:: jun/2023
“FLUXO E REFLUXO” XXIII
“INCENTIVO OFICIAL DAS AUTORIDADES BRITÂNICAS AOS IMIGRANTES “BRASILEIROS”
De acordo com a obra “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, os imigrantes de Serra Leoa formavam em Lagos uma classe média de comerciantes e de funcionários subalternos na administração britânica.
A formação que recebiam em seu pais, a adoção da língua inglesa, o protestantismo que exibiam e a sua condição de cidadãos britânicos os tornavam mais próximos dos funcionários e comerciantes ingleses vindos da metrópole do os imigrantes brasileiros, separados dos britânicos pelos seus hábitos do Brasil, pela religião católica e pela própria condição de estrangeiros.
Os “brasileiros” simplesmente eram vistos como parentes pobres ao lado dos habitantes de Serra Leoa. A administração britânica adotava um certo preconceito com relação ao Brasil e aos brasileiros. No entanto, africanos emancipados que voltavam para Lagos eram bem-vindos, e o cônsul Benjamin Campbell procurava estimular os navios da Bahia a irem para Lagos e não para Uidá.
A mesma linha de conduta foi também seguida pelos governadores de Lagos até fins do século XIX, mas eles consideravam “iorubás repatriados” e não “imigrantes brasileiros”.
Em 1871, o governador de Lagos, John Hawley Glover, dizia que a terra estava destinada a ser povoada e cultivada pelos escravos emancipados de volta do Brasil e pelos imigrantes do interior. Em 1872 ele escrevia sobre as constantes chegadas de imigrantes brasileiros. John recomendava que esses brasileiros, para ele semicivilizados, fossem acolhidos por serem bons agricultores.
Em mensagem entre autoridades brasileiras, o governador afirmava que o repatriamento de seus artesãos e agricultores qualificados é particularmente desejável e deveria receber incentivo geral. Em 1887, o inglês parlamentar Cornelius Alfred Moloney foi um dos maiores incentivadores para a ida de brasileiros para Lagos. Na época ele sugeriu uma linha direta de navios a vapor saindo da Bahia para Lagos, ao invés da viagem ser feita por veleiros.
Sobre os “brasileiros”, Cornelius dizia que eram os nascidos na região iorubá que foram capturados e enviados para o Brasil como escravos; ou os seus descendentes; ou, em certos casos, alguns que, tendo sido levados também como escravos para o Brasil de outros pontos da África, fixaram-se em Lagos.
Segundo Cornelius, os brasileiros começaram a ser estabelecer em Lagos por volta de 1847, desde que passou a haver certa segurança, em consequência do incentivo e das garantias dadas aos negros do Brasil por uma visita do chefe tapa, conhecido como Osodi, sob a autoridade de Kosoko, então rei de Lagos.
Em 1871 havia 1237 repatriados do Brasil. Dez anos depois esse número passou para 2.732. A mão-de-obra do Brasil naquela época era constituída sobretudo de ex-escravos e seus descendentes e de negros escravos. Só na Bahia, segundo relatório consular de 1884, existiam 108 mil escravos de todo Império do Brasil, a maioria nas culturas de cacau, café, arroz, índigo, tabaco e algodão. Todos esses produtos podiam ser aclimatados em Lagos.
Foram criadas linhas de navios a vapor da Bahia para Lagos em comum acordo com os governos e companhias particulares, mas não deram bons resultados, sem bem que muitos continuaram a fazer esse caminho de volta através de veleiros. O sr. Conerlius acreditava que o retorno dos trabalhadores africanos do Brasil proporcionaria a criação de novas culturas em Lagos.
Os “brasileiros” e os cubanos formavam um grupo homogêneo e compunham uma sociedade em que as preocupações mundanas não estavam ausentes. A abolição da escravidão, em 1888, foi bastante festejada nas colônias em Lagos, conforme descreviam os jornais locais africanos.
CIGANOS EM TEMPOS DE TERROR E TRATADOS COMO MERCADORIAS
O INSTITUTO DOS CIGANOS DO BRASIL ESTÁ RECORRENDO AO GOVERNO FEDERAL PARA TOMAR PROVIDÊNCIAS CONTRA AÇÕES DE PRECONCEITOS AO SEU POVO.
