:: maio/2020
A VIDA SECRETA DE FIDEL – AS REVELAÇÕES DE SEU GUARDA-COSTAS PESSOAL (II)
O autor da obra começa fazendo um relato sobre a ilha paradisíaca dos Castros, a chamada Cayo Piedra, com seu iate luxuoso, o Aquarama II, escoltado pela Pionera I e a II, com dez membros da guarda pessoal de Fidel, que vivia sob ameaças de morte, inclusive pela CIA, com veneno, canetas e charutos sabotados.
Em seu passeio, a aviação cubana também se fazia presente na Base Aérea de Santa Clara, com seu MIG-29 de fabricação soviética. Era o ano de 1990, o 32º do reinado de Fidel Alejandro Castro Ruz, que estava com 63 anos. O muro de Berlin tinha sido derrubado, em 1989, e o presidente George Bush se preparava para lançar a operação “Tempestade no Deserto”, para derrubar Saddam Hussein, no Iraque. Fidel navegava rumo à sua ilha secreta.
O Aquarema II era uma réplica maior do Aquarema I, confiscado de um simpatizante do regime de Fulgêncio Batista, derrubado em primeiro de janeiro de 1959 pela Revolução Cubana, nascida em 1957 nas montanhas da Sierra Maestra, com 60 barbudos.
Todo conforto e luxo
O autor Juan Reinaldo Sánchez conta que o Aquarama II oferecia todo conforto, decorado com madeiras nobres importadas de Angola. Os quatro motores foram oferecidos por Leonid Brejnev a Fidel. Voava 78 quilômetros por hora. Em Cuba quase ninguém sabia da existência desse barco. Desde os anos 60, era ali que se escondia a marina privada de el comandante.
O lugar era também chamado de La Caleta del Rosario que abrigava várias residências secundárias de Fidel e seu museu pessoal dedicado aos troféus de pesca. “Em seu iate, gostava muito de tomar seu uísque Chivas Regal”.
Aproveitava para discutir os negócios correntes com José Naranjo, fiel assistente apelidado de Pepín. Dália Soto del Valle, uma de suas mulheres, com a qual teve cinco filhos dos nove, sempre estava presente. Com ela compartilhava a vida desde 1961. Seu médico Eugênio Selman também o acompanhava – narra o autor.
O local ficava próximo da Baia dos Porcos, invadida por mercenários exilados cubanos da Flórida (1.500 homens), em 17 de abril de 1961, dirigidos pela CIA. Lançada no início do mandato de John Kennedy, a operação foi um fiasco (1.200 aprisionados e 118 mortos). Do lado castrista, 176. Foi uma humilhação para Washington.
Fidel sempre respondia para o mundo que não possuía nenhum patrimônio, além de uma cabana de pescador. Essa cabana se transformou numa estação balnear. Afirma Juan Sánchez, que a ela poderia ser acrescentada duas dezenas de bens imobiliários, como Punto Cero, sua imensa propriedade em Havana, La caleta del Rosario, La Deseada, na província de Pinar del Rio, para caça de patos.
Sempre reclamava que a Revolução não lhe dava trégua e descanso e que ele ignorava o conceito burguês de férias. Sánchez o desmente e garante que de 1977 a 1994 o acompanhou centenas de vezes ao paraíso Cayo Piedra. “Sua vida privada era o segredo mais bem guardado em Cuba. Nenhum irmão (tinha sete) nunca foi convidado a conhecer a ilha, talvez o Raul”.
Conta que ele não tinha muitos laços familiares. Seu filho mais velho Fidelito, de um primeiro casamento, esteve lá algumas vezes. Alina, que fugiu para Miami, nunca esteve lá. Esteve na ilha o presidente colombiano Alfonso Lopez Michelsen, o empresário francês Gérard Bourgoin, o rei do frango, a apresentadora da rede de televisão americana ABC, Bárbara Walters e Erich Honecker, dirigente da República Democrática Alemã – revela.
Gabriel Garcia Márquez
“A VIDA SECRETA DE FIDEL – AS REVELAÇÕES DE SEU GUARDA-COSTAS PESSOAL” (I)
Ao estilo tirânico estalinista, Fidel Castro entrou triunfal, em Havana, em primeiro de janeiro de 1959. Assumiu o poder com mão de ferro e sempre eliminava qualquer um que atravessasse seu caminho, por mais próximo que fosse. Apropriou-se de muitos imóveis, casas de luxo, de uma ilha, iates e outros bens do Estado para viver suas mordomias.
