:: ‘Notícias’
TROUXE AS AMOSTRAS?
(Chico Ribeiro Neto)
Às 7 da manhã o motorista do táxi identifica logo o saquinho inconfundível que você segura com todo cuidado. Você vai para um laboratório de análises clínicas.
A primeira fase é a da coleta. Com o exame do número 1 é fácil (despreza o primeiro jato) e a gente enche logo o copinho. O problema é o número 2. Uma verdadeira labuta, aquela desarrumação pra arrumar. Finalmente os coletores estão prontos.
O velhinho numa cidade do interior da Bahia passa pelo médico que lhe dá uma bateria de exames pra fazer. A clínica funciona num casarão onde cada porta é um tipo de exame. Ele olha para as requisições e para as portas e diz: “Eles querem é que a gente passe nessas portas todas. Por mim, eu vou embora depois da segunda porta”.
Tenho uma amiga que trabalhou na recepção de amostras de um laboratório. Disse que uma vez chegou um cara com uma lata de cera cheia até a boca com o material do número 2.
Alguns dias depois da vasectomia o paciente precisa fazer um espermograma. O material tem que ser colhido na hora. Ele entrou na sala lotada, entregou a requisição e a moça pediu para aguardar. Meia hora depois ela grita: “Senhor J. do espermograma. É ali”, indicou ela, apontando para o minúsculo e abafado sanitário e dando-lhe um frasquinho. Fez das tripas coração para recolher a amostra.
Outro amigo, coroa, foi fazer a ficha num laboratório:
– Jejum de 12 horas?
– Sim.
– Consumiu bebida alcoólica nos últimos três dias?
– Não.
– O senhor teve relação sexual nas últimas 24 horas?
– Quem me dera …
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
DE CONQUISTA A GOIÁS
QUEM FOR A ESTE ESTADO BRASILEIRO, PRINCIPALMENTE COMO TURISTA, NÃO DEIXE DE VISITAR A VELHA PIRENÓPOLIS, FUNDADA POR GARIMPEIROS À PROCURA DE OURO NO SÉCULO XVIII. CONHEÇA SUAS LENDAS E MITOS.
Viajar sem compromissos de trabalho para conhecer a cultura e a história de outras aldeias é sempre saudável para a alma e para o corpo. Nem tanto assim quando se faz a negócio, mas pode-se conciliar o útil ao agradável. Reserve um cantinho em sua agenda. Tem rico avarento que não sabe o que é isso e termina não curtindo a vida. É o que chamo de uma simples passagem sem notoriedade.
De um modo geral, as viagens são cheias de causos e casos que terminam virando livros (Diários de Viagens) e só se completam quando existem aventuras, contratempos e imprevistos para se contar. Ah, em minha trajetória tenho muitas para narrar em nível nacional e internacional. Muitos micos e mancadas! Quando encontro obstáculos, procuro seguir em frente e nunca retroceder e isso serve para o nosso cotidiano como aprendizagem.
Pois é, encarei as dificuldades com minha esposa e resolvemos sair de Conquista para Goiás até Anápolis em nosso “corsinha” ano 2008, que nunca nos deixou na mão, mas, como diz o ditado, sempre existe a primeira vez. Saímos de Vitória da Conquista logo cedo na última sexta-feira, dia 15/03, bem animados e ansiosos para abraçarmos as novidades. Pegar a estrada é sempre uma renovação!
Ia tudo bem e já planejando o local de pernoitar (em Rosário, divisa da Bahia com Goiás) para seguirmos até o nosso destino final. Acontece que entre Caetité e Igaporã, o motor do carro esquentou – ainda bem que, ao trancos e barrancos chegamos na cidade – e a primeira providência foi procurar uma oficina. Ainda era umas 11 horas da manhã. Ainda tinha muito chão para cortar.
Cheios de bagagens (dez no total) decidimos seguir em frente e pegamos um ônibus por volta das 18h30min da “Bahia Central” (Companhia da Novo Horizonte) até Brasília. Falei que nunca iria utilizar esta empresa por causa da sua folha corrida complicada em termos de acidentes. Queimei a língua!
Imaginem uma noite de sofrimento num carro desconfortável de poltronas duras e nos solavancos de lá e pra cá, sem conseguir dormir! Lembrei da viagem que fiz de trem da fronteira da França para Lisboa, em Portugal. Uma noite de estrangeirada onde um casal de jovens perturbava e ainda veio a polícia me acordar na madrugada para revistar meu passaporte.
Tive que controlar meu psicológico para no final chegar a Anápolis (meu filho foi me pegar em Brasília) no outro dia às 11 horas. Chegamos aos cacos, mas fui logo tomando uma gelada para esfriar a cuca. Com todos exageros possíveis, foi uma viagem hercúlea, mas valeu a pena.
