UM PAÍS INGOVERNÁVEL
Lembro de uma vez como repórter de economia, em Salvador, se não me engano no governo de José Sarney, o ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega declarava numa palestra na Federação das Indústria da Bahia que o Brasil é um país ingovernável por causa dos interesses políticos escusos que acabam engessando o presidente da República em suas decisões. Ele quis dizer que o presidente não manda.
Isso foi há cerca de 40 anos, mas tudo permanece no mesmo lugar porque essa questão é secular e vem desde os tempos coloniais e do império. Tanto D. Pedro I como o II tinham a aristocracia e os políticos para pegarem em seu pé, principalmente o segundo que, para não perder o trono, satisfazia a elite cafeeira e até adiou a abolição da escravatura. Foi essa mesma aristocracia que ajudou a destronar o imperador. A República seguiu no mesmo galope.
O Congresso Nacional está cheio de lobos, hienas e urubus que ditam as normas do governo federal e se este não saciar a fome desses animais será por certo cassado por um motivo qualquer, como já ocorreu várias vezes, sem nenhum escrúpulo. É tudo uma mentira quando dizem que estão lá para defender o que é bom para o Brasil e para o povo. Na verdade, tudo é feito de costas para o povo.
Não viram o Lira, o presidente da Câmara dos Deputados, declarar que estava faltando o Lula fazer o “corpo a corpo” com as “lideranças” e os parlamentares! Para quem não é idiota e ingênuo, esse “corpo a corpo” significa soltar a “bufunfa” das emendas para eles votarem os projetos ou colocarem as medidas em pautas nas sessões.
Para conseguir a tal governabilidade, o próprio PT, que se diz partido do trabalhador e do povo e defendia a honradez e a honestidade, tem que entrar nas negociações do balcão de compras e vendas na base do “é dando que se recebe” ou “toma lá, dá cá”.
Para se manter no poder foi obrigado a começar o governo com 37 ministérios para agradar o “centrão”, a direita e até a extrema direita do ex-capitão-presidente que abriu os cofres do Tesouro. Mesmo assim, eles querem mais emendas e cargos. São insaciáveis.
É o país dos 513 deputados e 81 senadores mais caros do mundo e que legislam em benefício deles mesmos. Não existe nenhuma diferença entre essa gente, com poucas exceções, e a máfia do El Caponne. Aliás, a diferença está nos métodos, mas trabalham em quadrilhas sofisticadas.
O interessante é que para explicar esse universo sujo contra a população, usando o dinheiro nosso, os cientistas políticos, os sociólogos (espécies em extinção), os dirigentes de partidos de esquerda e os jornalistas que cobrem as tramoias do Congresso Nacional usam termos sofisticados e um tanto intrincados, com suas variantes históricas, sem irem direto na linguagem popular.
Os textos são quase todos rebuscados e cheios de rodeios filosóficos-científicos, de modo que a gente simples brasileira (a grande maioria) não entende patavina nenhuma (fica boiando). Ao invés de falar a língua do povo, eles preferem o aramaico ou o hebraico. A maioria não entende bulhufas.
A coisa, meus amigos camaradas e companheiros, é muito simples: Para não sofrer o impeachment (cassação do mandato) tem que soltar a grana para eles; fazer o troca-troca, senão o pau come. O Brasil não é somente um país ingovernável, como também inviável enquanto perdurar essa ganância do Congresso e o presidente vender a alma para o diabo, tudo em nome do poder.
A elite burguesa também faz parte desse “esquemão” ou desse lobbie perverso e cruel, principalmente através das reformas, como a trabalhista-escravista, da desoneração de impostos (não pagar tributos) e outras modalidades.
As corrupções continuam rolando de mesa em mesa, de gabinete em gabinete no chamado tráfico de influência. Aliás, esse bando pode ser considerado como traficante de emendas e cargos, e alguns até de drogas perigosas. Essa corrupção desce até o povo e contamina gerações. A bandidagem cria mil golpes na era da tecnologia do mundo virtual. Está difícil viver nesse país.











