UM CICLO VICIOSO DE CONTAMINAÇÃO
NÃO É JUSTO, OS JOVENS QUE VÃO PARA AS BALADAS ESTÃO TENDO PRIORIDADE NOS LEITOS DE UTI.
Sai uma festa de tradição cultural e entra outra, e tome comemoração, numa pandemia que já ceifou a vida de mais de 325 mil pessoas, uma população inteira de Vitória da Conquista. No Brasil, principalmente na Bahia, os eventos se sucedem numa progressão proporcional da doença através das aglomerações. É um suicídio coletivo! “Gente estúpida”!
Esse ciclo vicioso de contaminação indica que a pandemia ainda vai perdurar por alguns meses, e só pode baixar com a vacinação em massa, que sofreu atrasos e continua num ritmo lento. Ninguém quer cortar sua tradição, como bem vimos no São João passado com uma multidão comprando ingredientes nas feiras e mercados para festejar com as famílias, amigos e parentes.
Depois do São João vieram as eleições, e depois as comemorações de final de ano. O ritual de estupidez é sempre o mesmo, seguido de um aumento nos índices de infecção, superlotação nos hospitais e mais gente morrendo. No início de fevereiro tivemos os carnavais clandestinos incentivados pelas lives da turma do axé baiano.
Agora é a Semana Santa e os Ovos de Páscoa, com as peixarias, feiras e supermercados cheios de consumidores ávidos para fazer mesas fartas com vatapá, caruru e outras comilanças. Como no Natal, a Sexta da Paixão é o tempo que as pessoas mais se empanturram com comidas e bebidas quando deveria ser o contrário, como recomenda a religião. A tradição da festa, carregada de comidas, ultrapassou a religiosidade.
Esse quadro de insensatez serve para estampar um dos maiores paradoxos brasileiros. De um lado, uma camada mais pobre se aglomera nos mercados para comprar peixe, camarão, dendê, quiabo, castanha e outros ingredientes para a festança. Do outro, vemos imagens de casebres famintos, de geladeiras e panelas vazias, com crianças e adultos que mal fazem uma refeição por dia.
Não dá para entender esses absurdos de desigualdade social de uma pobreza, que ainda consegue um dinheirinho para cumprir a tradição de uma Semana Santa, dentro de outra ainda pior de extrema pobreza que passa fome e não vai ter o peixe na mesa para seguir o preceito.
Dentro de mais 15 ou 20 dias vamos ter outro avanço da doença, praticamente coincidindo com o São João de junho, para completar o chamado ciclo vicioso da contaminação. Enquanto isso, as vacinas chegam aos tiquinhos, numa velocidade de uma carroça.











