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COMENDO PELAS BEIRADAS
As reuniões da OEA (Organização dos Estados Americanos), da ONU (Organização das Nações Unidas), da União Europeia (27 países) e das 32 nações da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) são evasivas e simbólicas, com declarações repetitivas de repúdio à invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, seguida de sequestro do presidente Maduro.
Tanto a Europa como estes outros organismos foram se enfraquecendo depois da Guerra Fria, e esses encontros não passam de blábláblás onde suas vozes não mais ecoam e até se tornaram enfadonhas. Enquanto isso, os Estados Unidos vão comendo pelas beiradas, e o Donald Trump vai preparando outras intervenções. O Brasil pode estar nesta lista. Dizem que eles almoçaram o Maduro e podem querer jantar uma moqueca de lula.
A bola da vez agora é a ilha da Groelândia, um território autônomo, mas anexado à Dinamarca, que faz parte da OTAN, como os Estados Unidos, e tem como principal princípio em seu tratado a reação da organização no caso de um dos seus membros ser atacado. Desde quando foi criada, depois da II Guerra, não houve nenhum caso onde um participante invadiu o outro.
O neonazista do Trump pretende abrir uma exceção, com o argumento de que a ilha é um caso de segurança nacional para os yanques norte-americanos. Agora, orientado pela sua trempe de malvados assessores do mal, ele já está falando em comprar, como se fosse um sítio ou um terreno qualquer.
Esse esquema nos faz lembrar dos grileiros coronelistas (ainda existentes no Brasil) que chegavam para o pequeno proprietário e lhe dava duas opções: Uma de venda e a outra de invasão na base da força. Na Conquista do Oeste, dentro do próprio Estados Unidos, também ocorria esse método colonialista: Ou vende ou morre.
Por falar em comer pelas beiradas, a Colômbia também pode ser a próxima e aí os organismos voltam a se reunir para emitir os mesmos pronunciamentos que deixaram de ter credibilidade mundial. Na América Latina, o único país a adotar uma posição contrária foi a Argentina, isto é, seu presidente Javier Milei foi comprado por um punhado de dólares.
O mais estranho é que o seu povo (os nossos hermanos), sempre aguerrido em termos de ir às ruas protestar, não se manifestou contra o Milei e sua decisão traidora. Será que a população, mais instruída e culta que a brasileira, está concordando com esse absurdo internacional de usurpação territorial?
No entanto, nos tempos atuais de tanta polarização ideológica entre direita e esquerda, o mundo ficou mais confuso e não conseguimos entender e explicar posições retrógradas vindas de pessoas de nível intelectual, sem falar no individualismo.
Quanto ao caso da Venezuela, o Governo Trump, para disfarçar e confundir a opinião pública de que não houve uma invasão, deixou que o regime continuasse o mesmo com a posse da vice-presidente, mas advertiu que ela não sai da linha, ou seja, tem que manter alinhamento a favor dos bárbaros invasores.
A ativista e traidora María Corina Machado, que defendeu a intervenção dos EUA e dedicou o seu Prêmio Nobel da Paz ao povo sofrido do seu país e ao presidente Trump, foi colocada de escanteio. Na história, os traidores sempre foram renegados pelos dois lados.
Outro fato que passou despercebido no Brasil foi que a invasão do país vizinho roubou a cena dos processos do Superior Tribunal Federal contra os golpistas que estão vibrando em suas cadeias. Não tivemos também a repercussão dos malfeitores do Congresso Nacional, que estão de férias curtindo suas mordomias. Bem que eles gostariam de terem sido convocados para uma sessão extraordinária!
EU ACUSO…
Depois da II Guerra Mundial, a partir de 1946, os Estados Unidos, uma nação prepotente e arrogante, cujos presidentes se acham enviados de Deus donos do mundo, já realizaram mais de 80 intervenções na base da força militar em países diferentes (só os mais fracos), com pretextos diferentes para se apropriar de suas riquezas e impor adesão aos seus sistemas e regimes.
Desde sua independência, em 1776, criaram 13 colônias. Somente no Vietnã, em 30 de abril de 1975, eles foram expulsos e o norte e o sul foram unificados. Sua população guerreira e brava saiu das ruínas e ergueu o país. Em 1954 dividiram a Coréia em duas e, em outras nações, causaram desagregação, fome e a miséria.
Em todos países invadidos, pelo que se saiba, nenhum deu certo e seu povo passou a viver em piores condições, como Iraque, Afeganistão, Líbia, Filipinas e em vários países da América Latina que eles consideram como se fosse seu quintal. Desde os anos 60, os yanques oprimem Cuba com boicotes econômico e social.
A lista de atrocidades e crimes internacionais é vasta e é por isso que acuso os Estados Unidos e seu povo de assassinatos, terrorismo, massacres indiscriminados, piratarias em mares e na terra, atentados contra os mais africanos, de agirem como bandidos, salteadores, predadores, sanguinários e responsáveis por depredar o meio ambiente provocando o aquecimento global.
