:: ‘Encontro Com os Livros’
RUBEM BRAGA – O MAIOR CRONISTA BRASILEIRO EM CONSTANTE ATIVIDADE
Conterrâneo do cantor e compositor Roberto Carlos, o cronista Rubem Braga nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, em 12 de janeiro de 1913, véspera da I Guerra Mundial. O menino travesso era filho de Francisco Carvalho Braga e Raquel Coelho Braga. Começou seus estudos no colégio de dona Palmira Wanderley.
Sua biografia, história e crítica são contadas em “Literatura Comentada” por Paulo Elias Allane Franchetti e Antônio Alcir Bernardez Pecora. Tempos depois de muita curtição no interior, de férias na fazenda e na praia, Rubem Braga foi morar em Niterói onde terminou os estudos secundários em 1928.
No ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, mas em 1931 transfere-se para Belo Horizonte onde concluiu o curso. Trocou a advocacia pelo jornalismo. Seus primeiros ensaios literários foram em “O Itapemirim”, no Grêmio do Colégio.
Em Cachoeiro, manteve uma crônica regular o “Correio Maratimba”, no Correio do Sul, jornal fundado pelo seu irmão Armando. Em Minas, ainda como estudante, entra em contato com a imprensa e faz suas crônicas na redação do “Diário da Tarde”.
Em 1932, no Governo de Getúlio Vargas, ele já tinha 19 anos e enfrentou uma aventura durante a revolta dos paulistas. Com a Revolução Constitucionalista, Braga é enviado pelos “Diários Associados” para fazer uma reportagem na frente de guerra da “Mantiqueira”, do lado getulista.
Como o jornal era favorável à Revolução, o repórter foi preso em Manacá, sob suspeita de espionagem e enviado de trem para Belo Horizonte onde foi libertado. As notícias referentes às vitórias paulistas eram censuradas e as que expunham insucessos eram barradas pelo jornal.
De Belo Horizonte, Rubem Braga foi para São Paulo e, em fins de 1933 torna-se cronista e repórter do “Diário de São Paulo” onde estavam Alcântara Machado e Mário de Andrade. Segundo um jornalista, “há plantas que nascem e crescem depressa; outras que são tardias e secas”.
A amizade de Rubem com Antônio se assemelha às primeiras, e a com Mário às últimas. Quando Alcântara foi para o Rio de Janeiro, em 1935, convidou o amigo para trabalhar no “Diário da Noite”. Rubem também escreveu para “O Jornal”.
Depois da morte de Alcântara Machado, ainda em 1935, Rubem vai para Recife onde dirige a página policial do “Diário de Pernambuco”. Pela primeira vez consegue publicar uma notícia de suicídio, contrariando a filosofia do jornal. Com o desentendimento, funda a “Folha do Povo”, apoiando a Aliança Nacional Libertadora.
Em setembro vai para Porto Alegre e depois para o Rio onde trabalha no jornal “A Manhã”. Com a reação à tentativa de golpe comunista, o jornal é fechado, e o repórter desempregado. Braga deu a volta por cima. Em 1936, a editora José Olympio edita “O Conde e o Passarinho”, o primeiro livro do jornalista com as melhores crônicas, com boa aceitação.
No mesmo ano retorna a Belo Horizonte e trabalha na “Folha de Minas”. Logo que se casou, voltou ao Rio e depois São Paulo onde fundou a revista “Problemas”. Em 1937, em 10 de novembro é decretado o Estado Novo. Ele acompanha a notícia pelo rádio da casa de Oswaldo de Andrade com o amigo Sérgio Buarque de Holanda.
Em 1938 já está no Rio de Janeiro escrevendo para o jornal “O Imparcial”. Com Samuel Wainer e Azevedo Amaral, funda a revista “Diretrizes”. Perseguido pelo regime Vargas, se refugia no sítio de Carlos Lacerda. Quando Ademar de Barros é nomeado interventor em São Paulo, é para lá que Braga vai. Irrequieto, de lá segue para Porto Alegre, em 1939, onde trabalha no “Correio do Povo” e na “Folha da Tarde”.
Quando começa a II Guerra, Braga entrevista um membro da colônia polonesa que, com júbilo comemora o episódio, entendendo que dessa vez a Polônia teria a oportunidade de esmagar a Alemanha e a Rússia, mas só que ocorreu o contrário. Como comentarista político, chegou a ser preso e enviado de navio para Santos. Acontece que ele consegue desembarcar em Paranaguá, no Paraná, e de lá vai para São Paulo onde trabalha em “O Estado de São Paulo”.
Braga deu uma grande guinada em sua vida e, entre 1941 e 42, passa a vender pedras semipreciosas e a trabalhar em publicidade. Foram épocas de amarguras, ameaças, censuras e temores. Em 1943, Rubem ocupa o cargo de chefe de publicidade do Serviço Especial de Saúde Pública. No ano seguinte publica, em São Paulo, pela Editora Brasiliense, sua segunda coletânea de crônicas “O Morro do Isolamento”.
