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O CARNAVAL QUE PASSOU

Na suadeira do carnaval entro com minha fantasia de excluído de pano encardido, no peito escrito “Fora a Corrupção” e nas costas os dizeres “Por Justiça e Igualdade Social”. Na mão carrego um cartaz que fala do carnaval que passou.

Sou um velho solitário no meio da multidão. A grande maioria nem viu a minha passagem. Muitos acharam meu traje engraçado e só poucos entenderam minha mensagem. Fui até alvo de algumas fotos feitas por uns gringos que acham tudo exótico e pulam com aquele jeito desengonçado, com o sotaque de que o Brasil e a Bahia são maravilhosos. Aliás, tudo é maravilhoso!

No Pelourinho, no Terreiro de Jesus e na Praça da Sé ainda vejo algumas bandas tradicionais de samba e pagode. O Olodum faz aquele barulho ensurdecedor com seus tambores. No palco, algumas músicas que lembram o carnaval que passou. A partir da Rua Chile, o cenário vai mudando e a Praça do Poeta Castro Alves não é mais do povo como o céu é do condor.

Não mais Dodô e Osmar na fóbica com Armandinho, Morais Moreira, Luiz Caldas, Caetano, Gil, o autêntico Trio Tapajós, os blocos sem corda (Os Internacionais, Jacu) e os amigos no Clube de Engenharia tocando violão, confabulando ideias e enchendo a cara e a cuca com lança perfume.

Procurei em vão a Colombina e o Pierrô. Não mais aquelas marchinhas de carnaval, “Ô Abre Alas, que Eu Quero Passar”… (a mais antiga de Chiquinha Gonzaga); “Mamãe eu Quero, Mamãe eu Quero, Mamãe eu Quero Mamar…”; “Aurora, Oôôô, Aurora”; “Você Pensa que Cachaça é Água”…; “Chegou a Turma do Funil”…; “Me dá um Dinheiro Aí, Ei, você aí, me dá um dinheiro aí…”

Cadê as famílias com seus idosos, mulheres e crianças sentadas em suas cadeiras nas calçadas da Avenida Sete de Setembro para ver os cordões e as marchinhas passarem? Das janelas não mais confetes de papel (eram os camarotes). Todos brincavam em clima fraternal, sem violência e empurrões. As bandas eram um sucesso juntamente com os blocos de índios e os afros.

Por falar nisso, o carnaval tem suas raízes históricas no período colonial, tornando-se uma festa altamente lucrativa a partir da segunda metade do século XX, nos anos 80 e 90. O entrudo era praticado pelos escravos que saiam pelas ruas com seus rostos pintados, jogando farinha e bolinhas de água de cheiro nas pessoas.

Foram-se as guerras de cascas de ovos, de milho e feijão. Haviam até vassouradas e colheradas de pau, mas tudo são coisas de outrora, no carnaval que passou, que era bem mais inclusivo. Tudo se tornou lucrativo, e a festa num comércio concentrador de renda onde o rico fica mais rico e o pobre mais pobre.

Do Campo Grande desci até a Barra, Barra Avenida e Ondina. Nesse circuito maluco, barulhento e infernal de trios elétricos, que não são mais trios, e sim bandas de cantores com músicas de letras lixo de uma só estrofe repetitiva, foi onde senti a saudade bater mais forte no coração daquele carnaval que passou.

Uma tremenda loucura, meu camarada! Coisa de doido! Fui trucidado pelo empurra-empurra dos “pipocas” e lá se foram minha pobre fantasia e meu cartaz. A camisa em formato de abadá foi rasgada. As frases perderam o sentido. Ninguém está ali para ouvir ou ler protestos! Basta o circo!

Para não ser esmagado, encostei num canto de um barraqueiro e o senhor e a mulher com seus filhos pequenos nem me viram. O suor caia de seus rostos de tanto andar de lá para cá para atender a turba. Sempre atentos para não serem passados para trás pela malandragem que leva a cerveja na “mão grande”.

Aquelas pessoas dormem praticamente sujos durante mais de uma semana no cimento daquelas barracas de bebidas e comidas para no final ganhar uns míseros trocados. De lá debaixo do asfalto espiei aqueles camarotes de luxo frequentados por ricos, celebridades e famosos. Muito conforto, curtições e bacanais. Os “trios” berram na frente deles na disputa para ver quem mais ganha. Todo conjunto compõe o palco das desigualdades sociais. É tudo misturado e separado.

