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UM CENTRO HISTÓRICO AGONIZANTE

Estive em Salvador no início do mês e confesso que fiquei horrorizado ao visitar o agonizante Centro Histórico e suas imediações no Comércio. Dá pena e dor ver casarões caiando aos pedaços como o prédio dos azulejos azuis na Praça Cairu ao redor do Mercado Modelo que já foi bem mais atraente com os cantadores cordelista comandados pelo grande” Bule-Bule”.

Uma nação que não preserva seu patrimônio artístico e cultural, seus costumes e hábitos perde seu passado e sua identidade. Isso só acontece no Brasil atrasado onde um Ministério da Cultura funciona como um jarro decorativo para enfeitar a mesa do governo que nunca deu prioridade à educação. Os soteropolitanos, infelizmente, continuam sem entender a importância da cultura do turismo e atendem mal o visitante. Existem muitos mitos em torno da hospitalidade do baiano e pouca realidade.

É lamentável e vergonhoso mostrar a carcaça do Centro Histórico de Salvador para turistas, principalmente vindos do exterior. Os casarões agora estão servindo de moradias para morcegos. Melhor seria que toda área fosse interditada para que ninguém visse tanta feiura e desmazelo juntos. Parece que o Centro sofreu um bombardeio de guerra. Mas não, os governantes e políticos preferem exibir os prédios escorados e as paredes caiando. Bem que o Pelourinho pode ser usado para cenas de filme de terror, com morcegos e tudo!

Além do abandono, dá medo andar no Pelourinho e nas imediações da Igreja do São Francisco e Ladeira da Praça até a baixa dos Sapateiros devido à quase total falta de segurança nesta época do ano. Com passos apressados e olhando para todos os lados e cantos, topei com poucos policiais e só tive um pouco de alívio na Praça da Sé. A sujeira também tomou conta dos lugares com calçadas quebradas e esgotos à vista. Eu e minha esposa saímos ilesos com vida, mas roubaram a lanterna do nosso carro.

Andei pela Rua Chile que me fez aflorar as recordações dos bons tempos dos magazines, da escada rolante das lojas Americanas, dos cafés, dos bares e boates noturnas frequentados por intelectuais, artistas, jornalistas e moças lindas da sociedade que despertavam cobiça aos transeuntes. É claro que a Mulher de Roxo era a personagem principal que não poderia faltar no cenário. Senti um cheiro úmido de limo, não o refrescante de antigamente.

Aquilo ali fervilhava de gente dia e noite até ainda quando funcionava a governadoria. Os governantes e os “entendidos gestores” da política e da cultura acharam de desativar tudo e deixar no abandono. Agora estão querendo ativar com a instalação do novo Palace e um hotel onde funcionou o prédio do jornal A Tarde, na Castro Alves. Não acredito. Encontrei o poeta condoreiro consumindo sua solidão e revoltado com o que deixaram de fazer para proteger o Centro Histórico que está dando seus últimos suspiros de morte.

Bem, desci o Elevador Lacerda, meu companheiro de viagem quando trabalhava como repórter da área de economia, e fui atacado por um bando de vendedores ambulantes de correntinhas, fitas e outras bugigangas. Só de ver o estado dos casarões da Rua Portugal e adjacências, não deu mais vontade de romper em frente nas outras artérias entupidas do Comércio. Até que o Mercado está arrumado, mas precisa de mais organização em seu entorno, especialmente no que tange a segurança.

Com uma lei inócua de isenção do IPTU para os proprietários que cuidarem de seus estabelecimentos, a Prefeitura Municipal fala de recuperação do Centro Histórico, mas tudo não passa mesmo de mais uma falácia, sem praticidade. A conservação do patrimônio arquitetônico tem que ser uma responsabilidade conjunta do Município, do Estado e da União.

Como um todo, com exceções das belezas naturais de suas praias e da Baía de Todos os Santos, Salvador está cada vez mais feia e desumanizada por dentro com as armações pesadas de concreto armado, como a Via Expressa que matou a Heitor Dias, Baixa de Quintas e a Caixa D´Água. Senti-me sufocado ao visitar esta região e ver tantos viadutos, sujeira, balbúrdia, insegurança e congestionamento de carros. A Rótula do Abacaxi continua um abacaxi azedo e podre.