Nesse ano o Brasil envia tropas para a Itália, para combater os nazistas. Braga foi designado pelo “Diário Carioca”, para fazer a cobertura das atividades da Força Expedicionária Brasileira e seguiu para o front em setembro. Todos acontecimentos foram anotados para suas crônicas de guerra. No final, Rubem volta para o Brasil e publica “A FEB na Itália”, reunindo as melhores crônicas enviadas ao “Diário Carioca”. Com essa obra, Braga se torna um sucesso na nossa literatura moderna.
Em 1946, no “Correio da Manhã” e em “O Estado de São Paulo”, Rubem vai a Buenos Aires cobrir a eleição de Peron. Em 1947 trabalha ao lado de José Lins do Rego no jornal “A Manhã”. Depois, como correspondente de “O Globo”, foi por alguns meses correspondente em Paris.
Rubem escreve seu terceiro livro “Um Pé de Milho”, em 1848. No ano seguinte veio “O Homem Rouco”. Em 1950 retorna a Paris como correspondente do “Correio da Manhã”. Na volta ao Brasil, em 1951, escreve “50 Crônicas Escolhidas”. Em 1952 funda “Comício”. Faz mais uma escala em Paris. A partir de 1953 escreve para a “Manchete”. Em 1954, ano do suicídio de Vargas, o Serviço de Documentação do Ministério da Educação edita o livro de Braga, intitulado “Três Primitivos” (vida e obra de três pintores).
Em 1955, Braga é nomeado chefe do Escritório de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil, no Chile, cargo do qual desiste logo cedo. No mesmo ano publica “A Borboleta Amarela”. Em 1956 é enviado aos Estados Unidos pelo “Diário de Notícias” e “Manchete”, para cobrir as eleições do general Eisenhover. Entre 1957 e 60 publica mais três livros “A Cidade e a Roça”, “100 Crônicas Escolhidas” e “Ai de Ti Copacabana”.
Nessa época, torna-se embaixador e vai para Marrocos onde permanece até 1963 quando pede sua exoneração do cargo. Dois anos mais tarde viaja para Índia. Em 1967 funda com Fernando Sabino a Editora “Sabiá” que publicou seu livro “A Traição das Elegantes”. No ano seguinte trabalha no “Diário de Notícias” e “Última Hora”.
Em 1977 escreve “Crônicas Escolhidas” e colabora na coletânea “Para Gostar de Ler”, com Drummond de Andrade, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos. Nesse ano começa a atuar na Rede Globo de Televisão. Morre em 19 de dezembro de 1990, depois de um câncer, como o maior cronista brasileiro de todos os tempos.
O LIVRO IMPRESSO NUNCA VAI MORRER
Há 20 anos os “profetas” da internet anunciaram o sepultamento do livro impresso com o advento do chamado e-book pelo tablete e pelo computador. Até agora quebraram a cara, e vão continuar assim porque o livro impresso nunca vai morrer, muito pelo contrário.
Neste 23 de abril, “Dia do Livro”, o que podemos lamentar é que no Brasil, devido ao baixo índice educacional e cultural, se lê muito pouco em relação a outros países, inclusive se fizermos uma comparação com nossos vizinhos da América do Sul, como Argentina, Uruguai, Colômbia, Peru e outros. É até uma covardia colocar aqui nesta lista Estados Unidos e nações europeias.
Uma prova do baixo índice de leitura é a pequena quantidade de editoras e livrarias brasileiras. Nos últimos tempos, as maiores foram fechadas. Não precisamos ir muito longe. Aqui mesmo em nossa casa, em Vitória da Conquista, uma cidade de 230 mil habitantes, só temos dois estabelecimentos, se não me engano, dessa natureza. Para quem quer um preço mais em conta, felizmente ainda temos “ Sebo o Livreiro”, de Rai, no centro (Beco dos Artistas), com 60 mil exemplares. Esperamos que nunca venha a fechar as portas.
PÚBLICO REDUZIDO
Do início da computação para cá, podemos dizer que o livro emagreceu e tornou-se mais enxuto porque o seu público é cada vez mais reduzido. Além da baixa qualidade na educação e o surgimento do sistema eletrônico (redes sociais), outros fatores de valor menos relevantes, como a baixa aquisição financeira da nossa população e a falta de investimentos dos setores público e privado em novos talentos de escritores, influenciaram para a queda na produção literária.
No entanto, o livro vai continuar em seu devido lugar na preferência daqueles que adoram viajar pelo mundo da leitura, não importando se impresso ou na forma do e-book. Quando falavam que o impresso iria desaparecer, sempre respondia que aquele que não desenvolveu o hábito de ler não usa nenhum dos dois formatos.
É verdade que em nosso país o livro já teve seus bons tempos e era um veículo até citado em mesas de bares. Conheci um colega que lia até nos botequins quando estava só. Foi a saudosa época da nossa efervescência cultural, entre os anos 50 e 60, onde não somente o livro estava na onda, mas também outras linguagens artísticas, como o teatro, a boa música, o cinema, as artes plásticas e a escultura.
Nesse meio tempo de acentuado crescimento intelectual, veio o regime ditatorial com suas censuras, prisões e supressão da liberdade de pensamento e expressão. Toda aquela evolução foi interrompida. Não fosse esse triste episódio, talvez teríamos outro Brasil bem mais desenvolvido e menos desigual. Naquele tempo, muitos livros tiveram como destino a fogueira.
