:: set/2023
O PIB E O MEIO AMBIENTE
Nos tempos passados ninguém imaginaria que haveria ciclones e tempestades com mais de 100 quilômetros por hora como vem ocorrendo no sul do país! Que o deserto de Nevada nos Estados Unidos iria virar lama! Que regiões da Europa atingiriam o calor de 50 graus! Que os tufões ficariam cada vez mais frequentes e arrasadores! Todos os dias a mídia anuncia catástrofes e tragédias em algumas partes do planeta, com centenas e milhares de mortes.
Alguns estudiosos preferem explicar que tudo isso está relacionado a fenômenos climáticos naturais e até renegam a tese do aumento da emissão de gases na atmosfera e a destruição avassaladora do meio ambiente pelo terráqueo, sem pena e compaixão. Há séculos que esse ritmo de depredação da natureza vem acontecendo e ela agora está dando sua resposta.
Nas reuniões climáticas, os chefes de Estado e seus staffs discutem, prometem e assinam documentos de que vão reduzir seus níveis de poluição, mas no meio aparece o tal do PIB-Produto Interno Bruto onde cada nação entra na corrida para produzir cada vez mais, o que significa mais consumo. Falam em desenvolvimento sustentável e até nessa venda de carbono para amenizar a situação, mas o estrago já foi feito.
Não sou doutor e nem especialista no assunto, mas não precisa ser nada disso para perceber que a destruição da terra e da humanidade que nela habita não tem mais retorno. Algumas medidas são apenas paliativas porque, enquanto se retira, por exemplo, uma tonelada de lixo do ambiente numa hora, outras milhões de toneladas de sujeiras são jogadas em nosso planeta. A conta nunca bate.
Só para ficarmos aqui no Brasil, perdemos a conta das catástrofes provocadas pelas empresas comerciais e industriais, principalmente mineradoras e químicas, como a da Barragem de Mariana, a de Brumadinho (Minas Gerais), a da Braskem, em Maceió (Alagoas), com o afundamento do solo da capital e tantas outras. São centenas e milhares de vítimas e sempre aparecem outras tragédias.
É o famoso embate entre o PIB, o consumismo exagerado e o meio ambiente, sem falar no instinto primitivista do ser humano de se autodestruir por causa da luxúria, da ganância, do individualismo e falta de educação. Não adianta enganar a natureza e já chegamos a um ponto onde a maior parte degredada não tem mais recuperação.
Como exemplo mais próximo de nós, cito aqui o caso da Serra do Periperi em Vitória da Conquista que durante anos sofreu com o seu desmatamento, retirada de pedras, cascalhos e areia. Nas épocas de fortes chuvas, a Serra devolve os detritos e entulhos para o centro, bairros das encostas, ruas e avenidas.
A DIVINA COMÉDIA-INFERNO
DANTE ALIGHIERI – TRADUÇÃO DE JOSÉ PEDRO XAVIER PINHEIRO
No Canto XV, o autor narra que os poetas encontram a caminho do inferno um grupo de violentos contra a natureza. Entre estes está Brunetto Latini, de Florença, que dá ao poeta ligeiras notícias a respeito das almas que estão danadas com ele e foge para reunir-se a elas.
Em suas estrofes de três versos, Dante fala da força brava do mar e dos gelos que se derretem, o que nos faz lembrar dos tempos atuais onde o próprio homem ganancioso por aumentar seu PIB destrói, impiedosamente, o meio ambiente.
Numa das estrofes Alighieri diz “Mas esse ingrato povo é tão malígno,/Que outrora de Fiesole (pequena cidade perto de Florença) viera/ E tem de penha o coração ferino”.
“Velha fama os diz cegos, sempre useiros/Na soberba, na inveja, na avareza./ Deles te esquiva; em vícios são vezeiros.” Desta ainda que o vilão lavra a terra como deseja. Finaliza seu canto assinalando que “Mais ser quem vence do que ser quem perde”.
No Canto XVI, no terceiro compartimento do inferno do sétimo círculo, os poetas encontram outro bando de almas de sodomitas, no qual se destacam três ilustres compatriotas de Dante. Eles falam da decadência das virtudes políticas e civis de Florença. São temas ainda atuais aos nossos tempos.
Dante se aproxima das almas dos violentos contra a arte e reconhece alguns deles no Canto XVII. Ele e Virgílio descem ao oitavo círculo. No Canto XVIII, os poetas se encontram no oitavo círculo, dividido em dez compartimentos. Em cada um deles é punido uma espécie de pecadores, condenados por malícia ou fraude.