Sem forças para prosseguir, aos poucos fui me desviando das brigas, dos furtos de celulares e dos soldados embrutecidos metendo o cassete nos “arrastas chinelos”. O “pau comeu”, enquanto os “puxadores” das muvucas gritavam em tom de ordem para todos tirarem o pé do chão. Os súditos obedeciam no rebolado dos passinhos com as mãos para o alto.

Fui cortando em meio à aquela parafernália para sair lá pelo Rio Vermelho. No roteiro vi a banda “Baiana Systen”, que prega o antirracismo, tocando no camarote Premium, o mais luxuoso que invadiu terrenos na praia com enormes tapumes.

A mídia joga toda sujeira e a violência debaixo do tapete. Os políticos, lá do alto de seus camarotes, são ovacionados pelos músicos que dizem que tudo é de graça. Todos acreditam. Tudo se inverteu. Foi-se o carnaval que passou. Agora é só deles, dos poderosos.

OS SACRIFÍCIOS DA PEDRA BONITA

AS LENDAS, ATRAVÉS DA TRADIÇÃO ORAL, GERAM O MISTICISMO QUE SE ENTRELAÇA E GRUDA NO CONSCIENTE POPULAR EM FORMA DE CRENÇA, TRANSFORMANDO O IRREAL EM REAL.  O MÍSTICO FAZ A LAVAGEM CEREBRAL QUE INDUZ O INDVÍDUO AO SACRIFÍCIO DO ALTAR.

O naturalista escocês George Cardner, em suas viagens pelo interior do nosso país, nos anos de 1840, constatou que o sebastianismo no Brasil, especialmente no Nordeste, era mais forte que em Portugal. Os seguidores dessa seita acreditavam que com a volta do Rei D. Sebastião, o Brasil gozaria da mais perfeita felicidade.

Conta a história que no dia 4 de agosto de 1578, o soberano português D. Sebastião pereceu na batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos, contra os mouros comandados pelo sultão Abdal-Malik.

Mesmo a contragosto de seus oficiais, o soberano foi lutar na África por meio de uma Cruzada de guerra santa contra os infiéis, visando expandir o território português. Desde sua infância, diziam que ele foi predestinado à glória. Como católico fervoroso e ávido de conquistas, o povo aspirava por uma Idade do Ouro para Portugal.

O desaparecimento do rei-guerreiro foi misterioso, mas fez surgir as lendas e os movimentos místicos que passaram a invocar o seu ressurgimento. Essas lendas e o mito alcançaram terras desbravadas pelos portugueses.

De acordo com a professora e escritora Marilourdes Ferraz, em seu livro “O Canto do Acauã”, falam que o primeiro movimento sebastiânico no Brasil surgiu em Pernambuco, no ano de 1819, no município de Bonito.

No ano de 1836, em Vila Bela (Serra Talhada), no sertão de Pernambuco, apareceu um caboclo de nome João Antônio dos Santos com duas brilhantes pedrinhas na mão e com um folhetim. Em suas andanças, contava a lenda do rei desaparecido, visando conquistar adeptos para sua nova seita.

Com suas palavras de persuasão, arrastou seguidores, como nas redes sociais de hoje, e atingiu o ápice emocional, resultando numa carnificina que ficou na história e abalou o sertão, em maio de 1838.

Mais de 50 pessoas foram sacrificadas de forma bárbara no altar da Pedra Bonita, localizada na Serra Formosa. O João Antônio se tornou “rei” e fez um rebanho acreditar que os sacrifícios humanos purificariam a pedra e abririam espaço para o retorno de D. Sebastião. Aliás, dizia que era um pedido do próprio rei desaparecido.

As narrativas de João Antônio tornaram-se motivo de grande poder persuasivo por estarem integradas à cultura da região nordestina, isolada por séculos do resto do Brasil. O povo cultuava o hábito de contar histórias reais e imaginarias, encantando e impressionando as pessoas mais simples.

Pela sua habilidade do saber dosar as narrativas, com seus gestos e expressões corporais, extraindo emoções, João tinha a magia da arte de contador de histórias, ao ponto de fazer com que o sertanejo acreditasse nelas.

Ele lidava com as pedrinhas brilhantes e o folhetim, tornando o irreal em real. Com seus instrumentos de indução, passou a convidar a todos a acompanhá-lo ao local onde aconteceria o desencantamento de D. Sebastião, com todo o esplendor do seu reino.

Na Serra Formosa existiam (ainda existem) duas grandes pedras quadrangulares que eram as “torres de uma igreja”, conforme relatava João Antônio. Na verdade, era só uma pedra bonita em virtude da incrustação de malacachetas que faziam pratear e serem vistas pelos moradores como coisa inusitada e misteriosa. Próxima à pedra, existia uma lagoa, também encantada. De lá, João retirou as pedrinhas que eram exibidas por onde passava.