Depois disso, veio uma nova geração com outra mentalidade de não dar muita importância para o saber e o conhecimento. A isso, muitos deram o nome de alienação. O baixo nível de ensino também colaborou para essa decadência. Hoje, todo mundo só faz correr atrás do capital e esquece de alimentar o espiritual.
Os estilos e gêneros mais procurados são os livros de autoajuda, os infantis e de ficção. Ainda bem que muitas crianças têm pegado o gosto pela leitura. Nessa pandemia de muitas mortes e incertezas, a ansiedade e a depressão poderiam ser mais aliviadas se as pessoas ocupassem mais o seu tempo com um bom livro na mão, colocando a imaginação para voar. Tenho certeza que o livro é um bom remédio para a mente e o corpo, principalmente nesse período tão conturbado em que estamos atravessando.
Nesse “Dia do Livro” (23 de abril) quero aqui prestar uma homenagem aos grandes escritores brasileiros e estrangeiros, como Jorge Amado, Euclides Neto, João Ubaldo Ribeiros (baianos), Machado de Assis, José Lins do Rego, Lima Barreto, José de Alencar, Suassuna, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, George Orwell, Jack London, Ernest Hemingway e os brilhantes russos Vladímir Maiakóvski, Leon Tolsltói, Dostoiévski, dentre muitos outros.
BOCAGE – “AQUELE QUE VIVEU INTENSAMENTE”
A Abril Educação, em “Literatura Comentada”, numa seleção de textos biográficos e históricos de Marisa Lajolo e Ricardo Maranhão, desnuda a vida do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, falecido em 1805, que ficou conhecido como um desbocado de boa vida, fazendo o povo sofrido rir, mas que rompeu com as tradições ao falar a verdade, mesmo numa época onde era preciso agradar aos poderosos e seguir as regras clássicas acadêmicas.
Um jornal de Lisboa, de 22/12/1805, noticiou o falecimento de Bocage com 40 anos de idade, vítima de um provável aneurisma. Diz a nota que nos últimos anos ele vivia em companhia de sua irmã Maria Francisca e uma filha desta, sustentando ambos com traduções de livros didáticos.
Ex-membro da Armada Real Portuguesa, Bocage esteve na Índia, viajando num navio que fez escala no Brasil. Ele prestou serviços à Coroa nas colônias ultramarinas de Goa e Damão, dirigindo-se depois para Macau à revelia de seus superiores. Em sua vida, sempre foi um rebelde e debochado.
No retorno a Lisboa publicou suas primeiras poesias com o título de “Rimas”. Diante do sucesso, foi convidado a ingressar na Academia de Belas-Artes onde adotou o pseudônimo de Elmano Sadino. De temperamento forte e violento logo se desentendeu com vários poetas da Academia, desligando-se da agremiação. Foi acusado de heresia e perseguido, julgado e preso por algum tempo.
Ao recuperar a liberdade, segundo o jornal, com a promessa de converter-se, o poeta abandonou sua antiga boemia, vivendo o resto de sua vida como homem exemplar. A Abril Educação simulou uma entrevista como furo de reportagem, indagando se lá embaixo você é considerado um grande boa-vida, desbocado e briguento. Será que você não pode se apresentar aos nossos leitores de um jeito mais descontraído?
Bocage responde que “posso sim…Ponha aí então: Aqui dorme Bocage, o putanheiro/Passou a vida folgada e milagrosa/Comeu, bebeu”. O poeta nasceu em 15 de setembro de 1765, em Setúbal, Portugal. Em 1781 foge de casa e assenta praça como soldado, no Regimento de Infantaria, em Setúbal. Em 1783 muda-se para Lisboa e engaja-se na Armada Real Portuguesa.
O poeta foi autor de piadas e poemas pornográficos, sempre censurado e proibido, com ampla circulação clandestina. Escreveu versos desenxabidos e convencionais, cheios de alusões mitológicas e paisagens bucólicas? Ou foi o poeta que rompeu com o arcadismo, mergulhado em si mesmo que fez poemas de morte, amor e sofrimento? Ou o satírico irreverente que ironizou a sociedade e funcionários corruptos? Sabe-se, de acordo com a crítica, que ele é o avesso do Bocage popular. Para os mestres, foi um poeta sublime, herdeiro direto do soneto camoniano. A fama de boêmio e a tradição da poesia erótica só fizeram lhe comprometer.
Para outros que não dão ouvidos a professores, Bocage é uma espécie de mito. É quase uma metáfora: “Seu nome acoberta tudo o que de pornografia e libertinagens corre por aí”. Comentam os críticos da literatura que a censura portuguesa deste Bocage é paralela à tradição crítica, que considera qualquer obra satírica inferior a qualquer lírica.
A biografia do poeta apresenta um Bocage pecador arrependido, contrito e confesso no final da vida, reconciliado com Deus e com os homens. “Este Bocage oficial, portanto, é um poeta cuja trajetória de vida é exemplar, do ponto de vista de uma sociedade moralista e repressora, que encara prisão, doença, miséria e morte como castigo justo de uma vida violenta e inconformada”.
