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:: ‘Notícias’

O MEDO, A ALEGRIA E A TRISTEZA

Nós seres humanos de um modo geral temos medo de termos medo. Muitos evitam encarar a realidade e preferem viver como se estivessem num mar de rosas e se escondem atrás de uma máscara, tentando preencher as feridas com os “encantos” do superficial capital. Somos atraídos, na maioria das vezes, pelo canto da sereia.

O medo nos ronda, faz parte da vida, como aquele leão que temos que matar a cada dia. Nosso medo é interno, espiritual, e externo, principalmente nos tempos atuais de tanta violência, golpes virtuais e presenciais. Temos medo de confiar, de amar, de mudar, de acolher o outro e até de partir para outra dimensão. Temos medo de encontrar uma pedra no meio do caminho.

Além do medo, temos nossas alegrias e tristezas que também fazem parte das nossas vidas, só que destas últimas procuramos fugir e até não se relacionar com o outro “semelhante” quando está triste porque achamos que a pessoas assim é uma carga negativa, até uma ameaça ao nosso bem-estar. Não queremos ouvir e escutar seus motivos. Aquele cara lamenta demais! Dizem que a alegria e a tristeza são um estado de espírito. Não sei decifrar isso muito bem , ou digerir.

– Lá vem aquele chato falar de seus problemas – apontamos logo o dedo em riste. Só aturamos as pessoas alegres? Muita gente não gosta, por exemplo, de ler e ouvir um poema intimista e triste. “Seu poema fala de tristeza”. E daí? A melancolia está em todos nós, só que fingimos não a ter, mas não adianta. Vislumbrar a realidade não é ser pessimista.

Os profetas do Antigo Testamento deveriam ser insuportáveis para os reis guerreiros, como o Davi e Salomão. Mesmo assim, eram convidados como conselheiros e até adivinhavam sonhos. Chamam o Jeremias de profeta das lamentações.

Quantas vezes estamos numa festa, alegre por fora e triste por dentro, mas temos que disfarçar! Quando chegamos em casa, em nosso lar, tudo volta, às vezes com força maior. Fulano hoje está calado e diferente. Oh, temos que estar alegres durante todo tempo?

O ser de hoje procura ser forte, mesmo sendo frágil, e só nos superamos quando dialogamos cara a cara com a fraqueza. Uns são extrovertidos, outros introvertidos. O fechado que procura não se abrir porque tem receio de ser julgado, sobre bem mais.

Nem sei explicar muito bem porque hoje estou assim falando de medo, alegria e tristeza. Amanhã é outro dia de mais medos, alegrias e tristezas. Somos uma carga de mistérios e não nos conhecemos a nós mesmos, nem para onde vamos. Muitas vezes nos agarramos aos pensadores como âncoras da vida, mas nem tudo que reluz é ouro.

 

O CENTENÁRIO DE JOSÉ PEDRAL

Uma data que não pode passar em branco em Vitória da Conquista. No dia 12 de setembro de 1925 nascia José Fernandes Pedral Sampaio que, se vivo fosse, estaria completando 100 anos. Por três vezes prefeito, Pedral foi um divisor de águas e um marco na história administrativa, econômica, social e política de Conquista.

Nasceu na casa do seu avô “coronel” Gugé e, aos sete anos, foi estudar em Santo Antônio de Jesus. De lá partiu para Salvador onde fez a Faculdade de Engenharia Civil, na Universidade Federal da Bahia. Ainda jovem, com novos ideais contrários às suas origens oligarcas, retornou à sua terra natal e se candidatou a prefeito, em 1958, perdendo as eleições.

Em 1962, porém, se elegeu ao cargo aos 37 anos como o mais jovem prefeito. Não quis o destino que completasse o seu mandato porque se deparou com uma pedra no meio do seu caminho, no caso a ditadura-civil-militar de 1964, que cassou o seu mandato em seis de maio daquele ano.

Mesmo assim, nesse curto período, Pedral colocou em prática seus ideais socialistas, erguendo obras que beneficiaram os mais pobres, como o serviço de drenagem de escoamento das águas no Bairro Jurema que sempre sofria com os alagamentos em épocas de chuvas.

