PROFISSÃO REPÓRTER – 10 ANOS
Uma lição de como contar histórias em coberturas jornalísticas para estudantes, professores, jornalistas e interessados no assunto é o livro “Profissão Repórter – 10 Anos”, narrado por Caco Barcellos e sua equipe sobre grandes reportagens realizadas no Brasil e em outros países neste período de exibição pela Rede Globo.
Pelo formato diferenciado dos outros, no trabalho de abordagem dos fatos e de seus personagens, pode-se dizer que é um dos melhores programas jornalísticos da televisão brasileira com um profissional de primeira linha, com seu estilo simples, competente e perspicácia investigativa. O “Profissão Repórter” é aquela coisa que pode ser levado para as salas de aula e serve como estudo acadêmico.
Segundo o prefaciador do livro, Marcel Souto Maior, um dos segredos do sucesso do programa é o profundo respeito de toda equipe por seus “personagens”, os protagonistas de cada reportagem. Outro segredo é aquele de sempre: Trabalho duro para construir narrativas à altura da vida real.
Em dez anos, Caco Barcellos, 38 anos de experiência, sempre com aquele jeito de empunhar o microfone debaixo do braço, e sua equipe participaram de coberturas que vão da Primavera Árabe ao terremoto do Haiti, de enchentes históricas à violência urbana no Brasil.
Como bem descreve o repórter Caio Cavechini no livro, o formato do programa jornalístico impõe um desafio semanal aos jovens repórteres: O de realizar um jornalismo ativo, focado na ação, que busca a verdade muito além da simples coleta de entrevistas.
NO CALDEIRÃO DOS FESTIVAIS DA MPB
macariojeremias@yahoo.com.br
Não consigo entender até hoje como shows musicais de cultura de massa passaram a ser enquadrados como festivais que na década de 60, mesmo sob o encalço feroz da ditadura civil-militar, revelaram grandes artistas de renome nacional e internacional, cujas canções se tornaram eternas. Foi uma época de ouro da música popular brasileira em plena efervescência cultural, com direito a torcidas aguerridas, vais e aplausos como se estivessem em jogo seus clubes num estádio de futebol.
Os festivais da MPB nasceram em 1960 com as TVs Record, Excelsior e o Globo em parceria com o Estado da Guanabara (os FICs) com formato de concursos entre intérpretes, cantores, letristas e compositores sob o olhar competente de um júri que indicava as melhores obras das centenas e milhares que se inscreviam no certame. Foram 12 anos, de 1960 a 1972, que geraram inesquecíveis canções de críticas, protestos e sobre a realidade da vida e da sociedade.
O mundo dos festivais foi documentado em filmes, prosas e livros. Muitos dos seus personagens criadores foram presos, torturados e exilados pela fúria opressora do regime ditatorial. É um capítulo da nossa história que deve ser conhecido pelas gerações de jovens que hoje são triturados pela cultura de massa nominada de forma deturpada de festivais.
Mesmo sabendo que serei contestado em minha posição, atrevo-me a falar um pouco sobre os festivais da MPB e os clássicos musicais que marcaram e ainda marcam nossas vidas. Estas relíquias preciosas foram registradas em velhos vinis chamados de “bolachões” que os guardo e conservo até hoje em meu espaço cultural com muito carinho.
As músicas vencedoras dos festivais marcaram o sucesso nas carreiras de grandes poetas e artistas brasileiros como Geraldo Vandré (o Bob Dylan nordestino), Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Jobim, Venicius de Morais, Baden Powell, Edu Lobo, Marcos Valle e tantos outros, cujas canções até hoje arrastam públicos, inclusive de jovens.
O primeiro evento teve a iniciativa da TV Record, em 1960, coordenado por Theófilo de Barros, sendo vencedora a música Pescador, de Newton Mendonça. Os festivais se tornaram também espaço de promoção para Jair Rodrigues, Nara Leão, Paulinho da Viola, Francis Hime, Adilson Godoy, Elis Regina, Gutemberg Guarabyra, Cynara, Cybele, Gal Costa e um monte de sucessos nos anos seguintes.