Uma revista norte-americana citava ele como dono de uma das maiores fortunas do mundo. Sempre negou, mas ostentava vida de um rico milionário, cercado de mulheres (machista) e outras regalias. Foi um grande general estrategista que tentou exportar sua revolução para outros países da África e da América Latina, com alguns sucessos. Montou uma estrutura de segurança pessoal invejável e impenetrável que nem os cubanos sabiam de sua vida particular, nem o que acontecia nos bastidores. Sua vida sempre foi um mistério a desvendar.
Essas e outras narrações da sua vida íntima e pública, como a administração no papel de el comandante no comércio clandestino de armas, drogas e outros produtos para o exterior, principalmente em momentos de maior crise econômica e social da ilha, para manter viva a revolução, estão no livro de Juan Reinaldo Sánchez, “A Vida Secreta de Fidel – as revelações de seu guarda-costas pessoal”.
“Traidor da Pátria”
O autor foi preso como “traidor da pátria” e depois de solto fugiu para a Flórida, nos Estados Unidos, onde publicou a obra. Juan qualifica seu chefe como dissimulado, cínico, maquiavélico e um drácula. Todas suas acusações, verdadeiras ou não, são de sua responsabilidade, mas confessa que viu tudo de perto. Acreditava piamente na revolução e era um fiel escudeiro do comandante.
Em dezembro de 1991, Cuba mergulhou na pior crise econômica de sua existência, e Fidel decretou o “período especial em tempos de paz”, permitindo a particulares abrir paladares (restaurantes em domicílio). Não foi suficiente como a crise dos balseiros, em 1994, quando 30 mil cubanos fugiram em suas balsas para Miami.
Fui promovido a Chefe da Avanzada (preparava as viagens do el comandante para as províncias, ou exterior), como a posse de Fernando Collor de Mello, em 1990, para a Cúpula Ibero-Americana, em Guadalajara (México), em julho de 1991 e para Espanha. Era o melhor atirador de Cuba.
Nesse tempo, escolhi esquecer o “Caso Arnaldo Ochoa” (fuzilado) e o expurgo de altos escalões, que desestabilizaram o Ministério do Interior, comandado pelo general Abelardo Colomé Ibarra. O chefe da escolta do comandante estava a cargo de José Delgado.
Os ventos começaram a soprar contra mim a partir de 1994. Minha filha Aliette casou-se com um venezuelano e foi para Caracas. Meu irmão, cozinheiro do Conselho de Estado, fugiu para Flórida. Desde 1968 prestava serviços ao comandante, sendo dezessete na escolta, a partir de 1977 – conta Juan Sánchez.
Com 45 anos, em 1994 dispensaram meus trabalhos na escolta e, então, pedi minha aposentadoria através de uma carta à segurança social. O general Humberto Francis, chefe da Segurança Pessoal (departamento encarregado da proteção de todos altos dirigentes) não aceitou. Exigi passar por um conducto reglamentário (recurso que permite dirigir-se a um superior).
Torturas na cela
A EXTINÇÃO DOS JUMENTOS
Lamento muito a declaração do diretor da Adab -Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, Maurício Bacelar, de que o estado vai criar uma cadeia produtiva de jumentos, jegues ou asininos, para fornecer, de “forma sustentável”, esses animais, símbolos do Nordeste, para o abate nos frigoríficos baianos. A foto e a informação foram divulgadas nesta semana, com exclusividade, no blog do nosso companheiro e amigo jornalista, Mário Bitencourt (blogdomariobitencourt). Uma balela para enganar ambientalistas e defensores dos animais. Na verdade, o que está por trás disso é uma estratégia montada para extinguir com os jumentos em nosso Nordeste, porque não vai haver cadeia produtiva alguma, como bovinos, caprinos e suínos, citados pelo diretor da Adab. Aqui na Bahia, os frigoríficos de Amargosa, Simões Filho e Itapetinga estão matando, impiedosamente, os jegues para vender a carne e o couro para a China, utilizados em iguarias domésticas e para fabricar um gelatina, o eijao, medicamento para pele e impotência sexual, como afirmam os chineses. Depois que os jumentos foram substituídos pelas motos e não servem mais para transportar água e lenha, resolveram, criminosamente, acabar com esta espécie que tanto serviu ao sertanejo na labuta do dia a dia, sustentando famílias. Em meio a essa pandemia, com milhares de mortes, o governo federal (a matança conta com o apoio) está destruindo o meio ambiente, incluindo os animais. A perversidade do homem sobrou agora para os nossos inocentes jumentos. Cadê o Ministério Público, as entidades ambientalistas e outros órgãos de defesa animal que se calam e não tomam providências contra mais este absurdo?