O mais novo prefeito apoiou as reformas de base defendidas pelo Governo Jango que, por seu intermédio, chegou a visitar Conquista, em 1963. Sua intenção maior era trazer muitos benefícios para o município, como uma barragem de abastecimento de água. Por se colocar ao lado de um governo federal que já era alvo de um golpe militar, pagou um alto preço.

Em seis de maio de 1964, as tropas militares do capitão Bendock invadiram a cidade e Pedral foi um dos primeiros presos políticos porque o novo regime o considerava subversivo e comunista. Nesse mesmo dia, na base da força, foi deposto de forma ilegítima. Logo depois ele teve seus direitos políticos cassados por 20 anos.

Nos bastidores, Pedral soube conduzir os avanços da cidade idealizando obras, como na área do saneamento básico, que depois vieram colocar Conquista como a terceira maior cidade da Bahia. No meado dos anos 80 foi novamente eleito pelo povo e depois secretário de Transportes do Estado durante a gestão do governador Waldir Pires.

Seu terceiro mandato se deu em meados dos anos 90, mas não foi bem-sucedido porque não contou com o apoio do Governo do Estado e alguns de seus secretários mancharam sua imagem de grande administrador e político sério e honesto.

Apesar de todas as dificuldades, Pedral deixou sua marca com obras estruturantes, como o Viaduto do Guarani, o Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas, a Ceasa, dentro outras de grande porte, sempre com uma visão futurística, resolvendo, antecipadamente, os problemas de Conquista.

Como jornalista, não poupei críticas, mas sempre respeitou a democracia e não foi meu algoz. Fez suas ponderações e queixas, como em sua entrevista a mim concedida durante a elaboração do livro “Uma Conquista Cassada – cerco e fuzil na cidade do frio”, última obra lida por ele aos 89 anos no leito de morte.

Nesse centenário dos 100 anos, Pedral continuará sempre lembrado pelas antigas e novas gerações por ter deixado um grande legado para Vitória da Conquista, principalmente como um político ético, sério, honesto e honrado, predicados estes escassos nos tempos de hoje.

UM LUGAR PRA CHORAR

(Chico Ribeiro Neto)

Quando eu morava na casa 33 da Ladeira dos Aflitos tinha um quintal que dava vista pra Baía de Todos os Santos. Havia um pequeno muro, uma grade e lá embaixo a baía, onde eu depositava minhas notas baixas e minhas tristezas. Às vezes chorava. Era bonito, no São João, ver os balões caindo no mar.

O que é que você faz quando está triste? Minha amiga Regina, de saudosa memória, chutava pedras na rua.

Tá triste? Faça tudo, menos ficar parado. Vá caminhar, lavar roupa, varrer a casa, molhar as plantas, ler, ouvir música. Rasgar papel também serve. Puxar os cabelos é outra opção.

Uns compram rosas, outros dormem ou tomam remédio. Outros escrevem.

“Entupa”, dizia meu pai Waldemar depois de me dar uns tabefes. Não sei porque alguns pais e mães (naquele tempo e até hoje) têm mania de mandar o filho engolir o choro.

Tem gente que chora fazendo “buá-buá”, bem alto, e tem gente que chora pra dentro, mal pinga uma lágrima.

Fico pensando que em cada cidade deveria haver um Chorador público, onde você não precisava pagar pra chorar. Poderia se chamar também de Choradouro ou Choródromo. Não sei como seriam as instalações, mas deveria ter plantas e silêncio. Um Chorador público, onde o político derrotado poderia derramar suas mágoas em vez de ficar planejando dar um golpe. Seria um lugar acolhedor também para a torcida do Vitória.

Logo, logo, as imobiliárias vão implantar choradouros na Linha Verde e na ilha de Itaparica, com sofisticadas instalações e o cartaz: “Aqui você chora em paz e em segurança”. Entre outras novidades, haverá ombros criados pela IA.

