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UMA MÁQUINA DE SONHOS E PESADELOS INFECTADA PELA INSENSATEZ POLÍTICA

Mais uma eleição e mais um claro sinal de que o sistema eleitoral do país precisa ser passado a limpo por uma profunda reforma, embora os políticos de um modo geral não queiram nem falar nisso e preferem continuar na marcha da insensatez, com uma máquina enferrujada que só produz insatisfação, sonhos e pesadelos. Poderia dizer também se tratar de uma máquina emperrada e exótica que mistura alhos com bugalhos.

Esta máquina conseguiu rebaixar a importância das câmaras de vereadores nos planos locais de suas comunidades e excluir delas o papel fundamental de legislar e fiscalizar os executivos para apenas estarem ao lado deles. É uma máquina de fazer vereadores e deputados se perpetuarem no poder por anos e anos, e que construiu um cativeiro de eleitores que se tornaram escravos e devedores do voto por favores e ajudas feitos num passado coronelista.

Diante de todo este sistema que se tornou velho e retrógrado, a mídia trata a eleição para as câmaras de vereadores como coisa secundária, gracejando com o exotismo de nomes de certos candidatos que terminam sendo eleitos. O resultado é que a abstenção, votos nulos e brancos nas urnas por insatisfação bateram o recorde, e a substituição dos velhos políticos foi baixa. As câmaras continuam as mesmas, sem transparência, sem mudanças e sem representação popular.

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Como não poderia deixar de ser diferente, este é o quadro de Vitória da Conquista, com abstenção de 20,74%. Mais uma vez se registra a perpetuação do poder na Câmara Municipal em quase metade dos seus membros de 21 cadeiras, muitos por mais de 20 anos, embora nesta eleição tenha ocorrida uma renovação de 52%, ainda não o ideal desejado, mas bem acima da de Salvador que foi de apenas 35%.

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O PONTO DA QUESTÃO

CUIDEM DAS NOSSAS PRAÇAS!

Além dos problemas cruciais da falta de água, aeroporto inacabado, trânsito caótico e um terminal de ônibus apertado e feioso, rezemos à Nossa Senhora das Vitórias para que o próximo eleito que for se sentar na cadeira da prefeitura olhe para nossas praças, porque somente uma, a Tancredo Neves, está em bom estado de conservação. Na zona leste as praças do Gil, Gerson Salles e a Sá Nunes, só para citar estas principais, pedem socorro.

Ah, ia me esquecendo! Que lembre também da nossa cultura porque ela é a alma de todos nós. Necessitamos de uma política cultural séria e não apenas de um calendário de festas. Só para citar, o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima está fechado há três anos. Não temos uma feira literária e um salão de artes plásticas, pra não falar das outras linguagens artísticas. Um povo sem cultura é um povo sem memória e escravo do voto.

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Voltando à questão das praças, nos bairros da zona oeste, todas se encontram em situação precária, a começar pela Praça Mármore Neto, ou Praça do Boneco como chamam. De um modo geral estes equipamentos foram abandonados pelo poder público e as famílias deixaram de frequentá-las com seus filhos porque não dão mais prazer e segurança.

Sem contar os chamados segmentos organizados da sociedade que não cobram, lamentavelmente não temos em nossa cidade uma mídia atuante que denuncie o quadro deplorável das nossas praças. Brinquedos, monumentos e quadras estão em estado deplorável oferecendo riscos às pessoas que ainda tentam praticar um pouco de lazer e esportes. A cidade precisa urgentemente de uma repaginada, senhor prefeito!

SOLAR E EÓLICA

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A Bahia vai ter o primeiro complexo híbrido de energias solar e eólica do Brasil que está em fase de conclusão nos municípios de Caetité e Igaporã pela Renova Energia. A capacidade de geração de 12MW equivale ao consumo de uma cidade de 130 mil habitantes. Nestes municípios do semiárido do sudoeste baiano, a Renova já possui parque de geração de energia eólica. As duas usinas do complexo, um marco em inovação por conta de diversas características, deverão estar prontas neste final de ano. O projeto da empresa foi motivado pela vocação da região para geração de energia por fontes renováveis. Em Caetité, enquanto os ventos mais fortes sopram à noite, a irradiação solar atinge seu pico durante o dia, reduzindo o período ocioso do sistema.

