Em “quando tudo isso vai se acabar” foi título de um recente comentário feito por mim sobre os estragos que esse estranho vírus chamado Covid-19 provocaram em nossas vidas, não somente em termos de milhões de mortes que abalaram nosso planeta, mas também das interrupções dos nossos encontros e atividades. Estava aqui lembrando que, justamente no dia 7 de fevereiro de 2020, realizamos nosso último Sarau Colaborativo, em nosso Espaço Cultural A Estrada, cujo tema principal foi “Carnaval”. Portanto, são dois anos sem o nosso saudoso Sarau que, além da diversão e da confraternização, nos oferecia a troca de conhecimento e saber através das discussões, da música, da poesia, da contação de causos e do intercâmbio de ideias.  De lá para cá, tentamos duas vezes nos intervalos dos ciclos de baixas da pandemia, mas, infelizmente, não deram certo. Confesso que o nosso acervo, ou o nosso espaço cultural, sente um grande vazio espiritual, e os próprios escritores e toda arte que nele habitam dizem o mesmo. Tudo é uma solidão sem aquelas energias que transmitiam mais vida naquelas noites etílicas do respirar cultural. No lugar de quando esse vírus vai se acabar, indagaria se o nosso Sarau se acabou? Ainda existe espaço para Ele? Irá retornar com a mesma força de antes? Quando? São várias as interrogações, e uma delas é se as pessoas, com as quais convivemos por dez anos, ainda estão interessadas em reativar nossos encontros, ou simplesmente foi “amor eterno enquanto durou”, como sentenciou o poeta cancioneiro Vinícius de Morais? A reflexão e as respostas deverão ser respondidas pelos próprios participantes que construíram esse lindo elo. Será que ele foi partido?