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PAUTAS DA SESSÃO DA CÂMARA
Nesta sessão desta sexta-feira (dia 26/09) da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista estarão em discussão projetos como a instituição do “Dia Municipal do Associativismo” e a inclusão das cavalgadas no calendário oficial de eventos turísticos e culturais do município.
Da parte do poder executivo, será assinado o PL número 22/2025, que altera a lei de número 2.363/2019 sobre a alienação de bens públicos relacionada à obra de urbanização da Lagoa das Bateias.
Também estarão em debates projetos de concessão de títulos de cidadão conquistense e denominação de ruas, entre outros assuntos que deverão ser abordados durante as falas dos parlamentares.
OS VENDEDORES DE ILUSÕES
Tinha aquele vendedor sério, o enrolado enganador, o mentiroso, o picareta que de tudo fazia para empurrar a mercadoria de qualquer jeito, fazendo promessas falsas. O galanteador vende gato por lebre. Eram vários os tipos para sua livre escolha. Deles se extraem causos e histórias inusitadas.
Não estou falando daqueles que ficam nas lojas esperando pelos clientes, mas dos viajantes de antigamente que eram presenciais de carne e osso. Hoje é a internet que faz o papel deles e fisga os mais compulsivos que vão clicando em quase tudo.
Existiram até casos de vendedores de ilusões que andavam e ainda andam por aí aplicando golpes os mais inusitados nos incautos. Soube da história de um sujeito que vendeu lotes de “terras férteis” em Marte para uns pobres coitados, com vistas para o mar e cercados de floresta e rios.
Teve um que inventou o fim do mundo com três dias só de escuridão e vendeu centenas de candeeiros, pavios e latas de querosene para camponeses do sertão. Abusou quanto pode da fé religiosa dos catingueiros. Isso aconteceu de verdade há muitos anos num município baiano. Não é coisa de ficção.
Foi um golpe de mestre e o cara se escafedeu depois de feito o estrago. As pessoas das redondezas caíram em seu papo convencedor. De tiracolo ainda levou uma moça virgem com seu galanteio de bonachão. Foi o maior alvoroço nos povoados. Os fofoqueiros e fofoqueiras não perderam tempo.
– É comadre, todo mundo caiu na prosa do safado e ainda deixou uma família falada e desonrada. A maioria deles tinha uma namorada em cada lugarejo, e tome lorota de que só aquela era seu amor verdadeiro e não tinha mais ninguém em sua vida. O pior é que a mulher acreditava no papo, ou na lábia afiada.
– O indivíduo desse merece ser capado na ponta da peixeira – desabafou o compadre que ouvia toda conversa do assucedido e falou com toda raiva de que se fosse com a filha dele ia buscar o cabra meliante até nos infernos do satanás.
– Cara, com sua lábia, você consegue vender até capim seco! Qualquer cliente cai no seu papo. Como foi o rendimento de hoje?
– Para ser sincero, só recebi não. A crise está braba e está faltando dinheiro na praça, meu amigo, mas ainda tenho a última visita mais tarde.
– A esta altura, melhor deixar pra lá e relaxar aqui numa gelada. Quem sabe não pinta uma morena cabrocha! Todo vendedor se acha galã.
– Passei o dia todo só recebendo não. Mais um, não vai fazer nenhuma diferença! Vá lá que receba um sim – rebateu o amigo. Vendedor nunca pode desistir.
A força de vontade é sua virtude, senão deixa de vez a profissão, que o diga o vendedor de livros e enciclopédias. Eu mesmo, por necessidade de sobrevivência, fui um deles e recebi muita porta na cara e “chá de espera”.
Conversas de vendedores viajantes em final de dia numa mesa de bar numa cidadezinha embrenhada no sertão onde cada um procura exibir suas vantagens, num pôr-do-sol rajado no horizonte da serra.
Um vendedor das antigas você conhecia de longe. Primeiro ele chegava na pensão ou num hotel “mais em conta”, com seu carrinho usado, cheio de bugigangas (uma bagunça de caixas nos bancos do veículo) e amostras de produtos.
No interior você já deve ter ouvido falar de “pensão de vendedor”. Quando alguém de fora se hospedava já sentia de longe o cheiro de vendedor. A senhora dona, ou dono, já era uma “velha”, ou “velho” conhecido que fazia aquele “preço camarada”.
Sempre estava engravatado e usava aquela pasta pesada cheia de compartimentos. Os pedidos eram anotados à mão nos blocos de papéis. O vendedor bom sempre gastava muita sola de sapato e ainda se faz isso, mesmo com a invenção da internet e as vendas virtuais on-line.