O Brasil é o único lugar do mundo que tem a façanha estúpida e ignorante de deixar ao abandono e destruir seus lugares históricos, monumentos, prédios e marcos do passado. Por falta de educação e condição social negada aos brasileiros, os vândalos roubam e depredam tudo que represente a arte. E assim, o país vai apagando seu passado de história.

NO PAÍS DAS INCERTEZAS E INTOLERÂNCIAS

Engana-se quem pensa ou diz que o Brasil é outro a partir da Operação Lava Jato e que vamos ter um futuro melhor. Na verdade, estamos numa encruzilhada de incertezas e intolerâncias, sem horizontes, numa situação pior do que antes. Enquanto a Justiça caminha a passos de tartaruga, nas diarreias das palavras e intrigas domésticas, o rancor e o ódio entre as pessoas divididas se acirram.

Até quando vamos ficar nesse “reme-reme” mole e marrento de Atibaias, Triplex, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, superfaturamento, recebimento de propinas e demais crimes contra o patrimônio público, sem uma expectativa final no julgamento dos processos e prisão definitiva dos ladrões da nação? Até quando vai perdurar esta cena de baixo nível de barraqueiros entre delatores e acusados? O Brasil virou um ringue de socos onde o juiz perdeu o controle.

Com o andar da carruagem, quase parando, a grande maioria dos delitos será proscrita como na operação “Mãos Limpas” da Itália, em 1992, o que significa que os culpados serão perdoados e tudo será esquecido. Enquanto a intolerância vira terror na sociedade, o Judiciário, o Legislativo e o Executivo batem boca e lançam suas maldades contra o povo através de protelações e reformas demoníacas parecidas com o Inferno de Dante.

Como passar o país a limpo com essa operação do fim do mundo, sem a devida agilização das investigações e conclusão dos processos, punindo os criminosos? Nestes 517 anos de tantas turbulências, desacertos, desencontros, perdas morais e éticas, o Brasil tem pressa porque já estamos vivendo uma convulsão social, e cada um agora só pensa em lutar pelo seu espaço. Há muito tempo que o pensar coletivo nesta terra foi banido.

O “Mensalão” durou mais de sete anos para ser julgado. Os presos já estão soltos e as multas foram pagas com propinas arrecadadas do “Petrolão” e outras maracutais extraídas de estatais. Da Lava Jato, os delatores foram soltos e vivem como nababos em suas mansões. Na semana passada abriu-se mais uma porteira para os outros condenados.

Quando o Tribunal Superior Eleitoral (STE) vai dar o veredicto definitivo da ação de abuso de poder econômico (uso de caixa 2 e dinheiro ilícito) da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014? Quando terminar o mandato em 2018, ou nunca? O quadro geral está todo embolado e intrincado, com um meio de campo batendo cabeça. O time Brasil está perdendo por mais de sete a zero. Quem serão os candidatos das próximas eleições presidenciais? Estes que estão ai no lamaçal e outros que almejam uma ditadura?

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FUTEBOL EM CONQUISTA SÓ EM 2018

Carlos Albán González

O ano acabou – e ainda estamos no primeiro semestre – para o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista. A despedida foi humilhante, goleado por 5 a 0 para o Vitória, no Barradão, pelas semifinais do Campeonato Baiano. Se a FBF não organizar um torneio caça-níquel, denominado de Governador do Estado, o torcedor local vai ficar pelo menos oito meses sem assistir a um jogo de futebol no Estádio Lomanto Júnior. Vão se contentar, como a maioria prefere, em ver as partidas dos clubes do Rio e São Paulo pela televisão.

Ao justificar o prematuro e longo “descanso” do seu clube, o presidente Ederlane Amorim, que participou na semana passada de um curso de gestão no futebol na CBF, reclamou da falta de investimentos, tanto do poder público quanto dos empresários conquistenses. Apelou para a nova administração municipal “para que volte suas vistas para o esporte”, atividade praticamente ausente, com exceção do ciclismo, em Vitória da Conquista.

“Fomos criticados por ter montado um time de jogadores locais, os chamados peladeiros dos campos de bairros. Como podemos fazer contratações de peso se não temos recursos? Perdemos para clubes da série “A” (Bahia e Vitória). A arbitragem nos prejudicou nas partidas contra o Vitória, tanto no empate no Lomantão quanto na derrota em Salvador”, desabafou Amorim, que se mostrou satisfeito com o quarto lugar no “Baianão” deste ano, o que garante ao Conquista uma vaga na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro da série “D”, em 2018.