O místico dizia ter sido guiado pela mão de El-Rei que lhe oferecera a visão do que seria o reino encantado. O vidente passou a dizer que tudo que era encantado só desencantaria com muito sangue para regar todo “campo santo” e romper o encanto que aprisionava D. Sebastião.

As promessas aos seguidores eram irresistíveis, como pretos que se tornariam brancos e seriam todos imortais, ricos e poderosos. Os velhos voltariam a ser jovens. O lugar passou a ser um “santuário”, a pedra dos sacrifícios e o torno de João Antônio, donde ele fazia suas pregações e dava ordens aos fiéis.

Na tarefa de doutrinação, Antônio era auxiliado por uma equipe de pessoas da sua família e parentes de confiança, como seu pai Gonçalo José dos Santos.

Contava ainda com a colaboração de muitos outros para efetuar a peregrinação e propagação da seita que atraiu muita gente de outros lugares, como das ribeiras do São Francisco, Cariri, Riacho do Navio e do Piancó (Paraíba). Todos queriam ver as coisas “bonitas” que iriam acontecer.

As pessoas concentradas na “Pedra Bonita” perdiam o direito de se retirar do local. Nas tarefas, criadas por João, os grupos de trabalho eram vigiados por guardas da seita. Fazendeiros entregaram todo seu gado e economias, acreditando que depois tudo seria devolvido em dobro.

Existia uma rígida disciplina, como a proibição de banhos e lavagem de roupas até que ocorresse o grande evento que seria o retorno de D. Sebastião. Durante todo tempo, todos entoavam cânticos religioso, benditos e rezas. A alimentação era à base de legumes colhidos nas fazendas das redondezas.

Tudo isso funcionou muito bem para o êxito de uma lavagem cerebral onde todos estavam dispostos aos sacrifícios humanos. As consciências ficaram ainda mais entorpecidas através da ingestão do “vinho encantado” preparado com a infusão da jurema e manacá, acompanhado pelo hábito de fumar cachimbos que continham ervas entorpecentes misturadas ao fumo.

Os fatos tenebrosos passaram do limite e forçaram o padre missionário Francisco Correia, que perdeu seus fiéis para a seita, investigar a situação. Organizou missões e chamou João Antônio para uma conversa, que entregou as duas pedrinhas e partiu para o Cariri. O padre, então, retornou para a comarca de Flores, crente de que a seita teria sido extinta.

Ledo engano, os sebastianistas retornaram, agora guiados por um novo “rei”, João Ferreira, que sentou no trono e ditou as novas regras, como a de que o homem poderia se casar até com três mulheres, contanto que todas elas passassem a primeira noite com ele que já era casado com Josefa, a irmã do primeiro “rei”.

A grande tragédia da Pedra Bonita, que depois passou a ser chamada de Pedra do Reino, aconteceu na manhã do dia 14 de maio de 1838 e se estendeu entre os dias 15 e 16. Os próprios integrantes da seita foram dizimados. Depois avisou que El-Rei estava desgostoso com o povo que não tinha fé e não podia desencantar. Os sebastianistas indagaram, então, o que poderia ser feito.

João Ferreira respondeu que era preciso regar todo “campo santo” e as pedras das “torres da catedral” para que o “reino” surgisse em sua glória. Todos ouviram uma “voz” no fundo da pedra e interpretaram como a se fosse a de D. Sebastião.

Nesse momento, a turba ficou ensandecida com cânticos e rezas. O pai de João Ferreira foi o primeiro a colocar seu pescoço na pedra para ser sacrificado. Outros fiéis imitaram o gesto. Um idoso de nome João Pilé, agarrou seus netos e com eles mergulhou para a morte do alto de um rochedo, mas na queda deu conta da loucura e conseguiu se salvar. Os netos não tiveram a mesma sorte. Uma mulher matou dois filhos menores, mas os maiores fugiram e um deles conseguiu abrigo na casa do fazendeiro Manoel Ledo de Lima. Josefa, que estava grávida, foi tão violentamente golpeada que provocou o nascimento do filho, mas este rolou pelas pedras para a morte. Outros pais deceparam as cabeças de seus filhos.

No final do terceiro dia, estavam lavadas de sangue as bases das pedras e o solo do “reino encantado”. Foram trucidados 12 homens, 30 crianças e 11 mulheres. Além dos humanos, 14 cães foram executados, destinados a serem os “dragões do reino”.

Quando o ar ficou empestado pelo mau cheiro da carnificina, os sobreviventes foram para outro campo. Construíram cabanas e ficaram esperando a chegada de D. Sebastião.