CASA GLAUBER PODE SER “TOMBADA”
Há cerca de 20 anos ou mais, quando chefiava a Sucursal do Jornal A Tarde, em Vitória da Conquista, passeia uma grande vergonha e tive que explicar o inexplicável. Confesso que fiquei todo embaraçado, como diz o tabaréu ou matuto catingueiro.
Recebi a visita de um amigo-colega de Salvador, um tipo intelectual ativista da cultura e estudioso do cinema que, logo ao chegou à cidade, me fez o primeiro pedido de que gostaria de conhecer a casa onde Glauber Rocha nasceu.
Ele imaginava que ali funcionava uma cinemateca, oficinas de audiovisual ou um museu sobre a vida do grande cineasta baiano conquistense Glauber Rocha. Fui obrigado a dizer que não era nada disso e que lá ainda morava uns parentes da sua família.
Ficou surpreso e começou a fazer uma série de indagações do porquê a Prefeitura Municipal ainda não havia adquirido o imóvel. Dei uma tapeada e contei das dificuldades financeiras, além de que sua mãe insistia em pedir um preço muito alto ao poder público.
Apesar de tudo e um tanto decepcionado devido a situação do local ainda não ser um memorial em homenagem ao filho da terra, que encantou o Brasil e o mundo com seu cinema novo preocupado com as questões sociais e políticas, o amigo insistiu na visitação.
Assim sendo, fui lá na rua Dois de Julho, bati da porta e me recebeu um senhor ou uma senhora. Apresentei o admirador de Glauber, vindo de Salvador, e falei do seu grande interesse em conhecer a casa e seus cômodos.
Mesmo sem ser muito receptivo, ele, ou ela, concordou com a visitação. Ficamos por uns tempos imaginando o menino traquino e irrequieto, como sempre se comportou, correndo entre os quartos, na sala e no quintal. Claro que depois o colega continuou com suas críticas sobre a falta de atitude da prefeitura.
Isso foi há mais de 20 anos e a propriedade já estava deteriorada, necessitando de reparos e conservação. Passado esse tempo, mesmo depois do imóvel ter sido comprado pelo executivo (dinheiro do povo), praticamente não recebeu as devidas reformas e corre o risco de ser literalmente tombado, não no sentido de patrimônio municipal.
Como disse alguém do “Estradeiros da Cultura”, “esse espaço não é apenas um imóvel, mas um símbolo vivo da história de Glauber Rocha, das suas origens e do universo criativo que ajudou a moldar”, com os principais filmes “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967) e o “Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1968) e tantos outros.
Essas obras foram aclamadas e renderam reconhecimento nacional e internacional, inclusive no Festival de Cannes. Glauber foi um dos principais expoentes do Cinema Novo. Seu trabalho ficou marcado por uma visão crítica do Brasil e do Terceiro Mundo.
Como foi dito, “preservar a Casa Glauber é preservar a essência de um artista que transformou a cultura nacional, trazendo ao mundo narrativas que falam da identidade, das lutas e das contradições do Brasil”.
A administração de Conquista, de forma vergonhosa, deixou de assumir compromisso com a arte e a cultura. Preferiu de maneira brutal assassinar o legado de Glauber, bem como de muitos outros. A própria ação do tempo está deteriorando a casa através de fuligens dos automóveis, cupins, insetos e sujeiras que contribuem para rachar as paredes
Nosso amigo Dal Farias nos conta que recentemente passou em frente da casa e observou que existe uma parte enorme de concreto sobre o muro, na eminência de cair, ou tombar, podendo até gerar uma tragédia.
Entendo que os nossos artistas em geral, incluindo todas as linguagens, ativistas culturais, todos os movimentos unidos, intelectuais, estudantes e professores devem, acima de qualquer questão, cuidar primeiro da nossa aldeia cultural. Como ela está? Transformou-se numa choça abandonada em meio a um matagal.
Ouvi uma notícia vinda de Brumado, dando conta que lá, distante 135 quilômetros de Conquista, seis ou sete vezes maior em população e desenvolvimento econômico, o festival de música popular, com concursos e premiações, se tornou patrimônio municipal. Em Caetité, a Casa Anísio Teixeira foi tombada e continua preservada, como a de Jorge Amado, em Ilhéus. com memoriais e realização de uma série de eventos culturais.
Como conquistense, não de forma biológica, mas como filho adotivo (tenho o título de cidadão), aqui morando há 34 anos, me sinto envergonhado e triste por ver tanto descalabro contra a nossa cultura. Até quando vamos ficar de braços cruzados, só falando e arrotando teorias com cartas e documentos?