Por comodidade, Amorim não fez nenhuma referência ao seu conterrâneo, Ednaldo Rodrigues Gomes, presidente vitalício da FBF, cargo que ocupa há 16 anos, com mandato até 2019, sem nunca ter sentido o gosto amargo de uma chapa oposicionista. “Não tenho apego ao cargo e sou contra o continuísmo”, repete sempre o “cartola”, que iniciou sua carreira no futebol em 1970, jogando por clubes amadores de Conquista, e, posteriormente, presidindo a liga local, de 1979 a 1984.

A virada do século viu a ascensão de Rodrigues, torcedor declarado do Vitória. Coincidentemente, a partir do ano 2000 o time rubro-negro venceu 11 vezes o Campeonato Baiano, contra quatro do Bahia, uma do Bahia de Feira e uma do Colo-Colo (Ilhéus). Clubes profissionais têm protestado pela imprensa contra as arbitragens. Respaldado no apoio da CBF e nos votos, por aclamação, de mais de uma centena de ligas do interior, o mandatário ignora as reclamações dos que se sentem prejudicados.

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E O CONGRESSO NACIONAL, COMO FICA?

É muita cara de pau ministro e parlamentar pedirem sacrifícios ao povo para as reformas previdenciária e trabalhista! Em meio aos protestos justos e legítimos desta sexta-feira não vi nenhuma alusão contra os privilégios de ganhos e benefícios de um Congresso Nacional retrógrado que legisla de costas para o povo e de frente para os interesses particulares dos próprios deputados e senadores.

A questão não é somente o “bota fora Temer” que comprou a Câmara e o Senado com jantares, almoços, agrados, acordos e cargos. Pelo jeito fica parecendo que os parlamentares são vítimas quando são os verdadeiros vilões com suas bancadas das corrupções, da bala, rural e dos evangélicos conservadores e oportunistas.

Por que os movimentos dos trabalhadores não estampam cartazes de “bota fora do Congresso Nacional” com o pedido especial de uma nova Constituinte e um novo parlamento? Este Congresso conseguiu a proeza de promover o baixo clero insignificante de mente atrasada e repressora para alto clero que agora conduz as reformas e fala em ética e moral. A Casa não tem pressa em fazer uma reforma política séria e limpa, justamente porque seus membros querem se perpetuar no poder hereditário.

Esqueceram que foi este mesmo Congresso corrupto que decretou o impeachment de Dilma e está fazendo uma reforma previdenciária e trabalhista que está levando o trabalhador à escravidão e a morrer sem uma digna aposentadoria. As manifestações têm que apontar o dedo para a maior ferida que faz sangrar o Brasil dia e noite.

Em Vitória da Conquista, que tem uma imagem de cidade política e cultural, o movimento foi tímido e fraco, com a inusitada determinação final do prefeito Hérzem Gusmão em não liberar os servidores para os protestos, se bem que antes teria se manifestado a favor. É ruim para sua imagem que vai se desgastando com o tempo.

Na cidade, as atividades comerciais e os serviços funcionaram praticamente dentro da normalidade, com algum vazio por conta da greve dos motoristas de ônibus que há dias estão parados em razão das reivindicações por aumento salarial e outros benefícios. No mais, não houve paralisações como nas 26 capitais e no Distrito Federal.

A elite e a classe empresarial brasileira em geral apoiam maciçamente as reformas achando que vão lucrar e encher as burras de dinheiro com a exploração, só que não percebem que estão levando o país para um atraso maior em médio prazo com o encolhimento da demanda consumidora e, consequentemente, da economia. As reformas são um tiro no pé do próprio empresariado que apoia.

A terceirização, por exemplo, vai fazer o trabalhador ganhar menos, com mão de obra desqualificada e, com isso, o empresário vai perder lá na frente com baixa produtividade e menor consumo. Na reforma trabalhista eles metem o papo de globalização e de que os países desenvolvidos já adotam a flexibilização nos contratos entre patrões e empregados.

Esquecem que o Brasil ainda é país de terceiro mundo com problemas graves na educação, onde o trabalhador não tem nenhum poder de barganha para negociar. Com sindicatos desmantelados, o empregado vai receber quanto o empregador determinar. Caso contrário, ele fica no olho da rua. O negociado vai valer mais que o legislado, o que significa o desamparo da lei. No mais, é ilusão e engodo.

