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CONVERSAS ENTRE COMADRES E O COTIDIANO NUM POSTO DE SAÚDE

Ir a um consultório médico particular para uma consulta já não é nada agradável. Primeiro você é tratado como paciente, porque haja paciência para esperar! Agora, imagine num posto público de saúde onde você escuta papos absurdos que não gostaria de ouvir, principalmente nesses tempos pandêmicos e negacionistas! Como a maioria dos brasileiros, meu plano é o SUS, meu amigo! Só isso basta!

Logo cedo, entre seis e sete horas da manhã passo pela recepção que me coloca numa triagem na sala de uma enfermeira, para depois aguardar o médico que está marcado para chegar às nove horas, mas só começa a fazer as chamadas depois das dez. Não adianta esquentar a cabeça, ou reclamar.

Minha pressão registrou certa alteração no aparelho. Os números não mentem. Não dou muita importância. Depois normaliza. Sempre levo um livro para passar o tempo e me acalmar, mas com os ouvidos (um não estava bem) atentos aos movimentos e às conversas que rolam. Vício de jornalista.

Não existe o devido distanciamento, e logo o posto vira uma aglomeração de entra e sai de funcionários por salas diferentes e usuários misturados com o local de vacinação. O sistema é bruto!

É um tal de entrar e sair das portas que até me dá uma agonia. É muito papel e burocracia! Sento numa fileira de cadeiras vazias e abro o livro para minha leitura. Não demora muito e duas senhoras sentam ao meu lado. Fico prensado ao meio. Elas percebem que não estou para conversa, mas sinto que vai sair resenha. Uma me pergunta se vou ao médico. Respondo laconicamente que sim.

– O calor está demais, né comadre, e pior ainda para a gente nessa idade da menopausa. É uma quentura por dentro! Fale não, comadre – diz uma para outra. Dá vontade de rir, mas continuo calado, lendo meu livro. Lá se foi minha concentração! Penso comigo: Vem mais coisa por aí.

– Comadre, essas vacinas não servem pra nada! É coisa de político, peixe grande entre eles! Olha comadre, minha avó de 80 anos tomou a vacina e até hoje está com o braço duro. Conheço uma pessoa que se vacinou e logo depois teve um infarto. Essas vacinas estão matando gente!

– É comadre, sei de dois conhecidos que receberam as duas doses e pegaram a danada da covid – responde a outra, para acrescentar que um não teve muitos problemas de saúde, mas o outro, que sofria de diabetes, foi internado. Deu vontade de contra-argumentar, mas recuo. Melhor não!

– Só Deus, comadre, porque essas vacinas não valem nada! Começo a ficar irritado com os absurdos negacionistas. Lembro do Bozó, mas procuro me controlar e me agarrar ao meu sábio silêncio. Pensei em sair do lugar, mas seria falta de educação, e poderia até ser recriminado com palavrões.

– Onde já se viu, comadre, esse pessoal do governo do estado pedir cartão de vacinação para entrar numa repartição! Isso tá fora da lei – protestou. Não aceite isso comadre!

O funcionário do posto foi até a fila de vacinação para tentar manter uma certa distância entre as pessoas, mas não estava sendo compreendido. Resistência!  Um cara foi logo dizendo que não ia sair dali. Não se sabe no que deu nesse povo. Deve ter sido a infiltração do mau exemplo que vem lá de cima do capitão-presidente.

– Tá vendo aí, não adianta comadre, junto ou separado, a covid pega do mesmo jeito – apontou a comadre ao lado para o agente de saúde que estava procurando colocar ordem na fila, para evitar ajuntamento.

Nem percebi, e logo as duas se foram. Ah, uma foi para o dentista. A outra conversadeira, nem sei. Que alívio! Estou livre das barbaridades! Meu ouvido esquerdo começa a zunir. Ele está entupido e surdo, mas o outro ainda está funcionando. Deu para captar as conversas atravessadas.

Olho o relógio, e os ponteiros marcam próximos das dez horas. O tempo não para. Estava impaciente, decidido a ir embora. Nisso, passa a enfermeira e pergunto quando o médico, ou a média, ia me chamar.

– Tenha paciência, meu senhor! Não vai demorar! Já estava ali há mais de três horas, e nada. Dei uma pausa na leitura. Passa um rapaz, visivelmente homossexual, esbanjando sua descontração de não paciente sisudo como eu, e diz que meu livro é bonito. Pela capa (o livro estava fechado em minha mão) ele viu que era “Escravidão”, de Laurentino Gomes. Pensei em responder que não existe livro bonito, mas bom ou mal escrito.

Levantei um pouco para esticar as pernas. O rapaz, que depois descobri, foi lá para se vacinar, e não demonstrava muita preocupação com os problemas da vida. Senta no mesmo lugar em que estava e toca a ligar. Corri as vistas, e observei que a maioria conduzia um celular na mão. O jovem parecia falar com a mãe, uma tia ou com a avó.

