:: jul/2022
HOMENAGEM AO PROFESSOR “BIRA” EM ENTREVISTA AO LIVRO “UMA CONQUISTA CASSADA”
Falecido nesta quarta-feira (dia 20/07), com 88 anos, o professor Ubirajara Brito, quando vivo, concedeu entrevista ao jornalista Jeremias Macário para seu livro “Uma Conquista Cassada-cerco e fuzil na cidade do frio”, publicado pela Assembleia Legislativa da Bahia, por intermédio do deputado Fabrício Falcão, e lançado em 2013.
LIGAÇÕES POLÍTICAS EM MINAS GERAIS
Ubirajara Brito nasceu na pequena Tremedal, no sertão do sudoeste baiano, mas foi adotado em Vitória da Conquista onde estudou no respeitado e admirado Ginásio Padre Palmeira. Frequentou também o Colégio Estadual da Bahia entre os anos 1951/55. Formou-se engenheiro civil pela Universidade Federal da Bahia-UFBA aonde chegou a ser professor. Ajudou a construir um dos trechos da BR-101, no início dos anos 1960, em Sergipe. Passou um tempo exilado na Europa e foi ministro de Governo.
O professor e cientista Ubirajara Brito, nascido por volta de 1934, desenvolveu suas ações políticas em Minas Gerais, precisamente na cidade de Nanuque onde seu tio era prefeito. Por suas ligações no Governo de João Goulart chegou a ser consultor durante suas viagens à Bahia.
Foi preso como subversivo, em Minas Gerais. Ubirajara confirmou que Jango lhe conferiu poderes para trabalhar no nordeste de Minas Gerais, na coordenação de obras em alguns municípios da região, inclusive com apoio do então governador Magalhães Pinto. Ele conta que em Nanuque, os adversários contra o governo da República eram perigosos, e o PSD era reacionário e alienado. Tratava-se de um partido dos grandes fazendeiros.
Em Nanuque e Juiz de Fora
Após o golpe civil-militar, em razão de suas atividades do passado na Bahia, o professor respondeu ao IPM – Inquérito Policial Militar, em Nanuque, sendo depois processado em Juiz de Fora. Como Ubirajara era filiado ao PCB, entre 1956 até 1964, sua situação se complicou. Em abril daquele ano foi preso pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) de Belo Horizonte, ficando até junho de 1964, incomunicável por 20 dias. Não houve tortura física, mas muita luz na cara e pressão psicológica.
Com certa ironia, “Bira” como é conhecido, narra que os agentes tinham certo temor da sua família por ser nordestina. Eles (os militares) faziam ligações com pistolagem e cangaceirismo. Em Minas Gerais, o homem da Companhia da Polícia era o capitão Silvio Souza que, para disfarçar de sua função era presidente da Associação Cultural Brasil/Estado Unidos. Por coincidência, havia sido delegado em Nanuque e conhecia nosso pessoal. O capitão sempre questionava que havia atividades subversivas no nordeste de Minas (Bandeira), no Espírito Santo e extremo sul da Bahia.
Em sua versão do militar, em Minas Gerais, o comandante era Ubirajara Brito. Na verdade, “Bira” aponta que existiam três bases revolucionárias que contavam com respaldo de Cuba, “mas eu não tinha ingerência”. Diziam também que eu fundei e comandei o “Grupo dos Onze”. Em Nanuque existia essa agremiação, mas informa que foi criada pelo secretário municipal da Educação e pastor da Igreja Presbiteriana. Havia ainda os núcleos do PCB, PC do B (ligados aos soviéticos) e dos brizolistas com afinidades com Cuba que fomentavam a reforma agrária, mas com poucos recursos.
Ubirajara não foi solto por ato jurídico. Em tom irônico afirma que chegaram à conclusão de que estava dando muitas despesas. “Por isso me mandaram ir embora”. Depois de libertado, como era normal naquela época, o professor passou uns tempos sobressaltado e se escondeu na fazenda de seus pais. O pior era a boataria de que seria novamente preso. Para não ser detido de surpresa, resolveu fugir altas horas da madrugada num avião de um amigo para Foz do Rio Doce. De lá seguiu para Salvador (final de 1964) onde procurou a Universidade Federal para trabalhar, mas não deu certo.
No pós 1964, em se tratando do pessoal de Vitória da Conquista, Ubirajara recorda que só teve ligações clandestinas com Franklin Ferraz Neto, em São Paulo. Revela que, sem uma ocupação, viu com tristeza Franklin (nomeado juiz do Trabalho) se transformar num fotógrafo de binóculo com seu primo, na capital paulista. Na época, Franklin estava apaixonado por uma moça de Poções e planejava ir para o exílio casado com ela. Terminou se casando, mas não saiu do Brasil porque morreu logo – como informa Ubirajara.
Sobre outros contatos em Conquista, o professor cita Everardo de Castro e Hemetério Pereira, presidente do Comitê Local do PCB. Com relação a Pedral Sampaio, assinalou que sua relação era de muito tempo antes do Golpe.