Com criação de Solano Ribeiro, inspirado no Festival de San Remo (Itália), a TV Excelsior fez o seu 1º Festival Nacional da MPB, em março de 1965, no Cine Astória (Rio de Janeiro) e contou com a música Sonho de Carnaval (Chico Buarque – 20 anos) interpretada por Geraldo Vandré que também concorreu com Hora de Lutar. Estes dois titãs da música popular foram os reis dos festivais da época.
POLÍTICA, VAQUEJADA E FUTEBOL
No futebol corre-se atrás da bola com dribles e chutes para se fazer o precioso gol. Na vaquejada o vaqueiro corre ao lado do boi para derrubá-lo pelo rabo na linha demarcada pelo regulamento. Na política o eleitor só é valorizado no dia das eleições, e na urna escolhe seu candidato. Fazer o gol, derrubar o boi e indicar o político são objetivos finais.
Bem, estou divagando e não é nada disso que quero falar. No caso da política, no entanto, me reporto à campanha dos dois candidatos à prefeitura em Vitória da Conquista. Recomendaria a eles que municipalizem a campanha nos seus oito minutos do programa eleitoral na televisão e deixem de levar a disputa para o plano nacional, com acusações e xingamentos.
Entendo que o eleitor em geral pensa assim e quer mesmo é ver discussão sobre os problemas do seu município, com apresentação de programas e planos de trabalho. Até agora não se passou do blábláblá para lá e pra cá. Desse jeito não dá! É muito maltrato!
O horário nobre de 16 minutos deveria ser mais bem empregado, já que é o contribuinte quem está pagando através da dedução do imposto de renda a que tem direito a rede. É coisa séria, senhores, e respeitem o eleitor que espera ver seriedade e compromisso dos candidatos para com sua terra!
Quanto a vaqueja, confesso que fiquei decepcionado coma decisão do Supremo Tribunal Federal que resolveu proibir o evento no Ceará e, concomitantemente, em todo território nacional. Trata-se de uma tradição cultural popular nordestina de grande valor imaterial.
Vi gente aí, a maioria hipócrita, misturar vaquejada com Jesus Cristo, com religião e dizer que a prática é uma monstruosidade. Por ano o país esmaga milhões de pintinhos por que nascem machos; separam-se bezerros das mães para depois sacrificá-los e comer suas carnes macias; e maltratam patos, perus, galinhas antes de atiçá-los nas panelas.
Vamos também proibir burros de puxar carroças e bois de arrastar carros. É bom lembrar para a maioria churrasqueira que não conhece do assunto e quer dar uma de piedoso e santinho, que vaquejada é também um esporte, e o sertanejo não maltrata seus animais. Se é assim, o STF deveria também proibir a profissão de vaqueiro que enfrenta, com seu cavalo, o agreste catingueiro cheio de espinhos e paus para laçar, no meio do mato fechado, a res desgarrada do rebanho.
Por último, o nosso futebol há muito tempo virou uma verdadeira lambança, coisa de samba do crioulo doido. É a primeira vez que vejo um árbitro anular um gol por irregularidade, depois validar e mais adiante levar 10 minutos para tornar anular, com influência externa da televisão e até de cartolas.
Pois é, a lambança aconteceu no último Fla x Flu de quinta feira (dia 13/10), em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Queria só saber se o juiz faria isso se fosse num jogo de times inexpressivos da Série B ou C. Nosso futebol está mesmo desmoralizado. Não é a primeira vez que um juiz marca uma coisa e depois volta atrás. Grito e pressão também ganham jogo. Não são apenas jogadores e torcida. É o nosso Brasil varonil!
UMA DEMOCRACIA SEM OPOSIÇÃO É UMA DEMOCRACIA AMEAÇADA DE MORTE
Ainda nesta semana (quinta-feira – dia 13/10) me deparei com uma cena em Vitória da Conquista de cortar o coração: Um senhor solitário de certa idade erguia numa esquina da Avenida João Pessoa, em meio ao trânsito agitado, um pedaço de papelão com dizeres onde rogava um emprego para seus quatro filhos. Não era nem um cartaz feito numa cartolina.
