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FICA MAIS CLARO NO ESCURO
(Chico Ribeiro Neto)
Faltou luz hoje no meu prédio. Vai ser das 8 às 18 horas, para trocar a central de energia.
Aí lembrei que, ainda pequeno (6/7 anos) peguei o sistema da “luz do motor” em Ipiaú (BA), onde nasci. A luz desligava às 21 horas e só voltava na manhã do dia seguinte.
Tava na hora de acender os candeeiros, um na cozinha, um na sala e cada um num quarto. Havia também o famoso “Aladim”, que alumiava a casa toda, mas nem todo mundo tinha condição financeira de ter. O “Aladim” tinha uma tal de “camisa” que quando queimava a gente tinha que ir correndo comprar outra. O rádio continuava tocando, porque era ligado a uma bateria de carro, e a geladeira continuava funcionando, pois era movida a querosene.
As crianças adoravam quando faltava energia, principalmente quando tio Rubens contava histórias de assombração. Também era hora de fazer figuras com as mãos diante da vela que projetava as sombras na parede. O bicho mais fácil de fazer era o cachorro, mas tinha quem sabia fazer gato, coelho, caranguejo e até dinossauro.
Houve um tempo também em que, durante uma semana, só tinha luz à noite em metade da cidade, ficando a outra metade para a próxima semana, num rodízio do breu. Meu pai Waldemar tinha padaria e, na semana em que faltava luz na nossa metade, ele dava pra gente umas cédulas que passavam na padaria, daquelas “pedaço de um, pedaço do outro” (as melhorzinhas) e mandava a gente ir na sorveteria logo depois que a luz era desligada. A gente ia com uma panela, enchia de picolés, dava o dinheiro ao atendente que estava à luz de velas, e se picava.
Teve o caso de Zé, um homem casado, que morava numa outra cidade do interior da Bahia que também tinha “luz de motor”. Ele foi no brega e depois de várias “pingas” e uma bimbada, agarrou no sono.
As lâmpadas da casa piscavam três vezes, às 20:50, para avisar que dentro de 10 minutos a luz seria desligada. Mas Zé a essa altura não piscava mais nada. Quando acordou, às 23 horas, deu um grito de espanto: “Vixe, a luz já foi embora! Preciso ir pra casa”. Chegou em casa, a mulher roncava e ele, morto de sono, só fez tirar a calça e apagou na cama. Acordou cedo com os gritos da mulher: “Zé, que diabo é isso? Tu tá de calçola?” Na pressa de sair logo do brega, ainda grogue da cachaça e já agoniado, no escuro total que nem breu, Zé vestiu a calçola de algodão da prostituta. E admitiu logo que era coisa do Demo: “Vixe, mulher, só pode ser feitiço! Eu juro que deitei de cueca! Isso é arte de alguém que quer ver a gente separado. Vixe, não pega não, mulher! Faz mal! Temos que tocar fogo logo nisso!”
A mulher de Zé, que morria de medo de feitiço do Diabo, levou a calçola na ponta de uma vassoura para o quintal. Se benzeu 3 vezes e tocou fogo na calçola do Capeta, Zé rezando do lado. Jogou a vassoura novinha no lixo e rezou três Pai Nosso.
Já adulto, na Redação do jornal A Tarde, faltou energia uma noite e um colega deu uns gritinhos finos e histéricos. O saudoso poeta Béu Machado arrematou: “É no escuro que as coisas ficam mais claras”.
(Leia crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
NOVO EMPRÉSTIMO É UM “SUICÍDIO”
Com base nos endividamentos posteriores de governos passados, a começar pelo do ex-prefeito Hérzem Gusmão, o advogado e contabilista Marcos Adriano declarou ontem (dia 26/11), durante sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, que um novo empréstimo de 400 milhões de reais, pretendido pelo poder executivo, é um “suicídio”, comprometendo as finanças do município.
Segundo ele, a receita que era de 600 milhões de reais, passou para mais de um bilhão com o aumento de impostos da população, que também cresceu. “Ao longo dos últimos anos, o endividamento só tem aumentado e um novo empréstimo não é necessário. Um novo empréstimo só vai elevar a dívida mais ainda”.
Em sua fala na tribuna livre da Câmara, Adriano aproveitou a ocasião, para pedir prudência aos parlamentares na concessão de novos empréstimos solicitados pelo executivo. Alertou que este empréstimo para aplicação em obras de infraestrutura é um “suicídio”.