Venci mares e terras, monstros e anjos. Foi como se tivéssemos vencido uma batalha. Agora é só comemorar a vitória, pensei com meus botões. À noite, tomamos um vinho e ainda tive que “amargar” a desclassificação do Fluminense para o urubu do Flamengo. Coisas da vida e do futebol.
No entanto, o melhor estava por vir quando no domingo, já mais descansado, fomos à velha cidade de Pirenópolis. Alguma coisa semelhante com uma cidade dos Pirineus, na Europa, de clima agradável (neste tempo muito calor e chuva), montanhas com matas exuberantes, antigos casarões, cachoeiras em abundância e um dedo de prosa de histórias interessantes com um velho repórter da Manchete, agora comerciante de um estabelecimento de cachaças.
Conversamos até sobre as loucuras do fotógrafo Gervásio, as tiradas e as arbitrariedades do coronel governador Antônio Carlos Magalhães, a ditadura civil militar de 1964 e como os jornalistas tinham que se virar para levar uma boa matéria para a redação de uma forma que não fosse preso. O pessoal (Vandilza, meu filho Caio, sua esposa Larrisa e o menino Samuel) me apressava, mas o papo não terminava entre uma conversa e uma cachacinha da boa.
Muita coincidência! Talvez fatos do destino para começar a enriquecer minha viagem, fazer esquecer o outro dia e renovar as energias para curtir a cultura e o patrimônio arquitetônico colonial da nossa Pirenópolis goiana, terra muito conhecida no Brasil pelos grandes nomes da música sertaneja.
Em seu destaque, como em toda cidade histórica, conhecemos a Igreja do Rosário, fundada por portugueses, e tive o prazer de papear com aquela gente cordial e hospitaleira que sabe receber bem o turista. Por si só, as fotos que cliquei da minha Nikon dizem tudo.
Pirenópolis foi um dos primeiros municípios de Goiás. Foi criado com o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte pelo minerador português Manoel Rodrigues Tomar, ou Tomás, de acordo com alguns historiadores.
A cidade foi fundada como um pequeno arraial, em 1727, por Manoel Rodrigues, chefe de um grupo de garimpeiros. Ela é hoje apelidada carinhosamente de “Piri” pelos turistas. Sobressaiu-se como o berço da imprensa em Goiás através do seu primeiro jornal denominado de Matutina Meiapontense.
Em Pirenópolis acontece todos os anos, 45 dias após a Páscoa, a popular festa do Divino Espírito Santo envolvendo cavalos montados (famosas cavalhadas). Sua economia é baseada no turismo, no artesanato e na extração de pedras que leva o seu nome. A cidade foi tombada como patrimônio nacional, em 1989.
DIA MUNICIPAL DA CULTURA
NOSSA CULTURA ANDA TÃO ABANDONADA (DIZEM QUE FOI SEPULTADA EM CONQUISTA) QUE NEM O PODER PÚBLICO E A NOSSA MÍDIA LOCAL (ESQUECEU DA SUA ALDEIA) AO MENOS CITARAM O SEU DIA. TRISTEZA! PASSOU E NINGUÉM VIU. A NOSSA CULTURA ESTÁ NUA!
Infelizmente, poucos têm conhecimento porque também não é lembrado pelas instituições e a mídia em geral, mas todo 14 de março do ano é o Dia Municipal da Cultura de Vitoria da Conquista, instituído pela lei número 1.367/2006, e assinada pelo então prefeito José Raimundo Fontes. Como está a nossa cultura, nada a comemorar.
A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, com base na lei, concede medalha de Mérito Glauber Rocha a homenageados indicados pelo Conselho Municipal de Cultura, em sessão solene marcada pela Mesa Diretora. Na ocasião, a data é comemorada pelos parlamentares, artistas e pela plenária. Pelo menos deveria.
Nas homenagens ao Dia Municipal da Cultura, é bom que se faça uma reflexão sobre o que é cultura, principalmente nesses tempos tão difíceis no âmbito municipal onde a nossa cultura não tem o lugar de destaque que merece pelo poder executivo. Estamos destruindo o que ainda resta. Outra indagação a ser feita é sobre como vai nossa cultura em Vitória da Conquista e o que se pode fazer para melhorar.
O que se tem feito ainda deixa muito a desejar, especialmente em relação a Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com quase 400 mil habitantes, que já foi celeiro de grandes artistas e pensadores. Não é que atualmente não existam grandes talentos, mas as nossas expressões artísticas não têm recebido o apoio merecido dos poderes públicos.