No meio da conversa, contou que no colégio, ou faculdade, entrou no banheiro das mulheres por engano. Isso levou uns três ou cinco minutos para explicar sobre aqueles desenhos-letreiros de feminino e masculino que colocam nas portas dos sanitários. Tem símbolos confusos e até em inglês. Melhor falar toilette, que fica mais civilizado e bacana.

Como seu argumento de ter adentrado no banheiro feminino por equívoco não convenceu, o rapaz levantou-se, foi até a porta dos sanitários do posto de saúde, e tirou uma foto para enviar. Hoje a tecnologia oferece essa rapidez através da imagem virtual. O processo é instantâneo. Do outro lado, a mulher disse que não estava podendo abrir o arquivo. Percebi que o moço ficou desapontado. Pela conversa, supus que a pessoa estava internada em algum hospital.

Confesso, e bem sabe quem conhece meu temperamento, que não estava mais suportando ficar mais ali. A decisão era desistir da consulta, mas, para minha sorte, a médica, finalmente, me chamou. Já eram dez e meia.

Sai dali pensando um monte de coisas, como na ignorância do nosso sofrido povo, nas questões sociais de tantas desigualdades, num Brasil ainda atrasado que pouco cuida dos seus filhos, nessa pandemia que parece não mais se acabar, na minha própria impotência como cidadão e nessa outra pandemia da tal fake news que se alastrou por todo país, tirando a vida de muita gente.

 

O BRASIL PRECISA DE UM NOVO GRITO DE LIBERDADE DA ARTE DE 1922

Nesses tempos tão bicudos de destruição da nossa cultura através da censura e do corte de verbas; de imitação e repetição dos costumes e hábitos estrangeiros, principalmente originários dos Estados Unidos; de tanto lixo musical; de desprezo pela literatura e outras linguagens artísticas, o Brasil precisa de um novo movimento, de um novo grito de liberdade e de uma nova Semana de Arte Moderno de 1922, que aconteceu há 100 anos no Teatro Municipal de São Paulo, entre 13 e 18 de fevereiro.

Comemorar é memorar, mas como vamos comemorar um episódio tão significante para a nossa cultura, se a nossa arte está se deteriorando nos museus que, inclusive, estão sendo incendiados por falta de uma política pública de preservação, se o nosso patrimônio material e imaterial não está recebendo o devido apoio do poder dos governantes, se o incentivo limitado à produção artística está sendo condicionado à uma adesão às diretrizes ideológicas fascistas de extrema-direita?

Precisamos do grito de liberdade de um Oswald de Andrade, de um Mário de Andrade, de um Menotti Del Picchia, de um Heitor Villa-Lobos, de um Brecheret, de uma Anita Malfatti, de uma Tarsila do Amaral, de um Di Cavalcanti, de uma “Pagu”, de um Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho e até de um Graça Aranha contra todo esse retrocesso que está deixando o Brasil na contramão da cultura e das artes.

Precisamos de novos manifestos, como do “Pau-Brasil” (1924) e do “Antropofágico” (1927) de Oswald com sua inquietude e agitação; de um “Brasil Desvairado”, como a “Paulicéia Desvairada”, de Mário que, apesar de terem saídos do ventre da burguesia, tiveram a coragem de colocar o dedo na cara, ou na ferida da própria burguesia.

A Semana de Arte Moderna de 22 fez uma ruptura com o passado e com a cultura europeia, para abraçar e comer o nosso nacional, não com esse ufanismo delirante fascista atrasado. Naquela época, Oswald, Anita e Tarsila beberam das fontes do vanguardismo futurista europeu, mas fizeram suas artes voltadas para valorizar o que era nosso, conectados com a nossa realidade brasileira.

Hoje precisamos romper com essa imitação da cultura norte-americana que absorve nossos jovens para adorarem, idolatrarem e apreciarem seus grandes heróis (super-homem, homem aranha, hulk, batman, mulher maravilha), esquecendo-se do nosso potencial cultural e do nosso rico folclore. Ninguém fala mais em Saci, de Curupira e das lendas amazônicas, gaúchas e nordestinas (Câmera Cascudo).

Nosso português está sendo vilipendiado, depenado e substituído por termos e letreiros inglesados. Nas redes sociais aparecem um horror de códigos. Nas portas das lojas, só nomes em inglês. Não se fala mais em seminários, mesas-redondas, encontros, conferências e congressos. Os cabeçários dos folhetos, nomes em camisetas e até cartazes (banner) são escritos em inglês.

Tivemos grandes movimentos entre as décadas 50, 60 e 70, inclusive com a Tropicália, a Bossa Nova, Clube da Esquina (Chico, Caetano, Gil, Milton Nascimento, Ferreira Gullar, Edu Lobo, Geraldo Vandré, a turma do Pasquim) e tantos outros, que se miraram na Semana de Arte Moderna, que deu cara ao nosso modernismo, mas se foram com a ditadura. Não mais aquela mesma efervescência cultural, com conteúdo.