Vai um trecho do magistral samba “Não Tenho Lágrimas”, de Milton de Oliveira e Max Bulhões:

“Quero chorar

Não tenho lágrimas

Que me rolem nas faces

Pra me socorrer

Se eu chorasse

Talvez desabafasse

O que sinto no peito

E não posso dizer (…)”

 

Deixe esse papo maneiro

O melhor lugar pra chorar

Ainda é o travesseiro.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

A DUPLICAÇÃO DA RIO-BAHIA É UMA NOVELA DO FIM DO MUNDO

A duplicação da Rio-Bahia (BR-116), a estrada mais criminosa do Brasil, principalmente no trecho que corta e região de Vitória da Conquista, virou uma novela do fim do mundo. Sempre aparecem historias escabrosas, enquanto acidentes matam pessoas diariamente.

Um desses capítulos indigestos de vilões sinistros manipuladores capitalistas, que durou anos no ar, foi a Via Bahia que encheu sacos de dinheiro dos usuários e depois deu uma banana para os governantes e toda sociedade. Ela foi cínica nesta terra onde a lei não é respeitada e ainda levou um bom quinhão na parte que não lhe cabia. Noutro país, seus dirigentes estariam na cadeia.

Agora a dramaturgia insensata e trágica está nos apresentando a aprovação – não dá para acreditar mais em nada – do projeto da nova concessão, com uma moldagem, segundo se fala, com novidades e inovações. Tenha medo desses termos. Uma delas seria acabar com a cobrança de pedágios.

Parece um “samba do crioulo doido” porque antes foi anunciado que iriam implantar pedágios de 50 a 50 quilômetros, um absurdo dos absurdos para os que nela transitam. Agora é o governo federal, através do Denit e da ATT – Agência de Transportes Terrestres que segue escrevendo essa novela macabra carregada de sangue e lágrimas.

Estão por aí anunciando que vão instalar o “Free flow” (vamos no português gente!), que significa fluxo livre. Explicam que, através de câmaras, faz-se a leitura das placas dos veículos e a cobrança vai para o endereço do proprietário. Deu para entender? Isso não vai dar certo. Vai ter muitos questionamentos na justiça.

Pois é, ao invés de simplificar, querem é complicar. O certo seria não cobrar nada porque o contribuindo já está arrochado de impostos e taxas. A informação que se tem é que também existem outras inovações planejadas, mas não se sabe quais. No Brasil, quase nada é planejado. É tudo na base do improviso.

De acordo com o empresário José Maria, do Movimento Empresarial Conquista, uma das novidades que está prevista não é a duplicação tão esperada, mas sim o aumento de capacidade. Significa que haverá alargamento da pista existente, permitindo que ônibus, carretas e veículos lentos trafeguem pela faixa direita, concedendo fluidez no trânsito.

Está vendo aí? Tudo não passa de enrolação, conversa para “boi dormir”, coisa para “inglês ver”. Aqui no Brasil, as coisas só se resolvem na tora ou no grito. Na prática, essa ideia pouco funciona. Vai ser um tal de invadir faixa!

De acordo com Zé Maria, esse termo de aumento de capacidade poderá ser segunda faixa, ou faixa adicional e até duplicação. Durmam com um barulho desse! É uma mistura de alhos com bugalhos, coisa de arremedo, tapar buraco de barco velho.

“ Cremos que, apesar da demora, tivemos avanços”. Que avanços, meu caro Zé Maria? Todo dia morre gente nessa Rio-Bahia! “O mais importante foi a saída da Via Bahia. Outro foi a perspectiva das melhorias projetadas. Agora vamos aguardar o Tribunal de Contas da União dar o seu parecer. Estamos num momento de mobilizar a sociedade para publicação do edital”.

Até quando vão abusar da nossa paciência, oh Catilina!. Vamos chamar o romano Cícero, “doutor” na oratória, para colocar ordem nessa casa, ou ressuscitar o imperador Júlio César para resolver de vez essa questão, na base do vai ou racha. Cadê a mobilização da sociedade?