TRISTEZA E DOR
Poema mais recente de autoria do jornalista Jeremias Macário
Como já dizia o poeta profeta,
“Dou voz a quem não tem voz”,
E no meu verso torto controverso,
Sou também a voz do invisível,
Vítima desse capital algoz.
Criticam tanto meu lamento,
De que tem o canto profundo,
De um vento de tristeza e dor;
Que nele tem a cor vermelha,
O cinzento bagaço da seca,
Da “Triste Partida” Assaré,
Do nordestino pau-de-arara,
Como vara nascido num sapé;
Que minha tinta tine como aço,
E que seja como folha fresca,
Como o mel doce da abelha,
E que devo logo me libertar,
Desse manto de tristeza e dor.
Respondo que em meu caminho,
Com minha flecha lá vou eu,
Ora no raio da luz, ora no breu,
Misturando cachaça com vinho,
Com a pipa de olho no tempo,
Temperando certo minhas linhas,
Na tentativa de aliviar essa dor,
Da lança letal da injustiça social,
Que ao invés de água, só sai sal.
Prefiro ser a “Vinhas da Ira”,
Da terra agrária violentada,
Marcha de um sonho prometido,
Na lente de John Ford que mira,
O explorador tirano da pobreza,
Como o insano faz do nosso Brasil,
Roubando todo encanto e riqueza,
E transformando a nossa nação,
Que Caminha disse ser fértil chão,
Num velho e arranhado vinil.
Onde estiver a fome e a miséria,
A chibata surrando o mais fraco,
Lá estará a artéria da minha voz,
Mesmo que vire saco de pancada,
Pois a arte no seu sensato canto,
Tem o ato de mostrar o belo e a fera,
Sem agradar o pecador e o santo,
Senão melhor ficar em sua tapera,
Ou numa loca onde vive o mocó,
Que arisco sai ao calor do sol.
E depois se recolhe em sua toca.
Se for para ser apenas seguidor,
Dessas falsas parábolas e fábulas,
Não gritar contra a cruel realidade,
Dessa sociedade tão dura desigual,
De indiferente marginal desamor,
Fruto desse perverso bruto animal,
Fico em meu canto mudo sem falas,
E paro de vez com a minha canção,
De angústia, revolta, tristeza e dor.
NÃO EXISTEM ISOLAMENTO SOCIAL E QUARENTENA DA COVID NO BRASIL
Existe uma sensação de que estamos todos perdidos, na contramão do que as outras nações estão realizando para voltar à normalidade o mais rápido possível, com ordem e disciplina. Aqui, já somos o segundo país do mundo com mais casos de coronavírus. O número de infectados e mortes só aceleram, num ritmo assustador. Quando vamos chegar ao tal pico, para termos uma curva decrescente? No governo só se comenta em demissões, acordos com o “Centrão” de deputados do toma lá, dá cá e mais destruição do meio ambiente, com o desmatamento da Amazônia.
Nesse desnorteado e conturbado Brasil, sem liderança e rumo, onde as “orientações” de um capitão-presidente, contrárias à ciência, não são seguidas por governadores e prefeituras em geral, e o brasileiro em si é desprovido de disciplina, com uma cultura diferente da europeia, sem educação preventiva, o isolamento social e a chamada quarentena no país não passam de uma ilusão. Simplesmente não existem.
Que isolamento é esse com o movimento intenso de veículos nas grandes cidades, e os transportes coletivos de ônibus, vans e metrôs lotados todos os dias? Desde o início da pandemia da Covid-19, há mais de dois meses, que se fala em quarentena, mas é uma balela, se formos analisar os cenários que foram impostos e cumpridos em diversos países europeus, como Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, Inglaterra e até em alguns dos nossos vizinhos da América do Sul.
PROBLEMAS SOCIAIS E O VÍRUS DA CORRUPÇÃO
Somado a tudo isso, temos ainda um país pobre com grandes problemas sociais, de educação e de saneamento básico onde milhões têm que escolher entre morrer de coronavírus ou de fome. De um lado, os seguidores da morte defendem a saída total para as ruas e abertura de estabelecimentos não essenciais. Do outro, os governadores fazem um esforço tremendo para fazer cumprir medidas de distanciamento, inclusive com a força coercitiva do policiamento, multas e prisões.