PROJETOS NA SESSÃO DA CÂMARA
Nesta sessão da Câmara de Vereadores de quarta-feira (dia 24/9) estarão em pauta diversos projetos em discussão, como a solicitação de transporte para pacientes de hemodiálise do distrito de Bate-Pé e povoados, concessão de títulos de cidadão conquistense, nomeação de vias públicas da “Ciclovia Joãozinho da Carreta” e a rua Francisco Bispo da Silva.
Outros projetos de lei e um projeto de decreto, que aguardam emendas com prazos até outubro de 2025, também serão debatidos. A tribuna Livre será ocupada pela senhora Érica Tremura, que vai falar sobre a primeira Conferência Baiana de Pilates.
A presença do conquistense a estas sessões é de fundamental importância para acompanhar a posição de cada parlamentar que foi eleito pelo povo, mas sem barulho e conversas paralelas como sempre tem ocorrido, ao ponto de algumas falas serem interrompidas para pedido de silêncio pelo vereador ou pela Mesa Diretora da Casa.
Muitos desses projetos de lei estão aguardando envios de emendas, tais como os de números 140, 141,142 e 143/2025 de autoria do legislativo, lidos na sessão do dia 12 de setembro passado.
O projeto de número 23/2025, de autoria do poder executivo municipal, lido na sessão do dia 12 de setembro, também aguarda envios de emendas durante três sessões ordinárias/mistas, até 24 de setembro de 2025.
Outro é o projeto de decreto número 45/2025 de autoria do legislativo, lido na sessão do dia 17 de setembro de 2025. Muitos outros estão na espera de envios de emendas para serem aprovados pelos 23 vereadores constituídos.
A ESQUERDA PRECISA ADEQUAR SUA LINGUAGEM PARA UM POVO AMUADO
– Vocês deveriam é estar falando de Jesus Cristo e não dessas coisas.
Estava no protesto da “PEC da Blindagem ou da Bandidagem” da Câmara dos Deputados, na Feirinha do Bairro Brasil, no domingo (dia 21/09) com minha bandeira do PSOL, e ouvi essa frase de religiosidade de uma senhora idosa que se aproximou de mim e falou quase ao pé do ouvido.
Dei uma risada marota e ela se foi com sua sacola de verduras. Na saída conversei com alguns feirantes e ouvi deles um papo de indiferença, de que aquela manifestação, de cerca de 500 pessoas, para uma cidade de 400 mil habitantes, era coisa de sindicato e de gente que não tinha nada para fazer.
– “É briga de cachorro grande. Só xingamentos e baixaria” – disse um, com a cara fechada de que não estava para muita prosa. O moço flamenguista do bar estava mais ligado no futebol, do “segue o líder”. O povo está empacado e amuado como mula na estrada.
Abri meu comentário com estas falas para expressar minha opinião no sentido de que as esquerdas de um modo geral precisam sair da teoria das palavras e conhecer mais de perto a realidade desse povo brasileiro, um povo que está amuado, arredio e perdeu a confiança e a credibilidade nos políticos, embora vá às urnas votar em épocas de eleições, embalado pela propaganda de um dever cívico.
Os tempos são outros e esse povo que aí está apático é a matéria-prima moldada ao longo dos anos pelos próprios políticos. Nada foi feito de forma inconsciente, mas com o propósito planejado de poder manipular.
Saudades daqueles tempos quando as esquerdas iam às suas bases políticas, dialogavam e se misturavam ao povo nas fábricas e nas ruas. Aquela linguagem ainda surtia efeitos, mas hoje ela está arcaica, grosseira, agressiva, de xingamentos de baixo calão e nivelada aos extremistas fascistas e de direita. É uma esquerda sem brilho que não mais empolga como antigamente.
É tudo o que eles querem e o povo abomina e vira as costas. Como é que se faz um jingle onde o refrão diz que vai queimar os fascistas? Queimar lembra fogueira e inquisição da idade medieval. Isso só faz criar mais ódio, rancor e intolerância. Xingar o inimigo com açoites é dar mais combustível para sua sobrevivência.
Contestar e protestar sim, mas numa linguagem que alcance o povo e traga ele para se unir e apoiar as causas políticas justas, como essa PEC da bandidagem dos deputados e da anistia aos que tentaram um Golpe de Estado com fins de implantar uma nova ditadura.
Além da linguagem inadequada, tem também a falta de postura política. Quem usou a palavra lá na Feirinha do Bairro Brasil ficou de frente para a militância quando deveria se postar em direção aos feirantes, numa linguagem mais popular, compreensiva e objetiva.