 

PRODUÇÃO COLABORATIVA

ANDANÇAS – Contos, causos, histórias e versos é um livro de 368 páginas, com ilustrações, que mistura ficção com realidade da vida, mas exigiu trabalho de pesquisa, como “Pelas Brenhas do Mundo”. Leitura prazerosa garantida que prende o leitor em suas descrições galopantes e poéticas.

Para adquirir a obra, com arte final concluída pelo artista Beto Veronezze, o autor Jeremias Macário, jornalista-escritor, está conclamando os amigos e companheiros a participarem do projeto colaborativo da pré-venda do livro a fim de viabilizar sua impressão na gráfica.

O exemplar vai custar R$40,00 e o interessado pode fazer a aquisição antecipadamente depositando o valor na conta poupança da Caixa Econômica Federal agência 0079, conta 00120426-5 ou entrar em contato com o autor através do e-mail macariojeremias@yahoo.com.br, fone 77 98818-2902 para assinar o “Livro de Ouro”.

Pedimos aviso comprovando o depósito, se for o caso, pois os nomes dos colaboradores serão anexados na impressão da obra que cada um receberá no lançamento.

O livro fala do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, das intrigas, das corrupções, da falta de ética, do levar vantagem em tudo, da vida, da morte, do tempo, da saudade, da solidão, do existencialismo, do amor e do ódio, através de versos, contos, causos e histórias.

Entre outros lançamentos (Terra Arrasada, A Imprensa e o Coronelismo e Uma Conquista Cassada), “ANDANÇAS” é mais uma publicação que demandou muita dedicação e sacrifício do jornalista-escritor que pede seu apoio para impressão final do trabalho de 300 exemplares, dos quais um já poderá ser seu mediante contribuição a partir de R$40,00.

 

 

UMA HISTÓRIA HILÁRIA DO FREI CISCO E OUTRAS (Parte II)

“O DERRAME DAS PATACAS”

Pela sua idade avançada, o velho Griot já estava cansado de falar de Bacu e deu uma pausa para contar o período mais tumultuado quando seus próprios aliados e opositores tomaram o reinado de “Gula” que havia delegado por um tempo seu trono para a companheira Vilma, mas esta fracassou. Então, o reino se dividiu em “Babacas” e “Panacas”, espalhando ódio, terror e intolerância.

Em meio a um caos terrível de cegueira ideológica entre pros querendo a volta do rei e os contras, a grande construtora “Odeflechet” ( A Grande Montanha), dona da moeda imperial “Patacas”, fez revelações estarrecedoras sobre os comparsas do “Gula”, demais usurpadores do reino, Templários e Dráculas – como narrou o Griot.

Conta que a “Odeflechet” contratou o ex-rei “Gula” como palestrante internacional ao peso de mais de duzentos mil dólares por apresentação, como forma de arranjar obras no exterior. Afinal, “Gula” era o cara dos programas sociais e tudo começou com ele, inclusive a história de Bacu.

Coisas do “arco do véio”, meninos! Coisas sujas mesmo e muita hilárias, a começar pelos apelidos esquisitos de cada um da lista da “Grande Montanha Odeflechet”, os quais receberam propinas em bilhões de dinheiro, no mais conhecido “Derrame das Patacas!”.

Foi dinheiro saindo pelo ladrão em malas, ceroulas, broacas, alforjes, selas, pacotes, contas em bancos, presentes de caixas de vinhos, relógios, triplex e até sítios, todos exigindo o seu quinhão, numa ganância devastadora de eu quero mais.

Para colocar ordem na bagunça, os operadores colocaram regras com dias de pagamentos nas terças, quartas e quintas, menos na segunda e sexta, o primeiro por causa da ressaca da cachaça (não era recomendado lidar com dinheiro embriagado) e o último dia útil da semana porque era também início da cachaçada.

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O ROMANTISMO CONDOREIRO INDIGNADO

(Em homenagem ao Dia do Livro, em 23 de abril, num país que pouco se lê)

Diferente de Álvaro de Azevedo e Cassimiro de Abreu, mais adocicados e piegas, sua poesia alçou voos mais altos em direção às causas sociais, como a defesa da abolição da escravatura. Seu romantismo condoreiro da última fase era vigoroso, retumbante, indignado e expressava o épico social, com a função de denúncia, como em “O Século”. Em vida só publicou um livro.