FUGA E “BOI DE PIRANHA”
Antes de sair o decreto de sua prisão preventiva (a ordem foi passada para o Quartel da VI Região), “Bira” foi para o exterior, em 1965, seguindo o roteiro de Feira de Santana – Vitória da Conquista, Rio de Janeiro e São Paulo. Ubirajara revelou que tinha um informante que lhe passou as coordenadas sobre sua prisão. Para sua fuga do país, o Partido Comunista o ajudou. Com muita sutileza para despistar a atenção dos agentes federais, tomou um avião para a Itália indo depois para Paris onde ficou até 1974 e foi professor de Geofísica Nuclear na Universidade D´Orsey – segundo Campo Científico.
Explicou que sua amizade com Oscar Niemayer se deu no Brasil, antes do exílio, e em Paris (1966) onde também estava Waldir Pires que ensinava Direito Constitucional Comparado em Dijon, distante 150 quilômetros da capital. Era uma situação ingrata – lamenta Ubirajara, adiantando que Waldir teve que estudar muito, pois sabia pouco francês quando foi para lá.
Seu retorno ao país, em 1974, conforme assinalou, foi montado através de um acordo entre o general Ernesto Geisel e Jango, utilizando alguns exilados como bois-de-piranhas, incluindo seu nome na lista. Na posse da presidência, Geisel mandou um emissário, comandante do Estado Maior, acompanhado do jornalista Castelo Branco, conversar clandestinamente com Jango. A negociação foi um teste que fazia parte da distensão lenta, mas não poderiam voltar o padre Lage, Leonel Brizola, Miguel Arraes e Francisco Julião (chefe das Ligas Camponesas).
Jango não aceitou o esquema, mas, mesmo assim retornaram 10 ou 20 exilados. Ubirajara fez a viagem de navio até Salvador onde um tenente o interrogou e recomendou para não fazer mais declarações. Disse que ao desembarcar sentiu não existir mais movimentos, só saudosistas. “Ia sempre para o Rio de Janeiro conversar com Niemayer”. Da capital foi para sua fazenda no extremo sul da Bahia e, como professor, começou a procurar trabalho, inclusive na UFBA, mas nem o setor privado abriu as portas. Como não tinha alternativa, Ubirajara passou a criar porcos, fazer farinha, requeijão e vender jaca.
Depois de uma temporada nessa labuta, resolveu criar uma empresa de agrimensura, isto até 1981. A partir daí decidiu em 1982 ser candidato a deputado estadual pela Bahia. Não deu certo. Em 1983, Tancredo Neves se elege governador de Minas Gerais e convidou Ubirajara para trabalhar com ele. Em 1984 Tancredo renuncia ao governo do estado para ser candidato nas Diretas Já, através do Colégio Eleitoral.
De acordo com sua história política, Tancredo o levou para Brasília. Nesse ponto, Ubirajara interrompe a entrevista para fazer questão de dizer que sua carreira inicial na administração pública não tem nada a dever à Bahia. No entanto, abre uma exceção para o deputado Carlos Santana por ter lhe convidado para ser chefe da Assessoria Técnica do Governo da Constituinte no período de Sarney na Presidência da República, que assumiu no lugar de Tancredo Neves após sua morte.
Em 1987 ocupou o cargo de superintendente de Ciências Básicas do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa), e depois Sarney o convidou para ser secretário Geral no Ministério da Educação, isto em 1988, chegando a ser ministro da pasta. No final do Governo Collor, por intermédio de ACM (Antônio Carlos Magalhães) e Ângelo Calmon de Sá, foi secretário executivo do Ministério da Ação Social e ministro por pouco tempo.
No governo de Itamar Franco foi ser diretor-executivo das Pioneiras Sociais (Rede de Hospitais Sarah). Logo depois, durante cinco anos ocupou a função de secretário de Planejamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, incluindo uma parte do governo de Fernando Henrique Cardoso.
CONTRA A LUTA ARMADA
Sobre os movimentos da luta armada no Brasil a partir do final dos anos de 1960, Ubirajara diz que, apesar de admirar Che Guevara e respeitar quem participou do processo, não concorda com a teoria do guerrilheiro, nem daqueles que fizeram a mesma coisa no país. Em sua opinião, tudo não passou de um foquismo importado de Debret, com a ideologia de fomentar a revolução a partir de focos espalhados no território com pretensão de derrubar o regime.
Para ele, deu certo em Cuba porque a concentração era grande, e o governo estava desmoralizado. Não se tratava, conforme sua análise, da nossa questão que era um país diferente, inclusive em termos territoriais. Declarou ter se sentido humilhado em Paris numa reunião entre jovens que defendiam essa teoria. Por discordarmos (ele e outro grupo), nos chamaram de revisionistas.
“Não era a luta armada que iria salvar o nosso problema. A ditadura sabia de todos os movimentos e iria nos destruir”. Referindo-se à estratégia do PCB, criado em março de 1922, citou que estava se fazendo um trabalho pacífico. Aí entraram as organizações armadas com as dissidências, a partir de 1966, que foram todas esmagadas pelos militares. – Depois disso, o regime se voltou contra a gente (PCB) na chamada Operação Limpeza, ou Operação Radar (1973/76) – aponta Ubirajara que relaciona as prisões e as torturas ocorridas na fronteira com o Uruguai.
Em sua interpretação, o governo não provoca, responde à provocação. Ubirajara só esqueceu de dizer que logo após o golpe de 1964 a repressão foi dura contra o PCB, inclusive com perseguições, brutalidades e mortes. O “Partidão” só foi resguardado pelos militares entre os anos 1968/73 porque estava no encalço feroz dos grupos armados.