Como nos tempos coloniais e do império quando para o Brasil eles foram deportados por Portugal e aqui perseguidos pela polícia com toda carga de preconceitos e violências como bandoleiros, preguiçosos, embusteiros, ladrões e malfeitores, o povo cigano continua a viver a mesma situação de terror e sendo “tratados como mercadorias”, conforme desabafou Rogério Ribeiro, ex-presidente e assessor de Comunicação do Instituto dos Ciganos do Brasil.
Em nome do presidente do Instituto, Itamar Cigano, com sede no Ceará, Rogério esteve nesta quarta-feira (dia 07/06), em Brasília, no Ministério da Justiça, Flávio Dino, e no Superior Tribunal de Justiça quando protocolou documento de revogação de prisão de ciganos e em defesa do seu povo contra os preconceito e abordagens arbitrárias por parte da polícia, inclusive muitos deles envolvidos em abuso de poder.
Entre outros assuntos, em audiências, Rogério falou da situação de vários sequestros na Bahia, como em Camaçari e Vitória da Conquista, bem como nos estados da Paraíba, Pernambuco e Minas Gerais. “Chega de tanta discriminação, abordagens desnecessárias e cigano não é mercadoria. Estamos solicitando apoio da Força Nacional para que se acabe de vez com essas perseguições” Ele se disse confiante nas tomadas de medidas do governo federal. “Os preconceitos continuam fortes e as coisa devem mudar”
Cita o documento que a Associação Beneficente Cultural e de Desenvolvimento Social dos Povos Ciganos do Brasil – ABECC foi formada por lideranças de diferentes comunidades, com o intuito de promover o desenvolvimento sustentável, para a defesa e garantia dos direitos do seu povo em situação de conflito.
SEQUESTROS E UMA TRAGÉDIA EM CONQUISTA
“As ameaças, sequestros e declarações de ódio contra os povos ciganos estão promovendo um verdadeiro medo e insegurança às famílias ciganas no estado da Bahia”- destaca o documento, ao denunciar que mais de 20 pessoas de origem cigana foram vítimas de sequestros, em 2021, na região metropolitana de Salvador, precisamente em Simões Filho e Camaçari.
Essas pessoas somente foram devolvidas mediante resgate com valores que chegaram a 150 mil reais. Em 2022 foram cerca de 10, sem contar outras tentativas. Neste ano, o primeiro ocorreu na tarde de quarta-feira, dia 11 de janeiro, na cidade de São Felipe. A vítima foi um adolescente de 14 anos. Os criminosos ameaçaram matar o jovem. O resgate custou o valor de 200 mil reais.
Os relatos prosseguem em relação aos constantes sequestros, como o do dia sete de março deste ano quando o cigano Lourival Gama, morador de Simões Filho reagiu a uma tentativa de sequestro e trocou tiros com os bandidos. A vítima foi morta com um tiro na barriga. Outros sequestros ocorreram em várias cidades. Outra agressão com assalto aconteceu recentemente no município de São Sebastião do Passé.
Há cerca de dois ou três anos ocorreu, em Vitória da Conquista, uma tragédia onde dois soldados foram mortos, no distrito de José Gonçalves. Em resposta a polícia militar agiu com terror e vários ciganos (uns sete ou oito) foram eliminados em “supostas trocas de tiros”. Como se não bastasse, muitos foram espancados e uma família foi obrigada a fugir do município através de uma medida protetiva.
VÍTIMAS DE UMA SOCIEDADE SEGREGACIONISTA
O autor da obra “Ciganos no Brasil-uma breve história” Rodrigo Correia Teixeira, desmistifica o estigma da visão estereotipada dos ciganos como sujos, embusteiros, baderneiros, trapaceiros e preguiçosos. Eram vítimas de uma sociedade segregacionista. Nascer cigano era ter seu destino marcado do lado oposto da “boa sociedade”. Sempre foram prejulgados, inclusive por crimes não cometidos, como de ladrões, assassinos, salteadores e até sequestradores de crianças.