Zé Maria ainda desabafa que “temos suplicado – não temos que suplicar e se humilhar – pelas faixas adicionais e segundas faixas no trecho de Belo Campo até Planalto, mas o pedido não ecoa. Só vai ecoar quando se decidir fechar pistas, com pneus, paus e fogo.

Na verdade, o ponto crítico dessa BR, na Bahia, começa em Milagres e termina em Cândido Salles onde se registra acidentes quase todos os dias. Para rodar nesse trecho é preciso ter muita perícia e nervos de aço. No mais é tomar um banho de descarrego ou se benzer com um pastor ou um padre. Quem sabe o Papa não resolva esse problema!

Temos ainda a questão vergonhosa que nunca é solucionada. Trata-se do Anel Viário de Conquista, sem viadutos e passarelas. Tormento é pouca coisa para definir a situação caótica. Vamos logo no popular: O que temos é um Anel sanguinário matador.

 

QUANDO SE MORRE…

É raro, mas vez por outra acontecem xingamentos e vexames em velórios e enterros quando se morre. Predominam o silêncio e a voz baixa, do cochicho no “pé de orelha”. Cada um faz rasgos de elogios ao falecido, mesmo que ele não tenha sido gente boa em vida. Tem os que vão de óculos escuros, inclusive à noite, para passar a impressão de pesar e sentimento de que até chorou.

– Este peste cafajeste morreu tarde! Olha aí esse bando de amantes bandidas, vagabundas e putas chorando em seu caixão! Nunca prestou, só vivia nos botecos e não se importava para os filhos. Me deixou à mingua. Vale a vingança afiada até na morte.

Este é o brado de uma senhora dona de casa que “rodou a baiana” e descarregou sua mágoa no ato da despedida finita do marido irresponsável. São coisas que acontecem mais nas classes baixas. Entre os ricaços, tudo é hipocrisia e os podres não aparecem, são levados para debaixo do chão.

Existe também aquela hilária cena do bêbado que entra no velório e faz o maior escarcéu contra o defunto? Mas também tem os parceiros das cachaças que abraçam o caixão e revelam segredos do “arco da velha” que todo mundo fica passado de vergonha. Uma decepção para os parentes, “amigos” e familiares. Aí, meu camarada, as fofocas se espalham pelas redondezas.

Tem aquele agiota ou credor que aparece com uma bolsa do lado e vai logo na maior cara de pau cobrando a dívida do morto. Abre os papéis de recibos e promissórias (ainda existem?) e mostra para o cônjuge e filhos. Coisa de louco no mundo do capital onde o dinheiro é o deus supremo!

Quando o sujeito é tão miserável e perverso, como os “coronéis” da antiga, rejeitado por todos, os filhos ou a esposa contratavam e ainda contratam as carpinteiras para chorar a noite inteira pela alma do facínora que “bateu as botas”. Elas ficam secas por dentro de tanto derramar suas lágrimas, mas ganham uns trocados para comprar um pedaço de pão.

Pelas brenhas do sertão nordestino já teve caso de se deixar o caixão do defunto na estrada antes de se chegar ao cemitério porque o indivíduo não prestava e tinha muitos inimigos. Na estrada para o cemitério, os caras dão uma parada e sentam no caixão para tomar umas pingas pelo defunto.

-“Vamos deixar esse “cabra” aqui mesmo na encruzilhada, compadre. Ele não mercê nossa consideração. Quem quiser que leve até o final do seu caminho. Esse indivíduo avarento sempre foi uma mão de vaca e ranzinza.

No cangaço, os chefes cangaceiros costumavam matar soldados “macacos” e desafetos e ordenar que os corpos não fossem enterrados. Ai de quem ousasse fazer o contrário! Na ditadura esquartejavam e desapareciam com os corpos dos presos políticos.

Tem o velório e a morte do pobre, do rico, do bandido, do poderoso político, do chefe de Estado e das celebridades famosas no mundo das artes que são diferentes uns dos outros, uma prova de que as desigualdades sociais não existem somente durante a vida.