Só para rememorar, o PCB já estava clandestino desde 1947, depois da Segunda Guerra Mundial. E os torturadores devem ser punidos? “Bira” entende que a vingança não tem mais sentido, e completa que ela foi feita quando o pessoal das lutas pela democracia voltou e ocupou o poder. Por sua vez, destaca que quase todos torturadores morreram, restando apenas uns “velhos gagás” como Newton Cruz e Brilhante Ustra (falecidos). “Não tenho nada a cobrar”.
“OS MILICOS QUE SE LASQUEM”
E a abertura dos arquivos da ditadura? Ubirajara considera ser necessária para que a história seja corrigida já que ela foi deturpada durante mais de 20 anos. Desabafa que o golpe de 1964 destruiu toda uma cultura armazenada ao longo dos anos na sociedade. “Os milicos que se lasquem no Brasil”. Até antes estava se construindo uma cultura no teatro, no cinema, na literatura e na política através dos diretórios acadêmicos e da UNE (União Nacional dos Estudantes), interagindo com os sindicatos e os operários. Tudo isso, na visão do professor, era a construção da cultura brasileira que os militares acabaram em 1968. Do AI-5, de 1968, aponta o Decreto 477 que expulsava qualquer jovem do colégio ou da universidade, com alegação de manifestações políticas e atos considerados por eles como subversivos.
A partir de 1968, Ubirajara define a juventude como uma geração sem cor, pálida e perdida que meteu na cabeça o ideal americano: O importante é vencer pessoalmente. Até hoje se trabalha com esta geração do conceito de que a questão é vencer “e o resto que se lasque.” A solidariedade acabou, a amizade desapareceu, desabafa. Em tom de tristeza e melancolia, alfineta que qualquer jovem atualmente queima a bandeira brasileira por um bom emprego numa multinacional. “É uma geração alienada” – denuncia, adiantando que para reverter este quadro, só com decência.
Em sua análise sobre os tempos atuais (final do século XX e início do século XXI), Ubirajara não poupa também a mídia, afirmando se tratar de um segmento alienado que, infelizmente, faz a cabeça da opinião pública. Coroando toda essa alienação lá está o Congresso Nacional – descarrega sua artilharia. “Continuo no PCB. O partido foi que se acabou. Não sou mais filiado porque as fichas sumiram”.
PRAÇA CÉUS DO ALTO MARON PEDE REFORMA E ELEIÇÃO DO GRUPO GESTOR
No disposto do Regimento Interno, instituído pelo decreto número 18.888, de 11 de setembro de 2018, Gabriela Pereira de Souza e Paulo Roberto Oliveira Teixeira, representantes da comunidade e da sociedade civil da Praça Céus, localizada no Bairro do Alto Maron, estão solicitando do poder público, através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer-Sectel, a realização de novas eleições do grupo gestor e uma urgente reforma de suas instalações.
O Centro de Artes e Esportes Unificados-CEU é um equipamento público estadual, instalado em áreas de vulnerabilidade social, visando integrar atividades socioculturais, sócioassistenciais, recreativas, esportivas, deformação e de qualificação.
O equipamento foi construído durante a gestão do governo Guilherme Menezes, do PT, e está a necessitar de uma série de reparos nas quadras esportivas, pista de skeite, sistema de iluminação na sala de artes cênicas, multiuso, biblioteca, entre outros pontos do prédio. Devido a essas deficiências e a eleição de uma nova gestão, a praça não está funcionando à noite.
De acordo com a coordenação da Secretaria de Cultura, providências estão sendo tomadas, como a publicação de um edital para eleição do grupo gestor e a liberação de uma verba de emenda parlamentar para a execução dos serviços de reforma. A praça está situada no Alto Maron, mas abrange outras comunidades, como o Flamengo, Panorama e imediações que se utilizam da área, principalmente os jovens.
A gestão do CEU é feita de forma compartilhada, por meio da constituição de Grupo Gestor Tripartite através de lei, decreto ou portaria, com poder deliberativo e mandato bienal. Essas praças foram construídas com recursos federais, mas toda manutenção e funcionamento são arcados pelo município, que nem sempre dispõe de recursos para tanto.
De acordo com Gabriela, o grupo gestor será composto paritariamente por membros da sociedade civil organizada, comunidade do entorno do CEU e do poder público do município. Será instituído e regido por estatuto próprio, por lei, decreto ou portaria do executivo local.
Cabe ainda ao grupo gestor deliberar sobre as decisões, as atividades, o funcionamento e a gestão da praça, definindo disposições que deverão ser registradas em atas das reuniões e assembleias realizadas.
Essas questões e outras, como eleição e a reforma estarão em discussão na próxima reunião do Conselho Municipal de Cultura, no próximo dia primeiro de agosto, conforme solicitação de seus representantes.
FILHO DA REGIÃO LANÇA LIVROS EM CAETITÉ
O médico e professor universitário Getúlio Borges Fernandes estará lançando na próxima sexta-feira (dia 22), às 20 horas, no auditório da Casa Anísio Teixeira (Praça da Catedral, 57), em Caetité, os dois livros de poemas de sua autoria, “A Vida Humana e a Natureza” e “A Terra dos Homens Nus”, editados pela Fontenele Publicações, respectivamente em 2021 e este ano.