Antes da sua análise técnica sobre essa questão e da aprovação dos projetos do legislativo e do executivo, como a criação da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Civil e da Nova Lei Orgânica do Município, a Casa, tendo como presidente Ivan Cordeiro, concedeu diversas moções de aplausos.
Além do Esporte Clube de Vitória da Conquista e do ex-jogador Pena, pela formação de novas parcerias, a Câmara homenageou o Hospital Afrânio Peixoto pela instalação de um laboratório de tratamento de crianças que nascem com a doença de queimaduras no corpo e o Hospital de Base pela ampliação da sua unidade com novos equipamentos.
Também foi homenageada a médica Rosa Aurich pela realização, no início deste mês, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, do evento Economia Solidária, privilegiando a participação de artesãs e expressões culturais. Coube ainda uma moção de aplausos aos pastores evangélicos da cidade, com destaque para a Marcha com Jesus.
Durante a sessão, todos vereadores presentes fizeram seus pronunciamentos da tribuna legislativa. Andreson saudou os agricultores familiares que estão satisfeitos com as chuvas e elogiou a obra estadual de pavimentação da estrada que liga Conquista a Bate-pé. Informou sobre a vinda do governador a Conquista, nesta sexta-feira, quando anunciará a construção e conclusão de diversas obras, inclusive em Iguá, onde será inaugurada a nova praça do distrito.
Bibia defendeu o empréstimo de 400 milhões solicitado pela prefeita Sheila Lemos, para construção de obras nos bairros de Conquista. Ele acha que o vereador contrário está cometendo um crime contra ele mesmo. O empréstimo é importante para o crescimento da cidade e a atração de novos investimentos – ressaltou.
A parlamentar Cris Rocha falou sobre seu trabalho na zona rural, como sistema de abastecimento de água na Taboa e região. Na ocasião, agradeceu o apoio da Cerb e da administração da Prefeitura Municipal. A vereadora parabenizou também as obras realizadas pelo Governo do Estado, como o asfaltamento da estrada para o distrito de Bate-pé.
Entre outros, falou o vereador Edivaldo Ferreira, ao defender o empréstimo de 400 milhões de reais, assinalando que o Governo do Estado está também querendo um empréstimo de mais de 600 milhões e não se tem feito alardes como está ocorrendo em Conquista. Disse que o limite de endividamento é pequena, não impedindo que se faça novos empréstimos.
AS MÁS LÍNGUAS VERBAIS E VIRTUAIS
Tem coisas e profissões que nunca deixam de existir, mesmo com o avanço das novas tecnologias da internet e agora com a inteligência artificial, uma arma poderosa de destruição quando a serviço do mal.
Dizem que a atividade mais antiga da humanidade é a prostituição, hoje modernizada pelos “programas sexuais”, aceitos com outros olhos pela falsa sociedade. Apesar do moderno, sempre vai existir um alfaiate, um sapateiro, um relojoeiro, um amolador de facas e tesouras num povoado ou numa cidade, pequena ou grande.
O mesmo acontece com as más línguas, aquelas que não param de fofocar e falar da vida alheia e esquecem da sua própria. Estão no cerne da natureza humana, desde os tempos primitivos e nas antigas civilizações. Tem gente que adora uma fofoca e ainda diz que sabe guardar segredo. “Pode falar amigo, ou amiga, que minha boca é um túmulo”.
Ainda prefiro as primeiras, as falas verbais, do que as virtuais, estas através de textos de português assassinado, hoje propagadas nas redes sociais que fazem aquele estrago danado nas vítimas em termos emocionais psicológicos e atingem um universo de milhares e até de milhões de navegadores. As virtuais são mais agressivas e mortais.
A falada verbalmente, ou a tradicional, tem a boa e a má, mais conhecida como fofoca, fica mais restrita a uma comunidade ou a um grupo mais fechado, a não ser quando alguém comete um crime grave que se alastra para outras redondezas.
Quem não comete o “pecado” de falar de alguém, seja elogio ou crítica negativa que levante a primeira pedra! Algumas línguas são ferinas e maledicentes, caluniosas e difamatórias, outras menos ofensivas e até hilárias.
No ambiente de trabalho, tanto uma como outra, as línguas são traiçoeiras e falsas por causa da competição. É um querendo passar a rasteira no outro por detrás. Pela frente são rasgos de elogios. Não faltam vítimas e vilões, se bem que ainda existem os éticos e sérios.
