DITADURA DO COB AMEAÇADA POR UMA BOLINHA
Carlos Albán González – jornalista
O velho ping-pong, passatempo dos nossos avós, abandonou as raquetes de madeira, adquiriu o termo pomposo de tênis de mesa e ganhou status de esporte olímpico, sob o amplo domínio dos chineses, a partir dos Jogos de Seul, em 1988. A bolinha branca, importante componente dos jogos, que praticamente, em mais de um século, não sofreu modificações, pode servir de “arma” para derrubar a antiga ditadura implantada desde 1995 no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), e interromper os planos do seu presidente, Carlos Arthur Nuzman, de se manter no cargo até 2020, passando por cima da legislação esportiva.
Na presidência, também há mais de duas décadas, da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), Alaor Azevedo, empunhou a bandeira da oposição contra o todo poderoso Nuzman. Médico e ex-diretor administrativo de um hospital carioca, ele acusa o dirigente do COB de ter deixado de repassar para as confederações uma verba de R$ 410 milhões, liberada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para ser aplicada no treinamento dos atletas que competiram nos Jogos do Rio 2016.
Numa entrevista a ESPN, Azevedo afirma que o presidente do Comitê Organizador dos Jogos do Rio e das Paraolimpíadas “usou de manobras financeiras, que eu chamo de “pedaladas”, tão graves como as que afastaram a presidente Dilma Rousseff do Planalto. As irregularidades, que já foram parar na Justiça fluminense, e que, por certo, serão examinadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), prejudicaram o rendimento do país na Olimpíada: o Brasil foi o 13º colocado no quadro de medalhas.
Azevedo planeja dirigir o COB desde as últimas eleições, em 2012. Na época, como exigem os Estatutos da entidade, não conseguiu o apoio de dez confederações, além de ter encontrado pela frente os obstáculos colocados pelo seu adversário, que, inclusive, obteve na Justiça o direito de ser reconduzido ao posto por aclamação dos seus 29 eleitores, previamente ameaçados de retaliação.
O “cartola” mesatenista não perdeu a esperança de se proclamar presidente do COI. O pleito para o mandato por mais quatro anos está marcado para ainda este ano, sem data definida. Pesa contra o Azevedo, além da vitaliciedade na CBTM, uma denúncia de corrupção, feita em 2004 e levada ao Ministério Público e à Polícia Federal. No projeto denominado de “A Grande Sacada”, a Telebrás liberou uma verba de R$ 1,2 milhão para a construção de mesas de cimento em várias cidades brasileiras. A primeira parcela, de R$ 400 mil, chegou à Confederação, mas até hoje nenhuma mesa foi montada. Hoje, Azevedo procura fugir do assunto, garantindo que foi absolvido de todas as acusações. :: LEIA MAIS »
“VANDRÉ – O HOMEM QUE DISSE NÃO”
O rei dos festivais e poeta maior da canção nordestina que bebeu na fonte do cordelismo e até da Bossa Nova, não fazia camuflagens. Era direto com suas letras de protesto contra a ditadura militar. Entre colegas até instigava a sua derrubada. No final do seu exílio, de pouco mais de quatro anos, caiu doente de tanto sofrer de saudade da pátria. Depois do seu retorno, em 1973, nas vésperas do golpe do general Pinochet no Chile, virou um enigma, nunca confessou ter sido torturado e sempre declarou que suas músicas eram de amor.
Seu auge e seu fim começaram com a canção sucesso no início dos anos de chumbo e até hoje cantada “Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando)”, tornando-se a partir dai, em final de 1968, o inimigo número um das forças armadas entre os compositores brasileiros. Voltou amargurado, renegando a mídia e a cultura de massa. Para quem pregou um dia que a arte tinha que ser de protesto e retratar a realidade, disse depois num de seus momentos mais depressivos, que “conseguiu ser mais inútil do que qualquer artista”.
Para não ser preso e morto partiu clandestinamente para o Chile no início de 1969 e de lá para a França. Perambulou pela Europa onde participou de um festival de música na Bulgária. Irregular, foi pressionado a deixar a França. Constrangido, acuado e acossado pela opressão contra o livre pensar e se expressar, tentou se conciliar com os generais e até fez a canção “Fabiana” em homenagem à FAB. Vestiu farda da aeronáutica a quem denominou de “exército azul”. Sua “loucura” foi atribuída a possíveis torturas sofridas nos porões da ditadura.