Os recursos têm sido escassos, e os governantes, infelizmente, têm colocado a cultura apenas como um jarro de decoração em suas mesas. Talvez entendam que não rende voto e alocam poucas verbas para o setor. Os artistas em geral vivem a mendigar para realizar seus projetos.
Temos muita luta pela frente para que Conquista volte à sua efervescência cultural dos anos 50, 60 e 70. Gostaria de lembra aqui que o Conselho Municipal de Cultura anterior (2021/23) empreendeu uma grande luta no sentido de criar o Plano Municipal de Cultura e instituir a Fundação Cultural. Esse Plano iria ditar as diretrizes políticas para resgatar a nossa cultura. Mais uma vez, o projeto foi emperrado pelo poder executivo que não deu o suporte necessário para sua concretização.
Neste dia não temos muito a comemorar quando há anos três equipamentos culturais – o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha – continuam fechados e sem data para serem reabertos. Com isso, os artistas conquistenses, abrangendo todas as linguagens, estão sem espaço para realizar seus ensaios e apresentações de seus trabalhos, prejudicando, principalmente, o teatro, a literatura, a dança e a música.
DIA DA POESIA
O dia 14 de março é comemorativo ao nascimento do cineasta Glauber Rocha e lembra também o nascimento de poeta Castro Alves, há 176 anos. Por isso também, o 14 de março é o Dia da Poesia, uma linguagem que é fonte de vida, mas desprezada, especialmente pelos nossos jovens em geral.
Como todos sabem, Castro Alves dedicou suas poesias às questões sociais e foi um grande defensor da libertação dos escravos. Um abolicionista que abriu portas para outros intelectuais lutarem pelo fim da escravidão no Brasil.
“A ÁGUA LAVA TUDO”
(Chico Ribeiro Neto)
– Você quer saber de uma coisa? Vá tomar banho!
Não sei porque algumas pessoas lhe xingam com essa frase. Eu, por exemplo, adoro tomar banho. Um banho frio de manhã, lavando a cabeça, revigora a gente, a alma e a mente. Quantas decisões a gente só toma depois de um bom banho? “Banho é um remédio”, sempre disse Dona Geralda, de Caculé, Bahia.
Quem não gosta de tomar banho, em geral, são as crianças. O menino está com o “colar” de sujeira no pescoço e tenta enganar a mãe dizendo que já tomou banho.
Konstantin Stanislavski, famoso ator e diretor russo (viveu em Moscou entre 1863 e 1938), foi criador de um famoso método de interpretação para os atores cujo maior fundamento era este: “A partir da experiência física é gerado um sentimento, e não o oposto”. Ele conta a história de um ator que fazia o papel de um suicida indeciso na janela do décimo andar de um prédio. O ator caminhava até o proscênio (o setor do palco mais perto do espectador) e mostrava aquela cara misto de pavor e indecisão. A interpretação era magistral e o diretor perguntou em que ele pensava naquele momento para fazer tanta cara de medo. “Em banho frio”, respondeu o ator. Ele tinha pavor a banho frio.
Um amigo que foi seminarista me contou que até o banho era fiscalizado. Um fiscal marcava o tempo do lado de fora. Se passasse daqueles minutos ele batia na porta: “Rumbora, anda logo”. O tempo era contado para que o seminarista não cometesse pecado com as próprias mãos.
Lá em casa, quando eu era pequeno e a grana tava curta, minha mãe Cleonice providenciava umas toalhas de saco de aniagem. Comprava os sacos e desmanchava pra fazer uma toalha que não enxugava nada, a gente passava e a água ficava.
Na década de 60 havia no interior um chuveiro de balde, que chegava a pegar 12 litros de água, com uma torneirinha em baixo. Se quisesse banho quente, tinha uma cordinha que fazia descer o chuveiro para você colocar a água morna.
Quando estudante morei numa pensão em que de manhã cedo, no banheiro, tinha um cagando, um escovando o dente e o outro tomando banho, todos na pressa para não perder a primeira aula. Quem quisesse exclusividade no banheiro tinha que acordar às 5 da manhã porque depois das 6 era o corre-corre para chegar a tempo no colégio ou faculdade, e não adiantava fechar a porta que a galera arrombava.
Meu irmão Luiz morou numa pensão no interior em que no banheiro ficava a pedra do sapo. Você tinha que tapar o buraco por onde saía a água e também entrava o sapo. Após o banho, a pedra era retirada para a água escoar.
“Você notou que eu estou tão diferente
Você notou que eu estou tão diferente
A água lava, lava, lava tudo
A água só não lava a língua dessa gente.
