O SERTÃO EXUBERANTE!
Depois que batem as chuvas, o sertão do semiárido brota exuberante de encher os olhos, como observei nas paisagens verdes saindo de Vitória da Conquista para Juazeiro. As flores se abrem, as águas jorram para todos os lados, os rios transbordam e a terra fica viçosa para alegria do sertanejo que vê chegar a fartura.
Logo partindo de Conquista, na boca do sertão para Anagé, o colorido toma conta com árvores floridas que substituem os engaços cinzentos dos tempos da seca onde só o mandacaru, os cactos e a palma sobressaem, para tristeza do homem do campo que fica sem água e alimentação para si e seus rebanhos.
As duas épocas servem de contrates nas lentes das máquinas fotográficas e ambas produzem lindas fotos, umas de desolação e outras de esperança e fé. As reportagens são diferentes, mas enchem as páginas dos jornais, e as imagens ilustram as televisões e as redes sociais.
Os açudes, tanques e barreiros secos voltam a dar vida com as chuvas, como nos últimos meses. Dá gosto ver a natureza renovada e sentir o vento cortante balançar as árvores exuberantes, como os ipês e outras espécies da caatinga.
Os animais se alimentam da seiva de barriga cheia. Os sapos saltam das lagoas e as aves cantam com mais harmonia. Todos agradecem a fartura. Os frutos ficam mais saborosos, como os umbus e até me aventureirei nos matos para catar essas delícias.
Pena que o homem não aprendeu zelar por toda essa riqueza natural e ainda joga lixo nas estradas e derrama esgotos e detritos nos rios. Toda essa sujeira pode ser vista nas corredeiras e nas margens dos rios e riachos, poluindo nosso amado meio ambiente.
É o sertão forte e bonito de se ver. Entristece a alma quando bate a estiagem e o sertanejo é obrigado a se retirar para outros rincões mais distantes da sua terra natal. É bom retornar, mas é necessário refletir e mudar de comportamento quando se trata de preservar a natureza que ela nos presenteia com suas dádivas.
Confesso que fiquei encantado em ver toda essa exuberância nos mais de mil quilômetros de viagem, mas em minha mente também passavam os fleches dos engaços e bagaços, dos carros-pipas levantando a poeira das estradas para abastecer as cisternas desse semiárido tão castigado que os governantes pouco dão a devida assistência e apoio para se conviver com as secas.

















