Por acaso alguém conhece este termo em latim que resume bem o significado de ser amigo? Um amigo de verdade, muitas vezes vale bem mais do que um irmão. Antigamente era coisa séria, mas a palavra nos tempos modernos foi se banalizando.

  Você bate com uma pessoa qualquer numa rua ou em outro lugar e vai logo chamando de amigo. “Facilita isso aí para mim, amigo”. É comum você ouvir isso de alguém para um funcionário de uma repartição pública ou outro setor, solicitando o desembaraço do seu problema. “Oh, amigo, dá uma ajudinha aqui para empurrar esse carro que só pega no tranco”!

  Criaram o “Dia do Amigo”, 20 de julho e logo veio em minha cabeça essa frase em latim que significa “o amigo certo se revela na ocasião incerta”, ou pode ser literalmente no popular, “amigo certo nas horas incertas”. Dizem que essa expressão foi do orador romano Cícero.

  “Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração”. Esse verso quase todo mundo sabe que é “Canção da América”, cujos compositores são de Milton Nascimento e Fernando Brant. Essa criação é profunda e vai até o além e se eterniza.

  O verdadeiro amigo se prova nas dificuldades e não naquele que é seu “amigo” quando você está numa boa, no sucesso e bem de vida em termos de dinheiro. Tem gente que está sempre ao seu lado, nos eventos, bares e restaurantes quando se está por cima “da carne seca”, mas depois some quando o cara entra em desgraça.

  Na filosofia citam que existem três tipos de amigos, tais como amizades de utilidade, de prazer e as amizades de virtude ou caráter. Este último, meu amigo, está bem escasso na praça de hoje em dia. Tem outros que dividem as amizades em folhas, galhos e raízes, isto no sentido metafórico.

 “Você meu amigo de fé, irmão camarada…”, abre a canção “Amigo”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, e fecha com a estrofe “Não preciso nem dizer/Tudo isso que eu lhe digo/Mas é muito bom saber/Que você é meu amigo”. A letra ainda fala de “amigo certo nas horas incertas”.

  Para o brasileiro que desconhece e tem tantas rivalidades com os nossos hermanos mais próximos, onde a grande maioria torceu contra seu time de futebol na final da Copa, o “Dia do Amigo”, por incrível que pareça, foi criado na Argentina pelo psicólogo professor Enrique Ernesto Febbraro.

  A data passou a ser comemorada na Argentina, em 1999.  Celebra-se também no Brasil o “Dia Internacional da Amizade”, em 30 de julho, proclamado pela ONU.

 Contam que Febbraro escolheu a data de 20 de julho para marcar a chegada do homem à Lua, 20 de julho de 1969, símbolo de união e paz entre os povos. Enviou várias cartas para diversos países e sua ideia foi concretizada.

Ocorre que essa paz está cada vez mais longe de ser alcançada, com as guerras sangrentas e genocidas decretadas por tiranos, com suas xenofobias contra imigrantes e a construção de muralhas e cercas farpadas nas fronteiras.

  Quanto ao “Dia do Amigo”, isto é, as relações entre as pessoas com as quais convivemos no dia a dia, é preciso ter muito cuidado e saber fazer as escolhas certas. Fique distante do invejoso, do interesseiro (a) (o que mais temos atualmente), do traiçoeiro, das amizades de utilidades, de prazer, dos folhas e galhos.

  Por falar em amigo, nunca me esqueço do dia, há muitos anos, quando estava na universidade, ou, se não me engano, já atuando no jornalismo e levei uns amigos à casa dos meus pais na roça, em Piritiba. Ao meu velho, depois de uma longa viagem fazendo farras e numa alegria só, os apresentei como amigos da capital.

  Com seu jeito sertanejo nordestino de cismado, com o pé na frente e outro atrás, olhou bem para mim e me advertiu, com sua maneira sisuda, rústica e carrancuda, que amigo era coisa séria e prestasse mais atenção nas escolhas.