MAIS SOBRE A ESTUPIDEZ ELEITORAL
COMENTÁRIO DO JORNALISTA CARLOS GONZALEZ SOBRE “A ESTUPIDEZ DO SISTEMA ELEITORAL NACIONAL”
Você, mais uma vez, “tocou na ferida”, denunciando mais um dos absurdos ou mais uma sessão de tortura a que os brasileiros são submetidos. Segundo li nos jornais, há quem lucre com o sofrimento alheio. Desempregados estão faturando cerca de 250 reais por dia, alugando bancos e cadeiras aos eleitores que estão nas filas diante do TRE. O custo da implantação desse sistema é altíssimo, com a utilização de um equipamento recém adquirido, distribuído para os mais de 5.500 municípios brasileiros.
Estou imaginando o caos que irá tomar conta das seções eleitorais no dia da votação. Além de ter que digitar os números dos candidatos a presidente, governador, senadores e deputados federais e estaduais, o eleitor pode ter que encarar uma urna “cansada e indisposta”, que resolva não ler suas impressões digitais. E aí… Tenho encontrado essa “negativa” nos caixas eletrônicos do BB e da CEF. Ao receber a informação de que a leitura biométrica não confere sou obrigado a repetir toda a operação.
Concordo plenamente e digo mais que essa desfaçatez contra o povo brasileiro precisa ser investigado e os responsáveis por esta bagunça sejam severamente punidos, mas o Judiciário e o Congresso Nacional fazem vistas grossas. Eles estão de olho é nos votos dos eleitores que se vendem por dinheiro e favores. Todo o circo já foi armado para serem reeleitos.
Por sua vez, a mídia passa o tempo fazendo besteirol e apoiando os juízes que culpam o povo pelas intermináveis filas do tal recadastramento biométrico, exposto a sol, chuva e fome. O que estão fazendo é um crime contra a humanidade. Cadê os defensores dos direitos humanos? Estão comendo caviar e tomando uísque em suas férias de veraneio. Fila neste Brasil é só para pobre. Onde e quem cadastra esta elite burguesa egoísta que só pensa em si?
A ESTUPIDEZ DE UM SISTEMA NACIONAL
Entra ano e sai ano e o balcão cruento dos serviços prestados pelos governos continua o mesmo de sempre provocando dor e sofrimento. A revolta permanece engasgada na garganta como o choro recolhido de uma criança quando seus pais mandam que ela cale a boca. Lembro-me de certo ministro de Estado que prometeu um dia acabar com as filas do INSS. Elas se enraizaram por todo país e já fazem parte da cultura nacional com direito a tombamento.
Não dispõe de estrutura adequada em termos de capacitação humana e tecnológica, mas convoca a população já sofrida para se submeter aos seus constantes caprichos de atualização de documentos ou mudanças de processos dos nos seus ditos “modernos sistemas”, sob alegação de que tudo está sendo feito em prol da melhoria e da segurança nacional. Ai, a vida do cidadão vira um verdadeiro inferno, sobrando sempre para as pessoas mais pobres e idosas.
Isto é a cara do Brasil desprovido de recursos, com seu sistema estúpido que humilha o povo em intermináveis filas, e ainda ameaça quem não comparecer, dizendo que pode ser punido e excluído do esquema que só beneficia aos próprios. É o que está acontecendo desde meados do ano passado e agora, no momento atual, com o maldito recadastramento biométrico eleitoral, cheio de vícios e mutretas.
Diante de toda esta brutalidade sem tamanho, ouvi nesta semana um juiz eleitoral culpar o próprio brasileiro de que sempre deixa tudo para a última hora. Isto não é verdade porque as filas, provenientes da desorganização e da falta de condições de atendimento do Tribunal Eleitora, sempre existiram desde o início do processo, e não tomaram providências para, pelo menos, minimizar a situação.
Na Bahia, por exemplo, e aqui, particularmente em Vitória da Conquista, o quadro é de revolta e de angústia para o eleitor que desde os primeiros dias enfrenta filas e perda de tempo para realizar o recadastramento no Fórum da cidade. No início, este era o único local para a biometria. Por que, quando tudo começou, não colocaram vários pontos de atendimento? A opção no Espaço Glauber Rocha, no caso de Conquista, só veio tempo depois.