Por tudo isso e mais, é que precisamos de um novo movimento que lembre o centenário da Semana de Arte Moderna de 22, ainda mais consistente e revolucionário. De lá para cá, nesses 100 anos, nossa sociedade passou a se lambuzar no óleo sujo do consumismo e entrou em decadência em termos de pensamento, conhecimento e saber. Nos tornamos uma sociedade alienada.

A burguesia de hoje não difere muito da de 1922. Os coronéis dos tempos atuais continuam sendo os mesmo dos anos de 20 e 30. A diferença é que os de hoje usam métodos mais sofisticados, especialmente digitais virtuais mentirosas e enganosas, para fazerem suas malandragens políticas de perpetuação da elite burguesa oligárquica. Está aí a compra de votos por outros meios. Mais do que homenagear, o Brasil precisa de uma nova Semana de Arte Moderna.

UM DOS GRANDES ARTICULADORES DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922

De espírito irrequieto, revolucionário e um artista atribulado, José Oswald de Sousa Andrade (1890-1854), nascido em São Paulo, de família rica, lembra muito o nosso baiano cineasta Glauber Rocha por suas fortes críticas à sociedade burguesa, cada um dentro do seu devido tempo. Temperamentos parecidos

Como descreve o crítico literário Alfredo Bosi (História Concisa da Literatura Brasileira), Oswald representou em seus altos e baixos, a ponta de lança do espírito da Semana de Arte de 1922, a que ficaria sempre vinculado, tanto nos seus aspectos felizes do vanguardismo literário quanto nos seus momentos menos felizes de gratuidade ideológica.

Diria que Oswald sempre teve uma personalidade forte, “brigão”, intrépido e um campeão no lançamento de manifestos, destacando o “Pau-Brasil”, em 1924 e o “Antropofágico” em 1928. Bebeu da fonte do futurismo ítalo-franco, mas renegou as ideias fascistas de Marinetti, um dos criadores desse movimento.

Oswald fez o ginásio no Colégio de São Bento e Direito na sua cidade. Viajou para Europa (Paris) em 1912 e trouxe em sua bagagem muitas ideias revolucionárias, em alguns momentos de cunho anarquista, mas sempre em defesa da cultura nacional, sem ufanismos patrióticos. De volta a São Paulo fez jornalismo literário e trabalhou em vários periódicos.

Quando da exposição de Anita Malfatti, em 1917, e na Semana da Arte, foi um defensor feroz da artista quando ela foi tripudiada num artigo escrito por Monteiro Lobato. Em sua aproximação com Mário de Andrade, Di Cavalcanti, Menotti Del Picchia, Guilherme de Andrade e outros, passou a ser grande animador do grupo modernista e da Semana de 22, como bem assinala Alfredo Bosi.

De acordo com o próprio Bosi, o período de 1923/30 foi marcado pela sua melhor produção modernista, no romance, na poesia e na divulgação de programas estéticos nos manifestos “Pau Brasil” e “Antropofágico”. Fez várias viagens à Europa onde amadureceu seus conhecimentos. Depois da queda da Bolsa de Valores e da Revolução de 30 atravessou um período de crise financeira.

“Dividido entre uma formação anárquico-boêmia e o espírito de crítica ao capitalismo, que então se conscientizava no país, Oswald pende para a esquerda e adere ao Partido Comunista, também fundado em 1922”. Compõe o romance de auto sarcasmo “Serafim Ponte Grande 28-33, (teatro) participante em “O Rei da Vela”, de 37 e lança o jornal “O Homem do Povo”. Em 1945, no entanto, afasta-se da militância política, ano em que concorre à Cadeira de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo. Com uma tese sobre a “Arcádia e a Inconfidência”, obteve o título de livre-docente.

O irrequieto artista candidatou-se, por duas vezes, a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, mas não era bem visto pelos seus pares. A menos de um decênio de sua morte, em 1954, aos 64 anos, segundo Bosi, sua herança é valorizada pelas vanguardas concretistas de onde provém a mais entusiástica bibliografia oswaldiana, com uma vasta obra, como Théatre Brésilien, Mon Coeur Balance em colaboração com Guilherme de Almeida.

Dentre suas obras, ainda podemos destacar Os Condenados, 1922, Memórias Sentimentais de João Miramar, 1924, Manifesto da Poesia Pau Brasil, 1924, A Estrela de Absinto, 1927, Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade, 1927, Manifesto Antropofágico, 1928, Serafim Ponte Grande, 1933, a Escada Vermelha, 1934, o Homem e o Cavalo (teatro), 1934, O Rei da Vela (teatro), 1937, entre outros.