Perseguidos por D. João V, de Portugal, muitas das vezes condenados injustamente, eram embarcados para o Brasil Colônia, mas até certo ponto bem aceitos na corte de D. João VI e no primeiro Império, como artistas dançarinos, músicos e circenses. Muitos ficaram ricos como negociantes de escravos, mas suas atividades mais fortes eram no ramo do comércio de cavalos, bestas e a prática da “buena dicha” (leitura das mãos), no caso das mulheres.
CAMINHOS INÓSPITOS
Afirma o escritor, na conclusão do seu livro, que, “como nômades ou sedentarizados, perambulavam por caminhos inóspitos, acampavam em áreas pouco propícias e se estabeleciam em espaços insalubres nas cidades”, como é o caso do Campo de Santana, ou Rua dos Ciganos (Constituição – Praça da República, no Rio de Janeiro).
Destaca que “a sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande evento da história cigana”. Ele cita Angus Fraser, como maior historiador sobre o assunto, quando diz que, quando se consideram as vicissitudes que eles encontraram, deve-se concluir que a sua principal façanha foi a de ter sobrevivido”. Teixeira acrescenta que “o universo cigano, mais que de duplicidade, é repleto de multiplicidades, entre as quais estão as relações com os não-ciganos, as identidades dos grupos e as imagens que se formaram dos ciganos”.
UM CIGANO NA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
O Brasil já teve presidentes nordestino (pau-de-arara), gaúcho fazendeiro, mineiros, paulistas, marechal das Alagoas, generais da ditadura civil-militar, um sádico capitão, mas poucos sabem de um presidente-cigano, Juscelino Kubitschek, que construiu Brasília, a qual virou um covil de ladrões, mas não por culpa da nação cigana.
Quem revelou esta curiosidade, que eu nem sabia, foi o autor do livro “Ciganos no Brasil – Uma Breve História”, de Rodrigo Corrêa Teixeira. Os Calon, ou Kalé, vieram da Península Ibérica e aqui se aportaram desde o início do século XVI.
No entanto, na primeira metade do século XIX, o Brasil recebeu o grupo Rom, ou Roma, da Europa do Leste, com suas famílias. De acordo com informações, o Rom que mais cedo chegou ao território mineiro foi Jan Nepomuscky Kubitschek, que trabalhou como marceneiro no Serro e em Diamantina. Ele era o avó direto de Juscelino.
UM ENTARDECER NA BRUMADO
Com meu amigo e companheiro fotógrafo José Silva registramos o entardecer de ontem (dia 08/06/23), na Avenida Brumado, em pleno feriado de Corpus Christi com a pista pouco movimentada, diferente da agitação de veículos e pessoas em dias normais. Desse lado oeste, o entardecer vem lentamente com suas cores do sertão catingueiro e invade Vitória da Conquista no apagar das luzes, com nuvens sombrias de uma tarde nublada que esconde o vermelho colorido do pôr-do-sol. O dia se despede para dar lugar à noite e retorna ao seu ciclo em cada amanhecer. É o tempo a girar que pouca gente não dá conta e até esquece que existe a finitude. Durante vida só se pensa em acumular bens e nem se pensa que um dia será arrebatado pelo entardecer, este que não terá mais o amanhã, nem a aurora. Cada um de nós tem seu entardecer e, se refletíssemos mais nisso, talvez o mundo seria bem melhor, sem tantas maldades, ganâncias, ódios e tolerâncias. Talvez assim teríamos mais amor e paz entre todos viventes.
CARRUAGEM DOS 60
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Lá vai atravessando a ponte,
Pelos confins do horizonte,
A carruagem dos sessenta,
Chamada de renascença,
Resistente como aço,
Na defesa da sua crença,
Que nos deu régua e compasso.
Carruagem dos sessenta,
De geração de geniais,
Nascida nos quarenta e cinquenta,
Nunca mais virão iguais.