Eu acuso os Estados, que hoje vive uma ditadura nazifascista do Donald Trump, ao banco dos réus, incluindo todas instituições (Congresso, Justiça, entidades empresariais, dentre outras) que o apoiam. É uma nação perversa, cruel, psicopata, de alta periculosidade que deveria ser isolada e confinada a um campo de concentração ou a uma prisão perpétua.
Em acuso os Estados Unidos como uma cultura nefasta, contagiosa, de gente avarenta, imperialista que se acha superior aos outros. Acuso como a terra do mal onde só causa dores e sofrimentos. Acuso os Estados Unidos pelo seu sadismo, sua ganância, por ter exterminado os povos originários, por canibalismo e se alimentar do sangue dos outros. Acuso os Estados Unidos por não serem humanos, pela sua selvageria que devem ser eliminados da terra.
Como latino, acuso os Estados Unidos por terem disseminado ditaduras, torturas e milhares de mortes nos anos 60 e 70 nas Américas Central e do Sul, roubando nossos ideais, nossos sonhos e por nos deixar ainda mais atrasados. Eu me considero uma de suas vítimas e jamais porei meus pés naquela terra amaldiçoada.
Acuso por ter se juntado ao genocida carniceiro do primeiro-ministro de Israel, para massacrar, com requintes de barbaridades, os palestinos através das bombas e da fome, destruindo toda faixa de Gaza. Acuso por serem bárbaros em pleno século XXI.
Eu acuso esses facínoras pela mais recente invasão à Venezuela e sequestro do seu presidente Maduro, por mais que não concorde com suas arbitrariedades e seus métodos de subjugação, sob pretexto de narcotraficante, com justificativas semelhantes e evasivas como agiram no Panamá há 35 anos.
Mesmo o mais idiota terráqueo sabe lá no fundo que não é correto um país invadir o outro e sequestrar o presidente, mas ele é movido pela cegueira e questão pessoal. Quem apoia uma intervenção militar estrangeira em seu país é um traidor. A lei é clara e não pairam dúvidas. Não existem motivos que justifiquem tal ação criminosa.
Por que os norte-americanos não invadem a Rússia e prendem o Putin que invadiu a Ucrânia há quatro anos e é bem pior que o Maduro? É um tirano opressor de seus opositores (mata por envenenamento) e foi julgado pelo Tribunal Internacional de Águia por cometer crimes contra a humanidade. Se eles forem lá recebem bombas nucleares.
Atacaram a Nicarágua, El Salvador, São Domingos e agora ameaça a Colômbia e o Brasil, numa América do Sul polarizada onde canalhas aprovam a ação do Trump. Primeiro foram os espanhóis e portugueses, mas a colonização bárbara não acabou. As veias da América Latina continuam abertas a jorrar sangue humano.
Com acusações vazias e mentirosos de possuir armas químicas de destruição em massa, o Bush agiu da mesma forma no Iraque até matar o seu presidente. Eles fizeram o mesmo na Líbia com o Kaddaf, cujo país vive hoje dividido em guerra civil. Os Estados Unidos são os verdadeiros terroristas do mundo. Os grupos que revidam são de resistência contra séculos de opressão.
Antes foi a guerra fria quando Estados Unidos e Rússia ficaram com a maior fatia do bolo que lhes cabiam depois da II Guerra. Além dos bens materiais saqueados, o primeiro ficou com a América Latina e parte da Europa. O outro com o Leste Europeu.
Depois da queda do Muro de Berlim, entre 1989/90, os Estados Unidos ficaram ainda mais fortalecidos, com maior poder de fogo, mas tínhamos líderes mais fortes e temidos. Mudou a geopolítica e agora temos o quarteto dos Estados Unidos (Trump), Rússia (Putin), China (Xi Jinping) e Israel (Benjamin Netanyahu, o “Bibi”) que faz os conluios e acordos onde cada um fica com sua parte. A Rússia fica com a Ucrânia e a China com Taiwan (Ilha Formosa).
Temos hoje uma Europa enfraquecida, bem como os organismos internacionais que só sabem lamentar e condenar através de palavras diplomáticas. Se a FIFA fosse séria e firme, seria hora de cortar os Estados Unidos de ser uma das sedes da Copa Mundial de Futebol, mas um dia virá a sua queda, como ocorrem com o império romano e o britânico.
COMEÇOU O “NOVO ANO” E AGORA?
E aí, cara, começou a cumprir as metas que você traçou na comemoração da passagem do velho para o novo? “E agora José”?
– Deixa de ser chato! Lá vem você de novo. Nem fiz planos. Ainda estou aqui de ressaca e curtindo o feriadão. Aliás, esse negócio de “novo” é só para fazer festa e encher os bolsos de dinheiro do capitalismo. Serve para deixar a classe pobre-média mais arrombada, com dívidas se acumulando.
– Foi só para te sacanear, também concordo e digo mais: Que nada muda. Estou aqui me arrastando para escrever alguma coisa. Essa coisa de novo é só para enganar os bestas. A gente nem percebe que está ficando mais velho toda vez que esse velho faz a entrega do bastão.
