RISCO DE PERDER UM SITE CULTURAL?
Quando digo que nossa cultura anda cambaleando ou trôpega das pernas, dizem que sou exagerado e alarmista. Confesso que fiquei chocado com uma mensagem encaminhada e postada pelo nosso companheiro de colegiado Armênio Santos em nosso grupo do Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista.
Na verdade, a mensagem é como um apelo de socorro e diz, “caros amigos, estamos sob risco de perder um importante site de consulta cultural absolutamente grátis, por pura falta de uso”. De primeira, até imaginei que se tratava de mais uma fake news, mas não é nada disso. É mais uma prova cabal do efeito pernicioso das redes sociais de fofocas que destilam ódio e intolerância.
Prosseguindo, a mensagem pede que, se acharem interessante, reencaminhem o material a quantos puderem, por favor. “A população (que população?) precisa saber da existência de tão importante instrumento de promoção de cultura.
Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem, um lugar onde podemos, gratuitamente, ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci; escutar músicas em MP3 de alta qualidade; ler poesia de Fernando Pessoa; obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia; ter acesso às melhores histórias infantis e vídeos da TV Escola”.
Esse lugar, meus amigos e camaradas, existe! Trata-se do Ministério da Educação que disponibiliza tudo isso, bastando acessar o site www. dominiopublico. gov.br Só de literatura portuguesa são 732 obras. O alerta é de que estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar ou deletar o projeto por desuso, já que o número de usuários é muito pequeno.
“Vamos tentar reverter essa situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da nossa cultura e do gosto pela leitura”. É meu amigo, Armênio, sem querer ser espírito de porco e negativista, está difícil reverter essa situação, tão triste e melancólica.
A começar pelos nossos jovens da atualidade, poucos hoje têm interesse pela cultura e, o nosso ensino, que há anos vem se arrastando como deficitário, tem grande culpa nisso. Quando leio esse tipo de coisa vem à minha cabeça os anos 60 e 70 que, mesmo em plena ditadura, a leitura e a pesquisa (não existia internet) eram práticas corriqueiras na vida. Cada um tinha seu escritor ou autor predileto.
A nossa humanidade está em decadência e as pessoas acham que o saber e o conhecimento não têm mais valor. O que conta é só fazer um curso técnico de especialização para ganhar dinheiro no mercado. É essa a nua e crua realidade. Temos hoje um povo sem história e memória, principalmente no Brasil, que copia e imita tudo aquilo que vem do mundo ocidental capitalista.











