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AS CRENDICES NORDESTINAS QUE REGIAM A VIDA DOS CANGACEIROS

Pelo seu próprio misticismo secular religioso, o Nordeste sempre foi uma região pródiga em crenças e superstições populares. Essas crendices regiam a vida dos cangaceiros desde os episódios e sinais mais comezinhos da natureza, incluindo a fauna e a flora.

A professora e escritora Marilourdes Ferraz, em sua obra “O Canto do Acauã” comenta que “ao trilhar uma certa rota, os cangaceiros retornavam imediatamente por outro caminho se uma acauã, ou acoã, como o chamavam, cruzasse os céus sobre suas cabeças com o canto característico do agouro”.

Mesmo havendo necessidade de uma viagem para atacar o inimigo ou resolver algum negócio, eles desistiam do intento se entre as dezoito horas e as vinte e duas horas da noite anterior ouvissem o canto do galo.

As primeiras segundas-feiras do mês de agosto eram dias em que evitam fazer encontros com as forças das volantes. Para eles, eram dias considerados aziagos, no seu linguajar “dias e águas”. No entanto, quando ocorria por acaso, não tinha jeito, todos entravam na luta.

Quando um cangaceiro estava deitado no chão, o outro não passava por cima do seu corpo ou das suas pernas sob pena de haver feroz briga devido ao “enguiço” causado. Tinha que haver o “desenguiço”.

Outra crendice consistia em não se dar passadas por cima dos calçados, nem de armas devido a “atrasos” na vida que isso poderia causar. Não conduziam o rifle ou fuzil atravessado às costas, formando uma cruz, por ser um mau presságio. A cruz tem um simbolismo relacionado com a morte.

Os cangaceiros desistiam de uma viagem se os sabiás se reunissem agitados junto ao grupo. Essas crendices também se estendiam às volantes e aos sertanejos em geral. Quando passavam próximo a uma cruz, todos se benziam para que seus corpos continuassem “fechados”. De um modo geral, as pessoas cristãs, ou mesmo não religiosas, praticam esse hábito e ainda fazem posições de reverencia.

A condução, junto ao corpo, de espelhos ou alpercatas atraiam balas. Se um cachorro uivasse em redor da casa ou se as corujas cacarejassem na comieira, esses sinais eram interpretados como “mau agouro”. Pedregulhos correndo nas telhas e gado mugindo à noite indicavam que alguma pessoa da família iria morrer.

Pela superstição, sentar à porta tornava o corpo “aberto”, isto é, vulnerável a ferimentos. Matar uma cobra era o mesmo que atrair balas. Os uivos de raposas eram agourentas e tornavam as pessoas cismadas. Os ofícios de Nossa Senhora deviam ser assistidos de joelhos. Os que assistiam em pé não teriam sucesso em suas atividades.

Lampião tinha seus artifícios para se livrar de emboscadas e provocar o despistamento. Muitas vezes, em viagem, ele tirava o chapéu e colocava-o no ombro. Às vezes apanhava um ramo verde de árvore e cruzava-o no caminho. Depois dava ordem para que todos se dispersassem e se encontrassem em outro local, ou mudava de rota.

Essas crendices e superstições não estavam somente ligadas aos cangaceiros, mas aos nordestinos em geral. Muitas dessas crenças permanecem em nossas memórias e se arrastam pelo tempo, especialmente entre as velhas gerações.

Quando menino, lembro que meus pais e os antigos respeitavam determinados crenças que foram adquiridas de seus antepassados e ancestrais, sobretudo aquelas ligadas à religiosidade. O terço, por exemplo, tinha que ser rezado de joelhos.

 

 

COISAS DO “ARCO DA VELHA”!

Interessante, quando expressamos o termo “Arco da Velha”, conhecido por muitos, lembramos logo daquelas histórias, estórias e causos inusitados e extraordinários contados pelos mais antigos. “Lá vem o “véio cumpadi” com o papo do Arco da Velha”. Tem muita gente que sabe florear, temperar e viajar na imaginação do saber. Sempre gostei de escutar e ficar bem atento porque são preciosidades valiosas.