Fora as superstições de vestir branco, vermelho, amarelo, verde, azul ou preto e comer lentilhas para ter abundância, observei que 2026 vai ser nota 10. É só somar dois mais dois e mais seis. Já é um bom sinal para ficar mais animado. Quem sabe não vem uma graça boa por aí!
É só cada um procurar fazer a sua parte e deixar o individualismo de lado. Por natureza, o ser humano é hipócrita quando em público prega uma coisa e depois faz outra.
Vejo gente que mora ao seu lado, defendendo e pregando proteção ao meio ambiente, mas joga lixo em terrenos vazios, em frente da sua porta. Dentro do carro, o motorista concede entrevista falando em prudência no trânsito, mas quando arranca, lá na frente, faz ultrapassagens indevidas.
O que mais existe é falta de respeito aos outros, como entrar de carro numa vaga de deficiente físico ou de idoso; furar fila; criticar os políticos ladrões e fazer o mesmo. A corrupção e a prática de subornos não estão somente no Planalto, no Congresso Nacional.
Sabemos que vivemos em tempos turbulentos, com guerras, polarizações ideológicas políticas e religiosas de ódio e intolerância; aquecimento global com tragédias climáticas; e uma grande parte da humanidade em decadência, com ideias retrógradas, mas a vida continua e temos que seguir nosso caminho. É preciso saber viver e saber morrer, sem julgar os outros.
Como disse Fernando Pessoa, “segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas, o resto é a sombra de árvores alheias. Pois é assim que deve ser. Cuide da sua vida, lide com as suas dificuldades, apare seus defeitos, aprimore sua qualidade e cure suas mágoas, ao invés de ciscar pela vida alheia, se incomodando com o que o outro faz ou deixa de fazer. Limpe seus olhos antes de falar sobre o cisco nos olhos do outro” (publicado por @paulocirilooficial – Fabíola Simões)
Pois é, meu amigo, todo dia é um dia novo e é você quem faz o seu sucesso, o fato acontecer. Vejo pelas ruas multidões passando, todos avexados, numa corrida desenfreada, no mesmo ritmo do ano velho que passou e logo vem o novo a bater em sua porta, com aquelas cobranças. Às vezes, você é pego de surpresa e nem o alcança. Portanto, siga o que nos disse o poeta Fernando Pessoa.
A FOLINHA DE ARRANCAR O DIA
(Chico Ribeiro Neto)
Começo a pensar no calendário da infância, quando mamãe Cleonice, logo de manhã cedo, arrancava todo dia o dia anterior, na folhinha do Sagrado Coração de Jesus, vendida pela Editora Vozes. A folhinha, que existe desde 1940, traz o calendário anual que é encaixado na parte inferior da estampa.
Mais tarde, passei a gostar de ler aquelas pequenas folhas soltas onde, não sei como, cabia tanta coisa escrita na frente e atrás: um trecho do Evangelho, o santo do dia, fases da lua, frases célebres e como tirar mancha de caju da roupa.
Aquilo, sim, é que era calendário, pois o dia era arrancado um a um. Faz bem arrancar o dia de ontem e jogar fora. Hoje, a gente recebe calendários onde cabem até 3 meses numa só página, quando não é o ano todo, Nos últimos tempos, compro todo ano a folhinha do Coração de Jesus.
“Seu Chico, o senhor tem folhinha?”
Qual não era a satisfação de meu avô ao pegar na gaveta aquela folhinha da sua loja em Ipiaú, a Casa São Roque, e o freguês exclamar ohs! diante dos cachorrinhos, crianças e cascatas. As folhinhas são bonitas certamente para tornar os dias mais amenos.
A folhinha caiu de moda. Saiu até da sala pra cozinha. Eu me lembro que se brigava por folhinha: “Seu Manoel, olha lá, hein? Pode guardar a minha que venho buscar segunda-feira. Não posso ficar esse ano sem folhinha”.
Casa com cinco quartos tinha uma folhinha em cada um. A mais bonita ficava pra sala e as que sobravam iam pro corredor ou cozinha.
Já um pouco mais crescido, passei a notar que nas folhinhas do quarto da minha tia beata só tinha santo, enquanto as da barbearia só tinha mulher boa. Barbearia, casa de peças e borracharia são lugares danados pra ter calendário de mulher nua e fazendo propaganda de amortecedor ou de pneu. Já vi uma barbearia onde setembro era mulher boa e outubro era um girassol. Outubro chegou, já era dia 15, mas a folhinha continuava em setembro, pra não virar a página.
Os calendários – ou folhinhas, nome gostoso e cheio de lembranças – também servem para marcar os dias perigosos das mulheres, os dias férteis, a famosa tabela. Aquele pequeno círculo em volta dos dias já diz tudo.
Folhinha velha não podia continuar na parede nem um dia a mais. Folhinha nova dava azar se colocada antes de primeiro de janeiro.