Já vieram me contar
Que lhe viram por aí
Em lugar tão diferente
A água lava, lava, lava tudo
A água só não lava a língua dessa gente”. (“A Água Lava Tudo”, marcha de carnaval de Jorge Gonçalves, Paquito e Romeu Gentil, grande sucesso na voz de Emilinha Borba em 1955).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
A SABEDORIA POPULAR DOS DITADOS
Os ditados populares, na sua grande maioria, são de autores anônimos, muitos dos quais de grande valia e certeiros. Outros são polêmicos, contestáveis e controversos. Alguns estão defasados, inadequados para a época e são considerados preconceituosos. Nem são mais usados nos tempos modernos. Suas origens são duvidosas, por mais que os historiadores tenham suas explicações.
No entanto, eles representam o saber e o conhecimento dos mais velhos. É um amontoado de culturas da oralidade. Tem aqueles que os caminhoneiros usam com propriedade no fundo das carrocerias e gente que coloca em seus veículos e imóveis por conta própria, como “Foi Deus quem me deu” ou “Deus é fiel”.
Na realidade, todos deveriam ser objetos de estudos dos acadêmicos, porque, no fundo, são filosóficos e expressões culturais do nosso povo. Tem pensamentos para todos os gostos. Só não me venham como essa de que “a voz do povo é a voz de Deus”. Ridículo e de pessoa sem muita noção do nosso país, sem educação, consciência política e cultura. Não façam isso com seu Deus. Não coloquem a culpa das mazelas Nele. Por exemplo, Deus manda alguém votar errado?
Escarafunchando meus alfarrábios, encontrei alguns ditados e resolvi citá-los para criar uma discussão. Quem tiver os seus que os apresente. O interessante é que cada um tem a sua interpretação e garantem um bom papo numa mesa de bar ou numa roda de conversa, como no sarau. Alguns são até engraçados. Outros considerados politicamente incorretos e até censurados pelos imbecis de carteirinha.
Vamos deixar de papo furado e navegar pelos ditados. O primeiro já é uma pancada, como “Briga de marido e mulher não se mete a colher”. Pela violência contra o sexo feminino, não é mais aceito. A recomendação é que deve se meter sim. O certo hoje seria “Briga de marido e mulher se mete a colher.
– “Touro no terreno alheio é vaca”. Não sei de onde vem esse.
– “Em terra de cego quem tem um olho é rei”. Em minha opinião, acho uma verdade.
– “Amor é como pirulito, começa doce e acaba no palito”. Coisa que dá muito pano para manga.
– “Boca fechada não entra mosca”. É para quem fala demais e diz besteiras, mas não se pode ficar o tempo todo em silêncio. Melhor seria, pense muito antes de falar.
– “Falar é fácil, fazer é difícil”. É uma verdade que serve para os políticos e governantes safados.
– “Tamanho não é documento”. É relativo se for considerar tamanho no sentido de poder. Depende de qual seja o tamanho a que está se referindo.
– “Cão que muito late, não morde”. Cuidado com o cão. Não confie muito nisso.
– “A melhor resposta é aquela que não se dá”. Nem sempre funciona assim. Uma ofensa ou uma idiotice não deve ficar sem resposta.
– “Depois da tempestade vem a bonança”. É um pensar filosófico que dá certo. É só ter esperança, fé e paciência para esperar. Caso de persistência e força de vontade.
– “Quem não sabe rezar xinga a Deus”. Os nossos pais, avós e bisavós já diziam isso.
– “Pão comido não é lembrado”. Isso serve para os ingratos que temos hoje aos montes. Fazemos um favor e recebemos coice.
– “Uma mão lavada, lava a outra”. Tem sentido e pode ser interpretado de várias formas.
– “Periquito que fala muito caga no ninho”. Acontece muito por aí no mundo político e até futebolístico.
– “O pau que nasce torto, morre torto”. Nem sempre. Existe recuperação, mas raras. Todo ser humano tem capacidade de mudar, basta querer.
– “Antes tarde do que nunca”. Acho correto, especialmente quando temos que consertar nossos erros.
– “A esperança é a última que morre”. Quase todos guardam essa em relação ao futuro do nosso Brasil.
– “Quanto mais alto, maior o tombo. Essa me lembra de David e Golias.
– “Quem dar aos pobres, empresta a Deus”. Não acredito muito nisso e me faz lembra das doações e do Bolsa Família que nunca vão mudar o nível social e econômico das pessoas.
– Quem muito dar, acaba pedindo”. Uma lição para o ditado anterior.
– “Quem dar o que tem a pedir vem”. Parecido com o último ditado.
– “Quem empresta não presta”. Isso é útil no momento que se empresta um livro da sua biblioteca. É aquela dor de cabeça para reaver seu livro.