No dia 17, o Pedro Antônio, irmão de Josefa, sentou-se no trono e ordenou a execução do cunhado João Ferreira, com o argumento de que para completar o sacrifício, D. Sebastião havia lhe dito que só faltava o “rei”. Os fanáticos torturam João Ferreira, quebraram sua cabeça e arrancaram suas entranhas.

No mesmo dia, o vaqueiro José Gomes, que estava na Pedra Bonita, conseguiu escapar da chacina e correu até a fazenda Belém onde se encontrava o major Manoel Pereira da Silva, da Guarda Nacional, e denunciou os fatos. Outros também foram até a fazenda de Manoel Ledo narrando a mesma história.

O major reuniu uma força de 26 homens e pelo caminho a tropa foi aumentando. Quando os combatentes chegaram à Pedra Bonita, os homens, nus da cintura para cima, estavam armados de facões e cassetes. Enquanto isso, o Pedro Antônio agitava seus adeptos com gritos de guerra a defenderem o reino. Com cânticos, rezas e ladainhas todos avançaram contra os soldados, no corpo a corpo.

No combate ficaram 22 cadáveres, sendo o do “rei” com 16 de seus sectários e dois irmãos do comissário-major, além de muitos feridos entre outros soldados. Dois meses depois dos acontecimentos, o missionário Francisco Correia foi sepultar os mortos e contou 53 corpos. Todas as ossadas foram enterradas numa grande vala. Até hoje contam que o local em torno da Pedra Bonita (Pedra do Reino) ficou mal-assombrado.

TEM GOSTO DE QUÊ?

(Chico Ribeiro Neto)

Um cheiro no seu cangote tem gosto de água do pote.

Comer a casca da manga rosa lembra a infância.

Uma talhada de melancia gelada tem gosto de ressaca.

A hóstia tem gosto de céu.

Amendoim cozido tem o sabor do São João.

Pirão de maxixe tem gosto de Caculé.

Ingá tem sabor de Ipiaú.

Jaca lembra a turma de rua. (A gente roubava jaca nos quintais da Vitória).

Sorvete tem gosto de namorada.

Macarrão com galinha tem gosto de domingo.

Pipoca tem sabor de cinema.

Pepino tem gosto de água fresca.

Vinho tem sabor de belas lembranças.

Ki-Suco tem gosto de aniversário de boneca.

Peixe frito lembra a praia.

Abacate tem o sabor do quintal de vovô Chico em Ipiaú.

Suco de uva lembra doença. (Lá em casa, quando a gente era pequeno, só tomava suco de uva quando adoecia).

Charque lembra buteco.

Repolho tem sabor de um cozido.

Sardinha tem gosto de quarto de pensão.

Leitoa assada tem gosto de São João em Caculé.

Mingau de aveia Quaker lembra mamãe Cleonice.

Óleo de rícino tem gosto de sofrimento.

(Espremidos entre os tacos da sala, dois confetes me espreitam).

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

NÃO SE TRATA DE UM SÍTIO

A imagem bucólica parece ser de uma fazenda ou de um sítio, mas pode ser vista em plena Vitória da Conquista nos terrenos vazios em bairros da periferia, em meio ao lixo e ao matagal. Nossas lentes flagraram cavalo e cabras pastando numa área da Avenida Sérgio Vieira de Melo, no Zabelê.  Em meio ao lixo, pelo menos esses animais estão contribuindo para o capim não ficar mais alto e se transformar em esconderijo de bandidos. Além do mais, evita que alguém toque fogo e provoque aquele “fumacê” tão prejudicial à saúde humana. No corre-corre da vida, muita gente passa e não percebe estas cenas de interior da zona rural.  Com o progresso, o trânsito agitado e engarrafado de carros soltando gases tóxicos e multidões em correria, quase ninguém ouve o canto dos pássaros nas praças arborizadas, muito menos uma noite de lua cheia. Como ainda tenho minhas raízes fincadas no sertão da roça, costumo parar para matar a saudade dos tempos de menino quando vivia no campo. Mesmo com a destruição provocada pelo bicho homem predador, a natureza ainda sobrevive ao nosso lado nas grandes cidades e ela atua como bálsamo da alma. Pena que a grande maioria não para um pouco para apreciar sua beleza e seu encanto. Maior parte da minha vida foi em centros urbanos, mas até hoje ainda me sinto um ser campesino. Quando estiver estressado, aporreado ou banzo, escute o canto das aves e olhe um pouco para as árvores e plantas ainda vivas nas pequenas, médias e grandes cidades. Mesmo assim, vamos cobrar do poder executivo que fiscalize os terrenos abandonados e obrigue por lei que seus proprietários os cerquem ou murem.