Na análise critica de Marisa Lajolo e Samira Campedelli, em Literatura Comentada, da “Abril Educação”, seu lírico-amoroso é incisivo, passional, emotivo e sentimental, sem queixas e lamentações, como nos poemas “O Adeus de Teresa” e “Onde Estás”. Sua musa era Eugênia Câmara que lhe deu partida para a sensualidade.

Álvaro de Azevedo falou da morte, Goncalves Dias do índio e ele dos escravos, mas também sofreu influência do Byronismo quando aos dezessete anos escreveu “Mocidade e Morte”, ao sentir uma dor no peito. Valeu-se também da hipérbole, o exagero das imagens, em “Tragédia no Mar” e em “Navio Negreiro”.

Seus altos voos de condor grandiloquente (“Ode ao Dos de Julho”) estão inseridos na poesia do negro quando fez “A Canção do Africano” e “Vozes d´África”. Do grotesco ao sublime da sua poesia dramática, foi considerado o Victor Hugo Brasileiro. Sua obra condoreira foi voltada para a vida e para a liberdade. “Os Escravos” e “Hinos do Equador” fora suas maiores obras póstumas.

Contemporâneo de José de Alencar, Tobias Barreto e Machado de Assis, fundou com Rui Barbosa a Sociedade Abolicionista do Recife. Foi aluno de Ernesto Carneiro Ribeiro, na Bahia, e de José Bonifácio, em São Paulo. Em vida, publicou seu único livro “Espumas Flutuantes”, grande parte da obra escrita quando retornava de navio do Rio de Janeiro para a Bahia.

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UMA HISTÓRIA HILÁRIA DO FREI CISCO E OUTRAS (Parte I)

Muito tempo atrás um velho Griot reuniu sua gente na cabana da sua aldeia e contou para seus filhos, netos e bisnetos uma história hilária que se passou no reino de Bacu. Era uma vez um líder dos trabalhadores da grande cidade conhecido pelo nome de Frei Cisco, vindo com seus irmãos de uma longínqua terra, árida agreste e seca, muito pobre até hoje.

Fugidos da fome e da exploração dos senhores proprietários, mãe e filhos vieram batendo poeira pelas estradas num Pau-de-Arara, tipo de transporte mais usado naquela época. Entre todos, o irmão de apelido “Gula” era o mais esperto e bom vivan que gostava mesmo era de curtir os botecos e contar causos da sua região do seu povo sofrido, dos coronéis e jagunços valentões.

Não gostava lá muito de trabalhar, mas seu jeito popular desembaraçado de falar, com eloquência, desenvoltura e convencimento, encantava a todos que o ouviam. De bom papo, aonde chegava eram abraços e a conversa era bem animada. Frei Cisco viu no irmão um grande dote para comandar o movimento dos operários e o convidou para um tal de sindicato, mas ele logo resistiu. Não queria se meter em confusão, nem tampouco tomar seu tempo de porres para resolver problemas dos outros.

Depois de muita insistência, “Gula” aceitou participar da organização trabalhista e tomou gosto pela atividade, tanto que logo virou dirigente e passou a atrair companheiros com seus discursos inflamados, decretando greves contra o patronado. O reino de Bacu vivia uma terrível ditadura lá pelos anos 70 e 80 e mandou prender “Gula” que, àquela altura, já estava escolado em negociações e outras malandragens.

Solto, correu o reino, fez caravanas refazendo todo seu caminho de origem pregando justiça, ética, honestidade e com a promessa de não se misturar com os maus. Perdeu o reino, mas com os ensinamentos do marqueteiro astuto por nome “Buda”, espalhou bondade e, em pouco mais de 10 anos de pleitos, “Gula” se tornou rei de Bacu, depois de ter feito acordos espúrios com o capital e personagens mais nefastas da nobreza, gente da escória que vivia de saquear os bens da pobre rica coroa. Frei Cisco perdeu prestígio, caiu em desgraça e no esquecimento, enquanto “Gula” se deleitava e se lambuzava com o poder.

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ATENDIMENTO PÉSSIMO DO BB

Se o simples ato de ir à rua já é um tormento com os congestionamentos no trânsito e falta de estacionamento, imagine quando se vai resolver um problema qualquer numa repartição pública ou mesmo numa empresa privada! Parece que vivemos num mundo cão onde uns olham os outros como inimigos.

Fui hoje à Agência do Banco do Brasil, da Praça Barão do Rio Branco, para abrir uma conta poupança e, para minha surpresa, o atendente me informou, secamente, que este tipo de conta só a partir de junho. Indaguei o motivo e ele apenas afirmou que por falta de funcionários aptos para a operação.