– “Apanhe quantas mulheres quiser, mas mantenha a sua à direita”. Essa é machista e não aconselho ficar repetindo por aí.
– “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Essa frase todos sabem e dizem ter saído da boca de Cristo quando foi questionado sobre os impostos cobrados pelos romanos.
– “Quem rir por último, rir melhor”. Muito usado por aí, inclusive nas discussões sobre futebol ou numa disputa qualquer.
– “Antes um pássaro na mão que dois voando”. Os avarentos e ambiciosos não acreditam e terminam quebrando a cara.
– “Muito vento é sinal de pouca chuva”. Meu pai já dizia isso, mas com essas mudanças climáticas provocadas pelo ser humano, não dá para confiar. E os imprevistos da natureza? –
– “Mais vale um peito na mão que dois no sutiã”. Temeroso falar isso. Pode ser linchado e processado como machista. Ai, “boca fechada não entra mosca”.
– “Quem tem medo de cagar não come”. Quem vai ficar sem comer?
– “Quem não chora não mama”. Têm vários sentidos, mas prefiro aquela em referência a pechinchar na feira ou na compra de um produto, uma negociação qualquer. O negócio é ser persistente no seu pedido.
– “Mais vale um certo que dois duvidosos”. É filosófico e vale refletir nisso.
– Quem com ferro fere com ferro será ferido. Essa é clássica. Tudo que se faz aqui contra o outro, se paga aqui mesmo na terra.
Para não ficar muito longo, nas próximas temos muito mais para polemizar, contestar, concordar e até meditar com os ditados populares e anônimos do nosso dia a dia, se bem que atualmente caíram em desuso.
NO BANCO DA PRAÇA
Toda cidade, seja grande, média ou pequena tem sua praça ou praças, mas existe a principal onde está erguida uma Igreja Católica – catedral, matriz ou capela, neste último caso se for um distrito ou povoado – que nos faz lembrar os tempos antigos e coloniais onde o catolicismo era a religião oficial e representava o povo como autoridade. Às vezes, era o próprio Estado, mas esse é outro assunto.
Não existe praça sem banco ou bancos, seja de madeira, de gesso, cimento ou outro material qualquer, alguns com a propaganda do patrocinador ou benfeitor. Você já observou as pessoas sentadas no banco da praça. Tem o casal de namorados grudados se beijando no maior amor que nem está aí para quem passa. Nos velhos tempos, era um escândalo e uma imoralidade para as famílias mais tradicionais e conservadoras.
No banco da praça senta todo tipo de gente, cada um com seus problemas e dilemas, ou até mesmo para se divertir. Tem o idoso e a idosa, a mãe e a filha, pai e filho que ali ficam para matar o tempo, apreciar as árvores e os pássaros a cantarolar ou contar casos e causos.
Tem o desempregado que depois de um dia de tanto receber não em suas caminhadas com um currículo debaixo do braço dá uma parada para descansar e refletir. Pensa em chegar em casa e ver o mesmo quadro de penúria. Ele questiona a esperança, a fé e até a existência de Deus e do diabo.
No banco da praça tem o mochileiro andarilho que só está ali de passagem procurando um abrigo para passar uns dias e depois seguir seu caminho. Tem o moço ou a moça remoendo suas angústias e mágoas. Tem jovens alegres a prosear. Até estudantes matando aulas. Tem aqueles que até aproveitam para tirar um cochilo no banco da praça. O rapaz com seu traje de mendigo e candango que areia no banco seu corpo cansado, muitas vezes com fome, drogado ou cheio da cachaça.
Cada banco da praça guarda a história e os segredos de alguém, uns jogando conversa fora, outros contando suas aventuras para seus amigos, sempre levando vantagem em tudo. Tem as mentiras de pescador. O banco da praça é como o divã de um psicólogo. Ele ouve tudo e no final dá uma resposta. Até orienta como você deve conduzir sua jornada da vida. Muitas decisões são tomadas num banco da praça, política, social e econômica.
Ah sim, tem aquele espião de chapéu que simula ler um jornal e outro chega como não quer nada para passar as devidas informações de quem está sendo investigado. De soslaio, levanta e leva um pacote ou embrulho, de dinheiro ou documento. Também pode servir para planos de corrupção e subornos. Com a nova tecnologia do celular, tem o viciado que senta no banco da praça para aproveitar a linha da internet e navegar nas redes sociais, fazer suas fofocas e até passar fake-news.
O cronista ou poeta muitas vezes senta no banco da praça para rascunhar seus pensamentos e dali sai até uma obra prima, no formato de um poema, um livro ou um cordel. É um artista do comportamento humano que a tudo observa para traçar suas linhas, de acordo com sua linguagem artística.
