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:: 24/ago/2023 . 22:01

A INVASÃO DA SERRA

Por muitos anos, principalmente a partir das décadas de 60 e 70, com a abertura da BR-116 (Rio-Bahia) e a implantação do polo cafeeiro, a Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, foi sendo invadida por moradores de várias partes da região e do estado na busca de trabalho e melhorias de vida. Foi quando aconteceu o maior êxodo rural. Sem qualificação profissional e, consequentemente, de baixo nível de poder aquisitivo, essas pessoas pobres foram invadindo a serra, da encosta até o seu topo, provocando um grande impacto ao meio ambiente.  Sem ocupação fora das colheitas do café e na falta de políticas públicas sociais, a maioria foi utilizada pelo setor imobiliário para explorar materiais da serra, como pedras, areias e cascalhos. Esse ciclo de exploração e degradação da serra somente foi estancado em meados dos anos 90 para início dos anos 2000 quando um decreto municipal tombou a Serra do Periperi. Acontece que o estrago já está feito e vários locais se tornaram irrecuperáveis, sem falar que a extensa área perdeu vários olhos d´água e minações que sustentavam a natureza. Por causa da depredação do homem (o maior culpado foi o poder público), quando chove forte, as ruas e avenidas de Conquista recebem uma grande quantidade de detritos que entopem bueiros e alagam o centro da cidade acarretando incalculáveis prejuízos e até acidentes graves.

 

NO BICO DO PAPAGAIO

Autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário

No Bico do Papagaio,

Onde bate a chuva,

O trovão e o raio,

A luta faz sua hora,

E o tempo lento chora,

Ai, ai, ai, ai, ai

 

Da selva brota a guerrilha,

Lá na região do Araguaia,

Goiás, Maranhão e Pará,

Cada guerreiro em sua trilha,

Da terra, companheiro,

Com sua mente libertária,

Contra a ditadura assassina,

De botas tiranas brutais,

Em plena América Latina,

Dominada pelos generais.

 

Os sessenta e nove idealistas,

Marcharam com seus bornais,

Na crença de uma vitória:

Mudar a nossa história,

Como nas cartas aos familiares:

Saudades, amores e dores,

Dos mortos desaparecidos,

Que ficaram sem seus rituais.

 

Eram mais de dez mil,

Helicóptero, metralhadora e fuzil,

Cabeças foram decepadas,

Corpos esquartejados,

Jogados no mar e nos rios,

Insepultos sem lutos,

Para apagar nossa memória,

Meu querido, minha querida!

Do pó continua aberta

Nossa sofrida ferida,

No Bico do Papagaio.





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