RENEGOCIAÇÃO DAS DÍVIDAS

Começou a temporada das renegociações das dívidas dos inadimplentes no comércio varejista, na tentativa de aumentar outra vez o consumismo no final do ano. No Brasil das contradições e dos paradoxos existe o estímulo para os não pagadores e o desestímulo para quem paga em dia suas obrigações. Vale dizer que, como em todos os anos, o mutirão da chamada ficha limpa não é feito apenas pelo comércio varejista. Envolve também outras dívidas, contemplando inclusive sonegadores de impostos, taxas e tarifas fiscais.

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UM DEBATE MORNO E POBRE EM PROJETOS

A própria padronização antiquada e defasada dos debates políticos na televisão não dá margem a uma discussão mais dinâmica entre os candidatos com melhor aproveitamento para o eleitoral. O resultado da mesmice das regras impostas dos blocos torna o debate monótono e morno onde os pretendentes ao cargo de prefeito falam do genérico, sem apresentar projetos e programas de governo.

Com raras exceções, na TV Sudoeste não foi diferente. A impressão que passa é que os candidatos não têm programas consistentes a oferecer aos seus munícipes durante seus possíveis mandatos, ou fica difícil tratar dos problemas da educação, da saúde e da segurança, por exemplo, em menos de cinco minutos entre as tais cansativas réplicas e treplicas.

O padrão é velho e precisa ser criado um novo que interaja com a sociedade. Em Vitória da Conquista, o mais objetivo, direto e incisivo em suas proposições foi o candidato Fabrício Falcão, que chegou a apontar algumas propostas de realizações para a nossa abandonada e decadente cultura. Fora isso, esta atividade, tão essencial para a comunidade, passou despercebida e bem longe das discussões.

Os candidatos do PT e do PMDB polarizaram parte dos debates para a questão do envolvimento dos seus chefes partidários na Operação Lava Jato, ou seja, levaram a eleição municipal para o plano nacional, quando se sabe que as duas siglas são as que devem no país mais explicações aos investigadores da Justiça. Resumindo: as mais envolvidas na corrupção.

José Raimundo, do PT, tentou fazer uma tabelinha com Fabrício (PCdoB) e com Joás Meira (PSB), mas não deu certo, principalmente com os temas combate à corrupção, aeroporto e água para Conquista. Como se dissesse não me meta nessa confusão, Fabrício declarou ter mãos limpas e que no seu partido não tem ninguém envolvido nas denúncias de recebimento de propinas. Pelo menos, o candidato do PT confessou que seu partido vive uma grande crise.

Quanto ao aeroporto e à construção da barragem de abastecimento de água, dois fundamentais projetos para a cidade, os candidatos governistas colocaram a culpa pelo atraso de mais de cinco anos na burocracia dos governos estadual e federal, só que o povo não quer saber disso, não suporta mais desculpas e se cansou de tantas promessas. O apertado  curral do Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas continua lá feio e só falam em requalificação onde o espaço acabou para a crescente demanda.

Sem programas consistentes e convincentes (a cultura foi a maior vítima do esquecimento), o debate foi fraco e ficou naquela base das promessas genéricas e vazias de que “se eleito, no meu governo prometo melhorias nisso e naquilo”. O candidato Roberto Dias, por exemplo, demonstrou inexperiência e insegurança em suas respostas.

Quem teve um olhar mais atento, notou que metade dos candidatos, não vou citar nomes para não ser chamado de pernóstico e até de idiota, precisa voltar a frequentar os bancos das escolas para não maltratar tanto a nossa bela língua portuguesa, principalmente no quesito concordância verbal. Assim fica difícil questionar o assunto educação e apontar possíveis soluções para a baixa qualidade do ensino.

 

 

QUEM VAI PAGAR A CONTA?