As desigualdades profundas estão escancaradas até nos nos cemitérios das covas rasas de uma só cruz enterrada na terra e dos túmulos cimentados.  Lembra o poeta João Cabral de Melo Neto, com seu poema “Morte e Vida Severina”. Ele conta a história do retirante e possui um trecho sobre o funeral de um lavrador, onde descreve uma “Cova grande/ Para teu defunto parco”.

Cemitério de rico é cheio de obras de artes de pedras preciosas, de mármores, granitos e decorações. As chamadas “carneiras” são grandes e sofisticadas com gavetas para abrigar toda família. Tem locais que se transformam em visitação turística.

Quem tem interesse em conhecer um cemitério de desvalidos e excluídos da sociedade? Pobre quando morre é mais um número que se vai.  Em alguns locais o mato toma conta e se tornam pastagens de animais.

Coisa é quando parte um famoso ou famosa. Lá vêm os depoimentos cheios de chavões, adjetivos e superlativos, de inconfundível na sua maneira de ser, de coração bondoso, generosíssimo, de só vivia de bem com a vida, só sorrisos e alegria, insubstituível e por aí vão os falatórios de sempre.

A pessoa de projeção parece perfeita e santa, sem defeitos e ruindades quando morre. Vai todo mundo para o céu e nem passa pelo purgatório. Nada de inferno. Uns vão festejar no além, contar causos e piadas, fazer cantorias e rodas de conversas. Outros intelectuais, escritores e poetas vão discursar, travar debates acadêmicos, escrever e poetar.

No Brasil existe o costume ou a cultura de somente se prestar homenagem à pessoa depois de morta. Enquanto viva, é um simples esquecido, mesmo que só pratique o bem e seja um lutador das boas causas. Quando se morre lá vem gente querendo levantar estátuas, fazer homenagens com moções de aplausos e títulos. Aparecem mais mentiras que verdades quando se morre…

 

 

CÂMARA DISCUTE EDUCAÇÃO

Na pauta da sessão desta quarta-feira (dia 10/09/2025) da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista estarão em discussão processos enviados pelo poder executivo, como o Prêmio Educação Conquista, mudanças no Estatuto e Plano de Carreira do Magistério, bem como a criação da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social.

Da parte do legislativo, os parlamentares vão debater diversos assuntos, tais como penalidades para quem usar bonecas reborn para obter benefícios previdenciários, dentre outros programas públicos, o Programa “Ruas do Lazer”, o incentivo à prática de atividades físicas com o “Conquista em Movimento” e o Programa de Empreendedorismo Sustentável de Conquista.

Na ocasião, a Câmara também vai apreciar a concessão de títulos de cidadão conquistense. Os trabalhos devem ser abertos por volta das nove horas da manhã pelo presidente da Mesa Diretora, Ivan Cordeiro. Espera-se que os conquistenses participem em maior quantidade de número das sessões do legislativo municipal porque são de matérias do interesse de toda comunidade.

 

O SARAU NA ESTRADA

PRAÇA BARÃO DO RIO BRANCO 

O Sarau A Estrada vai literalmente colocar o pé na estrada e realizar seu primeiro evento no dia 3 de outubro próximo, na Praça Barão do Rio Branco, às 16h30min, para reivindicar do poder público que a cultura seja ouvida e tratada como deve ser, como arte de expressão legítima do nosso povo. Vamos dizer que cultura também é vida, como o ar que respiramos.

Essa decisão de sairmos do nosso ambiente e irmos ao encontro do povo, como disse Milton Nascimento, “ o artista tem que ir a onde o povo está”, foi tomada na nossa reunião extraordinária do último sábado, seis de setembro, com um discurso alinhado de que queremos uma política cultural para Vitória da Conquista.

Do encontro participaram a professora Deisy, do Movimenta Cultura Conquista, do professor e artista Herberson Sonkha, jornalista e historiador Fábio Serna, estudiosa do tropeirismo Maris Stella, professor Itamar Aguiar, Dernival, professora Vandilza Silva Gonçalves, professora e poetisa Viviane Gama, da presidente da Comissão do Sarau, Cleu Flor, poeta Dal Farias e do jornalista e escritor Jeremias Macário.