Numa rua, num bairro ou num vilarejo, lá está a língua a bradar. Coisa é quando um vizinho, morador próximo, ou um “amigo” compra um carro novo, um bem material caro e um objeto de valor!
Dizem logo que a pessoa está roubando, recebendo suborno, e aí bate aquele olho grande invejoso. Melhor procurar uma rezadeira (ainda existe) ou tomar um “banho de descarrego”, senão as coisas começam a dar para trás.
Por falar em más línguas, quem não se lembra ou conhece o famoso “Senadinho” (ainda funciona) que fica ali na Praça Barão do Rio Branco, em Vitória da Conquista? Dizem que toda cidade e até o meio rural tem seu “Senadinho” das fofocas.
Contam as más línguas que o grupo sabe da vida de todo mundo, quem deve, está falido, adquiriu veículo de luxo e não está pagando as prestações, quem traiu quem ou quem está prevaricando. Quando passo por ali, meu nome entra na lista. Pouco importo.
Quando as comadres e os compadres param numa calçada ou em algum banco de jardim, penso logo que estão falando de alguém. Falem mal, mas falem de mim – existe este bordão popular de quem aprecia ser lembrado de qualquer maneira. Pelo menos seu nome não fica esquecido.
As mais constrangedoras e aniquiladoras que detonam as almas dos seres humanos e arrasam reputações em termos moral, psicológico e social são as más línguas virtuais, escritas no mundo das redes sociais, ou as cibernéticas em forma de bullying (intimidação sistemática).
Estas línguas são como labaredas de altas queimaduras e seus donos geralmente usam máscaras ou perfis diferentes, mais difíceis de serem identificados. As verborreias caluniosas e difamatórias atingem um público de milhares e milhões de visualizações. A maioria dos internautas de plantão têm o prazer sádico de passar as injúrias para frente.
Oh, Senhor, livrai-nos das más línguas ferinas verbais e virtuais! Perdoai-vos porque não sabem o que falam. Nos proteja de todos os males que saem das bocas desses infelizes. Nos ilumine e iluminai as mentes rancorosas para que se voltem para o bem!
Não sou nenhum indicado para formular preces, daquelas de fechar o corpo contra facas e balas, mas faça sua oração, ao seu modo, todos os dias antes de se deitar. Quem sabe você não se livrará das más línguas afiadas como navalhas ou perfurantes como punhais que cortam dos dois lados! Amém, Senhor!
NOVA LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO
Nesta quarta-feira (dia 26/11) está prevista a votação da redação final da Nova Lei Orgânica do Município, na sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, que tem ainda como pauta projetos do legislativo, como o que declara o Festival Suíça Baiana como Patrimônio Cultural Imaterial do Município.
Nos debates, deverão ser ainda votados pelos parlamentares o Programa Municipal de Educação e a Violência contra a Mulher ´”Basta”, bem como o que altera a idade mínima para a gratuidade no sistema de transporte coletivo.
Ainda de iniciativa da Câmara, entrará em pauta a discussão do projeto que propõe atendimento prioritário aos corretores de imóveis devidamente inscritos e regulares no Conselho Regional de Corretores de Imóveis em todos os órgãos e repartições da Administração Pública Direta e Indireta. Na verdade, isso já vem acontecendo na prática.
Da parte do poder executivo, os vereadores vão discutir os projetos que alteram o Código Tributário e de Rendas e o que muda a regulamentação da Contribuição para Custeio dos Serviços de Iluminação Pública e Modernização Urbana.
Também será lida a mensagem ao Projeto de Lei Complementar de número 34/2025, que cria a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, estabelecendo sua estrutura organizacional. Serão apreciados também os projetos que instituem o Fundo Municipal de Segurança Pública, o que cria o Conselho Municipal de Segurança Pública. A guarda municipal será submetida à estrutura da nova Secretaria a ser instalada, em Vitória da Conquista.
O NAMORO E O AMOR DAS ANTIGAS
Só os mais velhos lembram e sabem como era o namoro e o amor das antigas, isto até as primeiras décadas do século passado, principalmente nas pequenas cidades e nos cafundós do sertão.
As donzelas não saiam de casa porque os pais não deixavam e, numa oportunidade qualquer, ficavam das janelas olhando os rapazes passarem. Nas brenhas rurais, praticamente ficavam nas cozinhas com as mães. Eram bem mais oprimidas pelo pai, o chefe patriarcal que não queria ter uma filha difamada na boca dos outros.
