Toda cidade, seja grande, média ou pequena tem sua praça ou praças, mas existe a principal onde está erguida uma Igreja Católica – catedral, matriz ou capela, neste último caso se for um distrito ou povoado – que nos faz lembrar os tempos antigos e coloniais onde o catolicismo era a religião oficial e representava o povo como autoridade. Às vezes, era o próprio Estado, mas esse é outro assunto.

Não existe praça sem banco ou bancos, seja de madeira, de gesso, cimento ou outro material qualquer, alguns com a propaganda do patrocinador ou benfeitor. Você já observou as pessoas sentadas no banco da praça. Tem o casal de namorados grudados se beijando no maior amor que nem está aí para quem passa. Nos velhos tempos, era um escândalo e uma imoralidade para as famílias mais tradicionais e conservadoras.

No banco da praça senta todo tipo de gente, cada um com seus problemas e dilemas, ou até mesmo para se divertir. Tem o idoso e a idosa, a mãe e a filha, pai e filho que ali ficam para matar o tempo, apreciar as árvores e os pássaros a cantarolar ou contar casos e causos.

Tem o desempregado que depois de um dia de tanto receber não em suas caminhadas com um currículo debaixo do braço dá uma parada para descansar e refletir. Pensa em chegar em casa e ver o mesmo quadro de penúria. Ele questiona a esperança, a fé e até a existência de Deus e do diabo.

No banco da praça tem o mochileiro andarilho que só está ali de passagem procurando um abrigo para passar uns dias e depois seguir seu caminho. Tem o moço ou a moça remoendo suas angústias e mágoas. Tem jovens alegres a prosear. Até estudantes matando aulas. Tem aqueles que até aproveitam para tirar um cochilo no banco da praça. O rapaz com seu traje de mendigo e candango que areia no banco seu corpo cansado, muitas vezes com fome, drogado ou cheio da cachaça.

Cada banco da praça guarda a história e os segredos de alguém, uns jogando conversa fora, outros contando suas aventuras para seus amigos, sempre levando vantagem em tudo. Tem as mentiras de pescador. O banco da praça é como o divã de um psicólogo.  Ele ouve tudo e no final dá uma resposta. Até orienta como você deve conduzir sua jornada da vida. Muitas decisões são tomadas num banco da praça, política, social e econômica.

Ah sim, tem aquele espião de chapéu que simula ler um jornal e outro chega como não quer nada para passar as devidas informações de quem está sendo investigado. De soslaio, levanta e leva um pacote ou embrulho, de dinheiro ou documento. Também pode servir para planos de corrupção e subornos. Com a nova tecnologia do celular, tem o viciado que senta no banco da praça para aproveitar a linha da internet e navegar nas redes sociais, fazer suas fofocas e até passar fake-news.

O cronista ou poeta muitas vezes senta no banco da praça para rascunhar seus pensamentos e dali sai até uma obra prima, no formato de um poema, um livro ou um cordel. É um artista do comportamento humano que a tudo observa para traçar suas linhas, de acordo com sua linguagem artística.

No banco da praça de algumas cidades tem até aquela escultura de uma personalidade famosa das artes, da filosofia, da ciência e das invenções, que algum dia foi eternizada pelo seu trabalho. Alguém interessado no saber e no conhecimento senta ao seu lado para trocar umas ideias e pedir uns conselhos. O banco da praça é uma das peças mais importantes de uma cidade, mas poucos se dão conta disso. Não dá para construir uma praça sem banco.