Clínico e cardiologista, com mais de 30 anos dedicados à Medicina, Getúlio Fernandes pretende com essa iniciativa manifestar sua gratidão ao Sudoeste baiano onde passou sua infância e juventude até ingressar na Universidade. Nascido em Igaporã, em 13 de fevereiro de 1954, onde cursou as primeiras letras, transferiu-se para Caetité, onde completou o Ginásio e o Científico, antes de residir em Salvador.
Dr. Getúlio aproveita a oportunidade para relembrar o passado com os conterrâneos, que certamente estarão presentes a esse amável encontro.
LEGISLATIVO PRESTA CONTAS DOS TRABALHOS DO PRIMEIRO SEMESTRE
Em coletiva ontem à imprensa (dia 19/07), o presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Luis Carlos Dudé, fez uma prestação de contas dos trabalhos realizados pela Casa durante o primeiro semestre de 2022.
No entanto, evitou tocar na questão dos possíveis endividamentos do executivo nos empréstimos de 72 milhões de dólares concedidos pelo legislativo, nem na aprovação do polêmico projeto de criação da taxa de lixo, que teve repercussão popular negativa. Disse que esses recursos serão destinados à pavimentação de bairros e ruas que ainda não foram contemplados
Na ocasião, Dudé falou da sua satisfação de ter assumido a Prefeitura Municipal por quinze dias na ausência da prefeita Sheila Lemos e, mais uma vez, contou sobre sua trajetória de vida até chegar a ser vereador. Estiveram presentes mais de vinte veículos da mídia local, na grande maioria blogs e emissoras de rádio.
No balanço do primeiro semestre, o presidente assinalou a aprovação de 59 projeto de lei do legislativo, 24 requerimentos da Tribuna Livre, 1.219 indicações, 14 projetos de lei do executivo, 29 audiências públicas e 102 requerimentos. Sobressai, como sempre, o número de indicações, muitas das quais não atendidas.
Pelos projetos da Câmara foi criada a Campanha do Agasalho; tornou obrigatória para empresas de grande porte, a realização de palestras sobre violência doméstica; Campanha Maio Moderno para valorização dos cuidados das gestantes e puérperas; Ações para conscientização do uso racional de medicamentos, dentre outros.
Com relação ao executivo, foram aprovados projetos que criou o Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa; autorizou o executivo a conceder o reajuste salarial para os servidores; projeto sobre auxílio fardamento destinado aos servidores da Guarda Municipal, entre outros.
Realizou ainda duas sessões itinerantes, várias ações das comissões do legislativo nas áreas de fiscalização e cobranças das obrigações da Via Bahia, Samu 192, postos de saúde, agricultura familiar, recuperação da zona rural após as fortes chuvas, fiscalização em postos de combustíveis e revendedoras de gás, combate à violência contra idosos e debateu diversas atividades, como matrizes do forró, conselhos municipais de educação e cultura, além de moções de aplausos e diplomas a importantes personalidades.
Sobre a Rádio Câmara, afirmou que deixará de funcionar durante o período eleitoral porque muitos dos parlamentares conquistenses são candidatos a deputados estadual e federal. Essa é uma forma, segundo ele, de evitar abusos e complicações com a lei eleitoral. Ele destacou ainda neste semestre, a reforma no prédio da Câmara.
O PACTO QUE ALIMENTA A FOME
TEMOS MAIS DE 50 MILHÕES DE PÁRIAS: A MAIOR VERGONHA BRASILEIRA
Para começar, não sou contra ao pacto para socorrer e dar comida para a pobreza extrema que passa fome, mas todos sabem que não é a solução. Há 30 anos houve a campanha do “Betinho”, e a situação de lá para cá só fez piorar. A briga, nua e crua, é partir para uma luta de manifestações e cobranças por políticas públicas que melhorem as condições e a autoestima do nosso povo.
Só não enxerga essa realidade quem é cego, mudo e surdo. Cego porque prefere não ver, mudo porque fica em silêncio profundo e surdo porque não quer ouvir. A questão é matemática. As mordomias e a corrupção dos poderes, mais a ausência de um líder sem medo de enfrentar esse Congresso calhorda e canalha, mais a falta de educação, é igual a fome. As fórmulas estão erradas e a equação nunca bate.
O PT passou 20 anos no poder e não resolveu o problema. Veio um satanás seguidor da morte, com seus impropérios nazifascistas de desagregação humana exclusiva e piorou ainda mais o quadro. Nos últimos anos só nos dão pestilências, ódio e intolerância. Eles são os verdadeiros culpados por tudo que está acontecendo de ruim.
O que o nosso pobre-rico país precisa é de uma liderança forte, desprendida do poder, que se coloque ao lado da vontade popular, de modo que o Congresso fique sem ação e uma carta na manga para depor o presidente. Sempre tem acontecido o contrário: É o presidente que se rende e se torna refém. Essa é uma praga que temos que extirpar do nosso organismo.