Muitas não aguentavam a “prisão” e fugiam com o primeiro namorado. Por aquelas redondezas dos povoados e cidades, ainda menino, ouvia muito aquele falatório de que “João roubou Maria na calada da noite, na garupa de um cavalo e caíram no mundão do meu Deus”.
Ai de quem se atrevesse desonrar uma virgem! O cabra era obrigado a se casar com uma peixeira ou um trabuco nas costas. Tinha que dar o sim no altar. Uns pegavam “os panos de bunda” e fugiam para São Paulo. Era o maior desgosto dos pais ter uma filha desonrada. Quem tinha posse pagava um pistoleiro, ou o próprio ofendido mandava a alma do sujeito pros quintos dos infernos.
Havia coronel e roceiro tão brabos que os homens tinham medo de se aproximar da filha ou das filhas, que começavam a ficar para titia. No século XIX ainda era pior, quando o pai era quem escolhia o marido, e a noiva só o conhecia na hora do casamento, muitas vezes era um velho caquético caindo aos pedaços, porque tinha uma boa herança para deixar.
Eram os casórios arranjados e muitas diziam que não gostavam do indivíduo tabaréu, meio troncho e desajeitado. O lamento sempre era ouvido pela mãe, que consolava a filha chorosa pelos cantos porque se engraçou por outro mais simpático.
– Calma, minha filha, a vida é assim mesmo, você casa, vai se acostumando e, com o tempo, vem o amor. “Foi assim com seu pai. Hoje já tem mais de 30 anos que nos casamos”. Ah, casamento era para sempre, mesmo no sofrimento e na dor. O que Deus uniu não se separa.
Pois é, mas os tempos foram mudando e o namoro de pegar na mão e ficar mais perto um do outro foi chegando, só que com um acompanhante do lado, espiando tudo.
Era a mãe, uma tia, uma avó ou um irmão, que ia junto à praça comer pipoca, visitar um parente ou outro lugar. Nada de beijo, mas num vacilo – dava-se jeito para tudo -, os dois começavam a se esfregar. No atraca-atraca, o cara até ejaculava na calça ou na cueca. Não era mole, não!
Com a evolução, as moças ficaram assanhadas e esse negócio de donzela foi ficando para trás. Mesmo assim, ainda eram os homens que tomavam a iniciativa, insistiam e chegavam juntos. Os introvertidos e os tímidos eram os mais cobiçados com os olhares. Nem se falavam em assédio sexual, que virou crime.
O macho fazia de um tudo para ir às vias de fato, mas a virgindade ainda era um tabu para a maioria das moçoilas de família. A religião dizia que era pecado dos graves. No sentido intuitivo, o comportamento dos animais silvestres para pegar a fêmea é bem parecido com o do homem. Ambos ficam engabelados e abrem suas “asas” para impressionar o lado feminino.
– Não insista, sou dou a “periquita” depois de casar – endurecia a jovem, mesmo com o corpo pegando fogo na base do beijinho, beijinho e no agarra, agarra. Ufa, não era fácil aguentar a tentação! Algumas terminavam dando mesmo. Depois eram outros quinhentos!
Conheci um amigo de longas farras que se apaixonou por uma loiraça bonita, que garantia para ele que era virgem, apesar das “bocas pequenas” comentarem o contrário. Ele preferia confiar nela.
Casaram-se com juras de amor e programaram uma noite de núpcias, ou lua de mel, num hotel. Foi lá que o noivo descobriu tudo e fez aquele escândalo e, decepcionado, partiu para o maior porre de sua vida.
Nos dias atuais, não existe mais essa do homem tomar a iniciativa. As mulheres ficaram mais decididas e partem logo para o “vamos ver”, sem aquele namoro das antigas. Em muitos casos, o amor à primeira vista termina no motel. Com o crime de assédio sexual, os homens ficaram mais retraídos e alguns são até chamados de frouxos.
O intervalo entre o primeiro beijo e o casamento ficou bem mais curto. No altar, ou no civil, são aquelas juras de amor, de serei fiel na alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença até que a morte nos separe.
Em muitos casos, em pouco tempo, lá vem a separação. Cadê aquelas juras sinceras de amor? Como na canção de Raul Seixas, tudo não passa de falsidade. Basta um ficar na pobreza ou ter um entrevero, que o outro dá no pé.