O sistema como todo é deficitário e falho em todos os sentidos, desde a falta de recursos financeiros, planejamento, estrutura e, consequentemente, de contingente humano suficiente para executar o trabalho de modo digno para que o cidadão não seja sacrificado. Já no final do prazo, o tal sistema cai por horas e os agendamentos “programados” não são cumpridos. Tudo não passa de mentira como num conto do vigário. Tudo não passa de um estelionato biométrico.
Para encobrir as falhas, é muito fácil culpar o nosso povo que, infelizmente, é mais cordeiro que uma ovelha porque esta ainda berra quando percebe que está sendo levada para o matadouro. Nesse quadro de filme de terror, grande parte da nossa mídia exerce um papel vergonhoso de só noticiar o factual e ainda ficar ao lado do perverso sistema, sem comentar e defender o outro lado do povo massacrado. Não se ouve, nem se lê criticas contra estes e outros absurdos em nosso país.
Acontece que toda esta insensatez no Brasil não ocorre, nem está ocorrendo somente agora com o recadastramento biométrico eleitoral, mas em muitos outros segmentos da vida brasileira, como nos atendimentos do INSS, para se marcar exames de saúde, para atualizações periódicas de carteiras de identidade, habilitação de motorista, matrículas nas escolas públicas e outros tantos documentos onde se dorme nas filas de horror, de choros, lágrimas e lamentos.
O mais curioso é que estas torturantes filas da morte não são frequentadas por governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores, ricos, empresários, endinheirados, profissionais privilegiados, diretores e executivos públicos e privados. Nelas só se vê pobres de um modo geral, mulheres grávidas, idosos e até crianças.
UM NATAL SEM MUITA LUZ
Não resta dúvida que foi um Natal 2017 de decoração diferenciada dos outros anos na Praça Tancredo Neves, mas a iluminação foi fraca em muitos pontos estratégicos, inclusive no presépio. Reconhecer o fato não quer dizer que as famílias não participaram da programação. Poderia, sim, ser bem melhor.
Para compensar, a iluminação do final de ano se estendeu a outros locais da cidade, como a Praça Murilo Mármore (Praça do Boneco) e o Cristo de Mário Cravo, na Serra do Periperi, uma área que deve ser mais cuidada pelo poder público para que haja uma maior frequência dos moradores conquistenses e visitantes de fora.
Estive um dia no centro e gostei da organização das barracas e até senti uma maior segurança por parte dos agentes da prefeitura. No entanto, Vitória da Conquista é a capital da região sudoeste e merece ser mais iluminada, com atrações musicais nacionais de maior peso, além dos artistas locais que devem sempre ser valorizados.
Como se vive numa fase de poucos recursos, o setor privado, especialmente o comércio, precisa prestar um maior apoio financeiro para que o nosso Natal seja mais iluminado e mais atrativo, de acordo com o clima da época. A parceria entre público e privado necessita ser mais forte. Os comerciantes não podem apenas visar o lucro.
Um exemplo em destaque foi a iluminação feita por uma empresa particular num trecho da Avenida Juracy Magalhães, que deu mais vida ao local e chamou a atenção de quem passou por aquela artéria. Entendo até que a CDL e a Prefeitura Municipal devem, em conjunto, fazer uma campanha de promoção e concurso para que as lojas em geral iluminem mais a cidade como aconteceu na Juracy Magalhães. Esperamos que o Natl de 2018 seja bem mais iluminado e brilhante.
OS DONOS DEVERIAM SER PRESOS
A lei deveria ser bastante rigorosa com pesadas multas, e até prisão, contra pessoas que criam animais, não cuidam e depois abandonam os bichos nas ruas e nas estradas, criando um atentado à saúde e à ordem pública. Esta seria uma forma de combater a proliferação de cães e gatos, como no flagrante das fotos, soltos nas cidades, muitos dos quais passando fome e doentes.
Por sua vez, o poder público também tem sua grande parcela de culpa porque não dispõem de estrutura de fiscalização para controlar esta situação caótica, inclusive recolhendo, quando necessário, os animais em locais adequados, fazendo o castramento. As cenas desses cachorros soltos foram fotografadas em Juazeiro, na Bahia, mas acontece em todas as cidades, como em Vitória da Conquista.
Aqui mesmo em Conquista, no Jardim Guanabara, na rua “G”, 296, sofro dia e noite com um monte de gatos no telhado da minha casa porque o vizinho dos fundos, na outra rua “H” (a Ulisses Guimarães), não cuida desses bichos que “infernizam” nossas vidas e provocam prejuízos.