Depois da contação de um fato surpreendente numa roda de conversas, você já deve ter ouvido alguém dizer, poxa, “isso aí é coisa do Arco da Velha”, isto é, dos antepassados ou dos nossos ancestrais. É parecido com “é pra inglês ver”, ou “onde tem fumaça, tem fogo”. No fundo, existem mais verdades que mentiras.

Bem, vale a pena uma pequena explicação sobre esse negócio de “Arco da Velha” e suas origens. Muitos termos têm suas relações com as culturas judaicas e cristãs. No caso, o arco-íris está ligado ao sinal do arco bíblico da Velha Aliança com Deus depois do dilúvio. No âmbito pagão, o arco fala de crenças sobre uma feiticeira. Pode ser também com o diabo. Também vale ser contos antigos, histórias de bruxas ou baús de fantásticos tesouros.

Tenho a convicção de que a região que tem mais coisas do Arco da Velha é o Nordeste, com seus causos e casos sobre os coronéis perversos, episódios do cangaço, crendices, a cultura popular e o próprio misticismo religioso. Ariano Suassuna e Câmara Cascudo, dentre outros, são os maiores representantes do Arco da Velha.

Aqui em Vitória da Conquista temos o nosso professor Durval Menezes que conta coisas do Arco da Velha. Tem ainda o professor Itamar Aguiar sobre as lendas garimpeiras de Lençóis. Pensem bem, o fundador da cidade, João Gonçalves da Costa, deixou uma fortuna imensurável. Falam que ele possuía barras de ouros e pedras preciosas que foram enterradas na Serra do Periperi.

Muita gente chegou a sonhar com esses tesouros e resolveu fazer escavações, como o geólogo autodidata alemão Maia Hoffman, vindo lá de Caetité. Relatam ainda que um tal geólogo Melquisedeque, chefe do IBGE, adquiriu muitas terras da Serra pelas bandas de quem vai para Barra do Choça e decidiu fazer o mesmo.

Não satisfeito, foi até Manoel Vitorino, onde João Gonçalves viveu seus últimos dias de vida, e deu uma de tatu, esburacando terrenos. Só deixou escombros. Será que esses tesouros ainda não estão por aí em algum lugar, inclusive nas sepulturas desses coronéis, como faziam os faraós do Egito?

Quem também sabia coisas do Arco da Velha foi Ernesto Dantas, que veio de Caetité e falava várias línguas. Foi o fundador do espiritismo em Conquista. Naquela “época do ronca”, o coronel José Zeferino Correia foi a Salvador reivindicar uma estrada Conquista-Poções-Jequié.

O Governo não atendeu, mas eles se juntaram e construíram a obra, tendo como engenheiro o pai de Pedral Sampaio. Pediu uma agência bancária e conseguiu a do Econômico, a segunda unidade instalada na Bahia. Como um dedo de prosa puxa outro, o patrimônio arquitetônico da nossa cidade, embora a maior parte tenha sido demolida, ainda conserva muitas histórias do Arco da Velha.

Não deixam de ser fatos do Arco da Velha, mas, como são relatos inusitados, vamos para o moderno do mundo tecnológico da internet e do Brasil de hoje. O Congresso Nacional, por exemplo, o pior da nossa história, aprova projetos do Arco da Velha, como o mais recente aumento salarial dos seus servidores, repleto de penduricalhos, bem como as verbas de gabinete, logo seus membros que exigem cortes de gastos do poder executivo!

As fake news (falsas notícias, fotos e vídeos montados), os bárbaros crimes, o político que rouba o dinheiro da merenda escolar e medicamentos de hospitais, as artes dos golpistas que substituíram os contos do vigário e dos bilhetes premiados, não deixam de ser também coisas do Arco da Velha. Roubar gado e cavalo no pasto, bater carteira (não tem mais dinheiro), assalto a mão armada são literalmente arcaicos delitos do Arco da Velha diante dos avanços nas modalidades criminais.

A Polícia Rodoviária Federal acaba de criar um Arco da Velha ao apreender uma ambulância que estava irregular e deixar um velho moribundo estirado no chão até que outro veículo viesse busca-lo. Existem muitos outros Arcos das Velhas vagando por aí que nos deixam estonteados.