Boa parte da poesia de Bocage, conforme comentários dos autores da sua biografia e história, é composta de longos poemas circunstanciais e desinteressantes, que celebram acontecimentos do seu tempo, como as poesias dedicadas ao nascimento da rainha Maria Teresa, filha de D. João e Carlota Joaquina, ou os versos que choram a morte de um cidadão importante, como D. José, em 1777 (ele assumiu o torno em 1750, tendo como Secretário do Estado, o marquês de Pombal).
Em muitas vezes, o poeta se autocondena, falando de seus poemas como incultas produções da mocidade/Escritos pela mão do fingimento/Cantados pela voz da Dependência. Em “Já Bocage não sou… no final o poeta renega, aparentemente, todo seu passado de boemia e irreverência e se faz defensor de valores tradicionais e cristãos, quando diz “Se me creste, gente ímpia…/Rasga os meus versos…Crê na Eternidade”
A obra de Bocage é fruto de uma Academia douta e esnobe a exigir frieza de composição. No entanto, fora da Arcádia, no calor das ruas, o clima era propício para denúncias da hipocrisia social, da corrupção e da politicagem. Temas que não apareciam nas normas conservadoras do Arcadismo.
Fora dela, existiam os ecos da Revolução Francesa e a ascensão da burguesia. A poesia se transforma em mercadoria, e precisava agradar ao público que a pagava. “Fruto de tudo isso… é a poesia censurada de Bocage, irrompendo de improviso em botequins e estalagens”. “Era preciso falar a verdade”. “Era preciso voltar-se para o homem”
“VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ”
Dizem os críticos literários que “Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá” foi a melhor obra do escritor Lima Barreto, embora o público em geral sempre comenta e aponta “Triste Fim de Policarpo Quaresma” onde ele fala dos costumes da sociedade da época, com suas trambicagens e velhacarias. inclusive com personagens ciganas.
Em “Literatura Comentada”, da Abril Educação, Antônio Arnoni Prado destaca que neste livro o narrador Augusto Machado traça um esboço biográfico de seu dileto amigo Gonzaga de Sá, um velho bacharel em Letras, solteirão e voltairiano, religioso sem deixar de ser cético e maníaco por balões.
Na narrativa de Augusto, o autor vai alternando o relato biográfico com suas próprias reflexões sobre a vida e os homens. O tom é cheio de ternura pelo amigo, morto quando se abaixava para colher uma flor, numa tarde que ele e o narrador se encontraram no Passeio Público.
Entre os escritos do amigo falecido, Augusto encontra, numa página perdida de papel o que considera ser a teoria filosófica de Gonzaga, com a ideia de que só o acaso decide sobre a sorte das coisas. O texto de Gonzaga se refere ao inventor de uma máquina de voar que passa anos e anos montando seu engenho e se decepciona no momento de fazer o aparelho subir. Por um acaso, a máquina não sai do chão.
Gonzaga era ele mesmo um homem sem ilusões, frio e espirituoso. Evitou doutorar-se para fugir das hipocrisias das solenidades. Contentou-se em não ir além de mero funcionário da Secretaria dos Cultos, com intuito de sobrar mais tempo para estudar. Tinha uma verdadeira febre de conhecimento.
Através de árduas pesquisas, ele cultivava uma visão crítica de seu tempo, lendo tudo o que caia nas mãos. Para tanto, evitou o casamento e se afastou das obrigações mundanas.
Augusto vai recolhendo as impressões críticas de Gonzaga, um anônimo das ruas do Rio de Janeiro. Para Gonzaga, de acordo com a narrativa, havia muitas coisas erradas na nossa terra, como a insuficiência nas artes do desenho até a nossa estúpida mania da aristocracia, o preconceito em relação aos negros, o elitismo e a injustificada idolatria pelo “doutor”.
Gonzaga se orgulhava de fazer parte do povo mais humilde que se formou em nossa terra, e detestava a gente de Petrópolis. “Eu sou Sá, sou o Rio de Janeiro, com seus tamoios, seus negros, seus mulatos, seus cafuzos e seus “galegos” também”. Passava os momentos de folga andando no meio do povo, perambulando pelos bairros populares distantes. Havia nele uma certa nostalgia do passado, uma espécie de busca do espaço perdido da infância e dos tempos felizes de moço. Ele é o primeiro a apontar a causa social na modernização arquitetônica do Rio de Janeiro. Sente no começo do século o isolamento entre os bairros e o distanciamento entre ricos e pobres.
Quanto a este assunto, é um cético que se apieda pelos indivíduos. Um cético que tem opiniões práticas acerca do Barão Rio Branco que havia transformado o Rio em uma chicana particular, distribuindo o dinheiro do Tesouro como bem entendia.
De acordo com o narrador, Gonzaga deplorava a comercialização da cultura, a linguagem descuidada dos jornais e os falsos intelectuais reformadores, que só sabiam mostrar o radicalismo de suas convicções nas mesas de cafés. Sua consciência da realidade se agravava diante da miséria e do analfabetismo daqueles que eram explorados e “viviam sob o aguilhão dos deveres”.
Gradativamente, ele vai se resignando, encolhendo-se diante da opressão e da injustiça. Começa a achar que a única saída para os oprimidos estava na morte. “A morte tem sido útil… toda civilização resultou da morte”, cultivando a ideia de que o intelectual não deve, com suas teses, conspurcar a pureza dos ingênuos. Admitia que só o sofrimento engrandecia o homem.