Dia após dia, todos iguais. A folhinha traz um pouco de poesia para o cotidiano. Nesse ano-novo, que você receba uma folhinha de cachorrinhos, crianças e cascatas.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 19/12/90)
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
PREVALECE A LEI DO MAIS FORTE
Na lei natural dos animais selvagens, sempre prevalece a do mais forte. Tem o predador dos predadores. O fraco leva a pior. No mundo dos humanos não é diferente. Estou me referindo ao maluco do Donald Trump que, sob o pretexto do tráfico de drogas, está invadindo a Venezuela (não estou defendendo o Maduro que já deveria ter caído de podre). O mesmo foi feito por Bush que mandou invadir o Iraque dizendo que possuía armas nucleares.
Quando falo sobre a lei do mais forte, isso me faz lembrar do soviético Nikita Khrushchov que, em 1962, resolveu instalar mísseis na ilha de Cuba. John Kennedy deu ultimato e ameaçou que se ele insistisse, os Estados Unidos e a Europa iam invadir a Alemanha Oriental e o Leste Europeu. Nikita levou suas armas para casa.
Na guerra de invasão do território da Ucrânia, que já dura quatro anos, o russo Vladimir Putin, que incorporou o espírito tirano de Stalin, coloca como condição para fazer a paz, o território de Donesk. É uma verdadeira usurpação internacional e o presidente Volodymyr Zelensky, o mais fraco, fica pressionado entre as duas potências.
No jogo geopolítico, o safado xenófobo e neonazista do Trump comanda um acordo onde faz afago ao Putin num esquema entre os mais fortes. Trump apoia o Putin de olho numa possível invasão à ilha da Groelândia onde a Rússia não deve se envolver. O mesmo está acontecendo com a China que quer a ilha de Taiwan.
A Venezuela, que fez acordos comerciais e tecnológicos com a China e a Rússia, acredita que seus líderes vão ao seu socorro. Sempre prevaleceu, desde os primórdios das civilizações, a lei dos mais fortes, a força do imperialismo colonizador que massacrou e ainda massacra tribos e nações mais fracas.
A história está aí que não nos faz mentir e ela se repete, como nos tempos atuais entre os três maiores poderosos do mundo. A conversa entre eles deve ser nesse tom: Cada um fica com sua parte que lhe interessa e o resto a gente resolve comemorando. Trump deu um banquete para o príncipe saudita esquartejador de jornalista.
O Trump, por exemplo, está tentando impor a doutrina James Monroe, de 1823, quando proclamou “A América para os americanos” nos tempos do “Brasil dos Estados Unidos”. Com o pretexto de que potências europeias não deveriam mais colonizar ou intervir nas Américas, estabeleceu o hemisfério como área de influência dos EUA.
Essa doutrina foi usada para justificar intervenções norte-americanas em países da América Latina, como se fosse seu quintal. A Europa não podia invadir, mas eles sim, como ocorreu nos anos 50, 60 e 70 com os regimes ditatoriais apoiados pelas forças yanques.
Em contrapartida, de acordo com essa lei, os prepotentes e arrogantes dos norte-americanos que se consideram superiores enviados de Deus, não interfeririam nas guerras europeias ou nos assuntos internos de seus países, contanto que o resto das américas ficasse subjugado a eles.
A doutrina consolidou os EUA como o líder no continente americano, fazendo o que bem entendessem e assim invadiram vários países, como Panamá, El Salvador e outras nações da América Central. No início do século XX, o presidente Theodore Roosevelt expandiu a doutrina, dando aos yanques imperialistas o direito de intervir em países latino-americanos.
A frase “América para os americanos” serviu para justificar o imperialismo dos EUA na região e, como a história se repete, porque o panorama geopolítico pouco mudou, Trump está ressuscitando a estratégia da maligna doutrina, em resposta a influencias externas, como da Rússia e China.
Nós latino-americanos, infelizmente, continuamos sendo um quintal deles. Não consigo entender como o brasileiro de um modo geral idolatra os yanques, copia sua cultura de super-heróis, imita as festas e campanhas publicitárias comerciais, estrangeriza nossa língua, faz o papel de vira-lata e ainda se humilha para conseguir um passaporte de entrada naquele país de costumes e hábitos repugnantes.
Eles, que são analfabetos em geografia e conhecimentos gerais, nos tratam como índios e povos inferiores. Acham que aqui é terra de ninguém e até mijam em público quando chegam nos aeroportos. Eles só precisam de um simples visto para entrar no Brasil, enquanto os brasileiros são deportados algemados com correntes nos pés.
Em nome da democracia e da liberdade de expressão, os norte-americanos (no passado tomaram boa parte do México) invadem países, jogam bombas em territórios dos outros, massacram os mais fracos e apoiam terríveis ditaduras (Arábia Saudita) e facínoras genocidas que estão ao lado deles, como é o caso do primeiro ministro de Israel com relação às matanças de palestinos.
Os norte-americanos se acham deuses e o resto é eixo do mal, terroristas que precisam ser eliminados, quando, na verdade, são grupos de resistência. A mídia ocidental burguesa e também imperialista tem grande culpa nisso. Eles podem fazer terrorismo de Estado e assim não são classificados como tal.