Carruagem dos sessenta,
Das eternas canções,
Composições milenares,
De poemas revolucionários,
Ideias que ultrapassaram mares,
Nos combates libertários,
Com suas visões existenciais,
Surrealismos subversivos,
Das desigualdades sociais,
Contra os regimes opressivos.
Lá vai a carruagem dos sessenta,
Muitos apeando na estrada,
Outros no oitenta e noventa,
Nos ensinando o portal de entrada.
OS INVASORES DA NOSSA TRADIÇÃO NORDESTINA ESTÃO ROUBANDO NOSSO ESPAÇO
Todos os anos, os artistas, forrozeiros, intelectuais e aqueles que preservam e amam a nossa cultura nordestina fazem discurso inflamados e aplaudidos contra os invasores ou ervas daninhas que encontraram espaço livre para destruir nossa tradicional festa junina, regida pelo famoso “forrobodó” que surgiu por volta de 1930 e se popularizou nos anos 50, sempre com a sanfona, o triângulo e a zabumba
Temos que continuar bradando contra essa avalanche de bandas milionárias de outros ritmos (arrocha, axé, lambada, pagode e até do rock) contratadas pelos prefeitos a preço de ouro para fazer a média política com o povo que, sem a devida consciência e formação cultural, cai na folia dos rebolados que nada têm a ver com o nosso autêntico forró pé de serra ou arrasta-pé que começou em chão batido molhado parra não levantar a poeira.
No entanto, as falas e desabafos não têm surtido muitos efeitos e, a cada ano, os festejos estão mais parecidos com a cara paulista ou outra coisa esquisita de músicas, menos o forro de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Marinês e Sivuca, sem contar Zé Ramalho, Elba, Geraldo Azevedo, Alceu Valença e outros cabeludos nas décadas de 60 e 70, embora tenham introduzido outros instrumentos como a guitarra, a bateria, o sax, o baixo e o violão.
Na década de 90 por aí bandas como Mastruz com Leite, Calcinha Preta e tantas outras no mesmo estilo inventaram o forró eletrônico, quando a nossa dança tradicional nordestina começou sendo deturpada e descarecterizada.
As prefeituras passaram a contratar esses cantores, sob o argumento de serem do gosto popular por atraírem mais público. O pior ainda é que essas contratações são feitas com valores superfaturados usando recursos dos nossos impostos. Por sua vez, o Ministério Público e os tribunais de contas não exercem uma fiscalização mais rígida para punir os responsáveis. A coisa não ficou por aí e logo entraram o axé, o arrocha e o “pagadão” para acabarem com a nossa festa.
Deveria ter um decreto federal, uma lei do Congresso Nacional e das próprias câmaras de vereadores proibindo que as prefeituras contratem essas bandas que não têm nenhuma identificação com o nosso ritmo junino do forró, além dos outros gêneros, como o baião, o xote ou o xaxado, tão divulgados e cantados por Gonzagão, Humberto Teixeira, Zé Dantas e Dominguinhos.
Com certeza, essa lei iria criar uma tremenda polêmica e os invasores do forró iriam logo dizer que se trata de censura. Por outro lado, como tudo nesse país, a norma logo seria desobedecida.
Mas a descaracterização não acontece somente no ritmo musical, como também nos costumes, nos hábitos, nas comidas e bebidas típicas. Em muitas festas rolam mais o hambúrguer e o cachorro-quente no lugar do milho cozido, da canjica e da pamonha. O licor e o quentão perderam espaço para o conhaque e outras misturas de bebidas.
ESTÁ DIFÍCIL O CIDADÃO DE BEM VIVER NO BRASIL DOS GOLPISTAS
A corrupção, os subornos, as propinas, as rasteiras nos outros, o levar vantagem em tudo e os golpes saíram do topo da pirâmide e se alastraram pela base da população. Está tudo dominado, está tudo sujo. Perdeu-se o amor pelo outro. Não é somente o desemprego, a miséria, a fome e a pobreza que levam a essa situação de alta criminalidade. A questão não é somente social.
Não dá mais para se confiar em ninguém, embora temos que ariscar com os olhos bem abertos. Está difícil, meus amigos, o cidadão de bem viver hoje no Brasil porque ele é até ultrapassado numa fila de banco, e isso dói muito. Quando você reclama pode ser até esmurrado por um brutamonte.