 

O PORQUÊ

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Por que

Tem o cancioneiro

Que encanta o mundo

O escritor pensador,

Que nos leva ao profundo,

Outros que nada são,

Muitos vivendo em mansões,

A maioria em casebres,

Amargando suas aflições?

 

Todo esse mistério,

O poeta passa para a filosofia,

Que devolve para a teologia,

Questão de religião e fé,

Acredite quem quiser,

Porque só Oxalá sabe explicar.

 

Êta moço, que lasqueira!

Tem muita coisa pra se entender,

A vida é uma bagaceira,

Quem ama não é amado,

Um é rico e o outro é lascado,

Se existe o Deus Senhor,

Qual Supremo lhe criou?

 

ISENÇÃO PROPORCIONAL DO IPTU

Depois do recesso e abertura dos trabalhos na semana passada, os vereadores voltaram às suas atividades na sessão ordinária de ontem (quarta-feira, dia 11/02), discutindo importantes projetos que vão beneficiar a população conquistense.

Na pauta, foram apresentados vários projetos de lei, como, por exemplo, sobre a isenção proporcional do IPTU para imóveis localizados em ruas que apresentem buracos, falta de iluminação pública ou outras condições precárias de infraestrutura. A questão é identificar os critérios técnicos para conceder essa isenção.

Outro assunto muito debatido e que tomou boa parte da sessão foi quanto aos problemas da Zona Azul que recebeu muitas críticas por parte dos usuários a partir de determinadas mudanças feitas pelo poder executivo.

No entanto, a medida de isenção do pagamento da tarifa da Zona para idosos é inovadora. É outro ponto que deve ser bem fiscalizado para que não ocorram fraudes por parte de pessoas inescrupulosas.

Também foi debatido o projeto de implementação da “Sala Lilás” no SUS, com o objetivo de prestar atendimento exclusivo, especializado e humanizado às mulheres vítimas de violência.

Outro projeto foi o reconhecimento do Terno de Reis como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Vitória da Conquista, bem como, a instituição do Dia Municipal do Terno de Reis.

O POBRE SEMPRE “PAGA O PATO”

Existem dizeres populares que não consigo engolir. Um deles é que “todos somos iguais perante a lei”. Este é bem demagógico, originário de um conceito fundamental do liberalismo clássico. Seria sublime, mas só funciona na teoria. É enganador e serve como propaganda mentirosa do sistema capitalista oligárquico, mas tem gente que acredita e enche o peito para pronunciar a frase.

As bases para essa afirmação surgiram a partir da Revolução Francesa (1789) através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que estabeleceu a igualdade formal. Está também no Código Napoleônico (1804), na Magna Carta (1215) como ideia de que ninguém, nem mesmo o rei, está acima da lei. Pergunte aos súditos.

Triste ilusão do fraco quando tenta se defender de uma acusação injusta e descobre que não é assim que a banda toca. Muitos falam isso com orgulho, só que quebra a cara porque o poderoso rico tem suas brechas, enquanto o pobre leva a bordoada no lombo.

No Brasil, a frase está consagrada no Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que determina que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Não é assim que funciona na prática, meu amigo! A vida real nos diz o contrário.

No âmbito filosófico, o enunciado deriva da crença de que na esfera jurídica, as diferenças sociais ou econômicas não devem criar privilégios. Desde as primeiras civilizações, a chibata foi reservada para a plebe. O mais certo é que a corda só arrebenta do lado mais fraco.

Outra que não cola é que “a voz do povo é a voz de Deus”. Esta deve ter vindo da cultura cristã, mas deixa pra lá. A de que somos todos iguais, só se for apenas como seres humanos e, mesmo assim, com suas diferenças físicas e mentais. Como dizia o poeta Raul, “o ponto de vista, é o ponto da questão”.

Sobre este papo de iguais, um exemplo mais que evidente de que não é assim, está no caso mais recente da mulher da piscina da academia que veio a falecer intoxicada por substâncias químicas (cloro e outros produtos) manuseadas por um funcionário não habilitado.

O pobre do empregado era apenas um manobrista, mas ele foi usado pelo patrão para outras atividades (acúmulo de funções), inclusive atuar numa área perigosa que exigia profissionalismo. Isto se chama ganância financeira. Arapuca como a dele está aí aos montes, mas a fiscalização é negligente e os órgãos responsáveis não são punidos, de acordo com a lei, que não é igual para todos.