Por que não jogar esse legislativo contra o povo? Basta ter seriedade, honestidade e vontade política, unindo a população num mutirão de programas sociais que insiram essa gente no mercado de trabalho. Por que não abrir frentes de serviços de obras na área pública, aproveitando esse contingente desempregado não especializado para ganhar seu próprio dinheiro, ao invés das esmolas de doações e auxílios da miséria?
Mais uma vez, nada contrário ao pacto porque, como se diz, a fome tem pressa, mas cadê nossos estudantes, trabalhadores, intelectuais, artistas, ongs e entidades sindicais nas ruas para protestar e exigir mudanças urgentes nessa política eleitoreira de perpetuação do poder? Essa elite arcaica, burguesa e oligarca precisa ser pressionada e banida através de boicotes, porque ela não admite repartir e ver a classe inferior subir em suas condições de vida.
Até quando vão perdurar esses pactos da fome, essas campanhas de doações e esses auxílios, até para taxistas e caminhoneiros, quando se sabe muito bem que a realidade já nos ensinou que não são essas medidas comodistas que vão colocar nosso Brasil no rumo do desenvolvimento e da distribuição de renda? “Errar é humano, persistir no erro é pura burrice”, e é isso que estamos a fazer por séculos e séculos.
Dezenas de governos se passaram e o nosso país só fez envelhecer, cheio de doenças crônicas por todo seu corpo doido, sempre entre a UTI e a enfermaria, com pequenas altas médicas que logo sofre recaídas e volta ao mesmo estado de saúde frágil, com seu sistema imunológico debilitado e aos frangalhos.
Historicamente temos um povo sem revolução, sem a “ira” da indignação, individualista e submisso de cabeça baixa pela sua própria cultura, ao contrário de outras nações que reagem com suas revoltas, inclusive com exemplos de vizinhos e hermanos ao nosso lado, que partem unidos na busca de melhoras sociais.
A nossa alienação e indiferença nos levaram a sermos detentores da mais profunda desigualdade social, de piores índices na educação e no tratamento da saúde, de sermos considerados um dos mais violentos com registros de matanças e massacres em massa, sem contar as constantes violações dos direitos humanos e desrespeito às diferenças de gêneros e a cor da pele.
Sem os requisitos da indignação e revolta, não são esses pactos ocasionais para alimentar a fome que vão nos dar dignidade e levantar nosso orgulho de sermos brasileiros. Não vão devolver nossas esperanças e nem revigorar a fé. Por estas e outras é que os estrangeiros passaram a ter pena de nós.
Com esses populistas oportunistas de plantão que estão aí só de olho no poder, o medo vai continuar, mesmo com esses pactos paliativos que entram em modo, arrebanham a adesão eufórica de multidões, sem pensar e refletir, de modo a usar mais a razão que o emocional. Estamos numa encruzilhada perigosa de um semáforo, onde o avançar sem o raciocinar pode nos levar aos acidentes da morte.
OS QUILOMBOS E OS CAPITÃES DO MATO
A palavra kilombo, no português quilombo, vem do quicondo e do quimbundo, línguas faladas na África Central. Significa acampamento, arraial, união ou cabana. Entre os povos imbangalas de Angola, indicava sociedade guerreira de rigorosa disciplina militar. No Brasil virou sinônimo de reduto de escravos fugitivos, chamado de mocambo.
Em “Escravidão”, segundo volume da trilogia do jornalista e escritor Laurentino Gomes, no capítulo “Fugitivos e Rebeldes”, ele começa a descrever sobre o Quilombo de Cruz da Menina, na Serra da Borborema, no agreste da Paraíba. Na produção do açúcar e do café, todos cativos chegaram ali por volta do final do século XVIII e início do XIX.
COMUNIDADE FEMININA
O nome foi dado em memória de uma menina branca de nome Dulce, filha de retirantes da grande seca de 1876, que ali teria morrido de sede. Para trás ficou uma comunidade feminina e matriarcal. Restou a essas mulheres fortes a tarefa de cuidar dos filhos e sozinhas enfrentar os desafios da vida.
Laurentino ressalta que história semelhante pode ser observada no município vizinho de Alagoa Grande, terra do cantor e compositor Jackson do Pandeiro. Na mesma Serra, a comunidade quilombola de Caiana dos Crioulos se dividiu em duas em razão da seca.
Uma parte dela permaneceu ali e a outra metade urbana e masculina em Pedras de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro. As duas mantêm intenso intercâmbio. No início de 2020, as mulheres de Caiana, depois de muitas lutas, conseguiram o reconhecimento e a titulação de suas terras, coisa que não ocorreu com Cruz da Menina.
Herança do sistema escravista, como diz o escritor, atualmente existem milhares de quilombos espalhados pelo Brasil. Em 2019 era 3.212 certificados pela Fundação Palmares. “Com 1,2 milhão de moradores, dos quais 75% em estado de pobreza extrema, os quilombos ocupam uma área de 1,2 milhão de hectares.
A soma de todos quilombos, segundo Laurentino, resulta numa área inferior à ocupada pelas dez maiores propriedades do agronegócio do país. A fazenda Piratininga, entre Tocantins, Goiás e Mato Grosso, se estende por 135 mil hectares.