A Inteligência Artificial, meus camaradas, ressuscita até mortos, cantando, tocando, escrevendo e falando seus casos do Arco da Velha. É assombroso e pavoroso! Experimente mandar ela narrar uma história do Arco da Velha, como mula sem cabeça, vaca voadora, mãe do ouro, lobisomem em noite de lua cheia, ou mesmo fatos hilários que ocorreram em Conquista! A IA vai lhe dar tudo do Arco da Velha.

Estava aqui a pensar com meus botões, por que a IA e os vídeos falsos não invertem as falas e pronunciamentos desses pregadores extremistas fanáticos do ódio e da intolerância, passando a expressar coisas boas e dando uma de bonzinhos, inclusive incentivando a vacinação e elogiando seus opositores?

Imaginou o cachorro louco do Trump fazendo tudo ao contrário, abraçando o Maduro, da Venezuela, condenando as invasões e defendendo os imigrantes! O Putin, da Rússia, parando de jogar bombas na Ucrânia e devolvendo os territórios invadidos! O Benjamin Netanyahu, o “Bibi”, de Israel, reconhecendo o Estado Palestino! O Xi Jinping, da China, trocando seu regime de ditador para a democracia e a liberdade de expressão!

Qual nada, meu amigo, esses personagens são reencarnações das histórias medievais do Arco da Velha, como Hitler, Stalin e tantos outros tiranos. As inquisições da Igreja Católica, as Cruzadas, os Templários estão cheias de fatos do Arco da Velha, numa dita aliança com Deus. Do Antigo Testamento, nem se fala! São mais que do Arco da Velha!

Melhor mesmo é voltar a contar e a prosear os nossos casos do Arco da Velha, de preferência saídos dos mágicos baús do agreste nordestino de João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego e Manuel Bandeira que decidiu ir para Passárgada onde também tinha e tem muitas histórias encantadoras de reis, rainhas e heróis conquistadores.

 

 

 

TERRENOS BALDIOS

Matagais, entulhos, garrafas, plásticos, lixo de moradores, camas, sofás, pneus velhos, ferragens e outros objetos servem para atrair ratos, escorpiões, cobras, mosquitos da dengue e insetos diversos se acumulam nos terrenos baldios e abandonados pelos donos desses imóveis que não são fiscalizados, conforme determina a lei do código de postura. As próprias imagens extraídas das nossas lentes mostram esta calamidade pública em Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, pejorativamente chamada de a “Suíça Baiana”. A situação chega a ser tão caótica em algumas ruas e bairros que muita gente toca fogo para minimizar o problema, que se agrava com as fumaças. Não tem dúvidas que o maior culpado por tudo isso é o poder público, e não adianta dizer que é falta de educação das pessoas que despejam todas sujeiras nesses terrenos. Vamos esperar que todos se eduquem, ou exigir que os proprietários murem ou cerquem suas áreas, aplicando as punições cabíveis? Por que a Prefeitura Municipal não toma logo uma providência urgente? Acho que a maioria tem uma resposta certa para esta pergunta. Além da incompetência, tem o poder econômico do setor imobiliário que o executivo prefere não bater de frente. A própria prefeitura não dá o exemplo, pois nem ela cuida devidamente de seus terrenos. Cadê a Câmara de Vereadores, o Ministério Público, a mídia e outros órgãos que não cobram o cumprimento da lei? Trata-se de uma questão de atentado à saúde pública.

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Oh Senhor, Criador Supremo!

Sua criatura só destrói,

O planeta vive no extremo,

O sistema só nos corrói,

Mas nem tudo está perdido!

Ainda tem muita gente,

Que faz aquela diferença:

Lança na terra a sua semente

Do amor, da paz e da crença.

 

Nem tudo está perdido!

O bem ainda bate na porta,

Para abraçar o desvalido;

Tem aquele que importa,

Com a injustiça social,

Que é amigo certo leal.

 

Nem tudo está perdido!

Tem filhos que amam os pais,

Mãos que afagam o esquecido,

Não desejam o mal, jamais!

São como a excelência

Nessa humanidade em decadência.

 

Tem a alma companheira,

Que na tristeza nos aquece,

Tem a canção sonora da viola,

Que do peito arranca a banzeira,

Como chuva que renasce a flora.

