemplo: A saudade apoderou-se dele. Existe ainda apoderamento – ato ou efeito de apoderar-se. Posse violenta de alguma coisa.

O termo resiliência significa ato de retorno de mola; elasticidade. Ato de recuar (arma de fogo); coice. Poder de recuperação. Trabalho necessário para deformar um corpo até seu limite elástico. O sentido maior é poder de recuperação do indivíduo diante das adversidades que se agigantam nos momentos mais difíceis de nossas vidas.

Nesse Dia Internacional da Mulher (8 de março), o que mais ouvimos das entrevistadas e entrevistados foi a palavra empoderamento. Sinceramente, prefiro muito mais o uso de equidade e igualdade entre mulheres e homens na conquista dos espaços na comunidade. Gostaria de saber se rebolar num palco, exibindo-se como objeto sexual, é em si um ato de empoderamento?

Quem quiser pode me chamar de conservador, arcaico ou outra coisa como machista. No entanto, é bom pensar e refletir antes de falar, porque nesses tempos atuais da tecnologia e a da internet do celular na mão, as pessoas ficaram meio preguiçosas para praticar esses atos tão importantes para chegarmos à lógica, sem deturpações.

Empoderar, em minha opinião, remete a ter poder para subjugar os outros, como há séculos fazem nossos governantes no Brasil contra nosso povo. Não se deve tentar alcançar um alto posto, usando seu poder de opressão através de métodos inescrupulosos, e tenho certeza que mulher nenhuma age assim, como atualmente fazem os homens, inclusive guerreando. A mulher não precisa ser como o homem, apenas ser ela mesma com seu potencial e capacidade de atuar em qualquer função. Não precisa colocar a placa de feminista.

Então, sou mais a busca da igualdade entre todos, sem distinção de cor e gênero. Não interessa a pele, raça e nem o sexo. Esse negócio de empoderamento pode até criar animosidade e divisão. Devemos lutar com serenidade e cobranças de políticas públicas, para chegarmos ao tempo onde todas sejam iguais, não importando se é negro, branco, gay, LGBT, mulher ou homem.

Estão chegando as eleições, e os discursos das mesmices começam a bater em nossos ouvidos, com promessas de mudanças que se emperram sempre no empoderamento do poder, não importando os meios. Muitos movimentos, ao invés de unir num só objetivo que é a igualdade, terminam separando porque se apresentam com viés de ódio, racismo e intolerância, na base dos xingamentos e do fanatismo.

“COMENDO PELAS BEIRADAS”

Num mundo tão desumano, agora nesse conflito de uma guerra insana (aliás, todas são), de tantas intolerâncias e ódio, de discriminação racial, preconceitos por todos os lados, arrotando fanatismo num Brasil que vive uma época de retrocessos, custos altos com uma inflação galopante e de profundas desigualdades sociais, você vai vivendo a vida “comendo pelas beiradas”, como diz o ditado popular.

Assim está sendo nossas vidas nos tempos atuais, a não ser aquela casta privilegiada que não precisa comer pelas beiradas, como o pobre trabalhador quando para seu carrinho numa bomba de gasolina. Ele olha triste para o frentista, conta os trocados na carteira, e manda colocar uns “grãos” de gasolina. O mesmo faz na feira ou no supermercado. Os alimentos são regrados, e o carrinho já não enche pelas beiradas, como em tempos atrás.

É meu camarada-amigo, hoje não se está mais vivendo, mas vegetando, no sentido literal da palavra! Não quero ser pessimista, visto que se trata da realidade. As dívidas crescem e junto acumulam-se as preocupações! Quando anoitece e se cai na cama, você termina dormindo também pelas beiradas, muitas vezes com medo de perder seu emprego ao amanhecer.

Com essa pandemia de dois anos, de tanta contaminação e vidas perdidas, que provocaram ansiedade e depressão, seguimos, cada um em seu caminho, comendo pelas beiradas, parecendo político em época de eleições com relação ao eleitor. O candidato come o voto pelas beiradas e, depois da barriga cheia e farta, ele some para comer o bem-bom.

O que quero dizer com isso é que nossas vidas são sempre assim, comendo o prato de cada dia, de maneira devagar pelas beiradas, para alcançarmos o amanhã. Não se deve se afogar de uma vez porque você pode se empanzinar e sofrer uma congestão. Temos que ter o equilíbrio mental para suportar bem as adversidades. Não se deve ir de vez ao pote quando se está com muita sede.

As conquistas na vida têm que ser feitas de maneira dosada, por etapas, e não adianta correr muito porque você pode ser vítima de uma topada ou tropeço. Se cair, levante outra vez, como nos ensinou o poeta cancioneiro Raul. Aprenda, respire e reduza a pressa. As pessoas hoje vivem em correrias que nem olham para o próximo, nem no que ele está dizendo. Você não escuta mais e acha que a verdade é só sua.

Com essa competição desvairada, como máquina sem parar, você pode terminar comendo um prato amargo lá na frente, porque não aprendeu a comer pelas beiradas da vida. Muitos avançam o sinal e passam a rasteira nos outros, achando que nunca vai lhe acontecer um mal lá na frente.

Nas ruas, gente apressada para resolver seus problemas do dia-a-dia, naquela agonia, somente para sobreviver. A era do celular não lhe deixa tempo para pensar o que se passa em sua volta. O outro, praticamente não existe. Não dá conta que é um ser humano com início, meio e fim (olha novamente o Raul). Melhor ir comendo pelas beiras, saboreando.

