Quem é esse encantado,

De alma menino,

Que tanto nos fascina,

Como mito divino,

Que encurta caminhos,

De origem asiática ou latina,

Que escreveu em sua lápide:

Por aqui passei, sempre amei,

E tudo deixei.

 

Quem é esse encantado,

Sem mitra e estola,

Que da vida fez escola?

 

É índio guerreiro?

General das guerras vencedor?

Escravo liberto do seu senhor?

Sábio viajante do tempo?

Ou espírito amante cantante?

 

Quem decifra seu encanto,

De encantado profundo,

Religioso e profano,

Que sabe rir e sofrer,

Sem ser pecador e santo,

Que só o canto da viola,

Desencanta seu mundo?

 

Quem é esse encantado,

De tanto mistério na terra,

Que sabe subir e descer a serra,

E conhece os enigmas do ar e do mar?

 

Quem é esse encantado,

Que tanto encanta o humano,

Pescador de poesia,

Resistente como planta

Do nosso sertão nordestino,

Que rege seu próprio destino,

E vive da sua filosofia?