LEGISLATIVO ABRE ATIVIDADES DE 2026 COM A MENSAGEM DA PREFEITA

Os trabalhos do legislativo municipal de Vitória da Conquista foram abertos ontem (dia 04/02), com a mensagem da prefeita Sheila Lemos que fez um resumo das ações do executivo durante o ano passado e adiantou seus planos para 2026.

O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, após saudar os presentes e autoridades, afirmou que cem por cento dos projetos previstos em 2025 foram realizados, destacando que não houve perseguição a quem colocou suas posições contrárias e nem aos silenciosos.

Disse que “somos 23 vozes diferentes, mas com o objetivo único de lutar pelo progresso do município”. Assinalou que a Casa procurou defender a voz das mulheres com total independência.

Na ocasião, convidou todos a participarem do Fórum Industrial e Comercial que será realizado em março próximo. Lembrou que o legislativo prestou homenagens ao centenário do ex-prefeito José Pedral e que a Câmara procurou, de forma democrática, estar ao lado dos interesses da população.

A prefeita elogiou o trabalho do legislativo durante o ano de 2025, promovendo o diálogo e fazendo com que as demandas dos conquistenses chegassem até o executivo. Disse que procurou ouvir todos os parlamentares.

Entre as ações do seu mandato em 2025, citou a inauguração das unidades da Saúde da Família nos bairros da Patagônia e Ibirapuera.  Na área da educação apontou que foram investidos 60 milhões de reais, inclusive na reforma de 100 escolas e valorização dos professores.

Outras obras foram erguidas e requalificadas, como as praças do Ibirapuera, Jardim Guanabara, o Mirante do Cristo da Serra do Periperi, o Estádio Edvaldo Flores, além da recuperação de dois mil quilômetros de estradas vicinais na zona rural.

Quanto ao IPTU, Sheila ressaltou que o número de isentos passou de três mil e setecentos para quarenta e oito mil. Destacou pontos importantes da sua reforma administrativa, como a criação da Secretaria Municipal de Segurança Pública, mantendo Conquista como a cidade mais segura da Bahia.

Na oportunidade, ela convocou os vereadores a participarem, em conjunto com o executivo, das indicações de obras que serão construídas com os recursos do empréstimo de quatrocentos milhões de reais aprovados no ano passado pela Câmara de Vereadores.

Para este ano, prometeu entregar o Centro de Atendimento da Mulher e da Infância, bem como uma unidade municipal da UPA, entre outros serviços que irão beneficiar diretamente a população conquistense.

“A SOLUÇÃO É ALUGAR O BRASIL”

Depois de longas conversas teóricas em mesas de bares e encontros de bate-papos, muitos dos quais chegam a varar a madrugada, onde cada um exibe sua intelectualidade, conhecimento e sabedoria, a sensação que se tem é que em pouco tempo o grupo de sábios resolve todos problemas humanitários e, principalmente, do Brasil.

O cara chega em casa “chumbado” e morto de cansado e a mulher pergunta onde estava.

– Ah, mulher, estava aí com uma turma discutindo filosofia, política, sociologia, comportamento humano e outros temas complicados.

– Entendi, resolveram o problema do Brasil numa tacada só. Nem precisavam queimar os neurônios com tanto esforço. Como já disse o cancioneiro e poeta baiano Raul Seixas, “a solução é alugar o Brasil” – respondeu a esposa em tom sarcástico.

Sei não, do jeito que está a situação, com tantas falências, inclusive de estatais, como os Correios, com déficit fiscal, nas contas externas lá nas alturas e dívidas a perder de vista, acho que ninguém mais se atreve alugar este imóvel.

Se vivo fosse, arrisco dizer que Raul cantaria, ninguém quer mais alugar o Brasil. A Amazônia, a Mata Atlântica, o Pantanal e o Cerrado foram devastados, sem falar que, de lá para cá, só aumenta a corrupção e o número de golpistas. Nos três poderes é só baixaria de bate-boca!

Quem for alugar esta casa comercial vai ter que fazer uma reforma geral porque até a comieira está comprometida de cupins. O inquilino tem que ser um exímio administrador e esperar um bom tempo para auferir os lucros.