Sem comida e tratamento adequado, os gatos passam todo tempo no telhado procurando lagartixas e outros bichos para se alimentar. Quando cai a noite, ai é que é perturbação e barulho, inclusive quando macho e fêmeas inventam de transar. O pior é que os bichos nem são castrados e nem se sabe se são vacinados.
As pessoas deveriam ter consciência e respeitar os outros, mas, infelizmente, não têm nenhuma. São por demais individualistas. Se você não tem condições de criar um animal, melhor não tê-lo. Quem faz isso deveria ser rigorosamente punido, como é o caso dos cães soltos nas ruas, praças e avenidas.
Como quem mata um animal qualquer deve responder pelo crime ambiental praticado, o dono negligente precisa também ser preso para pagar pelos seus atos de abandono. As sociedades protetoras e as Ongs até que têm feito um trabalho dentro do possível para acolher em abrigos esses animais soltos, mas também devem pressionar os poderes públicos para punam os irresponsáveis.
Nas estradas estaduais e até federais, a situação também é crítica e perturbadora, com jumentos e cavalos soltos que terminam provocando acidentes, muitas vezes com mortes fatais. As polícias estaduais e federais recolhem alguns por aí, mas esbarram na falta de condições estruturais (alimentação) para mantê-los presos por muito tempo em currais e pastos. Na maioria das vezes, esses animais passam fome e sede nos postos das próprias polícias.
Mais uma vez, o poder público municipal é o maior culpado porque não pune com rigor os donos que não cuidam de seus animais. No caso de burros e equinos em geral, muitos utilizam, até de forma imprópria com maus tratos, para fazer transportes de mercadorias, e depois de certa idade, quando não aguentam mais tantas cargas pesadas em seus lombos feridos, soltam os bichos por aí.
NOSSO DINHEIRO DESPERDIÇADO
No Brasil do improviso, da corrupção em construções superfaturadas e da falta de planejamento sério na aplicação dos nossos recursos, são inúmeras as obras inacabadas e outras que depois de edificadas são abandonadas. O pior de tudo é que os irresponsáveis não são punidos dentro do rigor da lei. Os descalabros são incontáveis pelo país a fora, com gastos de bilhões de reais desperdiçados.
A Bahia não é uma exceção, como o prédio da Delegacia Fiscal de Andaraí, na BR-242 (Rio-Brasília) que há muitos anos deixou de funcionar e está abandonado. Sem serventia de arrecadação, o posto tem sido utilizado como abrigo de caminhoneiros e, por vezes, de marginais. Não se tem notícia, por parte do Estado, sobre os motivos da desativação da Delegacia, nem satisfação foi dada aos contribuintes.
Como aqui em nosso Estado, em vários municípios, as cenas de pontes, estradas, estações férreas, prédios de escolas, hospitais e postos de saúde abandonados se repetem pelos rincões do Brasil. Nos tempos atuais, muitos prefeitos e governadores ainda adotam o criminoso hábito político de não tocar ou destruir obras iniciadas pelos seus adversários em mandatos anteriores, e tudo isso num país pobre e carente de serviços comunitários nas áreas da educação, da saúde e do saneamento básico, principalmente.
“DOS SUMÉRIOS A BABEL” (VI)
O MITO DE ADAPA E O DIREITO PENAL
Inventiva, a civilização sumeriana é rica em deuses e lendas, conforme narra o autor de “Dos Sumérios a Babel”, Federico Arbório Mella. Uma das mais conhecidas e perfeitas é “O Mito de Adapa”, segundo o escritor, usada até nas escolas do Egito.
No segundo milênio A.C., sob o cunho de Hammurabi, Babel se destacava como capital espiritual e farol da civilização da Ásia Anterior. Extraída das escavações arqueológicas, na forma das tabuinhas, nesta época a língua diplomática e comercial internacional era o acádico-babilônio.
Na religião, o culto na Suméria era disciplinado em todo país, mostrando quais deuses menores deveriam ser reverenciados. No grande templo de Marduk, por exemplo, não se adorava apenas ele, mas sua mulher, seu filho, sua família, toda a corte, ministros e, por fim, seus quatro cães de caça.