Alguns fizeram parte da sua Trilogia do Exílio, como Os Condenados, A Estrela de Absinto e A Escada Vermelha, composta ao longo de 15 anos de experiências. São livros que se ressentem de uma atitude antiquada, num escritor que conheceu o que é ser moderno, em face da linguagem romanesca e do trato das personagens, conforme avaliação de Alfredo Bosi.

Para Antônio Cândido, há nele um gongorismo psicológico, uma tendência para acentuar, em escala fora do comum, os traços psíquicos de uma personagem; os seus gestos, as suas tiradas, as suas atitudes de vida. “As pessoas neste livro (Os Condenados), são pequenos turbilhões de lugares-comuns morais e intelectuais”.

DOIS ANOS SEM SARAU

Em “quando tudo isso vai se acabar” foi título de um recente comentário feito por mim sobre os estragos que esse estranho vírus chamado Covid-19 provocaram em nossas vidas, não somente em termos de milhões de mortes que abalaram nosso planeta, mas também das interrupções dos nossos encontros e atividades. Estava aqui lembrando que, justamente no dia 7 de fevereiro de 2020, realizamos nosso último Sarau Colaborativo, em nosso Espaço Cultural A Estrada, cujo tema principal foi “Carnaval”. Portanto, são dois anos sem o nosso saudoso Sarau que, além da diversão e da confraternização, nos oferecia a troca de conhecimento e saber através das discussões, da música, da poesia, da contação de causos e do intercâmbio de ideias.  De lá para cá, tentamos duas vezes nos intervalos dos ciclos de baixas da pandemia, mas, infelizmente, não deram certo. Confesso que o nosso acervo, ou o nosso espaço cultural, sente um grande vazio espiritual, e os próprios escritores e toda arte que nele habitam dizem o mesmo. Tudo é uma solidão sem aquelas energias que transmitiam mais vida naquelas noites etílicas do respirar cultural. No lugar de quando esse vírus vai se acabar, indagaria se o nosso Sarau se acabou? Ainda existe espaço para Ele? Irá retornar com a mesma força de antes? Quando? São várias as interrogações, e uma delas é se as pessoas, com as quais convivemos por dez anos, ainda estão interessadas em reativar nossos encontros, ou simplesmente foi “amor eterno enquanto durou”, como sentenciou o poeta cancioneiro Vinícius de Morais? A reflexão e as respostas deverão ser respondidas pelos próprios participantes que construíram esse lindo elo. Será que ele foi partido?

DE VEZ PRIMEIRA

Mário Quintana

Da vez primeira em que me assassinaram

Perdi um jeito de sorrir que eu tinha…

Depois, de cada vez que me mataram,

Foram levando qualquer coisa minha…

 

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou

O mais desnudo, o que não tem mais nada…

Arde um toco de vela, amarelada…

Como o único bem que me ficou!

 

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!

Ah! Desta mão, avaramente adunca,

Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

 

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!

Que a luz, trêmula e triste como um ai,

A luz do morto não se apaga nunca!

 

Este poema está no livro Mário Quintana “Prosa e Verso”. São textos variados

QUANDO VAI SE ACABAR?

Há dois anos escrevi um texto poético perguntando a esse bicho de olhos rasgados e coroa de espinhos “Quem é Este Coronavid?, que se transformou num vídeo, e dele, muitos outros geraram um curta-metragem. inscrito e classificado entre os ganhadores num edital da Prefeitura de Vitória da Conquista através da Lei Aldir Blanc.

Esse vírus se transformou em muitas outras variantes do alfabeto grego, e hoje estamos convivendo com a terceira onda da ômicrom. Virou o planeta de cabeça para baixo e já ceifou a vida de mais de cinco milhões de habitantes, dos quais mais de 635 mil só no Brasil. Dele não podemos dimensionar a quantidade de lágrimas que já provocou em milhões que ficaram viúvas, viúvos e órfãos de pais e mães.

A ciência deu o nome de Covid-19, que não só matou e deixou sequelas com sua agressividade terrível, mas também criou um emaranhado de ideias, umas mais lúcidas e outras cheias de intrigas negacionistas, fake news, sofismos e até fez separar famílias e amigos quando se inventou vacinas para neutralizar o maldito. Tirou crianças e jovens das escolas, atrasando seus tempos de conhecimento e saber. Oh quanto estrago!

Varreu mentes e invadiu todos países da terra e, com sua impiedade cruel, eliminou mais pobres que ricos. Deixou um rastro de desigualdades sociais, com muita pobreza e miséria, principalmente nos países mais vulneráveis. Inoculou o estresse, o desespero, o fanatismo religioso e conflitos existenciais. As pessoas passaram a usar máscaras nas ruas, ônibus, trens e metrôs como se fossem robôs em filmes de ficção.

Há dois anos de terror, quando você foi chamado até de “gripezinha” por uma tal capitão-presidente, hoje pergunto quando tudo isso vai se acabar? Até quando vamos continuar nessa procissão de sofrimentos, lamentos, desagregação e confusão? Até quando vai nos jogar uns contra os outros? Será castigo contra nossos pecados por maltratar tanto o meio ambiente?