A maioria do povo, por exemplo, ouve os fatos na mídia, mas não sabe muito bem destrinchar o que é essa PEC e essa anistia. Perdemos muito tempo nos xingamentos, bravatas e chavões caducos irritantes.
Nas grandes capitais, mesmo com shows de artistas medalhões, que não é necessário aqui citar os nomes, o público ficou em torno de 50 mil. Muito pouco para uma questão tão importante e grave contra a nossa democracia, perpetrada por aqueles bandidos da Câmara que querem se tornar deuses intocáveis!
Será que ainda vamos colocar 100, 200, 500 e até um milhão nas praças, ruas e avenidas, como já aconteceu há 50 anos? Com essa linguagem e esse comportamento, acredito que não. Será que o povo brasileiro da atualidade é um caso perdido? Temos como reverter esse quadro de comodismo, alienação e ausência de consciência política?
Boa parte da esquerda atual virou revolucionária de postagens na internet e discursos anacrônicos. A maioria das pessoas não lê e deleta os textos academicistas de filósofos socialistas.
Outra parte está calada e decepcionada com tudo o que está ocorrendo de absurdo. Muitos preferem não mais se engajar para não serem execrados e expelidos pelo pensamento ideológico impositivo.
E OS TRABALHADORES E JOVENS?
Com a reforma trabalhista de “escravidão”, os sindicatos foram desmantelados e nossos trabalhadores foram engessados. As relações entre capital e trabalho se transformaram num monólogo onde o patrão é quem dá o veredicto e o operário tem que aceitar senão vai para o olho da rua.
Essa classe foi abandonada, inclusive pela esquerda com quem tinha um elo e suporte para levantar suas demandas e reivindicações. As centrais se enfraqueceram e os trabalhadores passaram a não acreditar mais nos políticos.
Resolveram se afastar da política e só querem ter um carro e um dinheirinho no bolso para fazerem uma farra no final de semana. A grande maioria de jovens e trabalhadores superlota os estádios de futebol, berra, se mata e dá a vida pelo seu clube preferido. Eles fazem parte de uma torcida fanática que quebra centros de treinamento quando seu time não vai bem num campeonato.
É preciso que essa massa seja resgatada, tanto quanto os nossos jovens, hoje apolíticos enfurnados na internet, nas religiões evangélicas conservadoras e até extremistas de direita. Muitos foram vítimas de lavagem cerebral dos pastores.
Os ídolos dessa juventude de hoje não são mais os intelectuais, os artistas das gerações de 50, 60 e 70, os escritores, os grandes poetas e as figuras ilustres sérias da política, comprometidas com o social, a coisa pública e o bem-estar da população de um modo geral.
Seus ídolos atuais são os “influenciadores” digitais de vídeos virtuais de milhões de visualizações, cantores sertanejos, gospel, do arrocha, do axé, da sofrência e outros estilos do barulho eletrônico de letras superficiais sem conteúdo. Seus ídolos são os jogadores de futebol de seus times.
Os estudantes e os trabalhadores que arrastavam multidões nas passeatas de protestos nas ruas, avenidas e praças, atualmente são arrastados por bandas e trios carnavalescos no papel de “pipocas” do asfalto, por shows de “compositores e músicos” de “tira o pé do chão” e por megas eventos em louvor a Jesus.
SERÁ QUE AINDA VAI EXISTIR UM CONGRESSO PIOR DO QUE ESTE?
Naquela época, há 35 ou 40 anos, o saudoso deputado presidente da Constituinte de 1988, Ulisses Guimarães, previa que cada um seria pior que o outro, mas o atual Congresso Nacional se superou a todos, com um bando de canalhas (nem todos) que está escancarando para o Brasil a sua face horrorosa de um Frankenstein.
A pauta não é do povo brasileiro, mas deles que se transformaram em seres impunes com uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional) onde seus crimes, malfeitos e ações irregulares terão que passar pelo crivo deles em votação secreta. Os julgamentos e as sentenças judiciais não terão mais validade.
Essa PEC, chamada por muitos de vergonhosa, coloca os parlamentares no Olimpo grego dos deuses superiores intocáveis que devem ser venerados pelos seus súditos, ou como reis divinos. É difícil imaginar ter outro Congresso ainda pior que este.
Tudo isso que está acontecendo não se trata mais de uma afronta e subestimação da nossa inteligência, mas uma ação clara de que o povo não passa de marionetes em suas mãos. Nos aniquilaram ao mais baixo nível e é uma demonstração de reconhecimento de que não há mais reação popular de enfrentamento, de mobilização de protestos como antes.
