POEMA NO GOGÓ
Autoria do jornalista Jeremias Macário, em homenagem a todos poetas natos, principalmente os repentistas e trovadores que já nascem com o poema no gogó
Como doce água do poço,
Tem cabra, seu moço,
Que tem o poema no gogó,
Derruba qualquer doutor;
Sabe como dar um nó;
Vira o verso pelo avesso,
Sobre vida, amor e dor,
E nem na morte se torna pó.
Tem cabra
Que tem o poema no gogó;
Seu verbo é raio de sol,
Nessa terra árida batida,
Nunca escola frequentou,
Ainda sola uma caipira viola,
Fazendo rima e poesia,
Na entrada e na saída,
Seja política ou Sofia,
Venha do jeito que vier,
Todo tema ele vence,
Como Patativa do Assaré,
Na secura de Triste Partida,
Ou no Luar do Catulo Cearense.
Tem cabra
Que tem o poema no gogó,
Vem de lá do seu altar,
Das brenhas do cafundó,
Com seu surrado emborná,
Cheio de sentimento profundo;
Fala do nosso mundo;
Expulsa o diabo imundo;
Conta causos dessa gente,
No cordel, no coco e repente,
Como um ser onipotente.