Esta de até que a morte nos separe me faz lembrar do poeta boêmio Vinícius de Morais, de que o amor é eterno enquanto dura. No amor das antigas, os casamentos eram mais duradouros, se bem que por diversos motivos de ordem religiosa do juramento, da mulher não ficar falada na sociedade, dentre outras razões, inclusive por amor, depois de longa vivencia.
Até hoje ainda não existe aquele casamento de faixada ou de aparência, onde os dois dormem em quartos diferentes, mais para não ter que dividir os dotes? De qualquer forma, viva o amor, mesmo que seja passageiro, moderno ou das antigas.
DESSASTRE HUMANO NA COP30
A MÃE NATUREZA TEM O MAPA DO CAMINHO
A Imagem do Brasil lá fora já é de um país que não é sério, do improviso em seus projetos, de corrupção epidêmica, de suborno e obras superfaturadas. Agora imagina um incêndio em um dos pavilhões da conferência do clima! Servimos de piadas e deboches.
Além do fogo, houve alagamentos com biqueiras, como se fossem velhos galpões sem serviços de manutenção. Antes, a ONU já havia advertido para a questão estrutural, sem contar as dificuldades de acomodações das delegações. O governo federal teve que contratar navios a preços de ouro para as hospedagens.
Quanto ao incêndio, será que algum árabe, ou mesmo um brasileiro, não estaria tentando perfurar algum poço no intuito de encontrar petróleo? Não seria algum grileiro fazendeiro que teve a intenção de desmatar a área para criar mais um gadinho dentro da floresta amazônica? Quem sabe não tenha sido um ato terrorista de Trump, para melar as conversações!
Brincadeiras à parte, como um incêndio se propaga num pavilhão construído recentemente? Contrataram alguma empresa amadora para fazer a instalação elétrica por um baixo preço e alguém embolsou parte da verba? Em se tratando de Brasil, tudo pode ocorrer, como a aquisição de materiais de quinta categoria, para sobrar uma grana para alguém.
Sei que tem gente, a esta altura, me chamando de maledicente e até de ser espírito de porco, com o propósito de manchar a imagem do Brasil no exterior. Esse cara não é nada patriota! Fica aí levantando impropérios e escrevendo besteiras! Acho até que a crítica é mais pesada que isso, com xingamentos e palavrões. Devem estar me carimbando de direitista de extrema.
Não me importo com isso. Não estamos num país democrático? Não estou ultrapassando os limites da liberdade de expressão, apenas retratando as trapalhadas que acontecem no Brasil. É a primeira vez na história que uma conferência do clima pega fogo literalmente. Que organização é essa? Pior que o assunto foi abafado, como as labaredas com extintores.
Por falar em fogo, a COP30, em Belém, vai ter sua partida prorrogada, ou a disputa será decidida nos pênaltis? Quem sabe, esse jogo poderá até ser anulado por falta de entendimentos entre os juízes e o VAR! Prefiro a Copa Mundial de Futebol que tem início, meio e fim, isto é, data para começar e data para finalizar, com um time campeão.
Disse aqui que esta conferência, como as outras, mais parece com a lendária Torre de Babel onde cada um fala uma língua diferente e não se chega a um denominador comum sobre sua construção. Está difícil encontrar esse Mapa do Caminho.
Alguém aí acha que os produtores de petróleo, especialmente os árabes, aceitam reduzir suas explorações? Podem até assinar documentos, mas vão continuar intensificando a produção de combustíveis fósseis. Os Estados Unidos já disseram que sim.
Por que esses conferencistas não consultam à mãe natureza? Ela tem o Mapa do Caminho, só que a grande maioria não quer seguir. Prefere outra via que vai nos levar ao aumento do aquecimento global. A mãe natureza já nos disse que basta! Os fatos e os fenômenos estão aí, só não enxerga quem não quiser.
PRAGA DE CAVALO MAGRO
(Chico Ribeiro Neto)
Gosto de anotar ditados populares, ouvidos na fila do supermercado, no ônibus ou no bar, além dos que encontro na Internet. Minha mãe Cleonice gostava muito desse: “Água e conselho só se dá a quem pede”. O ditado popular não merece explicação. Quando exige uma explicação, é porque não presta. Igual a uma piada que você tem que explicar o final.
Vamos a alguns ditados:
“Casamento é igual Internet. Você assina um contrato hoje, amanhã já aparece um plano melhor”.
“Quando o rato ri do gato, há um buraco perto”.
“Macaco sabe o pau onde sobe”.
“Não te desperdiço nem te jogo fora. Te guardo pra boa hora”.