Este trecho de abertura do texto parece estar fora do tema acima que proponho abordar em seguida, mas se olhar bem faz parte e encaixa no contexto e na conjuntura atual que atravessa nosso país. Confesso que a redação do artigo já estava pronta, mas entendi que o homem do papelão, talvez encontrado na rua ou em algum lugar perdido no cômodo da sua casa, merecia abrir meu comentário, e aqui vamos.
Como fica esta nossa democracia surrada e relativa sem uma oposição forte ao governo federal que atraiu para seu alçapão os partidos conservadores de direita que trazem no seu DNA o retrocesso contra as parcas conquistas sociais? Sem uma esquerda de respeito que faça o contraditório às ideias retrógradas, ela está ferida de morte.
Foi neste estado enfraquecido e cambaleante que ela saiu das eleições municipais do último dia 2 de outubro quando o PT foi esmagado por causa dos seus equívocos e dos seus graves pecados capitais. Do erro de se aliar a uma cambada fedorenta do passado mofado, o povo resolveu banir o PT do mapa político, mas saiu como maior perdedor ao dar mais espaço para o avanço da extrema direita, com uma democracia sem oposição.
Como assinalou o escritor Veríssimo, no voto de desprezo pela classe política, o vencedor foi ninguém. “Ganharam força os evangélicos e os bolsonaros”. Diria mais que o pleito elegeu pastores, bispos e papas da direita enrustida. Segundo o escritor, “o que está no ar é mais que uma revolta, é uma clara desesperança com o processo eleitoral e fastio com a democracia”.
O FIM DOS ESTADUAIS
Carlos Albán González – jornalista
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) decretou a morte lenta dos campeonatos estaduais, com o beneplácito da CBF, ao determinar que, a partir de 2017, o período de disputa da Taça Libertadores da América passe de 27 para 42 semanas, entre os meses de fevereiro e novembro, além de aumentar o número de participantes. Maior beneficiado, o Brasil passa de cinco para sete representantes (seis classificados no Campeonato Brasileiro e o campeão da Copa Brasil). O vencedor da Copa Sul-Americana também ganhará uma vaga na “Libertadores”, sem necessidade de encarar os “mata-mata”.
Como não houve protestos de argentinos, colombianos e chilenos, contemplados com apenas uma vaga, e dos uruguaios, que não foram beneficiados, a Conmebol não explicou o apadrinhamento ao futebol brasileiro. Os clubes da Argentina têm 23 títulos na “Libertadores”, contra 17 do Brasil. Com relação à Copa América, a seleção uruguaia tem 15 campeonatos, a argentina 14 e a brasileira oito.
A CBF ainda não divulgou seu calendário para o próximo ano. É certo que contará com poucas datas para incluir a Taça Libertadores, Copa Sul-Americana (de junho a dezembro), os quatro grupos do Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e dois torneios regionais (Copas Nordeste e Verde). As perguntas que devem estar fazendo os clubes considerados médios e pequenos, assim como milhares de profissionais da bola, são as seguintes: “Como vamos sobreviver durante os 365 dias do ano”? “Estamos fadados a fechar as portas”?
As federações estaduais deveriam questionar a CBF, mas como os seus presidentes, há décadas no cargo, sempre dizem “amém” ao poder central, o mais provável é que promovam os altamente deficitários torneios caça-níqueis, com duração máxima de 45 dias. Como exemplo, cito a Taça Governador do Estado da Bahia.