Conta a lenda que Ea, ou Enqui, procriou Adapa dando a ele ciência e sabedoria, menos a imortalidade. No templo de Eridu, na qualidade de sacerdote, Adapa trabalhava como cozinheiro-mestre e camareiro do seu pai.
Um dia Adapa amanheceu aborrecido e aprisionou o vento sul, quebrando suas assas, o que o impediu de soprar. Então, o deus Anu o convocou para que ele justificasse sua conduta inesperada. Antes de se apresentar, o pai orientou o filho sobre o melhor modo de se comportar para não ser condenado pelo deus.
O pai ainda alertou o filho de que Anu podia lhe oferecer como castigo o pão e a água da morte, devendo ficar prevenido para não se alimentar. Além do mais, aconselhou que se apresentasse vestido de luto diante do tribunal de acusação.
Disse também ao filho que se Tammuz e sua mulher Guichzida lhe perguntassem o porquê da vestimenta, deveria responder: “Estou de luto pela morte de Tammuz e Guichzida”. Com isso, os dois ficaram tão comovidos com a resposta que resolveram interceder em seu favor para que Anu não o castigasse como estava previsto.
O deus ficou tão penalizado com o pedido que decidiu oferecer pão e água da vida para Adapa. Porém, seguindo o concelho do pai, ele recusou a oferta, perdendo assim a ocasião de obter a imortalidade definitiva.
DIREITO PENAL
Como o Código de Hammurabi era muito rígido e rigoroso, os legisladores sempre procuravam meios de contornar as punições e recorriam às leis de Ur-Nammu, com atenuantes e penas substitutivas. As mais severas eram prescritas para os delitos contra a moral (homossexualidade). No caso de assassinato, a pena de morte só seria executada se o acordo de ressarcimento dos donos da família ficasse impossível.
UMA “BOA” PARA O BODE
Carlos Albán González – jornalista
A modificação na formação das chaves da Copa do Brasil de 2018 tirou do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista o pesadelo de ter que enfrentar um dos clubes da elite do futebol brasileiro. O sorteio apontou o Boa Esporte, de Minas Gerais, como o adversário do representante baiano na primeira fase do chamado “o mais democrático dos campeonatos”, pois dá oportunidade a qualquer um dos 91 concorrentes de 66 cidades de disputar a Taça Libertadores e o Mundial de Clubes. Para chegar lá, como mandante, no caso, o Conquista, não poderá nem empatar o primeiro jogo, programado para 31 de janeiro.
A Copa do Brasil, que se estenderá até a segunda quinzena de outubro, dará ao campeão o prêmio recorde de R$ 50 milhões; ao vice, R$ 20 milhões; aos semifinalistas, R$ 8 milhões; e R$ 4 milhões para quem disputar as quartas-de-final.
Fundado em 2005, o ECPP Vitória da Conquista vai disputar a Copa do Brasil pela quinta vez.
Sua melhor campanha foi em 2016, quando passou para a segunda fase depois de eliminar o Náutico em dois empates (0 a 0 em casa e 1 a 1 na Arena Pernambuco), sendo, posteriormente, desclassificado pelo Santa Cruz (derrota por 2 a 0). Sua estreia na Copa do Brasil ocorreu em 2013, eliminado (duas derrotas) pelo Sport do Recife. Em 2015 foi goleado, por 4 a 1, pelo Palmeiras, no “Lomantão”, onde também se deu sua queda em 2017, num empate com o Coritiba.
O ECPP Vitória da Conquista terá uma agenda mais cheia em 2018. Além da Copa do Brasil, jogará o Campeonato Baiano, de 21 de janeiro, data em que completa 13 anos, a 8 de abril, e o Campeonato Brasileiro da série “D”, marcado pela CBF para o período de 22 de abril a 5 de agosto. No torneio regional estreará contra o Atlântico, em Salvador (Barradão), e se apresentará diante de sua torcida, contra o Vitória, no dia 24 de janeiro, às 21h45. No Brasileirão, cujo chaveamento ainda não foi divulgado, o representante do sudoeste baiano integrará, com mais três clubes da região (Bahia, Sergipe e Alagoas), um dos 17 grupos.
Volta inesperada
Depois de 20 anos afastado das atividades profissionais, dedicando-se apenas às categorias de base e ao futebol feminino, o Conquista Esporte Clube anunciou, no final do ano passado, através de um dos seus dirigentes, Eduardo Andrade Correia, conhecido como Mesquita, a formação de um elenco para disputar o Campeonato Baiano da 2ª Divisão. Os desportistas conquistenses se surpreenderam com a notícia. O “cartola” garante que o clube está com as contas em dia e sem pendências tributárias.