No banco da praça de algumas cidades tem até aquela escultura de uma personalidade famosa das artes, da filosofia, da ciência e das invenções, que algum dia foi eternizada pelo seu trabalho. Alguém interessado no saber e no conhecimento senta ao seu lado para trocar umas ideias e pedir uns conselhos. O banco da praça é uma das peças mais importantes de uma cidade, mas poucos se dão conta disso. Não dá para construir uma praça sem banco.
A BURKA SUBSTITUIRÁ O BIQUINI
- Carlos González – jornalista
“Se os evangélicos entrarem na política, o Brasil irá para o fundo do poço. Haverá um enorme retrocesso neste país em todos os sentidos”. A profecia foi feita há 20 anos por Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. O líder trabalhista gaúcho condenou em várias ocasiões a intolerância religiosa, com perseguições aos cultos africanos, que ele atribuía aos neopentecostais: “A falta de cultura é uma coisa séria”.
Dez anos depois, o reverendo Carlos Eduardo Calvani, da Igreja Anglicana, num artigo publicado na imprensa, escreveu que o fundamentalismo evangélico ameaçava a democracia no Brasil.
Entre outras restrições, como o Carnaval, infligidas à população, limitava a liberdade das mulheres: o biquíni seria proibido e obrigatório o uso da burka (vestimenta que cobre todo o corpo, exceto os olhos).
Ameaçado de morte, Calvani abrandou suas declarações. Afirmou que estava se referindo a algumas lideranças evangélicas – citou o bispo Silas Malafaia, – que alimentavam um projeto de tomar o poder no país. Esse desejo de conquista continua mais vivo nos dias de hoje, haja vista a participação de pastores no governo Bolsonaro (2018-2022) e as estratégias que vêm sendo postas em prática através de uma junção perigosa entre fundamentalistas religiosos e políticos ultraconservadores.
Com sua popularidade em baixa, a idade avançada, e emitindo declarações polêmicas, feitas de improviso, quando se acha longe de casa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se apercebe – sua confiança, em termos de segurança, está unicamente depositada na Polícia Federal (PF) – que o inimigo está avançando em todas as frentes em direção ao Palácio do Planalto.
O Superior Tribunal Federal (STF) tem sido o guardião da democracia. No outro lado da Praça dos Três Poderes, deputados da base governista, exceção ao PT, PSOL, PCdoB e PV, “navegam” de acordo com o vento. Recentemente, alguns deles assinaram o pedido de impeachment de Lula.
Na semana passada, lulistas fecharam os olhos para a eleição da deputada Carol de Toni (PL-SC), bolsonarista de raiz, sem um voto contra, para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Câmara. Ex-aluna de Olavo de Carvalho, o guru do bolsonarismo, Carol tem votado contra projetos que trariam benefícios às mulheres, inclusive a equiparação salarial com os homens. Sua prioridade, como declarou, é anistiar os golpistas do 8 de janeiro, certamente o ex-presidente.
Em outra importante Comissão, a de Educação, o PL (o maior partido no Congresso) colocou o mineiro Nikolas Ferreira, desafeto de Lula, a quem chama de ladrão, mesmo quando ocupa a tribuna. Enquanto o deputado Tiririca (PL-SP) atravessou três mandatos sem abrir a boca, Nikolas não tem certeza se a Terra é redonda, plana ou oval.
Enquanto o governo dorme e Lula viaja, nuvens cinzentas estão se formando sobre Brasília. O alerta partiu do Tribunal de Contas da União (TCU): mais de 5 mil criminosos (homicidas, traficantes, assaltantes, etc), fugitivos da Justiça, adquiriram e registraram armas (o pedido de registro teria que ser acompanhado por atestados de bons antecedentes fornecidos pelos órgãos competentes) durante o governo de Jair Bolsonaro. Há poucos dias, a polícia descobriu num apartamento em Campinas 110 armas, granadas de mão e munição; no porto de Santos, a Aduana apreendeu armamento contrabandeado procedente dos Estados Unidos.
Sem explicação
“Não precisa explicar. Eu só queria entender”. O bordão utilizado pelo macaco Sócrates, um dos mais de 300 personagens criados pelo incomparável Jô Soares, colocaria hoje em dúvida a dificuldade da comunidade evangélica no Brasil de justificar o apoio ao Estado de Israel nas ações genocidas contra os palestinos. O judaísmo não reconhece Jesus Cristo como filho de Deus.