No seu primeiro jogo, realizado no último dia 9, no Estádio Lomanto Júnior, o Vitória da Conquista, que empatou com o Fluminense de Feira de Santana em 2 a 2, teve que desembolsar mais de R$ 250 para fechar o balancete da Federação Bahiana de Futebol (FBF). Mesmo com direito a rodada dupla (a seleção conquistense venceu Paratinga pelo Torneio Intermunicipal), de um total de 1.430 ingressos colocados na bilheteria, foram vendidos apenas 483, proporcionando uma renda de R$ 4.403,50. O “time” das despesas arrecadou mais, incluindo taxas, cota de arbitragem (R$ 1.800) e lanche dos policiais. :: LEIA MAIS »
O PONTO DA QUESTÃO
SITUAÇÃO CRÍTICA
Das 16 principais barragens localizadas na Bahia, acompanhadas pela Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento, quatro estão em situação crítica, e Água Fria II que abastece Vitória da Conquista é uma delas. As outras são Joanes I e II que servem a Salvador, e Sobradinho que é federal, próxima do volume morto e com redução de vazão prevista de 800 metros cúbicos por segundo para 700.
Quanto a Água Fria II, localizada em Barra do Choça, a situação foi sempre crítica e, desde 2012 a população já foi afetada por três racionamentos de água. Seu sistema é responsável pelo abastecimento de mais de 400 mil pessoas. De acordo com estudos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), mesmo cheia, Água Fria II só vive crítica. A promessa é a construção de uma barragem no rio Catolé.
O mais grave ainda é que a política estadual de saneamento básico está defasada e precisa urgentemente ser atualizada. O Plano Estadual de Segurança Hídrica e a Política Estadual de Segurança de Barragem só ficarão prontos em 2018. Até lá o povo vai continuar sofrendo. No caso da Bahia, a esperança é a primeira que morre.
E A NOSSA VAQUEJADA?
Não existe coisa mais grave no Brasil para o Superior Tribunal Federal proibir? Seus membros foram logo apontar seus alvos na secular vaquejada nordestina? Estão fora da realidade! A vaquejada não é só um meio de esporte e lazer, mas é também uma cultura do sertanejo que sabe zelar seus animais que se recuperam rapidamente.
Então, acabe-se também com a profissão de vaqueiro que enfrenta com seu cavalo o agreste da caatinga cheia de paus e espinhos atrás de uma res desgarrada! Não seria um maltrato com os animais? E como ficam as carroças puxadas a burros? Acabe-se também com os carroceiros?
Com esta proibição, a festa de Lagoa Real, município da nossa região sudoeste, ficou totalmente comprometida. É a única vez no ano que os vaqueiros se reúnem para se divertir e manter a tradição cultural na relação que eles têm com os animais. São medidas descabidas que não têm muito a ver com as leis de proteção aos animais.
QUEM É O PIOR?
Por indeferimento de candidaturas de prefeitos, 145 municípios no Brasil e 12 na Bahia vão ter novas eleições. Mesmo com tanta divulgação nos tempos de hoje, o eleitor não sabia que estava votando num ficha suja? Quem é o pior, o eleitor ou o político? Quem é o pior, o eleitor que troca o voto pela marcação de uma consulta no SUS, um exame de sangue e um favor qualquer, ou o político que dá o serviço? Nisso tudo, o maior culpado é o Estado, responsável pelo aumento das desigualdades sociais, deixando boa parte da população na miséria, sem educação e cada vez mais carente. No fim, todos pagam um alto preço, principalmente a minoria mais consciente do voto.
UMA LUTA GLAUBERIANA CONTRA O DRAGÃO IMOBILIÁRIO
Jeremias Macário
Fotos – José C. D´Almeida
A ingratidão de uma mãe para com seu filho que sempre reconheceu e engrandeceu suas origens é imperdoável perante a sociedade e aos olhos de outros mais distantes da sua terra, ou até diante de um tribunal de julgamento. Esta ingratidão está por ser materializada através de uma placa de “VENDE-SE” afixada na casa onde nasceu e morou até os nove anos o cineasta conquistense baiano Glauber Rocha, um dos ícones do Cinema Novo no Brasil.