– É, mas existem empresários que fizeram fortunas comprando e alugando massas falidas. Colocam as coisas em ordem e depois vendem ou arrendam pelo dobro ou o triplo do preço – comentou um amigo meu certa vez quando a gente trocava umas ideias teóricas do tipo resolver os problemas do Brasil que há séculos continua sendo uma nação subdesenvolvida ou de Terceiro Mundo.

Já que Raul deu a opinião dele, apontando as vantagens de ter vista para o mar e que a Amazônia seria o quintal dos Estados, Unidos, falando sério, com esse Congresso Nacional, considerado o pior da história, minha opção é por um interventor estrangeiro gabaritado, que não seja um yanque norte-americano.

Antes do camarada me repreender que intervenção cheira a ditadura, adiantei que seria no estilo democrático, mantendo o presidente com sua representação política em defesa da liberdade de expressão.

A primeira coisa seria fazer uma auditoria apurada nas contas, com total transparência. Depois cortaria todas as mordomias dos três poderes. Nada de supersalários. Sem estabilidade trabalhista para funcionário público.

Nenhum deputado, senador, ministro de Estado, inclusive dos tribunais, presidentes de empresas ou órgãos teriam direito a carros, apartamentos, casas e outros privilégios. Venderia todos esses bens móveis e imóveis. Cada um que se virasse com seus salários.

O legislativo só iria legislar e nada de emendas parlamentares. Como não existem guerras no Brasil, tiraria as forças armadas dos quartéis e colocaria todo mundo para trabalhar, erguer escolas, postos de saúde, estradas, pontes e outras obras necessárias à população.

Basta, estou viajando demais na maionese ou na utopia com esta ideia estapafúrdia! Vamos ficar mesmo na sugestão do Raul que seria alugar o Brasil. Quem alugasse teria o direito de cobrar a vista para o mar e usufruir as belezas das praias litorâneas de oito mil quilômetros, bem como estabelecer cobranças de taxas aos donos das festas que não são poucas.

 

 

CÂMARA ABRE TRABALHOS DE 2026

Uma sessão solene com a presença da prefeita Sheila Lemos, nesta quarta-feira (dia 04/02), a partir das 9 horas, na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, reabre os trabalhos legislativos de 2026, depois de um recesso de mais de um mês.

A retomada das atividades contará com a mensagem da prefeita. De acordo com o presidente da Casa, Ivan Cordeiro, “a expectativa é de um ano intenso de debates e projetos voltados ao desenvolvimento do município”. Espera-se a presença de todos os 23 parlamentares e plenário cheio.

Entre as pautas que começam a tramitar estão propostas como a redução de 50% da taxa de esgoto na conta de água, a isenção do transporte coletivo para idosos a partir dos 60 anos, o IPTU zero para ruas não asfaltadas e o fortalecimento da política habitacional, com indicação para construção de casas populares.

Uma questão que também deverá constar das discussões será a polêmica da Zona Azul, cujas mudanças não agradaram aos usuários. Outro assunto que os vereadores não deverão deixar de abordar é sobre os terrenos baldios e abandonados que têm sido verdadeiros atentados à saúde pública de Conquista.

“A Câmara segue comprometida com as principais demandas da população conquistense, aberta ao diálogo e à defesa dos interesses coletivos”, destacou o presidente do legislativo, reforçando também a atuação dos vereadores em temos atuais, como o problema sobre a Zona Azul.

Ivan Cordeiro citou como destaque o projeto do vereador Edvaldo Ferreira que trata da redução de 50% na taxa da Embasa na conta de água, a construção de casas populares com recursos em torno de 30 milhões de reais dos 400 milhões de empréstimos aprovados pela Câmara no ano passado.

NEM TUDO ESTÁ AINDA PERDIDO

Um estudo científico realizado em diversos países da Europa comprovou que a inteligência humana, o QI, está em queda. Não existem dados no Brasil, mas os indicadores são baixos. Estudo feito pelo Ibope revelou que 29% da população é analfabeta funcional e o número de analfabetos absolutos cresceu de 4 para 8% nos últimos três anos.