A repentina inclusão do Conquista, campeão da série “B” em 1994, entre os seis times que vão disputar o acesso, e a exclusão do tradicional Ipiranga, não foram explicadas pelo conquistense Ednaldo Rodrigues, presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF).
O torneio terá a participação do Conquista, Galícia, Colo-Colo (Ilhéus), Atlético de Alagoinhas, Atlético de Teixeira de Freitas e Cajazeiras (Salvador). Cada time jogará um mínimo de dez partidas e um máximo de 12 entre os dias 3 de março e 13 de maio. Apenas o campeão terá acesso à série “A”. Anotem a tabela de jogos da equipe azul e branca, com mando de campo no Estádio Lomanto Júnior: Dia 3/3 – Teixeira de Freitas (fora); 10/3 – 17 hs. – Cajazeiras (em casa); 18/3 – 16 hs. – Galícia (em casa); 24/3 – Colo-Colo (fora); 1/4 – 16 hs – Alagoinhas (em casa); 7/4 – Alagoinhas (fora); 15/4 – 16 hs – Colo-Colo (em casa); 21/4 – Galícia (fora); 28/4 – Cajazeiras (fora); 5/5 – 17 hs. – Teixeira de Freitas (em casa)
Caça-Rato reforça time
NO PAÍS DO CIRCO SEM PÃO
Na Roma Antiga imperava o Panem et Circenses. No Brasil de hoje, dos profundos contrastes sociais, os governos demagógicos seguem linha semelhante, mas sem o pão que alimenta o corpo e a alma. Nesta época do ano as capitais, muitas das quais em estado falimentar, disputam quem dar a melhor e a maior festa com a justificativa de que atraem mais turistas e entra mais dinheiro, só que enriquece os mesmos 10% que detém a maior parte das riquezas.
Na Bahia das festanças todo o ano, por exemplo, o Neto ACM imita o avô na demagogia e estende um Réveillon por inacreditáveis cinco dias de farras e sua mídia o exalta como a maior Virada do Ano do país, quiçá do planeta. Aqui tem ainda a rivalidade acirrada entre prefeito e governador para ver quem faz mais muvuca, tudo de olho nas próximas eleições. A plebe cai dentro e aplaude, sem pensar e sem refletir.
Fora as festas de largo, aniversário da cidade e outras batucadas por aí nos feriadões, que são abundantes, no carnaval tem mais uma semana com tudo parado. Em Salvador, os gastos públicos com o Festival da Virada devem ficar em torno de R$12 milhões, além da contrapartida do investimento privado que recebe benefícios fiscais. Espera-se a presença de dois milhões de pessoas.
A mídia submissa que faz o seu papel de bobo da corte com suas reportagens fúteis e alienadas, a tudo se cala porque também recebe o seu quinhão na parte que lhe cabe. Tudo pelo divertimento desmedido num país pobre, com o argumento fajuto de que se está gerando mais renda e emprego. É o dinheiro do contribuinte engrossando a concentração de renda nas mãos de poucos, mas, ninguém vê isso. Infelizmente, a visão é curta porque a mente é inculta.
No Rio de Janeiro falido, os noticiários que vêm de lá são por demais ufanistas de que o Réveillon da capital é o maior do mundo, com tecnologia de queima de fogos de artifícios de primeira geração. Eles falam com orgulho, e os brasileiros do país da corrupção se sentem reconfortados. Esquecem da miséria e dos milhares de servidores públicos que estão com seus salários atrasados e ainda não receberam nem o 13º do ano passado.
Por que esses demagogos não fazem uma “briga” para ver quem oferece a melhor educação, quem tem os hospitais mais bem equipados e quem apresenta os menores de índices de violência do país? Quanto a estes itens obrigatórios pela Constituição, para reduzir as desigualdades sociais, eles não priorizam pela simples razão de que não dão voto.
Educação, saúde, segurança, saneamento básicos, habitação são todos pães que alimentam a alma humana e fazem com que a pessoa cresça e progrida na vida. Aqui, em nossa nação, a grande maioria não tem em quantidade suficiente nem o pão material. Portanto, o que temos é o circo sem pão, isto em todos os sentidos.