Logo ao amanhecer da última segunda-feira, após as eleições de domingo (dia 02/10), os conquistenses foram surpreendidos com o aviso comercial imobiliário, mas de imediato um coletivo de resistência glauberiana, formado por cinéfilos, intelectuais, escritores, professores e estudantes, reagiu e decidiu fazer nesta semana uma representação junto ao Ministério Público Estadual em defesa do tombamento da casa, situada na rua Dois de Julho, de modo a impedir a demolição ou descaracterização da sua arquitetura original. A placa foi retirada, mas a ameaça continua.
Vitória da Conquista, a terra-mãe de um dos precursores do Cinema Novo não pode se comportar como ingrata e não preservar a casa do seu filho, que corre o risco de ser definitivamente apagada da memória do seu povo pelo dragão imobiliário que não respeita a história. Ainda bem que o coletivo de resistência está denunciando a trama de venda do imóvel que tem valor histórico e cultural, além de ser um dos últimos casarões ainda existentes em área central valorizada, mas no olho do furacão dos construtores.
Como dona Lúcia Rocha, a mãe coragem que durante sua vida (faleceu em 2014) reuniu mais de 100 mil documentos sobre seu filho e criou o “Tempo Glauber” com muito sacrifício, Vitória da Conquista tem que seguir seu exemplo e reunir forças para preservar sua memória. A casa, cujos donos estariam pedindo mais de três milhões de reais, já deveria ter sido desapropriada pelo poder público, mas, infelizmente, há muito tempo o Conselho Municipal de Cultura não funciona.
Descrever sobre a obra do polêmico Glauber Rocha, que nasceu em 1939 e morreu em 1981, é até repetitivo, mas não custa nada citar seu trabalho reconhecido mundialmente. O longa metragem “Barravento” (1961/62), idealizado por Luiz Paulino dos Santos, marcou o início da sua carreira, se bem que já havia colaborado com o curta “Um Dia na Rampa”, em 1956. Em 1959, enfim, fez os curtas “O Pátio” e “Cruz na Praça”.
PROGRAMAÇÃO CINEMATOGRÁFICA DA CIDADE
Carlos Albán González – jornalista
Há umas quatro semanas reclamei da má qualidade da programação cinematográfica exibida pelo Multiplex do Shopping Conquista Sul, deixando-me afastado das salas de projeção nos últimos 30 meses. Parece que a minha crítica sensibilizou a empresa exibidora Moviecom. Entrou em cartaz no último dia 6 o filme “Inferno”, dirigido por Ron Howard, estrelado pelo consagrado ator de Hollywood, Tom Hanks (Filadélfia, Forrest Gump, Náufrago, O Terminal, O Resgate do Soldado Ryan).
Contudo, mais uma vez vou ter que questionar os responsáveis pela programação cinematográfica de Vitória da Conquista: por que o filme será exibido em apenas uma sessão diária, começando às 21h20? Por que não há uma sessão vespertina ou mais cedo à noite? Tirar o carro do estacionamento do shopping por volta da meia-noite requer um eficiente serviço de segurança. E o quê comentar sobre aqueles que dependem do transporte coletivo?
No caminho de casa o fã de cinema vai ter, inexoravelmente, de trafegar pela Avenida Juracy Magalhães, passando sobre os irritantes quebra-molas, invisíveis durante a noite, por falta de sinalização indicativa. Há um tipo de assaltante que age nas rodovias e avenidas, justamente onde há lombadas, porque o motorista tende a reduzir a velocidade do veículo, quando não é vítima de uma pane no motor.
A propósito dessas considerações, feitas por um cinéfilo, um cidadão que conhece de perto a violência urbana, chamo a atenção para a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, última colocada no quesito transparência apurado em 30 cidades do país com mais de 300 mil habitantes. Apesar da falta de clareza do nosso legislativo, podemos constatar que os nossos edis, imitando seus colegas da maioria dos municípios brasileiros, colocam como prioridade para sua cidade a implantação de mais lombadas, encaminhando, mensalmente, dezenas de pedidos à prefeitura.