Por falar em natureza, sua voraz sede de morte, em forma de pandemia, produziu mais um agravante de lixo proveniente dos resíduos de objetos usados para combater seu avanço, como agulhas, seringas, caixas coletoras, aparelhos, plásticos, embalagens de medicamentos e outros itens. Qual destino de tudo isso?

A Organização Mundial da Saúde ressalta a ameaça ao meio ambiente, devido ao perigo da proximidade das pessoas aos depósitos de lixões. Calcula-se que já foram gerados mais de 2,6 milhões de toneladas de material plástico e 731 mil litros de compostos químicos nesses dois anos, com tendência de aumento.

De acordo com dados das Nações Unidas, já se foram 140 milhões de kits de testes de detecção, além de mais de oito bilhões de doses de vacinas. Lá se foram 1,5 milhão de equipamentos de proteção, usados pelos profissionais da saúde, algo superior a 87 mil toneladas. Tudo isso está sendo despejado nas periferias das cidades e proximidades de mananciais hídricos, podendo causar mais doenças.

Mais uma vez, dentro da minha mais profunda angústia, indago aos deuses quando tudo isso vai se acabar, se nem a ciência e os mais sábios especialistas infectologistas sabem responder? A literatura continua a narrar sua saga; tenta interpretar seu caminho e origens; sua evolução repentina; e os poetas cancioneiros a entoar na viola sobre seu enigmático poder de desafiar nossa vã filosofia.

Quando tudo isso vai se acabar? Até quando vai nos atacar e nos deixar enjoados, cabeça e intestino congestionados, cérebro confuso, indisposto, moleza no corpo dolorido, pulmões ofegantes, sem o ar que respiramos, sem paladar e olfato, sem falar na intubação de milhões até a morte? Ele nunca se vai totalmente porque sempre nos deixa sequela para ser tratada.

Quando tudo isso vai se acabar? A pergunta pode até ser título de uma canção de lamento em forma de blues, um rock, um galope em busca do final da jornada, um samba, um fulk de Boby Dylan, um rep, um sertanejo triste ou até mesmo um arrocha sofrência. Não importa o ritmo ou a melodia. O que mais importa é que ainda temos a arte que é vida e nos faz mais vivos, com mais força para vencer essa peste, não com a negação dela.

 

AINDA NOS CONSIDERAMOS CIVILIZADOS

Uma está sempre superando a outra, numa cadeia de banalização que nos deixa envergonhados de sermos brasileiros. Estou falando das barbaridades praticadas pelos seres humanos que se acham civilizados porque têm um celular na mão para manipular cegamente as mentiras nas redes sociais, de uma internet que tornou o planeta mais imbecil.

Não existem palavras mais duras e ásperas para descrever o quadro de uns brutamontes com um porrete na mão socando um congolês até à morte numa praia do Rio de Janeiro. As imagens correram mundo para nos cravar a pecha de selvagens que se acentuou nos últimos três anos com um capitão-presidente que destila ódio, xenofobia, homofobia, racismo e diz que quanto mais armas nas mãos, mais segurança.

Não tenho nenhuma vergonha de afirmar que, diante de tanta barbárie, tenho hoje vergonha de ser brasileiro. Esse, na verdade, não é o meu pais do homem cordial descrito pelo pensador Buarque de Holanda, em “Raízes”. Cordial vem do latim cord, coração, que está sujeito a emoções sentimentais boas e ruins, mas atingimos o ponto crítico da barbárie.

Essa barbárie brasileira não está somente no bastão daqueles indivíduos que despejaram toda sua raiva numa pessoa indefesa caída no chão. É como se eles estivessem descarregando todos problemas sociais e injustiças de um país num único ser que também é vítima dessas mazelas. Aquela cena macabra representa uma carga de rancor e frustração armazenados no íntimo de cada um.

Os algozes são também dignos de pena e vítimas de um sistema bruto que há séculos impera neste país. Não estou aqui fazendo o papel de advogado de defesa de uma barbaridade, mas apenas retratando a nossa realidade. A própria indiferença já é uma barbaridade.

A indiferença dessa sociedade selvagem que diz que “bandido bom é bandido morto”, que ignora a morte de Marielle Franco, do homem negro que foi alvejado pelo sargento por aparentar ser um bandido, de tantos travestis e homossexuais espancados e mortos, é também uma barbaridade.

A indiferença quanto as falas preconceituosas e genocidas negacionistas que negligenciam a pandemia da Covid e ainda atrasa o processo de vacinação, é também uma barbaridade e prova de que não somos nada civilizados.

São bárbaros os que acham que deixar de vacinar é um ato de liberdade individual, uma simples questão de opção. São bárbaros também aqueles que negam a ciência e disseminam fake news. A falta de indignação contra a barbárie é em si uma barbaridade. Estamos ainda muito longe de alcançarmos a tão propalada civilidade. Não é a tecnologia que nos dá isso.