Sabemos que vivemos num mundo turbulento, com guerras, intolerâncias e ódio. A humanidade em decadência (milhões com ideias medievais e burras) não confia mais em seus “semelhantes”. O sistema é bruto e cruel; impera o egoísmo e o individualismo; o planeta vive seus extremos em decorrência de séculos de agressão ao meio ambiente, mas, calma gente, nem tudo ainda está perdido.

Ainda tem o amor que bate em sua porta, o bem que acolhe o desvalido, a mão amiga e prestativa que lhe apoia nas horas incertas, os que tentam pagar o incêndio na floresta como o beija-flor com a água em seu bico, os honestos, sinceros e éticos, aqueles que têm fé em dias melhores, os que compadecem do sofrimento dos outros e os que ainda lhes dão um bom dia na rua, se bem que com raridade.

Diante de tantas perversidades e violências, como os “cachorros loucos” tiranos tentando dominar o mundo na base da força e da arbitrariedade, da ganância desvairada e da usura, das catástrofes e tragédias do aquecimento global, como eu, muitos se tornaram incrédulos e acham que não existe mais retorno. Ainda há tempo para recuperar o nível de inteligência?

No entanto, o que nos mantém vivos e esperançosos, é que nem tudo está perdido. Dia desse ouvi um vídeo onde alguém comentava que enquanto o pai estava num terminal de um leito de hospital, no corredor os filhos discutiam a partilha dos bens, mas existem aqueles que ainda ama e cuida de seus velhos genitores, sem pensar na herança.

Com a violência generalizada e as armadilhas da bandidagem, quase ninguém para numa estrada para dar socorro a alguém com o veículo quebrado, mas ainda aparece um que acredita no ser. Entre as multidões de ruas e praças, ainda aparece alguém para socorrer o caído na calçada.

Nas repartições públicas, a grande maioria dos funcionários age como robôs. É indiferente aos problemas dos contribuintes; recebe a pessoa com a cara feia e se limita ao que está ali no sistema do IA, mas testemunhei um servidor flexível, de visão mais aberta, que se importou com a minha questão e tudo fez ao seu alcance para desatar o nó da questão. Aquilo me fez ver que nem tudo está perdido.

Tem aqueles que tudo fazem para se dar bem na vida e acham que os meios justificam os fins, como passar a rasteira no outro, sem dó e compaixão, mas tem os que procuram vencer através de seus méritos e generosidades. Ainda tem jovem que se preocupa com o conhecimento e o saber, sem bem que poucos.

É, meu camarada, sei que a coisa está feia. As pessoas só pensam em consumir e valorizam mais o ter ao ser; se engalfinham nas redes sociais para engolir besteiras e mentiras; se tornam fanáticas raivosas e, em nome de uma religião, Deus e pátria, agem como racistas, homofóbicas e misóginas.

Bate aquela desilusão danada no peito. Tudo isso esgarça o tecido humano diante de tantas burrices, mentalidades retrógradas e arcaicas. O vizinho não conhece mais o vizinho. Os internautas preferem mais o virtual que o presencial. Os protestos e as manifestações de repúdio contra as ações arbitrárias do poder murcharam, enquanto enchem estádios de futebol e shows de músicas lixo de péssima categoria.

Mas, temos que seguir em frente com espírito forte, sabendo discernir o certo do errado, o normal do anormal, o legal do ilegal, o moral do imoral, porque nem tudo está perdido. Ainda tem o olho no olho, o sorriso aberto, o gesto de bondade, o adjutório, o simples e o humilde, o conteúdo, a mente aberta sem o preconceito e a vida que segue. Confesso que sou um cético inveterado, porém, nem tudo está perdido.

 

CADÊ A PUNIÇÃO AOS DONOS DE TERRENOS VAZIOS E ABANDONADOS?

Passam governos e a situação dos terrenos vazios e abandonados é cada vez mais crítica, caótica e só faz aumentar, principalmente nas periferias. O poder executivo não toma providências e só faz escorchar o cidadão com impostos e, praticamente, não oferece nada em troca. A Câmara de Vereadores não cobra a fiscalização. Você paga o máximo e só recebe o mínimo.

Nem é preciso dizer que são verdadeiros atentados à saúde pública porque estas áreas se transformaram em matagais, lixeiras, focos da dengue, escorpiões, ratos, cobras, todo tipo de insetos, e muitos moradores tocam fogo como meio de amenizar o problema porque não suportam mais. Estes são “criminalizados” pela mídia que não questiona o outro lado.