“O boi sabe onde fura a cerca”.
Mais alguns:
“Praga de cavalo magro não pega em cavalo gordo”.
“Ou toca o sino ou acompanha a procissão”.
“Farinha pouca, meu pirão primeiro”.
“Dedo-duro morre apontando”.
“Tempero de comida é fome”.
“Casa onde não entra o sol, entra o médico”.
Mais outros:
“Dia de muito, véspera de pouco”.
“Pé de galinha não mata pinto”.
“Quem nasceu pra tatu morre cavando”.
“Amizade remendada, café requentado”.
“Não há domingo sem missa nem segunda sem preguiça”.
“A santo que não conheço, não rezo nem ofereço”.
“Se ferradura trouxesse sorte, burro não puxava carroça”.
“Velho não senta sem UI! Nem levanta sem AI!”
“Quando dois elefantes brigam, quem sofre é a grama”.
“O machado esquece, a árvore recorda”.
“O mesmo sol que derrete a cera, endurece o barro”.
E pra terminar:
“Meia verdade é sempre uma mentira inteira”.
“Há 3 coisas que jamais voltam: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida”.
“A língua não tem osso, mas esmaga ossos”.
“Antes dono de uma moeda que escravo de duas”.
“Miséria pouca é tiquim”.
“Urubu quando tá de azar, o de baixo caga no de cima”.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
UM BRASIL DESCONFIADO E CONSERVADOR
“Vá com Deus”, Deus que lhe acompanhe”, Deus está no comando”, “foi Deus quem assim quis”, “fui salvo, graças a Deus”, Deus é fiel” e “família é tudo na vida”. São expressões que se ouve cotidianamente, não importando os extremos, os opostos, se religioso, ou não, e é isso que nos une em meio a esta polarização política extremista e derrotista.
O interessante é que este Deus tem seu nome banalizado, usado em vão até num jogo de cartas, ou para cometer maldades e bandidagens. A família – no bom, sentido – é unida até quando não envolve dinheiro no meio. Numa herança, ela entra em “guerra” de mortes. Tudo isso não é um paradoxo?
Diante de tanta violência brutal, golpes, individualismo, falsidades e falta de respeito para com o outro, talvez o brasileiro seja o mais desconfiado no mundo de hoje. O brasileiro desconfia do próprio brasileiro, inclusive quando se está no exterior. Por falar nisso, o nordestino, que sofreu séculos de agruras e isolamento, é o mais desconfiado. Ele é um cismado por natureza.
Esta desconfiança está também na convicção de que nem todos são amigos, embora seja outra palavra mais pronunciada por onde se anda, até mesmo saída da boca de um desconhecido na rua. Tem aquele “amigo-irmão” de botequim, dos encontros nos bares e na cachaça, que depois se vai ao vento como pó.
“Confie, desconfiando”. São raros os amigos. Inconscientemente, houve uma vulgarização dessa coisa do amigo. Essa desconfiança empurrou o brasileiro para a indiferença com relação ao próximo. Todos são suspeitos, até que se prove o contrário. Difícil se parar um carro na estrada para atender um pedido de socorro. Nas ruas das médias e grandes cidades, essa desconfiança ainda é bem mais acentuada.
O desconfiar resulta em afastamento e medo, que criam o fatalismo da polarização e da divisão no campo político, só que no meio disso existe atualmente uma grande maioria silenciosa que não fica bradando e xingando nas redes sociais, nem quer entrar nessa discussão. Procura ficar de fora. É essa maioria que toma posições caladas e até decide eleições.
Por sua vez, o brasileiro acha que sabe de tudo, mas, no fundo, nada sabe. No acreditar que tudo sabe, ele procura impor suas ideias como se fossem padrão de verdade e é aí que são gerados os conflitos e inimigos. O que os une é que “Deus está no comando” e “família é tudo na vida”. Nisso, todos comungam, ou quase todos.
Outra coisa é que o brasileiro é conservador por natureza, mesmo os considerados progressistas de esquerda. Na questão do sexo, para ele, tudo é lícito entre quatro paredes, mas não aceita exposição em público. No íntimo, se choca com o que ver. Ele ainda conserva dentro de si a cultura ancestral patriarcal, por mais que se diga aberto e liberal.