Nessa mistura indigesta da pandemia, o caos político no Quartel-general do Planalto, Ministério da Saúde (um já foi exonerado), sendo desautorizado a emitir protocolos de procedimentos para conter a doença e, para completar, a presença nefasta do vírus da corrupção na compra de equipamentos respiratórios e no auxílio social, tudo só fica mais confuso e abre mais espaço para o avanço do coronavírus.
Temos um presidente que não entende nada de medicina, mas receita medicamentos, como a cloroquina. Cita até Napoleão e contraria seu próprio ministro da Saúde. Briga com governadores e quer que eles obedeçam seus malucos decretos. Fala-se até em prisões e fechamento do Supremo Tribunal Federal. Compras são feitas superfaturadas, e “fornecedores” safados entregam ventiladores falsificados e não adaptáveis nas UTIs. Os abutres carniceiros aproveitam da desgraça da pandemia para ganhar mais dinheiro.
TENDÊNCIA DE AUMENTO
Diante desse triste cenário de crise em todos os setores, na minha modesta visão, a propagação do vírus no Brasil só tente a aumentar, com mais mortes, hospitais trabalhando além da capacidade, cemitérios sem espaços para os enterros e muito derramamento de lágrimas e desespero de parentes, amigos e familiares. Não é questão de pessimismo e terror. É que o panorama brasileiro não é nada alentador e otimista.
O Brasil está sendo visto lá fora como um perigo para os países da nossa fronteira, como Argentina e o Paraguai que estão fechando suas fronteiras. O que estamos vendo é uma balbúrdia no trato do combate do vírus. Todos os dias, a Rede Globo apresenta um quadro das empresas que estão doando milhões para contribuir com máscaras, aparelhos, álcool gel, alimentos e outros materiais para instituições, governos, unidades de saúde e a população mais necessitada.
Do outro lado, profissionais da saúde, como enfermeiros e médicos, reclamam todos os dias da falta de apoio e equipamentos para trabalhar com segurança. Então, para aonde estão indo essas toneladas de doações? Faltam leitos e respiradores. A população está recebendo essa ajuda dos empresários? O que está havendo no outro lado do balcão? Está ocorrendo desvios dos milhões doados?
INVERNO CHEGA CEDO EM CONQUISTA E O BRASIL VAI AOS TRANCOS E BARRANCOS
Desde o início dos anos 90 quando aqui cheguei, nunca mais vi um inverno chegar em Vitória da Conquista entre abril e maio, mas sempre atrasado entre julho e agosto. Alguns fenômenos da natureza explicam essa mudança, segundo os especialistas em meteorologia, mas o coronavírus, por incrível que pareça, pode ter contribuído para essa antecipação.
Dizem por aí que existem males que trazem bem. Quer queiram, quer não, o isolamento social (nem tanto), o menor número de carros circulando nas ruas e a queda no consumismo de produtos supérfluos por causa da Covid-19 ajudou o meio ambiente, com a redução da poluição através de menos gases tóxicos no ar. A natureza agradece, se bem que, por outro lado, o vírus já provocou um tremendo estrago com milhões de mortes no planeta.
Imagens fúnebres e macabras
Não é apenas desse assunto positivo que pretendo tratar. Se nossos noticiários, principalmente na televisão, já nos deixavam estressados com tantas informações negativas no Brasil, começando pela violência e os escândalos diários no governo federal, agora com o coronavírus pioraram e só se ouve reportagens e se vê imagens fúnebres, macabras e tristes.
O noticiário do Jornal Nacional da Rede Globo, por exemplo, foi dividido em duas partes. Uma que relata o número de mortes, cemitérios cheios, baixando caixões em covas coletivas, e pessoas, a maioria pobre, de menor poder aquisitivo (isso já era esperado), se rasgando em choros, em cenas de partir o coração. O Jornal conta histórias das vítimas, exibidas nos lares, que levam muitos à depressão. Parece que estamos num cenário do Inferno de Dante.
A outra parte se refere ao capitão-presidente Bozó, com suas truculências, arrogâncias e descomposturas, com palavras atacando jornalistas, adversários, minorias e até dando uma banana para a nação. Chamam ele de louco, maníaco, de um Nero romano, mas sua intenção de decretar uma intervenção militar no país está bem clara.