QUANTO MENOS PENSAR, MELHOR!
Está difícil conviver hoje com as pessoas. Vivemos épocas cavernosas. A impressão que temos é que a humanidade aos poucos está voltando aos tempos das cavernas. Pode até ser pessimismo da minha parte. Muitos dizem que as coisas vão melhorar, mas não consigo acreditar nisso.
A velha geração das letras de conteúdo, de início, meio e fim, está se acabando, partindo para o além, e a nova faz questão do quanto menos pensar, melhor. Muitos colocam a culpa ao mundo da internet, das redes sociais de frase curtas e português errado, das abreviações das palavras e do besteirol, mas será que não está lá atrás quando começaram a definhar a educação? O conhecimento e o saber estão raquíticos!
Neste final de semana estava ouvindo uns vinis de Geraldo Vandré (Disparada, Pra que não dizer que falei das flores), Paulo Diniz (“E Agora, José” – Drummond), Zé Ramalho, com Avôha!, Caetano (Alegria, Alegria), Gilberto Gil (Domingo no Parque), Edu Lobo (Ponteio), Milton Nascimento (Travessia) e outros clássicos eternos dos saudosos festivais, de longas letras (muitas são aulas de história) que nos fazem refletir e têm sentido.
Naqueles tempos, muitos de hoje dirão se tratar de saudosismo, coisa de velho, as letras eram tão importantes, ou até mais, que as melodias musicais. Hoje, as músicas, se é que se pode chamar isso de músicas, são ritmos barulhentos, de letras de uma só estrofe, repetida várias vezes, com mulheres e homens rebolando no palco, e o artista é ovacionado por uma massa histérica que imita as coreografias e faz o papel de papagaio.
Existem letras de uma só frase e algumas com apenas duas palavras fazendo o maior sucesso em shows de multidões, e ainda chamam isso de festivais. A grande maioria não quer mais saber de letras longas, e até os artistas de conteúdo entraram nessa onda e rejeitam porque sabem que o público em geral não escuta mais o que se fala.
Tem gente hoje que sai do nada e de repente, de uma hora para outra, está nas paradas de sucesso, como um tal João Gomes e tantos outros. As duplas “sertanejas” são verdadeiras pragas daninhas, com letras curtas de sofrência e amor barato. Arrastam galeras jovens sem nenhum senso crítico.
As redes de televisão abraçam porque dá audiência e mais patrocínios, e na internet são milhões de visualizações. É um esquema bruto de jabás que se paga alto pelas divulgações. Com o baixo nível cultural, onde a juventude cai dentro e se afoga nas merdas, está bem mais fácil fazer sucesso e ganhar dinheiro.
Antigamente, aquela velha geração que me referi lá em cima, dava um duro danado, ralava e comia o pão que o diabo amassou, para ser reconhecido pelo público como grande artista. Passava um bom tempo de viola nos ombros virando a noite, de barzinho em barzinho, recebendo um cachê minguado.
Os nordestinos, hoje famosos, lá atrás, sem estrutura de mercado em suas capitais, iam para o Rio de Janeiro disputar na tora e na raça uma gravação nas grandes gravadoras, a maioria norte-americanas. Era tanta procura que tinha gente que pagava para gravar uma música. Lutavam bravamente por um espaço para divulgar suas obras.
A música, por ser mais atrativa, é apenas um exemplo de arte que sofreu essa decadência, mas as outras também padecem do mesmo “mal de siècle” do cada vez se pensar menos. Na literatura, são poucos os que se dedicam à leitura. A desculpa é que não têm tempo. Claro, o celular se tornou no deus mais idolatrado. A humanidade ficou mais imbecil.
Na maioria, os novos autores procuram fazer textos curtos, e os livros não passam de 150 páginas, no máximo, porque quase ninguém se debruça numa obra de 200 ou mais folhas. Até os livros didáticos são chochos. De poucas narrativas e muitos cortes.
Nas outras artes, a questão é semelhante, com poucos teatros, poucas danças, raras casas de espetáculos (em Vitória da Conquista estão fechadas) e não existem mais aquelas galerias e salões de artes plásticas, com algumas exceções em determinadas capitais. Os jovens preferem os shows de cantores, músicos e compositores que só parem lixo.
Diante de todo esse quadro de decadência cultural, de uma arte sem conteúdo que não é mais a mesma, como ter esperança de que as coisas vão melhorar? Muitos procuram pensar positivo, só porque ser negativo é pior e passa uma imagem de derrotismo.
É aquele negócio do faz de conta que tudo vai mudar para melhor. ”Que nada, cara, vamos pensar positivo”! Confesso que não consigo enganar a mim mesmo. Prefiro me comportar como um anormal, um estúpido ou bruto, fora desse eixo social maquiado, mesmo recebendo fortes críticas.