No início da década de 70, em pleno auge da ditadura, o compositor participou com Manduka de um festival em Lima, no Peru, com a música “Pátria amada, idolatrada, salve, salve”, na tentativa de acalmar os ânimos dos generais que nutriam ódio por ele. No entanto, os fardados da linha dura o condenaram mais ainda por ter usado trechos do Hino Nacional.
Sempre foi um patriota convicto. Numa de suas apresentações nos Estados Unidos, do seu jeito esquentado, se invocou com um baixista norte-americano da banda porque não falava uma palavra em português, enquanto os brasileiros tinham que aprender o inglês para se relacionar com sua gente. Encheu tanto o “saco” do cara com esta discussão que o músico, um negão forte, o suspendeu até a parede e quase o esmagava, não fosse seu parceiro brasileiro que lhe salvou da ira do ianque.
É claro que estou falando do paraibano Geraldo Vandré e do livro do jornalista e escritor mineiro Jorge Fernando dos Santos que publicou a biografia não autorizada de “Vandré – o homem que disse não”, que completou 81 anos no último dia 12 de setembro. Continua recluso e de temperamento complicado, restrito a alguns amigos em seu apartamento em São Paulo, os quais evitam falar com ele sobre ter sido preso e torturado.
O PONTO DA QUESTÃO
O TRIÂNGULO DA EDUCAÇÃO
Pelos cálculos do Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Ministério da Educação de 2015, que tem como meta atingir a nota 6 em 2022, contra os 5,3 de hoje (objetivo fracassado), os municípios de Licínio de Almeida (6,3), Caculé (6) e Jacaraci (6,1), no sudoeste baiano, ultrapassaram o previsto, formando o triângulo da boa educação na Bahia.
Bem que gostaríamos que Vitória da Conquista estivesse nesta lista, mas nossas escolas, lamentavelmente, estão entre as instituições públicas que não alcançaram a meta de qualidade da educação no ensino fundamental e médio. Por que não mirar no bom exemplo do triângulo da educação destes municípios vizinhos a nós? Ah! Mortugaba também está incluído neste ranking.
Na Bahia os colégios militares com sua rígida disciplina obtiveram os melhores índices, tanto na capital como no interior. É sobre esta militarização na educação que existe uma polêmica a favor e contra entre os estudiosos do setor. Para a especialista em educação e pedagoga, Jane Barros Leite, as regras impostas pelas escolas militares não desenvolvem o sentido crítico dos alunos. Diz ela que muitos estudantes se limitam a obedecer as regras e não são estimulados a pensar a respeito da vida escolar que vai muito além de títulos e medalhas.
TERMINAL DA LAURO DE FREITAS
Praticamente todos os sete candidatos a prefeito de Vitória da Conquista focam suas lentes de promessas em obras de mobilidade urbana no Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas. Garantem que vão ampliar, requalificar e revitalizar o velho e sujo curral do Terminal. Nenhum projeto corajoso de transformar aquela área apertada e cheia de fuligem num calçadão urbanizado, dando mais sentido humano para a cidade. Aliás, é de mais humanização que todo centro da cidade está precisando, com mais uma injeção de ânimo para o comércio. Basta de veículos entupindo e congestionando o centro!
Sinceramente, não sei como vão ampliar o aquele Terminal, a não ser derrubando parte do quarteirão. Mas, como eles insistem em requalificar o ponto de ônibus (a cidade cresceu e carece de outro terminal), cada candidato poderia se responsabilizar por um item. Por exemplo, o Zé ficaria com a tarefa de mudar e limpar os abrigos, Herzem encarregado fazer de faixas exclusivas para os ônibus (não existe espaço), Arlindo com a parte de iluminação, Joás com o novo calçamento, Fabrício… É, são tantos candidatos que o serviço acabou. A única solução ali para ampliar é construir um elevado de concreto do tipo segundo andar do terminal. Não sou engenheiro, mas não entendi outra forma de expansão do nosso terminal.
SECA NO SUDOESTE
Na espera das chuvas de outubro para mudar a paisagem cinzenta da seca que assola o sudoeste, o sertanejo continua desolado e abandonado pelos governantes que ainda adotam como instrumento de combate os eleitoreiros carros-pipas. Os municípios de Tanhaçu, Anagé, Caetanos, Caraíbas, Maetinga, Jânio Quadros, Aracatu e Brumado são os mais castigados pela estiagem que está completando um ano.