ORELHAS CORTADAS
Durante a escravidão, a violência contra os quilombos pode ser medida através dos relatos dos historiadores. Um deles conta que, ao retornar a São Paulo, em 1751, depois de atacar inúmeros redutos numa região de Minas Gerais e Goiás, o bandeirante Bartolomeu Bueno do Prado levava como troféu colares com 3.900 pares de orelhas cortadas. Pelas leis portuguesas, o corte da orelha era uma das punições previstas para os fugitivos.
De acordo com o autor de “Escravidão”, o Código Negro, do governo francês, de 1768, estabelecia que na colônia de São Domingos (Haiti), escravos ausentes por mais de quatro dias seriam submetidos a 50 chibatadas e ficariam amarrados no tronco até o pôr-do-sol. Oito dias de ausência, 100 chibatadas e o uso de uma corrente amarrada a um peso de ferro de dez quilos por dois meses.
Na Louisiana (EUA), os fugitivos tinham as orelhas cortadas e costas marcadas a ferro quente. Três fugas resultariam em sentença de morte. No Suriname, um cativo recapturado depois de algumas semanas de fuga poderia ter o tendão de Aquiles cortado ou amputação da perna direita. Proposta semelhante chegou ao Brasil, mas não foi adotada.
Em 1719, o conde de Assumar, governador de Minas Gerais, tentou implantar a pena de morte, mas não conseguiu. A medida acarretaria prejuízos para os mineradores. Para o escravismo, era melhor um escravo fugitivo do que um escravo morto, conforme assinala o historiador Carlos Magno Guimarães. Também, a Câmara de Mariana, em 1755, propôs cortar o tendão de Aquiles. O conde dos Arcos surpreendeu contestando ser uma tirania e condenou as sevícias dos donos dos escravos.
De todos os quilombos, o que mais resistiu foi o de Palmares, na Serra da Barriga, estado de Alagoas. Lutou durante mais de um século contra portugueses e holandeses até a morte do seu último líder Zumbi, em 20 de novembro de 1695. Entre os séculos XVIII e XIX surgiram milhares, inclusive em regiões mais distantes, como na Amazônia. Outros funcionavam em áreas próximas às cidades, como na floresta da Tijuca (Rio de Janeiro) e Quilombo do Jabaquara (São Paulo).
No Grão-Pará e Maranhão existiram cerca de 80, entre 1734 e 1816. Em Minas Gerais 160 no século XVIII. Alguns eram grandes comunidades, como Quilombo do Ambrósio (Quilombo Grande), em Minas Gerais, na região de Araxá, atacado por duas expedições (1746-1759). Chegou a reunir mil cativos. Foi descrito como quase reino por Bartolomeu Bueno.
Em Mato Grosso, o Quilombo do Quariterê (1730), resistiu durante mais de meio século e reuniu 79 negros e 30 índios, sob o governo de um rei e uma rainha. Ainda em Mato Grosso, o de Vila Maria chegou a abrigar 200 negros armados. “Na defesa de seus redutos, os quilombolas seguiam estratégias de disciplina militar, desenvolvida na África (Angola, Congo, Nigéria). No quilombo Buraco do Tatu, nas vizinhanças de Salvador e destruído em 1763, os esquemas de defesa eram africanos, com trincheiras cavadas ao chão e cobertas com estrepes de madeiras pontiagudos.
Houve um grande quilombo na bacia do rio Trombetas, afluente do Amazonas. Um relatório dizia que teve dois mil habitantes. Os cativos chegaram a essa região por volta de 1780 nas fazendas de gado e cacau. O reduto foi atacado em 1823, mas tempos depois foi reativado e deu origem a outros, mantendo relações abertas com o mercado de brancos, aldeias indígenas e exportação de cacau.
Na descrição do historiador Flávio dos Santos Gomes, fugas e quilombos aumentavam mais em períodos de guerras, caso dos holandeses e portugueses que deram alento a Palmares, e divergências entre os brancos. O mesmo fenômeno pode ser observado na primeira metade do século XIX nos conflitos Cabanagem (Pará), Balaiada (Maranhão), Revolução do Cabanos (Pernambuco e Alagoas), Farroupilha (Rio Grande do Sul). No Maranhão, o quilombo Campo Grande mobilizou um exército de três mil ex-escravos para participar da Balaiada.
A repressão das autoridades era implacável. Governadores reclamavam dos contínuos delitos cometidos por bastardos (brancos pobres fora da lei), carijós (índios), mulatos e negros. Em Minas Gerais foi proposto a pena de morte para combater as quadrilhas de salteadores. O governador de Minas temia que seu território poderia se transformar num Palmares. Ele dizia que os quilombos eram pequenos estados ou reinos organizados à maneira africana. Em Campo Grande haviam mais de 600 negros, com rei e rainha. As referências a reis e rainhas apareciam em diversos relatórios.
No Mato Grosso, entre 1770 e 1795, existiu também o Quilombo da Carlota, governado por uma mulher, em homenagem à princesa Carlota Joaquina, mulher de D. João VI.
Um caso interessante narrado por Laurentino, seguido de negociação (espécie de greve) ocorreu no final do século XVIII, em Ilhéus, com o engenho Santana, fundado no século XVI, com 300 cativos. Em 1789, um grupo de escravos, sob a liderança de Gregório Luis, fugiu depois de matar o mestre de açúcar. O engenho ficou parado durante dois anos. Sob pressão das autoridades, os fugitivos decidiram propor um tratado de paz ao dono do engenho, listando dezenas de reivindicações. Trata-se de um caso raro onde os escravos falavam sobre as condições em que viviam no cativeiro, desejos e expectativas.