Considero essa maldita PEC como mais um golpe desferido contra a nossa democracia, já que a tentativa de uma intervenção militar como queriam os extremistas bolsonaristas não deu certo porque não contaram com a adesão total das forças armadas.
Nesse embalo de deterioração social e política, de esgarçamento constitucional, com o princípio de que todos são iguais perante as leis (uma ilusão utópica), agora querem aprovar anistia geral e irrestrita para todos que tentaram um Golpe de Estado.
O presidente do Congresso, Hugo Mota, disse, com a maior cara de pau, que as ações do 8 de janeiro de 2023 de invasão e depredação dos três poderes têm visões distintas. Como assim? Só existe uma que era tomar o poder na base da força, inclusive com assassinatos dos eleitos pelas urnas.
A audácia desses parlamentares “patriotas”, que agora apelam para uma intervenção estrangeira dos Estados Unidos contra a própria pátria, é tão absurda que eles agora estão falando num meio terno de reduzir as penas dos agressores da democracia.
Como o impeachment do presidente da República está muito manjado, a intenção deles é transformar os três poderes num só todo poderoso, no que está conseguindo através do efeito da ingovernabilidade presidencialista.
Esse tsunami, ou terremoto de grandes magnitudes não está ocorrendo apenas no Brasil, mas em diversas partes do planeta, como o genocídio dos judeus na Faixa de Gaza, onde o facínora do Netanhayuo, o “Bibi” está exterminando os palestinos através das armas e da fome.
Os Estados Unidos, do Trump, estão vivendo um ensaio ditatorial como nunca visto em toda sua história desde a colonização. Além da liberdade de expressão, as minorias e os imigrantes estão sendo esmagados.
Por intermédio de grupos bolsonaristas, o Brasil é a bolça da vez em suas tentativas de impor suas arbitrariedades autocráticas e tiranas. A Rússia, a Hungria, a Bielorrússia e países asiáticos, até latinos, estão na mesma linha de fogo dos tiranos e das matanças indiscriminadas.
Aqui no Brasil ainda não chegamos a esse ponto tão crítico em que vive a humanidade, mas o Congresso Nacional parece seguir a cartilha dos demolidores da democracia e temos um campo fértil de divisões fraticidas, bem como uma massa acéfala facilmente manipulável pelo seu baixo grau de conscientização política.
Aqui prevalece a ignorância brutal, o individualismo, o silêncio dos intelectuais e uma “esquerda” que se aburguesou. Aqui prevalece a anormalidade que se tornou normal, o errado que virou coisa comum. Aqui, as multidões das ruas foram todas para os estádios de futebol ou para os shows das alienações musicais.
CARA TODA MELADA DE MANGA
(Chico Ribeiro Neto)
Tenho saudade do ingá, comprado na feira de Ipiaú, Bahia. Era barato, aquela vagem onde a gente tirava a polpa branca do caroço. Pouca coisa, mas dava sabor e alegria.
Maçã, uva e pera só quando ficava doente.
Melancia. Minha primeira babá, Agostinha, fazia bonecos com a casca da melancia utilizando apenas uma faquinha. Em segundos fazia logo a cabeça, os braços e as pernas e depois vinham os detalhes.
Ainda no interior, chupar cana no quintal, no fim da tarde, e jogar conversa fora.
Quando chegou o liquidificador, a novidade era vitamina de banana com Nescau. Hoje não aguento nem ver.
Chupar umbu até os dentes ficarem trincando. E o delicioso caju? “Cuidado, menino, pra não pingar na camisa. Isso deixa uma nódoa que ninguém tira”. Alceu Valença foi perfeito ao dizer que a “pele macia” da Morena Tropicana “é carne de caju”. Alguns meninos faziam tatuagem com o leite da castanha do caju.
Já em Salvador, os mamões, jacas e mangas roubados nos quintais das mansões da Vitória, onde a gente entrava pela praia. A mordida na manga rosa ou espada. O sumo escorrendo pelo queixo e molhando a camisa.
Comendo com casca e tudo. Com a cara amarela de tanta manga (a gente chupava duas ou três facinho, facinho) e o caroço seco na mão, mergulhava no mar do Unhão.
Ao voltar da praia do Unhão a gente arrancava do meio do mato, nas encostas que hoje sustentam a Avenida Contorno, os cachos de melão de São Caetano. Chupava aquela pelezinha vermelha que cobre as sementes. Quase não tinha o que comer, era aquela lãzinha.
Hoje vejo na Internet: “O melão de São Caetano serve como um remédio popular para várias condições, incluindo o auxílio no controle da glicemia e no tratamento da diabetes, além de possuir propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e laxativas”. É consumido principalmente na forma de chá, suco ou em cápsulas.