Os Césares da Antiga Roma construíam grandiosos coliseus e neles jogavam gladiadores para se matarem. Das arquibancadas, o povo vibrava, participava ativamente das festas de matanças com muito sangue e ainda desejava vida longa ao imperador. Há muita semelhança com o nosso circo, sem pão.
LINDO POR FORA E FEIO POR DENTRO
É verdade que o Rio de Janeiro continua lindo e maravilhoso com suas belas paisagens do Pão de Açúcar, do Morro da Urca, do Cristo, da Baia da Guanabara e do por do sol de encantar e tirar o fôlego de qualquer um, mas não gostei nada do que vi por dentro de suas ruas, avenidas, dos esgotos e lixos sendo despejados na Lagoa Rodrigo de Freitas, e só em pensar que é um Estado falido que foi roubado por políticos pilantras.
Como em outras capitais e grandes cidades do país, é muito feio ver a miséria estampada através de moradores de rua dormindo nas marquises, lixo espalhado em vários pontos, sem contar o vandalismo contra as lixeiras, monumentos e o patrimônio público em geral. Não poderia deixar de incluir aqui a violência que assusta e impede o povo de sair à noite para se divertir, bem como o sofrimento que estão vivendo os servidores públicos sem receber seus salários.
Nos dias em que passei no Rio durante o período natalino procurei esquecer todas estas mazelas internas e aproveitar ao máximo tudo de bom e bonito da natureza e dos pontos turísticos culturais, como os museus, muitos dos quais, infelizmente, fechados nos finais de semana. Outros estão em precário estado de conservação, como é o caso do Museu Nacional, cujos funcionários em protesto por não receber seus vencimentos.
Biblioteca Nacional por dentro
Ao entrar nesta instituição, fiquei surpreso quando vi que todas as esculturas gregas, romanas e egípcias estavam com uma tarja preta cobrindo suas faces. Conversei com um funcionário que explicou ser uma forma de protesto contra o corte de verbas do governo federal para manutenção e preservação do museu.
Percebi muitas estátuas desgastadas pelo tempo, as quais necessitam urgentemente de restauração. Além disso, o pessoal está com salários atrasados. É a cara de um país que não dá o mínimo de atenção para a cultura. Fiquei muito sentido por não conhecer totalmente a Biblioteca Nacional que está passando por uma lenta reforma sem tempo para concluir. O belo Teatro Municipal estava fechado.
Outro sinal de desleixo para com a nossa sofrida cultura é o fechamento de museus e pontos turísticos em final de semana, coisa que só acontece no Brasil. Estavam lacrados para visitação, justamente no domingo, o Museu Contemporâneo, em Niterói, e o Jardim Botânico, em dias próprios em que as pessoas estão mais disponíveis para conhecer estes lugares importantes e históricos.
MUSEU DO AMANHÃ
Nem tudo está perdido. Conhecer o Museu do Amanhã foi compensador para a alma. Com uma arquitetura arrojada e futurista, erguido na antiga Praça Mauá, suas instalações chamam a atenção logo na entrada com exposições modernas e interativas sobre o tempo e os nossos antepassados. Um deslumbramento a área destinada ao “Cosmos” em altas dimensões com imagens que fazem o visitante refletir sobre a vida e a origem do planeta terra, seus habitantes e transformações.
Igreja da Candelária – o antigo e o moderno
O Museu do Amanhã se soma hoje a mais um dos locais no Rio de Janeiro que não pode deixar de ser visitado pelo turista e de quem mora na capital. É como ir a Roma e não conhecer o Vaticano, como se diz por aí. As pessoas se interagem com a arte e ai aproveitei para pedalar uma bicicleta que gera energia e ilumina. Tudo ali dentro é dinâmico e repleto de informações e conhecimentos gerais. É uma aula de sociologia, história e ciência.
No Centro Cultural Banco do Brasil por dentro
Outro local prazeroso que pulsa arte com belas apresentações de fotografias e pinturas é o Centro Cultural Banco do Brasil com espaços de destaques que valorizam artistas nacionais e internacionais. Do Morro da Urca e do Pão de Açúcar, através de seus bondinhos, tem-se uma visão deslumbrante de como o Rio de Janeiro é lindo demais. O indivíduo sente-se que está flutuando no ar. Vale a pena o passeio apesar de caro (R$80,00 e meia para idosos).