São coisas inusitadas que só acontecem em nosso Brasil enlameado em corrupção e políticos que recebem propinas e ainda riem da nossa cara. O pior ocorreu antes. Quando cheguei à agência me dirigi ao moço que estava distribuindo as senhas e apenas pedi informação como abrir uma conta poupança. Ele me olhou e fez-me ver que teria que pegar a fila.

Até aí, tudo bem porque não tinha visto as outras pessoas em minha frente. Entrei na fila prioritária para idosos. Quando da minha vez, depois de uns cinco a dez minutos, o mesmo funcionário veio dizer a mesma coisa de antes, de que a abertura de conta somente a partir de junho.

Só depois que sai da agência diante da resposta negativa fiquei a matutar: Por que ele não me disse isso logo no primeiro contato, evitando que eu perdesse tempo na fila? O cara gosta de maltratar as pessoas, especialmente idosas? Não tem nenhum respeito e consideração!

Tenho percebido que os brasileiros em geral vivem mal-humorados e descarregam seus problemas nos outros. O atendimento no setor de prestação de serviços no país, tanto privado como público, sempre foi de péssima qualidade, e só tem piorado.

E tem mais atendimento horrível. Como o BB recusou abrir a conta poupança fui a um núcleo da Caixa Econômica Federal, na Galeria Joaquim Correia. e o péssimo atendimento não foi muito diferente. Pouca informação e má vontade em fazer o serviço.

Salário baixo não pode ser justificativa para tratar as pessoas com indiferença, como se estivéssemos  pedindo um favor. Falta de educação e baixa capacitação profissional são os fatores que explicam a razão dos serviços serem tão ruins no Brasil, particularmente na Bahia, e em Vitória da Conquista também.

UMA TOURADA TUPINIQUIM

É o samba do crioulo doido! O Brasil é um país indecifrável, enigmático e onde acontecem as coisas mais absurdas e hilárias do mundo. Não dá mesmo para entender uma tourada tipo tupiniquim em pleno sertão, em Planalto, no sudoeste baiano. Num distrito do município montaram uma arquibancada feita à facão que veio à baixo e um cercado rústico para tourear o boi.

Um repórter de uma emissora de televisão de Vitória da Conquista foi lá registrar o fato do desabamento do “monstrengo” e trouxe em sua capanga, como sempre tem ocorrido, uma informação incompleta, pela metade, sem falar com o organizador irresponsável da maluca tourada. Apenas deu uma nota xoxa da Prefeitura em que o executivo diz que qualquer evento tem que ter a autorização do poder público.

Ora, meus amigos, num município pequeno, você acha que o prefeito já não estava sabendo da armação? Isso está cheirando coisa de chefe comunitário do povoado com consentimento de algum vereador para agradar e entreter os moradores da localidade. O prefeito teria que ter vetado a iniciativa, para evitar uma tragédia maior.

Nessa hora todos se escondem, e a mídia, infelizmente, deixa de fazer seu papel de investigar. O fato bem apurado rende uma boa matéria de repercussão, desde que se explore os diversos ângulos. Gostaria de saber, por exemplo, quem foi mesmo o toureiro herói! Cabia uma entrevista com o rapaz. O negócio é não ter muito trabalho.

A notícia, como tantas outras que temos recebido, tem deixado vários buracos e indagações. Imaginava que com o avanço tecnológico a imprensa nossa fosse evoluir! Entre a tourada e a cobertura jornalística, duas trapalhadas dignas de comentário e muitas interpretações.

Com o combate às touradas na Espanha e as polêmicas criadas aqui no Brasil sobre a realização das vaquejadas ( O Supremo Tribunal Superior proibiu a atividade no Ceará), visando proteger animais de maltratos, nunca pensava que houvesse touradas clandestinas dentro do mato, no meio rural. Para mim foi uma grande surpresa. Só vendo mesmo para crer!

No fim todos foram salvos e tudo não passou de uma mera brincadeirinha. O boi ficou assustado e estressado, os organizadores da arapuca impunes, a Prefeitura Municipal nada sabia, os ambientalistas e os protetores dos animais nada falaram e a mídia deu sua noticiazinha medíocre. Foi uma piada, digna de uma grande crônica ou uma charge bem humorada. Assim é o Brasil!

 





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