O mesmo acontece quanto ao preconceito racial e até de gênero. Ele fala em público e até procura forçar sua convicção de que não é preconceituoso, mas, aqui e acolá, termina caiando em deslize e contradição, sem sentir que está sendo. Antigamente, esse preconceito era bem explícito, hoje ele é escondido e patrulhado por força das mudanças nas políticas públicas que incriminam a prática.
Conforme constatou uma pesquisa sobre estes valores arraigados nos brasileiros, a nova geração, chamada por alguns estudiosos do assunto, de zen, ou ponto com, é a mais liberta desses preconceitos, e isso nos dá a esperança de que podemos ter um futuro melhor, sem essa mancha e esse rancor. O preconceito religioso está mais enraizado entre os fanáticos fundamentalistas.
Outra coisa é que o brasileiro se tornou um punitivista, tanto que a grande maioria defende a pena de morte, a redução da maioridade penal e até que se faça justiça com as próprias mãos. Vimos isso nas últimas operações militares feitas nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A maioria votou pela aprovação, segundo pesquisa realizada por uma empresa do setor.
Temos um Brasil paradoxal, “vira-lata”, de Nelson Rodrigues, que cultua o estrangeiro, caso dos Estados Unidos, que, por sua vez, enxerga nosso país como inculto, atrasado e arcaico. “Que país é esse”, tão miscigenado, místico e cheio de contradições?
SOFRIMENTO E RENOVAÇÃO
Assuntos não faltam para se escrever, uma arte de lidar com as palavras, mas hoje resolvi dar uma folga nos comentários mais pesados que nos afligem nos tempos atuais, principalmente em se tratando do Brasil, para falar um pouco do sofrer e da renovação do ser dentro de si.
Não sei se vou agradar a quem ainda ousa ler meus artigos, comentários e crônicas sobre coisas da vida. Sempre penso comigo mesmo que se houver apenas um leitor para meu texto que faço, já me sinto realizado, que seja a favor ou contra. A crítica é bem-vinda. Apenas escrevo, exponho minhas ideias. Ninguém é obrigado a concordar.
Isto me faz lembrar uma passagem entre o megaempresário do jornalismo Assis Chateaubriand e um aprendiz, tipo foca, que foi fazer um teste em um dos seus veículos de comunicação. Após sentar-se na mesa diante da máquina datilográfica e colocar a pauta no cilindro, Assis mandou que ele falasse sobre Jesus Cristo. O aspirante a repórter, sem pestanejar, indagou se a favor ou contra.
Olha eu novamente naquele vício jornalístico de fazer “nariz de cera” na abertura de uma matéria! O tema proposto é sofrimento e renovação, ou mudança na pessoa, se dessa forma o leitor preferir. Alguém já disse que é na fome que nasce a inspiração, embora não acredite muito nisso. Literalmente, como uma pessoa com fome pode ter inspiração para elaborar sua arte? Pode ser, se cada ser é um mistério indecifrável!
No entanto, estou a me referir ao sofrimento físico e espiritual que todo ser humano está sujeito enquanto vida, seja pobre ou rico. Muitos não suportam a dor do sofrimento e sucumbem, ou se entregam. Outros, talvez seja a maioria, enfrentam, ou encaram, aproveitado o sofrer para se renovar, mudar e seguir em frente, de maneira melhor do que era antes.
Muitos já devem ter conhecido alguém que era seco por dentro, duro consigo mesmo e com os outros, um indivíduo até certo ponto insuportável, mas voltou renovado depois de ter passado pela prova da morte. É aquela velha história do nascer novamente, com outra roupagem.
Existem também aqueles casos de pais indiferentes à violência urbana e que, após ver o filho estendido ao chão, todo ensanguentado, atingido por uma bala perdida, decidem tomar atitudes positivas perante a sociedade, no sentido de combater o descaso dos governantes.
Outros resolvem fazer campanhas de prevenção ao câncer depois de curado da doença, ou ver um ente querido ter sido vítima dela. Por que só após o sofrimento, nasce a renovação? É preciso que se passe por um momento difícil da vida para se chegar à mudança?
São reflexões que nos deixam intrigados e até não vemos essa renovação com bons olhos. Existem aqueles tipos que chamamos de guerreiros que, mesmo no sofrimento e nos piores desafios, não desistem de lutar e voltam das cinzas mais renovados e fortes, como uma fênix.