Entre outros lugares imperdíveis, não poderia deixar de conhecer a sede do meu tricolor das Laranjeiras com seu antigo estádio onde aconteceram as primeiras disputas entre os times do Rio e São Paulo e da América do Sul. O gramado e as arquibancadas estão em bom estado de conservação. Pena que o time não está correspondendo aos anseios dos torcedores, precisando em muito melhorar seus resultados em campo.
A centenária Confeitaria Colombo com todo seu esplendor, a Igreja da Candelária que nos faz lembrar o triste episódio do massacre das crianças de rua e a Central do Brasil onde o presidente João Goulart com seu discurso em março de 1964 criou espaço para o golpe dos militares, também estiveram no meu roteiro de lugares históricos visitados na cidade maravilhosa.
Para encerrar a viagem, uma bela praia lá na Barra, passando depois pela avenida Oscar Nieymar (a ciclovia que desabou uma parte pela força das ondas do mar ainda continua fechada), pelo Arpoador, Leblon onde morou o baiano João Ubaldo Ribeiro, Ipanema e o Jardim Botânico.
Fora os pontos feios e de degradação do meio ambiente que retratam nossas profundas desigualdades sociais decorrentes dos desmandos e desvios de recursos dos governantes e políticos, o Rio de Janeiro, de Tom Jobim e Venicius de Moraes, continua todo poético com seus belos morros que, infelizmente, ainda abrigam a violência do tráfico de drogas e as guerras pelo comando do poder das regiões.
Nada disso existiria de tão feio e falido se os governos tivessem feito seu dever constitucional de realizar programas sociais em benefício daquela gente pobre, impedindo que bandidos entrassem nas áreas para fazer o que o poder público não fez durante tanto tempo. Agora eles, através das forças armadas, invadem as favelas com seus pesados tanques e armas para limpar suas sujeiras, como se isso fosse devolver a paz e o bem-estar social.
O JUDAS DA NAÇÃO QUE DEVE SER QUEIMADO
A tradição tupiniquim da queima do Judas todo final de ano já deve ter seu personagem predileto para ser torrado como o boneco traidor da Nação, aquele que está fazendo tudo para derrubar uma Operação de desmonte dos corruptos com a prisão dos ladrões dos cofres públicos. Você está com o intestino preso, ressecado? Então tome o laxante da marca “Gilmar Mendes” que ele solta tudo!
Pois é, o cara do Tribunal Superior Federal, o ministro-empresário e político está soltando todos os presos condenados em roubos e falcatruas, não somente da Operação Lava Jato que ele próprio critica com veemência. O pior de tudo é que ninguém dá um basta e enfrenta suas posições no colegiado. O cara desfaz, desdenha e menospreza seus colegas magistrados com aquela empáfia de que é o superior e dono da verdade.
Se um juiz manda o sujeito para o xilindró, com todas as provas do ladrão-mor, logo em seguida o Gilmar, se é seu amigo e companheiro, manda soltar, dizendo que a mala recheada de dinheiro, não pode ser objeto para arrolar. A Nação fica estarrecida, com tanto mandado de saída, que cada conduzido para a cadeia já leva no bolso o laxante “Gilmar”. O homem manda soltar garotinho, barata e qualquer outro animal peçonhento. Só falta libertar o Cabral e todo bicho sujo e nojento.
Fora qualquer brincadeira ou verso para a queima do Judas do ano, com as heranças malditas, o ministro está atacando todas as investigações processuais, denegrindo o Ministério Público, ridicularizando o trabalho da Procuradoria Geral da República, sacaneando com o próprio Tribunal do qual é membro, e tentando reduzir a pó a Operação Lava Jato.
Os acusados, indiciados e os réus culpados por ladroagens e safadezas, metidos em trambicagens e malas de dinheiro estão dando risada, e a tudo assistindo de camarote. Romero Jucá, Collor de Melo, Renan Calheiros e todos os outros comparsas do Mordomo de Drácula nem precisam mais tramar para acabar com a “sangria” da força-tarefa das investigações.
Do outro lado, o que se percebe é uma nação traída por este e outros indivíduos, que não reage e permanece apática como se nada estivesse acontecendo. As instituições não se levantam, e o silêncio que irrita é geral. Existem muitos outros Judas neste país para serem queimados e estourados na fogueira, mas um merece ser eleito como o maior traidor.





