Vitória da Conquista está também nesta linha de fogo, principalmente com o racionamento de água para a população, e não vamos aqui colocar a culpa em São Pedro que não mandou chover, mas na má gestão dos nossos políticos de plantão que há mais de dez anos prometem a construção de barragens que não chegam. Em todas as eleições aparecem os mesmos caras de paus de sempre e o pior é que o povo acredita neles.
PROVA DE SUPERAÇÃO HUMANA
A Paralimpíada é mesmo prova de superação humana em todos os sentidos, pena que a mídia televisiva, principalmente, não dê o mesmo espaço das Olimpíadas. Infelizmente estamos num sistema que só visa o capital, e as emissoras de televisão não fogem à regra. Simplesmente desmontaram o palco e passam o tempo soltando alguns fleches do evento.
O comentário é chocho e mal aparecem imagens dos medalhistas no pódio. O público torcedor continua dando mostras de total falta de educação com barulhos ensurdecedores, especialmente nas modalidades de futebol para deficientes visuais que precisam ouvir o chocalho da bola. Por várias vezes, os árbitros param os jogos para pedir silêncio, mas não são atendidos.
Fora a abertura, que foi um espetáculo de criação artística e cheia de surpresas, as falhas de organização se repetem. O vitalício e ufanista presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman recebeu da plateia, que lotou o Maracanã, uma tremenda vai bem merecida.
O mais espantoso em tudo isso é que não se vê nenhuma crítica ao dirigente por parte da mídia esportiva que não se cansa de arrotar seu ôba ôba de sempre, recheado de futilidades. O mais curioso é que praticamente toda delegação brasileira é formada de brancos. Por que poucos negros disputam a Paralimpíada? Existe alguma discriminação?
POR UMA POLÍTICA CULTURAL PRÓPRIA
Antes de começar a falar sobre uma política cultural conquistense, daria um prêmio de um milhão de dólares para quem descobrir na propaganda eleitoral onde está o terminal de passageiros do novo aeroporto de Vitória da Conquista, cujo processo de licitação está completando um ano e quatro meses para ser divulgado.
Daria dois milhões para quem acertar o mês e o ano de conclusão da barragem de abastecimento de água da cidade e quando a educação será prioridade de qualidade. Quando vai terminar a reforma do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, fechado há dois anos? Fiquei envergonhado quando uma pessoa em Juazeiro me perguntou como estava o nosso centro em termos de atividades artísticas.
Bem, deixando de lado estas questões sempre pendentes e de grande importância para o município e região, atrevo-me a tratar da nossa cultura que continua sendo capenga e um objeto decorativo dos governantes, mais para enfeitar a mesa do que para incentivar, preservar tradições e disseminar conhecimento. Não me refiro apenas às festas juninas e natalícias, mas da criação de uma política cultural própria.
Vou procurar ser objetivo e ir direto ao assunto. Como em Salvador e outros municípios pelo Brasil, Conquista precisa ter também sua própria lei de incentivo à cultura que contemple todas as linguagens artísticas, como a música, o teatro, a dança, a literatura, as artes plásticas e as expressões populares diversas. O que temos hoje é muito pouco.
Falo de uma política planejada com projetos estruturantes que disponibilizem recursos orçamentários próprios destinados à realização dos nossos eventos culturais, tão carentes em Conquista, não dependendo tão somente das verbas estaduais e federais. Junto com a Câmara, Salvador, por exemplo, conta com a Lei de Incentivo à Cultura.
MUNDIAL DE FUTEBOL DE SALÃO (OU FUTSAL)
Carlos Albán González – jornalista
Realizado de quatro em quatro anos, o oitavo Campeonato Mundial de Futsal, organizado pela FIFA, está marcado para as cidades colombianas de Cáli, Medellín e Bucaramanga, no período de 10 de setembro a 1º de outubro, com a participação de 24 seleções. O Brasil é o maior vencedor do torneio, com cinco títulos e um vice; a Espanha tem dois e três vices. Os campeonatos foram realizados na Holanda (1989), Hong Kong (1992), Espanha (1996), Guatemala (2000), Taipé Chinesa (2004), Brasil (2008) e Tailândia (2012).