Depois de passar por uma reforma que custou aos cofres públicos do Estado R$15 milhões, o Centro de Convenções da Bahia, que seria entregue agora em novembro, será demolido porque o primeiro andar desabou na última sexta-feira e todo o prédio está comprometido. Gostaria de saber quem vai pagar esta conta de mais um serviço feito sem o devido planejamento de cálculos estruturais?

Esta é uma indagação que toda mídia deveria estar fazendo no momento, diante de tamanha irresponsabilidade na gestão da coisa pública. O secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, revelou que tudo indica que o desmoronamento se deveu a uma combinação de fatores, dentre eles, a oxidação dos tirantes com um vento muito forte. Segundo o secretário, as escadas rolantes caíram, e as vidraças e as esquadrias podem ceder.

O engenheiro estruturalista, Carlos Strauch, responsável pelo projeto em 1978, afirmou que houve falta de manutenção. “Não estava sendo feita e foi isso que gerou a oxidação dos tirantes que sustentavam a parte que desabou”. O Ministério Público apura omissão do Estado em relação à falta de conservação.

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O Centro foi interditado pela Secretaria de Urbanismo em julho de 2015 e em setembro do mesmo ano foi iniciada a reforma emergencial nas vigas do Teatro Iemanjá, no Espaço Orlando e reforço da estrutura de sustentação do piso do nível 33, com colocação de novos tirantes.

Em 2014, o Tribunal de Contas do Estado, de acordo com a inspeção de auditores, constatou corrosão acentuada nas estruturas metálicas, alagamentos, infiltrações, goteiras, comprometimento de saídas de emergência e falta de um plano de segurança para situações de pânico.

Durante todo este tempo, as discussões giravam em torno de se fazer uma reforma ou construir outro centro de convenções na Cidade Baixa, na sede do Grupamento dos Fuzileiros Navais. A indecisão terminou agora com o triste anúncio da demolição do belo edifício, mais um grande patrimônio público a ruir, sem que os responsáveis sejam punidos.

Confesso que recebi a notícia do desabamento do primeiro andar, seguida da demolição do prédio com muito pesar e tristeza porque era frequentador do Centro de Convenções nos áureos tempos como jornalista de economia.       Recordo-me que realizei ali muitas coberturas jornalísticas de grandes congressos nacionais e internacionais. Entrevistei ministros, empresários e até chefes de governo naquele belo recinto. Mais uma vez, o povo paga a conta pelos desmandos e pela falta de gestão dos nossos governantes. É lamentável o que está acontecendo com a Bahia!

NUMA CAMPANHA ELEITORAL A MAIOR VÍTIMA É SEMPRE A VERDADE

Como na guerra entre nações em disputa por territórios, poder e riquezas naturais, onde os civis são massacrados em meio a tantos bombardeios, como vem acontecendo na Síria há mais de cinco anos, nas campanhas eleitorais, a maior vítima é sempre a verdade.

Como na propaganda beligerante entre o capitalismo ocidental e os regimes orientais, nas campanhas políticas, o eleitor é torpedeado com falsas verdades entre os candidatos dos diversos partidos que entre si se acusam.

No Brasil, como a maioria é inculta, desinformada por falta de leitura constante e, consequentemente, de pouco censo crítico, os fatos são distorcidos e terminam virando verdades. É só observar os lados que trocam farpas, um dizendo que fez mais que o outro, sem contar a deturpação de falas e pronunciamentos sobre determinadas questões da vida social e política.

É um emaranhado de scripts marqueteiros num jogo sempre desleal e enganoso para fisgar o eleitorado mais desatualizado com os acontecimentos. Em meio ao fogo cruzado, grande parte fica confusa. Aquela que já é fiel ao político na campanha, acredita piamente no que o seu candidato diz contra o adversário, enquanto outra parte rebate criando também suas mentiras.

Por isso é que em toda campanha política, especialmente num país pouco letrado e de democracia ainda relativa, existe com mais intensidade uma “guerra” de desinformações e deturpações das palavras onde a verdade é a maior vítima. Na sangrenta guerra síria, os Estados Unidos acusam os russos de terem bombardeado um comboio de ajuda aos famintos e doentes civis, enquanto a Rússia acusa os rebeldes e os próprios norte-americanos.