Se o manobrista se recusasse ou fizesse alguma objeção, certamente seria demitido. Duvido que ganhasse para fazer essas coisas além da sua função. Para economizar gastos e auferir mais lucros, o dono o obrigou.

Quando ocorreu o triste episódio da morte e outros que foram hospitalizados, quem foi chamado para depor na delegacia? Claro que o pobre coitado! O sacana do proprietário ganancioso ainda avisou para ele fugir, o que complicaria ainda mais sua situação.

Este é só um exemplo, mas existem milhares de outros onde é o mais fraco que termina “pagando o pato” no lugar dos malfeitores ricos e de quem está no poder. É assim em relação aos crimes de corrupção e de tantas outras mortes onde o mandante e o cabeça das tramas ardilosas ficam impunes.

O cachorro louco do Donald Trump divulgou racismo em sua rede social contra o ex-presidente Barack Obama e sua esposa com figuras de macacos. Quando bateram as críticas em sua porta, ele apontou o dedo para seus funcionários. Todos agem dessa forma e fica por isso mesmo.

Olha a acusação de assédio sexual contra o ministro do Tribunal Superior de Justiça! Como tem foro privilegiado, vai ser investigado e julgado somente pelos seus pares. Para disfarçar e maquiar a justiça, foi apenas afastado do cargo, mas recebendo seus polpudos salários, como se fosse licença remunerada.

Fosse um pobre lascado contra uma moça rica, a mídia caia em cima, e o sujeito já estava na cadeia. Então, não me venha com essa de que todos somos iguais perante a lei.  Aliás, brechas foram feitas para se livrar dela quem tem muita grana para pagar bons advogados.

– “Você sabe com quem está falando”? Acha que isso se acabou? É mais uma comprovação de que esse negócio de iguais é uma balela. No sentido latu sensu do psicológico, filosófico, biológico, econômico, social e em outros aspectos, somos todos diferentes, inclusive no nascer, durante a vida e no morrer. Nem nos cemitérios e nos caixões somos iguais.

 

AS INTERPRETAÇÕES DETURPADAS

Alguém aí poderia arriscar e quantificar o quanto por cento dos brasileiros entendem e interpretam corretamente os noticiários das mídias eletrônicas, especialmente as televisivas? Com uma dose de otimismo, eu ficaria com cerca de 5% e baixaria para 0,1% quando se trata de política, economia e outros assuntos na área técnica e jurídica. Estou sendo até condescendente.

É lamentável essa situação, mas é a pura realidade. Afinal, as pesquisas do IBGE dão conta que cerca de 30% dos nossos conterrâneos são analfabetos funcionais, isto é, não sabem ler e interpretar um texto de 10 linhas. Agora imagina esses fanáticos religiosos interpretando a Bíblia! Você queria mais o quê, carapálida?

Mais de 90% dos noticiários na televisão atingem apenas uma pequena camada, a não ser coisa de futebol, carnaval, crimes bárbaros e tragédias que ocorrem com os outros. São muitas informações em tempo real e poucos informados por causa do baixo nível de instrução, inclusive entre nossa juventude que prefere ficar com o celular na mão ouvindo fofocas, mentiras e besteiróis.

Na Rede Globo, por exemplo, (também em outros veículos) passam reportagens (matérias) sobre tramas de corrupção, economia, mercado de capitais e financeiro (Banco Master), temas técnico-científicos e processos jurídicos onde o repórter, ou comentarista, fica 10 minutos lendo longos textos, como se a cabeça humana fosse um computador para memorizar tudo. Tome “economês” e “juridiquês” nessas relatorias!

Quem tem nível intelectual mais elevado e até manja do assunto, fica zonzo e baratinado. Faz um esforço danado para entender a parafernália. Imagina os analfabetos e a grande maioria dos brasileiros incultos e sem o saber cognitivo!

– É um tormento, meu camarada, disse um colega meu certa vez enquanto batíamos um dedo de prosa sobre o jornalismo de hoje. Não é mais elucidativo, interpretativo e questionador. Por que não resume a informação e fala só do principal, numa linguagem mais simples? A tarefa de esmiuçar a notícia é função dos jornais e das revistas. Vamos ser mais objetivos, diretos e claros.

– Concordo, amigo, mas com a onda da internet, lá se foram os jornais, sem contar que somente uma pequena minoria, um tantinho assim, se presta à leitura e acha até que ler um periódico, ou um livro, é coisa de velho caduco atrasado. Estamos ficando cada vez mais burros e lelés da cuca! Só engrossa o número de ignorantes!