Treze das demandas se referiam às condições de trabalho e pediam redução de 30% da cota diária de cana obrigados a corta. Outras reivindicações falavam de folgas semanais e ao direito de revender no mercado o que produzissem através de seus meios. Queriam também jogar, descansar, cantar e dançar.
Nessas condições de escravos, se mostraram dispostos a retornar ao engenho. Exigiam apenas que os antigos feitores fossem demitidos e novos fossem eleitos mediante aprovação deles. O dono do engenho Manuel da Silva Ferreira fingiu aceitar as propostas, mas os traiu, prendendo o Gregório e vendeu os demais para o Maranhão.
No entanto, um caso bem-sucedido aconteceu em 1800, na antiga capitania do Espírito Santo, onde muitas áreas estavam infestadas de quilombos (300 fugitivos). O governador Silva Pontes dispunha de uma tropa de 100 homens, mesmo assim decidiu negociar. Deu um prazo de 30 dias para os fugitivos retornarem. Em troca seriam anistiados. O plano funcionou.
A FALTA DE RESPEITO É REVOLTANTE
O ser humano é a pior espécie entre os animais, e ele se acha inteligente, superior e civilizado, só não sabe que seu QI é baixo. Não usa nem 10% da sua capacidade racional. Para começar, ele é desumano, individualista e de uma falta de respeito revoltante para com o outro. Acha que doar uma cesta básica, um quilo de feijão ou um cobertor é tudo.
Quer constatar o fato é só tirar um dia nas ruas das cidades, principalmente as de porte médio e as grandes, como no caso de Vitória da Conquista. No campo, onde estão as pessoas menos instruídas, o respeito com seu semelhante, o companheirismo e a solidariedade são bem maiores. O QI deles é mais alto.
Dia desse tive que ir ao Posto de Saúde da Vila América e estacionei meu carro em frente da unidade, em local adequado. Depois que entrei apareceu um sujeito imbecil e colocou seu veículo no fundo do meu, fechando por completo minha saída.
Quando retornei não acreditei no que vi. Procurei o segurança e saímos avisando em todas as salas e na fila de vacinação, perguntando em voz alta quem era o proprietário ou motorista que havia trancado minha saída. É inacreditável, meu amigo, mas ninguém respondeu. Simplesmente o beócio ficou em silêncio.
Tive que esperar uns quinze a vinte minutos para o elemento sair de lá dos fundos com a maior cara de pau e abrir o veículo para sair. Tentei conversar com o estúpido, mas ele não deu satisfação. Ligou o automóvel, deu ré e foi embora cometer outro desrespeito lá na frente.
Fosse outra pessoa violenta igual a ele, porque isso é uma forma de praticar a violência, teria partido para a ignorância. Muitos casos e tragédias acontecem porque a humanidade perdeu o senso de respeito para com o outro. Muitos param o carro em qualquer lugar e nem está aí para quem vem atrás.
A maioria dos indivíduos só pensa em levar vantagem em tudo, passar a rasteira e achar que os outros são bestas, até encontrar um igual a ele para dar o merecido troco. É esse mesmo tipo de gente que critica os políticos pelos seus malfeitos.
Nesse mesmo dia, na Praça Tancredo Neves, outro “meliante” jovem estava com um carrão, com os alertas ligados, estacionado na vaga de um idoso. Dei o sinal indagando se ele ia sair, no que respondeu de forma negativa. Como tinha uma vaga ao lado, parei meu carrinho e sai para falar com o desumano burro, mas percebeu o erro e saiu.
Um senhor, também idoso, que chegava viu toda a cena de total desrespeito e falou: Se fosse o meu caso no momento, onde eu iria encontrar uma vaga? Certamente ficaria rodando o centro e teria que ir para um estacionamento particular.
Na rua Ascendino Melo, em frente do Itatiaia, flagrei a mesma ocorrência de um moço usando a vaga de um idoso. Como se nada tivesse acontecido, fechou o veículo e entrou numa clínica na maior naturalidade. Toda essa falta de respeito recai também na ausência de fiscalização. A impunidade é mães de todos malefícios e mazelas.
Sair às ruas aqui em Conquista para resolver problemas do dia a dia e realizar compromissos está me deixando com traumas psicológicos de tanto ver atitudes de falta de respeito e individualismo. Por todo lugar me deparo com idiotas, e tenho que presenciar absurdos e arrogâncias.
Na sociedade cruel e irracional de hoje, sem educação e formação familiar de bons exemplos a partir dos pais, o ser humano só piora, mas ele acha que é civilizado porque tem a “merda” de um celular na mão para ficar o dia todo fofocando sobre a vida alheia, compartilhando fake news, mentiras e boatos sem fundamento.
SERÁ QUE AINDA EXISTE RETORNO?