O narrador Augusto Machado, como que pressentindo a morte do amigo Gonzaga, experimenta a tristeza de sua ausência, aproveitando ao máximo os últimos momentos de convivência e refletindo sobre o sentido da vida.
O PRECONCEITO RACIAL INTERROMPE OS ESTUDOS DE UM MENINO ESCRITOR
Não fosse o preconceito racial, o menino Afonso Henriques de Lima Barreto, nascido em 13 de maio de 1881, quando o mulato Machado de Assis lança, no Rio de Janeiro, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, e Aloísio de Azevedo publica “O Mulato”, tinha tudo para ser um grande aluno. Isolado e excluído, o único consolo eram as leituras na Biblioteca Nacional e as visitas à capelinha do Apostolado Positivista.
Em “Literatura Comentada”, da Abril Educação, o crítico Antônio Arnoni Prado fala do grande escritor que foi Lima Barreto, cujas obras foram marcos de uma literatura realista/naturalista de transição para o modernismo entre os séculos XIX e XX. Seu pai, João Henriques era tipógrafo nas oficinas do Jornal do Comércio e do Jornal A Reforma, e sua mãe, Amália Augusta, professora que contraiu tuberculose e morreu em 1887.
Lima Barreto tinha mais quatro irmãos e veio numa época muito difícil para a família quando sua mãe faleceu. Com seis anos frequentava a escola pública, quando o pai ingressou no movimento de resistência liberal e publicou uma tradução do “Manual do Aprendiz Compositor”.
Dedicado, Lima Barreto passa com brilho pelo curso primário e pelos exames da Instrução Pública que lhe deram condições para entrar no Liceu Popular Niteroiense. Internado, o menino só vê a família aos sábados. Deprimido e solitário pela discriminação, pensa em se suicidar aos 15 anos.
Em 1895 transfere-se para o Ginásio Nacional. No ano seguinte conclui os preparatórios no Colégio Paula Freitas para o ensino superior. Em 1897 ingressa na Escola Politécnica. Em 1902, ainda na Faculdade, começa a colaborar em “A Lanterna”, órgão da mocidade das escolas superiores. Assinava como Alfa Z e Momento de Inércia.
Na escola, Lima Barreto era perseguido pelo professor Licínio Cardoso, com constantes reprovações injustas, e sofria de forte discriminação racial. “Seu sentimento de revolta, suas atitudes pessimistas e seu complexo de inferioridade aumentam”. Nessa época, seu pai enlouquece. Para cuidar dos irmãos e da saúde do pai, abandona a Faculdade.
Em 1903 ingressa como amanuense na Secretaria da Guerra. Frustrado com a situação, ele começa a beber e a frequentar cafés, livrarias e redações de jornais do Rio de Janeiro. Era o fim do período áureo da boemia literária. Dos encontros nos cafés, conhece Domingos Ribeiro Filho, Lima Campos, Gonzaga Duque e outros. Desses contatos com o meio intelectual, passa a colaborar na “Quinzena Alegre” e em “O Diabo” (revista de troça e filosofia). Depois conseguiu um trabalho na redação de “O Pau”, com Crispim Amaral.
O ingresso no jornalismo profissional se deu em 1905 no Correio da Manhã. Divide seu trabalho com a militância política no comitê do Partido Operário Independente. Em 1907 funda a “Revista Floreal”, para combater os formulários de regras literárias que impediam a projeção de novos talentos.
Finalmente, em 1909, Lima Barreto publica, em Lisboa, seu romance de estreia “Recordações do Escrivão Isaias Caminha”. No ano seguinte, o livro é elogiado por José Veríssimo. Em 1911, o Jornal do Comércio começa a publicar em folhetins seu segundo romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, numa linguagem despojada e inconformista.
O escritor aproveita o sucesso para colaborar com a Gazeta da Tarde e publica o romance “Numa e a Ninfa” (relatos folhetinescos). Esta fase, porém, é marcada por penúrias e desgostos familiares. Entrou em depressão e terminou sendo internado no hospício, em agosto de 1914.
Ao sair, intensificou mais seu vício ao álcool e passou a perambular pelas ruas. Certa vez, seu amigo Monteiro Lobato o vê bêbado numa mesa de bar e evita falar com ele por se sentir constrangido. Em 1916 precisa fazer um tratamento de saúde para curar uma anemia profunda, mas continua participando do jornalismo militante de esquerda, apoiando a plataforma do movimento anarquista que desencadeia em 1917, em São Paulo, uma das maiores greves da história operária brasileira.
Lima Barreto aproveita o ensejo e lança o “Manifesto Maximalista”, publicado nas páginas do seu semanário A.B.C., com informações sobre a Revolução Russa. Mesmo fraco, continua sua atividade literária e escreve para a revista “Brás Cubas” e a “Lanterna”. Publica “Os Bruzundangas”, um perfil das mazelas nacionais. Em 1918 é aposentado da Secretaria da Guerra por invalidez. Foi ainda diagnosticado como portador de epilepsia tóxica.