Estou nessa idade e não mais me incomodo com elas. Dentro das minhas condições, faço o possível para virar o jogo, mas já entramos no segundo tempo tomando de goleada. Necessitamos de muitos craques lá na frente para fazer gols, só que essa safra também está escassa. O técnico já fez de tudo e está rouco de tanto gritar! Só temos pernas de paus!
O “VELHO” E O “NOVO” DE BRAÇOS DADOS
Com todo respeito às crendices, superstições e ao sincretismo religioso, vou de branco, de azul, vermelho, amarelo, roxo ou preto, comer lentilhas, frango, carne de porco, pato, peru, ema ou ganso, para receber o “novo”, de braços dados com o “velho”. Não importa a cor ou a comida, se religioso ou profano.
Quando chegamos às vésperas do último dia do ano, festejamos essa passagem com o nome pomposo de “Réveillon” (Êta que adoramos mesmo estrangeirar e copiar a cultura alheia, ou alienígena), dizendo que estamos enterrando o velho, tanto que nos abraçamos e nos beijamos desejando um “Feliz e Próspero Ano Novo”.
É um ritual ancestral que já fazemos de forma maquinal, sem ao menos refletirmos que o velho, mesmo com seu paletó surrado, segue com o novo, que já nasce velho, porque no âmbito geral das formas política e social estabelecidas e do sistema vigente em que já vivemos, nada muda, a não ser fatos e acontecimentos novos que já fazem parte do nosso cotidiano. “Nada se cria, tudo se copia”.
No outro dia do primeiro do ano, como nos outros dias comuns do “velho”, os noticiários trazem fatos “novos” que acontecem no andar da carruagem da vida e muitos outros que já são velhos conhecidos da sociedade. Portanto, os dois continuam entrelaçados entre si como fios de corda no sentido latu sensus.
Isso de enterrar o “velho”, dele passar o bastão para o “novo”, só existe no nosso imaginário psicológico e é uma expressão que já sai automaticamente do nosso subconsciente. Sabemos que sem o velho ancestral, com suas aprendizagens, com seus erros e acertos, não nos renovamos para construir o novo.
Por sua vez, nem pensamos que cada ano que “enterramos”, ficamos mais velhos junto com a nossa data de aniversário. Um está atado ao outro. O “velho” leva muita coisa para o “novo” e o “novo” não vive sem o “velho”. Sem o “velho” não fazemos nossos planos, nossas metas e nossos sonhos, muitas deles não cumpridos que se tornam caducos durante o “novo”, que nada tem de novo.
Bastam de tantos firulas e trocadilhos de filosofia barata. A realidade é que sempre, de uma maneira ou de outra, estamos sempre condenando o “velho” quando afirmamos que queremos um “novo” melhor. Isso é natural porque o ser humano nunca está satisfeito com o que tem ou com o que recebeu e teve lá atrás. É por assim dizer, um ingrato das graças. Claro que no meio existiram desgraças.
Todos os anos temos catástrofes e tragédias humanas e da natureza, com suas tormentas, temporais, raios, vendavais, ciclones e tornados (cada vez mais crescentes devido ao aquecimento global); desmandos dos políticos corruptos e tiranos; guerras de bombas voadoras destruidoras; campanhas de doações; gestos de maldades e generosidades; crimes hediondos e ações que ainda alimentam nossa esperança e fé.
Tudo isso está no cardápio que o “velho” passa para o “novo”. As mudanças nos ingredientes e temperos para que a comida fique menos ou mais saborosa só dependem de nós. Não adianta lamentar porque o tempo continua se arrastando tinhoso e nem se atreva pedir para parar. Ele é o dono dos nossos destinos.
Mas, “vamos em frente que atrás vem gente”, meu amigo e, como dizia nosso cancioneiro, o Bob Dylan do Nordeste, ainda vivo (outros acham que é o Zé Ramalho), Geraldo Vandré, vamos embora que esperar não é saber/ quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Felicitações ao “velho” e um forte abraço ao “novo”, uma incógnita, que não seja aquele tipo amigo da onça.
A MORTE ANUNCIADA DOS CASARÕES
(Chico Ribeiro Neto)
Passo na orla marítima de Salvador e vejo uns três casarões que vão virar prédio. A imensa placa está à frente dos casarões ostentando o novo nome da moradia que vai ser construída, uma moradia mais alta e, sem dúvida, mais apertada para caber muita gente. Onde tinha 10 vai ter 200.
Como um biombo que se coloca no quarto do paciente para mostrar que ele ainda não morreu – mas seu estado é grave -, a grande placa da construtora antecipa a morte dos casarões que ainda estão lá, firmes, com as janelas fechadas. A placa é uma tarja branca na frente deles, como uma mordaça para que não digam o que estão sentindo.
O mato ainda não começou a crescer e logo logo os tratores entrarão em ação. Num cantinho com ar-condicionado os corretores já estarão vendendo os apartamentos e fazendo milhões de cálculos de renda, sinal e prestação, enquanto os filhos dos compradores brincam com os carrinhos da maquete do prédio e ganham carão.