No caso específico da campanha eleitoral em Vitória da Conquista, o PT de José Raimundo, que já foi prefeito por duas vezes, alardeia que o PMDB de Herzem Gusmão nunca fez nada e só fala mal da cidade, enquanto este mostra que na Assembleia Legislativa o outro sempre votou contra o povo.

E o caso da pesquisa registrada no Tribunal Regional Eleitoral que foi colocada como fajuta e encomendada por empresa não idônea? Quem está mesmo falando a verdade? Dia desses no programa eleitoral, um vereador fez um apelo para que o eleitor vote em seu partido, sob pena da população vir a perder as conquistas obtidas na educação. Mas, que conquistas, cara pálido, se o índice no Ideb está lá embaixo? Se o ensino ainda é deficitário e muitas escolas são precárias? Mais uma vez, a verdade foi a vítima.

O mais irônico ainda é ver o PT e o PMDB fazerem acusações mútuas de envolvimento dos chefes de seus partidos na Operação Lava Jato, quando sabemos que são as duas maiores agremiações do país que mais respondem por denúncias de recebimento de propinas da Petrobrás. É o roto falando do esfarrapado. O eleitor mais esclarecido está vendo tudo isso.

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O PONTO DA QUESTÃO

ESCOLA PROIBIDA

Já imaginou um professor de Ética e Filosofia em sala de aula sendo proibido de expressar sua ideologia sobre política, moral e religião? Como seriam as aulas dos filósofos Aristóteles, Platão e Sócrates na Grécia antiga? É o que propõe o projeto de lei “Escola sem Partido” que tramita no Congresso Nacional, assembleias e câmaras municipais, inclusive a de Vitória da Conquista.

A Escola Proibida contém uma lista de seis itens onde o docente não pode emitir suas preferências ideológicas. O conservadorismo está levando o Brasil para o mundo das trevas, e o fundamentalismo evangélico tem grande parcela de culpa nisso. Existe até um projeto de lei que criminaliza o assédio ideológico no ensino. Claro que o jovem deve ter suas próprias convicções.

Os partidários da ideia alegam que as escolas e as universidades estão sendo usadas para difundir ideologias políticas e partidárias, e que os professores estão usurpando o direito dos pais sobre educação moral e religiosa dos seus filhos.

A chamada “Lei da Mordaça” quer proibir a “doutrinação”, prática condenável, mas não há uma explicação definida sobre esta questão, a qual  não deve ficar a cargo do conservador Congresso, mas dos pesquisadores e especialistas no assunto.

Em palestra em Salvador, o ex-reitor da Universidade de Lisboa, Antônio Nóvoa, disse que “a escola pode não criar o filho, mas dá instrumentos. O papel dela é mostrar os pensamentos divergentes que existem”.

RETA FINAL

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Agora que estamos chegando à reta final da campanha eleitoral, só nos resta esperar que o vencedor à prefeitura municipal de Vitória da Conquista e os escolhidos para a câmara de vereadores cumpram com as promessas, o que é difícil. Por quanto tempo mais vamos ficar aguardando pela construção da barragem de abastecimento de água, pelo término do no novo aeroporto e pela melhoria da mobilidade urbana? Falou-se muito sobre a requalificação do Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas e pouco sobre educação e saúde, cujos índices ainda são precários em nosso município no tocante ao ranking estadual e nacional.

POUCAS MUDANÇAS

Pelo visto vamos ter poucas mudanças nas 21 cadeiras da Câmara Municipal de Vitória da Conquista que precisa de uma representação mais forte para brigar pelos projetos de melhoria da cidade e não simplesmente dizer amém ao que faz ou deixar de fazer o executivo. Fora os nomes exóticos, muitos vão continuar se perpetuando no poder nas intermináveis reeleições. Esperamos que a nova legislatura, pelo menos, coloque em pauta a questão da transparência nos gastos dos vereadores, seus salários, verbas de gabinete, número de assessores e suas respectivas remunerações. A Câmara está devendo isto à comunidade. Essa interação ainda deixa muito a desejar.