De acordo com o Código de Posturas Municipal (Lei 695/1993), em Vitória da Conquista, os donos de terrenos vazios, baldios ou abandonados são obrigados a mantê-los limpos, capinados e fechados, A inobservância dessas obrigações sujeita o proprietário às penalidades, conforme o código citado.

Ainda sobre os pontos sobre a regulação, o dono é obrigado a construir muros, calçadas e manter a área limpa, evitando focos de doenças e lixo. O descarte irregular de entulhos ou a não manutenção da limpeza gera infração com previsão de multas (reincidências resulta em dobro da multa).

A prefeitura tem a competência de fiscalizar e notificar o proprietário. Em caso de descumprimento, realizar a limpeza, enviando a conta para o dono do imóvel. O não uso do terreno por muitos anos pode levar a medidas baseadas no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), visando a função social.

É isto aí, somos campeões em leis que não são cumpridas, e não adianta fazer denúncias e documentos à prefeitura porque terminam sendo engavetados. A quem apelar? Vamos ao Bispo ou ao Papa? Está tudo escrito no papel, mas o problema permanece grave. Cadê a Câmara Municipal, o Ministério Público, a OAB e outras autoridades que não cobram o cumprimento das leis por parte do poder executivo?

Como diz um certo juiz de futebol, “a lei é muito clara”. Por que os prefeitos e a Secretaria responsável não resolvem essa questão de vez? Ainda tem gente imbecil que chama Conquista de a “Suíça Baiana”, isto porque não conhece a situação das periferias.

Estes terrenos abandonados de lixo são uma vergonha para uma cidade que é a terceira da Bahia com cerca de 400 mil habitantes. Aqui não tem nada de “Suíça Baiana”, meu amigo. Vamos deixar dessa baboseira de engrandecimento bairrista!

SUCATA DA VERGONHA

Além dos terrenos abandonados, aqui no loteamento Sobradinho (Zabelê), próximo ao Atacadão e à saída para Anagé, tem uma sucata que é uma vergonha e é mais um atentado à saúde pública. É fonte de dengue, insetos de todas as espécies, sem contar a poluição diária de fuligem nas casas vizinhas.

Os moradores das proximidades já se reuniram e fizeram um documento ou requerimento à prefeitura solicitando a relocalização da Sucata Esperança para outro local adequado, mas, como sempre, foi engavetado.

O problema é tão grave que as pessoas das imediações do Miro Cairo já denominaram esta região de a “Rota do Lixo”. Quem mora próximo sofre diariamente com o barulho das máquinas, sem falar na poluição. Idosos e crianças, principalmente, sofrem com problemas respiratórios.

Escorpiões e ratos entram nas residências. É um horror e um tormento para a comunidade. Nenhum órgão toma uma atitude. Como em todo Brasil, o brasileiro só tem deveres e quase nada de direitos. Isto vai de encontro à democracia, aliás, é um atentado a ela.

LAMPIÃO FOGE DE PERNAMBUCO E FAZ ESTRAGOS NO SERTÃO BAIANO

Com o cerco ao banditismo pelo governo pernambucano de Estácio Coimbra, tendo como comandante Geral das Forças Volantes, Teófanes Torres Ferraz, o mesmo que capturou, em 1914, o cangaceiro Manoel Alves Batista de Moraes, o famoso Antônio Silvino, o temido Lampião foge para a Bahia em final de agosto de 1928 e faz estragos no sertão.

Na realidade, Virgulino Ferreira já estava enfraquecido, com seu bando reduzido depois da frustrante invasão à cidade de Mossoró (Rio Grande do Norte), em 1927, com 90 homens bem armados quando esteve em Juazeiro do Norte, em 1926, e recebeu modernas armas do governo federal para combater a Coluna Prestes.

Um dos primeiros atos de Estácio Coimbra foi mandar prender os coiteiros (sertanejos, fazendeiros coronéis, usineiros e até chefes políticos), deixando os bandoleiros desorientados. Outro fator que pesou na caça aos cangaceiros foi o apoio do governo pernambucano através da reposição de provisões de armas, munições e o soldo nos prazos determinados.