 

CONSELHO DEBATE PLANO MUNICIPAL DE CULTURA

Na noite de ontem (dia 07;03), o Conselho Municipal de Cultura colocou na mesa, a discussão sobre a criação de um Plano Cultural para Vitória da Conquista, quando, na ocasião, foi criada uma comissão permanente encarregada de fazer um esboço do projeto que será complementado numa Conferência Pública, a ser realizada na primeira quinzena de maio.

Esteve presente à reunião, o secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Xangai, que abraçou a ideia, colocando a pasta à disposição para convocar a Conferência. Depois de pronto, o projeto será encaminhado ao poder executivo que irá apreciar e, determinará, ou não, o seu envio à Câmara de Vereadores para a devida aprovação.

Foi o primeiro passo histórico para a criação do Plano Municipal de Cultura que norteará as diretrizes básicas da nossa cultura. De acordo com os conselheiros e do próprio secretário, será um legado que essa administração deixará para a posteridade, já que os outros governantes nunca tomaram essa iniciativa.

Além do plano, o Conselho Municipal de Cultura colocou em pauta a questão do Fundo Cultural e a possibilidade do lançamento de um edital para participação do setor artístico, abrangendo as diversas linguagens, O edital está sendo planejado pela Secretaria de Cultura com as dotações orçamentárias para sua realização.

Outros assuntos foram abordados, como possíveis parcerias com o setor privado visando a realização de eventos culturais na cidade, bem como as comemorações do bicentenário da Independência do Brasil, no 7 de setembro, e o bicentenário da expulsão dos portugueses da Bahia e do Brasil no quatro de julho do próximo ano.

Na oportunidade, foi lembrado o Dia Internacional da Mulher, comemorado no 8 de março. Foi feita uma felicitação antecipada a todas as mulheres para que exista igualdade entre os homens na conquista de seus espaços, e que seja mais respeitada na sociedade.

 

OS GRÃOS BRASILEIROS, DESMATAMENTO E A DEPENDÊNCIA NO SETOR INDUSTRIAL

Essa guerra insana entre a Rússia e a Ucrânia – sem entrar no mérito da questão – pelo menos serviu para escancarar duas realidades. Uma no âmbito externo na relação entre o tratamento dado aos refugiados do país atacado e os árabes e africanos que foram escorraçados de suas terras e obrigados a viver em campos de concentrações, sendo expulsos onde chegavam. A outra realidade é no tocante ao Brasil produtor e exportador de grãos, ainda colonial, dependente de produtos industrializados, especialmente de fármacos e fertilizantes.

Foi só estourar a guerra para aparecer a discriminação étnico-racial. Os mesmos países que estão recebendo os refugiados ucranianos de braços abertos, com plaquinhas para abrigá-los em suas casas e abrigos, são os mesmos que construíram muralhas de arames farpados para enxotar os sírios, os iraquianos, afegãos e africanos, vistos como terroristas, criminosos, bandidos e gente do mal. Foram recebidos com bombas, tiros e pé na bunda.

Quanto ao Brasil, ora sem posição, para muita gente que até então não sabia, a guerra está mostrando o lado da dependência industrial. Trata-se de um país do agro, vivendo ainda nos tempos coloniais, que derruba as florestas para plantar grãos e criar bois, para vender soja, algodão, milho, café e carne.

Nesses mais de 500 anos, o país ainda não conseguiu desenvolver um parque industrial consistente. Agora mesmo ficou patente a necessidade de importação de fertilizantes da Rússia e da Ucrânia, para atender o setor agrícola, sem falar nos remédios, como a insulina. Os mais variados produtos da química fina são comprados dos Estados Unidos, China, Alemanha e outros países.

O Brasil ainda continua sendo um produtor e exportador de matérias primas (ferro, aço, grãos, petróleo cru) e poucos manufaturados e semi-industrializados. A agropecuária ainda é o carro-chefe da economia que mantém a balança comercial em superávit e, para sustentar esse peso, cada vez mais desmata nossos biomas para plantar e criar bois.

Quando os preços dessas matérias-primas estão em alta no mercado internacional, tudo é uma maravilha, e cada vez mais enchem os bolsos dos empresários latifundiários capitalistas, sustentados com o dinheiro do povo. Esses caras, que dizem botar alimento na mesa do brasileiro (uma mentira), sempre foram presenteados com subsídios do Tesouro Nacional, principalmente quando as cotações desses produtos sofrem queda no exterior.

Como consequência, o Brasil continua sendo um concentrador de rendas nas mãos de poucos, e sofrendo o amargo das desigualdades sociais. Não existe um plano de desenvolvimento econômico que faça distribuir os ganhos entre os mais pobres.

Quem manda no Congresso Nacional são as bancadas ruralistas e evangélicas. Uma só pensa em destruir o meio ambiente. A outra em disseminar seu fanatismo religioso moralista de família, pátria e tradição.

Que eu saiba, não existe a bancada da indústria e, muito menos, do povo. O negócio é plantar mais e mais soja e criar bois. A própria Amazônia pode um dia se transformar numa pastagem, ou em campos de grãos para vender no mercado externo, importando inflação e espalhando pobreza e miséria.

 

 





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