Sua melhor obra para muitos críticos foi “Vida e Morte da M. J. Gonzaga de Sá”, em 1919. Foi novamente recolhido ao hospício e só volta de lá em 1920. Candidata-se por duas vezes à Academia Brasileira de Letras, mas não é eleito. Suas últimas manifestações de rebeldia intelectual foram registradas no romance “Clara dos Anjos”, crônicas sobre o folclore e publicações de suas experiências no hospício, contidas nas páginas do “Cemitério dos Vivos”.
A miséria e os delírios do pai louco esgotam suas forças para escrever, e Lima Barreto morre de colapso cardíaco, em 1º de novembro de 1922, nove meses depois da realização da Semana de Arte Moderna. Ele nasceu no realismo/naturalismo e viveu no simbolismo. Na verdade, foi um precursor do modernismo, numa autêntica literatura, “voltada para os problemas existenciais do indivíduo em face da sociedade”.
Em nosso próximo “Encontro com os Livros” vamos comentar uma das suas importantes obras da literatura brasileira.
OS ASTECAS, OS INCAS E AS DOENÇAS
Depois das três expedições do navegador Cristóvão Colombo, no final do século XV pelas terras das Américas Central e do Sul (Ilha Hispaniola – Haiti e Venezuela), atrás dele vieram os desbravadores espanhóis que penetraram no interior dos reinos dos astecas, maias e dos incas, disseminando as piores doenças (as armas mais letais) que exterminaram metade dessas nações.
Está no livro “Uma Breve História do Mundo, de Geoffrey Blainey, que em 1517, o navegador Grijalva saiu de Cuba e visitou várias cidades portuárias do continente. Na volta trouxe notícias dos rumores do Império de Montezuma II, no México, (em redor de um lago). Era temido e odiado pelos maias, mas o audacioso Hernán Cortés, com 34 anos, não muito preparado em guerras, foi lá enfrentar a fera.
Partiu de Cuba em novembro de 1518, com 530 europeus dentre os quais 30 especialistas em atirar com besta (arma medieval). A maioria de seus soldados tinham mais experiência com arcos e flechas. No navio levava centenas de índios cubanos e escravos africanos. A maior surpresa estava nos 16 cavalos que foram vistos em seu desembarque como se fossem deuses.
Na páscoa de 1519, Cortés passou três semanas na cidade de Potonchán onde foi erguida uma cruz cristã. Nela, como narra o autor da obra, o aventureiro foi presenteado com uma mulher de nome Marina que lhe serviu de intérprete na jornada. A cidade de Montezuma, chamada de Tenochtitlan (México) ficava no caminho entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, numa altitude e 2.500 metros.
Conhecer a cidade de cerca de 200 mil habitantes (uma das maiores do mundo) era uma visão extraordinária. Em pleno planalto, um lago, e ao longe umas pirâmides de pedras. Naquela época, somente Constantinopla e Nápoles tinham igual tamanho.
O império abrigava em todo seu território, não muito grande, cerca de oito milhões de nativos que se destacavam nas artes da construção, arquitetura, na agricultura e como ourives. Cultivavam o feijão, o milho e abóbora. Criavam perus e patos-do-mato.
O sacrifício de vidas humanas fazia parte do calendário da cidade asteca, e era mais parecido com uma carnificina do que com um festival religioso. A maioria das vítimas era constituída de homens. Um século anterior, esse ritual tornou-se mais frequente. A vida após a morte era vista como mais importante, e a execução era feita com muita dramaticidade pelos sacerdotes. O ato chegava a ter a acolhida dos pais, na maioria pobres, que entregavam seus filhos. O coração era habilidosamente arrancado do corpo e depois queimado em cerimônia, segundo o historiador Geoffrey.
A invasão de Cortés contou muito com o apoio de povos vizinhos que odiavam os astecas. Ele chegou até mesmo a ganhar ajuda de astecas que estavam no comando e que pensavam, quando o espanhol chegou em 1519, que fosse a reencarnação de um deus por quem a muito eles esperavam. Montezuma humildemente se rendeu, e Cortés assumiu o poder do império.
OS INCAS E AS DOENÇAS
Bem mais ao sul, na região montanhosa dos Andes, havia outro império mais novo, governado por um imperador conhecido como o Inca. Suas cidades contavam com um escudo protetor de montanhas e desfiladeiros. A região começou a se agitar por volta de 3000 a.C. quando domesticou a lhama, a alpaca e o porquinho-da-índia. Mil anos depois, seu povo começou a cultivar milho e batata.
Na época de Cristo, esses nativos de Nazca já cavavam túneis nas encostas dos morros, ao sul do Peru, com a intenção de desviar os lençóis subterrâneos para a irrigação. A construção dos terrenos para a agricultura e os aquedutos era um trabalho admirável.
Por volta de 1400 existia uma profusão de estados separados, muitos dos quais ocupavam os vales e as encostas. A paisagem acidentada facilitava o isolamento entre eles, com 20 línguas distintas e cerca de 100 grupos étnicos. Nessa época, uma superpotência começou a lutar pela sua supremacia.
Os conflitos entre as nações chegaram a danificar os projetos de irrigação pelos vencedores que levavam mulheres e crianças como prisioneiras. Nessas guerras, os incas chegaram a ser superiores, expandindo seus territórios a partir de 1438.