– É por isso que um monte de gente sai por aí interpretando as notícias de forma errada, sem considerar as fake news. Tem aqueles que ficam calados porque não entendem nada, mas existem os metidos a sabichões que saem arrotando coisa sem coisa. Ah, e quando tomam umas no boteco ou num bar, só falam asneiras! – Completou o companheiro, dizendo que já presenciou muita loucura.

– É aquela velha história, do sujeito ou sujeita, que ouve o galo cantar, mas não sabe onde. Quando era frequentador desses botecos já ouvi tantas “cargas d´agua”, e não adianta tentar corrigir porque o indivíduo vira bicho, uma fera que pode até lhe matar com uma faca ou um tiro.

Primeiro começa com ofensas pessoais, com xingamentos pesados e não deixa você abrir a boca. Vai dizer que, enquanto um burro fala, o outro fica calado, em silêncio! O elemento vai interpretar a frase ao seu modo e lhe manda um soco de nocauteador.

Muitas discussões terminaram em morte, que a imprensa depois classifica como motivo torpe. Melhor mesmo é ficar na sua ou tapar os ouvidos. Tem umas que são por demais hilárias, parecidas com as da escolinha do professor Chico Anísio, e até dão para desintoxicar o “figuerôa”! Um dos motivos pelo qual deixei de andar nesses lugares foi para não escutar baboseiras e absurdos.

Tem gente que mistura gato por lebre quando fala de política e faz um discurso que até impressiona ao ponto de receber apoio. Dia desse ouvi um cara sentado numa mesa falar para a mulher ao lado que não compra nada da China porque é um país comunista, não sabendo ele que, sem saber, consome medicamentos chineses.

Percebe-se que muitas das conversas não têm cunho político ideológico. É falta de capacidade mesmo em interpretar a informação. O cidadão ouve que o governo federal vai fazer um pente fino no Bolsa Família para detectar irregularidades e cortar os infratores. Ele sai espalhando que o programa vai ser cortado.

 

 

SÃO TANTAS AS MAZELAS!

Assuntos não faltam e são tantos que às vezes deixam nossa cabeça embaralhada diante de tantas mazelas. Claro que existem coisas boas, mas no mundo de hoje e neste “Brasilzão”, elas estão ficando cada vez mais escassas. São Tantas contradições e paradoxos! Melhor seria não absorvê-los, mas não tem jeito!

Não consigo captar o sentido de certas coisas, como a trégua nas guerras gregas quando começavam as antigas Olimpíadas. Depois do encerramento, um lado devia indagar para ou outro, e aí, onde paramos?  No Brasil, as escolas são abertas na véspera do carnaval e depois fecham as portas por causa dos festejos.

Sempre existe aquela máxima de que o mais feliz é o ignorante, o inculto e o total alienado. Essas pessoas não usam o cognitivo e ficam livres do martírio dos absurdos. “Não tenho nada a ver com isso”. É assim, uns tocando a vida como ela é, apenas na luta pela sobrevivência, e outros querendo mais, não se conformando com esta sociedade hipócrita e individualista que nos sufoca e oprime.

Como resolvi juntar tudo num só cesto de frutas podres, começaria por este Congresso Nacional que não para de nos surpreender com seus atentados contra a nação. Em nome de Deus, seus membros legislam na contramão, lançando fogo contra os brasileiros.

Como se não bastasse ser um dos mais caros do mundo, o Congresso agora destila todo seu sadismo aprovando aumentos salariais e privilégios aos seus servidores, com mais penduricalhos, torrando nossos tostões. Para completar, eleva suas verbas de gabinetes para quase 200 mil reais por mês.

De um modo geral, nossas instituições cometem atitudes antiéticas que nos envergonham e continuam agindo de costas para o povo porque sabem que não há reação de protesto. É aquela história de sempre se dizer: “Fazer o quê”?

Não se trata aqui de política partidária. É uma questão de polícia porque são atos criminosos de alta periculosidade, os quais nos matam lentamente. As corrupções corroem todo o tecido social, como se tudo fosse normal. A corrupção se tornou uma cultura popular.

Como resolvi despejar tudo no caldeirão do diabo, e não estou aqui parta falar das belezas naturais do Brasil que, por sinal, estão sendo literalmente destruídas, uma outra mazela são as redes sociais que, como profetizou o filósofo italiano Humberto Eco, elas tendiam a deixar a humanidade mais imbecil e fútil. Não deu outra.

Aliás, a inteligência humana só faz regredir. Chamamos de burro o animal de carga, mas acho que não estamos olhando para o nosso próprio “rabo”. O racional é um prato raro nesses tempos “modernos”.