Sinceramente, não aguento mais bater nessa questão, mas não podemos ser omissos e nos silenciar. Em sua estratégia, o cara fala em democracia, mas quer mesmo é a ditadura. Sua seguidora Damares, da Cidadania e Direitos Humanos (que ironia!), pede prisão dos governadores e prefeitos que não são genocidas como eles.
O desconhecido descompensado como seu chefe, o ministro da Educação, que está anunciando a prova do Enem em meio à pandemia que já ultrapassa vários países, defende a prisão do Supremo Tribunal Federal. E assim vai o Brasil nesse lamento profundo, como se fosse um carro velho empurrado aos trancos e barrancos. No momento, não está pegando nem na descida da ladeira. O povo leva chutes e porradas num longo corredor polonês que não tem fim.
Aqui em nossa terrinha, com muita gente nas ruas e muitos casos do corona, o frio chegou pra valer, registrando 13 graus à noite, e pode descer ainda mais. Nesse rigor, para não variar, os pobres são os que mais sofrem em seus barracos de tábuas e zincos apertados nas encostas da Serra.
Além do inverno, ainda temos que conviver com um índice da dengue acima do normal, e vem aí o aumento de problemas respiratórios. Haja oração e preces! Os homens cometem suas perversidades e atrocidades e depois apelam para Deus. Tem fanáticos religiosos que dizem que tudo isso é castigo Dele, como se fosse um vingador do futuro.
AGLOMERAÇÃO NA FEIRA DO ROLO
Sr. prefeito Hérzem Gusmão, o funcionamento da Feira do Rolo, na Praça do Carvão, no Bairro Brasil, é de primeira necessidade? Na minha modesta opinião, acho que não, porque lá vende tudo quanto é bagulho, de ferro velho, prego, parafusos, martelos, serrotes, mangueiras usadas, ferraduras, bules, facas, tesouras, facões e outras velharias, menos produtos de primeira necessidades, como alimentos, frutas, material de limpeza e remédios. Por que, então, continua funcionando, normalmente, aos sábados e domingos, com grande aglomeração, como mostram as fotos do jornalista Jeremias Macário? Fui lá e conclui que o ajuntamento de pessoas num mesmo local é maior que na Feirinha, no Bairro Brasil. A Feira do Rolo é uma área propícia para a propagação da pandemia. Vá lá, senhor prefeito, e veja com seus próprios olhos! Ali teria que ser fechado até passar essa onda do coronavírus. É o meu ponto de vista. Se é um local que não tem nenhum distanciamento é na Feira do Rolo.
O GENOCÍDIO DAS BESTAS FERAS
Com o mortal coronavírus em nossa cola diária, a grande mídia esqueceu de divulgar e destacar vários genocídios que estão ocorrendo em nosso território por conta das bestas feras que estão implantando um Estado de exceção na mesma linha da ditadura de 1964. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, está acontecendo um massacre de fazendeiros e milicianos fardados contra os índios guaranis, e até crianças estão sendo vítimas de balas de borracha.
A intenção das bestas feras, cujo chefe maior manda exonerar diretores do Ibama que queimaram tratores e equipamentos dos madeireiros e garimpeiros, é primeiro exterminar os índios e ribeirinhos que vivem dos produtos da floresta e depois transformar a Amazônia numa grande fazenda de gado, soja e extração de minérios, tudo para vender para o exterior. As bestas feras colocam o lucro acima da vida e, em suas veias, correm o sangue da morte. Falam de mortes de CNPJs e esquecem os quase dez mil de CPFs.
PRATICAMENTE CALADOS
Todos sabem muito bem quem são essas bestas feras sociopatas que agem como tiranos em busca do dinheiro, como sanguinários pelo ouro. Os veículos de comunicação em geral, as instituições, o judiciário, o Congresso Nacional, as entidades ambientais, os intelectuais, artistas e a sociedade estão praticamente calados, enquanto eles atuam desmatando e devastando a fauna e a flora amazôniza.
Eles não tiram férias e nem praticam o isolamento social para se protegerem do vírus. São seguidores da morte que negam a ciência e cultuam a feitiçaria do ódio e dos boatos. Dizem até que o rock é satânico; tratam os negros como arrobas; querem uma cultura impositiva patriótica; acham que menino tem que vestir azul e menina veste rosa; desconhecem a escravidão e, se existiu, foi benéfica aos descendentes; condenam a liberdade de expressão; defendem a tortura; declaram que a ditadura civil-militar de 64 foi democrática e que nem houve; e fazem apologia ao fascismo, destilando venenos.