Os vereadores deveriam saber que a Resolução 39/98 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamenta a construção de quebra-molas. Proíbe, por exemplo, a implantação em vias onde há tráfego intenso, inclusive de ambulâncias e viaturas dos bombeiros; procura evitar danos materiais nos veículos e o aumento do consumo de combustíveis; prevê punição para o administrador público que deixar de cumprir o regulamento; e orienta o contribuinte a pedir ao município ressarcimento de danos causados ao veículo.
ÁGUA, POLÍTICA E OUTROS ASSUNTOS
De um dia para o outro, precisamente a partir das eleições do último domingo, fatos importantes aconteceram (outros não) em Vitória da Conquista que deixaram de ser noticiados e esclarecidos, lembrando a época da ditadura da informação. Nas ruas a população indaga e faz especulações. O quê realmente está ocorrendo?
Por que a água passou a jorrar nas torneiras, sem cortes no fornecimento, desde domingo sem que houvesse um comunicado oficial da Embasa sobre possível término do racionamento? Por que não se deu início à propaganda eleitoral no rádio e na televisão dos dois candidatos indicados para o segundo turno das eleições? Por que nada sobre as coligações dos partidos aos colocados para o segundo turno?
Estas e outras indagações se tornaram um mistério sem a devida explicação por parte da mídia regional. Dizem que o Tribunal Eleitoral está apurando possível compra de votos em Conquista, e coisa parecida. E sobre a água nada foi dito.
O quê está havendo? São vazios que precisam ser preenchidos pela mídia, cujo papel é informar o seu público sobre os acontecimentos. Depois das eleições de domingo, a impressão que se tem é que a corrida à prefeitura acabou ali, sem segundo turno. Nenhuma entrevista mais esclarecedora com os candidatos que participaram do pleito. A água é outro mistério a ser desvendado. Infelizmente, a mídia local deixa muito a desejar em termos de cobertura jornalística, muitas das quais sem conteúdo e apuração completa dos fatos.
NUZMAN, MAIS UMA VEZ
Carlos Albán González – jornalista
Silenciosamente, longe da “curiosidade” da imprensa, Carlos Arthur Nuzman cumpriu anteontem (dia 4), apesar das críticas, das denúncias de corrupção e de uma doença degenerativa, originária no seu sistema nervoso central, o que havia prometido: reeleger-se para o sexto mandato consecutivo na presidência do Comitê Olímpico Brasileiro. O carioca, de 74 anos, deverá completar no final do quadriênio 25 anos à frente do COB, passando por cima da legislação que limita o número de mandatos em entidades esportivas.
Candidato único, Nuzman foi reeleito por um colégio eleitoral formado por 29 membros – a imensa maioria participou dos pleitos anteriores –, sendo 26 presidentes de confederações, além dele próprio e dos seus principais assessores, André Richer e Bernard Rajzman, ex-atleta do vôlei. Recebeu 24 votos a favor, um contra, um nulo e três abstenções.
O voto contrário foi dado pelo presidente da Confederação de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo, que, logo depois dos Jogos da Rio 2016, anunciou sua candidatura. Sem o apoio de 10 confederações, como exigem os estatutos do COB, além de não ter conseguido na Justiça adiar a eleição, foi alijado pelas liminares obtidas pelo “cartola” vitalício. Estiveram ausentes os representantes das confederações de taekwondo, de tiro com arco, de desportos no gelo e de desportos na neve. O presidente da Comissão de Atletas, o ex-jogador de vôlei de praia e medalhista de ouro em Londres 2012, Emanoel, também não compareceu, mas declarou seu apoio a Nuzman.
Para não deixar de “jogar confete” em si próprio, Nuzman lembrou o trabalho realizado no COB, “que tinha quando assumi apenas oito funcionários e as luzes eram mantidas apagadas por economia”. Revelou a intenção de se candidatar a um sétimo mandato após os Jogos de Tóquio 2020, ou então à Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa). Seu novo vice-presidente é Paulo Wanderley Teixeira, mandatário da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). :: LEIA MAIS »
