A SAÚDE PÚBLICA EM CONQUISTA

Carlos González – jornalista

A celeridade que levou a prefeita Sheila Lemos a decretar ponto facultativo (artifício usado pelo gestor público para a palavra feriado) nos dias em que algumas cidades brasileiras promoveriam o Carnaval deste ano, deveria ser adotada na elucidação de problemas que necessitam da mais urgente intervenção da Prefeitura de Vitória da Conquista, como a saúde pública nesses tempos de pandemia.

O decreto que se estendeu ao comércio provocou imediato protesto da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), da qual a prefeita é membro, vai contribuir, sem dúvida, para a queda de faturamento do pequeno empresário, sendo que muitos deles já fecharam as suas portas.

O observador atento já deve ter percebido que a economia em Vitória da Conquista está estagnada, com exceção da construção civil, não por culpa exclusiva da Covid-19 e sua variante Ômicron. A feira agropecuária não se realiza há quatro anos, num terreno que tem as condições para receber os estandes de venda e de entretenimento.

Nossos vizinhos, com menos e recursos e mais disposição para o trabalho, estão ocupando o espaço deixado pelo empresariado conquistense. Cito apenas dois exemplos: a cafeicultura em Barra do Choça, cuja produção está sendo exportada para o exterior; a vinicultura em Mucugê, que acaba de anunciar a fabricação de vinhos com a mesma qualidade do Malbec, de Mendoza, na Argentina, abrindo também o caminho para o enoturismo na região.

Saúde é prioridade

O Ranking da Competitividade dos Municípios, uma ferramenta criada com a finalidade de analisar o desempenho da administração pública, ao mesmo tempo que presta orientação aos prefeitos, acaba de publicar sua segunda edição. Sua temática, com 13 pontos, foi desenvolvida por uma equipe de especialistas, em 411 municípios com mais de 80 mil habitantes, correspondente a 59,75% da população do país (126, 52 mi).

Vitória da Conquista ficou na posição número 219. Poderíamos comentar aqui diversos temas de relevância para o município e que devem merecer o devido cuidado de Sheila e sua numerosa equipe de assessores. Mas a prioridade sempre foi e continua sendo, hoje com mais relevância, a saúde pública, classificada no 339º lugar no Ranking.

A baixa aprovação comprova as imagens exibidas na semana passada por uma emissora de TV, comparáveis ao atendimento que era dado aos feridos nas frentes de batalha nas guerras da Idade Média. Atendidos por três enfermeiros, pacientes amontoados numa pequena sala do Hospital Geral aguardavam um leito de UTI.

Esse desapreço pela população pobre de Conquista ficou evidenciado na gestão passada,  quando a  ideologia se impõe ao atendimento à saúde. O então prefeito Herzem Gusmão, obstinado bolsonarista, travou uma guerra de palavras com o governador Rui Costa, posicionando-se, inclusive, contra a implantação de uma policlínica na cidade.

A vacinação (por justiça, aplausos para o time da prefeita) tem evitado um menor número de óbitos, principalmente entre os idosos. Por outro lado, o setor de marcação de testes está longe dos elogios.

Com os sintomas da Covid-19, meu colega Jeremias Macário relatou neste blog o sacrifício para marcar – os telefones indicados pela Secretaria de Saúde não atendem – o teste, e, posteriormente, para receber o resultado, entregue com a ordem: “Fique em casa”, com um detalhe: sem orientação médica. Nem levaram em consideração os mais de 15 anos que ele passou na chefia da Sucursal de “A Tarde”, promovendo o município e o Sudoeste baiano. Jeremias teve que apelar para a Assessoria de Comunicação da Prefeitura.

Com quase um mês pela frente e cinco dias de folga há tempo suficiente para promover uma excursão às praias ou organizar festinhas carnavalescas em recintos fechados, onde quem estiver com máscara é um “estranho no ninho”. Meus amigos, cuidem-se, porque já se projeta para março um aumento do número de contaminados.

 

 

 

 

 

 

 

“A CICATRIZ”

“O tema da escravidão é um tabu no continente africano porque é evidente que houve um conluio da elite africana com a europeia para que o processo durasse tanto tempo e alcançasse tanta gente – disse o arquiteto baiano Zulu Araújo, ex-presidente da Fundação Palmares.

Este depoimento está em “Escravidão” (primeiro volume), livro de Laurentino Gomes. O capítulo “A Cicatriz” é um dos mais impactantes onde escancara a escravidão africana antes e depois da chegada dos europeus ao continente. Na abertura, o autor levanta a questão da “dívida social” onde muitos argumentam que a “dívida” estaria anulada pelo fato dos africanos serem corresponsáveis pelo regime escravagista.