Você já viu derrubar um casarão? É um tropel de ferros, cabos de aço e picaretas. Extasiados, operários e populares assistem um trator derrubar uma parede em poucos segundos, enquanto o coração de quem morou lá já deve estar implodindo, mesmo tendo feito um bom negócio na venda do casarão. Resta o consolo de que uma casa velha tem coisas que nem derrubando saem.
Alguma cadeira ficará para o peão sentar e bater um dominó. Uma velha folhinha com fotos da Europa e rasgada no mês de maio servirá também para distrai-lo.
Muitos objetos foram deixados pelo canto, na pressa da saída. Num velho caderno de apostilas do vestibular o mestre-de-obra fica encantado com um poema de Chico Buarque. Por coincidência, ele abriu o caderno bem naquele lugar: “Amou daquela vez como se fosse a última…”
Logo após o início da obra, começam a chegar, de manhã cedo, vendedores de mingau, café, pastel e bolo, ocupam a frente do tapume, e aquela mão calejada e suja de areia recebe um pedaço de bolo pela abertura do tapume. Um guaraná litro ajuda a descê-lo e o feliz arroto dá a sensação de barriga cheia.
Prédio quase pronto, os primeiros moradores vão começar a chegar com o apartamento ainda no cimento. “Aquela mulher é muito enjoada, pois já está falando em derrubar parede”.
O peão recolhe rapidamente os pedaços de pão e a lata de sardinha, pois a madame quer ver também como é a cozinha.
Se pudesse, faria um apelo aos construtores: quando forem erguer um prédio no lugar de um casarão, não coloquem nenhuma placa na frente do moribundo. Esperem a retirada da última janela e o olhar de saudade do velho morador.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 17/07/91).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
O PRESIDENTE QUE O BRASIL PRECISA PARA ACABAR COM A BANDIDAGEM
Diante desse quadro promíscuo em que vivemos na política polarizada, de tanto ódio e intolerância, muitas vezes ouvimos alguém dizer que precisamos de um presidente que seja poeta ou filósofo, para colocar este país no caminho da justiça social, da ética e da honradez. Antes de qualquer coisa, que seja honesto. Não importa se de esquerda ou de direita, não a extremista fascista fanática. O povo já não aguenta mais com tantos desmandos e bandidagens!
Às vezes, fico a pensar comigo mesmo de que precisamos de um presidente sem ambição em se perpetuar no poder ou fazer seu substituto. Um líder comandante que seja destemido e não tenha medo de perder o cargo, sem essa de fazer pacto com o diabo para manter a tal da governabilidade. Parece uma utopia, mas seria possível realizar a distopia desse sistema, não necessariamente com mão de ferro.
Não seria um presidente ditador, populista ou assistencialista, apenas que falasse democraticamente a língua do povo. Um presidente que tivesse a coragem de quebrar com todas essas amarras e alianças oportunistas velhacas e formasse o seu próprio ministério com pessoas competentes e comprometidas com o Brasil e não com seus interesses individuais. Um presidente destemido que suportasse as críticas.
Imagino um presidente que tivesse a coragem e a “valentia” de um sertanejo brabo para criticar, de peito aberto, dando nome aos bois, os bandidos que compõem a maioria desse Congresso Nacional de pervertidos, sem medo de ameaças de ser cassado. Um presidente que botasse a boca no trombone e falasse a verdade, doesse em quem doesse. Um cabra de “sangue no olho”.
Um presidente que por decretos ou projetos propusesse cortar todas as mordomias e orgias dessas três castas dos poderes executivo, judiciário e legislativo, mesmo que suas propostas fossem rejeitadas e criticadas por esses canalhas que vivem às custas dos trabalhadores. Que cortasse metade dos feriados e acabasse com essa pilantragem dos feriadões, os tais enforcamentos. Com certeza, mesmo que demorasse um pouco para entender suas posições, o povo ficaria ao seu lado e apoiaria suas medidas.
A grande maioria se engajaria nessa empreitada de fazer do Brasil um país sério, e não essa república de bananas. Entendo que o Brasil precisa de um presidente que apresente para toda população um projeto de reforma eleitoral que acabe de vez com esse coronelismo do voto, não esses projetos tampões ou remendos que esses embusteiros do Congresso aprovam em épocas eleitoreiras.
Queremos um presidente que procurasse, por todos os meios possíveis, derrotar essa cabroeira que faz da política um meio de vida e de negócio, inclusive elementos que se dizem de esquerda, mas não passam de aproveitadores da ingenuidade do povo. Um presidente que condenasse veementemente esse processo criminoso de emendas parlamentares.
Nada de fazer negociações esdruxulas para agradar as elites burguesas e oligarcas que sempre sugaram nossas riquezas e contribuíram para aprofundar as desigualdades sociais onde a miséria não passa de entulhos. Um presidente que combatesse esse agro predador e esse sistema financeiro selvagem.