A goiaba a gente comia com bichinho e tudo. Madurinha e cheirosa. Vai deixar, é?
Na década de 70, na Praça da Sé, havia vendedores que usavam uma maquininha pra descascar a laranja. Era um negócio parecido com um espremedor de batata. Ele colocava a laranja ali, ia girando uma manivela e num instante a laranja estava descascada e perfeita, sem ferimento, como se diz.
Mamãe Cleonice adorava sapoti. Sempre foi difícil de achar e, quando encontrava um vendedor na Avenida Sete, comprava logo uns seis pra ela.
As enormes pilhas de abacaxi e melancia na Rampa do Mercado, durante a festa da Conceição da Praia em 8 de dezembro, em Salvador. Nunca vi abacaxi combinar tão bem com cerveja!
Na minha cabeça pulam cores, cheiros e sabores. Ah, que vontade de chupar aquela manga rosa, abrir um mamão com a mão e dar um mergulho no Unhão.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com)
“REVITALIZAR O CENTRO É REVITALIZAR A CULTURA E A HISTÓRIA”
A lógica do mercado não pode sufocar a memória, a arte e a vida coletiva de Vitória da Conquista
Por Herberson Sonkha[1]
Este artigo de opinião foi motivado pela leitura interessantíssima da matéria do jornalista Jeremias Macário, intitulada “A REVITALIZAÇÃO DO CENTRO DA CIDADE NÃO É NENHUMA NOVIDADE”, publicada no site www.aestrada.com.br em 16 de setembro de 2025, às 23h08. Parto dessa abordagem cirúrgica imprescindível de Jeremias para não apenas reafirmá-la, como também tentar contribuir com essa discussão necessária e urgente para o futuro de nossa cidade.
A recente audiência pública da Câmara de Vereadores sobre a revitalização do centro de Vitória da Conquista traz à tona um debate antigo, já discutido há mais de duas décadas. Como bem lembra Macário, não se trata de novidade, mas da retomada de um projeto que nunca saiu do plano do discurso ou foi reduzido a arremedos cosméticos: calçadões improvisados, intervenções superficiais na Praça Nove de Novembro e nada que toque na essência da vida urbana.
A cidade, como nos adverte Henri Lefebvre em O Direito à Cidade (1968), “não é uma coisa, mas uma obra; obra de uma história, de uma coletividade, de uma vontade”. O centro de Vitória da Conquista não pode ser reduzido a um “shopping a céu aberto” para atender consumidores, pois isso reproduz a lógica do capital que transforma tudo em mercadoria e esvazia a experiência coletiva de viver a cidade.
O centro como espaço de memória e cultura
Ao demolirem casarões, destruírem a Rádio Clube e transformarem patrimônio em estacionamento, o que se retira não é apenas uma construção física, mas camadas de história e identidade coletiva. Walter Benjamin, em suas Teses sobre o conceito de história (1940), advertia que a modernidade capitalista promove um “progresso destrutivo”, em que a ânsia por lucro imediato corrói a memória social. Vitória da Conquista corre o risco de se tornar apenas um entreposto comercial, sem centro histórico, sem alma, sem memória.
Revitalizar significa, antes de tudo, recuperar a cultura. O fechamento do Teatro Carlos Jheovah, do Cine Madrigal e da Casa Glauber Rocha é mais que descaso: é sintoma de uma lógica economicista que considera a arte inútil porque “não dá lucro nem voto”. Karl Marx já denunciava, em Manuscritos Econômico-Filosóficos (1844), que a lógica do capital reduz o ser humano ao trabalho alienado e à produção de mercadorias, ignorando suas necessidades essenciais: “A desvalorização do mundo humano aumenta em razão direta da valorização do mundo das coisas”.
Cultura como produção de vida
A economia marxista ensina que a riqueza não se resume ao lucro privado, mas ao conjunto de bens materiais e imateriais produzidos pela coletividade. A cultura é parte essencial dessa riqueza social, pois forma consciência crítica, constrói identidade e fortalece laços comunitários. Eric Hobsbawm, em A Era dos Extremos (1994), sinaliza que as cidades floresceram historicamente como espaços de efervescência cultural: “Sem os centros urbanos, não haveria a vida intelectual, artística e política que moldou a modernidade”.
A antropologia urbana de Milton Santos também reforça essa visão. Em A Natureza do Espaço (1996), o geógrafo baiano afirma: “A cidade é o espaço da coexistência, da multiplicidade, onde o valor de uso deveria prevalecer sobre o valor de troca”. Ou seja, Conquista só será plenamente cidade quando a população se reconhecer nela como produtora e usuária, não apenas como clientela de lojas.