As ações de maldades e crueldades aumentaram mais ainda com o avanço das novas tecnologias do mundo virtual, do cartão de crédito, do pix, das contas on-line e outras modalidades que não existiam nos tempos da boca do caixa e do dinheiro em espécie, se bem que ocorriam os assaltos a mão armada com o 38 ou um berro em sua cabeça.
Agora os criminosos estão bem mais inteligentes e agem através de quadrilhas sofisticas de clonagem de cartões, falsificação de pix, transferências bancárias e outras malandragens que enganam os aposentados e as pessoas mais simples que ainda confiam em estranhos nos caixas dos bancos.
Para esses tipos de delitos, sem violência física e mortes, as penas, se não estou equivocado, são mais leves, e o sujeitos logo está solto para praticar os crimes. Assalto hoje com arma ficou mais para ladrão pé de chinelo.
Os caras atualmente atuam dentro das penitenciárias através do celular com seus comparsas lá fora e cada um tem uma tarefa específica dentro da cadeia dos golpes. Quanto mais a tecnologia se evolui, mas eles têm que estudar as formas de aplicar os crimes e driblar a polícia. Uma nova invenção e lá estão eles debruçados nos planos de furtar o cidadão.
Claro que ainda existem os roubos e os arrombamentos de lojas, residências e casas comerciais, mas eles são mais fáceis de serem identificados pela polícia. A bandidagem da tecnologia não fica tão exposta e demora mais de ser presa. Cada vez mais se exige um policiamento mais inteligente para acompanhar escutas no celular, nos computadores e seguir os passos dos elementos por até meses para apanhar toda quadrilha.
Hoje, não se sabe muito bem qual o maior dano psicológico para a vítima que é enganada ou aquele que num assalto entrega tudo para o indivíduo. Quando é por meio da violência bruta, a vítima sofre um choque de imediato, mas depois reconhece que nada podia fazer. Se reagisse poderia até ser assassinado.
Não sou psicólogo, mas fica um sentimento maior quando se é ludibriado na conversa ou na lábia de um safado que não tem a mínima compaixão pelo mais pobre quando passou anos economizando seu dinheiro, e numa questão de minutos ver tudo se evaporar. A pessoa se sente fragilizada e aquilo fica martelando na mente pelo resto da vida. Não dá para esquecer quando se passa por “otário”, e é assim que o meliante o chama.
UM PAÍS INGOVERNÁVEL
Lembro de uma vez como repórter de economia, em Salvador, se não me engano no governo de José Sarney, o ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega declarava numa palestra na Federação das Indústria da Bahia que o Brasil é um país ingovernável por causa dos interesses políticos escusos que acabam engessando o presidente da República em suas decisões. Ele quis dizer que o presidente não manda.
Isso foi há cerca de 40 anos, mas tudo permanece no mesmo lugar porque essa questão é secular e vem desde os tempos coloniais e do império. Tanto D. Pedro I como o II tinham a aristocracia e os políticos para pegarem em seu pé, principalmente o segundo que, para não perder o trono, satisfazia a elite cafeeira e até adiou a abolição da escravatura. Foi essa mesma aristocracia que ajudou a destronar o imperador. A República seguiu no mesmo galope.
O Congresso Nacional está cheio de lobos, hienas e urubus que ditam as normas do governo federal e se este não saciar a fome desses animais será por certo cassado por um motivo qualquer, como já ocorreu várias vezes, sem nenhum escrúpulo. É tudo uma mentira quando dizem que estão lá para defender o que é bom para o Brasil e para o povo. Na verdade, tudo é feito de costas para o povo.
Não viram o Lira, o presidente da Câmara dos Deputados, declarar que estava faltando o Lula fazer o “corpo a corpo” com as “lideranças” e os parlamentares! Para quem não é idiota e ingênuo, esse “corpo a corpo” significa soltar a “bufunfa” das emendas para eles votarem os projetos ou colocarem as medidas em pautas nas sessões.