O Sarau na Estrada é, portanto, um movimento integrado e que convida todos artistas, abrangendo todas linguagens, intelectuais, estudantes, professores, trabalhadores, jovens e, principalmente, toda sociedade a se fazerem presentes neste ato, unindo forças no sentido de que a cultura seja revitalizada em nossa cidade.

“Temos Fome de Cultura”, assim clama o Movimenta Cultura Conquista que já apresentou, no início do ano, um documento ao poder executivo, incluindo a Secretaria de Cultura, com quatro mil assinaturas, contendo todas as reivindicações do setor.

Ocorre que esse documento, elaborado com muita luta e sacrifício pelos seus membros e outros colaboradores, simplesmente foi engavetado e não teve resposta, o que significa que a administração preferiu não abrir o diálogo com os artistas. Em resumo, até hoje, tivemos o silêncio como resposta. O Movimenta promove a valorização de diferentes culturas e combate o preconceito.

Qual a importância da Cultura? É uma indagação aberta pelo Movimenta, respondendo, em seguida, que amplia horizontes, estimula a criatividade das pessoas, promove o aprendizado, gera empregos e impulsiona setores como o turismo, entretenimento e o artesanato.

Dessa forma, todos integrados num mesmo propósito, vamos à Praça Barão do Rio Branco, no dia 3 de outubro, apresentar, entre outras reivindicações, a reforma e a abertura dos equipamentos culturais Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha que há anos se encontram fechados.

Queremos que essas portas sejam abertas já, para que os artistas em geral tenham espaços livres para realizarem seus ensaios, seus projetos e apresentarem seus espetáculos ao público. Queremos a revitalização da nossa cultura.

Essa é uma reivindicação mais urgente, mas temos outras que irão fortalecer a nossa cultura, como a criação do Plano Municipal de Cultura com sua Fundação Cultural ou uma empresa para administrar as atividades do setor, como o audiovisual, o cinema, o teatro, a literatura, a dança, a música, dentre outras.

Também queremos a preservação e conservação do patrimônio arquitetônico da cidade, que o Conselho Municipal de Cultura seja respeitado e tenha voz, que seja criada a Casa dos Conselhos, realização de festivais de música, artes plásticas e feiras literárias.

A nossa pauta é um direito, não somente dos artistas, mas de toda comunidade, tanto que pedimos ainda a criação de núcleos culturais nos bairros, de modo que nossas tradições sejam mantidas e cultivadas, sendo de fundamental importância o apoio aos nossos jovens talentos.

É bom que fique claro para todos segmentos da sociedade que as nossas reivindicações são suprapartidárias. Queremos tão somente que se abram os investimentos e os recursos para que seja implantada uma política cultural séria e sólida em Vitória da Conquista. O nosso clamor é pela revitalização da nossa cultura.

INDEPENDÊNCIA COM SANGUE

Nas escolas primárias aprendemos que a Independência do Brasil se deu com o Grito do Ipiranga, de D. Pedro I, de “Independência ou Morte”. O ato em si foi utilizado para criação de deboches e piadas. No entanto, como em todos os países do mundo, a independência aconteceu com lutas e derramamento de sangue.

A ideia de independência começou lá pelo século XVIII com os movimentos revolucionários, com os levantes e as rebeliões e se consumou no século XIX, em 1822, mas ainda encareceu de batalhas sangrentas na Bahia, no Piauí, Maranhão e Grã-Pará, para expulsar de vez os portugueses do território, em 1823.

Até mesmo antes do Grito do Ipiranga, tudo já vinha sendo tramado através de cartas, documentos e planejamentos, tendo como um dos cabeças o patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada.

Nesta data, como em Vitória da Conquista, todas as cidades celebram o Sete de Setembro com a participação do povo, mas, infelizmente, tem servido de palco para os políticos se projetarem e pedirem votos, mesmo que seja de forma indireta.

Em Conquista, fizeram parte das comemorações, as polícias militares e civil, o Corpo de Bombeiros, as escolas públicas e privadas com suas tradicionais fanfarras, os movimentos de mulheres, de negros, índios e a turma dos excluídos com suas reivindicações.

