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MAIS POBREZA NAS RUAS

A pandemia da Covid-19 nos últimos dois anos, a alta da inflação, a crise na economia, o desemprego alarmante e o desgoverno de um capitã-presidente destrambelhado colocaram mais pessoas na ruas com o aumento da pobreza e da miséria. Calcula-se que mais de 50% da população brasileira de mais de  200 milhões de pessoas estejam vivendo no nível de pobreza e de extrema pobreza por causa desses fatores.   Na verdade, estamos num país rico de pobres onde a cada dia mais gente vai morar nas ruas. É uma população invisível, sem cidadania, que a nossa sociedade, com seu egoísmo burguês elitista, construiu ao longo da nossa história. A concentração de renda cada vez mais acentuada fez do nosso Brasil ostentar o vergonhoso título de um dos piores índices de desigualdade social do planeta. Diante desse quadro macabro, não podemos dizer que temos uma real democracia.

OS TELEFONES NÃO ATENDEM

Quem depende do serviço público de saúde, o chamado SUS, ou Susto, neste país, está ferrado, e o destino de milhares é uma cova rasa para enterrar o Severino nordestino do poeta João Cabral de Mello Neto.  A Constituição Federal diz que saúde é um direito de todos os cidadãos, mas isso não passa de uma letra morta, conversa para boi dormir, que morre na teoria.

Caso específico é de Vitória da Conquista (acontece em todo Brasil) cujos telefones e o sistema “ZAP” não atendem quando a pessoa está necessitando. Estou tentando entrar em contato desde ontem para marcar uma consulta no gripário (Covid), através do call center, e nada. Tem gente felizarda que consegue e testemunha que foi bem atendida pelo centro. Que bom! Gostaria de saber onde está o segredo.

Comentei aqui várias vezes que a tecnologia virtual da internet em nosso país deixa muito a desejar em termos de solução do problema. Talvez esteja no nosso DNA do atraso cultural. Os aplicativos sempre param no meio do passo a passo, e o cidadão tem que começar tudo de novo. Outras vezes é o sistema que se evapora no ar.

Quanto a questão de saúde, a situação é ainda mais grave porque está se lidando com vidas. Quando a pessoa, depois de muita insistência, obtém uma resposta de agendamento, seu quadro já sofreu uma piora. Nesses tempos pandêmicos, poucos têm condições de procurar uma farmácia, um laboratório ou uma clínica particular para um teste ou um exame médico.

A consequência nessa falha no pronto atendimento todos sabem no que resulta. Nem precisa dizer que milhões falecem antes de chegar ao médico. Entendo que o agendamento tem o sentido de evitar aglomerações e reduzir a contaminação mais ainda pelo vírus, mas que funcione porque o doente não pode ficar três ou cinco dias na espera. Como a fome, o paciente tem pressa.

Como se não bastassem os negacionistas da ciência que abrem a boca para arrotar que não vacinar é uma opção sua, o sistema público de saúde é deficitário. Tem ainda os idiotas que escolhem qual imunizante tomar, sob o argumento de que é a mesma coisa de um cardápio de comida num restaurante.

Mas, voltando ao problema do não atendimento dos telefones instalados pela Prefeitura Municipal de Conquista, o poder executivo precisa tomar uma providência urgente para melhorar seu funcionamento. Não existe essa estatística, mas desejaria saber o número de atendidos e não atendidos, para ter um percentual exato entre essas duas figuras.

Na demora do atendimento, muitos partem para chás, dipironas, analgésicos e outros medicamentos que, geralmente, não resolvem, mas não têm outra saída. O ser humano, especialmente no Brasil, só reage quando o problema acontece com ele, ou com um parente da família.

Estou aqui criticando o sistema como um todo, o conjunto, que sempre foi bruto, sobretudo diante das profundas desigualdades sociais em que vivemos, de pobreza e miséria. Infelizmente temos um país rico de pobres por causa dessa política malvada, a qual deveria ser a solução.

O ASSÉDIO AO TURISTA EM SALVADOR

Essa questão absurda do assédio dos ambulantes em geral aos turistas na capital baiana não é de hoje. Tornou-se uma prática culturalmente enraizada. Bastou um visitante postar um vídeo nas redes sociais para o assunto viralizar porque todos são vítimas dessa falta de educação. Isso não tem nada em ser hospitaleiro, muito pelo contrário. Não se trata de cultura turística.

Comentei várias vezes sobre esse problema em meus artigos e matérias. Sou também testemunha e fui vítima em vários pontos, como no Pelourinho, Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Mercado Modelo e Senhor do Bonfim, principalmente. As baianas e os baianos chegam a lhe atacar com as fitinhas, colocando em seu braço, mesmo diante de uma recusa.

Entram com o papo de que as fitinhas são grátis, mas depois metem outros objetos artesanais, como correntinhas e lhe obrigam a comprar. Conheço uma sobrinha que se queixou comigo de ter dado 60 reais numa peça dessa, uma verdadeira facada, sem misericórdia.

Certa vez, no Mercado Modelo, praticamente um deles me agrediu porque não atendi à sua insistência. Me identifiquei como baiano (morei em Salvador durante 23 anos) e disse que não estava ali como turista. Não satisfeito, falou que eu não era baiano porque não gostava das coisas da Bahia. O pior é que continuou me xingando.

Os órgãos ligados ao setor turístico e a entidade que dirige os ambulantes já deveriam, há muito tempo, terem tomado providências, mas fazem vistas grossas, como se esse tipo de abordagem malandra fosse normal. Esse negócio de que Salvador é uma cidade hospitaleira não passa de um mito. Peça uma informação a um soteropolitano e verá!

Outro problema sério é a exploração. Quando o ambulante percebe que a pessoa é de outro estado ou de outro país, ele mete a “faca”, sem dó e compaixão. Cobra o triplo num produto ou serviço. Isso acontece até nos bares, restaurantes e lojas de lembranças.

Como o inverno é fraco em termos de visitantes, no verão os vendedores e comerciantes cobram preços exorbitantes para compensar a “paradeira” nas outras estações do ano.  Estes e outros motivos têm refletido negativamente na queda de turistas na capital.





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