O futsal, antigo futebol de salão, é quase tão popular no mundo quanto o futebol. Em qualquer cidade brasileira, o garoto dá seus primeiros chutes numa bola numa quadra de cimento ou de terra, com as traves em tamanho menor, em “babas” que obedecem as regras do futsal. Depois é que ele passa a disputar partidas de futebol, em campos de dimensões maiores.
Daí é que, os amantes do futsal não entenderem o porquê do esporte ainda não ter sido oficializado como olímpico, ao passo que, modalidades com pouca aprovação popular, como o golfe e o badminton, fazem parte da programação dos Jogos organizados pelo COI.
Curiosamente, foi o próprio Comitê que, em 2002, legitimou a vinculação do futsal à FIFA, que, desde 1989, sepultou a pioneira Federação Internacional de Futebol de Salão (Fifusa), responsável pelos mundiais de 1982, 1985 e 1988, ganhos, respectivamente, pelo Brasil, Espanha e Austrália.
A fase preliminar do Mundial da Colômbia será disputado por Colômbia, Uzbequistão, Portugal e Panamá, no grupo “A”; Tailândia, Rússia, Cuba e Egito, no grupo “B”; Paraguai, Itália, Vietnã e Guatemala, no grupo “C”; Brasil, Ucrânia, Moçambique e Austrália, no grupo “D”; Argentina, Cazaquistão, Ilhas Salomão e Costa Rica; Espanha, Irã, Marrocos e Azerbaijão. Avançam para as oitavas de final as duas primeiras equipes de cada grupo e as melhores quatro seleções colocadas em terceiro lugar na etapa preliminar. :: LEIA MAIS »
UMA NAÇÃO PARDA
O negro, antes de lutar pelos seus direitos cívicos de igualdade na sociedade, precisa se orgulhar da sua própria etnia africana. Nas eleições de 2012 as chapas majoritárias de Salvador tinham no mínimo um negro como vice. No atual pleito o único negro é Fábio Nogueira, do PSOL. O candidato sargento Isidório (PDT) declarou-se pardo para o TSE (Tribunal Regional Eleitoral).
Somente 17,1% dos 15,2 milhões de baianos se registraram negros, contra 59,2% que se disseram pardos, índice este discutível. Pelo visto, temos uma nação parda. O próprio TSE divulgou ser a Bahia o estado que mais tem candidatos negros: 5.721 (15,66%). Muito pouco.
Passando de um polo para outro, na sua concepção, o Bolsa Família é um programa assistencialista ou uma política de inclusão social? Fica aqui a reflexão, mesmo sabendo que o brasileiro, pela sua própria formação cultural, não é dado a pensar, mas engolir o que recebe.
A oposição do “golpe” alardeia que o Michel Temer chegou à presidência da República sem um único voto. A Constituição Federal no seu parágrafo 1º do artigo 77 declara que “a eleição do presidente da República importaria a do vice-presidente com ele registrado”. Os 54.501.118 votos para Dilma foram ou não sufragados a favor do vice? Quem está certo?
Fora desta questão, de uma coisa tenho medo que me pela do Temer, o mordomo de Drácula. Ele vai distribuir um pacote de concessões para a iniciativa privada. Está batendo aí em sua porta a maior opressão contra as classes trabalhadoras deste país. Leia o poema do russo Maiakovski. Pelo menos lhe servirá de alerta.
TERCEIRIZAÇÃO É CALOTE E ESCRAVIDÃO
Sob o comando do mordomo de Drácula estão ressurgindo das profundezas da terra brasis os zumbis para escravizar mais ainda os trabalhadores e as classes mais desfavorecidas. O projeto da terceirização irrestrita que já passou pela Câmara dos Deputados está indo para o Senado onde será por certo aprovado pelos representantes dos patrões famintos por almas penadas que há anos dão seu sangue para sustentar as elites.
Dentro do pacote bomba estão as livres negociações coletivas entre sindicatos e as empresas. Em crise econômica profunda com o PIB (Produto Interno Bruto) em queda e 12 milhões de desempregados, onde o trabalhador vai ter poder de barganha para negociar acordos? Na mesa do empresário a única proposta: Se não aceitar será demitido.