Para conseguir a tal governabilidade, o próprio PT, que se diz partido do trabalhador e do povo e defendia a honradez e a honestidade, tem que entrar nas negociações do balcão de compras e vendas na base do “é dando que se recebe” ou “toma lá, dá cá”.
Para se manter no poder foi obrigado a começar o governo com 37 ministérios para agradar o “centrão”, a direita e até a extrema direita do ex-capitão-presidente que abriu os cofres do Tesouro. Mesmo assim, eles querem mais emendas e cargos. São insaciáveis.
É o país dos 513 deputados e 81 senadores mais caros do mundo e que legislam em benefício deles mesmos. Não existe nenhuma diferença entre essa gente, com poucas exceções, e a máfia do El Caponne. Aliás, a diferença está nos métodos, mas trabalham em quadrilhas sofisticadas.
O interessante é que para explicar esse universo sujo contra a população, usando o dinheiro nosso, os cientistas políticos, os sociólogos (espécies em extinção), os dirigentes de partidos de esquerda e os jornalistas que cobrem as tramoias do Congresso Nacional usam termos sofisticados e um tanto intrincados, com suas variantes históricas, sem irem direto na linguagem popular.
Os textos são quase todos rebuscados e cheios de rodeios filosóficos-científicos, de modo que a gente simples brasileira (a grande maioria) não entende patavina nenhuma (fica boiando). Ao invés de falar a língua do povo, eles preferem o aramaico ou o hebraico. A maioria não entende bulhufas.
A coisa, meus amigos camaradas e companheiros, é muito simples: Para não sofrer o impeachment (cassação do mandato) tem que soltar a grana para eles; fazer o troca-troca, senão o pau come. O Brasil não é somente um país ingovernável, como também inviável enquanto perdurar essa ganância do Congresso e o presidente vender a alma para o diabo, tudo em nome do poder.
A elite burguesa também faz parte desse “esquemão” ou desse lobbie perverso e cruel, principalmente através das reformas, como a trabalhista-escravista, da desoneração de impostos (não pagar tributos) e outras modalidades.
As corrupções continuam rolando de mesa em mesa, de gabinete em gabinete no chamado tráfico de influência. Aliás, esse bando pode ser considerado como traficante de emendas e cargos, e alguns até de drogas perigosas. Essa corrupção desce até o povo e contamina gerações. A bandidagem cria mil golpes na era da tecnologia do mundo virtual. Está difícil viver nesse país.
“FLUXO E REFLUXO” XXII
“NO DAOMÉ, DECADÊNCIA PROGRESSIVA DOS DESCENDENTES DOS GRANDES COMERCIANTES BRASILEIROS; LENTA FORMAÇÃO DE UMA SOCIEDADE DE PEQUENOS COMERCIANTES E DE ARTESÃOS QUE RETORNARAM DO BRASIL”.
Como vimos em comentários anteriores, a partir de 1835, com a Revolta dos Malês, muitos africanos escravos e libertos fizeram a viagem de retorno para o Golfo do Benin e lá se estabeleceram como comerciantes e artesãos (pedreiros, carpinteiros, marceneiros e outras profissões). Na África, para os nativos e indígenas eles eram chamados de “brasileiros brancos”.
Em “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, nas cidades de Uidá, Agoué, Porto Novo e Lagos, os “brasileiros” emancipados que tinham voltado encontravam-se até 1850 diante de um grupo numeroso de brasileiros e portugueses. Viajantes calculavam em duzentos, todos mais ou menos envolvidos no tráfico de escravos e integrados na vida da região.
Alguns eram até mesmo dignitários do reino de Abomé (Daomé), com direito a guarda-sol e uma escolta de músicos, carregadores de redes e servidores armados, como os chefes daomeanos. Eram submissos às leis do país e, quando morriam, todos seus bens passavam para o rei, que transmitia apenas uma parte aos herdeiros.
Pierre Verger relata que quando o Xaxá Francisco Félix de Souza, o todo poderoso, morreu, em 1849, os cargos por ele desempenhados foram divididos entre os três filhos Isidoro, que se tornou Xaxá, Inácio, o cabeça e Antônio que recebeu o título de amigo do rei.