O AVANÇO DOS EVENGÉLICOS

Registros do Tribunal Superior Eleitoral revelam que o número de pastores candidatos a prefeito, vice, vereador em 2016 teve um aumento de 62% em relação a 2012. Neste pleito, são 287 candidatos contra 178. Isso demonstra o avanço dos evangélicos e do conservadorismo na política brasileira. Esse fenômeno não é diferente em Vitória da Conquista.

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MULTIPLEX EXIBE FILMES DE MÁ QUALIDADE

Carlos Albán González – jornalista

Há pouco tempo, o jornalista Jeremias Macário, editor deste blog, fez uma análise sobre o movimento cultural de Vitória da Conquista. Mostrou, com conhecimento de causa, que um dos maiores polos de desenvolvimento do estado, com mais de 50 municípios em seu entorno, não possui uma lei de incentivo à cultura. Entre os candidatos a prefeito não se ouve nenhuma promessa de estímulo às artes, e não se deve esperar da futura Câmara de Vereadores qualquer iniciativa nesse sentido.

As nossas salas de arte, bibliotecas e museus estão entregues aos cupins; as raras livrarias diversificam seus negócios para sobreviver; as feiras de livros, que atraem visitantes – Paraty, no Rio, é um exemplo, –  acredito que nunca estiveram nos planos do poder público e da iniciativa privada (onde estão as nossas  escolas de Comunicação e os cursos de Letras?); a cidade não possui um jornal diário e os leitores dos poucos exemplares dos impressos em Salvador têm que perder horas para encontrar uma banca de revistas, que, normalmente, não abre nos domingos e feriados.

O conquistense se alimenta de uma cultura indigesta, que, lamentavelmente, tem adeptos, principalmente na região nordestina do país. Num passeio pela cidade encontramos dezenas de cartazes ou carros de som, anunciando a apresentação de representantes da chamada “música lixo”. Esse tipo de programação atinge o auge com o Festival de Inverno. Pra não dizer que não falei de flores, a administração municipal promove no Natal e no São João, festivais de músicas regionais, prestigiando os artistas locais.

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POR UMA CIDADE MAIS HUMANA

macariojeremias@yahoo.com.br

De uma coisa tenho certeza que os conquistenses devem concordar comigo: A cidade precisa ser mais humana, especialmente no centro, onde carros e ônibus cedam espaço para que as pessoas possam circular livremente sem o estresse da poluição sonora e visual. Com um amontoado de veículos por todas as ruas e calçadas, o centro está se tornando cada vez mais insuportável.

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Quando falo de centro, refiro-me às áreas das praças Tancredo Neves, Barão do Rio Branco, o Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas e imediações que estão congestionadas e sufocadas de veículos com gente se batendo e cruzando no trânsito, mais parecendo com aqueles mercados árabes e indianos. E os obstáculos das calçadas esburacadas?

Vou direto ao ponto mais crítico, feio e poluído da cidade, que é o Terminal da Lauro de Freitas. Conquista cresceu nos últimos anos e se tornou uma capital que recebe diariamente mais de 60 mil pessoas de todas as partes dos municípios da região sudoeste. O Terminal hoje é um apertado curral onde não oferece mais espaço para ampliação.

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Não é preciso ser engenheiro ou especialista em mobilidade urbana para perceber que uma simples “requalificação”, como focam os candidatos à prefeitura, vá resolver a caótica situação. A proposta eleitoreira é mais um gasto público jogado fora que vai minimizar, mascarar e não solucionar o problema. É como um “gato” que se faz num poste de energia elétrica.

Ora, um candidato alegou que o Terminal não pode sair dali porque representa 70% das vendas do comércio local. Isso é o que se convencionou dizer. E se toda aquela área fosse urbanizada com calçadões e quiosques, tornando-se mais prazerosa aos moradores e visitantes? Sem fuligens, poluição sonora e visual, não seria maior a revitalização para o comércio? Com certeza, a cidade ficaria mais bonita e humana.

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Mais cedo ou mais tarde, a Prefeitura Municipal vai ter que construir uma nova estação de ônibus em outro lugar mais amplo, porque o Terminal atual não suporta mais, e a cidade tende a crescer mais ainda. Os ônibus podem até circular para desembarque e embarque na Lauro de Freitas, desde que se proíba a circulação de veículos pequenos. A chamada “requalificação” não vai passar de uma maquiagem.