No âmbito existencial, todos passam por uma determinada espécie de sofrimento, que constitui prova de renovação, até de mudança de caráter. Este sofrer nos faz olhar e a refletir sobre o sofrimento dos outros, com mais compaixão, mas tem gente insensível
Uns passam a vida indagando e até negando sobre o sentido da vida. Por que uns sofrem mais que outros, nascem com doenças crônicas, com sérios problemas físicos e mentais, enquanto outros são saudáveis? Uns na extrema pobreza e outros em berço de ouro? Daí, surgir em muitos aquele eterno conflito sobre a existência de Deus.
Não importa. Quando alguém está passando por aquele aperreio danado, onde um problema surge atrás do outro, se diz que “faça do limão uma limonada”. Pelo menos serve de consolo. Tem aquela questão do pessimista e do otimista.
O primeiro não é bem visto, mas, engraçado que é nele que está a maior resistência de vencer as intempéries e as tempestades, porque é mais realista, de “pés no chão” e preparado para o sofrimento. O segundo vê tudo azul e não suporta a escuridão, nem todos.
NÃO SE COMBATE O BANDITISMO COM PROJETOS DE LEI E DECRETOS
Esse Congresso Nacional extremista é mesmo o pior da história do Brasil. Com suas ideias estapafúrdias e de interesses próprios de blindagem de crimes praticados pelos seus membros, eles estão levando o país para o abismo e a uma convulsão social sem precedentes.
Segundo pesquisas, a maior preocupação do brasileiro é com a segurança pública, no caso a violência policial e dos bandidos, comandados pelos seus chefes de facções criminosas, superando a corrupção (também é violência), o desempenho da economia ou inflação alta.
O banditismo de hoje nos faz lembrar do cangaço nordestino (volantes e criminosos), principalmente dos séculos XIX até meados do século XX. Por séculos o Nordeste sofreu um processo de isolamento com a ausência da Justiça e das políticas públicas dos governantes da época. Atualmente temos o cangaço urbano (forças armadas e traficantes), e o povo se sente isolado entre a cruz e a espada.
Não é com projetos de lei e decretos que vai se resolver o problema. Não se convence bandido a deixar o crime dizendo que ele está sujeito às penalidades da lei, porque quando ele entra nesse mundo já sabe que só tem duas opções na vida, a morte prematura ou a prisão, mas o dinheiro supera tudo. Para ele, a criminalidade é um bom negócio porque a sociedade o rejeitou lá atrás.
Aliás, já existe a pena de morte no Brasil, só que ela não é oficializada. A maioria acha que bandido bom é bandido morto. As facções sabem muito bem disso, mas, mesmo assim, a violência só aumenta e, para não morrer, os bandidos, cada vez mais, portam armamentos pesados e potentes, muitas dessas armas desviadas dos próprios quartéis ou contrabandeadas. Para eles, a única saída é o enfrentamento, com táticas de guerrilhas urbanas.
Não importa para o bandido e suas organizações se as penas vão aumentar para 30 ou 40 anos, nem tampouco que correm o risco de perder seus bens. Uma ação firme e conjunta entre a União e os estados pode pôr fim às quadrilhas organizadas, como ocorreu com o cangaço nordestino, em 1940, no Governo de Getúlio Vargas.
No entanto, temos hoje um país polarizado e dividido, onde a extrema direita torce pelo fracasso do governo federal, como enfraquecer a atuação da polícia federal e outras instituições ligadas à segurança.
A operação isolada do governo do Rio de Janeiro, onde cerca de 120 pessoas, inclusive soldados, foram mortas, não passou de uma intervenção desastrosa. Para os comandantes da carnificina, com derramamento de sangue, foi um sucesso. Tudo foi abafado e não se sabe quanto inocentes perderam suas vidas.
A comunidade do Complexo da Penha aprovou porque há anos vive acossada pelos bandidos, mas esquece que a maior culpa está na ausência de políticas sociais do poder público, sem falar na própria violência policial. O povo tem a sensação errônea de que tais operações vão acabar com o banditismo.
Os deputados da oposição estão mais interessados em distorcer a imagem do Brasil no exterior do que aprovar medidas visando a segurança da população. Um exemplo disso é tipificar os traficantes e as facções como terroristas, com o argumento simplista de que eles provocam terror nas favelas. Por esta ótica vesga, qualquer bandido é terrorista.
Até a própria classificação de terrorismo pelos países capitalistas ocidentais, principalmente por parte do Estados Unidos, é distorcida. Eles não querem admitir e nem pronunciar a luta de resistência de um povo contra a opressão secular imperialista, com apoio do seu próprio povo.