A cidade que queremos
A Praça Nove de Novembro e a Barão do Rio Branco não podem ser apenas vitrines para carros ou cenários de consumo restrito ao São João e ao Natal. Elas precisam ser espaços permanentes de expressão popular: música, teatro, literatura, saraus, dança, exposições, feiras culturais. Isso não é gasto, é investimento social.
David Harvey, em Cidades Rebeldes (2012), é categórico: “O direito à cidade não é apenas o direito de acesso ao que já existe, mas o direito de mudar a cidade de acordo com o nosso desejo de corações e mentes”. Ao exigir a reabertura dos equipamentos culturais e uma programação permanente, os artistas de Conquista, respaldados por quatro mil assinaturas, não pedem favores: reivindicam o direito ao uso social da cidade. É uma luta por dignidade e participação.
Revitalizar é resistir ao esvaziamento neoliberal
Se a Câmara e o Executivo pretendem revitalizar o centro de Vitória da Conquista, não podem se limitar a fachadas e calçadões. É preciso resistir à lógica neoliberal que transforma ruas em estacionamentos, casarões em ruínas e cultura em mercadoria descartável. Revitalizar o centro significa revitalizar nossa memória, nossa cultura e nossa identidade coletiva.
Como diria Antonio Gramsci em Cadernos do Cárcere (1932-1935): “A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno, surge uma grande variedade de sintomas mórbidos”. A crise cultural de Vitória da Conquista é esse interregno: ou revitalizamos a cultura como nova base de desenvolvimento, ou sucumbiremos a sintomas mórbidos do mercado, que reduz a cidade a concreto e vitrines.
Vitória da Conquista precisa escolher: ou um centro vivo, pulsante, cultural e humano, ou um deserto de concreto, sem memória e sem povo.
[1] Herberson Sonkha é um homem negro de cor parda, militante social do movimento negro há mais de três décadas. É vinculado aos Agentes de Pastoral Negros e Negras do Brasil (APNs) e ao Movimento Negro Unificado (MNU) de Vitória da Conquista, além de ser filiado à Unidade Popular pelo Socialismo (UP). Atua como colaborador do Movimento Coletivo Ética Socialista (MCOESO), é poeta, compositor, escritor e militante da cultura no Movimento Cultura Conquista. Recentemente passou a integrar a construção coletiva do Sarau A Estrada. Atualmente é pesquisador marxista do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trabalho, Política e Sociedade (NETPS/Uesb) e graduando em Economia pela Uesb.
“O GÁS MAIS CARO DO BRASIL”
Na sessão de ontem (dia 17/09) da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, os parlamentares destacaram diversos assuntos no âmbito local, estadual e nacional, isso em meio ao barulho de conversas paralelas na plenária. Muitos tiveram que parar suas falas e pedir silêncio para serem ouvidos.
O vereador Hermínio de Oliveira, por exemplo, abordou a antiga questão dos preços dos combustíveis em Conquista como sendo os mais altos da Bahia e do Brasil. Com relação ao gás de cozinha, chegou a denunciar que é o “mais caro da Bahia e do Brasil”.
Edinilson Pereira convidou a todos para a audiência pública sobre a comunidade de surdos que será realizada no próximo dia 26, às 19 horas. Aproveitou ainda sua fala para se referir à reposição de lâmpadas no Bairro Lagoa das Flores e elogiar o poder executivo pelas obras de pavimentação asfáltica no Jardim Guanabara, “se bem que o bairro ainda carece de outros serviços”.
O parlamentar Andreson aplaudiu a iniciativa do colega Dudé que está criando, em Conquista, a Missa do Vaqueiro, uma antiga tradição cultural do nosso sertão. Também elogiou o lançamento do projeto de revitalização do centro comercial, uma proposta do vereador Edivaldo Ferreira.
No âmbito nacional, Andreson fez duras críticas à PEC da Câmara dos Deputados que blinda ações criminosas dos parlamentares com a impunidade, dizendo se tratar de “projeto da vergonha”.
Ricardo “Babão” destacou as obras estaduais que estão sendo executadas no município, como o asfalto do distrito de Bate-pé, José Gonçalves a Caetanos e a Avenida Getúlio Vargas, com extensão à pista até o município de Barra do Choça. Segundo ele, Jerônimo tem sido o melhor governador entre todos estados brasileiros.
O vereador “Bibia” agradeceu a prefeita pelas obras de limpeza que estão sendo feitas em diversos bairros de Conquista. Diogo Azevedo reclamou da interrupção da linha urbana de ônibus D41 e solicitou uma reavaliação por parte do poder público porque muitos usuários ficaram prejudicados.
