A caatinga com sua vegetação espinhosa, baixa e árida é mágica, mesmo quando sua paisagem é de sequidão com aquela cor cinzenta que produz lindas imagens fotográficas, destacando os cactos, a jurema, o umbuzeiro e o verde do mandacaru.

É bem verdade que, quando ela está assim, deixa o sertanejo acabrunhado, aperreado e triste ao ver a plantação perdida e o seu gadinho berrar de sede na cacimba. Pior ainda é quando olha para o céu e observa nuvens passageiras sem sinal de chuva. Com sua fé religiosa e sua cultura popular, ele não deixa de orar ao Supremo para que lhe ampare.

O catingueiro nordestino é forte, valente, persistente e nunca perde as esperanças. Pode até se retirar por uns tempos na busca da sobrevivência para si e sua família, mas, mesmo distante, pensa dia e noite em retornar ao seu torrão querido, como na música do cancioneiro ou nos versos do poeta Patativa do Assaré.

Coisa mais linda é quando batem as águas e de repente o sertão brota em flores de encher os olhos a perder de vista! Como uma fênix, da cinza renasce o verde, o amarelo do São João, o vermelho de outras árvores e até o lilás do Ipê em algumas faixas da mata de cipó. As abelhas delas extraem seu néctar para o fabrico do mel que nos serve até de remédio.

Toda Bahia e outros estados do Nordeste onde predomina o semiárido, o nosso sertão está florido e exuberante com suas agudas cheias à beira das estradas. É tempo de fartura que muda a expressão do sertanejo, conforme presenciei cortando estas terras saindo de Vitória da Conquista até Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Cortei toda Chapada Diamantina e outros municípios do Norte naquela imensidão verdejante.

Com as mudanças climáticas, ou o aquecimento global, os temporais que caíram deixaram praticamente todas cidades com estragos, ruas e avenidas esburacadas, casas caídas e até vidas perdidas pelas grandes enxurradas e deslizamentos de morros, tudo por desleixo dos nossos governantes que não montaram estruturas eficientes para suportar as chuvas.

No entanto, a nossa caatinga, que é subdividida em outros vários biomas nordestinos diferentes, se fortalece em prosperidade. Como num milagre da vida, as árvores retorcidas, antes com aparência de mortas, renasceram em poucos dias.

Além da flora diversificada, com centenas de espécies, a fauna faz sua festa com a abundância de alimentos. Os pássaros em suas revoadas e cantorias preenchem a beleza da natureza. Os animais rastejantes, os répteis em geral e aves maiores se fartam com tanta comida e água. Toda terra fica fértil e as plantas dão bons frutos.

Pena que a nossa caatinga vem sendo depredada há muitos anos com o corte de árvores para o uso em construções e no fabrico do carvão, deixando muitas áreas em processo de desertificação que nem as chuvas conseguem recuperar, sem contar as matanças de espécies raras, a caça predatória e o tráfico de animais silvestres.