Por falar nisso, quase toda população brasileira ainda é excluída de seus direitos constitucionais, como à saúde e à educação, principalmente. A nossa democracia ainda é relativa, tanto que a nossa liberdade e a nossa soberania sempre vivem ameaçadas no âmbito interno e externo. O processo de independência continua dentro de cada um.

“EU QUERO É ROSETAR”

(Chico Ribeiro Neto)

Adoro ler placas nas portas de casa, de garagens, pichações, frases nos postes (a gente devolve seu amor em 48 horas), parachoque de caminhão e outras mais.

Num restaurante de um posto de gasolina, na estrada para Caculé (BA), tem um cartaz junto à pia: “Favor lavar somente as mãos”.

Antigamente tinha um cartaz nos ônibus rodoviários: “Proibido fumar cachimbo,  charuto e cigarro de palha”. O cigarro normal podia.

Frase em parachoque de caminhão: “Se nosso amor virou cinza é porque eu mandei brasa”.

Cartaz num buteco de Caculé: “Aqui não entra bêbado. Só sai”.

Vi esse cartaz colado num poste do canteiro central da Avenida Centenário, em Salvador: “Luciano, você está me traindo com meu irmão. Tenho imagens”. Abaixo do cartaz vinha um QR Code. Eu estava sem celular. No dia seguinte o cartaz estava todo dilacerado.

Em Brumado (BA) o dono de uma casa pintou no muro, com letras grandes em tinta preta: “Proibido colar cartazes”.

Faustino foi um importante personagem nos muros da Pituba, Barra e Graça de 1979 a 1985. As pichações diziam:

“Faustino cheira o fio dental”.

“Faustino faz piquenique no motel”.

“Faustino malha com a pochete na cintura”.

Alguns jornalistas chegaram a comentar que Faustino era o retrato de um cara classe média, mas o criador do personagem, o artista plástico Miguel Cordeiro, disse numa entrevista ao site Bahia Notícias (2/3/2013): “O cara pode ser rico e ser Faustino e pode ser pobre e ser Faustino”.

“Faustino canta no coral da empresa”.

“Faustino atrasa no caixa eletrônico”.

Um novo morador chegou numa cidade do interior. Era um caminhoneiro e no parachoque dianteiro do veículo estava escrito: “Eu quero é rosetar”.

Os defensores da moral e bons costumes, os “cidadãos de bem”, foram reclamar às autoridades.

O padre, o prefeito e o juiz intimaram o caminhoneiro a tirar aquela frase “obscena” do parachoque. Ele assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e foi marcada a data de lançamento da nova frase.

Cinco dias depois, presentes as três autoridades locais, mais o delegado, o presidente do Centro Cívico do colégio, membros da Maçonaria e outros, a filarmônica tocou o hino nacional. Prefeito, padre e juiz retiraram o pano que cobria o parachoque e estava escrito: “Continuo querendo”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com)

 

SESSÃO DISCUTE QUESTÕES TRIBUTÁRIAS

Na pauta de hoje (dia 05/09/2025), a sessão plenária da Câmara Municipal de Vereadores vai discutir projetos enviados pelo poder executivo, tais como o Programa Municipal de Estímulo à Conformidade Tributária- ConformISS, a alteração na regulamentação da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip), que passa a se chamar Contribuição para Custeio dos Serviços de Iluminação Pública e Modernização Urbana (Cosip-UM. Pode ter certeza que vem aí mais taxas e custos para os moradores. Esses projetos só mudam de nome.

O legislativo também vai apreciar seus projetos de Criação do Programa Municipal de Prevenção e Combate à Obesidade Infantil, a implantação do Selo “Escola Amiga da Educação Inclusiva”, dentre outros. Durante os trabalhos, a Câmara também vai conceder, mediante aprovação, títulos de cidadãos conquistenses.  A população precisa estar mais presente nas sessões da Câmara para emitir suas opiniões contra ou a favor.





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