Poeminha inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Ando sem tempo,

Para te amar, ler e sorrir,

Para te abraçar,

Nem para um alô,

Para meu amor,

No tempo que segue seu compasso.

Só que nossa gente,

Vive em disparada,

Negando a existência do tempo,

No acelerado passo:

Diz não ter tempo;

Tropeça no poste da frente,

No tempo do celular;

Ultrapassa o sinal,

No laço do capital.

 

Ando sem tempo,

Dentro do tempo,

Que gira como a roda,

Que o próprio tempo inventou,

No sonho da meia noite,

Que o homem sonhou,

E você dorme e acorda,

Com a agenda na mão,

Como código de Humurabi,

Nem sabe

Da Lei do Talião,

E esquece do tempo,

Que te envelhece.

 

Ah, desculpa, irmão!

Ando sem tempo,

Na corrida da vida,

Nem vi sua mensagem,

E na hora, do aqui e agora,

Se depara de cara,

Sem levar bagagem,

Na partida da última estação,

Do seu tempo, oh Senhor!

Que o vento levou.