Laurentino destaca que os debates nesse sentido podem ser politicamente perigosos e precisam ser analisados à luz da história. “Havia, de fato, um grande mercado de escravos na África antes da chegada dos europeus nos séculos XV e XVI. Dele participaram reis, chefes e oligarquias locais poderosas, que continuaram a se beneficiar do tráfico de cativos para a América”.

Com os europeus, esse tráfico passou a ser mais intenso entre o final dos séculos XVII e início do XVIII quando a venda de escravos passou a ser a principal pauta de exportação em detrimento do comércio do ouro, do marfim, da pimenta, algodão e outros produtos. Em troca, os reinos e chefes recebia armas, munições para guerrear e bebidas alcoólicas.

COMPRA ENTRE FORNECEDORES

Com medo das doenças tropicas, raramente os europeus se adentravam pelo interior do continente. Preferiam comprar os cativos que eram oferecidos pelos fornecedores em fortificações, feitorias e entrepostos. Uma das exceções foi Angola, maior de todos os territórios escravagistas da África onde os portugueses procuraram controlar todos os pontos do comércio, da captura ao embarque nos navios.

“Seria, portanto, correto afirmar que africanos escravizaram os próprios africanos ou que negros escravizaram negros”? Laurentino diz que sim, como chineses escravizaram chineses e brancos escravizaram brancos na Europa e na Ásia. Segundo o autor, até o final do século XVII, a maioria dos cativos no mundo todo era branca.

“A África sempre foi um continente de grande diversidade e riqueza cultural, habitado por diferentes povos, etnias, nações, linguagens e reinos envolvidos em guerras e disputas territoriais. Como em qualquer outro lugar, na África “o escravo era sempre o outro, o diferente, o estrangeiro ou o alienígena”.

O pesquisador cita como exemplo que o habitante do Império Oió (Nigéria), escravizado pelos rivais do Reino do Daomé, era tão estrangeiro na África quanto o próprio escravo daometano seria ao chegar ao Brasil. “Embora a escravidão já existisse na África antes dos portugueses, foi a alta demanda dos europeus por mão de obra cativa que possibilitou ao negócio negreiro no Atlântico atingir proporções significativas” Os europeus estimularam a captura de escravos.

Os historiadores confirmam que os chefes africanos participaram ativamente do comércio, capturando cativos nas regiões. Há séculos, a escravidão era uma prática corrente nas sociedades africanas. Escravos podiam ser encontrados em todas as partes da África, desempenhando todos tipos de atividades.

Para sustentar essa tese, Laurentino cita o historiador John Thornton: “Quando os europeus chegaram à África e se ofereceram para comprá-los, a oferta era aceita. Os cativos não apenas eram numerosos como o mercado já estava muito bem organizado”.

Outro historiador Paul Lovejov, calculou que apenas 45% dos africanos escravizados foram vendidos ou embarcados para outras regiões fora do continente. A outra parte permaneceu como cativos na própria África. No total, seriam mais de 30 milhões de escravos, incluindo os que ficaram e os que partiram.

Alberto da Costa e Silva, estudioso no assunto, ressalta que o escravo continuava escravo, mesmo depois de morto. Os xerbros (Serra Leoa) enterrava o cativo com trapos para demonstrar que nada possuía. As mãos e os pés eram atados por uma corda, cuja ponta deveria sair da cova e amarrar-se a um mourão. Antes de sepultá-lo, o dono lhe dava uma chibatada, para deixar claro que continuava ser senhor do seu espírito, e que, no além, deveria ser escravo de seus antepassados.

De acordo com Laurentino, estima-se que, no século XVIII (auge do tráfico) houvesse tantos escravos na África quanto na América, entre 3 a 5 milhões em cada continente. No século XIX (redução do tráfico – movimentos abolicionistas), a escravidão na África aumentava, devido a maior oferta de cativos e queda nos preços.

Por volta de 1850 (Lei Eusébio de Queirós – fim do tráfico no Brasil) havia, na África, mais escravos do que em toda América. O fim do tráfico negreiro no Atlântico não significou o fim da escravidão africana, segundo historiadores. Ter muito escravos na África era a melhor forma de enriquecer e adquirir poder. Na Europa da nobreza, valia a propriedade do solo, o latifúndio. No Brasil, o escravo era uma máquina de trabalho para a economia.

OS SACRIFÍCIOS HUMANOS

Uma demonstração de poder na África estava nos sacrifícios humanos, como nos funerais dos reis, em ritos para aplacar a ira dos deuses, cerimônias para pedir chuvas e boas colheitas ou para levar mensagens aos antepassados. Em muitas regiões, escravos eram sacrificados e enterrados com o seu dono. Entre os iorubás (Nigéria) havia o hábito de sacrificar um escravo por ano como oferenda ao orixá Ogum.