Na concepção atrasada dos lojistas que já se acostumaram com aquela sujeira e fuligem há anos, tirar o Terminal dali é um palavrão e, para não desagradar politicamente (não perder votos), os candidatos temem falar em um novo projeto mais realista para a cidade. Até quando, se o local não tem mais espaço para expansão? Mudar a posição dos abrigos? Pintar faixas e meios-fios? Quebrar asfaltos e calçadas?

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Na verdade, todo centro comercial de Conquista precisa ser revitalizado onde as pessoas tenham o prazer de passear livremente como se fosse uma região de lazer e realizar suas compras sem o sufoco dos carros. Cadê o projeto do shopping a céu aberto idealizado há anos, numa parceria entre Prefeitura Municipal, CDL e o Sebrae?

Um centro revitalizado onde se poderia promover eventos culturais das mais variadas linguagens artísticas, seria uma ótima opção de lazer e entretenimento nos finais de semana para as famílias conquistenses, além do Shopping Conquista Sul. Esse negócio simplesmente de “requalificação” cheira mais a maquiagem e tudo vai continuar no mesmo.

Sempre digo que Conquista necessita, urgentemente, de grandes projetos à altura da cidade, como um novo Terminal, conclusão do aeroporto, barragem definitiva de abastecimento de água e novos modais alternativos de transporte público, e não de remendos que se diluem em pouco tempo.

Das principais questões envolvendo a cidade, o candidato Fabrício tem sido o mais incisivo, direto e claro em suas proposições, especialmente quanto ao Terminal da Laura de Freitas, que na sua ideia seria utilizado para embarque e desembarque dos coletivos urbanos com destino a uma nova estação a ser construída, mais confortável e mais ampla.

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A Praça Barão do Rio Branco, sempre entupida de carros por todos os lados, também é outro transtorno para os pedestres. Para circular pela aquela artéria nos dias de semana é um tormento. As pessoas têm que sair driblando os veículos. Para idosos e deficientes físicos a situação ainda é mais complicada. A verdade é que também aquele espaço foi invadido pelos carros.

SHOW NO PARAGUAI E SUAS ÚLTIMAS DECLARAÇÕES

macariojeremias@yahoo.com.br

O compositor paraibano, odiado pelos militares, bem que tentou se apresentar em palcos brasileiros, em 17 de julho de 1982, no Salón Social Área Dos, da Itaipu Binacional, mas seu show foi proibido pelas autoridades. O general Junot Rebello Guimarães contribuiu para a proibição depois que um jornal paranaense de Cascavel publicou uma reportagem onde apresenta Geraldo Vandré como “inimigo do governo brasileiro”.

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Depois de vinte dias esperando pela liberação, como cita Jorge Fernando, o show foi mesmo realizado em Puerto Stroessner, no Paraguai, que depois recebeu o nome de Ciudad del Leste. Acompanharam os músicos Di Melo, Saldanha Rolim e Saulo Laranjeira e ainda contou com a presença de Birhú de Pirituba.

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Quando a apresentação começou no Cine Ópera, os músicos entraram em fila indiana, todos de verde-oliva com botas pretas. A repórter do JB no Paraná, Ruth Bolognese, disse que “não houve aplausos nem gritos. O cinema era escuro e a plateia paraguaia”. Entre outros, estava lá o amigo paraibano Ivo de Lima.

Na ocasião, Vandré cantou canções em espanhol e falou textos poéticos, alguns de sua autoria e outros de Guimarães Rosa. Ao lado de João Martinez, um dos donos do jornal Folha de Londrina, o músico declarou ter desprezo pela imprensa brasileira. “Só dou entrevista porque estamos em outro país… No Brasil em que eu ainda vivo, não admito pedir licença a general nenhum pra falar”.

Em abril de 1984, mais uma vez, tentou se apresentar na Itaipu Binacional, mas só conseguiu em 1985. No momento mais emocionante do seu show, fica de frente para a bandeira do Brasil e, de costas para a plateia, canta “Caminhando” e recita versos perguntando “o que fizeram de ti, bandeira”?

