Dante Alighieri

Tradução de Pedro Xavier Pinheiro

O que Dante e Virgílio, os poetas, diriam em suas visitas ao inferno para os falsários e traidores da pátria brasileira? No Canto XXX, no décimo compartimento, são punidos os falsários, tornados hidrópicos. Eles são constantemente atormentados por furiosa sede.

Aqueles que falaram falsamente são perseguidos por febre ardentíssima. Em sua obra “A Divina Comédia”, Dante vagueia em XXXIV cantos onde narra personalidades pecadoras da sua terra Florença, religiosos, gigantes rebeldes, hipócritas, avarentos, reis e mistura figuras mitológicas gregas e romanas.

Sobre os falsários, em uma de suas estrofes, o autor descreve que “Quando a fortuna a cinzas reduzia/A pujança de Troia, em tudo altiva,/E com seu reino o morto rei jazia”.

No mesmo Canto XXX, discorre: “Súbito quando o corpo descobrira/Uivou qual cão, de angústia possuída./Tanto a pungente dor na alma a ferira”. “Escancaras a boca venenosa,/O moedeiro diz: por mal somente;/ Se sede eu tenho e a pança volumosa”.

No Canto XXXII, de acordo com o tradutor da obra, Pedro Xavier, os dois poetas se encontram no círculo, em cujo pavimento de duríssimo gelo estão presos os traidores. O círculo é dividido em quatro partes; na Caina, de Caim, que matou o irmão, estão os traidores do próprio sangue.

Na Antenora, de Antenor, troiano que ajudou os gregos a conquistar Troia, os traidores da pátria e do próprio partido; na Ptolomeia, de Ptolomeu, que traiu Pompeu, lá estão os traidores dos amigos; na Judeca, de Judas, traidor de Jesus, os traidores dos benfeitores e de seus senhores.