Depois das reuniões sobre o clima e a preservação do meio ambiente, os representantes de suas nações retornam para suas casas e mandam que as pessoas consumam mais e mais, para aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) de suas economias. Enquanto isso, o aquecimento global está cada vez mais visível. O planeta só recebe lixo tóxico, como este jogado em plena caatinga, contaminando a natureza, toda fauna e a flora. Algumas Ongs, empresas e órgãos mostram práticas isoladas de sustentabilidade e ações para proteger a terra, mas será que ainda existe retorno e salvação? É muito pouco o que estão fazendo. Na minha visão, com a estupidez e a ignorância humana, o caminho é a destruição da terra dentro de mais alguns séculos, ou menos que isso. Os gazes venenosos a partir do uso dos fósseis (petróleo e o carvão, principalmente), as guerras destruidoras e o lixo estão por todas as partes que mostram essa triste realidade. Até o nosso lindo sertão nordestino está virando um deserto, e seu chão salinizando, tornando-se improdutivo. Será que ainda existe retorno?
ESCRAVIZADOS
De Danilo Jamal, em POFESTO – Ação Direta, Editora EDU O.
Pela frente ou por trás,
Nenhum deles sabe o que faz.
Nos tiram o direito,
Alegando que é em nome da paz.
Nos jogam em qualquer lugar
Feito animais,
Mancham nossa história
E esquecem nossos ancestrais.
Nos colocam em vitrines,
Para ver quem paga mais.
São essas as grandes
Injustiças sociais.
A PROCRIAÇÃO E A POBREZA EXTREMA
Por que a geração de muitos filhos em famílias sem instrução anda de mãos dadas com a pobreza extrema no Brasil, quando deveria ser o contrário pela lógica? Dá para entender esse paradoxo que sempre acontece nos países mais atrasados do planeta? Ouvia dizer, até em tom jocoso, que antigamente ter doze parições era porque não havia televisão em casa. Vieram a TV, a internet, o celular e haja parir. Agora é culpa da tecnologia?
Os sociólogos, os médicos e cientistas da reprodução que se debruçam sobre o assunto têm explicações plausíveis e apontam algumas causas, como a falta de educação (ignorância e o analfabetismo), ausência de políticas públicas dos governos na área do controle da natalidade e a religião, através da Igreja Católica e até a evangélica, que condenam métodos anticonceptivos.
No momento o que vemos são imagens da fome que se alastra em nosso país, e o mais chocante ainda é ver muitas mulheres na extrema pobreza com três, quatro e cinco crianças pequenas e grávidas esperando a chegada de outro bebê. Mais grave ainda é que a maioria vive sozinha sem assistência, nem que seja mínima, do pai. O pai transa e some. A maioria também vive em estado de penúria.
Se a fome já é um horror e triste, bem sabe quem já passou, pior ainda é ver uma penca de crianças chorando pelos cantos de um casebre pedindo alimento porque a barriga não espera. Essa prole numerosa entre a pobreza extrema só acontece nos países mais atrasados e retrógrados do mundo, e aí entram a falta de instrução e a interferência religiosa fanática, principalmente.
Para as igrejas, ainda nos tempos de hoje, em pleno século XXI, é pecado interromper a concepção, mesmo com o sacrifício monstruoso de deixar crianças sofrendo, sem educação, perspectiva de vida e ainda com a grande probabilidade de engrossar os batalhões de marginais e bandidos na sociedade, gerando mais violência. Qual alegria e felicidade botar mais um ser humano para sofrer e passar fome na vida?
É só dizer que Deus dá um jeito para tudo? Que foi ele quem assim quis? Será que Deus concorda com esse pensamento teológico ou doutrina irracional criada pelos homens da Igreja? Qual é o maior pecado, deixar de gerar e parir muitos filhos, de modo a evitar sofrimentos, ou tê-los à vontade, sem as mínimas condições financeiras para sustentá-los, largados à própria sorte e à caveira da fome? Quem são os culpados por tudo isso?
Os governos não estão nem aí, e quando se fala em controle de natalidade, os conservadores caem de pau e até resistem com cartazes e manifestações de ruas. Por que eles não tomam conta das criancinhas famélicas e raquíticas proliferadas pela pobreza, especialmente no Nordeste? Por que as igrejas não assumem as responsabilidades de cuidá-las e educa-las? No máximo fazem umas doações merrecas e depois viram as costas.
O interessante é que esses religiosos fanáticos de nível aquisitivo melhor não têm tantos filhos. O que esses hipócritas fazem para gerar menos? Os ricos, por exemplo, não querem mais que um ou dois rebentos, que são criados pelas babás. Estão mais preocupados em ganhar dinheiro que acompanhar o crescimento e a formação das crianças.
Na situação em que se está, o Brasil já era para ter uma política com rígido controle de natalidade, como na China e outros países, com campanhas instrutivas (seminários, palestras, cursos e propagandas), distribuição de anticoncepcionais (camisinhas, pílulas) e métodos para não engravidar, a começar pelos adolescentes pobres das grandes periferias. Certas Ongs prestam algum serviço nesse sentido, mas com pouca abrangência.
Com essas políticas, educação para todos e outras ações de assistência social, os governos gastariam bem menos que com bolsas famílias, que até estimulam ter mais filhos, e esses auxílios de bilhões de reais todos anos, na maioria eleitoreiros para ganhar o voto da miséria ignorante. Em poucos anos teríamos uma redução da pobreza e da fome, porque não dá mais para esperar pela educação universal e de qualidade. Essa tardará muitos anos a vir.























