A CORRIDA FRENÉTICA POR SEGUIDORES
Não sei explicar essa relação maluca, sem lógica, que bate no meu subconsciente ou mesmo consciente (Freud explica), mas todas as vezes que essa parte fútil da mídia fala em milhões de seguidores virtuais de algum “famoso ou famosa”, que fala um monte de besteiras na internet, me faz lembrar de Jesus Cristo no deserto da Palestina com seus doze apóstolos como seus fiéis seguidores escudeiros, só que Ele disseminava a verdade.
Mesmo assim, um lhe traiu e o outro lhe negou três vezes. Esse blablabá me faz recordar também dos antigos filósofos gregos Sócrates, Aristóteles, Platão e outros que há 400 anos a. C. tinham seus alunos seguidores que escutavam atentamente seus ensinamentos. Hoje são milhões de invisíveis e volúveis alienados que podem ser conduzidos para qualquer lugar.
Além de seus discípulos, Cristo atraia multidões, para aquela época, para ouvir suas pregações, como o Sermão da Montanha, que depois se dispersavam, cada um para cuidar de seus afazeres. Já imaginou Pedro e os outros assessores num esforço danado tentando arrebanhar mais seguidores para o mestre, e o cara dizendo, não dá porque tenho muito trabalho para fazer. A mulher e os filhos me esperam em casa. Peçam perdão ao Senhor.
Mesmo com as divisões na Igreja Católica Apostólica Romana, devido aos seus monstruosos pecados, Cristo continua com seus milhões ou bilhões de seguidores pelo mundo, se bem que uma grande parte é falsa e traidora, deturpa suas palavras e quando pode passa a rasteira no outro pelo vil metal. Outros são até bandidos, marginais corruptos e usam o Seu Nome em vão.
Entremos no túnel do tempo e avancemos dois mil anos depois em plena era da tecnologia da internet, da corrida frenética do ouro por seguidores, agora de forma virtual. Atrás de uma tela de computador, tablete ou celular, a chamada “celebridade” dá suas dicas de comportamento, inventa suas piadas sem graça, faz palhaçadas, goza com idosos, gays, faz o politicamente correto e incorreto, canta seus lixos e se vira como pode para viralizar e aumentar seus seguidores, muitos dos quais através dos chamados torpedos.
A disputa, meu amigo e amiga, é acirrada! Qualquer coisa é válida para derrubar o adversário. A “máquina registradora” acelera e vai contando os números de cliques ou curtidas nos sininhos. Não existe ética para ultrapassar os milhões. A mídia anuncia que fulano ou fulana já tem cinco, dez, vinte, cinquenta ou até cem milhões de seguidores.
E eu aqui sou um lascado inútil e fracassado que não usa nem 10% da minha inteligência para conseguir um mero seguidor, nem minha mulher, filhos, sobrinhos e primos que discordam da maioria das minhas ideias e pensamentos. Será que existe algum amigo meu seguidor que eu nem saiba? Pelo menos já daria para fazer um protestozinho.
Até me xingam de que tenho obsessão compulsiva e transtorno mental em querer ser o dono da verdade. Sou um merda! Eles têm o poder do “convencimento” com suas lábias. Gira a roleta e façam suas clicadas! Só me resta ficar aqui em meu canto solitário, lendo e escrevendo, esperando a dita cuja bater em minha porta. Não sou mesmo um sujeito eleito e digno dessa “felicidade”!
Pronto, o céu não tem limites! Fico a imaginar esses milhões de seguidores no mundo real, todas atrás desses caras, também chamados de influenciadores ou influenciadoras – antigamente o jornalista era classificado como formador de opinião – gritando palavras de ordem para fazer uma revolução político-social, mas eles são imaginários e não vão estar lá.
Com tantos milhões de virtuais, por que o dono ou a dona desses rebanhos não experimenta se candidatar a deputado federal, senador e até presidente da República? Será que todos seguiriam ou apenas meia dúzia de fanáticos arriscaria dar seu voto? Daria para confiar neles?
Mais uma vez fico a matutar com meus botões que esses “artistas passageiros” são perigosos e podem levar uma multidão até ao suicídio, como fez o pastor Jim Jones em sua comunidade na selva. Podem derrubar governo e marchar contra Brasília. A agência de inteligência, a tal Abin, tem que ficar de olho nessa gente. A coisa é série, meu companheiro e camarada! A floresta é selvagem de animais ferozes.
– Eu tenho cinco milhões de seguidores. – Ultrapassei os dez milhões – grita de lá o concorrente. – Ah, meus admiradores são mais de setenta milhões! – Loucura, atingi os 100 milhões – fala o bambambã da arte da sedução. Tudo é válido nessa corrida do ouro, ou do tesouro escondido nas íngremes montanhas ou cavernas misteriosas cheias de perigos e monstros.
Vence quem for o melhor Indiana Jones do filme dos ianques. Aliás, são eles os inventores dos tais seguidores, influenciadores virtuais (virtual influencier), dos podcast. Nome bonito e charmoso! Temos que seguir seus passos, mesmo que seja tão somente para imitar, como os papagaios de piratas.