Com a terceirização e a livre negociação, com baixos salários e corte dos benefícios (13º, FGTS, extras, férias, seguro), a nação retorna a conviver com a opressão dos tempos da ditadura militar onde quem mandava era Drácula representado pelo capitalismo doméstico e estrangeiro predador. A tudo isso o capital denomina de tratado moderno globalizante.
A terceirização é o mesmo que reduzir salários com o condicionante ainda dos donos (feitor e proprietário) passarem o calote de atrasar e não efetuar os pagamentos e os benefícios dos trabalhadores. Isto já vem ocorrendo com os terceirizados da educação e da saúde no estado e nas prefeituras. O pior de tudo é que o poder público dito de esquerda é quem dá o péssimo exemplo deixando os contratados à mingua.
O mourão e as chibatas estão voltando ao lombo de todos nós por conta de um partido que deu todo espaço para os inimigos aliados que nunca engoliram dividir o bolo. Mas, quem disse que para manter o poder faria coligações até com o diabo? Esqueceram, entretanto, que o danado do chifrudo satanás belzebu não faz pacto sem troco. E quem vai pagar esta conta? Nem é preciso responder.
O PONTO DA QUESTÃO
LAMBANÇA POLÍTICA
Façam suas apostas, senhores: A lambança do Senado que decidiu fatiar o impeachment da ex-presidente Dilma, preservando seus direitos políticos foi um agrado “bondoso” de Renan depois da sua mordida vampiresca, intenção de beneficiar a cassação do deputado afastado Eduardo Cunha ou uma trama do PT para melar o processo? Não fique ai com “a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar” porque o mordomo de Drácula pode lhe pegar. “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”- como já dizia o grande poeta e compositor Geraldo Vandré. Com toda esta lambança, cheguei à conclusão que as manifestações de rua e os políticos, na verdade, não quiseram tirar Dilma, mas o PT do poder. A lambança foi taxada também de excrecência, extravagância e bizarrice. Gedel Vieira Lima apareceu com esta de gesto cristão.
Dá pena ver o país regredindo nas suas conquistas tudo por conta de um grupo arrogante que destilou veneno do “nós contra eles”. Dá pena ver o país cuja população perdeu sua autoestima por conta de um partido que fez um pacto com o diabo que agora quer o troco. Dá pena ver um país que caminha a passos largos para o conservadorismo retrógrado com sérias ameaças de um autoritarismo tudo por conta dos equívocos de um governo que imaginou que poderia conciliar essa política de mercado com a política de distribuição de renda e inclusão social. Os “amigos” dos acordos e alianças espúrias de ontem viraram agora nossos inimigos.
“FEIRINHA” CARECE DE ESTRUTURA
Pelo seu tamanho, diversidade de produtos e sua história ao longo dos anos que conseguiu reunir todas etnias, credos, cores e níveis de instrução, a “Feirinha do Bairro Brasil” em Vitória da Conquista, como carinhosamente é chamada, poderia ser tombada como patrimônio cultural do município e contar com mais atenção de apoio da parte do poder público, principalmente em termos de ordenamento, fiscalização e limpeza da área, em benefício dos próprios comerciantes e consumidores.
O que é um prazer, divertimento, ponto de encontro para bate papo e até expressão cultural de um povo, a feira está se tornando um tormento para os amantes do local onde tem de tudo. É que logo cedo motoristas estacionam seus carros em filas duplas nas transversais que dão acesso à “feirinha”, fechando praticamente as ruas e tornando o local um verdadeiro “inferno” para a circulação de pedestres e veículos. Não existe fiscalização do trânsito e cada um faz o que bem quer, de forma individualizada e egoísta própria do brasileiro. Virou uma tremenda bagunça!
Outro grande problema, além da falta de ordenamento e disciplina entre as barracas, é o lixo que se acumula em determinados pontos. Muitos comercializam verduras e outros produtos alimentícios nas calçadas, sem a devida higienização. Os sanitários do mercado não atendem mais à demanda e estão sempre sujos. Para se manter viva e mais atrativa, a “Feirinha”, realizada todos os domingos, carece de mais estrutura, segurança e fiscalização. O nome mais moderno seria revitalização e acompanhamento da prefeitura porque mesmo sendo uma atividade comercial de cunho popular não pode imperar a total desorganização.