Edivaldo Ferreira rebateu a nota de repúdio da Adusb (Associação dos Docentes do Uesb sobre um culto dos batistas (II Semana Universitária dos Batistas) que ocorreu no espaço interno da universidade. Na oportunidade, apresentou vídeos onde a instituição realiza diversas ações referentes a cultos afros. No entanto, de acordo ele, não houve notas de repúdio. “O povo cristão também quer direitos iguais a todas religiões”.
A vereadora Leia de Quinho condenou o projeto que aumenta a taxa de iluminação pública para os moradores conquistenses e revelou que vai votar contra a medida. Vou ficar ao lado do povo que não suporta mais elevação de impostos – disse a parlamentar.
Sua colega Lara informou ter ido semana passada à Brasília onde conseguiu trazer recursos de emendas que vão beneficiar o município em diversos setores, principalmente na área da saúde que receberá 440 mil reais.
A REVITALIZAÇÃO DO CENTRO DA CIDADE NÃO É NENHUMA NOVIDADE
O tempo é o mesmo, os ponteiros do relógio giram no mesmo compasso, a terra mantém sua rotação na mesma velocidade, mas temos a impressão que tudo hoje passa mais rápido em função da tecnologia e da vida corrida, ao ponto de muitos fatos caírem depressa no esquecimento.
Vejamos, como exemplo, o caso da revitalização do centro da cidade, que não é nenhuma novidade. Essa iniciativa foi levantada há anos em Vitória da Conquista em governos passados, talvez há mais de 20 anos. A ideia era tornar o comércio num shopping center a céu aberto. Alguém aí lembra disso, inclusive a mídia?
De lá para cá fizeram alguns arremedos, construíram alguns calçadões e deram um mel de coruja na Praça Nove de Novembro. O projeto incluía a preservação do patrimônio público arquitetônico, fechar algumas transversais e transformar essa área urbana num ponto mais agradável e mais humano, sem muitos carros transitando no centro.
Agora, a Câmara de Vereadores, o que é louvável, realizou uma audiência pública com o propósito de revitalizar o centro da cidade, o que não é novo, mas torcemos que dessa vez seja para valer e o poder executivo abrace essa investida do legislativo.
Entendo, no entanto, que essa revitalização seja extensiva à cultura, caso contrário haverá um grande vácuo. Será que nessa revitalização está inclusa a abertura dos equipamentos culturais do Teatro Carlos Jheovah, do Cine Madrigal e da Casa Glauber Rocha que se encontram fechados há anos, ou a intenção é somente beneficiar o comércio?
Por falar em revitalização, a arte e a cultura estão necessitando urgentemente de um plano dessa natureza. Os artistas de Conquista, aqui abrangendo todas as linguagens, devem ser peças chaves nesses debates, mesmo porque neste centro estão localizados três importantes equipamentos culturais fechados que deveriam estar abertos para realização de ensaios e espetáculos.
Um centro da cidade não deve ser feito apenas de comércio apinhados de lojas para atender consumidores. Deve ser também um centro de efervescência cultural, com locais próprios para apresentação de shows musicais, peças teatrais, dança, artes plásticas, literatura, declamação de poemas e outras expressões artísticas.
A Praça Nove de Novembro, por exemplo, só é utilizada para shows nos períodos de São João e Natal quando deveria ter uma programação mais extensa durante todo ano porque o povo também é carente de cultura e consome se forem oferecidas as oportunidades.
Infelizmente ainda tem gente com a mentalidade atrasada de que cultura não dá lucro e nem voto. Quem pensa assim tem uma visão limitada de ser humano. Falei da Nove de Novembro, mas existe ao lado a Barão do Rio Branco com aquele amontoado de carros, onde ali deveria ser mais um ponto de lazer, cultura e entretenimento.
Ao invés disso, cometeram o crime de derrubar o antigo prédio da Rádio Clube. Estão destruindo os últimos casarões restantes, como uma casa na Praça Tancredo Neves. No local criaram um estacionamento para veículos. Aliás, Conquista não tem um centro histórico como a maioria das cidades do mundo.
Se vamos revitalizar o centro da cidade, vamos também aproveitar para revitalizar a nossa cultura. As reivindicações foram feitas, inclusive num documento com cerca de quatro mil assinaturas. Como resposta tivemos o silêncio através do engavetamento das propostas. Os artistas querem ser ouvidos e atendidos. A Câmara deve se atentar para isso.