Mesmo contrariando a muitos, ainda entendo que a internet é uma terra de ninguém, região fértil para os golpistas, as mentiras, calúnias e difamações, sem falar nas futilidades que recebem milhões de visualizações e seguidores idiotas. Agora com a Inteligência Artificial, a grande maioria não consegue discernir uma coisa da outra. É pavoroso!

São tantos os crimes cibernéticos, inclusive de pedofilias, que a polícia não dá conta. Pega alguns bodes expiatórios ali e acolá, mas a grande maioria passa pela cancela. Acontece o mesmo com as apreensões de drogas. Quando se descobre um quilo, um milhão já se foi. É como enxugar gelo, ou o famoso “faz de conta”!

Ninguém é contra a diversão, festa, lazer e entretenimento, mas tudo tem seu limite de ser. Por mais de uma semana, o Brasil fica parado, e Salvador é a capital campeã das festanças que começam no início de dezembro e só terminam em março. O circo venceu o pensamento crítico.

Os promotores, prefeitos, governadores, órgãos do turismo e empresários só falam em bilhões de reais que movimentam a economia, mas não revelam os gastos saídos dos cofres dos contribuintes. Se esses festejos além da conta fossem sinônimo de desenvolvimento, o Brasil já estaria no rol dos mais desenvolvidos, e a Bahia seria o estado com o mais alto nível em igualdade social.

Toda essa muvuca só faz aumentar mais ainda a concentração de renda nas mãos dos poderosos e deixar os pobres mais pobres. Para eles, uma pequena fatia do bolo. Por falar nisso, não são os ricos que lascam com os pobres, mas eles mesmos entre si, porque é um tentando passar a perna no outro, para servir bem o patrão.

E as gritantes inversões de valores, como no caso do cachorro “Orelha” que a mídia fez aquele estardalhaço, mas daria menos espaço se fosse com um ser humano morador de rua? Não se trata aqui de não se indignar com maltratos contra animais. É abominável, mas os bárbaros crimes entre humanos se tornaram banais.

Vejo celebridades negras que não assumem sua negritude no espírito cultural e no aspecto físico. Praticam o racismo de um modo inverso e todos ficam calados porque são famosos.  Vejo mestiços metidos a brancos que se acham superiores e discriminam os outros pela cor da pele. Acho que estou ficando um velho ranzinza!

 

A MESA DIRETORA DA CÂMARA APROVA CONSTRUÇÃO DE MORADIAS

Na última sessão de sexta-feira, dia 05/02/2026, a Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Conquista aprovou a indicação para que a Prefeitura Municipal destine 30 milhões de reais do empréstimo do FINISA (Caixa Econômica Federal) de 400 milhões de reais, exclusivamente para a construção de moradias populares.

A ideia dos parlamentares é dar lastro financeiro ao novo Plano de Habitação de interesse social, para que ele não fique apenas no papel. A prefeitura enviou o projeto-de-lei complementar número 46/2025, que cria a nova Política Municipal de Habitação, tendo como público alvo famílias com renda de até três salários mínimos, que morem na cidade há pelo menos dois anos.

O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, disse que o legislativo sempre esteve comprometido com as demandas reais da população e não seria diferente com relação ao déficit habitacional do município. A mesa Diretora fez a indicação e foi aprovada pela Casa.

De acordo com estudos, o déficit habitacional em Conquista é superior a 10 mil famílias aguardando a implementação de políticas públicas dos governos municipal, estadual e federal. A maior parte dessas famílias, com renda de até três salários mínimos, vive em moradias precárias, principalmente em bairros pobres das encostas da Serra do Periperi, sujeitas a enchentes e deslizamentos.

O governo federal atua através do programa Minha Casa, Minha Vida. Sabe-se que cerca de duas mil famílias ainda moram em áreas de risco e pouco se tem feito para resolver esse problema. O programa tem previsão de entregar 1.600 unidades, distribuídas entre o Simão I e II, Vila das Acácias (Urbis VI) e Novo Campo, em Campinhos.

Fala-se em déficit habitacional em 10 mil famílias, mas é maior que isso. O último programa municipal de construção de moradias, salvo engano, aconteceu no Governo de Guilherme Menezes, do PT, no final dos anos 90, com a construção da Vila América.

Para o elevado déficit habitacional ainda existente, essa verba de 30 milhões de reais está longe de suprir as necessidades. Com esse recurso, talvez sejam construídas 150 a 200 unidades.

Espera-se do poder executivo que essas casas não sejam erguidas em locais muito distantes do centro da cidade, como ocorre com Minha Casa, Minha Vida, dificultando ainda mais a locomoção dos moradores, sem falar na questão do saneamento básico, da segurança e qualidade dos imóveis.

 

 





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