OBRA INACABADA
O tempo passa e o mato continua a invadir um conjunto inacabado de casas do programa “Minha Casa, Minha Vida” logo na entrada da cidade de Tanhaçu, no sudoeste baiano. Sabe-se que o projeto foi iniciado há mais de quatro anos e foi interrompido por irregularidades na construção, deixando dezenas de famílias de fora do processo habitacional prometido pelos políticos em eleições anteriores. Trata-se de mais dinheiro do contribuinte jogado fora, num município pobre do sertão e de cerca de 15 mil habitantes, distante pouco mais de 100 quilômetros de Vitória da Conquista. É mais uma cena que causa revolta e atesta os desmandos dos governantes. Veja o que disse a urbanista Raquel Rolnik sobre o programa: “É mais uma política industrial que beneficia, ao fim, bancos e construtora”. Mais ainda que serve para criar lucro político e usado para remover assentamentos informais que estão em áreas bem valorizadas das cidades.
CALÇADÕES NO CENTRO
Em Juazeiro, no norte da Bahia, a prefeitura local está realizando um trabalho digno de ser seguido por outras cidades de grande porte do interior da Bahia, como exemplo Vitória da Conquista. Todo centro de Juazeiro está recebendo calçadões, melhorando o convívio dos moradores com a cidade, o que significa a retirada de veículos em circulação nas áreas mais congestionadas. Os lojistas e a comunidade gostaram e estão apoiando a iniciativa urbanística.
Em visita à cidade na semana passada veio logo à minha mente o centro poluído de sons, placas e carros de Vitória da Conquista, principalmente entre as praças Barão do Rio Branco e a Tancredo Neves. Pensei como seria mais confortável e humano se toda esta área fosse calçada e urbanizada, livre de dos carros.
O mesmo poderia ser feito no sujo e poluído Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas onde o candidato do PT promete requalificar o local. Aí eu indago: Requalificar mais o quê ali, se não existe mais espaço para ampliação? Só se for dar uma mão de cal! Pelo seu tamanho, Conquista merece outro terminal de ônibus bem moderno visando a melhoria da mobilidade urbana, desafogando o trânsito no centro.
O Terminal daqui está mais para um galinheiro ou um curral apertado de difícil locomoção e enfeia a cidade, só que mesmo assim os comerciantes não querem nem ouvir falar de tirar dali o ponto de ônibus achando que vão perder negócios, quando, na verdade, um calçadão ali todo urbanizado reanimaria mais o comércio, sem contar a limpeza.
ADUTORA DO ALGODÃO
BURACOS NO TURISMO DA CHAPADA
Quem visita a Chapada Diamantina e passa pelo trecho entre as cidades turísticas de Andaraí e Mucugê, na BA-142, vai se deparar com uma surpresa desagradável de doer com os buracos por todos os lados numa estrada estreita, sem acostamento e muitas curvas sinuosas e perigosas. Por ser uma região de turismo, principalmente agora com a entrada do verão, a pista é bastante movimentada e requer a maior intenção dos motoristas.
A situação é crítica próxima da cidade de Mucugê, um contraste com as belezas naturais que só o Governo do Estado não vê por causa dos recursos despejados em propagandas enganosas de obras e serviços que já foram realizados há anos. No trecho mais esburacado, de dois ou três quilômetros, os motoristas são obrigados a atravessar os carros na estrada que não tem mais asfalto.
Ainda na Chapada, de Barra da Estiva até o cruzamento para Ibicoara, os buracos que estão lá há muito tempo foram “tapados” com terra e estão se abrindo. Tudo indica que foi um trabalho de mutirão feito pelas prefeituras locais para minimizar o problema dos produtores rurais já que se trata também de uma região agrícola de intenso escoamento de produtos, como café e hortigranjeiros.
Outro trecho complicado e que exige muito cuidado dos motoristas locais e de turistas visitantes é o que liga as cidades de Tanhaçu a Ituaçu onde já ocorreram vários acidentes. A pista estreita de 25 quilômetros, sem acostamento e cheia de lombadas, precisa ser toda refeita, mas está lá há 20 anos. Em Ituaçu tem a Gruta da Mangabeira, uma das mais lindas e movimentadas da Bahia e do Brasil justamente neste mês de setembro. A Chapada é por demais linda, mas as estradas estão feias, sem sinalização e esburacadas, senhor governador que só viaja de avião!
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