Sobre o Isidoro, o cônsul inglês Beecroft escrevia que este homem está agora vendido ao rei do Daomé, por toda vida e não ousará sair do país. “É um personagem aborrecido, e eu não gostaria de me encontrar em seu caminho”.
Tanto o comandante Forbes como o cônsul ressaltam a forte autoridade que o rei de Daomé exercia sobre os brasileiros e de quanto eles lhes eram submissos. Numa relação entre os ingleses e o rei, afirmavam que o Xaxá parecia contrariado e não sabia exatamente qual era a sua posição.
A partir de 1863, com o fim do tráfico de escravos em Cuba e com a morte de Domingos José Martins (grande traficante), a situação dos “brasileiros” sofreu um eclipse durante uns trinta anos. O comércio de azeite de dendê era praticamente monopolizado pelos comerciantes franceses Regis. Somente os Xaxás (Isidoro tinha morrido em 1858) possuíam algum prestígio.
Quanto ao comércio, o Journal Officiel dava uma dimensão da importância ocupada pelos “brasileiros”. Citava, por exemplo, que em 1882, sete dos 25 negociantes instalados em todo país eram “brasileiros”, e que 78 dos 154 comerciantes também o eram. Quase um terço dos negociantes e metade dos comerciantes.
Em Lagos, segundo o cônsul Benjamin Campbell, existiam 130 famílias emancipadas por seus próprios esforços no Brasil que faziam parte da população desta cidade, isto em 1853. Esses africanos, outrora escravos, trabalharam nas plantações e minas do Brasil. “Eles souberam com sua capacidade e conduta resgatar a própria liberdade e a de suas mulheres e filhos”. Eram todos originários da região iorubá, da província dos egbás.
UMA TARDE NO MUSEU
Está programado para este sábado à tarde (dia 03/06), por volta das 14 horas, a realização de uma tarde de arte e cultura no interior do Museu de Kard, e todos artistas, estudantes, professores, intelectuais e interessados estão sendo convidados a participar das atividades.
Quem está organizando o evento é a artista e professora Liu que está completando um ano de trabalho como guia do museu. De acordo com ela, será uma tarde agradável de lançamentos de livros, declamação de poesias, danças nordestinas, incluindo o nosso autêntico forró, músicas variadas e apresentação das canecas com a marca do museu.
Tudo isso será realizado no espaço das esculturas do xadrez nordestino, ao ar livre, unindo natureza, arte e cultura. Para quem aprecia, haverá também um piquenique, tudo isso em meio as belas esculturas do nosso artista Allan Kardeck. É um momento de energizar sua alma e relaxar sua mente carregada do corre-corre da semana.
É como se fosse um sarau dentro do museu, um dos maiores a céu aberto do Brasil, construído com todo esmero e dedicação pelo artista. O jornalista e escritor Jeremias Macário já marcou sua presença quando fará uma mostra dos seus livros e falará um pouco sobre seu trabalho, especialmente do último “Na Espera da Graça”, de textos poéticos.
EMBLEMÁTICA
Alguns dizem ser um tribunal de julgamento e outros um simples encontro ou reunião, onde uma pessoa está no centro como réu ou presidindo o evento. A arte por si só já é emblemática e não poderia deixar de ser no Museu de Kard, cujas esculturas são do nosso grande artista Allan Kardeck. No meu olhar é um tribunal e cada uma das estátuas usa uma arma do seu jeito para julgar, como a flor que simboliza a paz, ou uma espada que pode remeter a uma sentença de morte. O Museu de Kard, localizado em Vitória da Conquista, na saída para a cidade de Anagé, hoje um dos maiores do Brasil a céu aberto, possui outras centenas de obras também emblemáticas que somente o autor tem maior precisão para explicar, mas a arte pode ser interpretada de acordo com a visão e a imaginação de cada um. Por isso que a arte é rica e é vida. Recomendo que não deixem de visitar o museu, para exprimir seus pensamentos e viajar na imaginação.



