“No século XVII, o holandês Pieter de Moraes escreveu que, “na ocasião da morte de um rei na Costa do Ouro (Gana), cada um dos nobres oferecia um escravo para acompanhá-lo ao seu túmulo”. Antes de descer com o soberano morto, essas pessoas eram decapitadas e tinham seus corpos salpicados de sangue. As cabeças ficavam expostas ao redor da cova.

Entre os meios de produção de escravos na África, destacavam a guerra, o sequestro ou a captura. Haviam ainda os processos judiciais, em que os condenados de roubo, adultério, prática de feitiçaria e outros delitos se tornavam cativos para o resto da vida – descreve Laurentino.

No caso de dificuldades financeiras, os chamados peões na África (tropas de infantaria na Europa, pedestres em Portugal e trabalhador temporário no Brasil) podiam se oferecer como escravos temporários em troca de ajuda e apoio material. Quando em extrema necessidade ou fome, as famílias vendiam seus filhos ou parentes como escravos.

Uma das alternativas era a venda como peões, e a liberdade só seria resgatada mais tarde em troca do pagamento das obrigações. Na impossibilidade de pagar a dívida, o peão poderia ser transformado em escravo para o resto da vida.

O historiador Alberto da Costa e Silva relata que, em algumas sociedades cada vez que findava um rei ou um chefe, abria-se a disputa pelo poder. Os candidatos vencidos e suas mães, mulheres, filhos e partidários costumavam ser mortos ou ter seus membros amputados e até os olhos vazados.

Todas essas formas de escravidão antes da chegada dos europeus aumentaram em paralelo à demanda por cativos na América. A Justiça preferia condenar o criminoso à escravidão porque rendia dinheiro, do que sentenciá-lo à morte.

Com a chegada dos portugueses, o comércio de escravos passou a superar as trocas regionais. Os europeus estimularam a captura e a venda de escravos para transformá-los em um negócio global, “numa escala até então nunca vista”, envolvendo a África, Europa, América e parte da Ásia.

“A partir de 1650, a venda de seres humanos se tornou a principal atividade econômica na costa da África. No final do século XVIII já respondia por 90% da pauta de exportações do continente, nos cálculos do historiador nigeriano Joseph Inikori.

A implosão, segundo Laurentino, dos antigos mercados regionais seguiu-se um ciclo interminável de conflitos, guerras endêmicas e desordens sociais, estimulados pela importação de armas de fogo, munições e bebidas alcoólicas. As armas alimentavam as guerras que, por sua vez, sustentavam a captura e a escravidão de milhões de pessoas vendidas para os navios negreiros.

No capítulo “A Cicatriz”, o autor fala dos reinos africanos rivais que eram os maiores fornecedores de escravos  na metade do século XVII, como os de Hueda e Aladá, situados na atual fronteira do Benin com a Nigéria. O reino do Daomé consolidou-se como principal na virada do mesmo século para o XVIII. Uma das consequências disso foi a redução populacional na África, compensada com a poligamia existente em algumas regiões, como Angola.

UMA ÁRDUA TAREFA!

Dois dias tentando agendar uma consulta ou exame de teste de Covid pelos telefones do call center da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e não deu em nada. Foi uma tarefa árdua, irritante e estressante!

Eu, minha esposa e até uma enfermeira do município entraram no circuito, mas ninguém atendeu. Apelamos para outra via e, através de um link, respondemos várias perguntas e, no final, nos deixaram um aviso de possível resposta.

Só no final da tarde de ontem consegui, finalmente, agendar um atendimento no gripário para hoje (dia 04/02), mas, dessa vez através do Posto de Saúde do bairro onde moro. Talvez esteja aí o segredo que faltava ser desvendado, tendo em vista que os telefones não passam de propaganda enganosa. Um preposto da própria prefeitura me confessou que não adianta ligar.

No Posto de Saúde do Bairro Jardim Guanabara, um atendente, ou coordenador da unidade, me recebeu muito bem e, com toda cordialidade, em pouco tempo agendou minha consulta para o final dessa tarde de sexta-feira. Essa pessoa se sensibilizou com minha situação, e não mediu esforços para me atender.

Ainda bem que ainda existe funcionário público com outra visão de responsabilidade, porque se fosse outro (a maioria é assim) simplesmente mandaria que continuasse ligando para o tal call center que não funciona. Essa pessoa foi muito prestativa, e agradeço a sua atenção, se bem que todos deveriam ser iguais a ele.

Outra coisa que descobri nessa jornada diária para marcar uma consulta médica no setor público é a pessoa necessitada ter alguém conhecido lá dentro para lhe dar o caminho certo para se livrar das pedras, quando não precisaria disso de forma alguma e, não é do meu feitio, ir por esse esquema.

Fica aqui o meu recado como cidadão comum, com direitos iguais a todos, para a Secretaria de Saúde, no sentido de que tome providências urgentes, para que os telefones instalados e publicamente divulgados, funcionem de verdade. Como está, o paciente fica todo tempo batendo cabeça e adoece ainda mais, enquanto tenta agendar uma consulta.





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