Não somente os índios estão sendo vítimas dessas bestas feras, que já deixaram claro que o propósito é acabar com as reservas indígenas. Os pobres, negros, gays e outras categorias excluídas são desprezíveis para eles. Nem são gentes com alma. Estão inclusos no seu genocídio violento, que aumenta dia a dia, os viventes dos morros, das favelas e das periferias das médias e grandes cidades. O coronavírus passa, e as outras bestas feras vão continuar praticando suas matanças. Pouca coisa está sendo informado sobre esses outros genocídios.
As bestas feras marcham na Praça dos Três Poderes numa disfarçada “visita” ao Supremo Tribunal Federal que se caracterizou como uma invasão intimidatória. Seu chefe quer fechar o STF e criar um de 11 ministros só dele para dizer que existe democracia. Encurralado, ele está agora apelando para o troca-troca do chamado “Centrão” de deputados, que já foi classificado pela sua tropa de mentiroso, bando de ladrões e representante da impunidade.
Os criminosos do genocídio falsificam e superfaturam até respiradores artificiais para salvar vidas. Nesse tempo do coronavírus letal, até os Estados Unidos estão fazendo o papel de besta fera e se transformaram em Piratas do Pacífico, interceptando aparelhos de saúde comprados da China pelo Brasil. Que covardia do Tio Sam contra um pobre país que ele diz ser seu amigo! Quem tem um desse, não precisa de inimigo.
UMA MISTURA DO BELO E DO PROTESTO
Tenho recebido críticas e comentários de que eu devo escrever, fazer letras poéticas e composições sobre as belezas da vida e do sertão nordestino, notas líricas, mais amenas e coisas assim nessa linha, mas digo que não posso me calar diante da dor que os nossos brasileiros estão passando, e não consigo me apartar do protesto. Defendo que devemos mostrar os dois lados, e tenho procurado fazer essa mistura, mas sempre brota a revolta contra as injustiças sociais, sem abraçar nenhuma linha partidária política.
Não quero me virar num cão raivoso intolerante como essas bestas feras do genocídio, mas me comove muito o clamor dos desassistidos quando derramam suas lágrimas de sofrimento e fazem apelos desesperadores de socorro que nunca chegam, ou tardam a chegar em muitos casos. Por isso é que minha linha é muito mais de denúncia. Entendo que o artista nunca pode ser omisso quanto a realidade. Fora disso, a arte fica capenga por mostrar somente uma face. E a outra besta fera fica oculta?
SEQUIDÃO
Foto e escultura do jornalista Jeremias Macário
Não sou escultor, mas um atrevido que procura retratar a vida, principalmente do nosso Nordeste, procurando mostrar suas belezas e também as mazelas de um povo sofrido e com sede de justiça social. Esta é a minha quarta escultura, se assim me permite denominá-la, feita de cipó, que vou aproveitando aqui no muro do outro lado do meu quintal. Resolvi chamá-la de “Sequidão” por representar o mandacaru sobrevivente da seca, como é a nossa mente inteligente que usa a fé e a ciência para continuar a viver. Minha intenção foi retratar o Nordeste que ora é verde, ora é cinzento. Uma é vida e a outra é sinal da morte nas lavouras, nas plantas e animais que têm que enfrentar a sequidão até as próximas águas molharem o chão.
EXISTE E NÃO EXISTE
Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário
Ainda existe
Processo sem prisão,
A tortura sem história,
Corrupção com vitória,
O crime que compensa,
A manipulação da imprensa,
O sonho feito de cristais,
Como promessas sagradas
Dos amantes e dos casais.
Ainda existe,
A vergonha da esmola,
A escola sem lição,
País sem educação,
Criança sem livro,
Rei fajuto de camisola,
A justiça da pistola,
O cruel capital,
O empreiteiro pardal,
O ladrão de gravata
O coronel da chibata,
O amolador de navalha,
O ferreiro do fole
E o político canalha.
Não existe,
Relógio sem hora,
Piora sem melhora,
Cordel sem rima,
Cantador sem viola,
Presente sem passado,
Chato que não amola,
Sandália sem poeira,
Cavalo sem crina,
Cidade sem feira,
País sem hino,
Nem vida sem sina,
Romaria sem peregrino,
E criatura sem destino.






