Originários da região de Cuzco (atual Peru), os incas chegavam a cerca de 40 mil. Depois de uma sucessão de lutas, governaram uma população de mais de 10 milhões de pessoas, isto por volta de 1492. Seus domínios iam da Colômbia e Equador até a região central do Chile. “Hoje, cinco repúblicas independentes ocupam o território um dia governado por eles”.
O império era unido por uma grande rede de estradas, espalhadas por mais de 23 mil quilômetros, até mais notáveis que as do tempo do Império Romano e as construídas pelos chineses. Com pontes seguras, serviam para transportar mercadorias e como vias por onde passavam os soldados para patrulhar alguns pontos estratégicos.
O sol, como fornecedor de calor, era visto como amigo (a vida após a morte era vivida sob seu calor). A lua era tida como outro deus. Como deus masculino, o sol regulava o calendário que começava em dezembro, e tinha sua planta favorita, cujas folhas produziam a coca que possuía qualidades espirituais. Dessa planta vieram a droga cocaína e o aditivo que até 1905 fazia parte da receita do refrigerante Coca-Cola.
Na sociedade inca, as mulheres vinham em primeiro lugar e tinham a lua como a deusa da fertilidade. Seu direito à propriedade era respeitado. O papel econômico era tão honrado quanto ao dos homens. Nos rituais religiosos praticavam o sacrifício de animais (lhama e o porquinho-da-índia) e também o de seres humanos quando se ia à guerra e para pedir chuva em tempos de seca.
Com o tempo, os incas aprenderam a cultivar a batata, o tomate, feijão, o caju, o amendoim, a coca, pimentas, a abóbora e a mandioca. Seu império começou a se desmoronar com a chegada dos espanhóis no início do século XVI. “A maior influência veio na forma de doenças que se alastraram entre os povos”, inclusive vitimou o imperador por volta de 1525 quando retornava de uma guerra.
Com o seu falecimento, as discórdias provocaram uma guerra civil, mesmo antes do verdadeiro inimigo chegar. Os incas lutaram entre si sem saber que um inimigo poderoso, os espanhóis, estava a bater em suas portas. Na verdade, as doenças foram mais letais que as armas. Quando Cristóvão Colombo chegou às Américas, a varíola já era comum na Europa. Em 1519, a doença já havia atingido o Haiti, ou ilha Hispaniola.
“Era uma arma secreta e não intencional dos soldados espanhóis que, sob o comando de Francisco Pizarro, partiram do Panamá para conquistar os incas”. Em novembro de 1532, os espanhóis capturaram o imperador Atahualpa,
Antes disso, em 1530 a varíola já havia feito grandes estragos, desde a Bolívia até os Grandes Lagos, no norte. Em seguida vieram o sarampo e o tifo que eram doenças novas para os espanhóis. Na leva vieram a gripe, observada nas Américas em 1545, a coqueluche, a difteria, a escarlatina, a catapora e a malária .
“UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO”
OS COMERCIANTES E AS RELIGIÕES”
É uma obra do historiador acadêmico britânico Geoffrey Blainey que vale a pena ser lida pela sua didática e fácil compreensão sobre as origens humanas, as subidas das águas dos oceanos, as viagens dos povos entre os continentes, suas evoluções, as tribos nômades, as religiões, os grandes impérios, entre outros temas de importância para o conhecimento geral.
Nessa nossa coluna semanal de “Encontro com os Livros”, vamos aqui focar o capítulo “O Trio Triunfante” que prefiro intitular de “Os Comerciantes e as Religiões”. Nele o autor destaca que num período de tempo pouco superior a mil anos surgiram Buda, Cristo e Maomé, três religiões universais (o judaísmo em parte era também universal) que cruzaram fronteiras para converter uma grande variedade de terras e povos.
A TRANSIÇÃO DO MEDO
Essas religiões refletiam uma transição de que Deus era um símbolo do medo (assim era visto pelo Antigo Testamento) para uma transição do amor divino. Se formos analisar bem, como assinalou o autor da obra, os comerciantes foram os maiores propagadores dessas religiões. Eles precisavam de um clima de afabilidade onde os acordos pudessem ser honrados.
Os primeiros seguidores de Buda (Sidarta Gautama) eram comerciantes, como o próprio Maomé. Como carpinteiro, Cristo também foi, em parte, um comerciante com seu pai José. O cristianismo foi disseminado pelos judeus comerciantes longe de casa. Além dos negociantes, dois grandes imperadores, Asoka, da Índia, e Constantino, de Roma, foram fundamentais parra o sucesso do budismo e do cristianismo.
Por volta dos anos 900, essas três religiões alcançaram a maior parte do mundo. A mais nova, o islã, muito dependeu dos comerciantes árabes. A mais antiga, o budismo, teve sua maior força na população chinesa. Os monges atravessaram fronteiras da Índia até a Coreia, Japão e a Indochina.
O cristianismo contava mais com o nordeste da África e da Ásia Menor. Somente na Europa ele passou a ser dominante da Irlanda até a Grécia. Fazendo seus negócios, os comerciantes espalhavam as palavras e preparavam os caminhos para os missionários.
