A SERRA E O CRISTO
De braços abertos para a cidade como que abençoando a todos os 370 mil habitantes, sem nenhuma distinção, no emaranhado de fios e torres de televisão e operadoras nessa selva de pedras, lá está o Cristo de Mário Cravo, ou o Cristo da Serra do Periperi, desde os anos 80 do século passado. Não fosse o descuido dos nossos governantes durante esses mais de 40 anos, bem que poderia ser hoje o ponto mais frequentado pelos nossos moradores e visitantes de fora, mas, infelizmente, ainda existe aquele estigma de que o local é perigoso e não se deve ir lá em determinadas horas. Outra recomendação é que sua visita seja em grupos de pessoas. O único período em que o monumento recebe mais gente é durante a Semana Santa, especialmente na Sexta-Feira da Paixão. As promessas de urbanização e segurança para o acesso são longas e se arrastam por muito tempo. Uma pena para um local que já é visto, cá debaixo, como o cartão postal da cidade, só que não é de fato. Como jornalista-repórter, quando aqui cheguei em 1991, lembro que já fiz diversas matérias denunciando seu abandono e “brigando” para que ele fosse totalmente revitalizado, como o Cristo Redentor da Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. O sentimento que tenho, todas as vezes que o visito, é que esse Cristo da Serra do Periperi foi relegado à solidão pelos próprios conquistenses que deveriam cuidar melhor dele. Para seu embelezamento, já houve até proposta de projeto de se construir um teleférico de ligação entre o Cristo ao centro da cidade, mas tudo não passou de meras intenções. Na verdade, não passamos de uns ingratos.













