NA PÁTRIA DAS DANCINHAS
Não que esteja condenando as danças (do pombo) dos jogadores brasileiros na Copa do Qatar, mas parodiando o cronista Nelson Gonçalves quando intitulou o Brasil de pátria das chuteiras, vimos mais dancinhas que foco no objetivo principal que seria chegar ao final do campeonato, pelo menos isso. Terminamos na pátria das dancinhas.
Muitos pintaram as cabeças de branco a lá Neymar em formatos de cuia e esqueceram de usá-la para se concentrar melhor nos lances quando o Brasil estava dando um a zero na Croácia. Vão dizer que brasileiro é assim mesmo, mas para que tanta papagaiada?
A Croácia, com mais seriedade e apetite de decisão, terminou dando pipoca para os pombos. O favoritismo repetido tantas vezes pelos técnicos adversários subiu à cabeça da equipe e não deram conta da missão que era ganhar de um país menor que o estado de Sergipe.
Com eles levaram as famílias, mulheres, filhos, netos, sobrinhos, cachorro e papagaio como se fossem a um piquenique ou a uma viagem de férias, como fizeram na África do Sul onde até alugaram casas. Numa competição como esta, os atletas (muitos desconhecidos dos torcedores) precisam é de concentração total e não de distrações, passeios e até folgas.
Tudo começou errado lá atrás em 2018 quando a seleção foi eliminada nas quartas (o Brasil sempre cai de quatro) pela Bélgica e a Globo, na voz do Galvão Bueno (poucos lembram disso), foi a primeira a defender a permanência de Tite como treinador. Ganhou todas dos pernas de paus, até de goleada.
A CBF acatou o grito de Galvão, o polivalente que faz as narrações, os comentários, papel de juiz e ainda a função de técnico dando berros nas jogadas, como passa a bola, pra cima deles, cruza, não faça isso e aquilo. Galvão deve achar que os jogadores ouvem ele no campo. Montaram uma Central da Copa que se fala de tudo, menos de futebol. Mais parece um programa de humorismo. Talvez o Brasil fosse hexa se colocasse o Galvão como técnico e Tite como narrador.
Foi muita empolgação quando o Tite saiu arrasando os sul americanos nas eliminatórias, competindo com países fracos como Venezuela, Paraguai, Equador, Chile, Peru, Bolívia e Uruguai, com exceção da Argentina, a mais forte.
Foram para o Qatar todos cheios de certeza de que a taça já era nossa e de mais ninguém. Foi fácil passar na fase de grupos. Nas oitavas pegou uma Coreia do Sul cujos atletas só fazem correr como tontos e ainda não aprenderam a jogar futebol.
Fizeram aquela lambança ou dança do pombo, enquanto os outros técnicos e suas equipes estavam nos hotéis concentrados, estudando os movimentos do Brasil em campo para neutralizar as “estratégias” do senhor Tite. Tirando o Neymar, o melhorzinho porque pouco se cuida, o resto dos jogadores é do mesmo nível. Nas substituições, é o mesmo que trocar seis por meia dúzia. Não faz muita diferença.
Com as dancinhas e outras presepadas encheram os torcedores – a maioria entra na onda e pouco entende de futebol – de confiança ao acreditar que o Brasil estava com um time imbatível. Sobrou festa das dancinhas e faltou concentração e disciplina para enfrentar os inimigos na “guerra” da bola.