Alias, após seu retorno do exílio, esteve por várias vezes em Foz do Iguaçu onde cometeu algumas doideiras, como a de ter tirado fotocópias de dólares, autenticá-las em cartório e tentado passá-las em frente. Não teve sucesso e ai disse que no Brasil nem os cartórios são levados à sério. Há quem diga que fumava muita maconha e saia disparado pela cidade. Outras vezes se escondia atrás de postes e árvores, alegando estar sendo espionado por agentes da repressão.

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Entre suas idas e vindas, ao saber que Vandré estava hospedado na Capitania dos Portos, o coronel Eugênio Menescal, parente de Roberto Menescal, escreve um alerta aos soldados dizendo que esta pessoa é inimiga do exército brasileiro e sua entrada no batalhão é proibida. Insistente, um dia regeu a banda do Batalhão. Furioso, o coronel o repreendeu: O que o senhor está fazendo aqui com minha banda? Vandré entregou a batuta e sorrindo disse: “A banda que é do exército é muito boa, sua coisa nenhuma”.

O compositor ficou também num quartinho na sede do Diário da Cidade por conta do jornalista Rogério Romano Bonato. Por causa disso, recebeu uma ordem do coronel dizendo que ele teria doze horas para desalojar o hóspede indesejado. O repórter respondeu para o emissário do oficial: “Diga ao seu chefe que ele manda no batalhão e eu, no meu jornal”.

Em 86/87 seu conterrâneo Zé Ramalho o encontrou em Foz de Iguaçu e afirma que ele estava lá por conta das coisas da aeronáutica. “Estou aqui estudando a arte militar”. Num show com Zé Ramalho, no mesmo ano, entrou vestido de soldado, cantou de costas em alemão “Pra Onde Foram Todas as Flores”. “Depois cantou três canções novas de arrepiar, em português” – disse Ramalho.

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O ORGULHOSO PRESIDENTE DO COB

Carlos Albán González – jornalista

A avalanche de críticas que recebeu nas últimas semanas não mudou o tom ufanista e nem os exageros cometidos pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, nos pronunciamentos feitos durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro. Esquece o dirigente, que se encontra há 21 anos no cargo e se prepara para permanecer até 2020, apesar da saúde abalada, que o Brasil, nos dois eventos, não atingiu o número de medalhas previsto pelos organizadores. Sua posição no ranking olímpico foi inferior ao registrado nos Jogos de Londres 2012, mesmo tendo o apoio do público, da participação de um número recorde de atletas, da ausência dos russos (segundo lugar na Paraolimpíada de Londres), e, principalmente, dos bilhões de reais investidos.

“Realizamos os Jogos mais econômicos da história”; “nenhuma cidade mudou tanto como o Rio nos 120 anos das Olimpíadas da era moderna”; “verba de estatal não é dinheiro público”; “o mundo foi contagiado pela paixão dos cariocas e dos brasileiros, o que muito nos orgulha, inclusive a mim, pessoalmente”.  

A organização das duas competições consumiu R$ 9,14 bilhões, distribuídos entre o Comitê Olímpico Internacional (COI), União, estado e município fluminenses, estatais e patrocinadores, incluindo um aporte extra da Petrobras de R$ 200 milhões para cobrir despesas de alimentação dos atletas paraolímpicos, cuja participação nos Jogos esteve ameaçada de cancelamento.  

Em 2009, a economia do país atravessava um período de calmaria. Membro da comitiva do presidente  Lula, que esteve em Copenhague para ouvir do COI o anúncio do Rio como sede dos Jogos de 2016, Nuzman apresentou um orçamento de US$ 2,6 bilhões, equivalente na época a R$ 4,52 bilhões. Nos sete anos que se seguiram, a economia brasileira foi convulsionada pelos escândalos financeiros e pela construção superfaturada dos estádios para uma Copa do Mundo altamente deficitária. Com a variação do câmbio da moeda americana, os números levados à reunião do COI por Nuzman representam hoje R$ 9,14 bilhões.  :: LEIA MAIS »





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