No capítulo sobre a Polinésia, o autor fala da Europa e da China que formavam grandes mundos com o tráfego fluindo entre si, enquanto outros povos viviam isolados, principalmente quando eram separados pelo mar. De acordo com ele, em toda história humana houve somente três grandes momentos em que viajantes cruzaram os mares para povoar terras desabitadas.
Um foi há mais de 50 mil anos, da Ásia para a Nova Guiné e Austrália. Outro foi a migração da Ásia para o Alasca, há mais de 20 mil anos, com a lenta ocupação do continente americano devido a obstáculos geográficos. O terceiro momento foi a migração dos povos da Polinésia para uma extensa faixa de ilhas do Oceano Pacífico e Índico.
A CHINA E SEUS INFORTÚNIOS
Quanto as potencialidades da China, que terminou por não aproveitar seus conhecimentos como devia, o historiador destaca a arte da comunicação com a invenção do papel manufaturado e a arte da imprensa, usando sinais gravados em blocos de madeira. Foi o acontecimento mais memorável desde a invenção da escrita.
O livro mais antigo data de 868, o qual serviu para difundir a mensagem do budismo e os preceitos de Confúcio. Todos os candidatos ao serviço público tinham que conhecer. Em 1273 imprimiu-se um livreto para fazendeiros e cultivadores de seda natural. A China possuía os fazendeiros mais capacitados do mundo.
Os chineses eram mestres em projetos de vias marítimas, enquanto os romanos especialistas do aqueduto. A China foi exímia na construção dos canais de embarcações (O Grande Canal da China). Com o enxofre, o salitre e o carvão, descobriu a pólvora, e dominava as técnicas de navegação e construção de navios. Na medicina e na saúde, os chineses foram vigorosos em experimentar novas soluções.
Diz o professor que o maior infortúnio foi que eles, por muito tempo, foram quentes, frios, criativos e letárgicos. Mesmo tendo inventado a bússola, fracassaram no mar porque não tinham o desejo de descobrir o desconhecido. Eram bons cartógrafos, mas seus mapas se resumiam aos seus distritos agrícolas. Os cientistas acreditavam que a terra era plana. Quando eles saiam ao mar, longe de casa, só visitavam portos conhecidos da Ásia e do Oceano Índico.
“A GENTE SÓ CONSEGUE PENSAR ESCREVENDO”
“A GENTE SÓ CONSEGUE PENSAR ESCREVENDO”
Esse pensamento, se não me engano, foi dito por um grande escritor norte-americano. Se não existe leitor, vai se escrever para quem? Do outro lado, se não existe escritor, também não existe leitor. Um depende do outro, e quem surgiu primeiro? É um caso para reflexão. Confesso que me identifico muito com esta frase.
Essa introdução é para comunicar aos nossos poucos leitores do blog www.aestrada.com.br, mas de fundamental importância, que estamos abrindo hoje (dia 12/03) uma nova coluna intitulada “ENCONTRO COM OS LIVROS” onde todas as sextas vou me comprometer, com toda modéstia, a comentar sobre um livro e o seu autor, como indicar outras obras, na tentativa de fazer minha pequena parte de incentivar a leitura.
No momento, estou lendo (gosto muito de história) “Uma Breve História do Mundo”, de Geoffrey Blainey, professor da Universidade de Harvard e Melbourne. É um grande historiador com mais de 35 livros, e este é um best-seller. Ele é autor também de “Uma Breve História do Século XX”.
Em “Uma Breve História do Mundo”, e também em seus outros trabalhos, Geoffrey adota uma linguagem didática e objetiva sobre a saga da humanidade, desde seus primórdios até os tempos atuais. De acordo com a Editora Fundamento, o autor descreve a geografia das civilizações e analisa o legado de seus povos.
Trata-se de uma viagem no túnel do tempo, de uma forma bem resumida e compreensível. Nele, o leitor vai entender como eram as noites dos primeiros nômades. Descreve ainda como surgiram as primeiras religiões, a carnificina das guerras e a ascensão e queda dos principais impérios.
Entre os capítulos, destacam-se “Vindos da África”, “Quando os Mares Começaram a Subir”, “A Cúpula da Noite”, “As Cidades dos Vales”, Senhor do Amarelo –Rei do Ganges”, “A Ascensão de Roma”, “Depois de Cristo”, dentre outros.
Aproveito a abertura dessa coluna para reapresentar minhas modestas obras até aqui, como “Terra Rasgada” (prosas e versos), “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste”, “Uma Conquista Cassada”, uma pesquisa sobre como foi o regime ditatorial em nosso município, na Bahia, no Brasil e na América do Sul, e, por fim, “Andanças” – crônicas, contos, causos e poemas.
Nesse momento crucial dessa pandemia, minha produção tornou-se mais intensa com vários desafios em modalidades diferentes da arte, como a produção de vídeos de texto poéticos sobre a atualidade, com críticas políticas, sociais e comentários da vida cotidiana. A intenção é reunir todo esse trabalho num livro inédito de poemas, intitulado “NA ESPERA DA GRAÇA” – entre engaços e bagaços”. A publicação ainda esbarra na questão financeira, mas essa pandemia tem sido também um grande obstáculo para a concretização do projeto. Aos poucos vamos chegar lá.


