Presidente por mais de 40 anos do Rabinato em Congregação Israelita Paulista, Henry Sobel foi um defensor dos direitos humanos no Brasil durante a ditadura militar (1964-1985). Perguntado sobre a importância de Cristo para sua religião, respondeu: “Acreditamos que Jesus foi um grande homem, um grande mestre. Porém não o aceitamos como Messias ou Salvador, pois o judaísmo não reconhece um filho de Deus que se destaca e se eleva acima dos outros seres humanos. A convicção judaica é a de que todos os homens são iguais”.
Evangélico por segundos interesses, Bolsonaro vai pedir permissão ao STF – seu passaporte foi apreendido – para visitar Israel, a convite do primeiro-ministro Benjamin (Bi-Bi) Netanyahu. O motivo não foi explicado. Por trás desse inesperado encontro pode haver um plano para derrubar Lula. Contrariando o capitão expulso do exército, a opinião pública mundial, a qual se juntou o presidente Joe Biden, dos EUA, pede um imediato cessar-fogo. No entanto, existe o receio de que o exército israelense bombardeie a cidade de Rafah, onde há mais de um milhão de refugiados palestinos.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” III
A obra do escritor V. S. Naipaul, nascido na ilha de Trinidad, é um relato de suas viagens por vários países da África, como Uganda, Nigéria, Gana, Costa do Marfim e África do Sul, num estilo de reportagem jornalística onde ele vai narrando detalhes geográficos e históricos pelos lugares visitados (santuários, palácios e cidades) através de diálogos com seus guias e pessoas comuns, chefes de aldeias, babalaôs, sacerdotes, adivinhos e outras personagens.
Ele ouve relatos desses povos que perderam parte de suas culturas tradicionais, seus ritos e ancestralidades com a colonização e a chegada de religiões estrangeiras, principalmente do cristianismo (evangélicos, anglicanos, presbiterianos e católicos) e o islamismo introduzido pelos árabes. Suas viagens ocorreram entre os anos 2008 e 2009 numa África já “moderna”, contaminada pelo progresso.
Vamos prosseguir com a conversa de Naipaul com Adesina, um executivo financeiro, na Nigéria. Sobre um babalaô, Adesina conta que era um homem educado que conheceu a Bíblia e o Corão. “Esse homem me disse que existiam três línguas astrais superiores, o hebraico, o árabe e o iorubá. Se você se aprofundar no Corão vai ver que o Ifá se originou em Meca. Os iorubás são árabes da tribo Yahula”.
Adesina era muito entendido em cálculos, logística e estratégia. Segundo Naipaul, ele era pessimista em todos os aspectos acerca da Nigéria. Falava dos pobres que em alguns distritos bebiam “água de erosão” e de quartos onde dormiam nove pessoas.
De acordo com o escritor, Adesina sentia que agora a Nigéria estava pagando o preço por sua história colonial. “Os franceses quiseram fragmentar a região em setores menores. Os britânicos lidaram conosco de um modo regional. Não existiam nigerianos no centro. Quando vieram não tinham ideia como governar”.
Conta que os missionários nunca tiveram permissão para irem para o norte porque lá era dominado pelos muçulmanos e “todos éramos governados pelo tribalismo”. Cada partido político era regional. Uma forma de democracia parlamentarista britânico aumentou a confusão depois da independência. “Tivemos então a guerra da Biafra e os golpes de Estado. Os presidentes surgiram por acidentes e não estavam preparados”.
Em sua opinião, não existe boom nigeriano, julgado pelo PIB e pela renda do trabalhador subalterno. A maioria gosta de ter seu próprio negócio, mas nas fazendas o que há é agricultura de subsistência. Oitenta por cento da terra não é cultivada. Não é agricultura mecanizada e não têm carne alguma, a não ser coelhos capturados.
Quanto aos políticos, disse que estavam por dinheiro, como em nosso Brasil. Até mesmo a velha religião era arrastada para dentro e esculhambada pelos políticos. Naipaul descreve sobre as favelas de Lagos em sua visita, especialmente num dia de chuva. Os bueiros transbordavam. A enchente tinha limpado as sarjetas, formando uma confusão escura indescritível, acrescentando garrafas de plásticos e outros dejetos. Até parece que ele estava escrevendo sobre as periferias brasileiras.
Naipaul continua descrevendo um cenário degradante de vendedores de comida em meio a enxurradas, prédios encharcados e apodrecendo, esfumaçados como se tivessem fogo lá dentro. “Os vereadores eram acostumados a andar entre os pobres de Lagos, mas julgavam que nada podiam fazer em torno do córrego. As pessoas não gostavam de mandar os filhos para a escola. Preferiam mandá-los para as ruas a fim de vender coisas para aumentar a renda das famílias”.