Essas medidas, conforme relata a escritora Marilourdes Ferraz, em seu livro “O Canto do Acauã”, resgatariam a campanha em Pernambuco, tornando-a numa eficiente realidade. Foram conservadas as táticas de lutas e as vestimentas apropriadas à caatinga e às modalidades de combate nela desenvolvidas, porque eram as tradicionais da região.

Em 1928, o bando de Lampião já se encontrava reduzido e não tinha condições de enfrentar as volantes. Sua tática foi fugir para a Bahia onde as forças policiais estavam enfraquecidas e não tinham experiências de combates na caatinga. Então, ele atravessou o Rio São Francisco em demanda do sertão baiano, partindo do sopé da Serra Negra, em Floresta, com apenas cinco homens (chegou a ter 130 a 150), entre eles o Luis Pedro, seu fiel escudeiro.

Seu itinerário englobou a Serra Tonã, a fazenda Salgado e o povoado Várzea da Ema, município de Glória. Naquela localidade, Lampião encontrou refúgio na fazenda Gangorra. Mesmo assim, as tropas pernambucanas foram ao seu encalço, mas sem sucesso.

Essa perseguição rendeu alguns versos, como “A força de Pernambuco/ É um bando de urubu/ Perseguindo Lampião/ Que é filho de Pajeú”. De início, Lampião mudou estrategicamente seu comportamento na Bahia, de cabra violento para pacato e bondoso, capaz de esbanjar dinheiro para a população, com intuito de fazer crer que ele era vítima de uma injusta perseguição.

O povo baiano acreditou nessa farsa e chegou a impressionar o coronel Petronilo Reis, chefe político de muito prestígio na área de Glória. Foi o primeiro protetor de Lampião na Bahia, tanto que o governo do estado solicitou o retorno das volantes pernambucanas à sua terra de origem.

Virgulino só estava esperando o momento certo para atacar, reforçando o seu bando, e Petronilo terminou sendo o principal objeto da sua ira quando deixou de ser-lhe útil. Depois que conheceu a região, coligou-se aos irmãos Engrácia no vizinho estado de Sergipe.

Na Bahia, incluiu novos elementos, como seu irmão mais novo Ezequiel, Corisco e as mulheres Dadá e Cila, uma grande novidade para o cangaço, pois na cultura sertaneja, a relação sexual tornava o homem vulnerável, com o “corpo aberto” a balas e facadas, e embotava seus sentidos para os perigos da caatinga.

Não demorou muito para o governo baiano pedir reforço às volantes de Pernambuco, inclusive com a aquiescência do coronel Petronilo e outros fazendeiros. Em 1929, os cangaceiros chegaram a assassinar quatro soldados baianos. Sucederam-se outras mortes, incêndios, roubos e sequestros.

Ainda nesse mesmo ano, em julho, ocorreu o assalto à vila de Pedra Branca e, no povoado de Brejões, foram aprisionados e mortos mais quatro policiais e um cabo. Em outubro, o bando ameaçou os trabalhadores da estrada de Juazeiro a Santo Antônio de Glória, visando interromper os trabalhos (Lampião tinha pavor a estradas). Nove homens da obra foram mortos.

Em dezembro de 1929 aconteceu um episódio macabro que deixou a população de Queimadas, na Bahia, aterrorizada. Com dezoito cangaceiros, Lampião forçou o juiz a preparar uma lista para a coleta de dinheiro e realizou diversas atrocidades, como o fuzilamento de sete soldados na porta do quartel.

De acordo com o major Optato Gueiros, em seu livro  “Lampião”, em Queimadas ocorreu um fato curioso. Ao penetrar na vila, um policial ao deparar-se com a situação do destacamento, ajoelhou-se e começou a orar. Lampião aproximou-se dele e deu ordens para que seus cabras não bulissem com o homem. “Não estão vendo que ele está doido?

Quando caiu a noite, os cangaceiros fizeram uma festa em comemoração pelos lucros auferidos em Queimadas. Em 1930 aconteceu outra tragédia nas proximidades da Serra do Urubu. Num tiroteio, morreram o tenente Geminiano Santos, um sargento e mais cinco companheiros.

 

 

 

 





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