De tanto ver tanta violência e crueldades, de tanto o homem destruir a natureza para mais consumir, de tanto ódio e intolerância, de tanta politicagem, de tantas catástrofes e tragédias pelo mundo num prenúncio do apocalipse, o ser humano vai perdendo a fé e a esperança de dias melhores, e a palavra otimismo vai ficando escassa em nosso dicionário.

O tempo parece passar cada vez mais rápido e temos que encarar essa difícil vida onde cada dia tem que se matar vários leões para sobreviver, principalmente os mais pobres, de menor poder aquisitivo, que têm que lidar com as contas a pagar e se virar para colocar o alimento na mesa. As desigualdades sociais são assombrosas e a concentração de renda só aumenta.

Apesar de todo esse quadro sombrio cheio de nuvens pesadas que nos rondam, a vida ainda vale a pena ser vida quando se busca a paz e o amor e se procura isolar a inveja, a maldade contra os outros e desejar bem ao mais próximo. Só assim podemos enfrentar essa vida difícil.

Quando olhamos ao nosso redor, não é nada fácil juntar forças para manter o ânimo e encarar as adversidades. As pessoas estão cada vez mais brutas e preferem usar seus instintos primitivos do que a razão. Não paramos para refletir que esse sistema que fica cada vez mais embrutecido fomos nós mesmos que o construímos com nosso individualismo, comodismo e falta de indignação contra as injustiças sociais.

Nos dias atuais, chegamos ao ponto onde só reagimos quando o mal nos atinge, quando alguém da nossa família é vítima de uma bala perdida ou quando nos é negado um atendimento médico e alguém do nosso convívio familiar vem a óbito.

Nos tornamos mais insensíveis diante de tantas notícias de extermínio, de atrocidades, massacres e gente que faz o errado e quase nada acontece por causa da impunidade. Vivemos numa sociedade dividida pelo racismo, pela xenofobia, pela homofobia e outras formas de separação, quando essas questões nem mais deveriam ser discutidas.  Depois de tantos anos ainda estamos longe do sonho sonhado de Martin Lutter King. Os movimentos, ao invés de nos unir e nos aproximar, eles nos distanciam.