Precisamos de um presidente sem esse jogo duplo, de ser mãe dos pobres e pai dos ricos. Basta de tanto dar, sem ensinar a pescar. Poderia até não ficar muito tempo no poder, mas ficaria para sempre na história como o presidente que enfrentou os dragões diabólicos e tentou acabar com o banditismo do colarinho branco e das organizações narcotraficantes que hoje estão de mãos dadas depenando nosso país.
Não é esse PT ou essa esquerda que aí está, que faz alianças com essa gente fedorenta facínora, que vai consertar o Brasil e exterminar esse câncer epidêmico da corrupção e da malandragem desembestada. Esse Governo está apenas abrindo a porteira para a boiada passar. Por que não mudar e enfrentar os malignos junto com o povo, sem acordos e pactos sujos?
A MALDIÇÃO DA BASE DE ALCÂNTARA
Quando num local acontecem fenômenos estranhos e as coisas sempre dão erradas, caso de um estabelecimento onde negócio nenhum prospera e sempre está mudando de dono, as pessoas costumam dizer que o lugar é amaldiçoado.
No folclore, ou na cultura popular, falam de casas mal-assombradas onde antigos moradores foram mortos tragicamente por assassinos cruéis, inclusive pertencentes às famílias. Diz a crendice que é necessário muita reza, um ritual de candomblé de pai-de-santo, muita água benta ou de um padre exorcista para espantar a maldição. O assunto tem sido utilizado como matéria-prima para roteiros de livros e filmes.
É o caso da Base de Alcântara, no Maranhão, o Cabo Canaveral brasileiro de lançamento de foguetes tupiniquins que sempre explodem, como ocorreu nesta semana. Os lançamentos emperram na hora ou provocam acidentes graves nas decolagens. Melhor não mais tentar porque já virou piada e deboche de fracassos. Esses foguetes poderiam ser chamados de Marimbondos de Sarney.
Desconfio que ali, em tempos passados, tenha sido cemitério sagrado de alguma tribo indígena e os espíritos dos nossos antepassados não ficaram nada satisfeitos em transformar o local numa base de foguetes, por isso que eles interferem nas operações ao serem perturbados com esses monstrengos da tecnologia.
Como só dá problema, bem que a Base (antes era na Barreira do Inferno) poderia ser transferida para a Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, a “Suíça Baiana”, mas aí os mongoiós iriam se vingar dos massacres passados do colonizador português de Chaves, João Gonçalves da Costa. Já imaginaram o orgulho de ter uma Base de Foguetes na Serra! Pelo menos seria um ponto turístico!
Brincadeiras à parte, a Base, localizada em ponto estratégico da linha do Equador, teve seu início de construção em 1982. Seu núcleo foi inaugurado no ano seguinte, mas só se tornou operacional mesmo em 1989. Em 1990 foi lançada a Sonda 2, como símbolo da entrada do Brasil no programa espacial. O homem já havia pisado na lua há mais de 20 anos.
Para quem tem boa memória, o acidente mais notório e trágico na Base de Alcântara foi a explosão do foguete VLS-1, em agosto de 2003 que resultou na morte de 21 técnicos e pesquisadores brasileiros, sendo o maior revés do Programa Espacial Brasileiro.
Por coincidência, estava lá nesse dia numa viagem de carro que fiz pelo interior do Nordeste, da Bahia a São Luis, do Maranhão. Além desse (agora mais um), outros seis lançamentos falharam, como em 1997 e outro em 1999. Não parece mesmo uma maldição, ou coisas do Brasil que terminam em anedotas.
Dizem que o de 2003, o erro foi em decorrência da ignição prematura do foguete no solo. No de 1997 foi falha no acionamento de um motor, resultando no foguete caindo no Atlântico. Em 1999, o foguete foi destruído remotamente três minutos após a decolagem devido a uma chama no bloco do segundo estágio.
O acidente desta semana, se não me engano, foi parecido com o de 1999. Houve retardo por cousa do mau tempo (só temos temporais no serviço de meteorologia), e o foguete não era para ter sido lançado naquele instante. Devem ter errado na contagem regressiva e os técnicos não combinaram a partida com São Pedro. Quem sabe não daria certo na contagem progressiva!
Recordo que em 2003 – de lá para cá ninguém falou mais no assunto e até achava que nem existia mais essa Base de Alcântara – falaram que o acidente seria investigado para punir os responsáveis pela atrapalhada e que o governo iria buscar parcerias internacionais.
Desta vez, pelo que se está sabendo, uma empresa sul-coreana está envolvida no imbróglio. O coreano resolveu enfrentar a maldição e deu no que deu. No próximo tem que se fazer um ritual ecumênico de orações, porque a coisa está feia. Ainda bem que não tinha ninguém no foguete, como em 2003.
Com tudo isso, a Base de Alcântara virou um projeto fantasmagórico de horror. Quem sabe se os foguetes não são feitos de bambus, para economizar gastos! Deve vir um próximo por aí porque o brasileiro é tinhoso e teimoso. Não seria melhor lançar em noite de São João? Assim disfarçava que foi apenas um foguete junino que estourou nos céus do Maranhão!