Segundo um vereador, o islã permite quatro esposas e os católicos não praticam o controle da natalidade, “e o senhor sabe que os nigerianos são um povo muito religioso. Com a explosão populacional vem a apatia”. Pelas estradas várias igrejas de nomes pomposos, como Montanha de Fogo, Igreja Redimida de Deus, Igreja Apostólica de Cristo e tantas outras.
SEM TRIC-TRIC
(Chico Ribeiro Neto)
– Zorra, esse cara é cheio de nove hora pra contar uma história.
– Desembucha de uma vez, meu irmão.
– Porra, esse cara é cheio de trique-trique pra contar um caso.
– Vai contando logo sem porém nem senão, sem tirar nem por.
– Deixa de arrodeio, meu irmão.
– O cara vai contar um caso que aconteceu lá na Ribeira, mas ele começa de Itapuã.
– Ele demora tanto pra contar um caso que seu apelido é Novo Testamento.
– Deixa de “e aí você não sabe o que aconteceu?”
– Deixe as preliminares e vamos logo aos finalmente.
– Nada de quiproquó e lero-lero.
– Esse cara é cheio de teteretê pra contar uma história.
(Quando era repórter e recebia um discurso impresso – sempre cheio de lenga-lenga – ia logo nas últimas 10 ou 20 linhas. Ali estava o que ele queria dizer de importante.)
– Rumbora, meu irmão, conta logo esse caso, avia.
– Deixe o resto pra contar amanhã.
– Zorra, esse cara tem umas piadas compridas da zorra.
– Esse aí fala mais do que a nêga do leite.
– Eu não sou prolixo, é que eu gosto dos detalhes.
– Até no brega ele demora. “Minha senhora, eu preciso romancear primeiro”.
– Quando ele morrer, a lápide vai ter vários anexos.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
ATÉ QUANDO OS JUDEUS VÃO CONTINUAR SEU GENOCÍDIO CONTRA OS PALESTINOS?
“O QUE MAIS PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS VIOLENTOS, NEM DOS CORRUPTOS, NEM DOS DESONESTOS, NEM DOS SEM ÉTICAS. O QUE MAIS PREOCUPA É O SILÊNCIO DOS BONS” – MARTIM LUTHER KING.
Por várias vezes já coloquei este assunto da carnificina na Palestina (Alô meu companheiro Carlos Gonzalez) em pauta em nosso blog e acho que o tema tem que ser debatido diariamente, como forma de repúdio e revolta pelo que vem acontecendo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. São cenas de horror que vão ficar marcadas pelo resto da história.
Aquilo é um holocausto mesmo, como bem expressou o antropólogo e estudioso da história da humanidade Ordep Serpa. Segundo ele, holocausto é uma metáfora para o genocídio. É um tipo de sacrifício tendo como vítima um animal.
Na Uganda antiga de 1840 os reis kabakas Sunna e Mutesa praticavam sacríficos humanos, inclusive em suas coroações. O Mutesa deu um surto, entrou em seu harém e matou mais de 20 mulheres e, para cumprir os rituais ancestrais, todas foram queimadas. É só um exemplo para caracterizar um holocausto. Hitler, na Segunda Guerra Mundial, usou outros métodos contra os judeus que agora estão realizando um holocausto contra os palestinos.
A maioria dos gregos e judeus faziam essas oferendas aos deuses ou a um deus e depois o animal era consumido – destaca o antropólogo. No holocausto, como explicou, a vítima é queimada e se torna cinzas. Holo no grego é todo, inteiro, Kaustos queimado, o que equivale consumar o ato de exterminar a vítima.
Não concordo com determinadas opiniões quando afirmam que não existe nenhuma outra correlação do holocausto judeu com genocídios de guerras, como da Bósnia contra os muçulmanos, no início da década de 90, e o que a Turquia fez contra os armênios, sem falar no holocausto contra os índios na América do Sul pelos espanhóis no final do século XV e início do XVI.
Dentro de toda esta carnificina estarrecedora, que os chefes de Estado (Estados Unidos e Europa) preferem se omitir, é bom que se registre a resistência das mulheres palestinas que se recusaram a permanecer caladas enquanto seu território era colonizado.
São lutadoras e heroínas que devem ser lembradas neste 8 de março dedicado às mulheres. É uma luta por solidariedade contra o extermínio cruel desse povo, onde mais de 70% dos assassinatos são de mulheres e crianças.
A pretexto do que fez o Hamas, em outubro, os judeus também podem ser considerados como bárbaros, termo empregado na história antiga greco-romana, que agora leva a nomenclatura de terroristas. Só mudam os nomes, como holocausto e genocídio.



























